• Nenhum resultado encontrado

Arq. Bras. Cardiol. vol.91 número4

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Arq. Bras. Cardiol. vol.91 número4"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

Carta ao Editor

287

risco Cardiovascular em vegetarianos e onívoros: um Estudo

Comparativo

Cardiovascular Risk in Vegetarians and Omnivores: a Comparative Study

Eduardo Maffini da Rosa, Ronei Pacheco Scatola, Ricardo Possa

Universidade de Caxias do Sul, Liga Acadêmica de Estudos e Ações em Cardiologia, Caxias do Sul, RS - Brasil

E-mail: [email protected]

Senhor Editor,

Parabenizamos os autores pela publicação do artigo publicado nesta revista (Arq Bras Cardiol. 2007; 89 (4): 237-44).

A obesidade está claramente associada ao aumento de doenças cardiovasculares. Muito desse risco se deve ao aumento de outros fatores de risco, como hipertensão, diabete melito e dislipidemias. Os hábitos alimentares também estão envolvidos nos fatores de risco cardiovasculares. Com isso, várias dietas vêm sendo propostas, e a que demonstrou maior benefício cardiovascular, atualmente, foi a dieta do mediterrâneo, composta principalmente por frutas, grãos, vegetais e óleos insaturados1-4.

Esse estudo observacional concluiu que a alimentação onívora desbalanceada implica um maior risco cardiovascular. Os dados apresentados na tabela 1 evidenciaram no grupo da dieta onívora índices maiores de IMC, RCQ, colesterol total, LDL, VLDL, glicose, uréia, Na/K.

Vale, no entanto, ressaltar que o IMC como índice isolado é diferente nos dois grupos, já que a média do grupo vegetariano (22,6) foi menor que a obtida no grupo de onívoros (26,7). Essa diferença pode ser resultado do aumento dos valores dos lipídios e da glicose evidenciados no estudo, o que eleva o risco cardiovascular.

Outro ponto a ser salientado é o tipo de carne bovina brasileira, que é diferente daquela mencionada na literatura internacional, em que o gado é confinado e criado com rações.

A “carne verde”, como é conhecida no Brasil, é produzida principalmente na Região Sul do país, em um tipo de pecuária em que o animal fica solto no pasto, utilizando como fonte alimentar capim e sais minerais, o que torna essa carne mais ecológica. Ela é rica em ácidos graxos poliinsaturados de cadeia curta como linoléico5.

Além disso, as pessoas vegetarianas acabam estabelecendo um “projeto de vida”, possuindo hábitos alimentares mais saudáveis, combatendo o estresse, fazendo atividade física e praticando a religiosidade. Em razão disso, acabam surgindo novos fatores imensuráveis, que dificultam qualquer conclusão.

referências

1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. IV Diretriz sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arq Bras Cardiol. 2007; 88 (supl. 1): 2-19.

2. Jackson E, Ockene IS. Obesity, weight reduction, and cardiovascular d i s e a s e . [ a c c e s s 2 0 0 7 D e c 1 0 ] . A v a i l a b l e i n : h t t p : / / w w w. uptodateonline.com/online/content/topic.do?topicKey=chd/ 53855&selectedTitle=14~150&source=search_result.

3. K a p l a n N M , R o s e B D. D i e t i n t r e a t m e n t a n d p r e v e n t i o n o f hypertension. [access 2007 Dec 10]. Available in: http://www. uptodateonline.com/online/content/topic.do?topicKey=hyperten/

9091&selectedTitle=1~150&source=search_result.

4. Tangney CC, Rosenson RS. Lipid Lowering with diet or dietary supplements. [access 2007 Dec 10]. Available in: http://www. uptodateonline.com/online/content/topic.do?topicKey=lipiddis/ 6831&selectedTitle=1~150&source=search_result.

5 Silva CC, Zanine AM, Lirio VS. Análise do desempenho brasileiro no mercado internacional de carne bovina. Revista Eléctronica de Veterinária. 2005; 6 (11): 1-23.

RESPOSTA DO AUTOR

Prezado Senhor,

Agradecemos o seu interesse por nosso estudo e pelo fato de levantar questões para o debate.

Concordamos com suas observações no que diz respeito às questões relacionadas à nutrição e às doenças cardiovasculares. Um dos aspectos levantados, e que merece nossa atenção, é o fato de indivíduos onívoros apresentarem IMC mais elevado que vegetarianos, contribuindo, assim, para aumentar o risco

cardiovascular. Em nosso estudo publicado em 2006 – “Estado nutricional e estilo de vida em vegetarianos e onívoros” (Rev Bras Epidemiol 2006; 9 (1): 131-43), podem-se observar, além desse, outros resultados que certamente contribuirão para essa análise.

(2)

Carta ao Editor

Arq Bras Cardiol 2008;91(4):287-288

288

Não foi nosso objetivo comprovar que a dieta vegetariana reduz o risco cardiovascular, independentemente de outras condições. Assim sendo, nossa conclusão é a de que uma alimentação desbalanceada, como a dieta ocidental, tipicamente onívora, pode estar, em grande parte, envolvida no desencadeamento das doenças crônicas.

Colocamo-nos, mais uma vez, à disposição para maiores esclarecimentos.

Obrigada pela atenção.

Maria del Carmen Bisi Molina

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Vitória, ES - Brasil

Referências

Documentos relacionados

The findings of the present investigation alert to the need of obeying the rule of exercise prescription determining the greatest individualization possible. All

with multiarterial CAD, submitted to percutaneous or surgical revascularization, evaluating the physical limitation, frequency of angina and quality of life, and observed

Age over 30 years and overweight/obesity were considered risk factors for hypertension, similar to the data recorded by Lessa et al 20 In Salvador, abdominal obesity was a

Variables analysis included gender, age, functional class, reason for implant and stimulation mode, echocardiographic data, symptoms (syncope and pre-syncope group,

cruzi, a part of which will develop the chronic chagas’ic cardiopathy (CCC), the most frequent clinical form and of most severity. There are around 2 million

However, it is worth pointing out that the objective of this study was to describe and analyze the cardiovascular risk based on the Framingham algorithm in two groups of

No entanto, o conjunto dos outros elementos foi decisivo para a conduta adotada, especialmente pela presença de sinais de insuficiência cardíaca (dispnéia,

As a result of that, the patient already showed signs of pulmonary hypertension (high-pitched second heart sound and absence of heart