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Orçamento do Estado e medidas fi scais para 2010
NESTE NÚMERO:
• Orçamento do Estado para 2010 (Lei nº 3-B/2010, de 28.4)
• Entrega do Relatório Único
Entrou em vigor no dia 29 de Abril a Lei do Orça- mento do Estado para 2010 – Lei nº 3-B/2010, de 28 de Abril – a qual, embora com um atraso de aproxi- madamente um mês, vai permitir que o país deixe de viver no regime de duodécimos e os vários serviços do Estado possam fi nalmente trabalhar com base nos orçamentos aprovados para cada sector.
O diploma, que transcrevemos parcialmente neste número, engloba algumas alterações mas poucas novi- dades em termos de fi scalidade, sendo que as mudanças mais signifi cativas surgiram já individualizadas e no âmbito da antecipação de medidas, do Programa de Estabilidade e Crescimento, uma vez que o próprio orçamento refl ecte pouco tais medidas embora muitas delas sejam de aplicação ainda durante o ano 2010.
Em virtude da antecipação de tais medidas e da evolução dos mercados, já há quem preveja a possi- bilidade bem real de vir a surgir a necessidade de um
(Continua na pág. 307) orçamento rectifi cativo, o qual permitirá enquadrar ao nível da despesa e da receita tais medidas.
IRS – Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares
Porém, em sede de IRS e no âmbito do OE agora aprovado, as principais alterações são:
• Harmonização do regime simplifi cado, passando este a abranger um maior número de sujeitos passivos, uma vez que passa a existir um só escalão de rendimento no montante de 150 mil euros quer para as vendas quer para todos os outros contribuintes com rendimento anual ilíquido até esse valor, contra os 100 mil euros actualmente em vigor;
• Desaparece a colecta mínima no regime simpli- fi cado, o que permite que trabalhadores inseridos na Categoria B possam ter baixos rendimentos sem que tal implique um pressuposto de rendimento mínimo por parte da Administração Fiscal;
• Os actos isolados podem agora constituir 100% do rendimento anual de um contribuinte desde que os mesmos não confi gurem uma prática previsível e reiterada;
Legislação
Lei nº 3-B/2010, de 28.4 (Orçamento do Estado para 2010 - códigos fi scais e legislação
complementar - alterações) ... 313 a 337 Informações Vinculativas
IRC: enquadramento do sector agrícola no âmbito do RFAI 2009 ... 312 Obrigações fi scais do mês e Inf. Diversas .... 306 a 310 Sistema de Normalização Contabilística:
benefícios dos empregados ... 311 Trabalho e Segurança Social
Informações Diversas, e Regulamentação
do Trabalho ... 338 a 342 Sumários do Diário da República ... 343 e 344
SUMÁRIO
PAGAMENTOS EM MAIO
I R S (Até ao dia 20 de Maio)
– Entrega do imposto retido no mês de Abril sobre rendi- mentos de capitais, prediais e comissões pela intermediação na realização de quaisquer contratos, bem como do imposto retido pela aplicação das taxas liberatórias previstas no art.
71º do CIRS.
– Entrega do imposto retido no mês de Abril sobre as remunerações do trabalho dependente, independente e pen- sões – com excepção das de alimentos (Categorias A, B e H, respectivamente).
I R S (Até ao dia 28 de Maio)
Termina o prazo de entrega da declaração mod. 3 do IRS, por via electrónica, para os sujeitos passivos que auferiram em 2009 rendimentos das categorias B, C, D, E, F e G, conjunta- mente ou não com rendimentos das categorias A e H.
I R C (Até ao dia 20 de Maio)
– Entrega das importâncias retidas no mês de Abril por retenção na fonte de IRC, nos termos do art. 94º do CIRC.
I V A
- Entrega do imposto liquidado no mês de Março pelos contribuintes de periodicidade mensal do regime normal. (Até ao dia 10 de Maio)*
Juntamente com a declaração periódica, deve ser enviado o anexo recapitulativo referente às operações intracomu- nitárias de bens isentos.
- Entrega do imposto liquidado no 1º trimestre de 2010 pelos contribuintes de periodicidade trimestral do regime normal. (Até ao dia 17 de Maio)*
- Regime dos pequenos retalhistas - pagamento do imposto apurado relativo ao 1º trimestre de 2010 (Até ao dia 20 de Maio).* A obrigação de envio da declaração periódica do IVA subsiste caso no período em referência não haja operações tributáveis.
(art. 67º, nº 1, do Código do IVA)Juntamente com a declaração periódica, deve ser enviado o anexo recapitulativo referente às operações intracomu- nitárias de bens isentos.
*Obrigatoriedade de envio pela Internet das declarações periódicas do IVA.
O pagamento pode ser efectuado nas estações dos CTT, no Multibanco ou numa Tesouraria de Finanças com o sistema local de cobrança até ao último dia do prazo.
TAXA SOCIAL ÚNICA (Até ao dia 17 de Maio) – Contribuições relativas às remunerações de Abril.
IMPOSTO ÚNICO DE CIRCULAÇÃO – Liquidação, por transmissão electrónica de dados, e pa- gamento do Imposto Único de Circulação – IUC – relativo aos veículos cujo aniversário da matrícula ocorra no mês de Maio.
IMPOSTO DO SELO (Até ao dia 20 de Maio) – O Imposto do Selo é pago mediante Documento de Cobrança de modelo ofi cial (Declaração de pagamento de re- tenções de IRS/IRC e de IS – cfr. Port. nº 523/2003, de 4.7).
A apresentação do Documento de Cobrança deve ser feita por transmissão electrónica de dados, via Internet, ou através das seguintes entidades: tesourarias da Fazenda Pública, caixas multibanco ou balcões dos CTT ou em qualquer local ou meio legalmente autorizado, tais como o serviço de “homebanking”
para as instituições de crédito que o disponibilizem.
Estamos on-line
www.boletimdocontribuinte.pt
Boletim do Contribuinte
IRS
Números da 1ª fase de entrega
No passado dia 18 de Abril terminou, excepcionalmente, o prazo para entrega via Internet das declarações Modelo 3 de IRS referentes à 1ª fase (categorias A e H).
Segundo dados do Ministério das Finanças, foram entregues mais 11,6% de declarações por via electrónica do que no ano de 2009, tendo sido recepcionadas, em 2010, 2.497 milhões de declarações e no total, entre Internet e papel, foram recebidas pelas fi nanças 3294 milhões de declarações. Os números totais representam, ainda segundo o Ministério das Finanças, um acréscimo de 2,6% de entregas face ao ano de 2009.
Por outro lado, e em função do prazo de 20 dias prometido para o reembolso, o Ministério esclarece que já foram reembolsa- dos 70% do total dos valores, representando o montante global de 978 milhões de euros, sendo que este valor se refere à liquidação de perto de metade das declarações entregues na 1ª fase.
O prazo de entrega via Internet das declarações da 2ª fase já começou, também excepcionalmente, dia 19 de Abril e ter- minará no dia 28 de Maio.
Conselho de Ministros aprova criação de dois novos Tribunais
No último Conselho de Ministros foi aprovada a proposta de lei que altera a Lei de Organização e Funcionamento dos Tri- bunais Judiciais, com o objectivo de criar dois novos tribunais, o de competência especializada para tratamento das questões da propriedade intelectual e o da concorrência, regulação e supervisão.
A criação do tribunal de propriedade intelectual e do tribunal da concorrência, regulação e supervisão permite assegurar uma melhor redistribuição de processos e o descongestionamento e redução das pendências nos Tribunais do Comércio.
Consequentemente, altera-se o Código da Propriedade In- dustrial, modifi cando o tribunal competente para a apreciação das questões relativas à propriedade industrial, competência que deixa de caber aos Tribunais de Comércio e passa a caber ao Tribunal da Propriedade Intelectual, bem como o regime jurídico da concorrência, modifi cando o tribunal competente para o recurso das decisões da autoridade da concorrência, competência que deixa de caber aos Tribunais de Comércio e passa a caber ao Tribunal da Concorrência.
Também se altera o Regime Geral das Instituições de Crédito
e Sociedades Financeiras, modifi cando o tribunal competente
para a impugnação judicial das decisões das entidades regula-
doras e de supervisão em matéria contra-orodenacional, a qual
passa a competir ao Tribunal da Concorrência, Regulação e
Supervisão.
INFORMAÇÕES DIVERSAS
MAIO 2010 - Nº 9
Orçamento do Estado e medidas fi scais para 2010
(Continuação da pág. 305)
• O prazo de entrega das declarações modelo 3 em suporte papel relativas à 1ª fase (Categoria A e H) decorrerá durante o mês de Março e a 2ª fase (Restantes Categorias) durante o mês de Abril. Se a entrega ocorrer via internet, os prazos serão durante os meses de Abril e Maio, respectivamente.
• As taxas de IRS serão actualizadas à taxa prevista da infl ação, que se estima ser de 0,8%.
• Passam a ser tributados autonomamente à taxa de 50%
os prémios que sejam recebidos pelos sócios e gestores de instituições bancárias;
• Passam a ser dedutíveis os equipamentos e obras que contribuam para a melhoria das condições térmicas das casas, podendo aqui ser englobados os vidros duplos ou o isolamento de telhados. Porém, esta dedução só pode ser utilizada uma vez a cada quatro anos;
• A aquisição de computadores e material informático deixa de benefi ciar de incentivos fi scais, o qual previa a de- dução à colecta do IRS correspondente a 50% dos montantes despendidos com a aquisição de computadores até ao limite de 250 euros;
• Prevê-se um perdão fi scal para a “importação” dos capi- tais investidos no estrangeiro por residentes em Portugal. Estes poderão apresentar uma declaração de regularização tributária e pagar 5% do valor do património declarado;
• Os prémios de rifas, jogo do loto, bem como de quaisquer concursos e os prémios do bingo, deixam de ser tributados em IRS, para serem tributados em Imposto do Selo;
• Prevê-se a possibilidade de os sócios das sociedades por quotas unipessoais (ICR), os investidores informais das sociedades veículo de investimento em empresas com po- tencial de crescimento (certifi cadas no âmbito do programa COMPETE) e os investidores informais em capital de risco a título individual (certifi cados pelo IAPMEI, no âmbito do programa FINICIA) benefi ciarem da dedução à colecta de IRS, do próprio ano, em montante correspondente a 20% do valor investido realizado (por si ou pela sociedade por quotas unipessoais ICR de que sejam sócios), até ao limite de 15%.
IRC – Imposto sobre o rendimento das pessoas colecti- vas
No que respeita ao IRC, as alterações são mais reduzidas que no caso do IRS, sendo que a alteração mais signifi cativa é a eliminação do Regime Simplifi cado, que já estava suspenso em 2009 e o aumento de 60% para 75% do resultado da li- quidação de IRC, o que vai também aumentar o IRC a pagar
para os bancos e seguradoras.
Assim, em sede de IRC as principais alterações podem ser resumidas a:
• Eliminação do Regime Simplifi cado de Tributação, ape- nas podendo manter-se neste regime por opção as entidades que nele se encontram mas apenas até ao fi nal do decurso dos três anos em que vigora a opção;
• Eliminação dos títulos da dívida pública na possibilidade de reinvestimento em sede de mais-valias e menos valias, ou seja, não é considerada reinvestimento a aquisição de títulos da dívida pública para efeitos de dedução dos ganhos obtidos ou das perdas sofridas nas transmissões onerosas de activos;
• É criada, para o ano de 2010, uma taxa de tributação au- tónoma para as instituições de crédito e sociedades fi nanceiras de 50% para os bónus e remunerações variáveis a pagar a administradores ou gerentes, quando as mesmas representem mais de 25% da remuneração dos mesmos e sejam superiores a 27 500 euros;
• Aumenta de 60% para 75% o resultado da liquidação de IRC das entidades que exerçam actividades de natureza comercial, industrial ou agrícola, passando assim a permitir-se apenas uma redução do IRC em 25% em função da dedução de benefícios fi scais.
Esta alteração, que levará a que os bancos, entidades que melhor aproveitavam os 40% de redução, não consigam obter os mesmos resultados que até agora, também vai prejudicar todas as outras entidades sujeitas a IRC, uma vez que a alte- ração não é exclusiva para as entidades fi nanceiras;
• É criada uma taxa de tributação autónoma de 35% para os bónus e remunerações variáveis a pagar a administradores ou gerentes, quando as mesmas representem mais de 25% da re- muneração dos mesmos e sejam superiores a 27 500 euros;
• Serão também taxados autonomamente a 35% as indem- nizações ou compensações pagas aos gestores, administradores e gerentes que cessem funções antes de decorrido o período contratual, com excepção das relacionadas com objectivos de produção prévia e contratualmente defi nidos.
IVA – Imposto sobre o valor acrescentado
Ao nível do IVA, a alteração mais signifi cativa ainda se encontra em fase de autorização legislativa e traduz-se na su- pressão do IVA sobre o Imposto Sobre Veículos, o que levará a que os veículos adquiridos por parte de pessoas singulares e colectivas sujeitos passivos de IVA não consigam a partir dessa data deduzir os referidos montantes.
Assim, e uma vez que o ISV não é dedutível, temos para estas situações um claro prejuízo para os contribuintes, nomea- damente para os empresários em nome individual, profi ssionais liberais e toda e qualquer entidade sujeito passivo de IVA que adquira veículos.
Por outro lado, outra alteração relevante mas menos signifi - cativa traduz-se no facto de poder agora ser deduzido o IVA nos casos em que os créditos considerados incobráveis decorram de acordo obtido em sede de procedimento extrajudicial de conciliação em que o credor esteja integrado.
(Continua na pág. seguinte)
INFORMAÇÕES DIVERSAS
• Pelos livros dos comerciantes (verba 13);
• Pelos actos notariais (escrituras, habilitações, testamentos, procurações, etc) (verba 15);
• Pela publicidade (verba 19);
• Pelo registo de bens imóveis (verba 20); e, fi nalmente,
• Pelas sociedades comerciais aquando de entradas de ca- pital (constituição, transformação, alteração, transferência).
Benefícios fi scais
Relativamente aos benefícios fi scais, as alterações não são signifi cativas, podendo ser salientada a revogação do benefício fi scal à aquisição de computadores e a autorização para atribuição de benefício fi scal ao investimento em instru- mentos da dívida pública (certifi cados de aforro, por exemplo) destinados a jovens.
Ao nível empresarial, o Governo fi ca ainda autorizado a criar um conjunto de benefícios fi scais para as pequenas e médias empresas que adiram ao novo mercado organizado de capitais, ou seja, as pequenas e médias sociedades anónimas que dispersem pelo menos 25% do seu capital social num mercado organizado.
Por outro lado, existe um reforço dos benefícios fi scais à criação de emprego durante o ano 2010, através da possi- bilidade de acumulação de mais do que um benefício para o mesmo trabalhador ou posto de trabalho.
Processo e procedimento tributário
A grande medida ao nível do processo tributário é a com- pensação fi scal.
Assim, é desde logo esclarecida a dúvida sobre a possibili- dade de a administração fi scal poder efectuar compensação de créditos antes do decurso dos prazos do contraditório por parte dos contribuintes, situação que os tribunais administrativos e fi scais têm vindo a consagrar.
A partir da entrada em vigor do OE para 2010 e caso não existam alterações, fi ca expressamente consagrada a impos- sibilidade de compensação aquando do decurso do prazo para interposição do contraditório e estando este pendente.
A alteração mais signifi cativa é a possibilidade de com- pensação por iniciativa do contribuinte.
Assim, os contribuintes que possuam dívidas que se encontrem em fase de execução e ao mesmo tempo tenham créditos não tributários sobre entidades públicas integrantes da Administração directa do Estado podem indicar que as mesmas sejam objecto de compensação.
Em termos de processamento, a compensação tem de ser requerida pelo contribuinte executado ao dirigente máximo da administração tributária, tendo o mesmo que provar a existência e a origem do crédito, o seu valor e o prazo de vencimento.
A administração fi scal contactará a entidade da adminis- tração directa do Estado devedora para que esta reconheça o crédito e o valide como sendo certo, líquido e exigível.
A validação concretizará a compensação, extinguindo a execução ou aceitando o crédito como pagamento parcial, tendo em conta o valor do crédito e a dívida fi scal em cau- sa.
Imposto do Selo
Alterações mais signifi cativas ocorreram em sede de Im- posto do Selo com a revogação de diversos itens que até agora constavam na tabela geral do imposto e que vem de alguma forma concretizar parte do que o relatório do Grupo para o estudo da política fi scal recomendou.
Assim, deixa de ser pago imposto do selo:
• Nos autos e termos efectuados perante tribunais e serviços (Verba 3);
• Depósito dos estatutos de associações e outras instituições (verba 7);
• Quaisquer contratos não previstos especifi camente na tabela (contrato de trabalho, por exemplo) (verba 8);
• Pelas licenças (verba 12);
(Continuação da pág. anterior)
Inscrição na OTOC
Próximo exame realiza-se a 26 de Junho
De acordo com informação divulgada pela Ordem dos Técnicos Ofi ciais de Contas (OTOC), por proposta da Comissão de Inscrição aprovada pela Direcção, serão realizados exames de avaliação profi ssional, para efeitos de inscrição na OTOC, nos dias 26 de Junho e 30 de Outubro de 2010.
Nos termos de comunicado divulgado pela Comissão de Inscrição, o exame apresentará a mesma estrutura e duração dos exames anteriores. Isto é, uma prova sobre matérias estatutárias e deontológicas e uma prova sobre matérias contabilísticas e fi scais.
No que diz respeito aos conteúdos, as questões pro- postas nos exames, à semelhança de todos os anteriores, versarão sobre a legislação em vigor à data do exame.
Assim, a prova sobre matérias estatutárias e deontoló- gicas incidirá sobre o novo Estatuto da Ordem (Decre- to-Lei nº 310/2009, de 26.10) e a prova sobre matérias contabilísticas e fi scais terá em consideração o Sistema de Normalização Contabilística (SNC) e o Código do IRC, alterado pelo Decreto-Lei nº 159/2009, de 13.7 (Bol. do Contrib., 2009, pág. 485).
O Boletim do Contribuinte / Vida Económica, vai
realizar, em parceria com o ISCAP, cursos de preparação
para o exame de admissão à OTOC. Para mais informa-
ções, contactar para [email protected] (ou para Drª
Cláudia Figueiredo, tel. 223399468).
INFORMAÇÕES DIVERSAS
MAIO 2010 - Nº 9
Estado obrigado a pagar juros de mora pelo atraso no cumprimento de qualquer obrigação pecuniária
A Lei n.º 3/2010, de 27.4, veio estabelecer a obrigatoriedade de pagamento de juros de mora pelo Estado pelo atraso no cumprimento de qualquer obrigação pecuniária.
Assim, a partir de 1 de Setembro de 2010, o Estado e demais entidades públicas, incluindo as Regiões Autónomas e as autarquias locais, estão obrigados ao pagamento de juros moratórios pelo atraso no cumprimento de qualquer obrigação pecuniária, independentemente da sua fonte. Por regra, e caso não exista outra disposição legal que determine a aplicação de taxa diversa, a taxa de juro aplicável será a taxa de juros legal, actualmente fi xada nos 4% ao ano.
Esta obrigação de pagar juros de mora não é, no entan- to, aplicável à administração fi scal, no âmbito das relações tributárias.
A Lei ora aprovada introduz alterações ao regime especial relativo aos atrasos de pagamento em transacções comerciais (constante do DL n.º 32/2003, de 17.2, transcrito no Boletim do Contribuinte, 2003, págs. 153 e 180), determinando que, sempre que do contrato não conste a data ou o prazo de pa- gamento, são devidos juros, os quais se vencem automatica- mente, sem necessidade de novo aviso 30 dias após a data de aceitação ou verifi cação quando esteja previsto um processo mediante o qual deva ser determinada a conformidade dos bens ou serviços e o devedor receba a factura ou documento equivalente em data anterior.
Esta Lei introduz ainda alterações ao Código dos Contratos Públicos) aprovado pelo DL n.º 18/2008, de 29.1), em matéria de prazo de pagamento do contrato, de prazo de vencimento das obrigações pecuniárias e sobre os atrasos nos pagamentos pelo contraente público.
Deveres de conduta
dos analistas fi nanceiros e consultores para investimento
O Regulamento da CMVM que estabelece os deveres de conduta e qualifi cação profi ssional dos analistas fi nanceiros e consultores para investimento foi recentemente alterado pelo Regulamento da CMVM n.º 3/2010, de 15.4 (II série), na parte relativa à análise fi nanceira e consultoria para in- vestimento.
Este Regulamento aplica aos analistas fi nanceiros (aqueles que elaborem ou emitam recomendações de investimento que se destinem a canais de distribuição ou ao público) e aos consultores para investimento requisitos de idoneidade e deveres de conduta e qualifi cação profi ssional, fi xando-lhes
princípios de actuação no sentido da protecção dos investidores e da efi ciência do mercado.
Para o efeito, os analistas fi nanceiros e consultores para investimento deverão defi nir políticas e procedimentos que re- gulem, designadamente, em que circunstâncias podem realizar operações pessoais, como gerem os confl itos de interesses a que estão sujeitos (inclusive em matérias remuneratórias) e que metodologias de análise utilizam.
Os analistas fi nanceiros integrados em intermediários fi nanceiros já estão sujeitos a estas medidas, pelo que a al- teração ora introduzida traduz apenas uma extensão deste regime aos analistas independentes. Quanto aos intermediários fi nanceiros, estes deverão manter permanentemente actuali- zada uma lista das pessoas que exercem funções no âmbito das actividades de intermediação fi nanceira e assegurar que o número e as qualifi cações específi cas dos seus colaboradores são, a todo o tempo, adequadas ao volume e natureza das actividades prosseguidas.
Os analistas e consultores passam a estar sujeitos a um maior controlo e fi scalização dos requisitos de idoneidade, conduta e qualifi cação profi ssional.
Em matéria de registo prévio de consultores para investi- mento e analistas fi nanceiros na CMVM, as associações que os representam deverão comunicar a sua existência à CMVM, o que estimula a estruturação e implementação de modelos de auto-regulação.
Quanto à certifi cação da qualifi cação profi ssional, os ana- listas fi nanceiros e os consultores autónomos deverão possuir um diploma emitido por uma das entidades certifi cadoras de prestígio internacionalmente reconhecido, como é o caso do CFA Institute, da European Federation of Financial Analysts Societies ou da Association of Certifi ed International Invest- ment Analysts. Reconhece-se, porém, que outros cursos de formação e ou exames igualmente poderão permitir atingir o objectivo pretendido.
De referir que os requisitos de qualifi cação profi ssional, ora aprovados, são aplicáveis a todos os consultores para investimento que pretendam aceder à actividade a partir de 1 de Janeiro de 2011.
IRS
Atraso na publicação das tabelas de retenção na fonte para 2010
Em virtude da publicação tardia da Lei do Orçamen- to do Estado para o corrente ano – Lei nº 3-B/2010, de 28.4 (Bol. do Contrib., 2010, pág. 313), ainda não foram divulgadas pela Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) as tabelas de retenção mensal de IRS a aplicar em 2010 aos rendimentos do trabalho dependente e pensões gerados quer no Continente quer nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
Até à emissão pela DGCI das tabelas de retenção ou
da publicação na 2ª série do Diário da República dos
respectivos despachos, devem continuar a ser aplicadas
as tabelas de 2009, sendo efectuadas posteriormente as
devidas compensações.
Preparação ao exame de acesso à OTOC
Pedidos de informação e pré-inscrição para:
Grupo Editorial Vida Económica (Cláudia Figueiredo) Telf. 223 399 468 • Fax: 222 058 098
Faça já a sua inscrição:
endereço electrónico: [email protected] http://livraria.vidaeconomica.pt
Porto
ISCAP
10 de Maio a 15 Junho de 2010
Preço:
400 J (Público em geral)
300 J (Cliente VE)
Número mínimo:
15 a 25 alunos por turma
Oferta dos livros:
Sistema de Normalização Contabilística Código do IRS - 2010
Código do IRC - 2010 CD Rom com o sistema fiscal e contabilístico e conteúdos sobre Ética
e Deontologia Dr. Rui Saavedra; Dr. Juan Gil; Dra. Hermínia
Torres; Dra. Ana Maria Bandeira
Consolidar conhecimentos adquiridos nas áreas que serão objecto de avaliação no referido exame
Dotar os alunos de bases sólidas na área da Contabilidade Analítica e Geral, da Fiscalidade Portuguesa, que lhes permitam a realização do exame de acesso à inscrição na OTOC
Candidatos à realização do exame de acesso à inscrição na OTOC - Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas
Módulo 1 - Contabilidade Financeira (32 horas) Módulo 2 - Contabilidade de Gestão (20 horas) Módulo 3 - Fiscalidade (20 horas)
Módulo 4 - Ética e deontologia (12 horas)
FORMADORES
OBJECTIVO
FINALIDADE
DESTINATÁRIOS
MÓDULOS
INFORMAÇÕES DIVERSAS
MAIO 2010 - Nº 9
Sistema de Normalização Contabilística
Benefícios dos empregados
Benefícios pós-emprego
Após a apresentação no artigo passado dos procedimentos contabilísticos associados a planos de reforma de benefícios defi nidos, iremos iniciar este artigo com um exemplo de aplicação prática destes planos, tendo por base os exemplos previstos na IAS 19.
Uma empresa tem um plano de benefícios de reforma as seus empregados onde estabeleceu que atribui, na idade da reforma (por velhice ou por invalidez), um complemento de reforma, caso os empregados se mantivessem na empresa há mais de 15 anos. A empresa constituiu um fundo, gerido por uma entidade externa (Fundo de Pensões). Os elementos do relatório de avaliação actuarial eram os seguintes:
Descrição 1-1-2010 2010 31-12-2010
Valor presente da obrigação 1.500 1.600
Custo dos serviços correntes 90
Custo dos juros 210
Benefícios pagos 160
Ganhos/perdas actuariais não
reconhecidas 170
Valor do fundo 1.355 1.520
Contribuições 145
Retorno esperado dos activos
do plano 130
Tendo por base estes montantes, há que efectuar o cálculo do acréscimo nos ganhos e perdas actuariais, caso a empresa opte pelo registo daquelas perdas e ganhos utilizando o método do “corredor”. Assim, temos de estimar o valor da obrigação presente para 31 de Dezembro de 2010 e compará-la com o valor efectivo da obrigação àquela data. O valor da obrigação presente estimado seria de 1640 (= 1500 + 90 + 210 – 160).
Por diferença, apuramos um ganho actuarial de 40 relativo ao período de 2010. No que respeita ao valor dos activos do fundo, teremos, também, de apurar os ganhos/perdas actuariais. O valor estimado dos activos do plano em 31 de Dezembro seria de 1470 (= 1355 + 130 + 145 -160). Por diferença, apuramos um ganho actuarial de 50.
Caso a empresa não adopte o método do corredor, irá re- conhecer os ganhos e perdas actuariais na totalidade, durante o período em que os mesmos ocorrem. Assim, o custo a ser registado na rubrica de gastos com o pessoal será de 80 (= 90 + 210 – 130-50-40), por contrapartida da conta “Outras contas a receber e a pagar – Benefícios pós-emprego”. O saldo desta conta deverá ser de 80 (saldo credor) (= 1.600-1.520).
Se a empresa optar pelo registo dos ganhos e perdas ac- tuariais pelo método do “corredor”, deverá ter em atenção o seguinte: neste método a empresa irá reconhecer uma parte dos ganhos e perdas actuariais no período. Esta parte a reconhecer corresponde à fracção entre a diferença dos ganhos e perdas no início do período de relato e o valor do corredor (que corres- ponde ao máximo entre 10% do valor presente da obrigação e 10% do justo valor dos activos do plano) e o período de vida médio de trabalho dos empregados até ao máximo de 10 anos.
Aplicando estes cálculos ao exemplo apresentado, temos um valor de corredor de 150 (= 10% x 1.500). O excesso relati- vamente ao valor do corredor é de 20 (= 170 + 150). Caso o número médio de anos de trabalho até à reforma for de 5 anos, teremos de reconhecer no período 4 (= 20 / 5). Estes ganhos e perdas actuariais devem ser registados em diferimentos (conta 28). O saldo desta conta deverá ser de 256 ( = 170 – 4 + 50 + 40), correspondente a ganhos actuariais não reconhecidos.
Outros benefícios a longo prazo
Estes benefícios caracterizam-se pelo facto de não se vencerem na totalidade, num prazo de 12 meses. Os exemplos previstos na norma são: ausências permitidas de longo prazo, tais como licença por serviços duradouros ou sabática, bene- fícios de jubileu ou por outro serviço duradouro, benefícios a longo prazo de incapacidade e remunerações diferidas pagas doze meses ou mais após o fi m do período no qual seja obtida.
A contabilização destes benefícios é também efectuada tendo por base estudos actuariais. Contudo, o método do corredor não pode ser utilizado para o registo destes benefícios. No passivo deverá constar o valor presente da obrigação de benefícios defi nidos à data do balanço, deduzida do justo valor à data do balanço dos activos do plano (se os houver), dos quais as obrigações serão liquidadas directamente.
Benefícios de cessação do emprego
Estes benefícios de cessação, são por isso pagáveis, em consequência de uma decisão da empresa em cessar o emprego antes da data normal de reforma ou decisão de um empregado aceitar a saída voluntária em troca desses benefícios. Os benefí- cios de cessação devem ser reconhecidos como passivo e como gasto, quando e só quando a empresa estiver reconhecidamente comprometida, através de um plano formal pormenorizado, a terminar o emprego antes da data normal de reforma ou proporcionar benefícios de cessação com o objectivo de en- corajar a cessação voluntária. O plano formal deverá conter a localização, a função, e o número aproximado de empregados cujos serviços estão para ser cessados, o benefício de cessação para cada classifi cação ou função de emprego e momento em que o plano será implementado. Se os benefícios se vencerem a mais de 1 ano, os mesmos devem ser descontados. Nas situ- ações em que haja incerteza sobre o número de empregados, a obrigação deve ser determinada com base no número de empregados que se estima aceitarem a oferta.
No próximo artigo iremos apresentar a norma sobre os impostos sobre o rendimento.
Colaboração
INFORMAÇÕES
VINCULATIVAS DA DGCI
MAIO 2010 - Nº9
IRC – Benefícios fi scais
FICHA DOUTRINÁRIA
Diploma: CIRC e Decreto-Lei n.º 10/2009 (RFAI 2009) Artigo: Art.º 90.º do CIRC e art.º 13.º da Lei nº 10/2009.
Assunto: Enquadramento do sector agrícola no âmbito do RFAI 2009
Processo: 2010 000823, com Despacho do Director-Geral, de 2010-03-25
Conteúdo:
1. Tal como vem referido no art.º 1.º do RFAI 2009, aprovado pelo art.º 13.º da Lei n.º 10/2009, de 10 de Março, a sua criação respeitou o Regulamento (CE) n.º 800/2008, da Comissão, de 6 de Agosto, que declara certas categorias de auxílios compatíveis com o mercado comum, em aplicação dos art.ºs 87.º e 88.º do Tratado (“Regulamento geral de isenção por categoria”).
2. O que quer dizer que, se os auxílios estatais não se encontras- sem abrangidos pelo âmbito de aplicação do referido Regulamento, estariam sujeitos à obrigação da notifi cação prevista no n.º 3 do art.º 88.º do Tratado, o que não foi o caso do RFAI 2009.
3. Logo, os incentivos de apoio ao investimento criados pelo RFAI 2009 têm de ser analisados à luz do regulamento ao abrigo do qual foi criado, a fi m de se verifi car se os mesmos têm enquadramento no respectivo âmbito de aplicação.
4. Ora, o art.º 2.º do RFAI 2009 refere que o regime é aplicável aos sujeitos passivos de IRC que exerçam, a título principal, uma actividade nos sectores de actividade aí expressos, entre os quais se destaca o sector agrícola.
5. Fazendo uma leitura do Regulamento (CE) n.º 800/2008 aci- ma referido, encontramos, desde logo, no ponto (10) do preâmbulo uma primeira referência ao sector agrícola, que nos diz que «No sector agrícola, tendo em conta as regras específi cas aplicáveis à produção primária de produtos agrícolas, o presente regulamento deve isentar apenas os auxílios nos domínios da investigação e desenvolvimento, os auxílios sob a forma de capital de risco, os auxílios à formação, os auxílios à protecção do ambiente, e os auxílios a favor dos trabalhadores desfavorecidos e com defi ci- ência, na medida em que estas categorias de auxílios não sejam abrangidas pelo Regulamento (CE) n.º 1857/2006, da Comissão, de 15 de Dezembro de 2006, relativo à aplicação dos art.ºs 87.º e 88.º do Tratado aos auxílios estatais a favor das pequenas e médias empresas que se dedicam à produção de produtos agrícolas e que altera o Regulamento (CE) n.º 70/2001.»
6. E a alínea a) do n.º 3 do art.º 1.º do Regulamento vem concretizar o que se encontra referido no ponto (10) do preâmbulo, ao afastar do seu âmbito os «Auxílios concedidos em benefício das actividades de produção primária de produtos agrícolas, excepto os auxílios à formação, os auxílios sob a forma de capital de risco, os auxílios à investigação e desenvolvimento, os auxílios a favor do ambiente e os auxílios para trabalhadores desfavorecidos ou com defi ciência, na medida em que estas categorias de auxílios não sejam abrangidas pelo Regulamento (CE) n.º 1857/2006 da Comissão».
7. Por sua vez, o ponto (11) do preâmbulo refere que «Tendo em conta as semelhanças entre a transformação e a comercialização
dos produtos agrícolas e não agrícolas, o presente regulamento deve aplicar-se à transformação e à comercialização dos produtos agrícolas, desde que sejam cumpridas determinadas condições».
8. E esclarece-se no ponto (12) que «Nem as actividades de preparação dos produtos para a primeira venda efectuadas nas explorações agrícolas, nem a primeira venda a revendedores ou a transformadores devem ser consideradas actividades de transformação ou de comercialização para efeitos do presente regulamento».
9. Por outro lado, a alínea c) do n.º 3 do art.º 1.º do mesmo normativo afasta do seu âmbito os «Auxílios a favor de actividades de transformação e comercialização de produtos agrícolas» nos casos em que i) o montante do auxílio seja fi xado com base no preço ou na quantidade dos produtos adquiridos junto de produtores primários ou colocados no mercado pelas empresas em causa e em que ii) o auxílio esteja subordinado à condição de ser total ou parcialmente repercutido para os produtores primários.
10. Ora, sendo o RFAI 2009 um auxílio com fi nalidade regional a favor do investimento (e não um auxílio nos domínios da investi- gação e desenvolvimento, da formação, da protecção do ambiente, a favor dos trabalhadores desfavorecidos e com defi ciência ou um auxílio sob a forma de capital de risco), conclui-se que, no âmbito do sector agrícola, só podem aproveitar do RFAI 2009 os sujeitos passivos que exerçam, a título principal, uma activi- dade de transformação e comercialização de produtos agrícolas, obedecendo ao conceito de «transformação e comercialização»
presente nos pontos (11) e (12) do preâmbulo do regulamento que vimos citando e às condições exigidas no seu articulado.
11. A defi nição de «produto agrícola» obedece ao n.º 22 do art.º 2.º do regulamento, que considera como produtos agrícolas, entre outros, aqueles que estejam enumerados no anexo I do Tratado, excepto os produtos da pesca e da aquicultura abrangidos pelo Regulamento (CE) n.º 104/2000.
12. Feita a necessária interligação entre o diploma que criou o RFAI 2009 e o Regulamento (CE) n.º 800/2008, estamos em condições de poder concluir se a requerente pode ou não aproveitar deste incentivo fi scal. Vejamos:
i) A requerente exerce uma actividade que se enquadra na CAE 01130 – Cultura de Produtos Hortícolas Raízes e Tubérculos;
ii) Estes produtos integram a lista prevista no anexo I do Tratado, pelo que caem na defi nição de «produto agrícola»;
iii) Logo, podemos dizer que a actividade da requerente consiste na produção primária de produtos agrícolas;
iv) O RFAI 2009 respeita o Regulamento (CE) n.º 800/2008, da Comissão, de 6 de Agosto;
v) Os auxílios concedidos ao abrigo deste Regulamento não podem destinar-se a actividades de produção pri- mária de produtos agrícolas, à excepção dos auxílios específi cos que estão previstos na parte fi nal da alínea b) do n.º 3 do art.º 1.º do Regulamento.
vi) O RFAI 2009 consiste num auxílio com fi nalidade regional a favor do investimento. Logo, não abarca as situações especifi camente enumeradas na parte fi nal da alínea b) do n.º 3 do art.º 1.º do Regulamento.
13.Face ao exposto, conclui-se que a requerente, porque exerce uma actividade de produção primária de produtos agrícolas, não pode aproveitar do benefício fi scal designado por RFAI 2009, aprovado pelo art.º 13.º da Lei n.º 10/2009, de 10 de Março.
N.R. Cfr. Lei nº 10/2009, de 10.3, no Boletim do Contribuinte, 2010, pág. 199 e seguintes.
MAIO 2010 - Nº 9
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2010
CÓDIGOS FISCAIS E LEGISLAÇÃO COMPLEMENTAR – ALTERAÇÕES Lei nº 3-B/2010, de 28 de Abril
(in DR nº 82, I Série, Suplemento de 28.4.2010)
Acaba de ser fi nalmente publicada a lei do Orçamento do Estado para o corrente ano. Em seguida transcrevemos parte da Lei nº 3-B/2010 (OE), nomeadamente a parte relativa à política fi scal para 2010.
Esta lei procede a alterações directas, aos diferentes códigos fi scais e legislação complementar, nomeadamente no âmbito dos impostos directos (IRS, IRC) e indirectos (IVA, Imposto do Selo e respectiva tabela geral, Impostos Especiais de Consumo – combustíveis, produtos petrolíferos e energéticos, Imposto Sobre Veículos, Imposto Único de Circulação e Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (CIMT).
São igualmente objecto de alterações o Estatuto dos Benefícios Fiscais, o Código de Processo e do Procedimento Tributário, a Lei Geral Tributária e o Regime Geral das Infracções Tributárias entre outras normas e legislação complementar com impacto ao nível fi scal.
De salientar que, para além das alterações directas aos diferentes normativos legais atrás mencionados, a presente lei contém ainda numerosas autorizações legislativas para efectuar novas alterações em diversos códigos fi scais.
A mesma Lei (artigo 131º) aprova ainda o novo regime excepcional de regularização tributária de elementos pa- trimoniais que não se encontrem em território português – RERT II, que anteriormente já tinha sido anunciado, e que reproduzimos na pág. 337 deste número.
Por outro lado, chamamos a atenção dos interessados para o artigo 124º, que autoriza o Governo a legislar no sentido de instituir a arbitragem como forma alternativa de resolução jurisdicional de confl itos em matéria tribu- tária, defi nindo o mesmo artigo (cfr. pág . 332) princípios e matérias abrangidas na referida lei de autorização legislativa.
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea g) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
(...) CAPÍTULO X Impostos directos
SECÇÃO I
Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares ARTIGO 84.º
Alteração ao Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares
Os artigos 3.º, 28.º, 30.º, 31.º, 45.º, 53.º, 55.º, 58.º, 60.º, 68.º, 70.º, 71.º, 72.º, 74.º, 77.º, 82.º, 84.º, 85.º, 86.º, 92.º, 100.º, 101.º e 115.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de Novembro, abreviadamente designado por Código do IRS, passam a ter a seguinte redacção:
«ARTIGO 3.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - Para efeitos do disposto nas alíneas h) e i) do número anterior, consideram-se rendimentos provenientes de actos isolados os que não resultem de uma prática previsível ou reiterada.
4 - ...
5 - ...
6 - ...
ARTIGO 28.º [...]
1 - ...
2 - Ficam abrangidos pelo regime simplifi cado os sujeitos passivos que, no exercício da sua actividade, não tenham ultrapassado no período de tributação imediatamente anterior um montante anual ilíquido de rendimentos desta categoria de A 150 000.
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - A aplicação do regime simplifi cado cessa apenas quando o montante a que se refere o n.º 2 seja ultrapassado em dois períodos de tributação consecutivos ou, quando o seja num único exercício, em montante superior a 25 %, caso em que a tributação pelo regime
LEI Nº 3-B/2008, DE 28.4
ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2010
ÍNDICE(...)
CAPÍTULO X – Impostos directos ... 313
(IRS e IRC)
CAPÍTULO XI – Impostos indirectos ... 320
(IVA, Imposto do Selo)
CAPÍTULO XII – Impostos especiais ... 323 (Impostos especiais de consumo - CIEC, Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos, ..Imposto sobre veículos;
Imposto Único de Circulação)
CAPÍTULO XIII – Impostos locais ... 328 (Imposto municipal sobre as transmissões
onerosas de imóveis;
CAPÍTULO XIV – Benefícios fi scais ... 329 (EBF, outros incentivos)
CAPÍTULO XV – Procedimento e processo tributário .... 330 (Lei Geral Tributária, CPPT, regime
Geral das Infracções Tributária)
CAPÍTULO XVI – Harmonização fi scal comunitária ... 334 (Continua na pág. seguinte)
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2010
de contabilidade organizada se faz a partir do período de tributação seguinte ao da verifi cação de qualquer desses factos.
7 - ...
8 - ...
9 - Sempre que da aplicação dos indicadores de base técnico-cien- tífi ca a que se refere o n.º 1 do artigo 31.º se determine um rendimento tributável superior ao que resulta dos coefi cientes estabelecidos no n.º 2 do mesmo artigo, pode o sujeito passivo, no exercício da entrada em vigor daqueles indicadores, optar, no prazo e nos termos previstos na alínea b) do n.º 4, pelo regime de contabilidade organizada, ainda que não tenha decorrido o período mínimo de permanência no regime simplifi cado.
10 - No exercício de início de actividade, o enquadramento no regime simplifi cado faz-se, verifi cados os demais pressupostos, em conformidade com o valor anual de rendimentos estimado, constante da declaração de início de actividade, caso não seja exercida a opção a que se refere o n.º 3.
11 - ...
12 - ...
13 - ...
ARTIGO 30.º [...]
A determinação do rendimento tributável dos actos isolados está sujeita ao regime simplifi cado ou de contabilidade organizada, conforme resulta do disposto no artigo 28.º
ARTIGO 31.º [...]
1 - ...
2 - Até à aprovação dos indicadores mencionados no número ante- rior, ou na sua ausência, o rendimento tributável é obtido adicionando aos rendimentos decorrentes de prestações de serviços efectuadas pelo sócio a uma sociedade abrangida pelo regime de transparência fi scal, nos termos da alínea b) do n.º 1 do artigo 6.º do Código do IRC, o montante resultante da aplicação do coefi ciente de 0,20 ao valor das vendas de mercadorias e de produtos e do coefi ciente de 0,70 aos res- tantes rendimentos provenientes desta categoria, excluindo a variação de produção.
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - (Revogado.)
7 - ...
8 - ...
9 - ...
ARTIGO 45.º [...]
1 - Para a determinação dos ganhos sujeitos a IRS considera-se o valor de aquisição, no caso de bens ou direitos adquiridos a título gratuito:
a) O valor que tenha sido considerado para efeitos de liquidação de imposto do selo;
b) O valor que serviria de base à liquidação de imposto do selo, caso este fosse devido.
2 - (Revogado.)
3 - No caso de direitos reais sobre bens imóveis adquiridos por do- ação isenta, nos termos da alínea e) do artigo 6.º do Código do Imposto do Selo, considera-se valor de aquisição o valor patrimonial tributário constante da matriz até aos dois anos anteriores à doação.
ARTIGO 53.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - Os rendimentos brutos da categoria H de valor anual superior a A 30 240, por titular, têm uma dedução igual ao montante referido nos nºs 1 ou 4, consoante os casos, abatido, até à sua concorrência, de 13 % da parte que excede aquele valor anual.
6 - ...
7 - ...
ARTIGO 55.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - Ao rendimento tributável, determinado no âmbito do regime simplifi cado, podem ser deduzidos os prejuízos fi scais apurados em períodos anteriores àquele em que se iniciar a aplicação do regime, nos termos do n.º 3.
5 - ...
6 - ...
7 - ...
ARTIGO 58.º [...]
...
a) ...
b) ...
c) Rendimentos do trabalho dependente de montante inferior ao da dedução específi ca estabelecida na alínea a) do n.º 1 do artigo 25.º
ARTIGO 60.º [...]
1 - ...
a) ...
i) Durante o mês de Março, quando os sujeitos passivos apenas hajam recebido ou tenham sido colocados à sua disposição rendimentos das categorias A e H;
ii) Durante o mês de Abril, nos restantes casos;
b) ...
i) Durante o mês de Abril, quando os sujeitos passivos apenas hajam recebido ou tenham sido colocados à sua disposição rendimentos das categorias A e H;
ii) Durante o mês de Maio, nos restantes casos.
2 - ...
ARTIGO 68.º [...]
1 - ...
Rendimento colectável (euros)
Taxas (percentagem)
Normal (A) Média (B)
Até 4 793 10,5 10,500 0
De mais de 4 793 até 7 250 13 11,347 1
De mais de 7 250 até 17 979 23,5 18,599 6
De mais de 17 979 até 41 349 34 27,303 9
De mais de 41 349 até 59 926 36,5 30,154 6
De mais de 59 926 até 64 623 40 30,870 2
Superior a 64 623 42
(Continuação da pág. anterior)
(Continua na pág. seguinte)
MAIO 2010 - Nº 9 2 - O quantitativo do rendimento colectável, quando superior a A
4793, é dividido em duas partes: uma, igual ao limite do maior dos escalões que nele couber, à qual se aplica a taxa da col. (B) correspon- dente a esse escalão; outra, igual ao excedente, a que se aplica a taxa da col. (A) respeitante ao escalão imediatamente superior.
ARTIGO 70.º [...]
1 - Da aplicação das taxas estabelecidas no artigo 68.º não pode resultar, para os titulares de rendimentos predominantemente originados em trabalho dependente, a disponibilidade de um rendimento líquido de imposto inferior ao valor anual da retribuição mínima mensal acrescida de 20 % nem resultar qualquer imposto para os mesmos rendimentos, cuja matéria colectável, após a aplicação do quociente conjugal, seja igual ou inferior a A 1911.
2 - ...
ARTIGO 71.º [...]
1 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título defi nitivo, à taxa liberatória de 20 %, os seguintes rendimentos obtidos em território português:
a) Os juros de depósitos à ordem ou a prazo, incluindo os dos certifi cados de depósito;
b) Os rendimentos de títulos de dívida, nominativos ou ao portador, bem como os rendimentos de operações de reporte, cessões de crédito, contas de títulos com garantia de preço ou de outras operações similares ou afi ns;
c) Os rendimentos a que se referem as alíneas h), i), l) e q) do n.º 2 e o n.º 3 do artigo 5.º.
2 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título defi nitivo, à taxa liberatória de 20 %, os rendimentos de valores mobiliários pagos ou colocados à disposição dos respectivos titulares, residentes em terri- tório português, devidos por entidades que não tenham aqui domicílio a que possa imputar-se o pagamento, por intermédio de entidades que estejam mandatadas por devedores ou titulares ou ajam por conta de uns ou outros.
3 - Exceptuam-se do disposto no número anterior os rendimentos pagos ou colocados à disposição de fundos de investimento constitu- ídos de acordo com a legislação nacional, caso em que não há lugar a retenção na fonte.
4 - Estão sujeitos a retenção na fonte a título defi nitivo, à taxa liberatória de 20 %, os seguintes rendimentos obtidos em território português por não residentes:
a) Os rendimentos do trabalho dependente e todos os rendimentos empresariais e profi ssionais, ainda que decorrentes de actos isolados;
b) Quaisquer rendimentos de capitais não referidos no n.º 1;
c) As pensões;
d) Os incrementos patrimoniais previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1 do artigo 9.º
5 - ...
6 - Os rendimentos a que se referem os nºs 1 e 2 podem ser englo- bados para efeitos da sua tributação, por opção dos respectivos titulares, residentes em território nacional, desde que obtidos fora do âmbito do exercício de actividades empresariais e profi ssionais.
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
11 - ...
ARTIGO 72.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - Os rendimentos de capitais, tal como defi nidos no artigo 5.º, mencionados no n.º 1 do artigo 71.º, devidos por entidades não residentes,
quando não sujeitos a retenção na fonte nos termos do n.º 2 do mesmo artigo, são tributados autonomamente à taxa de 20 %.
6 - ...
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
ARTIGO 74.º [...]
1 - Se forem englobados rendimentos das categorias A, F ou H que comprovadamente tenham sido produzidos em anos anteriores àquele em que foram pagos ou colocados à disposição do sujeito passivo e este fi zer a correspondente imputação na declaração de rendimentos, o respectivo valor é dividido pela soma do número de anos ou fracção a que respeitem, no máximo de seis, incluindo o ano do recebimento, aplicando-se à globalidade dos rendimentos a taxa correspondente à soma daquele quociente com os rendimentos produzidos no próprio ano.
2 - ...
ARTIGO 77.º [...]
A liquidação do IRS deve ser efectuada no ano imediato àquele a que os rendimentos respeitam, nos seguintes prazos:
a) Até 30 de Junho, com base na declaração apresentada nos prazos referidos na subalínea i) das alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 60.º;
b) Até 31 de Julho, com base na declaração apresentada nos prazos referidos na subalínea ii) das alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 60.º;
c) ...
ARTIGO 82.º [...]
1 - ...
a)
b) ...
c) ...
d) Aquisição de outros bens e serviços directamente relacionados com despesas de saúde do sujeito passivo, do seu agregado fa- miliar, dos seus ascendentes e colaterais até ao 3.º grau, desde que devidamente justifi cados através de receita médica, com o limite de A 65 ou de 2,5 % das importâncias referidas nas alíneas a), b) e c) se superior.
2 - ...
ARTIGO 84.º [...]
São dedutíveis à colecta 25 % dos encargos com apoio domiciliá- rio, lares e instituições de apoio à terceira idade relativos aos sujeitos passivos, bem como dos encargos com lares e residências autónomas para pessoas com defi ciência, seus dependentes, ascendentes e colaterais até ao 3.º grau que não possuam rendimentos superiores à retribuição mínima mensal, com o limite de 85 % do valor da retribuição mínima mensal.
ARTIGO 85.º Encargos com imóveis
1 - ...
a) Juros e amortizações de dívidas contraídas com a aquisição, construção ou benefi ciação de imóveis para habitação própria e permanente ou arrendamento devidamente comprovado para habitação permanente do arrendatário, com excepção das amortizações efectuadas por mobilização dos saldos das contas poupança-habitação, até ao limite de A 591;
b) Prestações devidas em resultado de contratos celebrados com cooperativas de habitação ou no âmbito do regime de compras em grupo, para a aquisição de imóveis destinados a habitação
(Continua na pág. seguinte)
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2010
própria e permanente ou arrendamento para habitação perma- nente do arrendatário, devidamente comprovadas, na parte que respeitem a juros e amortizações das correspondentes dívidas, até ao limite de A 591;
c) Importâncias, líquidas de subsídios ou comparticipações ofi ciais, suportadas a título de renda pelo arrendatário de prédio urbano ou da sua fracção autónoma para fi ns de habitação permanente, quando referentes a contratos de arrendamento celebrados a coberto do Regime do Arrendamento Urbano, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 321-B/90, de 15 de Outubro, ou do Novo Regime de Arrendamento Urbano, aprovado pela Lei n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, ou pagas a título de rendas por contrato de locação fi nanceira relativo a imóveis para habitação própria e permanente efectuadas ao abrigo deste regime, na parte que não constituem amortização de capital, até ao limite de A 591.
2 - (Revogado.)
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
ARTIGO 86.º [...]
1 - São dedutíveis à colecta 25 % das importâncias despendidas com prémios de seguros de acidentes pessoais e seguros de vida que garantam exclusivamente os riscos de morte, invalidez ou reforma por velhice, neste último caso desde que o benefício seja garantido, após os 55 anos de idade, e cinco de duração do contrato, relativos ao sujeito passivo ou aos seus dependentes, pagos por aquele ou por terceiros, desde que, neste caso, tenham sido comprovadamente tributados como rendimento do sujeito passivo, com o limite de A 65, tratando-se de sujeitos passivos não casados ou separados judicialmente de pessoas e bens, ou de A 130, tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judicialmente de pessoas e bens.
2 - ...
3 - ...
a) Tratando-se de sujeitos passivos não casados ou separados judicialmente de pessoas e bens, até ao limite de A 85;
b) Tratando-se de sujeitos passivos casados e não separados judi- cialmente de pessoas e bens, até ao limite de A 170;
c) Por cada dependente a seu cargo, os limites das alíneas anteriores são elevados em A 43.
4 - ...
5 - ...
ARTIGO 92.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - Determina o início da contagem do prazo de caducidade, nos casos em que haja lugar a liquidação de imposto, a ocorrência de qualquer dos seguintes factos:
a) A não afectação do imóvel à habitação do sujeito passivo ou do seu agregado familiar no prazo referido nas alíneas a), b) e c) do n.º 6 do artigo 10.º;
b) O decurso do prazo de reinvestimento do valor de realização de imóvel destinado a habitação própria e permanente do sujeito
passivo ou do seu agregado familiar sem que o mesmo tenha sido concretizado, total ou parcialmente, nos termos da alínea a) do n.º 5 do artigo 10.º;
c) O pagamento de qualquer capital em vida nos termos dos nºs 3 do artigo 27.º e 5 do artigo 86.º
ARTIGO 100.º [...]
1 - ...
Escalões de remunerações anuais (euros)
Taxas (percentagem)
Até 5 156 0
De 5 156 até 6 088 2
De 6 088 até 7 222 4
De 7 222 até 8 971 6
De 8 971 até 10 859 8
De 10 859 até 12 550 10
De 12 550 até 14 376 12
De 14 376 até 18 020 15
De 18 020 até 23 420 18
De 23 420 até 29 650 21
De 29 650 até 40 523 24
De 40 523 até 53 527 27
De 53 527 até 89 213 30
De 89 213 até 133 847 33
De 133 847 até 223 125 36
De 223 125 até 495 443 38
Superior a 495 443 40
2 - ...
3 - Quando, não havendo possibilidade de determinar a remuneração anual estimada, sejam pagos ou colocados à disposição rendimentos que excedam o limite de A 5156, aplica-se o disposto no n.º 1 do presente artigo.
4 - ...
ARTIGO 101.º [...]
1 - ...
2 - Tratando-se de rendimentos referidos no artigo 71.º, a retenção na fonte nele prevista cabe:
a) Às entidades devedoras dos rendimentos referidos nos n.os 1 e 4 do artigo 71.º;
b) Às entidades que paguem ou coloquem à disposição os rendi- mentos referidos no n.º 2 do artigo 71.º
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
ARTIGO 115.º [...]
1 - ...
a) A passar recibo, em modelo ofi cial, de todas as importâncias recebidas dos seus clientes, pelas prestações de serviços referidas na alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º, ainda que a título de provisão, adiantamento ou reembolso de despesas, bem como dos rendi- mentos indicados na alínea c) do n.º 1 do mesmo artigo; ou b) ...
2 - ...
3 - ...
4 - ... »
(Continuação da pág. anterior)
(Continua na pág. seguinte)
MAIO 2010 - Nº 9 ARTIGO 85.º
Aditamento ao Código do IRS
É aditado ao Código do IRS, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de Novembro, o artigo 85.º-A, com a seguinte redacção:
«ARTIGO 85.º-A Deduções ambientais
1 - São dedutíveis à colecta, desde que não susceptíveis de serem considerados custos para efeitos da categoria B, 30 % das importâncias despendidas com a aquisição dos seguintes bens, desde que afectos a utilização pessoal, com o limite de A 803:
a) Equipamentos novos para utilização de energias renováveis e de equipamentos para a produção de energia eléctrica ou térmica (co-geração), por microturbinas, com potência até 100 kW, que consumam gás natural, incluindo equipamentos complementares indispensáveis ao seu funcionamento;
b) Equipamentos e obras de melhoria das condições de compor- tamento térmico de edifícios, dos quais resulte directamente o seu maior isolamento;
c) Veículos sujeitos a matrícula, exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis.
2 - As deduções referidas em cada uma das alíneas do número anterior apenas podem ser utilizadas uma vez em cada período de quatro anos.»
ARTIGO 86.º
Revogação de normas do Código do IRS
São revogados os n.os 2 do artigo 9.º, 6 do artigo 31.º, 2 do artigo 45.º e 2 do artigo 85.º do Código do IRS.
ARTIGO 87.º
Alteração ao Decreto-Lei n.º 42/91, de 22 de Janeiro O artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 42/91, de 22 de Janeiro, alterado pelos Decretos-Leis n.os 134/2001, de 24 de Abril, e 194/2002, de 25 de Setembro, passa a ter a seguinte redacção:
«ARTIGO 9.º [...]
1 - ...
a) ...
b) ...
c) ...
d) Os rendimentos da categoria A, que respeitem a actividades exercidas no estrangeiro por pessoas singulares residentes em território português, sempre que tais rendimentos sejam sujeitos a tributação efectiva no país da fonte em imposto similar ou idêntico ao IRS.
2 - ...
3 - ... » ARTIGO 88.º
Disposições transitórias no âmbito do Código do IRS 1 - Os rendimentos brutos de cada uma das categorias A, B e H auferidos por sujeitos passivos com defi ciência são considerados, para efeitos de IRS, apenas por 90 % em 2010.
2 - Não obstante o disposto no número anterior, a parte do rendimento excluída de tributação não pode exceder em 2010, por categoria de rendimentos, A 2500.
3 - Os prazos previstos nos artigos 60.º e 77.º do Código do IRS, com as alterações introduzidas pela presente lei, aplicam-se
a partir de 1 de Janeiro de 2011.
(Continua na pág. seguinte)
SECÇÃO II
Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas ARTIGO 89.º
Alteração ao Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas
Os artigos 14.º, 34.º, 48.º, 51.º, 52.º, 59.º, 73.º, 88.º, 90.º, 92.º, 93.º, 95.º, 98.º e 106.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88, de 30 de Novembro, abreviadamente designado por Código do IRC, passam a ter a seguinte redacção:
«ARTIGO 14.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - O disposto nos nºs 3 e 4 é igualmente aplicável relativamente aos lucros que uma entidade residente em território português, nas condições estabelecidas no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho, coloque à disposição de um estabelecimento estável situado noutro Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu, de uma entidade residente num Estado membro da União Europeia que esteja nas mesmas condições e que detenha, total ou parcialmente, por intermédio do estabelecimento estável, uma participação directa não inferior a 10 % ou com um valor de aquisição não inferior a A 20 000 000 desde que esta tenha permanecido na sua titularidade, de modo ininterrupto, durante um ano.
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - O disposto nos nºs 3 a 5 é igualmente aplicável aos lucros que uma entidade residente em território português, nos termos e condições aí referidos, coloque à disposição de uma entidade residente num Estado membro do espaço económico europeu que esteja vinculada a cooperação administrativa no domínio da fi scalidade, equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia, desde que ambas as entidades preencham condições equiparáveis, com as necessárias adaptações, às estabeleci- das no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho, e façam a prova da verifi cação das condições e requisitos de que depende aquela aplicação nos termos previstos na parte fi nal do n.º 4, com as necessárias adaptações.
11 - O disposto nos nºs 6 e 7, nos termos e condições aí referidos, é igualmente aplicável em relação a estabelecimento estável, situado noutro Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu, de uma entidade residente noutro Estado membro do espaço económico europeu que esteja vinculado a cooperação administrativa no domínio da fi scalidade equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia.
ARTIGO 34.º [...]
1 - ...
a) ...
b) ...
c) ...
d) ...
e) As depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, incluindo os veículos eléctricos, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação excedente ao montante a defi nir por portaria do membro do Governo responsável pela área das fi nanças, bem como dos barcos de recreio e aviões de turismo e todos os gastos com estes relacionados, desde que tais bens não estejam afectos à exploração do serviço público de transportes ou não se destinem a ser alugados no exercício da actividade normal do sujeito passivo.
ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2010
2 - ...
ARTIGO 48.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - ...
a) O valor de realização correspondente à totalidade das partes de capital deve ser reinvestido, total ou parcialmente, na aquisição de participações no capital de sociedades comerciais ou civis sob forma comercial ou na aquisição, produção ou construção de activos fi xos tangíveis, de activos biológicos que não sejam consumíveis ou em propriedades de investimento, afectos à exploração, nas condições referidas na parte fi nal do n.º 1;
b) As participações de capital alienadas devem ter sido detidas por período não inferior a um ano e corresponder a, pelo menos, 10% do capital social da sociedade participada ou ter um valor de aquisição não inferior a A 20 000 000, devendo as partes de capital adquiridas ser detidas por igual período;
c) ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
ARTIGO 51.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - Não obstante o disposto no n.º 1, o regime aí consagrado é aplicável, nos termos prescritos no número anterior, às agências gerais de seguradoras estrangeiras, bem como aos estabelecimentos estáveis de sociedades residentes noutro Estado membro da União Europeia e do espaço económico europeu que sejam equiparáveis às referidas no número anterior.
4 - ...
5 - O disposto nos nºs 1 e 2 é também aplicável quando uma enti- dade residente em território português detenha uma participação, nos termos e condições aí referidos, em entidade residente noutro Estado membro da União Europeia, desde que ambas as entidades preencham os requisitos estabelecidos no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho.
6 - O disposto nos nºs 1 e 5 é igualmente aplicável aos rendimentos, incluídos na base tributável, correspondentes a lucros distribuídos que sejam imputáveis a um estabelecimento estável, situado em território português, de uma entidade residente noutro Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu, neste caso desde que exista obrigação de cooperação administrativa no domínio da fi scalidade equi- valente à estabelecida no âmbito da União Europeia, que detenha uma participação, nos termos e condições aí referidos, em entidade residente num Estado membro, desde que ambas essas entidades preencham os requisitos e condições estabelecidos no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho, ou, no caso de entidades do espaço económico europeu, requisitos e condições equiparáveis.
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
11 - O disposto nos nºs 1, 2 e 8 é igualmente aplicável quando uma entidade residente em território português detenha uma participação, nos termos e condições aí referidos, em entidade residente noutro
Estado membro do espaço económico europeu que esteja vinculado a cooperação administrativa no domínio da fi scalidade equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia, desde que ambas essas entidades preencham condições equiparáveis, com as necessárias adap- tações, às estabelecidas no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho.
12 - Para efeitos do disposto no n.º 5, na alínea b) do n.º 8 e no n.º 11, o sujeito passivo deve provar que a entidade participada e, no caso do n.º 6, também a entidade benefi ciária cumprem as condições estabelecidas no artigo 2.º da Directiva n.º 90/435/CEE, do Conselho, de 23 de Julho, ou, no caso de entidades do espaço económico europeu, condições equiparáveis, mediante declaração confi rmada e autenticada pelas autoridades fi scais competentes do Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu de que é residente.
ARTIGO 52.º [...]
1 - Os prejuízos fi scais apurados em determinado exercício, nos termos das disposições anteriores, são deduzidos aos lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos quatro exercícios posteriores.
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
ARTIGO 59.º [...]
A determinação do lucro tributável por métodos indirectos é efec- tuada pelo director de fi nanças da área da sede, direcção efectiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo ou por funcionário em que este delegue e baseia-se em todos os elementos de que a administração tributária disponha, de acordo com o artigo 90.º da lei geral tributária e demais normas legais aplicáveis.
ARTIGO 73.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - ...
5 - ...
6 - ...
7 - ...
a) Sociedades com sede ou direcção efectiva em território português sujeitas e não isentas de IRC;
b) ...
8 - ...
9 - ...
10 - ...
ARTIGO 88.º [...]
1 - ...
2 - ...
3 - ...
4 - São tributados autonomamente, à taxa de 20 %, os encargos dedutíveis, suportados pelos sujeitos passivos mencionados no número anterior, respeitantes a viaturas ligeiras de passageiros ou mistas cujo custo de aquisição seja superior ao montante fi xado nos termos da alí- nea e) do n.º 1 do artigo 34.º, quando os sujeitos passivos apresentem prejuízos fi scais nos dois períodos de tributação anteriores àquele a que os referidos encargos digam respeito.
5 - ...
6 - ...
(Continuação da pág. anterior)
(Continua na pág. seguinte)