Responsabilidade Civil
Prof.ª Patrícia Strauss
2ª FASE CIVIL XXXIII EXAME
2ª FASE CIVIL | XXXIII EXAME
Responsabilidade Civil Prof.ª Patrícia Strauss
I – Considerações iniciais: ... 3
II – Elementos da responsabilidade civil: ... 5
III – Responsabilidade objetiva e subjetiva: ... 15
IV – Responsabilidade civil e criminal – artigo 935: ... 20
V – Excludentes de indenizar: Artigos 188 e artigos 929 e 930 do CC: ... 21
VI – Responsabilidade por demanda de dívida: ... 22
VII – Responsabilidade em caso de morte de autor ou vítima: ... 23
VIII - Indenização: ... 23
IX – Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014). ... 26
Responsabilidade Civil
Prof.ª Patrícia Strauss
@patriciastraussr
Artigos 927 – 954.
I – Considerações iniciais:
1.1 Responsabilidade contratual x Responsabilidade extracontratual (aquiliana)
A divisão clássica da responsabilidade civil estabelece que ela pode ser: responsabilidade civil contratual (desobediência de regra estabelecida em um contrato) ou então porque o sujeito não respeitou alguma regra normativa (violar direito, por exemplo) sendo esta última a chamada responsabilidade extracontratual.
Responsabilidade civil contratual: Nos casos de não cumprimento de uma obrigação. Está estabelecida em obrigações (artigos 389, 390 e 391 do Código Civil).
Responsabilidade extracontratual ou aquiliana: Está baseada na existência de um ato ilícito (Artigo 186) E também no abuso de direito (Artigo 187).
A responsabilidade civil, tratada nos artigos 927 e seguintes do Código Civil é a responsabilidade extracontratual ou aquiliana.
1.2 Ato ilícito: Artigo 186 do CC:
Segundo o artigo 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Ato jurídico ilícito: Violar direito E causar dano
A consequência da prática de ato ilícito é a obrigação de indenizar, de acordo com os artigos 927 e seguintes do CC.
1.3 Abuso de Direito: Artigo 187 do CC:
Segundo o artigo 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.”
É conhecida como teoria dos atos emulativos. É aquele ato praticado, em seu início, dentro do direito, sendo assim, lícito em seu início. No entanto, o sujeito ABUSA de seu direito, dos limites impostos pelos fins econômicos e sociais, da boa-fé e dos bons costumes.
Segundo a doutrina, para que o abuso de direito esteja configurado, é importante que a conduta praticada pela pessoa exceda um direito que possui. Assim, quando se fala do artigo 187, não se analisa culpa, bastando que a conduta da pessoa exceda os limites que tratam o artigo 187 do CC.
Presente abuso de direito -> Responsabilidade objetiva
Exemplos de abuso de direito:
A – publicidade abusiva no Direito do Consumidor – Artigo 37, parágrafo segundo do CDC.
B – Direito processual: abuso no processo – Artigo 80 do CPC.
C – Direito das coisas: Abuso do direito da propriedade: Exemplo o direito de vizinhança, que traz regras relativas ao uso nocivo da propriedade, passagem forçada etc. Exemplo:
Artigo 1.228, parágrafo segundo: “São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.”
II – Elementos da responsabilidade civil:
Os elementos da responsabilidade civil são também chamados de pressupostos do dever de indenizar. O tema não é pacífico na doutrina, mas o que se traz é o posicionamento majoritário.
Para a responsabilidade subjetiva, que é a regra em nosso Código Civil (Artigo 927,
“caput”), é necessária a configuração de quatro elementos ou pressupostos de responsabilidade.
* Para todos verem: esquema
Se a responsabilidade for objetiva (artigo 927, parágrafo único, por exemplo) então precisamos de 3 elementos:
* Para todos verem: esquema
1 – Conduta humana;
2 – Culpa genérica ou “lato sensu”;
3 – Nexo causal e 4 – Dano.
1 – Conduta humana;
2 – nexo causal e
3 – dano.
Vamos à análise dos elementos:
1 – Conduta humana:
Pode ser causada por uma ação (conduta positiva) ou uma omissão (conduta negativa). Tais ações ou omissões poderão ser dolosas (com intenção) ou culposas (sem intenção) mas agindo com imprudência, imperícia e negligência.
2 – Culpa:
A culpa somente é necessária quando a responsabilidade for do tipo subjetiva. Aqui envolve dolo (intenção) e culpa (sem intenção, porém com imprudência, negligência ou imperícia).
2.1: Dolo: Intenção do agente em causar dano. O dolo dentro da responsabilidade civil recebe, segundo a doutrina, o mesmo tratamento da culpa gravíssima ou grave. No dolo o agente quer a conduta E quer o resultado. Agindo com dolo, a indenização a ser paga para a vítima deve ser plena.
Um ponto importante com relação à omissão, é que entende a doutrina que é necessário que se tenha o dever jurídico de praticar determinado ato (omissão genérica) bem como a prova de que a conduta não foi praticada (omissão específica).
Exemplo: veículo furtado dentro de condomínio. Entendem os tribunais que não há responsabilidade do condomínio, já que não tinha o condomínio o dever jurídico de impedir o ilícito (quem tem é o Estado-segurança pública).
OBS.: OMISSÃO:
2.2: Culpa “stricto sensu” ou em sentido estrito: Não há a intenção de violar um dever jurídico. Na culpa o agente quer a conduta, mas não quer o resultado. Há três modalidades de culpa:
Imprudência: Ausência de cuidado + ação. Exemplo: Dirigir veículo em alta velocidade.
Negligência: Falta de cuidado + omissão: Exemplo: empregado que é colocado para trabalhar na empresa sem treino. Empresa foi negligente.
Imperícia: Falta de qualificação para desempenhar determinada função.
OBS.: Muito se falou e ainda se fala na doutrina sobre a presunção de culpa, em casos como o da “culpa in vigilando” (pais responsáveis pelos filhos), “culpa in elegendo” (patrão por ato de empregado) ou “culpa in custodiendo” (falta de cuidado com relação a um animal).
Entende a doutrina que tais classificações não são mais utilizadas, já que o CC/2002 estipulou responsabilidade OBJETIVA para tais tipos de situações e, assim, não se falando mais no elemento culpa.
A partir de tais conclusões, se entende cancelada a Súmula 341 do STF.
Ainda que a culpa não deve ser levada em conta, quando se discute responsabilidade objetiva, os tribunais têm entendido, quando para a FIXAÇÃO da indenização (e não a configuração) que se a vítima concorreu, de alguma forma, para o dano, ainda que Para o Direito Civil, pouco importa se houve dolo ou culpa, teremos a
configuração dos elementos de responsabilidade civil. No entanto, no momento de FIXAR a indenização, então teremos a quantificação também sendo levado em conta o dolo ou a culpa do causador do dano.
MUITO IMPORTANTE:
a responsabilidade do agente seja averiguado pelo âmbito objetivo, se poderá utilizar os artigos 944 e 945 para a fixação da indenização (que prevêem risco concorrente e culpa concorrente).
3 – Nexo de causalidade:
Elemento que coloca em conjunto a relação de causa e efeito entre a conduta e o dano suportado por alguém. É uma ligação entre conduta e dano.
Para a doutrina, o nexo causal seria formado:
Na responsabilidade subjetiva: nexo causal seria formado pela culpa genérica.
Na responsabilidade objetiva: nexo causal seria formado pela conduta, cumulada com a previsão legal de responsabilidade objetiva ou pela atividade de risco (artigo 927, parágrafo único do CC).
Há várias teorias que tratam sobre o nexo causal:
A – Teoria da equivalência das condições ou do histórico dos antecedentes: Todos os fatos relativos ao evento danoso geram responsabilidade civil. Não é adotada pelo CC.
B – Teoria da causalidade adequada: Na presença de diversas causas, se identifica qual que, potencialmente, gerou o evento dano. Somente o fato danoso gera a responsabilidade civil. Ganha relevo aqui as causas, o grau de culpa dos envolvidos, os fatos concorrentes.
Esta teoria está consagrada nos artigos 944 e 945 do CC, sendo a que prevalece na nossa doutrina.
Obs.: Causalidade alternativa: Quando há um grupo e não se consegue identificar qual pessoa do grupo causou dano a outra pessoa. Então, temos que o grupo responde.
Exemplo: Artigo 938 quando o condomínio responde por um objeto lançado ou caído de um prédio, se não for possível identificar de onde caiu o objeto.
C – Teoria do dano direto e imediato ou teoria da interrupção do nexo causal:. Está no artigo 403 do CC, quando se trata sobre perdas e danos.
3.1: Excludentes do nexo de causalidade:
São elas:
A – culpa exclusiva ou fato exclusivo da vítima;
B - culpa exclusiva ou fato exclusivo de terceiro;
C – caso fortuito e força maior: Caso fortuito seria o evento imprevisível decorrente de ato humano ou natureza. Já força maior seria evento previsível, porém inevitável, também decorrentes de ato humano ou natureza. No entanto, a doutrina não é unânime com relação aos conceitos e muitos autores usam ambos como sinônimos.
As excludentes de responsabilidade são temas debatidos na doutrina/jurisprudência e nem sempre é tarefa fácil a sua averiguação. É necessária a verificação individual dos casos. Por exemplo: Assalto a mão armada. Seria caso fortuito? Assalto que ocorre DENTRO da agência bancária não seria caso fortuito, já que é dever do banco assegurar segurança para os que estão dentro da agência bancária. Assim, teria o banco o dever de indenizar. Já se o assalto for fora da agência bancária, de forma que tal prática não seja corriqueira, entendem os tribunais que o banco não responde civilmente. Outro exemplo de
As excludentes de responsabilidade servem tanto para a responsabilidade
objetiva para a subjetiva. No entanto, há alguns casos em que a responsabilidade civil é agravada, por determinação de lei. Um exemplo é o caso do contrato de transporte, em que a responsabilidade do transportador não é afastada por culpa ou fato exclusivo de terceiro (artigo 735 do CC).
MUITO IMPORTANTE:
excludente, muito comum na jurisprudência, é o assalto dentro de ônibus, sendo tal evento totalmente independente do contrato de transporte e, portanto, a empresa de transporte não responde. O mesmo ocorre com situações de “bala perdida”. Há quebra do nexo causal em tais casos.
Um exemplo jurisprudencial de incidência de fato exclusivo de terceiro, é o caso do estudante que ingressou em cinema, na cidade de São Paulo, e metralhou o estabelecimento. Entenderam os tribunais que estaria afastada a responsabilidade do shopping center, já que foi um agir de terceiro.
Muito importante: Na responsabilidade objetiva, existe o que a doutrina/jurisprudência chama de ‘caso fortuito interno”, que são os casos inerentes/conexos com a atividade desenvolvida pelo agente.
Há o enunciado 443 das Jornadas de Direito Civil que informa que o caso fortuito e a força maior somente serão consideradas como excludentes da responsabilidade civil quando o fato gerador do dano NÃO FOR CONEXO com a atividade desenvolvida.
Súmula 479 STJ: “As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias”.
FORTUITO EXTERNO: Rompe nexo causal -> não há dever de indenizar.
FORTUITO INTERNO (Inerente à atividade): Não rompe nexo causal ->Há dever de indenizar.
4 – Dano:
Um dos elementos de configuração da responsabilidade civil é o dano. Na Súmula 37 do STJ (do ano de 1992) já se falava na possibilidade de cumulação de danos morais com
danos materiais. Já no ano de 2009, o STJ editou a Súmula 387, permitindo a cumulação de danos estéticos e morais: Súmula 37 do STJ: “É lícita a cumulação das indenizações de danos estético e dano moral.”
A doutrina divide, tradicionalmente os danos em:
1 - Danos clássicos ou tradicionais: Materiais e morais
2 - Danos novos ou contemporâneos: Danos estéticos, danos morais coletivos, danos sociais e danos por perda de uma chance.
A – Danos patrimoniais ou materiais:
Constituem prejuízos ou perdas que a pessoa sofreu. Podemos ter danos emergentes/positivos ou lucros cessantes ou negativos.
*Emergentes ou positivos: o que efetivamente se perdeu. Exemplo: Artigo 948, I do CC, para o caso de homicídio, em que familiares deverão ser reembolsados pelas despesas do funeral, etc.
Lucros cessantes/negativos: o que razoavelmente se deixou de lucrar. Exemplo:
Taxista que pleiteia lucros cessantes pela batida em seu carro.
Outro exemplo de lucro cessante é o caso dos alimentos indenizatórios (alimentos devidos aos dependentes do falecido) levando-se em conta a duração da vida provável daquele que faleceu (atualmente, referem-se os tribunais, aos 74 anos): 2/3 do salário da vítima por mês + FGTS, 13° salário e eventuais horas extras até o limite da vida provável da vítima.
Se a vítima faleceu após a idade média, então se faz um cálculo da vida provável da vítima, de acordo com as condições.
Debate: Se a vítima for menor, é possível que os pais peçam indenização a título de lucros cessantes? Sim, Súmula 491 do STF: É indenizável o acidente que cause a morte de filho menor, ainda que não exerça trabalho remunerado. Tal entendimento é, em geral,
aplicável para familiares de baixa renda que talvez contavam com o auxílio financeiro do filho. O dano material por esses casos é tido como presumido “in re ipsa”. Neste caso, o cálculo é feito entre 14 anos até 24/25 anos, período em que se entendeu estaria o menor auxiliando nas despesas da casa.
B – Danos morais:
Previsão na CF, artigo 5°, V e X. Os danos morais são entendidos como sendo aqueles que lesam os direitos da personalidade (Artigo 11 – 21 do CC). No dano moral há uma compensação pelos danos suportados.
Importante destacar que, além da compensação em dinheiro, também é possível uma compensação “in natura” para os danos morais, como retratação pública ou outro meio.
Classificação dos danos morais (segundo Flávio Tartuce):
Quanto ao sentido:
1: Dano moral em sentido próprio: Aquilo que a pessoa sente, causando a ela dor, tristeza, humilhação etc.
2: Dano moral em sentido impróprio: Não necessita de prova do sofrimento para sua caracterização. A simples ofensa ao direito da personalidade, já seria suficiente para a configuração de dano moral.
Quanto à necessidade de prova:
1: Dano moral provado ou subjetivo: É a regra geral, necessita ser comprovado pelo autor do processo.
2: Dano moral objetivo ou presumido (in re ipsa): Não necessita de prova. São exemplos:
morte de pessoa da família, lesão estética, lesão a direito fundamental, uso indevido de imagens para fins lucrativos.
Quanto à pessoa atingida:
1: Dano moral direto: aquele que atinge a própria pessoa. Atinge sua honra subjetiva (autoestima) ou então sua honra objetiva (repercussão social).
2 . Dano moral indireto, ou dano moral em ricochete: Atinge a pessoa de forma reflexa, como nos casos de morte de um familiar. São também exemplos: lesão à personalidade do morto, perda de um animal de estimação (artigo 952 CC).
Súmula 388 STJ: A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.
Súmula 403 STJ: Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais
Súmula 642 STJ: "O direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar ou prosseguir a ação indenizatória".
B.1: DANOS MORAIS EM PESSOA JURÍDICA:
Com relação ao dano moral de pessoa jurídica, o artigo 52 do CC informa que a proteção dos direitos da personalidade, no que couber, também é aplicável para as pessoas jurídicas. Além disso, temos a Súmula 227 do STJ: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Assim, os direitos da personalidade não são exclusivos da pessoa humana.
Um ponto importante a ser lembrado, é que a pessoa jurídica não tem honra subjetiva, e sim OBJETIVA (consequência social da honra).
DEBATE: O descumprimento de um contrato pode geral dano moral? O debate é ainda acalorado nos Tribunais. Há enunciado, no entanto, de número 411, que diz que “O descumprimento de um contrato pode gerar dano moral, quando envolver valor fundamental protegido pela CF de 1988.”
Existe um “tabelamento” para a fixação do dano moral? Para Flávio Tartuce, qualquer tipo de tabelamento seria inconstitucional e cada caso deve ser analisado em particular. Como fixar, então, o dano moral? De acordo com o artigo 944 e 945 do CC, levando em conta:
Extensão do dano;
Condições socioeconômicas e culturais dos envolvidos;
Condições psicológicas das partes e
Grau de culpa do agente, de terceiro ou da vítima.
C – Danos estéticos:
Para muitos doutrinadores, basta a pessoa ter sofrido uma “transformação” para que o dano seja caracterizado. Não é necessário que seja exterior. São exemplos: cicatrizes, amputações, perda de órgãos etc.
Súmula 385 - Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe
indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
Súmula 498 STF: Não incide imposto de renda sobre a indenização por danos morais.
Súmula 326 STJ: Na ação de indenização por dano moral, a condenação em montante inferior ao postulado na inicial não implica sucumbência recíproca
Algumas súmulas relativas ao assunto:
D - Danos morais coletivos:
Ainda bastante debatido na jurisprudência e doutrina, e seria o dano que atinge, ao mesmo tempo, direitos da personalidade de pessoas determinadas ou determináveis (possível de identificação).
Ainda há importantes debates Importante lembrar que o CDC , no seu artigo 6°, VI, admite expressamente a reparação dos danos morais coletivos.
E - Danos Sociais:
Lesões à sociedade, tanto por rebaixamento moral, quanto por diminuição a qualidade de vida. Há um caso emblemático, julgado pelo TJ-RS, que condena por fraude a empresa que oferecia o “Toto bola”.
F – Danos por perda de uma chance:
Ocorre quando uma pessoa vê frustrada uma expectativa futura e que, se não houvesse a “perda de uma chance” tal expectativa teria se confirmado. Entende a doutrina que haveria a perda de uma chance quando a probabilidade de oportunidade for maior que 50%. Um exemplo é o advogado que perde prazos na esfera judicial. Ela pode ser verificada em especial em circunstâncias médicas/advocatícias, etc. Não há previsão na lei sobre a perda de uma chance, mas ela é aplicada por nossos Tribunais.
III – Responsabilidade objetiva e subjetiva:
A responsabilidade civil subjetiva é a regra dentro do Direito Civil. Ela é baseada na
“teoria da culpa”, já que é necessária a verificação de culpa, para que se possa configurar tal requisito. Assim, para a verificação da responsabilidade civil subjetiva (regra) é necessário: conduta humana, culpa, nexo causal e dano. Está no artigo 927 “caput” do CC:
“Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará- lo.”
Já a responsabilidade objetiva está consagrada no parágrafo único do artigo 927:
“Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” Neste caso, para a configuração da responsabilidade objetiva são necessários: conduta humana, nexo causal e dano.
Iremos nos deter na responsabilidade objetiva e nos casos previstos no CC.
1: Responsabilidade objetiva:
É baseada na TEORIA DO RISCO, sendo que há várias modalidades da teoria:
A. Teoria do risco administrativo: Artigo 37, parágrafo sexto da CF. É usado no caso de responsabilidade objetiva do Estado.
B. Teoria do risco da atividade: Artigo 927, parágrafo único, segunda parte.
C. Teoria do risco-proveito: risco decorre de uma atividade lucrativa.
D. Teoria do risco integral: Não há excludente, como algumas situações de danos ambientais.
De acordo com o CC, haverá responsabilidade objetiva em 2 situações:
Nos casos expressos em lei. Exemplo: CDC, artigo 932, 936 do Código Civil etc.
Nos casos em que o causador do dano realiza uma atividade de risco. A ideia é que o risco apresentado é excepcional, acima da normalidade. Exemplo: motorista de cargas perigosas, de valores, motoboy, trabalhador na construção civil etc.
1.1: Responsabilidade objetiva no Código Civil:
Casos de responsabilidade objetiva no CC:
Abuso de direito (art. 187);
Por fato de terceiro (artigo 932/933/934);
Por fato de animal (artigo 936);
Pela ruína de edifício ou construção (artigo 937);
Por objeto caídos ou lançados de prédio (artigo 938).
A – Responsabilidade civil por atos de terceiros ou responsabilidade civil indireta.
Artigo 932:
Pais, por filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia.
O tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
O empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
Importante lembrar que não é necessário que haja vínculo empregatício.
Os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
Enunciado 450 das Jornadas de Direito Civil: “Considerando que a
responsabilidade dos pais pelos atos danosos praticados pelos filhos menores é objetiva, e não por culpa presumida, ambos os genitores, no exercício do poder familiar, são, em regra, solidariamente responsáveis por tais atos, ainda que estejam separados, ressalvado o direito de regresso em caso de culpa exclusiva de um dos genitores.”
Muito importante:
Este é o caso do hóspede que CAUSA dano a terceiros.
Os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
O artigo 933 do CC prevê expressamente que a responsabilidade é objetiva, já que informa que os terceiros serão responsabilizados, ainda que não HAJA CULPA por parte deles.
No entanto, a jurisprudência e a doutrina entendem que para que haja a condenação dos pais, é necessária a comprovação da culpa dos filhos. Para que tutores e curadores sejam responsabilizados, é necessária a comprovação de culpa dos tutelados/curatelados.
O mesmo ocorre com empregador/empregado, etc. Neste último caso, é importante destacar que a prova de culpa do empregado somente é necessária em relações reguladas pelo CC. Se for uma relação de consumo, a responsabilidade civil dos fornecedores de produto/serviço é regulada pelo CDC, NÃO SENDO NECESSÁRIA A COMPROVAÇÃO DA CULPA DO EMPREGADO.
De acordo com o artigo 934 se o empregador, por exemplo, pagar a indenização, terá Direito de Regresso contra o empregado que causou o dano. Há uma exceção: Relações entre ascendentes e descendentes incapazes não haverá direito de regresso. Assim ,o ascendente não tem regresso contra o descendente, se este for incapaz.
- Um ponto muito importante diz respeito à solidariedade entre todos os sujeitos do artigo 942, já que o parágrafo único informa que são solidariamente responsáveis com os autores os co-autores e as pessoas designadas no artigo 932.
Observação: Responsabilidade do incapaz: Artigo 928 do CC:
De acordo com o artigo, a responsabilidade do incapaz é subsidiária. Assim, primeiro respondem os responsáveis pelo incapaz. Se estas pessoas não tiverem condições financeiras ou não forem obrigadas a tanto, então se irá responsabilizar o incapaz. Mesmo
assim, de acordo com o parágrafo único, a indenização deverá ser equitativa e, se privar o incapaz ou as pessoas que dele dependam do seu sustento, então tal indenização não terá lugar.
Devido ao parágrafo único do 942, ainda há discussões que tratam sobre a responsabilidade do incapaz ser ou não subsidiária. No entanto, a jurisprudência e a doutrina dizem que sim, em decorrência do artigo 928, ela será SUBSIDIÁRIA, NÃO TENDO APLICAÇÃO O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 942.
B – Responsabilidade civil por fato de animal:
Está disciplinada no artigo 936 do CC: O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. Há somente duas excludentes nas quais o dono/detentor não será responsabilizado: culpa da vítima e força maior.
C – Responsabilidade civil do dono de edifício ou construção pela sua ruína:
O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta, consoante artigo 937 do CC. Para que haja a configuração, é necessário se estabelecer que o imóvel necessitava de reparos de forma manifesta. A responsabilidade é do dono do edifício ou da construção (construtora, por exemplo).
D – Responsabilidade por objetos caídos ou lançados do prédio (defenestramento):
Segundo o artigo 938 do CC: Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. Ponto muito importante a ser verificado que a responsabilidade é de quem HABITA o prédio.
Assim, seriam responsáveis o locatário, comodatário, proprietário...enfim, quem estiver habitando o prédio.
Caso não se saiba de onde partiu o objeto caído ou lançado, os tribunais têm entendido pela responsabilização do condomínio que, após (e caso) identificado o responsável, poderá ajuizar regresso contra o ofensor.
Responsabilidade objetiva no contrato de transporte:
No artigo 750 do CC é tratada sobre a responsabilidade objetiva do transportador de coisas: A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. Também o artigo 734: O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade. No caso específico deste contrato, não cabe nem mesmo a quebra do nexo causal por culpa exclusiva de terceiro, por força do artigo 735: A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.
Contudo, se o transporte for de cortesia ou por amizade, a responsabilidade será subjetiva, consoante artigo 736: Não se subordina às normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia. Não se considera gratuito o transporte quando, embora feito sem remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas.
IV – Responsabilidade civil e criminal – artigo 935:
Conforme artigo 935: A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.
Como regra, podemos pensar que as esferas cível e criminal não se comunicam. No entanto, se no criminal foi decidido sobre existência de fato e/ou autoria, então haverá dependência entre as esferas cível e criminal.
V – Excludentes de indenizar: Artigos 188 e artigos 929 e 930 do CC:
O artigo 188 do CC traz situações que não configuram atos ilícitos. São elas: legítima defesa, exercício regular de um direito e estado de necessidade. Estão no referido artigo:
os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido (I) e a deterioração ou destruição da coisa alheia ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente (II).
Assim, no artigo 188 do CC, o legislador traz a exclusão de antijuridicidade de determinados atos. Em algumas situações, o autor do dano não pratica ato ilícito e não responde civilmente. Em outras o autor do dano ainda não pratica ato ilícito, mas terá que responder.
Este ponto é importante, já que a pessoa pode não ter praticado ato ilícito, mas terá que responder, como no caso do estado de necessidade.
Vejamos o caso do estado de necessidade (II): Estado de necessidade ocorre quando, na presença de dois ou mais direitos, o autor escolhe um deles, causando dano ou não respeitando o outro direito. Enquanto na legítima defesa o agente atua contra uma agressão injusta, no estado de necessidade temos uma colisão de direitos. Um irá prevalecer sobre outro, mediante escolha do sujeito.
Estado de necessidade (II): Segundo exemplo doutrinário Carla deixa panela ligada e sai de casa. Há uma pessoa idosa, chamada Maria, dentro do apartamento que começa a gritar.
Joana escuta os gritos de socorro de Maria e quebra a porta do Condomínio onde Maria se encontra para poder salvá-la.
Quem causou o perigo? Carla
Quem sofreu o dano? Condomínio Quem causou o dano? Joana.
De acordo com o exemplo acima: Como o condomínio não causou o perigo, poderá exigir indenização contra o causador do dano (Joana). No entanto, de acordo com o artigo 930, Joana poderá ingressar com ação de regresso contra quem causou o perigo: Carla. Além disso, o parágrafo único do artigo 930 também fala que é possível que Joana ajuíze ação contra “aquele em defesa de quem se causou o dano”: que no caso seria a senhora idosa Maria.
VI – Responsabilidade por demanda de dívida:
Artigo 929: Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram.
Artigo 930: No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado.
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso I).
Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o vencimento, a descontar os juros correspondentes, embora estipulados, e a pagar as custas em dobro.
Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição.
Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se aplicarão quando o autor desistir da ação antes de contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido.
De acordo com o artigo 929 e 930 do CC:
Há 3 artigos que tratam sobre o tema, na parte de responsabilidade civil.
De acordo com o artigo 941, se o autor desistir da ação antes da contestação, as punições dos artigos 939 e 940 não serão aplicadas.
VII – Responsabilidade em caso de morte de autor ou vítima:
De acordo com o artigo 943 do CC: o direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança.
Assim, se em uma dívida contratual, morrendo o credor, por exemplo, o direito de cobrar se transmite aos seus herdeiros, o mesmo ocorre em uma dívida que deriva de uma relação extracontratual. Assim, tanto os herdeiros do credor de uma obrigação extracontratual poderão demandar contra o ofensor, como os herdeiros do ofensor poderão ser demandados, até o limite do que lhes foi deixado por herança.
Enunciado 454 Jornada de Direito Civil: O direito de exigir reparação a que se refere o art.
943 do Código Civil abrange inclusive os danos morais, ainda que a ação não tenha sido iniciada pela vítima.
VIII - Indenização:
Nos artigos 944 até 954 do CC, é tratado a respeito da indenização.
Configurado o dever de indenizar, previsto nos artigos anteriores, se passa então para a INDENIZAÇÃO.
Segundo o artigo 944 a indenização mede-se pela extensão do dano. Assim, quem estiver obrigado a reparar o dano causado deverá fazê-lo. Assim, se diz que o obrigado deve satisfazer integralmente os deveres resultados de sua ofensa. A indenização, sempre que possível, deverá recolocar a vítima na posição anterior, a compensando pelos danos sofridos.
Interessante verificar que o que mede a indenização é o dano, e não a culpa. Mesmo em casos de culpa levíssima, teremos a responsabilização do ofensor, se ele causou dano a outra pessoa. No entanto, se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, eqüitativamente, a indenização.
No artigo 945 o Código Civil fala sobre culpa concorrente: Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano.
Em algumas situações, a vítima também é parcialmente culpada pelo evento, juntamente com o ofensor. Será então verificada a participação da vítima para o evento danoso a fim de verificar a quem toca contribuir com cota maior ou menor de indenização.
Artigo 946: Obrigação indeterminada: “Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos na forma que a lei processual determinar.”
Tal artigo informa que quando nem o contrato nem a lei estipular o valor de indenização a ser pago, o valor então deverá ser averiguado durante a fase processual de fixação de valor (liquidação de sentença ou durante a instrução).
Artigo 949: No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.
Um exemplo de “outro prejuízo” seriam os danos morais ou estéticos, por exemplo.
IMPORTANTE: Vale lembrar que se a culpa for exclusiva da vítima, não teremos responsabilização do ofensor, já que é causa que quebra o nexo causal.
Artigo 950: Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu. Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.
A indenização aqui é a indenização pela perda da capacidade de trabalho. Com relação ao parágrafo único, há entendimentos de que a indenização (fixada através de pensão) será paga integralmente de acordo com o caso concreto e pedido do autor. O magistrado deverá avaliar no caso concreto, se deve ou não ser aplicada a regra do pagamento integral, a fim de evitar também a ruína econômica do ofensor.
Artigo 951: O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá- lo para o trabalho.
Artigo muito importante, já que tata da responsabilidade SUBJETIVA dos profissionais liberais de área de saúde, em geral.
Artigo 952: Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da restituição da coisa, a indenização consistirá em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu equivalente ao prejudicado.
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria coisa, estimar- se-á ela pelo seu preço ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se avantaje àquele.
Segundo a jurisprudência, animais de estimação também podem se enquadrar aqui, existindo “valor de afeição”.
Artigo 953: A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação do dano que delas resulte ao ofendido. Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao juiz fixar, eqüitativamente, o valor da indenização, na conformidade das circunstâncias do caso.
Neste artigo são fixadas as indenizações por crimes contra a honra. Lembrando que o dano pode atingir tanto a honra objetiva, quanto subjetiva. Caso a vítima não consiga comprovar o prejuízo material, caberá ao juiz fixar o valor da indenização.
Artigo 954: A indenização por ofensa à liberdade pessoal consistirá no pagamento das perdas e danos que sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do artigo antecedente. Parágrafo único.
Consideram-se ofensivos da liberdade pessoal: I - o cárcere privado; II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé; III - a prisão ilegal.
Seriam situações de condenações, por exemplo, contra o Estado e agentes públicos, em virtude de prisão ilegal.
IX – Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014).
Recentemente a responsabilidade civil do provedor de internet foi tema de questão do Exame da OAB. No XXVII exame, foi questionado se o provedor seria ou não responsabilizado por danos decorrentes de conteúdos gerados por terceiros. Segundo o artigo 18 e 19 da Lei, temos que:
Art. 18. O provedor de conexão à internet não será responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros.
Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, o provedor de aplicações de internet somente poderá ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário.
Segundo a Lei, o provedor somente poderá ser responsabilizado em decorrência de ordem judicial para retirar o conteúdo e não tendo, assim, cumprido tal ordem.
Algumas súmulas relativas à responsabilidade civil:
Súmula 246 STJ: O valor do seguro obrigatório deve ser deduzido da indenização judicialmente fixada.
Súmula 572 – O Banco do Brasil, na condição de gestor do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), não tem a responsabilidade de notificar previamente o devedor acerca da sua inscrição no aludido cadastro, tampouco legitimidade passiva para as ações de reparação de danos fundadas na ausência de prévia comunicação.
Súmula 537 – Em ação de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a denunciação ou contestar o pedido do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto com o segurado, ao pagamento da indenização devida à vítima, nos limites contratados na apólice.
Súmula 532 – Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.
Súmula 529 – No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro prejudicado direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano
Súmula 479 – As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.
Súmula 492 STF: A empresa locadora de veículos responde, civil e solidariamente com o locatário, pelos danos por este causados a terceiro, no uso do carro locado.
Súmula 490 STF: A pensão correspondente à indenização oriunda de responsabilidade civil deve ser calculada com base no salário mínimo vigente ao tempo da sentença e ajustar-se-á às variações ulteriores.
Súmula 130 STJ: A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículo ocorridos em seu estacionamento.
Súmula vinculante 22 STF: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04.
Súmula 562 STF: Na indenização de danos materiais decorrentes de ato ilícito cabe a atualização de seu valor, utilizando-se, para esse fim, dentre outros critérios, dos índices de correção monetária.
QUESTÕES E PEÇAS
1 - (XXVIII Exame – FGV) Julia dirigia seu veículo na Rua 001, na cidade do Rio de Janeiro, quando sofreu uma batida, na qual também se envolveu o veículo de Marcos. O acidente lhe gerou danos materiais estimados em R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), equivalentes ao conserto de seu automóvel. Marcos, por sua vez, também teve parte de seu carro
destruído, gastando R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para o conserto. Diante do ocorrido, Julia pagou as custas pertinentes e ajuizou ação condenatória em face de Marcos, autuada sob o nº 11111111111 e distribuída para a 8ª Vara Cível da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, com o objetivo de obter indenização pelo valor equivalente ao conserto de seu 1 - automóvel, alegando que Marcos teria sido responsável pelo acidente, por dirigir acima da velocidade permitida. Julia informou, em sua petição inicial, que não tinha interesse na designação de audiência de conciliação, inclusive porque já havia feito contato extrajudicial com Marcos, sem obter êxito nas negociações. Julia deu à causa o valor de R$
1.000,00 (hum mil reais).
Marcos recebeu a carta de citação do processo pelo correio, no qual fora dispensada a audiência inicial de conciliação, e procurou um advogado para representar seus interesses, dado que entende que a responsabilidade pelo acidente foi de Julia, que estava dirigindo embriagada, como atestou o boletim de ocorrência, e que ultrapassou o sinal vermelho.
Entende que, no pior cenário, ambos concorreram para o acidente, porque, apesar de estar 5% acima do limite de velocidade, Julia teve maior responsabilidade, pelos motivos expostos. Aproveitando a oportunidade, Marcos pretende obter de Julia indenização em valor equivalente ao que dispendeu pelo conserto do veículo. Marcos não tem interesse na realização de conciliação.
Na qualidade de advogado(a) de Marcos, elabore a peça processual cabível para defender seus interesses, indicando seus requisitos e fundamentos, nos termos da legislação vigente.
Considere que o aviso de recebimento da carta de citação de Marcos foi juntado aos autos no dia 04/02/2019 (segunda-feira), e que não há feriados no mês de fevereiro. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação
Gabarito comentado FGV:
A peça processual cabível é uma contestação (Art. 335 do CPC), com reconvenção (Art.
343 do CPC), apresentada no prazo de 15 dias úteis (Art. 219 do CPC) a partir da juntada do AR relativo à carta de citação (Art. 335 e Art. 231, inciso I, ambos do CPC) ou seja, até 25/02/2019.
O examinando deverá apresentar a contestação dirigida ao processo nº 11111111111, para a 8ª Vara Cível da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
Na contestação, deverá alegar, em preliminar, incorreção do valor da causa, que deve corresponder ao proveito econômico pretendido por Julia, nos termos do Art. 292, inciso V, do CPC (ou seja, R$ 40.000,00).
No mérito da contestação, deverá indicar como os fatos ocorreram, defendendo a ausência de responsabilidade pelo acidente, porque não praticou ilícito (Art. 927 e Art. 186 do Código Civil), imputando à Julia a responsabilidade exclusiva pelo acidente. Subsidiariamente, deve defender a responsabilidade concorrente de Julia (Art. 945 do CC).
Na reconvenção, deverá reiterar a responsabilidade de Julia, e demonstrar os prejuízos sofridos com o conserto de seu veículo, comprovando-o com notas fiscais e comprovantes de pagamento dos R$ 30.000,00, para comprovar a extensão do dano (Art. 944 do Código Civil).
Ao final, deve requerer a improcedência do pedido de Julia, ou subsidiariamente, o reconhecimento de culpa concorrente, reduzindo-se o valor da indenização. Deve requerer também a procedência do pedido reconvencional.
2 - (XXV Exame – FGV – Aplicação Nacional) Em uma determinada ação indenizatória que tramita na capital do Rio de Janeiro, o promitente comprador de um imóvel, Serafim, pleiteia da promitente vendedora, Incorporadora X, sua condenação ao pagamento de quantias indenizatórias a título de (i) lucros cessantes em razão da demora exacerbada na entrega da unidade imobiliária e (ii) danos morais. Todas as provas pertinentes e relevantes dos fatos constitutivos do direito do autor foram carreadas nos autos.
Na contestação, a ré suscitou preliminar de ilegitimidade passiva, apontando como devedora de eventual indenização a sociedade Construtora Y contratada para a execução da obra. Alegou, no mérito, o descabimento de danos morais por mero inadimplemento contratual e, ainda, aduziu que a situação casuística não demonstrou a ocorrência dos lucros cessantes alegados pelo autor.
O juízo de primeira instância, transcorridos regularmente os atos processuais sob o rito comum, acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva.
Da sentença proferida já à luz da vigência do CPC/15, o autor interpôs recurso de apelação, mas o acórdão no Tribunal de Justiça correspondente manteve integralmente a decisão pelos seus próprios fundamentos, sem motivar específica e casuisticamente a decisão.
O autor, diante disso, opôs embargos de declaração por entender que havia omissão no Acórdão, para préquestionar a violação de norma federal aplicável ao caso em tela. No julgamento dos embargos declaratórios, embora tenha enfrentado os dispositivos legais aplicáveis à espécie, o Tribunal negou provimento ao recurso e também aplicou a multa prevista na lei para a hipótese de embargos meramente protelatórios.
Na qualidade de advogado(a) de Serafim, indique o meio processual adequado para a tutela integral do seu direito em face do acórdão do Tribunal, elaborando a peça processual cabível no caso, excluindo-se a hipótese de novos embargos de declaração, indicando os seus requisitos e fundamentos nos termos da legislação vigente. (Valor: 5,00)
Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação.
Gabarito comentado FGV:
A medida cabível para Serafim, em seu processo, é a interposição do Recurso Especial para o STJ, cujas razões recursais devem rechaçar a ilegitimidade passiva da incorporadora imobiliária, visto que é ela responsável solidária pelos danos ocasionados, na forma do Art.
25, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor, do Art. 942 do Código Civil ou do Art. 30 da Lei nº 4.591/64. Além disso, o examinando deve abordar a prática do ilícito contratual e os danos sofridos. Ao final, o pedido recursal deve ser no sentido de obter a anulação do acórdão em razão da falta de fundamentação específica e, caso o STJ entenda que a invalidação será excessivamente prejudicial ao recorrente, deve ser pedida reforma integral do julgado, com base no Art. 282, § 2º, do CPC. Em relação à multa aplicada em razão do entendimento do Tribunal (embargos protelatórios), esta também deve ser rechaçada pelo examinando, por se tratar de recurso com finalidade de pre-questionamento, o que resulta na inaplicabilidade do Art. 1026, § 2º, do CPC/15 e na violação ao enunciado de Súmula de Jurisprudência predominante do STJ (Súmula 98)