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Academic year: 2018

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(1)

EDUCAÇÃO EM DEBATE

Eduardo David de Oliveira 1

ARTIGOS

Africanidades na educação

[ BCH-UFC

i

Resum o

o

TSRQPONMLKJIHGFEDCBAp r e s e n t e a r t i g o r e fl e t e s o b r e a F i l o s o fi a d a E d u c a ç ã o n o B r a s i l a p a r t i r d a c o s m o v i s ã o e l a b o r a d a n a d i n â m i c a c i v i l i za t ó r i a a fr i c a n a e r e i n t e r p r e t a d a p e l a e x p e r i ê n c i a d o s a fr o - b r a s i l e i r o s , c o n s i d e r a n d o , s o b r e t u d o , o s p r i n c í p i o s d a d i v e r s i d a d e , i n t e g r a ç ã o e a n c e s t r a l i d a d e , b e m c o m o a s n o ç õ e s d e t e m p o , u n i v e r s o , p e s s o a , p a l a v r a e s o c i a l i za ç ã o .

P a l a v r a s - c h a v e : fi l o s o fi a d a e d u c a ç ã o , c o s m o v i s ã o a fr i c a n a , a fr o - b r a s i l e i r o s .

Abstract

Africanidad in Education

T h i s a r t i c l e d e a l s w i t h E d u c a t i o n a l P h i l o s o p h y i n B r a zi l s t a r t i n g fr o m t h e c o s m o v i s i o n e l a b o r a t e d fr o m a a d y n a m i c c i v i l i ze d A fr i c a a n d r e i n t e r p r e t e d b y t h e e x p e r i e n c e o f a fr o - b r a zi l i a n s , c o n s i d e r i n g e s p e c i a l l y t h e p r i n -c i p l e s o f d i v e r s i t y , i n t e g r a t i o n a n d a n -c e s t r y , a s w e l l a s n o t i o n s o f t i m e , u n i v e r s e , p e r s o n , w o r d , a n d -c i v i l i za t i o n .

K e y - w o r d s : E d u c a t i o n a l p h i l o s o p h y , A fr i c a n c o s m o v i s i o n , A fr o - B r a zi l i a n s .

1Doutorando em Educação Brasileira do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Ceará.

(2)

A história da Educação Brasileira tem ne-. gado sistematicamente a influência da cultura de matriz africana na prática e no discurso sobre ensino-aprendizagem nas instituições de ensino e negligenciado a cosmovisão africana nas rela-ções de educação que ultrapassam as fronteiras da Escola. No entanto, a experiência dos africa-nos e sua atualização pelos afrodescendentes no Brasil fornecem outra base para a produção do conhecimento e sua transmissão. Com efeito, a cosmovisão africana é resultado de uma dinâmica civilizatória que elaborou historicamente os prin-cípios da diversidade, integração e ances-tralidade. Fruto da forma cultural negro-afri-cana tais princípios eãtãbelécern a lógica própria das africanidades no âmbito dos processos de produção e transmissão de conhecimentos, re-criando as noções fundamentais de palavra, tem-po, universo, pessoa e socialização.

Uma filosofia da educação brasileira que parta da matriz cultural africana justifica-se pela necessidade premente de re-ler o Brasil desde as africanidades. Buscamos na filosofia africana a matriz da africanidade brasileira. A filosofia é um produto sistematizado de uma época. Ela não é apenas um produtoTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa p o s t e r i o r i , mas um elemento ativo na construção das representações sociais e suas fundamentações. A filosofia é um produto coletivo. Por isso, o intento de minha pesquisa no doutorado é acompanhar a produção dos afro-bra-sileiros em sua trajetória civilizacional no Brasil a fim de diagnosticar em sua prática e produção te-órica, os elementos constitutivos de uma filosofia singular a estes agentes sociais. A filosofia é pro-duto da história do povo que a produz.

De acordo com Deleuze/Guattari (1992 a, 1992b), o que caracteriza o fazer filosófico é exatamente a criação de conceitos. Os concei-tos são produconcei-tos filosóficos, com personagens, cenários, planos de imanência, enfim, com suas peculiaridades no terreno da filosofia. Fabricam-se conceitos para interpretar o mundo.' Não é o caso, então, nem de recair em abstrações meta-físicas, nem de reduzir o mundo à linguagem. Trata-se, isto sim, de produzir conceitos, criar mapas e diagramas para melhor significar a rea-lidade, sem a pretensão de esgotá-Ia em sua

tota-lidade e, por outro lado, sem reduzi-Ia a jogos de palavras .

As africanidades nutrem-se, entre outras coisas, dos personagens conceituais e princípios éticos que foram produzidos na dinâmica civili-zatória africana ressignificada e reconstruída pe-los afro-brasileiros. A África torna-se, portanto, a fonte de onde emergem tais conceitos. Para se compreender tal dinâmica é preciso, antes, en-veredar pelas formas culturais negro-africanas a fim de detectar qual o contexto cultural que favoreceu o aparecimento de sua cosmovisão e, então, pesquisar como ela chegou aos afrodes-cendentes brasileiros, conformr análises feitas em pesquisas anteriores (OLIVEIRA, 1999; 2001; 2003). Somente mergulhado no seio da cosmovisão africana pode-se vislumbrar os con-ceitos e categorias que tecem o cabedal da filo-sofia africana.

Na visão de mundo africana tudo está em tudo, isto é, tudo se complementa. As coisas são classificadas por funções. Elas sempre estão inter-ligadas em um todo. O sistema é, todo ele, operacional. A integração possibilita a conjuga-ção das diferenças. A integraconjuga-ção, na visão africa-na, supõe um todo orgânico que contempla as diferenças. Não há diferenças que favoreçam a desagregação do conjunto, do todo orgânico. O que há são possibilidades diferenciadas de arran-jos sociais, culturais, etc., sempre flexíveis, sem-pre passíveis de novos arranjos ... O que há são várias facetas que compõem uma mesma rostidade (chamaria também de identidade), um mesmo organismo. Vale o princípio da inclusão! Não há a superposição ou hierarquização de uma função sobre outra, de um elemento sobre o outro. Tudo é importante, à medida em que tudo está interli-gado com o todo. O conjunto é importante e não o particular. O organismo é importante, e não só uma parte dele. M elhor dizendo, a parte é impor-tante justamente porque ela integra o todo.

A integração supõe uma abertura, uma flexibilidade, uma vez que seu modo operacional é dinâmico e não estático. O sistema integrado, por exemplo, das religiões de matrizes africanas está sempre se remodelando, o que evidencia seu caráter flexível e diversificado.

2De Nietzsche a Foucault, de Gadamer a Paul Ricoeur, a interpretação passou a ser o paradigma da filosofia ora chamada de pós-estruturalista, ora de hermenêutica. Essa perspectiva interpretacionista é a que adotamos em nossa pesquisa.

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A

diversidade

é, com efeito, o que permi-te que a cosmovisão africana permi-tenha as caracpermi-terís- caracterís-ticas de ser pluriforme, polifônica e aberta. A di-versidade é o grande princípio que reúne a pluralidade das representações.' É a diversidade que permite uma ética da diferença, um sistema integrado. Ela instaura uma organização diferen-ciada que contempla uma constante mutação. Essa mutação, porém, não é desterritorializada. Está baseada em princípios bem estruturados, como o da ancestralidade.

Em um sistema integrado não é a hornoge-neidade que dá a tônica da organização social, mas a heterogeneidade. Percebe-se, assim, que o distinto é contemplado; o diferente é desejado e não apenas aceito. A diversidade é a mãe da fle-xibilidade. É neste sentido que podemos dizer que a diversidade possui uma grande capacidade de adaptação e dere-significação, características que marcam a saga dos afrodescendentes.

De nada adiantaria falar em integração, em diversidade se não falássemos em ances-tralidade. A ancestralidade é o que estrutura a visão de mundo presente na história dos africa-nos e seus descendentes, sobretudo no que diz respeito às religiões. Sem o princípio de senio-ridade a organização social das comunidades de terreiro estariam esfaceladas. Sem a ances-tralidade não haveria tradição. Sem a tradição não haveria identidade.

A preocupação com a identidade e a legiti-midade é uma das características mais notórias na dinâmica civilizatória africana, não apenas para demarcar a cultura negra, mas sobretudo para manter a originalidade da tradição. Éaqui que a-autenticidade exige a tradição.

Essa autenticidade, no entanto, não signi-fica a reisigni-ficação da essência. Esta originalidade não significa unidade fechada de interpretação. Esta identidade não é uma totalidade arbitrária. A tradição africana atualizada pelos afrodes-cendentes é autêntica à medida em que é fiel à sua forma cultural, original à medida em que advém da experiência (ética) coletiva dos

africa-nos. A tradição cria identidades pois ela é o ma-nancial dos valores civilizatórios e dos princí-pios éticos (filosóficos) que singularizam a his-tória dos afrodescendentes. A legitimidade da tra-dição africana dá-se exatamente por ela não ser uma memória fossilizada no passado, mas uma experiência atualizada no calor das lutas dos afrodescendentes.

A tradição africana tem sua própria lógica. Tem sua forma cultural que lhe dá desenho e con-torno. Com efeito, a tradição não existe sem a ancestralidade. Note-se o caráter integrativo desta cadeia de raciocínio. A ancestralidade, por sua vez, não é a afirmação do

eu,

egóico, narcisista; na ancestralidade o que conta é a história de um povo, o arsenal simbólico adquirido por este du-rante o percurso do tempo. Quem conta a histó-ria do eu é sua tradição. A históhistó-ria do eu está vinculada à história de seus ancestrais. O eu faz parte de um todo e é importante justamente à medida em que compõe esse todo, e não o con-trário. Épor isso que podemos dizer que sem ancestralidade não há identidade. A identidade é encontrada na tradição e não no olhar narcisista.

A construção da tradição é coletiva. Não importa se esta construção é cultural, isto é, se sofre modificações ao longo da história. O que importa é que ela é capaz de identificar os ele-mentos que congregam e caracterizam uma certa visão de mundo. A cosmovisão africana é resul-tado da construção da ancestralidade pelo povo que se constitui na sua dinâmica civilizatória.

Historicamente vivenciada na trajetória civilizatória dos afrodescendentes a cosmovisão africana é portadora e reveladora de uma ética que pode ser, destarte, universalizada enquanto contraponto ao sistema de exclusão capitalista. Geradora de princípios como o da diversidade e da inclusão, imbuída de concepções singulares sobre o tempo, o universo, a palavra e a sociali-zação, a cosmovisão africana encontra no princí-pio da ancestralidade sua concatenação interna e a força de sua expressão externa, manifesta na tradição dos afrodescendentes.

3Neste sentido é interessante perceber como no candomblé há espaço para todos: homens, mulheres - e as mulheres ocupam

papéis de protagonistas em sua estrutura religiosa -, homossexuais, brancos, negros, enfim, todas as raças, ricos, pobres, etc. No terreiro de candomblé há espaço para todo mundo, não importando sua posição social, racial, econômica, política, etc. Éevidente, porém, que toda essa diversidade encontra lugar no candomblé porque sua estrutura orgânica contempla todos esses aspectos, mas não se reduz a eles, pois o candomblé tem sua própria maneirade organização. O candomblé inclui a diferença e promove a diversidade dentro da lógica do lugar próprio, por isso mantém sua identidade e seus traços diacríticos. A aceitação da diferença não transforma o candomblé num espaço anárquico, mas em um espaço de inclusão.

(4)

o

universo é um conjunto de interações

de seres (minerais, animais, vegetais)

interli-gados, como se formasse uma imensa teia de

ara-nha entre fenômenos visíveis e invisíveis. A

pa-lavra flui como portadora de uma "força" divina,

e por isso mesmo capaz tanto de destruir como

de construir, tornando-se, ademais, um meio de

transmissão de conhecimento sagrado ou

pro-fano. O tempo, para os africanos, é o tempo dos

antepassados. Tempo voltado para o passado,

"idade de ouro" dos africanos. Tempo sagrado

envolvendo o tempo presente; tempo dos

mor-tos vivificando o tempo dos Homens. TempoTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

z a m a n i ' dando sentido ao tempo s a s a " . O tempo

africano é o tempo dos ancestrais, seja no

pas-sado, seja no presente. A pessoa é a síntese dos

elementos que compõem o universo. Resultado

dos elementos naturais e sagrados, o "homem"

não está dissociado da sociedade. A dicotomia

ocidental indivíduo/sociedade é rechaçada pela

concepção integralista da pessoa africana. Como

o universo, a pessoa é o resultado da integração

de todos os seres que vivem indissociavelmente

ligados. A pessoa é forjada nos processos de

socialização, que tecem a identidade dos

indiví-duos ao mesmo tempo em que constróem o

teci-do social. A socialização é sempre

responsabili-dade da comuniresponsabili-dade, o que fornece o controle

social da produção da subjetividade dos

indiví-duos africanos.

A ancestralidade é a fonte de onde

emer-gem os elementos fundamentais da tradição

afri-cana. Ela mesma é um princípio capaz de

organi-zar a vida e as instituições dos africanos e seus

descendentes. É a categoria principal da "dinâ-mica civilizatória africana", pois para além das

relações de parentesco consangüíneo, a

ancestra-lidade tornou-se o princípio organizador das

prá-ticas sociais e rituais dos afrodescendentes no

Brasil. Éa partir dela que se entende a lógica

ca-paz de organizar os elementos estruturantes dessa

cultura, pois tanto o universo, a palavra, o

tem-po, a pessoa e os processos de socialização são

estruturados a partir da ancestralidade.

A filosofia africana está baseada no

princí-pio da ancestralidade, da diversidade e da

inte-gração. A ancestralidade responde pela lógica que

articula o conjunto de categorias e conceitos que

revelam a ética imanente dos africanos. A

diver-sidade, enquanto princípio, respeita a

diversida-de étnica, cultural e política diversida-dessas comunidadiversida-des,

valorizando as singularidades que emergem de

cada território africano. A inclusão permite que

a diversidade não se torne um cordão de

isola-mento, um motivo para o niilismo, mas submete

as singularidades territorializadas a um critério

ético maior: o do bem-estar das comunidades.

Não existe bem-estar sem inclusão. A tradição,

por sua vez, é a malha que sustenta todos esses

princípios historicamente produzidos. Trata-se

aqui de uma tradição dinâmica, capaz de se

mol-dar aos novos tempos e responder aos desafios

contemporâneos.

Esta tradição está fundamentada numa

experiência educacional singular. Os princípios

que regem a cosmovisão africana e a dinâmica

civilizatória dos afrodescendentes podem ser

li-dos do ponto de vista de uma grande experiência

pedagógica. O que fazem os africanos e seus

des-cendentes no curso de sua trajetória civilizacional

é uma pedagógica, no sentido que a forma

cultu-ral que é transmitida às gerações é uma ética que

não se transmitiria sem uma pedagogia

conse-qüente. Esta pedagógica, com efeito, é mais um

m o d u s v i v e n d i , um h a b i t u s , do que uma tradição

cristalizada em sistematizações de conhecimento

a serem transmitidos de uma geração a outra.

Éa filosofia africana - ancorada na

cosmo-visão de matriz africana - uma filosofia da

expe-riência. A experiência civilizatória africana que

perpassou a trajetória dos afrodescendentes no

Brasil constituiu-se em um processo educativo

visto que não apenas manteve, apesar das

re-ela-borações, seus princípios civilizatórios, como

também dialogou com culturas diversas (e

adver-sáriasl), inaugurando a partir de sua própria

ma-triz cultural de referência, encontros inusitados

na história do país, muitos deles plenos de

cria-tividade e expansão das fronteiras da identidade

recalcada. É na imprevisibilidade desses contatos

que nasceram as principais noções que

susten-tam a cosmovisão africana.

Assim, a noção de universo dá a tônica

de integração que interliga as várias funções que

mantêm funcionando o mundo cultural

afrodes-cendente. Nesta noção não está implícita a

segmentaridade ou a especialização dos saberes.

A hierarquia não é entre os saberes, mas entre

4Z a m a n i é o tempo dos mitos. Tempo dos Ancestrais. Tempo inesgotável.

5 S a s a é o tempo dos viventes. Tempo da experiência. Tempo limitado.

(5)

aqueles que são responsáveis por manter e

trans-mitir os saberes (os antepassados). Já a noção de

pessoa traz à tona não um indivíduo

fragmen-tado, mas um sujeito integrado que interage com

o universo (coletivo), ao mesmo tempo tecendo

as teias do social e por elas sendo tecido. Não se

trata de dialética, mas de integração. O tempo,

ao mesmo tempo que privilegia o tempo dos

an-cestrais, abre uma virtuosa gama de

possibilida-des de atualização no presente. Fruto da ação

coletiva da comunidade e do esforço

individua-lizado dos sujeitos, o tempo é tecido na trama

dos conflitos e contatos que o grupo estabelece,

sendo, por isso, o tempo todo ritualizado na

ten-tativa civilizatória de harmonizar os conflitos (ou

acirrá-Iosl) visando o bem-estar social. Já os

pro-cessos de socialização são responsáveis pela

for-mação do indivíduo, enquanto sujeito e,

concomi-tantemente, da comunidade - enquanto suporte

da vida e por conseguinte do sujeito. Aqui reside

fortemente a pedagógica de matriz africana. Ora,

a educação não é uma ciência idealizada que

bus-ca corrigir o homem civilizado (Rousseau) ou o

cultivo do espírito - como queriam os

românti-cos; a educação é o meio pelo qual se constrói e

se transmite a forma cultural de um povo. Nesse

sentido, a palavra é fundamental, pois ela é o

instrumento - dado pelo Preexistente - capaz de

aumentar o axé de um grupo ou comunidade. A

palavra não pode ser utilizada de maneira abusiva,

mas responsável, com o compromisso de

aumen-tar a força vital do grupo, integrá-I o, promover a

diversidade, manter uma unidade cultural que

pri-vilegie a multiplicidade das expressões, que

faci-lite a convivência social (processos de

sociali-zação), que transmita 'os valores e princípios

an-cestrais às novas gerações e que, sobretudo,

con-sagre a tradição da ancestral idade, interligando

antigüidade com contemporaneidade, beleza com

ética, compromisso com flexibilidade,

experiên-cia com inovação, coragem com ternura,

criati-vidade com educação.

Bibliografia

DELEUZE, Giles; GUATIARI, Félix.TSRQPONMLKJIHGFEDCBAM i l P l a t ô s

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-c a n a : a s p e -c t o s c i v i l i z a t ó r i o s d a Á fr i c a n o B r a s i l .

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Referências

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