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IntegraçãoparaFunçõesVetoriais

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Academic year: 2018

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(1)

NOTAS DE AULA

C ´

ALCULO VETORIAL

Cl´audio Martins Mendes

(2)

Sum´

ario

1 C´alculo Vetorial 2

1.1 Integrais de Linha . . . 2

1.2 Campos Conservativos e Integrais de Linha . . . 13

1.3 Teorema de Green . . . 26

1.4 Integrais de Superf´ıcie . . . 32

1.5 Divergente - Rotacional . . . 47

(3)

Cap´ıtulo 1

alculo Vetorial

1.1

Integrais de Linha

Sejam Ω um aberto de R2 eγ : [a, b]R2 uma curva suave ( isto ´e, γ(t) ´e cont´ınuo

eγ′(t)6= 0, t[a, b] ). Seja ainda f : ΩR2 R.

R f

B Pi

Pi−1

A γ

b a

q q q q

q ♣ ♣ ♣ q q q ♣ ♣ ♣

♣♣♣

♣♣♣

Tomemos A=γ(a) e B =γ(b).

Seja a = t0 < t1 < · · · < tn = b uma parti¸c˜ao de [a, b]. Consideremos ∆i = ti −ti−1,

i = 1, . . . , n. Esta parti¸c˜ao em [a, b] determina uma parti¸c˜ao do arco AB em arcos Pi−1Pi,

onde Pi =γ(ti), i= 1, . . . , n.

Sejam ∆Si = comprimento do arco Pi−1Pi e k∆k= max ∆Si.

Em cada arco Pi−1Pi tomamos (ui, vi) e formamos a soma

X

i

(4)

Defini¸c˜ao 1. A integral curvil´ınea de f sobre γ de A at´e B ´e definida (e denotada) por:

Z

γ

f(x, y)ds= lim k∆k→0

X

i

f(ui, vi)∆Si ;

desde que o limite exista independentemente da escolha de (ui, vi)∈ Pi−1Pi.

Obs: A integral anterior ´e tamb´em conhecida como integral de linha relativa ao com-primento de arco.

Uma condi¸c˜ao suficiente para garantir a existˆencia da integral em quest˜ao ´e dada a seguir.

Teorema 2. Se γ : [a, b] R2, γ(t) = (g(t), h(t)) ´e suave e f(x, y) ´e cont´ınua em , ent˜ao existe

Z

γ

f(x, y)ds e

Z

γ

f(x, y)ds =

Z b

a

f(g(t), h(t)).p[g′(t)]2+ [h(t)]2 dt

N˜ao faremos a demonstra¸c˜ao deste resultado.

Observa¸c˜ao 1: Se usarmos a nota¸c˜ao vetorial paraγ e colocarmosγ(t) =g(t)~i+h(t)~j, temos:

Z

γ

f(x, y)ds=

Z b

a

f(γ(t)).kγ′(t)kdt .

Observa¸c˜ao 2: O resultado do Teorema anterior pode ser esperado, uma vez que

X

i

f(ui, vi)∆Si ≃

X

i

f(γ(t∗i)).kγ′(t∗i)k.∆i ,

onde estamos usando que (ui, vi) = γ(t∗i) e que ∆Si ≃ kγ′(t∗i)k.∆i (espa¸co percorrido =

velocidade . tempo ), melhorando a aproxima¸c˜ao quandokk →0.

Observa¸c˜ao 3: Notemos que no caso particular de f(x, y) 1 temos que

Z

γ

f(x, y)ds ´e o

comprimento da curvaγ.

Uma curvaγ : [a, b]R2 cont´ınua ´e ditasuave por partesse existe uma parti¸c˜ao finita de [a, b] em subintervalos tal que a restri¸c˜ao de γ a cada subintervalo seja suave. Neste caso,

definimos

Z

γ

(5)

Interpreta¸

ao Geom´

etrica

Suponhamos f cont´ınua, com f(x, y)0 em Ω .

z =f(x, y)

z

B Pi

Pi−1 A

y x (ui, vi)

✄✄✄✗ q

r r

r r

r r

´

Area da regi˜ao hachurada: f(ui, vi)·∆Si

´

E natural ent˜ao:

Z

γ

f(x, y)ds = ´area da superf´ıcie cilindrica de base AB com altura determinada pelo

gr´afico de f (uma esp´ecie de cortina).

Interpreta¸

ao F´ısica:

Encarando a curva γ como um fio delgado ef(x, y) = densidade em (x, y), temos:

f(ui, vi)∆Si ≃ massa de Pi−1Pi= ∆mi

X

i

f(ui, vi)∆Si ≃

X

i

∆mi ´e, assim, uma aproxima¸c˜ao da massa total M do fio.

Assim,

M =

Z

γ

f(x, y)ds .

Exerc´ıcios resolvidos

1. Calcular

Z

γ

(6)

x

3 1

y✻

✯ r

r Resolu¸c˜ao:

Z

γ

f(x, y)ds =

Z 1

0

(27t3+t3)·√9 + 9t4 dt =

=

Z 1

0

84t3√1 +t4 dt =...

= 14(2√21).

2. Calcular a ´area da regi˜ao representada abaixo.

y

x 1

1

1 2

✲ ✻

✒ ✐

z =x2+ 2y2

x2+y2 = 1

z

Resolu¸c˜ao: Consideremosγ : [0,π2]R2 definida por γ(t) = (cost,sent). Ent˜ao a ´area

A da superf´ıcie ser´a dada por:

A =

Z

γ

f(x, y)ds =

=

Z π/2 0

(cos2t+ 2sen2t)·cos2t+ sen2t dt =

=

Z π/2 0

(1 + sen2t)dt=

Z π/2 0

1 + 1

2(1−cos 2t)dt=...= 3π

4

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Consideremos γ : [a, b] R2, γ(t) = (g(t), h(t)), suave, f(x, y) cont´ınua em Ω .

Se, ao inv´es de ∆Si usarmos ∆xi = xi −xi−1, onde Pi = (xi, yi), na defini¸c˜ao de integral

curvil´ınea, obtemos aintegral curvil´ınea def sobre

γ

em rela¸c˜ao ax, dada (e denotada) por:

Z

γ

f(x, y)dx= lim k∆k→0

X

i

(7)

Analogamente,

Z

γ

f(x, y)dy = lim k∆k→0

X

i

f(ui, vi)∆yi

Estas novas integrais podem ser calculadas atrav´es das formas:

Z

γ

f(x, y)dx=

Z b

a

f(g(t), h(t))g′(t)dt

Z

γ

f(x, y)dy=

Z b

a

f(g(t), h(t))h′(t)dt

Observa¸c˜ao:

Tudo o que foi feito at´e aqui ´e generaliz´avel de maneira an´aloga para trˆes ou mais vari´aveis.

Exerc´ıcio proposto

Calcular

Z

γ

x2y dx e

Z

γ

x2y dy quando:

a) γ ´e o segmento de (0,0) at´e (1,1).

b) γ ´e a par´abola y=x2, 0x1 .

c) γ ´e o segmento de (1,1) at´e (0,0).

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Seja γ : [a, b]R3, γ(t) = (g(t), h(t), k(t)) suave.

Sejam f1(x, y, z), f2(x, y, z) e f3(x, y, z) fun¸c˜oes cont´ınuas em Ω .

A soma

Z

γ

f1(x, y, z)dx+

Z

γ

f2(x, y, z)dy+

Z

γ

f3(x, y, z)dz

ser´a indicada por

Z

γ

f1(x, y, z)dx+f2(x, y, z)dy+f3(x, y, z)dz

Intrepreta¸

ao F´ısica

Suponhamos γ uma curva suave, trajet´oria de uma part´ıcula sujeita a um campo de

for¸cas cont´ınuo

~

(8)

Se F~ ´e constante e γ uma reta, temos que Trabalho = F~ q (vetordeslocamento) , onde q denota o produto escalar.

Se F~ n˜ao ´e constante ou γ n˜ao ´e uma reta, particionamos γ num n´umero finito de

arcos.

Se kk ´e pequena, o trabalho realizado porF~ ao longo do arco Pi−1Pi pode ser

aproxi-mado por

∆Wi =F~(Pi−1) q(∆xi~i+ ∆yi~j+ ∆zi~k) = f1(Pi−1)∆xi+f2(Pi−1)∆yi+f3(Pi−1)∆zi

B ~

F(Pi−1)

Pi

Pi−1

A

q

q q

✁ ✁ ✁

✁☛ q

O trabalho W realizado por F~ ao longo de γ ´e, por defini¸c˜ao:

W = lim k∆k→0

X

∆Wi , isto ´e,

W =

Z

γ

f1(x, y, z)dx+f2(x, y, z)dy+f3(x, y, z)dz

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

A integral anterior pode ser expressa em forma vetorial. ´E o que faremos a seguir.

Sejam γ : [a, b] R3, γ(t) = (g(t), h(t), k(t)) [ ou na nota¸c˜ao vetorial ~r(t) =

g(t)~i+h(t)~j+k(t)~k] uma curva suave e F~(x, y, z) =f1(x, y, z)~i+f2(x, y, z)~j+f3(x, y, z)~k

um campo cont´ınuo sobre Ω .

Ent˜ao:

Z

γ

f1(x, y, z)dx+f2(x, y, z)dy+f3(x, y, z)dz =

=

Z b

a

[f1(g(t), h(t), k(t)). g′(t) +f2(g(t), h(t), k(t)). h′(t) +f3(g(t), h(t), k(t)). k′(t)]dt =

=

Z b

a

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt Nota¸c˜===ao

Z

γ

~

(9)

~r′(t)

B γ(t)

~ F(γ(t))

~r(t)

y A z x ▼ ❇ ❇ ❇ ❇❇▼ q q q PPP PPPPq ✍ ✙ ✻ q

Vejamos agora uma rela¸c˜ao entre a integral de linha de um campo vetorial e a integral de linha com

rela¸c˜ao ao comprimento de arco.

Denotemos por T~(P) o vetor unit´ario tangente a γ em P.

Z

γ

~

F qd~r=

Z b

a

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt =

Z b

a

·

F(γ(t)) q γ ′(t)

kγ′(t)k

¸

.kγ′(t)kdt =

=

Z b

a

[F~(γ(t)) qT~(γ(t))].kγ′(t)kdt Teorema 2====

Z b

a

~

F(γ(t)) qT~(γ(t))ds Nota¸c˜===ao

Z

γ

~ F qT ds~

y x

~r(t) =γ(t)

~ T(P)

P =γ(t)

z ❥ ✕ q ¡ ¡ ¡ ¡ ✠ ✻ Resumindo: W = Z γ ~

F qd~r=

Z b

a

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt =

Z

γ

~ F qT ds~

Obs: Notemos que F~ qT~ ´e a componente tangencial de F~ com rela¸c˜ao `a curva. Assim, poder´ıamos ter deduzido a express˜ao do trabalho usando este fato.

Exerc´ıcios resolvidos

1. Calcular

Z

γ

~

F qd~r onde F~(x, y) = x~i+y~j e γ(t) = (cost,sent), t [0, π].

Resolu¸c˜ao: Observe que deveremos ter a integral igual a zero, uma vez que o

(10)

✲ ✻ ❖ ✯ ✕ ❑ ❨

B A x

y

De fato:

Z

γ

~

F qd~r =

Z π

0

(cost ~i+ sent ~j) q(sen t ~i+ cost ~j)dt=

Z π

0

0 dt= 0 .

2. Calcular o trabalho realizado por F~ ao longo de γ, onde F~(x, y) = (x, y) e

γ(t) = (t,|t|),t [1,1].

x y ❘ ✒ ¡¡ ¡¡ ¡q ❅ ❅ ❅ ❅ ❅ q q ✻ ✲ Resolu¸c˜ao: W = Z γ ~

F qd~r =

Z 1

−1

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt=

Z 0

−1

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt+

Z 1

0

~

F(γ(t)) qγ′(t)dt=

=

Z 0

−1

(t,|t|) q(1,1)dt+

Z 1

0

(t,|t|) q(1,1)dt =

Z 0

−1

2t dt+

Z 1

0

2t dt=1 + 1 = 0

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Uma pergunta que se coloca aqui: A integral Z

γ ~

F qd~r depende da parametriza¸c˜ao deγ? Veremos a seguir que s´o depende do sentido de percurso.

Teorema 3. Sejamγ : [a, b]R3 uma curva suave eh: [c, d][a, b]uma mudan¸ca de parˆametros

(isto ´eh′>0 ou h<0). Seja ainda λ=γh uma reparametriza¸c˜ao de γ. Ent˜ao: Z

γ ~ F qd~r=

Z

λ ~

F qd~r , se h′(τ)>0

ou

Z

γ ~

F qd~r=

Z

λ ~

(11)

Prova:

y x

z γ

λ=γh

b t a

h d τ

c

✲ ❥

q q

❥ ✙

Suponhamosh′(τ)<0. Neste caso, h(c) =b e h(d) =a.

Pela Regra da Cadeia, λ′(τ) =γ′(h(τ)). h′(τ). Fazendo a mudan¸cat=h(τ) obtemos

Z

γ ~

F qd~r =

Z b

a ~

F(γ(t)) qγ′(t)dt=

Z c

d ~

F(γ(h(τ))) qγ′(h(τ)). h′(τ)dτ =

=

Z d

c ~

F(λ(τ)) qλ′(τ)dτ =

Z

λ ~ F qd~r

O caso h′(τ)>0 ´e semelhante.

Observa¸c˜ao: Relembre a defini¸c˜ao de

Z

γ

f(x, y)ds. Fica claro que este tipo de integral independe

tamb´em do sentido de γ. Prove isto com o mesmo tipo de argumento usado na demonstra¸c˜ao do

teorema anterior.

Exerc´ıcios resolvidos

1. Calcular

Z

γ ~

F qd~r ondeF~(x, y) = (x2y , x2y) quando:

(a) γ1 ´e o segmento de reta que liga (0,0) a (1,1).

(b) γ2 ´e a par´abolay =x2, 0≤x≤1.

(c) γ3 ´e o segmento de reta que liga (1,1) a (0,0).

Resolu¸c˜ao:

(12)

x γ1

y

¡¡ ¡¡✒

¡¡

¡¡

¡¡

q(1,1)

Assim,

Z

γ1 ~ F qd~r=

Z 1

0

(t3, t3) q(1,1)dt=

Z 1

0

2t3dt=...= 1 2

(b) uma parametriza¸c˜ao da curva pode serγ2(t) = (t, t2), 0≤t≤1.

x γ2 y

q(1,1)

Assim,

Z

γ2 ~ F qd~r=

Z 1

0

(t4, t4) q(1,2t)dt=

Z 1

0

t4+ 2t5dt=...= 8 15

(c) uma parametriza¸c˜ao da curva pode serγ3(t) = (1−t ,1−t), 0≤t≤1.

¡¡

¡¡

¡¡ γ3

x y

¡ ¡ ¡ ✠

q(1,1)

¡¡

¡¡

¡¡

Assim,

Z

γ3 ~ F qd~r=

Z 1

0

((1t)3,(1t)3) q(1,1)dt=

Z 1

0 −

2(1t)3dt=· · ·=1 2

Observemos neste exerc´ıcio que podemos obter dois valores diferentes para a integral de linha

ao longo de duas curvas ligando (0,0) a (1,1).

(13)

z=x2 ✗

(1,1,0) (0,2,0) R

y x

z

q q

q

Resolu¸c˜ao:

Sejamz=f(x, y) =x2 e γ(t) = (t ,2t), t[0,1].

´

Area de R=

Z

γ

f(x, y)ds=

Z 1

0

t2.√2 dt=

2 3 u.a.

3. Calcule

Z

γ

2xdx + dy + dz, onde γ ´e a intersec¸c˜ao do cilindro y = x2 com o

parabol´oide z = 2x2y2, contida no octante x, y, z 0. O caminho ´e percorrido de (1,1,0) a (0,0,2).

Resolu¸c˜ao: Uma visualiza¸c˜ao da curva:

✲ ✻

q

z= 2x2y2 ✙

y=x2 ✶

y

x (1,1,0) γ

(0,0,2)

z

q

Uma parametriza¸c˜ao de γ pode ser dada por

γ(t) = ( 1t, (1t)2, 2(1t)2(1t)4 ), 0t1.

Temos

Z

γ

2xdx + dy + dz =

Z 1

0

[2(1 t) 2(1 t) + 2(1 t) + 4(1 t)3 ]dt =

=

Z 1

0

[2(t1) + 4(1t)3 ]dt= [(t1)2(1t)4]

¯ ¯ ¯ ¯ 1

0

= 0

(14)

Exerc´ıcios propostos 1.1

1. Calcular

Z

γ

x2y dx+xy2dy, ondeγ ´e a curva indicada a seguir.

x

(2,0) (2,1)

y

q ✲

✻ q

2. Considere o campo vetorial sobreR2, definido por F~(x, y) =y~i+x~j. Encontre uma curva γ come¸cando no ponto (1,2) de comprimento 1 tal que

Z

γ ~

F qd~r= 0.

3. Calcule a ´area da regi˜ao R representada a seguir

z=xy x

x2+y2 = 4, z = 0

R y z

❥ ③ ✲

q ✻

4. Calcule

Z

γ ~

F qd~r ondeF~(x, y) = (2x+y3)~i+ 3xy2~j e γ ´e a curva indicada na figura a seguir

x 5

2

1

y

3

2

1

✲ ✻ ❄

Observa¸c˜ao: Volte a fazer este exerc´ıcio ap´os a leitura da sec¸c˜ao a seguir.

1.2

Campos Conservativos e Integrais de Linha

Teorema 4 (Teorema Fundamental para Integrais de Linha). SejamRn um aberto e

f : Ω R de classe C1. Seja γ : [a, b] Rn dada por γ(t) = (γ

(15)

suave por partes tal que γ(a) =A eγ(b) =B. Ent˜ao,

Z

γ∇

f qd~r=f(B)f(A).

Prova:

(i) Seγ ´e suave:

B γ Aq ✕ q Z γ∇

f·d~r=

Z b

a ∇

f(γ(t)) ♣γ′(t)dt

Pela Regra da Cadeia

d

dtf(γ(t)) = ∂f

∂x1(γ(t)). γ ′

1(t) +· · ·+∂x∂fn(γ(t)). γ ′ n

= f(γ(t))·γ′(t).

Do Teorema Fundamental do C´alculo segue que:

Z

γ∇

f qd~r=

Z b

a d

dtf(γ(t))dt=f(γ(b))−f(γ(a)) =f(B)−f(A)

(ii) Seγ ´e suave por partes:

B γ3 A2 γ2 A1 γ1 A q q q q ✒ ❘ ✒

γ=γ1∪ · · · ∪γm, onde γi ´e suave, i= 1, . . . , m

Z

γ∇

f ♣d~r =

m X

i=1 Z

γi

∇f ♣d~r

= f(A1) Á

−f(A)+f(A2) Á

−f(A1) Á

+· · ·+f(B)f(Am−1) Á

=f(B)f(A).

Defini¸c˜ao 5. Uma curva γ : [a, b]Rn ´e dita fechada quandoγ(a) =γ(b).

✾ ✗ r

r ✸

Nota¸c˜ao: Quando a curvaγ ´e fechada,

costuma-se denotar Z γ por I γ . Quando

γ est´a no plano, usa-se ainda

Z γ ª ou Z γ ©.

Corol´ario 6. Se F~ =f onde f : Ω Rn R com f C1 e γ : [a, b] Rn ´e suave por

partes e fechada, ent˜ao

Z

γ ~

(16)

Exerc´ıcios resolvidos

1. Calcular

Z

γ

x dx+y dy em cada um dos casos abaixo:

x y

(1,1)

r ✲ ✻ r

i) γ ´e o segmento de (0,0) a (1,1)

ii) γ ´e a par´abola y=x2, 0x1

iii)γ ´e a curva indicada ao lado.

iv)γ ´e a circunferˆencia (cost , sent), 0t

Resolu¸c˜ao:

(1,1)

x y

r

r

✻ ✲ ✒ ✒

Z

γ

x dx+y dy=

Z

γ

(x, y)·d~r.

Sejaf(x, y) = 1 2

¡

x2+y2¢

.

Ent˜aof(x, y) = (x, y).

Logo,

Z

γ

x dx+y dy=

Z

γ∇ f ·d~r.

Respostas para (i), (ii), (iii): f(1,1)f(0,0) = 1

Respostas para (iv): 0 , pois A=B.

2. Calcular

Z

γ

y dx+x dy onde γ ´e uma curva suave unindo (0,1) a (2,3).

Resolu¸c˜ao:

Z

γ

y dx+x dy=

Z

γ

(y, x) qd~r.

Sejag(x, y) =xy. Ent˜ao g(x, y) = (y, x).

Logo,

Z

γ

y dx+x dy=g(2,3)g(0,1) = 6 .

Observa¸c˜ao: O teorema anterior afirma que, sob certas condi¸c˜oes, a integral de linha independe

do caminho de integra¸c˜ao, mas somente dos pontos extremos. Conforme j´a visto anteriormente,

nem todas as integrais de linha tem esta propriedade. Veremos uma rec´ıproca do Teorema anterior.

Defini¸c˜ao 7. Ω Rn ´e dito conexo se quaisquer dois pontos em podem ser ligados por uma

(17)

Exemplos:

Nos casos abaixo Ω1 ´e conexo e Ω2 n˜ao ´e conexo.

Ω1 = ©

(x, y)R2; x >1ª

Ω2 =©(x, y)∈R2; |x|>1ª

Teorema 8. Sejam Rn uma regi˜ao e F~ : Ω Rn Rn um campo vetorial cont´ınuo. Se a

integral de linha

Z

γ ~

F qd~r ´e independente da curva suave por partes γ ligando A a X em, onde

A´e fixado e X ´e arbitr´ario, ent˜ao a fun¸c˜ao real definida por

f(X) =

Z X

A ~ F qd~r

´e de classe C1 e satisfazf =F~ em.

Prova:

Para simplificar a nota¸c˜ao vamos fazer a prova para n= 2.

Inicialmente observemos que em virtude da independˆencia de caminho a f´ormula para f(x, y)

fornece uma fun¸c˜ao sem ambig¨uidade.

Precisamos mostrar que f(x, y) = F~(x, y), ou seja

µ ∂f

∂x(x, y), ∂f ∂y(x, y)

=

(F1(x, y), F2(x, y)).

Escolhemos curva suave por partes ligandoAa (x, y) contida em Ω (que existe pois Ω ´e conexo)

e a estendemos horizontalmente at´e o ponto (x+t , y),|t|< δ(isto ´e poss´ıvel pois Ω ´e aberto).

A

(x+t, y) (x, y)

r

r r

f(x+t , y)f(x, y) =

Z (x+t , y) A

~ F qd~r

Z (x,y) A

~ F qd~r=

=

Z (x+t , y) (x,y)

~ F qd~r=

Z t

0 ~

F(x+τ , y) q(1,0)dτ =

Z t

0

F1(x+τ , y)dτ

Assim:

∂f

∂x(x, y) = limt→0

f(x+t , y)f(x, y)

t = limt→0

1

t ·

Z t

0

F1(x+τ , y)dτ =

= d

dt

µZ t

0

F1(x+τ , y)dτ ¶ Á

(18)

onde usamos nas igualdades anteriores a defini¸c˜ao de derivada de fun¸c˜ao de uma vari´avel e o Teorema

Fundamental do C´alculo.

Analogamente ∂f

∂y(x, y) =F2(x, y).

Logo f(x, y) = (F1(x, y), F2(x, y)) =F~(x, y).

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Resumindo os teoremas 4 e 8, podemos enunciar:

Rn – regi˜ao.

γ Ω – curva suave por partes, ligando A aB.

~

F – campo vetorial cont´ınuo sobre Ω .

Z

γ ~

F qd~r ´e independente deγ ⇐⇒ ∃f tal que F~ =f em Ω .

Defini¸c˜ao 9. Um campo vetorialF~ para o qual existe uma fun¸c˜ao realf tal queF~ =f ´e chamado

um campo gradiente ou conservativo. A fun¸c˜aof ´e chamada o potencialde F~ .

A motiva¸c˜ao para chamarmos um campo gradiente por conservativo ser´a colocada a seguir.

Suponhamos uma part´ıcula de massampercorrendo um caminhoγ : [a, b]Rn suave por

partes, sob a a¸c˜ao de um campo cont´ınuoF~.

Temos:

r

r

A γ

B

Trabalho =W =

Z

γ ~ F ·d~r=

Z b

a ~

F(γ(t))·γ′(t)dt .

Da segunda Lei de Newton temos: F~(γ(t)) =m . γ′′(t)

Portanto,

~

F(γ(t))·γ′(t) = m . γ′′(t)·γ(t) = d dt

·

1 2m . γ

(t)·γ(t) ¸

=

= d

dt ·

1 2m .kγ

(t)k2 ¸

= d

dt ·

1

2m(v(t))

2 ¸

,

ondev(t) =kγ′(t)k´e a velocidade escalar da part´ıcula.

Portanto,

W =

Z b

a ·

d dt

µ

1

2m(v(t))

2 ¶¸

dt= 1

2m(v(b))

2

−12m(v(a))2 =

= K(b)K(a) , onde K(t) = 1

2m(v(t))

2

(19)

Trabalho = W = varia¸c˜ao da energia cin´etica.

Suponhamos agora queF~ =f.

Sabemos da Proposi¸c˜ao ??que W =f(B)f(A). Comparando com a f´ormula acima, temos:

f(B)f(A) =K(b)K(a)

ou seja,

K(b)f(B) =K(a)f(A).

A quantidadef(P) ´e chamadaenergia potencial da part´ıcula emP.

Portanto, a soma da energia potencial com a energia cin´etica permanece constante quando a

part´ıcula se move ao longo de um campo gradiente. Esta ´e a raz˜ao de chamarmos este tipo de

campo como “Campo Conservativo”.

Exerc´ıcio

Encontrar o trabalho realizado pelo campo F~(x, y, z) = K

x2+y2+z2 (x~i+y~j+z~k) ao longo da

curvaγ : [0,2π]R3, dada por γ(t) = (cost , sent , t)

Resolu¸c˜ao:

Poder´ıamos resolver usando a defini¸c˜ao.

Tentaremos resolver aplicando a Proposi¸c˜ao??.

Procuramos f tal que

z

y x

A= (1,0,0)

B = (1,0,2π)

✻ ✙

❥ ✠

r r

fx(x, y, z) =

Kx

x2+y2+z2 (1)

fy(x, y, z) =

Ky

x2+y2+z2 (2)

fz(x, y, z) =

Kz

(20)

Integrando (1) em rela¸c˜ao a x obtemos

f(x, y, z) =

Z

Kx

x2+y2+z2 dx+φ(y, z) = K

2 ln(x

2+y2+z2) +φ(y, z) (4)

Assim,

fy(x, y, z) =

Ky

x2+y2+z2 +φy(y, z).

Comparando com (2) temos φy(y, z) = 0 e assim φ=φ(z), isto ´eφn˜ao depende de y.

Logo (4) pode ser escrita como

f(x, y, z) = K 2 ln(x

2+y2+z2) +φ(z)

Diferenciando com respeito a z e comparando com (3) obtemos φ′(z) = 0 e assim φ C. Tomemosφ0.

Portanto f(x, y, z) = K 2 ln(x

2+y2+z2).

Assim W =

Z

γ ~ F qd~r=

Z

γ∇

f qd~r=f(1,0,2π)f(1,0,0) = K

2 ln(1 + 4π

2).

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Problema: DadoF~ , como saber sef tal que f =F~ ?

Teorema 10. Seja F~(x, y) = A(x, y)~i+B(x, y)~j, onde A(x, y) e B(x, y) s˜ao de classe C1 num

retˆangulo = [a, b]×[c, d].

Ay =Bx em ℜ ⇐⇒ ∃ f tal que ∇f =F~ em ℜ.

Prova:

()

Se f =F~ ent˜ao A= ∂f

∂x e B = ∂f ∂y. Logo

∂A ∂y =

∂2f ∂y ∂x

Teo. Schwarz

======= ∂

2f

∂x ∂y = ∂B

∂x

()

Desenvolveremos argumento semelhante ao feito na prova do Teorema anterior.

(21)

γ1

(x, y)

γ2

(x, y0)

(x0, y0) ✲

Sejaf(x, y) definida em por:

f(x, y) =

Z

γ ~ F ·d~r ,

onde γ ´e a curva indicada na figura ao lado.

Consideremos as parametriza¸c˜oes γ1 : [x0, x]→ ℜ dada por γ1(t) = (t, y0) e γ2 : [y0, y]→ ℜ

dada por γ2(t) = (x, t).

Assim f(x, y) =

Z x

x0

A(t, y0)dt+

Z y

y0

B(x, t)dt.

Ent˜ao: ∂f

∂y(x, y) (∗)

==B(x, y).

∂f ∂x(x, y)

(∗)+(∗∗)

=== A(x, y0) +

Z y

y0 ∂B

∂x(x, t)dt hip.

===A(x, y0) +

+

Z y

y0 ∂A

∂y(x, t)dt (∗)

==A(x, y0) +A(x, y)−A(x, y0) =

= A(x, y).

Onde estamos usando:

(*) Teorema Fundamental do C´alculo.

(**)Teorema de Deriva¸c˜ao sob o Sinal de Integra¸c˜ao.

Portanto, f(x, y) =F~(x, y).

Observa¸c˜ao:

O teorema anterior continua v´alido se ao inv´es do retˆangulo considerarmos uma regi˜ao Ω

simplesmente conexa, isto ´e, Ω n˜ao apresenta “buracos”. [Mais precisamente, uma regi˜ao ΩRn

´e dita simplesmente conexa se toda curva fechada contida em Ω puder ser deformada continuamente

dentro de Ω at´e reduzir-se a um ponto.] No entanto, o teorema n˜ao ´e v´alido para regi˜oes quaisquer,

conforme mostra o exemplo a seguir.

conexa simplesmente

n˜ao

conexa simplesmente

(22)

✲ ✻

γ y

x

Seja γ(t) = (cost , sent), t[0,2π].

~

F(x, y) = −y

x2+y2~i+ x

x2+y2~j; (x, y) ∈ D=R

2− {0}

A(x, y) = −y

x2+y2 ⇒ Ay(x, y) =

y2x2

(x2+y2)2

B(x, y) = x

x2+y2 ⇒ Bx(x, y) =

y2x2

(x2+y2)2

Se existir f tal quef =F~ em D, ent˜ao

Z

γ ~ F qd~r=

Z

γ∇

f qd~r= 0. Mas, calculando pela defini¸c˜ao,

Z

γ ~ F qd~r=

Z 2π

0

1dt= 2π6= 0.

Portanto,∄f definida em Dcom a propriedade acima.

No entanto, para qualquer curva fechada Λ contida em um retˆangulo contido emD teremos:

x y

Λ

✙ ✻

r

Z

Λ ~

F ♣d~r= 0

Um resultado an´alogo ao teorema anterior

tamb´em ´e v´alido para R3. Vejamos.

Teorema 11. SejaF~(x, y, z) =A(x, y, z)~i+B(x, y, z)~j+C(x, y, z)~k onde A,B e C s˜ao de classe

C1 no paralelep´ıpedo= [a, b]×[c, d]×[e, f].

Ent˜aoF~ ´e conservativo em se e somente se

Ay =Bx , Az =Cx e Bz =Cy em ℜ

Observa¸c˜ao: A prova ´e semelhante `a do teorema anterior, sendo que a fun¸c˜ao potencial do campo

pode ser obtida integrandoF~ sobre uma poligonal contida em como abaixo:

y x

z ✻

③ ¡¡

¡ ¡

✠ q

r

(23)

Observa¸c˜ao: O teorema anterior continua v´alido se ao inv´es do paralelep´ıpedo considerarmos uma regi˜ao Ω simplesmente conexa como na Observa¸c˜ao depois doTeorema 10. Note que no R3

uma regi˜ao simplesmente conexa pode apresentar “buracos”como entendidos na linguagem comum.

Tal ´e o caso de uma bola da qual foi retirada o centro. J´a uma bola da qual foi retirado um diˆametro

n˜ao ´e uma regi˜ao simplesmente conexa.

conexa N˜ao simplesmente

conexa Simplesmente

Exerc´ıcios resolvidos

1. Seja ~r(t) = cost ~i+ sent ~j , t[0, π/2]

~

F(x, y) =y2~i+ (2xyey)~j. Calcular

Z

γ ~ F qd~r.

Resolu¸c˜ao:

x

(1,0)

y

(0,1)

✲ ✻

1o¯ M´etodo:

Pela defini¸c˜ao:

Z

γ ~ F ·d~r=

Z π/2

0 ¡

sen2t ,2 costsentesent¢

·(sent , cost)dt=. . .

2o¯ M´etodo:

~

F ´e do tipo gradiente ?

Ay = 2y =Bx em qualquer retˆangulo.

Portanto ´e gradiente.

Procuremosf tal quef =F~ , isto ´e,

fx(x, y) =y2 (1)

fy(x, y) = 2xy−ey (2)

(24)

fy(x, y) = 2xy+φ′(y) (2)

=== 2xyey

φ(y) =ey φ(y) =ey ∴ f(x, y) =xy2ey

Logo,

Z

γ ~

F qd~r=f(0,1)f(1,0) = 1e

3o¯ M´etodo:

Sabemos queF~ ´e do tipo gradiente em R2. Logo, a integral n˜ao depende da curva. Vamos

calcular sobre o segmento de (1,0) at´e (0,1).

Consideremos Γ(t) = (1t)~i+t~j , t[0,1]

Assim:

Z

γ ~ F qd~r=

Z

Γ ~ F qd~r=

Z 1

0

(t2,2t(1t)et) q(1,1)dt=

Z 1

0 £

−t2+2t(1t)et¤

dt= 1e

2. Calcular

Z

γ

(y+ senx)dx+ (x+ey)dy onde γ ´e uma curva suave por partes, de (0,1) a (π,0).

Resolu¸c˜ao:

x π

1

y ✻

∂A ∂y =

∂B

∂x em R

2

Portanto vale a condi¸c˜ao do Teorema 10

em qualquer retˆangulo .

Aqui, para encontrarmos a fun¸c˜ao potencialf vamos utilizar um m´etodo alternativo, base-ado no racioc´ınio desenvolvido na demonstra¸c˜ao do Teorema 10.

Sejaf(x, y) definida emR2 por f(x, y) = Z

Γ ~ F qd~r,

Γ1

(x, y)

Γ2

(x,0) (0,0)

q

x y

✲ ✻

onde Γ ´e a curva indicada ao lado

Assim:

f(x, y) =

Z x

0

sent dt+

Z y

0

(25)

Logo,f(x, y) =F~(x, y) = (y+senx, x+ey) e portanto

Z

γ

(y+ senx)dx+ (x+ey)dy=

Z

γ∇

f qd~r=f(π,0)f(0,1) = 3e

3. ConsidereF~(x, y, z) =y2~i+ (2xy+e3z)~j+ 3y e3z~k. Encontre uma fun¸c˜ao f tal quef =F~.

Resolu¸c˜ao:

Queremosf(x, y, z) tal que:

fx(x, y, z) =y2 (1) fy(x, y, z) = 2xy+e3z (2)

fz(x, y, z) = 3y e3z (3)

Integrando (1) com respeito ax, obtemos:

f(x, y, z) =xy2+φ(y, z) (4)

Assim fy(x, y, z) = 2xy+φy(y, z).

Comparando com (2) obtemos

φy(y, z) =e3z.

Logoφ(y, z) =y e3z+h(z) . Reescrevendo (4):

f(x, y, z) =xy2+y e3z+h(z).

Diferenciando com rela¸c˜ao a z e comparando com (3) obtemos h′(z) = 0 e assim h(z) =K.

Logo: f(x, y, z) =xy2+y e3z+K ´e tal quef =F~.

4. Seja F~ um campo de quadrado inverso tal que

~

F(x, y, z) = c

k~rk3 ~r , onde

~r=x~i+y~j+z~k e c ´e uma constante. Sejam P1 eP2 pontos cujas distˆancias `a origem s˜ao

(26)

Expresse em termos de d1 e d2 o trabalho realizado por F~ ao longo de uma curva suave por

partes unindoP1 a P2.

Resolu¸c˜ao:

~

F(x, y, z) = c

(x2+y2+z2)3/2(x, y, z)

x

y P2 d2

d1 P1 z

③ ✙

r r

Notemos que

kF(x, y, z)k= |c|

x2+y2+z2 , ou seja,F~ ´e do tipo quadrado inverso.

Observemos ent˜ao queF~(x, y, z) =f(x, y, z) onde f(x, y, z) = −c

[x2+y2+z2]1/2 .

Assim:

W =f(P2)−f(P1) = − c d2

+ c

d1

= c(d2−d1)

d1d2 .

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Exerc´ıcios propostos 1.2

1. Calcular

I

γ

−y

x2+y2 dx+ x

x2+y2dy, onde γ ´e a fronteira do disco unit´ario, centro em (2,0).

2. Calcular

Z

γ

(3x2ysenx)dx+x3dy onde γ ´e a curvaγ(t) = ((1π)t2+π , t), t[0,1]

3. Calcular

Z

γ

x dy+y dx ondeγ ´e uma curva suave unindo (1,1) a (2,3).

4. Prove: Se F~ ´e um campo vetorial cont´ınuo definido numa regi˜ao ΩRn, ent˜ao s˜ao

equiva-lentes:

(a)

Z

γ ~

(27)

(b)

Z

γ ~

F qd~r ´e independente do caminho suave por partes, γ, ligando dois pontos em Ω .

5. Calcular o trabalho realizado pelo campo F~(x, y) = (25x+y)~i+x~j ao deslocarmos uma part´ıcula de massa unit´aria ao longo do triˆangulo de v´ertices (2,2), (3,1) e (3,2), no sentido

anti-hor´ario.

1.3

Teorema de Green

Defini¸c˜ao 12. Uma regi˜ao B R2 ´e dita uma regi˜ao simples se toda reta paralela a um dos

eixos coordenados corta a fronteira de B em um segmento ou, no m´aximo, em dois pontos.

regi˜ao simples

✲ ✻

regi˜oes simples uni˜ao finita de

✲ ✻

regi˜ao n˜ao simples

Teorema 13 (de Green). Seja D regi˜ao plana limitada, que ´e reuni˜ao finita de regi˜oes simples, cada uma com fronteira constitu´ıda de uma curva suave por partes. Se A(x, y) e B(x, y) s˜ao de classe C1 num aberto contendo D e a sua fronteira γ, ent˜ao:

Z

γ

A(x, y)dx+B(x, y)dy=

Z Z

D ·

∂B

∂x(x, y)− ∂A

∂y(x, y) ¸

dx dy

onde γ ´e percorrida deixando D sempre `a esquerda (dizemos γ-orientada positivamente).

De maneira abreviada:

Z

γ

A dx+B dy =

Z Z

D µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

(28)

γ

γ D γ

✯ ✌

Prova:

1o¯ Caso:

SuponhamosD-regi˜ao simples (com o aspecto abaixo, por exemplo)

y

b

a

x ✻ x=h2(y) x=h1(y)

D

✲ ❖ ☛

Z Z

D ∂B

∂x(x, y)dx dy =

Z b

a dy

Z h2(y) h1(y)

∂B

∂x(x, y)dx =

=

Z b

a

[B(h2(y), y)−B(h1(y), y)]dy =

=

Z b

a

B(h2(y), y)dy+

Z a

b

B(h1(y), y)dy= Z

γ

B(x, y)dy

A ´ultima igualdade ocorre, uma vez que a parte paralela ao eixo x em nada contribui com a

integral.

Analogamente,

Z

γ

A(x, y)dx=

Z Z

D ∂A

∂y(x, y)dx dy

A soma destas igualdades fornece a prova deste primeiro caso.

2o¯ Caso:

SuponhamosD=D1∪ · · · ∪ Dn reuni˜ao finita de regi˜oes simples, cada uma com uma fronteira

(29)

Temos j´a provado:

Z

γi

Adx+Bdy=

Z Z Di µ ∂B ∂x − ∂A ∂y ¶ dx dy

A soma das integrais sobre Di ´e uma integral sobreD. Logo, Z Z D µ ∂B ∂x − ∂A ∂y ¶

dx dy=

n X

i=1 Z

γi

Adx+Bdy (*)

A fronteira deD´e constitu´ıda de partes das curvas γi.

Podem existir partes das curvas γi que n˜ao fazem parte deγ, como mostra a figura a seguir.

D x y ❅ ❅ ❘ ❅ ❅ ■ ❅ ❅ ❅❅ ❄ ✻ ✻❄ ✛✲ ❨ ✒✑ ✓✏ ✻ ✲ ❨ ✿ ✠

Estas partes ser˜ao percorridas duas vezes, uma em cada sentido, em nada contribuindo com o

membro direito de (). Logo, Z Z D µ ∂B ∂x − ∂A ∂y ¶

dx dy=

Z

γ

Adx+Bdy

Aplica¸

ao: ´

Area de uma regi˜

ao plana

Tomando-se A0 e B(x, y) =x, temos ´Area de D=

Z Z

D

dx dy=

Z

γ x dy.

Tomando-se A(x, y) =y e B0, temos ´Area de D=

Z Z

D

dx dy=

Z

γ y dx

Ainda, somando-se as duas igualdades anteriores temos ´Area de D= 1 2

Z

γ−

y dx+x dy.

Exerc´ıcios resolvidos

1. Use o Teorema de Green para calcular

I

γ

(1 + 10xy +y2)dx+ (6xy + 5x2)dy, onde γ ´e o

(30)

Resolu¸c˜ao:

I

γ

(1 + 10xy+y2)dx+ (6xy+ 5x2)dy =

Z Z

R

[(6y+ 10x)(10x+ 2y)]dx dy =

=

Z Z

R

4y dx dy =

=

Z a

0 dy

Z a

0

4y dx=· · ·= 2a3.

x y

R ✻

✲ ❄

2. Calcular

Z

γ

x2y dx+y3dy, ondeγ ´e a curva indicada na figura.

y3=x2 y=x

x

1 1

y

γ ✻

✒ ✠

Resolu¸c˜ao:

SejaDa regi˜ao limitada pela curva.

A(x, y) =x2y , ∂A

∂y(x, y) =x 2

B(x, y) =y3 , ∂B

∂x(x, y) = 0

Z

γ

x2y dx+y3dy =

Z Z

D−

x2dx dy=

Z 1

0 dx

Z x2/3 x

x2dy =

=

Z 1

0

(x8/3x3)dx=· · ·=1 44 .

3. Calcular a ´area limitada pela el´ıpse x

2

(31)

✲ ✻

x y

r

r

b

a

γ

Resolu¸c˜ao:

Sejaγ(t) = (acost , bsent), t[0,2π]

´

Area = 1 2

Z

γ

ªx dyy dx= 1 2

Z 2π

0

(acost·bcost+bsent·asent)dt =

= 1

2

Z 2π

0

ab dt=π ab

4. D={(x, y)R2 / x2+y2 1}

A(x, y) =A(r), B(x, y) =B(r) ; fun¸c˜oes de classe C1 que dependem somente da distˆancia

r `a origem.

Prove que

Z Z

D µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

dx dy = 0.

Resolu¸c˜ao:

x y

γ

D

Sejaγ(t) = (cost , sent), t[0,2π]

Pelo Teorema de Green,

Z Z

D µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

dx dy =

Z

γ

A(1)dx+B(1)dy

Considerando agoraA(x, y) =A(1) e B(x, y) =B(1), (x, y) ∈ D (isto ´e, estendemos A e B

como constantes emD) e aplicando novamente o Teorema de Green obtemos

Z

γ

A(1)dx+B(1)dy=

Z Z

D µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

dx dy=

Z Z

D

0dx dy= 0

Assim:

Z Z

D µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

(32)

5. ConsidereF~(x, y) =A(x, y)~i+B(x, y)~j

A, BC1 com ∂B

∂x = ∂A

∂y na regi˜aoS hachurada abaixo.

S γ2

γ1

✣✢ ✤✜ ✠

Prove que:

Z

γ1 ~ F qd~r=

Z

γ2 ~ F qd~r

Resolu¸c˜ao:

Pelo Teorema de Green:

Z

γ2 ~ F qd~r

Z

γ1 ~ F qd~r=

Z Z

S µ

∂B ∂x −

∂A ∂y

dx dy= 0

Z

γ2 ~ F qd~r=

Z

γ1 ~ F qd~r

6. Considere F~(x, y) = −y

x2+y2 ·~i+ x

x2+y2 ·~j , (x, y) 6= (0,0) e Γ(t) = (2 cost ,3 sent), t[0,2π].

Calcular

Z

Γ ~ F qd~r.

Γ

x

3

2

y

✲ ✻

Resolu¸c˜ao:

Torna-se dif´ıcil calcular diretamente.

Ainda: n˜ao podemos aplicar diretamente o Teorema de Green.

Observamos que ∂B

∂x = ∂A

(33)

Γ

x

3

1 2

y

✲ ✻

✖✕ ✗✔

Γ1

✗ ■

Pelo exerc´ıcio anterior temos:

Z

Γ ~ F qd~r=

Z

Γ1 ~ F qd~r=

Z 2π

0

1 dt= 2π .

Exerc´ıcios propostos 1.3

1. Calcular

Z

γ

(x2+y)dx+ (2x+ 2y)dy, ondeγ ´e a curva indicada na figura.

−1

x

1

1 2

−1

1

y

❘ ❄ ✻

✲ ❄

2. Use o Teorema de Green para calcular a integral

Z

γ ~

F qd~r, onde:

~

F(x, y) = (senyx2y)~i+ (xcosy+xy2)~j e γ ´e a circunferˆencia x2+y2 = 1 , orientada

positivamente.

3. Calcule

Z

γ

(x+y)dx(xy)dy

x2+y2 , onde Γ ´e a circunferˆencia x2+y2 = r2, sentido

anti-hor´ario.

(Sugest˜ao: usar a defini¸c˜ao).

1.4

Integrais de Superf´ıcie

(34)

y

x

✯ S

z

③ ✙

Comecemos com uma superf´ıcie plana S : z = Ax+By+C sobre um retˆangulo R, como a

seguir.

Sabemos que ´area de S=k~a×~bk, onde: ponto inicial de~a= (x, y, Ax+By+C)

ponto final de~a= (x+ ∆x , y , A(x+ ∆x) +By+C)

Logo ~a= (∆x ,0, A∆x) ou seja ~a= ∆x~i+A∆x~k.

y

R x

x+ ∆x

x

~b

③ y y+ ∆y

S

~a z

Analogamente, ~b= ∆y~j+B∆y~k

~a×~b=

¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

~i ~j ~k

∆x 0 A∆x

0 ∆y B∆y ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

=A∆x∆y~iB∆x∆y~j+ ∆x∆y~k .

Logo, ´area deS=√A2+B2+ 1 ∆xy.

(35)

Umasuperf´ıcieSser´a ditasuavese o seu vetor normal unit´ario~ηvariar continuamente atrav´es

de S.

Se S:z =f(x, y), (x, y)Ω , ent˜aoS´e suave se e somente sef ´e de classe C1 sobre Ω (isto ´e, fx e fy s˜ao cont´ınuas sobre um aberto contendo Ω ).

Ainda, se S : z = f(x, y), (x, y) Ω onde Ω ´e do tipo considerado para integrais duplas (fronteira contida em um n´umero finito de conjuntos suaves) diremos queStemproje¸c˜ao regular

no planoxy.

Consideremos ent˜aoS:z=f(x, y), suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy.

SejaGuma rede cobrindo a regi˜ao Ω .

Seja (xi, yj) o centro de cada retˆangulo coordenadoRij determinado porG.

S

Rij

y x

z

Aproximamos a ´area de S sobre o retˆangulo Rij pela ´area do plano tangente a S pelo ponto

(xi, yj, f(xi, yj)).

A equa¸c˜ao do plano tangente ´e:

(xxi)∂f

∂x(xi, yj) + (y−yj) ∂f

∂y(xi, yj)−(z−f(xi, yj)) = 0

ou

z= ∂f

∂x(xi, yj)x+ ∂f

(36)

r r

(xi, yj,0) Rij

∴ Area sobre´ Rij, no plano tangente considerado ´e: s

· ∂f

∂x(xi, yj) ¸2

+

· ∂f

∂y(xi, yj) ¸2

+ 1 ·∆xi∆yj

Esta express˜ao d´a uma estimativa para a ´area da superf´ıcie sobre Rij.

Somando, teremos uma estimativa para a ´area deS.

Fazendo m(G)0, temos:

Z Z

Ω s

µ ∂f ∂x

¶2

+

µ ∂f ∂y

¶2

+ 1 dx dydef.== ´Area deS

Exemplos:

1. Ache a ´area da regi˜ao do plano z=y+ 1 que est´a dentro do cilindrox2+y2= 1.

y z

S

x

❄ ✻

(37)

Sejaz=f(x, y) =y+ 1

Ω ={(x, y)R2 / x2+y2 1}

fx(x, y) = 0 fy(x, y) =−1

A(S) =

Z

1 + 1dA=√2

Z

dA=√2π, onde usamos o fato que

Z

dA´e a ´area do c´ırculo

de raio 1.

2. Calcular a ´area do parabol´oide hiperb´olico z=xy que fica dentro do cilindro x2+y2 = 1.

´ Area =

Z Z

Ω p

y2+x2+ 1dx dy

Integrando em coordenadas polares:

´ Area =

Z 2π

0 dθ

Z 1

0 p

r2+ 1r dr=· · ·= 2

h

2√21i

3. Dar a ´area da parte do cilindro z = y2 que fica sobre o triˆangulo de v´ertices (0,0), (0,1) e

(1,1).

x

S

y z

✶ ✻

(38)

A(S) =

Z Z

Ω p

4y2+ 1dx dy=

Z 1

0 dy

Z y

0 p

4y2+ 1dx =

=

Z 1

0 p

4y2+ 1y dy=· · ·= 1

12(5

51)

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

SejaS:z=f(x, y) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy.

~η = vetor unit´ario normal aSpor (x0, y0, f(x0, y0)).

Sejam α, β e γ os ˆangulos que~η faz com os semi-eixos positivos 0x, 0y, 0z, respectivamente.

❂ q

q

(x0, y0)

∆y

S ~b ~a

∆x γ

x

y z

η

③ ✙

~η= cosα .~i+ cosβ .~j+ cosγ . ~k (*)

Convencionamos: ~η ´e tomado de modo que 0γ π

2 (normal superior).

Observa¸c˜ao: Com estas hip´oteses, a situa¸c˜ao γ = π

2 n˜ao ocorre. (Justifique)

Seja o retˆangulo ilustrado e a sua correspondente imagem no plano tangente aSpor (x0, y0, f(x0, y0)).

A equa¸c˜ao deste plano pode ser escrita como:

z= ∂f

∂x(x0, y0)x+ ∂f

∂y(x0, y0)y+C

Pelo visto anteriormente,

~a×~b=hfx(x0, y0)~i−fy(x0, y0)~j+~k i

(39)

~η= ~a×~b

k~a×~bk =

−fx(x0, y0)~i−fy(x0, y0)~j+~k q

[fx(x0, y0)]2+ [fy(x0, y0)]2+ 1

Comparando com (),

cosγ = q 1

[fx(x0, y0)]2+ [fy(x0, y0)]2+ 1

Assim

q

[fx(x0, y0)]2+ [fy(x0, y0)]2+ 1 = secγ .

Variando o ponto (x0, y0) :γ =γ(x, y)

q

[fx(x, y)]2+ [fy(x, y)]2+ 1 = secγ(x, y)

Area de´ S=

Z Z

secγ(x, y)dx dy

De modo an´alogo:

Se S:x=g(y, z) com hip´oteses semelhantes `as anteriores, teremos:

´

Area de S=

Z Z

secα(y, z)dy dz

~η α x

S

y

z

③ ☛

q

✮ q

Massa de uma Lˆ

amina Curva

Consideremos uma lˆamina que tenha a forma de uma superf´ıcieS, a qual se projeta regularmente

em Ω , no planoxy.

(40)

Rij ❄

y

x

z

S Sij ✲ ✻

✠ ❥

Se a densidadeρ ´e constante, ent˜ao massa =ρ·( ´Area de S). Suponhamos ρ=ρ(x, y, z) cont´ınua.

S:z=f(x, y) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy.

SejaGuma rede cobrindo Ω .

Seja (xi, yi) o centro de cada retˆangulo coordenado Rij determinado porG.

Consideremos

Sij :z=f(x, y); (x, y)∈Rij .

Se Rij ´e pequeno, a densidade em Sij ´e aproximadamente ρ(xi, yj, f(xi, yj))

(ρ ´e cont´ınua ) e assim,

massa deSij ≃ρ(xi, yj, f(xi, yj))·Area´ Sij ≃

≃ ρ(xi, yj, f(xi, yj))· q

[fx(xi, yj)]2+ [fy(xi, yj)]2+ 1 ∆xi∆yj

Somando, teremos uma estimativa para a massa de S.

Fazendo m(G)0, temos

massa de S ===def.

Z Z

ρ(x, y, f(x, y))qf2

x(x, y) +fy2(x, y) + 1dx dy

=

Z Z

ρ(x, y, f(x, y)) secγ(x, y)dx dy

Exerc´ıcio resolvido

1. Calcular a massa de uma lˆamina que tem a forma do cone z2 =x2+y2 entre os planosz= 1

(41)

Resolu¸c˜ao:

z ✻

x

y

x2+y2= 1

x2+y2 = 16

③ ❥ ✰

③ ρ(x, y, z) =kpx2+y2

f(x, y) =p

x2+y2

fx(x, y) = x p

x2+y2

fy(x, y) = y p

x2+y2

f2

x +fy2+ 1 = 2

∴ secγ(x, y) =√2

massa =

Z Z

kpx2+y2·2 dx dy=2 k

Z 2π

0 dθ

Z 4

1

r·r dr=· · ·= 2√2kπ µ

431

3

.

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

S :z=f(x, y) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy.

Seja ainda H(x, y, z) cont´ınua em um aberto contendoS.

Defini¸c˜ao 14. A integral de superf´ıcie de H sobre S´e definida (e denotada) por:

Z Z

SH(x, y, z) dS =

Z Z

H(x, y, f(x, y)) secγ(x, y)dx dy

Observa¸c˜ao: Notemos que a Integral de Superf´ıcie ´e uma generaliza¸c˜ao da integral de linha.

Trabalhamos com:

Na integral de Linha: (fun¸c˜ao).(comprimento de arco).

Na integral de superf´ıcie: (fun¸c˜ao).(´area).

Casos Especiais:

(i) H(x, y, z)1

Z Z

SdS = ´Area de S.

(ii) H(x, y, z) = densidade no ponto (x, y, z) de uma lˆaminaS.

Z Z

(42)

Aplica¸

ao: Fluxo de um Flu´ıdo atrav´

es de

S

SuponhamosSimersa num flu´ıdo que escoa com velocidadeV~ (variando de ponto a ponto mas

n˜ao com o tempo).

Fluxo atrav´es de S= volume do flu´ıdo que atrav´essaSna unidade de tempo.

Casos Particulares:

(i) S- plana

✻ ✻

✻ ✻ ✻

S

~ V ~

V - constante

~ V S

Fluxo porS = volume do cilindro =

=kV~k ♣ (´area deS).

(ii) S- plana

✁✁ ✁✁

✁✁✁✕

✁✁ ✁✁

✁✁✁✕

✁✁ ✁✁

✁✁✁✕

(A)

S

~

V - constante

~

V - n˜ao perpendicular a S

(unit´ario) (B)

V ✗

S

Fluxo porS = volume do cilindro (A) =

= volume do cilindro (B) =

= (V~ ·~η) ♣ ( ´Area de S).

Caso Geral:

S:z=f(x, y) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy.

~

V =V~(x, y, z) - cont´ınuo.

(43)

Definir fluxo atrav´es deS.

SejaGuma rede cobrindo Ω , com retˆangulos Rij dividindoSem peda¸cos Sij.

(xi, yj) - centro deRij.

S

~η ✗

~ V

✘✘✘✘✘✘

✘ ✿

q

Sij ✲

¡¡

¡¡✒

q

q

z

y

Rij x

✠ ❥

Se Sij ´e pequeno, supomos que V~ = constante = V~(xi, yj, f(xi, yj)) em todoSij.

Tomamos o plano tangente aSpor (xi, yj, f(xi, yj)) e substitu´ımosSij pela imagem deRij no

plano tangente, denotando porS∗ij.

Fluxo por Sij ≃ V~(xi, yj, f(xi, yj)) q~η(xi, yj, f(xi, yj)) · (´area deS∗ij) =

= V~(xi, yj, f(xi, yj)) q~η(xi, yj, f(xi, yj)) · secγ(xi, yj)∆xi∆yj

Somando e fazendom(G)0, temos:

Fluxo porS ===def.

Z Z

Ω ~

V(x, y, f(x, y)) q~η(x, y, f(x, y))·secγ(x, y)dx dy =

def.

===

Z Z

S

~

V(x, y, z) q~η(x, y, z) dS ====abrev.

Z Z

S

~

V q~η dS

Observa¸c˜ao:Se trocarmos ~η por~η, o sinal da integral ser´a trocado.

Teorema 15.

S:z=f(x, y), onde f C1 em

= proje¸c˜ao regular de Sno plano xy.

- normal superior (unit´ario)

~

(44)

Ent˜ao:

Z Z

S

~

V q~η dS =

Z Z

(v1fx−v2fy+v3)dx dy

(a integranda calculada em (x, y, f(x, y)).

Prova:

Estamos supondoV~(x, y, z) =v1(x, y, z)~i+v2(x, y, z)~j+v3(x, y, z)~k.

Lembremos que ~η= −fx~i−fy~j+~k secγ(x, y) . Logo,

Z Z

S

~

V q~η dS =

Z Z

Ω ~

V(x, y, f(x, y)) q hfx(x, y)~i−fy(x, y)~j+~k i

dx dy =

=

Z Z

(v1fx−v2fy+v3)dx dy.

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Exerc´ıcios resolvidos

1. Calcule a integral

Z Z

S

p

1 +y2 dS, onde S:z= 1

2y

2, 0x1, 0y1 .

x

y

Ω 1

z

S

✯ ✻

q

Resolu¸c˜ao:

Temosf(x, y) = 12y2.

Assim: secγ(x, y) =qf2

x +fy2+ 1 = p

1 +y2

Z Z

S

p

1 +y2 dS = Z Z

Ω p

1 +y2 · p1 +y2 dx dy =

Z 1

0 dy

Z 1

0

(1 +y2)dx=· · ·= 4 3

2. Ache a massa de uma lˆamina triangular com v´ertices (1,0,0), (0,1,0) e (0,0,1), cuja densidade

(45)

S

✶ z

1

x

1 q Ω y

q ✻

Resolu¸c˜ao:

Temos que ρ(x, y, z) =kx2

Massa =

Z Z

Sρ(x, y, z) dS =

Z Z

ρ(x, y, f(x, y))·secγ(x, y)dx dy

S:z=f(x, y) = 1xy

secγ(x, y) =√1 + 1 + 1 =√3

Massa =

Z 1

0 dx

Z 1−x

0

kx2·√3 dy=· · ·= 1 12

3k

3. Determine o fluxo de V~(x, y, z) = x2y~i+z2~k atrav´es de S : z = xy , com 0 x 1 e

0y1.

x z

~ V ~η

1

1

y

q

✻ ✯

q

Resolu¸c˜ao:

Fluxo =

Z Z

S

~

V q~η dS ====T eo.15

Z Z

(v1fx−v2fy +v3)dx dy =

=

Z 1

0 dx

Z 1

0

(x2y20.x+x2y2)dy= 0

Observa¸c˜ao: notemos que neste exerc´ıcioV ´e tangente a S, e assim o fluxo seria 0.

(46)

Calcular

Z Z

S

~

V q~η dS

Resolu¸c˜ao:

S

z

y

x

x2+y2 = 9

▼ ✠

Consideremos Ω :x2+y2 9 ef(x, y) = 9x2y2 Z Z

S

~

V q~η dS =

Z Z

Ω £

−(3x)·(2x)(3y)·(2y) + (9x2y2)¤

dx dy =

=

Z Z

Ω £

5(x2+y2) + 9¤

dx dy=

Z 2π

0 dθ

Z 3

0

(5r2+ 9)r dr=· · ·= 567 2 π

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Consideremos agora S:y=g(x, z) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxz.

Definimos:

Z Z

SH(x, y, z) dS =

Z Z

H(x, g(x, z), z) secβ(x, z)dx dz

S

✶ ~η

β

x

y z

✠✲

r

❘ ✻

Analogamente, seS:x=h(y, z) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoyz, definimos:

Z Z

SH(x, y, z)dS =

Z Z

(47)

z

y x

α

S

❥ ✢

q

q

q ✮

Com estas considera¸c˜oes, podemos definir

Z Z

S quando S´e uma superf´ıcie “fechada”.

Nesse caso, convencionamos tomar ~η como a normal externa a S. A integral

Z Z

S~v q~η dS

mede o fluxo que escoa para fora de S. Se for positiva, o fluxo para fora excede o fluxo para

dentro (dizemos que dentro deStemos umafonte).Caso contr´ario, dizemos que dentro deStemos

umsumidouro oupo¸co.

Exerc´ıcio resolvido

Calcule o fluxo total de V~(x, y, z) =xy~i+ 4yz2~jyz~k para fora do cubo 0x1, 0y 1,

0z1.

Resolu¸c˜ao:

~η x

z ~η

y

q

q

✻ ✻

q ③

q

Face ~η V~ ·~η Fluxo

z= 1 ~k yz RR

R−y dx dy=−12

z= 0 ~k yz RR

R0dx dy= 0

x= 1 ~i xy RR

Ry dy dz = 12

x= 0 ~i xy RR

R0dy dz= 0

y= 1 ~j 4yz2 RR

R4z2dx dz= 43 y= 0 ~j 4yz2 RR

R0dx dz= 0

Z Z

S

~

V q~η dS= 4

(48)

Exerc´ıcios propostos 1.4

1. Seja S:z=f(x, y) suave, com proje¸c˜ao regular Ω no planoxy. Interprete geometricamente

Z Z

SH(x, y, z) dS, onde H(x, y, z)≡C >0.

2. Mostre que uma integral dupla

Z Z

g(x, y)dx dy do tipo considerado no Cap´ıtulo anterior ´e

um caso particular de integral de superf´ıcie.

1.5

Divergente - Rotacional

Seja F~(x, y, z) = A1(x, y, z)~i+A2(x, y, z)~j +A3(x, y, z)~k um campo de vetores com derivadas

parciais.

Defini¸c˜ao 16. A divergˆencia deF~, div F~, ´e definida por:

divF~P = ∂A1

∂x (P) + ∂A2

∂y (P) + ∂A3

∂z (P).

No plano: F~(x, y) =A1(x, y)~i+A2(x, y)~j

divF~(x, y) = ∂A1

∂x (x, y) + ∂A2

∂y (x, y).

Exemplos:

1. F~(x, y, z) =x2~ixy~j+xyz~k

divF~(x, y, z) =x+xy

2. F~(x, y, z) =y~i+x~j

divF~(x, y, z) = 0

PPP PPP

PPPq

✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✮

✻z

x

y

q

✏✏✏✏✶

q

PPPPPq

q

✏ ✏ ✏ ✏ ✮

q

✏✏✏✏✶

q

PPPPPq

q

✏ ✏ ✏ ✏ ✮

3. F~(x, y, z) =x~i+y~j+z~k

(49)

PPP PPP

PPPPPq ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✏ ✮ ✻z x y ✸ q ✕ q ■ q ✲ q ❫ q ✎ q ✠ q

Defini¸c˜ao 17. Seja F~ =A1~i+A2~j+A3~k, com derivadas parciais. Orotacional de F~, −→ rot ~F, ´e definido por:

−→ rot ~FP =

µ ∂A3

∂y (P)− ∂A2

∂z (P) ¶

~i+

µ ∂A1

∂z (P)− ∂A3

∂x (P) ¶

~j+

µ ∂A2

∂x (P)− ∂A1

∂y (P) ¶

~k

Pode ser calculado atrav´es do determinante simb´olico:

−→ rot ~F =

¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

~i ~j ~k ∂

∂x ∂y∂ ∂z∂ A1 A2 A3

¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

No plano: F~(x, y) =A1(x, y)~i+A2(x, y)~j

−→

rot ~F(x, y) =

· ∂A2

∂x (x, y)− ∂A1

∂y (x, y) ¸

~k

Exerc´ıcios resolvidos

1. F~(x, y, z) =y~i+x~j

−→ rot ~F =

¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

~i ~j ~k ∂

∂x ∂y∂ ∂z∂

−y x 0

¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯ ¯

= 2~k (rota¸c˜ao pura)

2. F~(x, y, z) =x~i+y~j+z~k −→

rot ~F = 0

Exerc´ıcios propostos

1. Sejam φ(x, y, z) =x2yz3 e F~(x, y, z) =xz~iy2~j+ 2x2y~k

Calcular:

(50)

2. Prove que div(rot ~−→ F) = 0 , onde F~ = A1~i+A2~j +A3~k, com derivadas parciais segundas

cont´ınuas.

3. Prove querot−→ (grad~ f) = 0, onde f C2.

◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦ − ◦

Observa¸c˜ao:

Consideremos o operador (nabla) definido por:

∇=~i ∂

∂x+~j ∂ ∂y+~k

∂ ∂z .

Ent˜ao:

~

grad f =~i ∂f

∂x +j ∂f ∂y +k

∂f ∂z =

µ ~i ∂

∂x+~j ∂ ∂y +~k

∂ ∂z

f =f ,

nota¸c˜ao que j´a v´ınhamos usando para o gradiente.

As nota¸c˜oes abaixo, encontradas em muitos textos, s˜ao sugestivas:

div F~ = qF~ −→

rot ~F =∇ ×F .~

Com a introdu¸c˜ao do rotacional, podemos resumir alguns resultados j´a alcan¸cados (Teoremas

4, 8 e 11) do seguinte modo:

SejaF~ um campo vetorial de classeC1 num paralelep´ıpedo= [a, b]×[c, d]×[e, f]. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes:

1. F~ ´e conservativo em .

2. rot ~F =~0 em.

3.

Z

γ ~

F qd~r= 0 para qualquer curva fechada γ⊂ ℜ, suave por partes.

4.

Z

γ ~

F qd~r´e independente da curva suave por partesγ ⊂ ℜ, ligando dois pontos em.

De fato:

(1)⇐⇒(2) - (Teorema 11)

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