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(1)

Uma adequada gestão do risco profissional supõe um processo organizativo planeado que elimine, reduza ou minimize as ocorrências adversas relacionadas com o trabalho. Esta gestão tem como base um programa sistematizado de identifica- ção, análise, avaliação, monitorização e registo das situações de risco que visem assegurar e melhorar a saúde e segurança dos trabalhadores.

AVALIAÇÃO DO RISCO QUÍMICO

AS OBRIGAÇÕES DO EMPREGADOR E DO FABRICANTE E COMERCIANTE DE PRODUTOS QUÍMICOS SÃO COMPLEMENTARES

IDENTIFICAÇÃO DAS MEDIDAS DE CONTROLO

Os VLE habitualmente estabelecidos para substâncias estremes visam prevenir doenças profissionais ou outros efei- tos adversos em trabalhadores expostos a produtos químicos perigosos no local de trabalho.

Quando o VLE é ultrapassado a empresa deve identificar a razão associada às situações em que a concentração da exposição profissional a agentes químicos é excedido. No menor curto espaço de tempo implementa as medidas apropriadas para corrigir a situação, nomeadamente as medidas de prevenção e as medidas técnicas ou organizacio- nais assim como assegura a vigilância da saúde, a informação, consulta e formação dos trabalhadores. A empresa deve ainda, quando aplicável, dar cumprimento ao DNEL (nível de exposição acima do qual o ser humano não deve estar exposto), por forma a cumprir com o Regulamento REACH.

Estas ações de controlo devem ser periodicamente reavaliadas para aferir da sua eficácia e manutenção do nível de proteção.

Para mais informações consulte: www.act.gov.pt

HIERARQUIA DAS MEDIDAS DE CONTROLO Eliminação ou substituição

• Eliminação do produto químico;

• Não sendo possivel, redução do risco mediante a substituição por um produto menos perigoso.

Medidas técnicas

• Medidas de engenharia, ventilação geral, ventilação localizada, entre outras.

Medidas organizacionais

• Rotatividade dos postos de trabalho;

• Redução da frequência e duração da tarefa;

• Redução do número de trabalhadores expostos;

• Comunicação dos riscos derivados da exposição;

• Informação e formação acerca dos riscos e medidas de proteção a adotar.

Medidas individuais

• Medidas a nível comportamental;

• Equipamentos de proteção individual (EPI)

ETAPA 4: IMPLEMENTAÇÃO DAS MEDIDAS DE CONTROLO E ACOMPANHAMENTO DA SUA EFICÁCIA

A implementação de ações de controlo apropriadas para eliminação/redução dos riscos a que se encontram associa- das promove a poupança de tempo e recursos financeiros em reparações, evita ausências por motivo de acidente de trabalho e de doença profissional, favorece um bom desempenho profissional, sendo possível alcançar desta forma uma maior produtividade.

DNEL > VLE Não são necessárias medidas adicionais.

DNEL < VLE O utilizador terá de ponderar controlos complementares, para assegurar que o DNEL é igualmente cumprido.

(2)

A avaliação de riscos tem em conta as propriedades das substâncias perigosas e a interação com outros agentes (p. ex. biológicos e físicos), equipamentos e ambientes de trabalho (p. ex. atmosferas explosivas) e respetivas condições operacionais. O sistema de trabalho como um todo compreende todos os componentes que influenciam a exposição do trabalhador, incluindo a sua formação e experiência profissional.

A avaliação de riscos químicos, enquadrada na respon- sabilidade do empregador, deve ter em conta o disposto nos Regulamentos REACH e CLP, exigindo uma abor- dagem integrada.

AVALIAÇÃO DO RISCO QUÍMICO

O empregador deve verificar a existência de produtos químicos perigosos no local de trabalho. Se esta veri- ficação revelar a existência desses perigos, deverão ser

avaliados os riscos para a segurança e a saúde dos trabalhadores expostos.

É IMPORTANTE QUE A AVALIAÇÃO:

• Permita ao empregador tomar as medidas necessárias para proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores;

• Tenha um caráter dinâmico, com revisões periódicas consoante as alterações, no local e na atividade de trabalho (p. ex.

novos equipamentos ou alteração dos existentes, introdução de nova tecnologia, coatividade com empresas exteriores) e desenvolvimento do conhecimento na área de SST;

• Tenha em consideração:

a) As propriedades perigosas dos produtos químicos;

b) A informação relativa à segurança e à saúde constantes das fichas de dados de segurança de acordo com a legislação aplicável sobre classificação, embalagem e rotulagem das substâncias e misturas perigosas e outras informações suplementares fornecidas pelo fabricante, designadamente a avaliação específica dos riscos para os utilizadores;

c) A natureza, o grau e a duração da exposição;

d) A presença em simultâneo de vários produtos químicos perigosos;

e) As condições de trabalho que impliquem a presença desses produtos, incluindo a sua quantidade;

f) Os valores limite de exposição profissional estabelecidos por legislação e normas em vigor;

g) Os valores limite de exposição profissional a agentes cancerígenos ou mutagénicos e ao amianto, estabelecidos em legislação especial;

h) O efeito das medidas de prevenção implementadas ou a implementar;

i) Os resultados da vigilância da saúde efetuada.

A AVALIAÇÃO E O CONTROLO DO RISCO

ETAPAS DA AVALIAÇÃO E CONTROLO DO RISCO QUÍMICO

ETAPA 1: IDENTIFICAÇÃO DOS PERIGOS

A identificação do produto químico a partir da informação dada por quem o fabrica, importa ou comercializa de acordo com os Regulamentos REACH e CLP é de extrema importância para a elaboração de um inventário anual das substâncias químicas utilizadas na empresa, desde os processos até às utilizadas em operações de manutenção e higienização.

INFORMAÇÃO SOBRE PERIGOS DOS PRODUTOS QUÍMICOS - PRINCIPAIS FONTES DE INFORMAÇÃO

Uma vez identificados os produtos químicos, prossegue-se com a caraterização dos seus perigos do produto químico.

ETAPA 2: ANÁLISE DO RISCO

A análise do risco, compreende a caraterização dos fatores de risco profissional e a identificação dos trabalhadores expostos. Independentemente da metodologia utilizada, a avaliação de riscos deve incluir a análise da probabilidade de ocorrência de acidentes de trabalho ou de doenças profissionais, relacionada com a gravidade dos mesmos (através determinação das consequências possíveis) a fim de auxiliar a planificação da prevenção, incluindo a escolha de opções preventivas e a definição de prioridades.

Os principais riscos associados ao trabalho com agentes químicos são:

• Risco de explosão e de incêndio;

• Risco de reação química perigosa e descontrolada;

• Risco de derrame;

• Risco de inalação, ingestão e absorção cutânea e ocular.

ETAPA 3: VALORAÇÃO DO RISCO

Os empregadores devem quantificar a exposição dos trabalhadores a substâncias químicas perigosas para garantir a sua segurança e saúde e assegurar que os trabalhadores não são expostos a concentrações que excedam os valores limite de exposição (VLE).

A avaliação da exposição profissional a agentes químicos inclui a determinação da concentração das substâncias peri- gosas nos locais de trabalho e a sua comparação com valores de referência que representam níveis de risco aceitáveis.

Os VLE de referência estão estabelecidos em legislação nacional e na norma NP 1796.

CONDIÇÕES OPERACIONAIS:

• Pressão/temperatura

• Sistema aberto/fechado

PROPRIEDADES DA SUBSTÂNCIA:

• Físico-químicas

• Toxicológicas

TRABALHADOR

• Formação habilitante

• Experiência profissional

EQUIPAMENTO DE TRABALHO (medidas de proteção

incluídas)

ETAPA 1

• Identificação dos produtos químicos

• Identificação dos perigos dos produtos químicos - informação sobre perigos obtida em: Rótulos e Fichas de Dados de

Segurança (FDS)

ETAPA 3

• Valoração do risco

• Identificação das medidas de controlo

ETAPA 2

• Estimativa do risco (exposição potencial no local de trabalho)

• Análise do risco

ETAPA 4

• Implementação das medidas de controlo

• Avaliação da eficácia dos controlos

implementados

• Manutenção do nível de proteção

AVALIAÇÃO DO RISCO CONTROLO

DO RISCO

ELEMENTOS NORMALIZADOS

• Pictogramas;

• Advertências de perigo (Frases H);

• Frases que indicam Perigos Físicos (Frases H200);

• Frases que indicam Perigos para a Saúde (Frases H300);

• Frases que indicam Perigos para o Meio Ambiente (Frases H400).

OUTROS ELEMENTOS

• Identificação do produto;

• Identificação do fornecedor;

• Recomendações de prudência (Frases P);

• Informações complementares.

RÓTULO Informações que constam do rótulo

• Pretende informar o utilizador, de forma eficaz e completa, sobre a perigosidade do produto para a saúde, segurança e ambiente.

• A Ficha de Dados de Segurança (FDS) comunica, entre outros elementos, a composição do produto, a iden- tificação dos perigos inerentes ao produto, o que fazer em caso de primeiros socorros, medidas a tomar no combate a incêndios e em fugas acidentais, como manusear e armazenar devidamente o produto, dados relativos ao controlo da exposição e proteção individual, as suas propriedades físicas e químicas e a sua es- tabilidade e reatividade.

FDS

Ficha de Dados de Segurança

• As FDS com Cenário de Exposição, são também designadas por Ficha de Dados de Segurança Alargadas (FDSa)

• Significa que as substâncias foram alvo de uma Avaliação de Segurança Química realizada pelo registante e são classificadas como perigosas, de acordo com o Regulamento CLP ou classificadas como PBT/mPmB (n.º 4 do artigo 14º do REACH, alterado pelo CLP) ou ainda fabricadas em determinada tonelagem.

CENÁRIO DE EXPOSIÇÃO

(3)

A legislação europeia e nacional sobre produtos químicos preconiza obrigações de avaliação, registo e comunicação para fabricantes, importadores, distribuidores (grossistas ou retalhistas), e utilizadores de produtos químicos que são complementares com as obrigações do empregador para com os seus trabalhadores e terceiros.

DO FABRICO À UTILIZAÇÃO DE PRODUTOS QUÍMICOS, UMA COMPLEMENTARIDADE DE ABORDAGENS.

Para mais informações consulte: www.act.gov.pt

ARTICULAÇÃO REGULAMENTO REACH – LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

ECHA – Agência Europeia de Produtos Químicos ; MGR - Medidas de Gestão de risco ; RAQ- Relatório de avaliação química

REACH

SIM

DL 24/2012, DL 301/2000 e Lei 102/2009

Aplicação (Art. º 2º e 3º)

1 O REACH é aplicável?

Utilização enquadrada no cenário exposição (Art.º 31º nº7, Art.º 37º nº4, Art.º 38º nº1)

4 A utilização está enquadrada nas condições de um cenário de exposição ou é coerente com as

recomendações do fornecedor?

Hierarquia das medidas de controlo (Art.º 9º a 13º do DL 24/2012 e Art.º 6º a 11º do DL 301/2000)

7 Aplicar as medidas de controlo identificadas no passo 5 supra, na ordem de prioridade especificada nos artigos identificados.

Outros requisitos de orientação nacionais

8

Vigilância da Saúde:

Art.º 12º do DL 301/2000; Art.º 14º a 15º e Art.º 22 do DL 24/2012 ; Art.º 44º, 45º, 108º e 110º da Lei 102/2009

Formação:

Art.º 13º do DL 301/2000; Art.º 16º do DL 24/2012; Art.º 20º da Lei 102/2009

Plano de acção com as medidas adequadas em situação de acidente, incidente ou de emergência:

Art.º 9º do DL 301/2000; Art.º 12º do DL 24/2012; Art.º 20º da Lei 102/2009

Aplicar/implementar medidas de controlo (Art.º 37º, nº5, Art.º 38º, nº1, Art.º 14º)

6 Aplicar/implementar todos os controlos identificados pela avaliação do risco químico e assegurar o seu

funcionamento eficaz.

Registo, arquivo e conservação da informação (Art.º 36º, Art.º 37º, nº 7)

9 Art.º 16º e 17º do DL 301/2000 Art.º 46º da Lei 102/2009

Informação e consulta aos trabalhadores (Art.º 35º)

10 Art.º 14º e 15º do DL 301/2000 Art.º 16º do DL 24/2012 Art.º 18º, 19º e 43º da Lei 102/2009

Realizar/rever a avaliação de riscos existentes (Art.º 7º DL24/2012, Art.º 4º DL 301/2000 e Art.º 15º

da Lei 102/2009)

5 Tendo em conta os requisitos do REACH, do Art.º 4 DL301/2000 e do Art.º 15º, nº2, i) da Lei 102/2009 Restrições (Art.º 67º, nº1) Anexo XVII

Proibições e/ou limites de concentração para isenção (Art.º 5º DL24/2012) Anexo IV

2

Existe uma restrição ou proibição da utilização?

Autorização (Art.º 56º, nº1) Anexo XIV Autorização (Art.º 6º, DL 24/2012)

3

A utilização da proposta carece de autorização?

Deve alterar a utilização proposta se tencionar prosseguir, adequando às condições da restrição.

Fim. Seguir orientações nacionais existentes relativas à avaliação de substâncias químicas.

(1) Deve informar o seu fornecedor acerca da utilização, com o objetivo de a tornar uma utilização identificada.

(2) Se necessário, o utilizador deve notificar a ECHA.

(3) Deve elaborar um CSR a fim de identificar a aplicar MGR. Caso não seja necessário um CSR, o utilizador deve avaliar a utilização a fim de identificar e aplicar as medidas adequadas.

Opções:

(1) Apresentar um pedido de autorização (ECHA).

(2) Se já existir uma autorização a montante da cadeia de abastecimento, notificar a ECHA da sua utilização.

Todas as condições da autorização devem ser observadas.

SIM SIM

SIM NÃO

NÃO

NÃO

NÃO

(4)

Conhecer, registar e comunicar sobre os produtos quími- cos utilizados no quotidiano, nas mais diversas atividades humanas são objetivos de sempre. Para isso, a legislação europeia, nomeadamente o Regulamento REACH, criou a Agência Europeia dos Produtos Químicos - ECHA. Esta agência regista numa base de dados toda a informação relativa aos produtos químicos utilizados na indústria, pe- los utilizadores profissionais e pelos consumidores. Deste modo, pretende acompanhar o conhecimento científico e o progresso técnico e garantir um elevado nível de segu- rança para a saúde humana e para o ambiente, no uso de produtos químicos.

O resultado da apreciação da ECHA pode conduzir a uma autorização ou a uma restrição de substâncias para de- terminados usos. Nesse processo, são ainda identificadas substâncias de elevada preocupação que, pelos perigos que representam para a saúde humana e para o ambiente, são alvo de substituição a curto ou médio prazo, carecendo de autorização para o seu uso.

Para assegurar uma comunicação clara dos perigos asso- ciados aos produtos químicos, aos utilizadores na União Europeia, incluindo os empregadores e respetivos traba-

lhadores, o Regulamento CLP (CRE, em português), rela- tivo à Classificação, Rotulagem e Embalagem de produtos químicos fixa a respetiva disciplina legal e faz aplicar, na União Europeia, o GHS - Sistema Mundial Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos, das Nações Unidas.

Entre este conjunto de normas e a legislação de segurança e saúde no trabalho são estabelecidas pontes para asse- gurar a complementaridade de abordagens preventivas a montante e a jusante da utilização de produtos químicos.

SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS: ENTIDADES RESPON- SÁVEIS E SUAS OBRIGAÇÕES

No que se refere às obrigações legais relativas à segurança e saúde do trabalho (SST), quando se verifique a exposição de trabalhadores a agentes químicos, devem ser conside- rados os regulamentos comunitários REACH e CLP, tendo em vista uma correta aplicação das disposições legais na- cionais que transpõem as diretivas comunitárias relativas à segurança e saúde no trabalho. Da sinergia entre os Re- gulamentos REACH e CLP e legislação específica em SST, resulta uma maior proteção para o trabalhador.

O regulamento REACH é aplicável «sem prejuízo» da legislação comunitária em vigor relativa à proteção ambiental e à proteção no local de trabalho. Por conseguinte, os empregadores terão de satisfazer tanto os requisitos legais do REACH como os das disposições legais relativas à segurança e saúde no trabalho com agentes químicos, cancerígenos e mutagé- nicos. Apesar do regulamento REACH e da legislação nacional relacionada com exposição a agentes químicos partilharem o mesmo objetivo em relação à proteção do trabalhador, sendo no caso do REACH generalizado à saúde humana, existem diferentes modos para atingir esses objetivos, alguns dos quais se indicam no quadro abaixo.

REACH LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO Âmbito de

aplicação

Os fabricantes, importadores e utilizadores a jusante

Visa garantir que as substâncias (excluindo as que constam do art.º 2.º do REACH) que fabricam, colocam no mercado ou utilizam não afetam negativamente a saúde humana nem o ambiente

O empregador

Visa garantir a proteção dos trabalhadores nas atividades de trabalho que envolvem substâncias e misturas perigosas e as geradas no processo

Objeto

Assegurar um elevado nível de proteção da saúde humana e do ambiente nos produtos químicos colocados no mercado e garantir a livre circulação das substâncias no mercado interno

Assegurar a segurança e a saúde no trabalho dos trabalha- dores e de terceiros contra os riscos de exposição a agentes químicos

FABRICO, COLOCAÇÃO NO MERCADO E UTILIZAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS

COMUNICAÇÃO DOS PERIGOS ASSOCIADOS ÀS SUBSTÂNCIAS E MIS- TURAS ATRAVÉS DA CLASSIFICAÇÃO E ROTULAGEM

PROTEÇÃO DOS TRABALHADORES CONTRA OS RISCOS DE EXPOSI- ÇÃO A AGENTES QUÍMICOS

REACH - Regulamento (CE) nº1907/2006 de 18 de dezembro, na sua versão mais atualizada

Regula o registo, avaliação, autorização e restrição de substâncias químicas, tendo em vista a sua utilização segura.

CLP - Regulamento (CE) nº1272/2008 de Classificação, Rotulagem e Emba- lagem (CRE) de 16 de dezembro, na sua versão mais atualizada

Harmoniza dos critérios de classificação e regras de rotulagem e embalagem de produtos perigosos (substâncias e misturas).

Lei nº 102/2009, de 10 de setembro

Regime jurídico da promoção da segurança e saúde do trabalho Decreto-Lei nº 24/2012, de 6 de fevereiro

Prescrições mínimas em matéria de proteção dos trabalhadores contra os riscos para a segurança e a saúde devido à exposição a agentes químicos no trabalho

Decreto-Lei nº 301/2000, de 18 de novembro

Proteção dos trabalhadores contra os riscos ligados à exposição a agentes cancerígenos ou mutagénicos durante o trabalho

Decreto-Lei nº 266/2007, de 24 de julho

Regula a proteção dos trabalhadores contra os riscos ligados à exposição ao amianto durante o trabalho

Decreto-Lei nº 88/2015, de 28 de maio

Transpõe a Diretiva nº 2014/27/UE, da Comissão e altera os Decretos-lei nº 24/2012 e nº 301/2000, entre outras disposições legais.

QUADRO LEGAL

COMPLEMENTARIDADE DAS ABORDAGENS PREVENTIVAS

REACH LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO

Avaliação de riscos de exposição a substâncias peri- gosas

Considera os efeitos potenciais em toda a cadeia de abastecimento, desde o fabricante ao utilizador final

Específico dos riscos profissionais associados às atividades de trabalho realizadas em concreto nos locais de trabalho.

Não contempla interação e efeitos combinados com outras substâncias e misturas

Contempla interação e efeitos combinados com outras substâncias e misturas e com outros fatores de risco presentes no contexto de trabalho

Visa colocar no mercado produtos seguros e dar

informação pública sobre os riscos dos mesmos. Visa identificar riscos na utilização por forma a equacionar as medidas de controlo do risco

Referenciais para o controlo da expo- sição de substân- cias perigosas

DNEL: Nível derivado de exposição acima do qual o ser humano não deve estar exposto

DMEL: Nível derivado de exposição com efeitos mínimos, ou seja, um nível de referência dos riscos que é considerado como de muito baixa preocupação para um determinado cenário de exposição

PNEC: Concentração da substância química abaixo da qual não é de esperar a ocorrência de efeitos inaceitáveis para o ambiente

VLE: Valor limite de exposição. Concentração à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar expostos, dia após dia, sem efeitos adversos na saúde VLE-MP: Valor limite de exposição de média ponderada Concentração média ponderada para um dia de trabalho de 8 horas e uma semana de 40 horas, à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar expostos, dia após dia, sem efeitos adversos para a saúde

VLE-CD: Valor limite de exposição de curta duração. Concen- tração à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar repetidamente expostos por curtos períodos de tempo (15 min.), desde que o valor do VLE-MP não seja excedido e sem que ocorram efeitos adversos O DNEL é estabelecido para a população em

geral, podendo contemplar os trabalhadores.

Pode ainda ser determinado para populações com caraterísticas específicas como grávidas e crianças

É estabelecido para exposição cutânea, por inalação e/ou oral

Estabelecido tendo em conta a proteção da saúde dos trabalhadores

Estabelecido predominantemente com base na exposição por inalação

O DNEL é estabelecido com base em metodologia estabelecida pela Agência Europeia de Produtos Químicos - ECHA

O DNEL é estabelecido pelos registantes das substâncias (fabricantes e importadores)

O VLE é estabelecido com base em metodologia científica do Comité Científico para os Limites de Exposição Ocupacional - SCOEL

O VLE é estabelecido através de valores indicativos e nalguns casos vinculativos a nível europeu e em cada Estado Membro Controlo do risco

de exposição a substâncias perigosas

Os cenários de exposição determinam Medidas de Gestão de Risco e Medidas de Controlo que são de implementação obrigatória

A avaliação do risco profissional visa identificar e implementar as medidas de prevenção e proteção a serem implementadas no local de trabalho. Contempla as Medidas de Gestão de Risco e Medidas de Controlo que constam dos cenários de exposição

Informação e comunicação

Para comunicação dos perigos e riscos de exposição a substâncias perigosas são utilizadas as fichas de dados de segurança (FDS) e/ou a ficha de dados de segurança alargada (FDSa) e o rótulo A comunicação da informação é realizada pelos elementos da cadeia de abastecimento (desde o fabricante ao utilizador final/ consumidor)

As FDS e FDSa, FDS resumo e os rótulos são instrumentos que contêm dados relevantes para estruturar a informação a trans- mitir aos trabalhadores expostos

A avaliação de riscos do posto de trabalho e as medidas de prevenção são alvo de informação a dar a conhecer ao trabalhador

A comunicação da informação é obrigação do empregador

Vigilância da saúde

Cabe aos fabricantes, aos importadores e aos utilizadores a jusante garantir que as substâncias que fabricam, colocam no mercado ou utilizam não afetam negativamente a saúde humana nem o ambiente

O empregador assegura a vigilância da saúde do trabalhador em função dos riscos a que estiver potencialmente exposto no local de trabalho

Formação

A seção 16 das FDS pode incluir recomendações acerca da eventual formação a ministrar aos trabalhadores

A avaliação da segurança química e a elaboração das fichas de dados de segurança é efetuada por uma ou mais pessoas competentes com experiência e formação apropriadas

A formação dos trabalhadores da empresa sobre segurança e saúde no trabalho deve ser assegurada de modo a que os trabalhadores tenham competências para fazer o seu trabalho sem prejuízo para si e para terceiros, bem como para saber como agir em caso de emergência

Entidades compe- tentes

Agência Portuguesa do Ambiente (APA); Direção- Geral da Saúde (DGS); Agência para a Competitivi- dade e Inovação (IAPMEI)

Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) Direção Geral da Saúde (DGS)

Entidades fiscaliza- doras

Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambi- ente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT);

Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE); Autoridade Tributária e Aduaneira (AT)

Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)

(5)

RESTO DO MUNDO

UE

FABRICANTE DE MISTURAS

FABRICANTE DE SUBSTÂNCIAS REPRESENTANTE

ÚNICO

FABRICANTE/

IMPORTADOR

DISTRIBUIDOR PROFISSIONAL / USO

INDUSTRIAL / CONSUMIDOR

UTILIZADOR A JUSANTE

O Regulamento REACH é aplicável ao longo da cadeia de abastecimento de produtos químicos, que tem início no fabricante e términus no utilizador final/consumidor.

Os outros intervenientes na cadeia de abastecimento são o importador, o reimportador, o distribuidor, o represen- tante único e o utilizador a jusante (formuladores, utilizadores industriais, utilizadores profissionais, produtores de artigos e operadores de trasfega).

COMUNICAÇÃO DE RISCOS QUÍMICOS NA CADEIA DE ABASTECIMENTO

Para mais informações consulte: www.act.gov.pt

INFORMAÇÃO A CONSULTAR

Guia ECHA de apoio aos utilizadores a jusante:

https://echa.europa.eu/documents/10162/13634/du_pt.pdf/123239d1-fe86-4b70-ae62-ac202af1da19 Guia ECHA de apoio à elaboração de FDS:

https://echa.europa.eu/documents/10162/13643/sds_pt.pdf/250f6086-5ba0-4778-b087-bccc004d1adc Guia ACT/APSEI/IPQ Controlo da Exposição a Agentes Químicos:

http://www.act.gov.pt/(pt-PT)/crc/PublicacoesElectronicas/Instrumentosdeprevencao/Paginas/default.aspx

RÓTULO

O rótulo do produto é, para o utilizador, a primeira fonte de informação. A classificação do produto, constante do rótulo, tal como consta do Regulamento CLP, deve estar em consonância com a FDS.

FICHA DE DADOS DE SEGURANÇA - FDS

A FDS obedece aos requisitos definidos no Anexo II do Regulamento REACH:

- Apresenta 16 seções de preenchimento obrigatório e pode necessitar conter ainda em anexo os cenários de exposi- ção (CE) relevantes (FDS alargada);

- Deve conter na seção 1 o n.º de Registo REACH, quando exista (no caso de utilizadores a jusante os 4 últimos alga- rismos do n.º de Registo podem estar truncados);

- A redação é na língua oficial do país onde é utilizado o produto químico;

- A FDS deve estar atualizada e apresentar sempre a última data de revisão;

- A FDS deve estar de acordo com o rótulo do produto:

- No caso da seção 15 da FDS indicar que foi realizada uma avaliação de segurança química e a substância for classifi- cada como perigosa ou avaliada como PBT ou mPmB, o cenário de exposição (CE) é anexado.

QUANDO É QUE O CENÁRIO DE EXPOSIÇÃO (APLICÁVEL A SUBSTÂNCIAS) É OBRIGATÓRIO?

Quando foi efetuada uma avaliação da segurança química para a substância, integrada no dossier de registo REACH com o desenvolvimento de CE, o que acontece quando se verificam simultaneamente as duas situações seguintes:

• a substância foi registada, em conformidade com o Regulamento REACH e a quantidade da substância é igual ou superior a 10ton/ano por registante;

• a substância é classificada como perigosa de acordo com o CLP ou é avaliada como PBT ou mPmB.

QUE INFORMAÇÕES DEVEM CONTER OS CENÁRIOS DE EXPOSIÇÃO?

Nos cenários de exposição estão definidas as medidas de gestão de risco e as medidas de controlo operacionais que permitem uma utilização segura do produto químico. Para cada utilização é desenvolvido um cenário de exposição.

QUAIS AS MEDIDAS DE GESTÃO DE RISCO QUE CONSTAM DOS CENÁRIOS DE EXPOSIÇÃO?

Em regra são propostas (i) medidas de eliminação e substituição, (ii) medidas técnicas (iii) medidas organizacionais (iv) a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) como medida complementar para suprir riscos residuais.

Nome químico e identificar do produto

Perigo

Líquido e vapor facilmente inflamáveis. Provoca irritação ocular grave. Pode provocar sonolência ou vertigens. Manter afastado do calor/faísca/chama aberta/superfícies quentes – Não fumar. Evitar respirar vapores. Usar luvas de protecção/protecção ocular. SE ENTRAR EM CONTACTO COM OS OLHOS enxaguar cuidadosamente com água durante vários minutos. Se usar lentes de contacto, retire-as, se tal lhe for possível. Continuar a enxaguar.

Armazenar em local bem ventilado. Manter o recipiente bem fechado.

Pode provocar pele seca ou gretada por

Acetona

Nº CE 200-662-2

ABC Chemicals Main Street Anytown Tel.: 0123 456 789

500 ml

Palavra-sinal

Nome, endereço e número de telefone do fornecedor

Advertência de perigo e recomendações de prudência

Quantidade nominal Informações suplementares

Pictogramas

QUANTIDADE NOMINAL

IDENTIFICAÇÃO DO FABRICANTE OU FORNECEDOR IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO

(6)

PRINCIPAIS FONTES DE INFORMAÇÃO

Os perigos das substâncias químicas estremes, em mis- tura ou que incorporam artigos são comunicados ao longo da cadeia de abastecimento através de dois ele- mentos fundamentais: o rótulo e as Fichas de Dados de Segurança.

Esta comunicação é relevante pois permite identificar os agentes químicos perigosos em utilização no posto de trabalho, as suas caraterísticas, propriedades e medidas de gestão de risco a adotar. São assim um contributo de- terminante para a avaliação dos riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores.

CONTEÚDO DA INFORMAÇÃO

O principal conteúdo das obrigações de comunicação re- sultante da classificação, rotulagem e embalagem dos produtos químicos é o seguinte:

• A identificação de classes de perigo (natureza de perigo) divididas em categorias de perigo (gravidade):

-16 classes de perigos físicos (explosivos, gases, aeros- sóis, líquidos e sólidos inflamáveis, etc.);

-10 classes de perigos para a saúde (toxicidade aguda, re- produtiva, órgãos-alvo, corrosão/irritação cutânea, lesões oculares, mutagenicidade, carcinogenicidade, etc.) ;

-1 classe de perigo para o ambiente aquático;

-1 classe de perigo para a camada do ozono.

• A informação sobre os perigos dos produtos traduzida em “Advertências de Perigo” (Frases H).

• A informação sobre medidas preventivas e de emer- gência constantes em “Recomendações de Prudência”

(Frases P). 9 pictogramas, alertando sobre os perigos.

As advertências de perigo (Frases H) descrevem a na- tureza do perigo que o produto apresenta (Anexo III do Regulamento CLP):

• H 2xy perigos físicos;

• H 3xy perigos para a saúde;

• H 4xy perigos para o meio ambiente.

As recomendações de prudência (Frases P) descrevem as recomendações sobre medidas preventivas, de res- posta de emergência e primeiros socorros para minimizar ou evitar danos durante a utilização ou eliminação (Anexo IV do Regulamento CLP):

• P 1xy geral;

• P 2xy prevenção;

• P 3xy resposta;

• P 4xy armazenagem;

• P 5xy eliminação.

A um mesmo pictograma podem corresponder diferen- tes classes/categorias de perigo e a sua utilização obe- dece a uma regra de precedência

A ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO PODE SER OBSERVADA ATRAVÉS DA EXEMPLIFICAÇÃO DOS 3 NOVOS PICTO- GRAMAS DO REGULAMENTO CLP QUE SE APRESENTA DE SEGUIDA.

CLASSE DE PERIGO CATEGORIA DE PERIGO FRASE H

Toxicidade aguda Categoria 4

H302 (oral) Nocivo por ingestão H312

(dérmica) Nocivo em contacto com a pele H332

(inalação) Nocivo por inalação Corrosão/irritação cutânea Categoria 2 H315 Provoca irritação cutânea Lesões oculares graves/irri-

tação ocular Categoria 2 H319 Provoca irritação ocular grave

Sensibilização cutânea Categoria 1A, 1B H317 Pode provocar uma reação alérgica cutâ- nea

Toxicidade para órgãos-al- vo específicos – exposição

única Categoria 3 H335

ou H336

Pode provocar irritação das vias respira- tórias

Pode provocar sonolência ou vertigens Perigoso para a camada de

ozono n/a H420 Prejudica a saúde pública e o ambiente

ao destruir o ozono na alta atmosfera

CLASSE DE PERIGO CATEGORIA DE PERIGO FRASE H

Sensibilização respiratória Categoria 1A, 1B H334 Quando inalado, pode provocar sintomas de alergia ou de asma ou dificuldades respiratórias

Mutagenicidade em células

germinativas Categoria 1A, 1B H340

Pode provocar anomalias genéticas <indi- car a via de exposição se existirem provas concludentes que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Mutagenicidade em células

germinativas Categoria 2 H341

Suspeito de provocar anomalias genéti- cas <indicar a via de exposição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Carcinogenicidade Categoria 1A, 1B H350

Pode provocar cancro <indicar a via de exposição se existirem provas conclu- dentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Carcinogenicidade Categoria 2 H351

Suspeito de provocar cancro <indicar a via de exposição se existirem provas con- cludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Toxicidade reprodutiva Categoria 1A, 1B H360

Suspeito de afetar a fertilidade ou o nasciturno <indicar o efeito específico se este for conhecido> <indicar a via de ex- posição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Toxicidade reprodutiva Categoria 2 H361

Suspeito de afetar a fertilidade ou o nasciturno <indicar o efeito específico se este for conhecido> <indicar a via de ex- posição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Toxicidade para órgãos-al- vo específicos – exposição

única Categoria 1 H370

Afeta os órgãos <ou indicar todos os órgãos afetados, se forem conhecidos>

<indicar a via de exposição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Toxicidade para órgãos-al- vo específicos – exposição

única Categoria 2 H371

Pode afetar os órgãos <ou indicar todos os órgãos afetados, se forem conhecidos>

<indicar a via de exposição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via exposição>

Toxicidade para órgãos-al- vo específicos – exposição

repetida Categoria 1 H372

Afeta os órgãos <ou indicar todos os órgãos afetados, se forem conhecidos>

após exposição prolongada ou repetida

<indicar a via de exposição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Toxicidade para órgãos-al- vo específicos – exposição

repetida Categoria 2 H373

Pode afetar os órgãos <ou indicar todos os órgãos afetados, se forem conhe- cidos> após exposição prolongada ou repetida <indicar a via exposição se existirem provas concludentes de que o perigo não decorre de nenhuma outra via de exposição>

Perigo de aspiração Categoria 1 H304 Pode ser mortal por ingestão e pene- tração nas vias respiratórias

CLASSE DE PERIGO CATEGORIA DE PERIGO FRASE H

Gases sob pressão Gás comprimido H280 Contém gás sob pressão; risco de ex- plosão sob a ação do calor

Gases sob pressão Gás liquefeito H280 Contém gás sob pressão; risco de ex- plosão sob a ação do calor

Gases sob pressão Gás liquefeito refrigerado H281 Contém gás refrigerado; pode provocar queimaduras ou lesões criogénicas Gases sob pressão Gás dissolvido H280 Contém gás sob pressão; risco de ex-

plosão sob a ação do calor SE É UTILIZADO:

* Sensibilização respiratória

Devem ser opcionais, amenos que, pelo menos um dos pictogramas deja obrigatório Não deve aparececer

Não deve aparecer para irritação da pele ou dos olhos

Não deve aparecer para sensibilização da pele ou irritação da pele e dos olhos É opcional

É opcional

(7)

Os empregadores, a jusante do fabrico de produtos químicos colocados no mercado, estão sujeitos ao cumprimento das disposições legais relativas à proteção da segurança e saúde dos trabalhadores expostos a agentes químicos e, em simultâneo, ter em consideração o Regulamento REACH e o Regulamento CLP.

Na avaliação e controlo do risco químico e na implementação do Regulamento REACH deve ser constituída uma equipa técnica interdisciplinar e envolver profissionais com conhecimentos nas áreas de segurança no trabalho, ambiente e compras.

A observância da disciplina do Regulamento REACH nas empresas utilizadoras de produtos químicos implica várias etapas.

O TÉCNICO DE SEGURANÇA NO TRABALHO TEM UM PAPEL IMPORTANTE NA IMPLE- MENTAÇÃO DO REACH NOS UTILIZADORES A JUSANTE

dor e terceiros e é feita com base em FDS resumo, que contemplam os aspetos mais relevantes da exposição ocupacional. Terá necessariamente que se verificar con- cordância entre as FDS e os rótulos. A comunicação dos riscos ao trabalhador está prevista, em termos de legis- lação de SST, na componente de informação e de forma- ção a ministrar aos trabalhadores.

A comunicação dos riscos ao longo da cadeia de abaste- cimento, requisito do REACH, garante que até ao consu- midor final todos os intervenientes da cadeia recebam informação sobre as condições de uso em segurança do produto, bem como acerca dos riscos a que estão expos- tos durante o seu uso e quais as medidas de proteção a adotar. Os instrumentos fundamentais dessa comunica- ção são as FDS e os rótulos.

No que respeita à legislação de SST, a comunicação dos riscos a que está exposto aplica-se somente ao trabalha-

ETAPA 4: DINAMIZAR A COMUNICAÇÃO DE RISCOS AO LONGO DA CADEIA DE ABASTECIMENTO

Para mais informações consulte: www.act.gov.pt

Uma vez inventariadas, de acordo com as definições constantes do Regulamento REACH, verificar se há substâncias utilizadas classificadas como de elevada preocupação (SVHC). Neste caso deve ser ponderada a sua eliminação ou substituição do processo. Não sen- do possível a sua substituição deve ter-se em conta a legislação relativa à proteção da saúde dos traba- lhadores expostos a agentes químicos cancerígenos e mutagénicos.

Deve ainda verificar-se se para a substância em utili- zação estão estabelecido valores limite de exposição obrigatórios ou valores limite de exposição indicativos.

No âmbito da avaliação de riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores importa também aferir se da- dos adicionais, designadamente um cenário de expo- sição aplicável, apresenta medidas de gestão de risco devidamente contempladas.

Assim, devem comparar-se as condições previstas no cenário de exposição com as consideradas na avaliação de riscos, designadamente:

• Perigosidade do agente químico;

• Tipo, frequência e duração da exposição;

• Quantidade do agente químico a que trabalhador está exposto;

• Valores limite de exposição ocupacional (disposição le- gal ou NP 1796);

• Informação sobre a vigilância médica.

Caso as medidas implementadas, resultado da avaliação de riscos, difiram das medidas de gestão de risco indi- cadas para cumprimento do DNEL (nível de exposição acima do qual o ser humano não deve estar exposto) es- tabelecido para a substância em causa e o DNEL< VLE (valor limite de exposição), resulta incumprido o Regula- mento REACH. Neste caso há que reportar a montante da cadeia a situação, por forma a que chegue ao fabricante que foram necessárias outras medidas de proteção. No âmbito do Regulamento REACH poderá haver necessi- dade de proceder a um relatório de avaliação química ou inclusive a uma avaliação de segurança química para a referida substância.

Pelo contrário, se as medidas de gestão de risco estive- rem incluídas nas medidas de proteção determinadas pela avaliação de riscos e o DNEL>VLE, a proteção do trabalhador está assegurada e não é necessário qualquer ação no âmbito do Regulamento REACH.

ETAPA 3: PROCEDER À AVALIAÇÃO DE RISCOS QUÍMICOS

• que pertença à lista de substâncias candidatas e não te- nha sido registada.

C. Reportar ao fornecedor qualquer medida que tenha de implementar em resultado da avaliação de riscos para a

segurança e saúde do trabalhador, que não esteja contem- plada nos cenários de exposição.

D. Garantir a comunicação de riscos, derivados do uso do agente químico a jusante da cadeia de abastecimento.

(8)

1. RECEÇÃO DA FDS

A FDS pode ser rececionada sob diferentes formas (em suporte de papel ou em suporte eletrónico) e deve ser disponibilizada em diferentes locais da empresa (depar- tamento compras, armazém e no local de utilização da substância). Todas as pessoas com responsabilidade na recepção do produto químico devem conhecer os crité- rios de aceitação da FDS e da tramitação subsequente.

Para o efeito deve ser criado um procedimento que defina responsabilidades e o processo a seguir.

2. VERIFICAÇÃO BÁSICA DA QUALIDADE DA FDS

Deve verificar-se que a versão da FDS a analisar é a mais recente. Os requisitos de qualidade da FDS podem ser avaliados com o apoio de uma lista de verificação. Um exemplo é disponibilizado pela ECHA (link: https://echa.

europa.eu/documents/10162/966058/sds_checklist_

pt.pdf/a94005f5-d7fe-45b8-baad-e0aad3d3a6b8).

3. VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE OPERACIONAL Esta verificação serve para aferir se as operações estão em conformidade com a FDS recebida dos fornecedores, independentemente de a FDS ser ou não alargada. Para a verificação da conformidade operacional é necessário ter conhecimento da utilização que é dada ao produto

químico. Para tal, deverá ser consultado o trabalhador que o utiliza. A compreensão de uma FDS, de um Cenário de Exposição e avaliar as ações necessárias exigem um certo nível de especialização.

4. DOCUMENTAÇÃO

O resultado da verificação de conformidade opera- cional, deve ser documentado. A documentação inclui a conclusão da verificação de conformidade operacional, o plano de ação e o acompanhamento do processo.

5. ARMAZENAMENTO E ARQUIVAMENTO

Cada empresa deve ter um sistema para armazenar a FDS recebida durante 10 anos. Este sistema deve permitir:

• Recuperar facilmente a versão mais recente da FDS;

Pesquisar a FDS por diferentes critérios (fornecedor, substância, nome comercial, ….);

Arquivar as FDS rececionadas de diferentes fornece- dores, para o mesmo produto;

• Disponibilizar aos trabalhadores em formato adequado, as informações da FDS;

Manter acessível aos trabalhadores as informações da FDS.

É importante que o sistema de armazenagem permita

Em cada operação unitária de um processo há que iden- tificar o papel da empresa utilizadora de produtos quími- cos, no âmbito do Regulamento REACH, para determinada substância em uso. Uma vez que os utilizadores a jusante englobam desde formuladores a utilizadores profissionais, existem ainda outras obrigações legais a considerar.

Para além do papel de reportar qualquer não conformida- de com a FDS, a montante da cadeia de abastecimento, o utilizador tem obrigações a jusante da cadeia, desde logo a implementação do cenário de exposição (implementação das condições operacionais e medidas de gestão de riscos) e a comunicação dos riscos.

Para cumprimento do REACH os utilizadores a jusante têm de cumprir com o seguinte:

A. Verificar que o uso da substância está contemplado na FDS ou FDS alargada;

Caso não esteja previsto o uso da substância, tem um pra- zo de 12 meses para reportar por escrito ao fornecedor tal situação. Findo esse prazo e não tendo sido esse uso inte- grado na FDS ou FDS alargada tem de utilizar nova subs- tância ou recorrer a um novo fornecedor ou procede a um relatório de avaliação química e submete-o à ECHA.

B. Verificar que não utiliza nenhuma substância:

• incluída na lista de restrições para a atividade em cau- sa ou cumpre as restrições aí impostas;

• incluída na lista de substâncias sujeitas a autoriza- ção, sem que tenha havido pedido de autorização para o uso dado;

ETAPA 2 - DEFINIR O PAPEL DA EMPRESA NO ÂMBITO DO REGULAMENTO REACH – OBRIGAÇÕES DO UTILIZADOR A JUSANTE

PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO APÓS RECEÇÃO DE UMA FDS OU FDS ALARGADA

O fluxograma abaixo exemplifica o processo de recepção na empresa de uma nova FDS ou FDS alargada.

As substâncias químicas são inventariadas por análise das várias atividades desenvolvidas pela empresa. A identificação dos produtos químicos que possam, ou não, constituir risco potencial para a saúde dos traba- lhadores a eles expostos é realizada tendo por base a informação disponibilizada nas Fichas de Dados de Segurança (FDS) e na rotulagem dos produtos químicos.

Por forma a dar cumprimento ao Regulamento REACH devem constar no inventário os seguintes elementos:

- Nome comercial do produto;

- Nome da substância estreme;

- Nome da mistura com a identificação das substâncias contidas na mistura;

- N.º CAS, N.º CE, N.º registo REACH;

- Identificação do fornecedor;

- Data da FDS (atualizada);

- Informação sobre a autorização ou restrição;

- Local de utilização na empresa;

- Classificação e rotulagem;

- Cenários de exposição (descritores, medidas de gestão de risco e condições operacionais);

- Quantidades consumidas (últimos 3 anos).

rastrear o registo da receção e aceitação, assim como o resultado da conformidade operacional e de todos os esforços realizados para as cumprir.

Devem ser efetuados e conservados registos de ativi- dades como a comunicação com os fornecedores, a iden- tificação de informações a comunicar e a comunicação a

jusante, em conformidade com o artigo 36.º do Regula- mento REACH.

A empresa tem 12 meses após receção e aceitação da FDS, para implementar as Condições Operacionais e Medidas de Gestão de Risco que constam do Cenário de Exposição.

4-Documentação 1-Receção da FDS 2-Verificação da

qualidade da FDS

3-Verificação da conformidade operacional

5-Armazenamento e arquivamento

ETAPA 1- IDENTIFICAR AS SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS PARA OS TRABALHADORES E PARA O AMBIENTE, RECORRENDO AO INVENTÁRIO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS UTILIZADAS NA EMPRESA.

PRINCIPAIS REQUISITOS DO REACH A VERIFICAR NA FDS OU FDS ALARGADA Secção 1 - Identificação da substância/preparação e da

sociedade/empresa

• Nº de registo, quando exista. No caso de Utilizadores a jusante podem os 4 últimos algarismos estar truncados;

• Identificar o uso dado à substância ou mistura;

• Contacto (e-mail e endereço) da pessoa responsável.

Secção 2 - Identificação dos perigos

• Identificar se se trata de substância ou mistura perigosa;

• Mencionar perigos relevantes não contemplados na classificação do agente químico;

• Apresentar classificação de acordo com o CLP (exceção para misturas adquiridas antes de 1 junho de 2015 e até 1 de junho de 2017).

Secção 3 - Composição/informação sobre os componentes

• Identificar todas as substâncias classificadas como pe- rigosas ou com VLE.

Secção 7 - Manuseamento e armazenagem

• Substâncias alvo de avaliação da segurança química de- vem ter informação nesta seção de acordo com o cenário de exposição;

• Indicar medidas de proteção ambiental;

• Introdução de novo item relativo a usos específicos.

Secção 8 - Controlo da exposição/protecção pessoal

• Sempre que exista uma avaliação de segurança quími- ca, é necessário indicar:

• DNELs e PNECs;

• Resumo das medidas de gestão de risco incluídas para uso, como referido nos cenários de exposição.

Secção 11 - Informação toxicológica Secção 12 - Informação ecológica

• Resumo dos testes toxicológicos e ecológicos.

Secção 15 - Informação sobre regulamentação

• Indicação da realização da avaliação de segurança quí- mica da substância;

• Indicação se a substância está sujeita a autorização ou a restrições.

Secção 16 - Outras informações

• Indicação das frases H por extenso, se indicadas na secção 2;

• Indicação de conteúdos aditados ou revistos na FDS.

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