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PERSPECTIVAS
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CEUMA PERSPECTIVAS
Ano XXII.Vol. 27
Jan/Jul 2016
REVISTA CEUMA PERSPECTIVAS
Revista de Ciências, Cultura e Artes
Magnífico ReitorSaulo Henrique Brito Matos Martins
CONSELHO EDITORIAL Presidente:
Ramiro Corrêa Azevedo
Membros:
Valério Monteiro Neto, José Costa Sampaio Filho, Tatiana C. F. S. de Santana, Tania M. G. Novais e
Jocelino Ribeiro Melo
Conselho Editorial Associado:
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Processamento técnico e catalogação na fonte elaborados pela equipe de bibliotecárias:
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Luciane J. S. e Silva - CRB 13/629 Michele Alves da Silva - CRB 13/601
U58C
Universidade Ceuma
Revista Ceuma Perspectivas / Ramiro Corrêa Azevedo (Coordenador)
São Luís, Uniceuma 2016
107 p.
ISSN 2525-5576
Revista Ceuma Perspectivas Universidade Ceuma 2016
APRESENTAÇÃO
Ramiro C. Azevedo Presidente do Conselho Editorial
A Contemporaneidade caracteriza-se, seguramente, pela
dicotomia velocidade e abrangência. Principalmente, quando se trata
do processo comunicativo, envolvendo uma quantidade numerosa de
público. Este é o caso da nossa Revista CEUMA Perspectivas online,
destinada au grand publique discente, docente e comunitário.
As conquistas culturais, mormente as de cunho epistemológico,
devem ser configuradas e expressas na dinâmica do mundo globalizado,
no Leitmotiv da praticidade, disponibilidade, acesso veloz, funcional e
competente. Deste modo, a Universidade CEUMA está investindo em
ambos os tipos comunicativos, o impresso e o eletrônico, cujo alvo é a
instantaneidade da informação e a funcionalidade da pesquisa científica.
Sob difusão local, nacional e internacional, a Revista CEUMA
Perspectivas alcançará um público leitor mais amplo, mais cosmopolita
e mais diversificado. Com o periódico no formato eletrônico, os
pesquisadores irão dispor de amplo espectro informativo. A pesquisa,
portanto, encontrará, nesse veículo científico, um caminho dinâmico, em
dias com o progresso da mídia digital.
Nesse caminho, a Universidade CEUMA publica, ainda, a Revista
de Investigação Biomédica no formato eletrônico, além de disponibilizar
material bibliográfico da Pearson e da Editora Saraiva, bem como o
acesso ao Portal de Periódicos da CAPES, entre outros.
Desta forma, atuando na dinâmica comunicativa, científica
e artística, a Universidade CEUMA participa do seu lema cultural e
humanístico, que é o de bem servir o Maranhão, o Brasil e o mundo.
SUMÁRIO
1. Efeitos de um programa cinesioterapêutico na
autonomia funcional de idosas
Marine Fernanda Lima Gama, José Newton Lacet Vieira, Sarah Tarcisia Rebelo Ferreira de Carvalho
...6
2. ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E PUNIÇÃO:
Reflexões sobre os princípios reitores do Direito
Penal
Prof. Dr. Claudio Alberto Gabriel Guimarães, Lícia Haickel Rosa
...18
3. Estudo comparativo da qualidade de vida entre
pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica
e pacientes asmáticos
Eugenia Aires Pereira, Patrícia Rodrigues Ferreira, Maria Erivânia Alves de Araújo, Sarah Tarcisia Rebelo Ferreira de Carvalho, Laise Neves Carvalho
...31
4. As garantias constitucionais das pessoas
com deficiência à luz do Código de Defesa do
Consumidor
Isaac Nilson Fonseca Dias, Rosélia Araújo Rodrigues dos Santos
5. Gestão do conhecimento como modelo de
gestão de pessoas para uma microempresa do
Setor Moveleiro de São Luís
Washington Silva do Espírito Santo, Yonara Costa Magalhães, Will Ribamar Mendes Almeida.
... 57
6. Materiais piezoelétricos na geração de energia
limpa
Sávio da Silva Ferreira, Ducilene Melo da Silva
... 72
7. O TRABALHO INFANTIL DOMÉSTICO E SUAS
CONSEQUÊNCIAS
Daírles Vieira Mendes, Claudia Regina de Oliveira Cantanhede
... 81
8. Qualidade de vida de indivíduos com lesão medular
praticantes de Basquetebol em cadeira de rodas
Fernanda dos Reis Rodrigues, Agege Haidar Filho, Adelzir Malheiros E S. C. B. Haidar, Karla Virgínia Bezerra de Castro Soares, Sarah Tarcisia Rebelo Ferreira de Carvalho
... 93
9. RESENHAS
Efeitos de um programa
cinesioterapêutico na
autonomia funcional de
idosas
Marine Fernanda Lima Gama, José Newton
Lacet Vieira, Sarah Tarcisia Rebelo Ferreira de
Efeitos de um programa cinesioterapêutico na autonomia funcional de idosas
Effects of a program physiotherapists in the autonomy of elderly
Marine Fernanda Lima Gama1; José Newton Lacet Vieira2; Sarah Tarcisia
Rebelo Ferreira de Carvalho3
Resumo
Introdução: Autonomia funcional constitui elemento fundamental
para independência de idosos, referentes às atividades físicas e mentais necessárias para manutenção de atividades de vida diária (AVD´S). Objetivo:
Avaliar os efeitos de um programa cinesioterapêutico na autonomia funcional de idosas. Material e métodos: Estudo intervencionista, com 20 idosas, de
70,5 ± 67 anos de idade, boa cognição e equilíbrio, do Centro de Referência em Assistência Social, em São Luís-MA. Utilizou-se protocolo de avaliação da autonomia funcional do Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para a Maturidade (Protocolo GDLAM), antes e após a intervenção. A intervenção consistiu em programa cinesioterapêutico adaptado de Montenegro e Silva (2007), com exercícios que simulam AVD´S, de 60 minutos, uma vez por semana, durante oito semanas. Para análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva. Resultados: Observou-se diminuição do tempo necessário
para que as participantes realizassem todos os testes do protocolo, no entanto, estes índices não foram suficientes para alterar a classificação da autonomia funcional das idosas, que continuou sendo fraco. Em relação ao teste levantar da cadeira e locomover-se pela casa, as idosas evoluíram de regular para bom. Conclusão: os resultados sugerem que o programa
cinesioterapêutico pode ter colaborado para que as idosas diminuíssem o tempo de realização dos testes do protocolo GDLAM, melhorando, assim, autonomia funcional delas. Porém, os escores não foram suficientes para alterar a classificação quanto aos padrões da GDLAM em todos os testes. Sugerem-se novas pesquisas de caráter longitudinal, com número maior de sessões do protocolo.
Palavras-chave: Envelhecimento; Autonomia Funcional;
Cinesioterapia.
Abstract
Introduction: Functional autonomy is a fundamental element of
1 Fisioterapeuta, graduada pela Universidade Ceuma.
2 Professor Mestre do Curso de Fisioterapia da Universidade Ceuma.
independence of the elderly, related to physical and mental activities required for maintenance activities of daily living (AVD´s). Objective: To evaluate the
effects of a program kinesiotherapeutic the functional autonomy of elderly.
Methods: Interventional study with 20 elderly women, 70.5 ± 6.7 years old,
good cognition and balance, the Reference Center for Social Assistance in Sao Luís- MA. Evaluation protocol was used functional autonomy of the Latin American Development Group for Maturity (GDLAM Protocol), before and after the intervention. The intervention consisted of kinesiotherapeutic program adapted from Montenegro and Silva (2007), with exercises that simulate AVDs, 60 minutes once a week for eight weeks. For data analysis, we used descriptive statistics. Results: There was reduction in the time required for participating doing all testing protocol, however, these rates were not enough to change the classification of the functional autonomy of the elderly, which remained weak. Regarding the test up from his chair and move around the house, older they evolved from regular to good. Conclusion: The results suggest that kinesiotherapeutic program may have contributed to that older diminish the time of achieving the GDLAM protocol testing and thereby improved functional autonomy of them. However, the scores were not enough to change the classification of the GDLAM standards in all tests. It is suggested to realization of longitudinal research, with more number of sessions of program.
Keywords: Aging; Functional Autonomy; Kinesiotherapy. Introdução
Envelhecimento pode ser compreendido como um conjunto de alterações estruturais e funcionais desfavoráveis ao organismo que se acumulam de forma progressiva, especificamente em função do avanço da idade. Essas modificações prejudicam o desempenho de habilidades motoras, dificultando a adaptação do indivíduo ao meio ambiente e desencadeando alterações de ordem psicológica e social (CUNHA et al., 2009).
Atualmente, a autonomia ou capacidade funcional tem sido alvo de vários estudos, so bretudo em idosos, com o objetivo de avaliá-la, recuperá-la ou prevenir o seu declínio. Capacidade funcional se refere à potencialidade para de sempenhar as atividades de vida diária (AVD´s) ou de realizar determinado ato sem necessidade de ajuda, imprescindíveis para proporcionar uma melhor qualidade de vida (ALENCAR; BEZERRA; DANTAS, 2009; PEDROSA; HOLANDA, 2009).
Conforme Virtuoso Júnior e Guerra (2009), na velhice, as funções orgânicas decorrentes do processo de envelhecimento em consequência
dos agravos ao longo da vida passam a ser mais vulneráveis ao declínio funcional, de forma que a capacidade funcional passa a ser um determinante da condição de saúde e bem-estar das pessoas.
Neste sentido, o Ministério da Saúde reconhece a preservação da capacidade funcional do idoso como um objetivo prioritário para a sua saúde. Na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), Portaria GM nº 2.528, de 19 de outubro de 2006, a Capacidade Funcional é conceituada como a capacidade de manter habilidades físicas e mentais necessárias para uma vida independente e autônoma. Desta forma, trata-se de um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de doenças específicas em idosos (BRASIL, 2006).
Segundo Alfieri, Teodori e Guirro (2006), o exercício físico regular tem sido reportado na literatura como fator benéfico à saúde por diminuir riscos potenciais de doenças, melhorar a capacidade cardiovascular e locomotora (aumento da densidade mineral óssea, melhora de sintomas ósteo-articulares, força muscular, equilíbrio, dentre outros), aumentando a capacidade funcional e promovendo melhores condições de vida aos idosos.
Varella e Jardim (2009) destacam que os músculos dos idosos são capazes de responder ao exercício de forma semelhante aos dos mais jovens, desde que treinados adequadamente. O exercício melhora a postura corporal e fortalece a musculatura ao redor das articulações, promovendo maior estabilidade e reduzindo as dores.
De acordo com César et al. (2004), mulheres idosas fisicamente ativas possuem maior independência funcional na realização de tarefas comuns do dia-a-dia quando comparadas a mulheres idosas sedentárias, sugerindo que a atividade física é uma ferramenta essencial na manutenção da autonomia e qualidade de vida das idosas.
Segundo Alencar, Henemann e Rothenbuhler (2008), a autonomia funcional surge como elemento fundamental para que o idoso possa ter uma vida independente, isto é, realizar suas atividades físicas e mentais necessárias para manutenção de suas atividades básicas como: tomar banho, vestir-se, alimentar-se, realizar higiene pessoal, arrumar a casa, fazer compras etc.
Dessa forma, Montenegro e Silva (2007) referem que a consciência dos efeitos que a idade exerce sobre a capacidade de aprender e executar as habilidades motoras coloca o fisioterapeuta em condições de ajudar o geronte, a aumentar sua participação numa série de atividades de lazer ou profissionais, além de orientá-lo a desenvolver sua capacidade de adaptação, em resposta às limitações físicas.
Considerando, então, que a capacidade funcional do idoso envolve uma gama de aspectos de sua vida e que o aumento da população idosa
no mundo leva a necessidade de manter e melhorar a autonomia desses indivíduos, o presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos de um programa de tratamento cinesioterapêutico na capacidade funcional de idosas.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, intervencionista realizado com 20 idosas, com média de idade de 70,5 ± 67 anos, do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), no município de São Luís-MA.
Como critério de inclusão, foram considerados: idosos das instituições citadas, do gênero feminino, que concordassem em participar da pesquisa, com idade igual ou superior a 60 anos, que obtivessem equilíbrio e cognição satisfatórios comprovados, respectivamente, através da aplicação dos testes de Tinetti e Mini Mental. Foram excluídas idosas que apresentavam sequelas neurológicas, insuficiência cardíaca congestiva grave e quadros demenciais graves.
Assim, todas as possíveis participantes da pesquisa foram avaliadas inicialmente através dos testes de Equilíbrio de Tinetti, constituído de nove itens: equilíbrio sentado, levantando, tentativas de levantar, equilíbrio de pé imediato e em pé, desequilíbrio no esterno, teste dos três tempos: olhos fechados, girando 360º e sentando, sendo que o escore aproximado ou igual a 16 corresponde ao grau satisfatório; e pelo Mini Mental, que fornece informações sobre parâmetros cognitivos contendo questões agrupadas em sete categorias: orientação temporal (5 pontos), orientação espacial (5 pontos), registro de três palavras (3 pontos), atenção e cálculo (5 pontos), recordação das três palavras (3 pontos), linguagem (8 pontos) e capacidade construtiva visual (1 ponto), sendo que o escore aproximado ou igual a 30 corresponde ao grau satisfatório. Todas as idosas avaliadas obtiveram êxito nos resultado dos testes.
No segundo momento, toda a amostra foi submetida aos testes do protocolo de avaliação da autonomia funcional do Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para a Maturidade (Protocolo GDLAM), constituídos por quatro testes: caminhar 10m (C10m) levantar-se da posição sentada (LPS), levantar-se da posição decúbito ventral (LPDV) e levantar-se da cadeira e locomover-se pela casa (LCLC), aplicados nos locais da pesquisa, antes e após o protocolo de intervenção. Os resultados foram analisados na tabela padrão de avaliação da autonomia funcional do protocolo GDLAM, que classifica a autonomia funcional em fraco, regular, bom e muito bom (DANTAS; VALE; PERNAMBUCO, 2004).
Os equipamentos utilizados para os testes foram: trena, para precisar a distância; cronômetro, para marcar o tempo despendido na
atividade; cadeira de braços com altura entre 43 e 50 cm, dois cones e fita adesiva.
O protocolo utilizado consiste em um programa cinesioterapêutico adaptado de Montenegro e Silva (2007), que abrange exercícios que simulam as atividades de vida diária. Foi aplicado uma vez por semana, com sessões em grupo de 60 minutos, durante oito semanas.
O protocolo iniciava com dez minutos de alongamento de membros superiores e de membros inferiores. Seguia com vinte minutos de exercícios "ativo livre" e "ativo resistido" com garrafinhas pet preenchidas de areia para substituir halteres de 1kg para os movimentos de flexão e extensão de cotovelos, seguidos de abdução e adução, flexão e extensão do ombro (simulando pegar objetos no alto).
Também foram inclusos os seguintes exercícios: com a idosa na posição sentada numa cadeira sem braços, realizar os movimentos de flexão e extensão de joelhos, flexão plantar e dorsiflexão dos tornozelos, trabalhando os gastrocnêmios e quadríceps (simulando apanhar objetos ou roupas no chão). Exercícios de propriocepção com balões e bastões sem carga, exercícios de coordenação para pescoço, mãos e pés (simulando dançar e limpar casa), associados a exercícios respiratórios (padrão diafragmático e padrão 3:1). Exercícios "ativo resistido" contra a gravidade de sentar e levantar da cadeira, partindo da posição sentada, exercícios "ativo resistido" na posição de pé, segurando atrás da cadeira, para membros inferiores alternando com flexão plantar dos tornozelos, flexão de quadril elevando os joelhos alternadamente, abdução do quadril alternadamente, trabalhando os flexores do quadril, abdutores e adutores, que colaboram nas tarefas de sentar e levantar de cadeiras, subir escadas e pegar ônibus. O protocolo foi finalizado com vinte minutos de treinamento de marcha pela área da instituição, com a pesquisadora acompanhando e corrigindo a postura das idosas. Nos dez minutos finais, foram realizados alongamentos globais.
Todo o procedimento de aplicação dos exercícios foi realizado pela mesma pesquisadora.
Após as oito sessões da aplicação do protocolo de tratamento, foram realizadas as reavaliações da autonomia funcional, respeitando-se os mesmos procedimentos adotados durante a avaliação inicial.
A análise dos dados foi realizada, considerando a estatística descritiva.
Resultados e discussão
Os dados coletados foram utilizados para classificar a autonomia funcional das idosas participantes do estudo, de acordo com os padrões
da GDLAM, em: fraco, regular, bom e muito bom (DANTAS; VALE; PERNAMBUCO, 2004). Esta classificação pode ser observada na Tabela 1.
Tabela 1 - Padrão de avaliação da autonomia funcional do protocolo GDLAM
Classificação
Testes
C10M (seg.) LPS (seg.) LPDV (seg.) LCLC (seg.) IG (escore)
Fraco >7,09 >11,9 >4,40 >43,00 >28,54 Regular 7,08-6,34 11,18-9,55 4,39-3,30 42,99-38,69 28,53-25,25 Bom 6,33-5,71 9,54-7,89 3,29-2,63 38,67-34,78 25,24-22,18 Muito bom <5,70 <7,88 <2,62 <34,77 <22,17
Legenda: C10M = Caminhar 10 metros, LPS = Levantar da Posição Sentada, LPDV = Levantar da Posição de Decúbito Ventral, LCLC = Levantar da Cadeira e Locomover-se pela Casa. IG= índice GDLAM de autonomia funcional.
Fonte: Dantas; Vale e Pernambuco (2004).
Com base nesta classificação, na avaliação da autonomia funcional antes da intervenção, observou-se um valor considerado “fraco” de autonomia funcional para os testes C10m, LPS, LPDV e também para o índice GDLAM de autonomia funcional (IG). Na avaliação pós-intervenção, observou-se uma diminuição do tempo necessário para que as participantes realizassem todas as atividades propostas no protocolo, no entanto, estes índices não foram suficientes para alterar a classificação das idosas, que continuou sendo “fraco”. Em relação ao teste LCLC, antes da intervenção, as idosas apresentavam um valor classificado como “regular” e, após a intervenção, foram classificadas como “bom” (Tabela 2).
Tabela 2-Avaliação da média do tempo, em segundo, dos testes de autonomia
funcional com base no protocolo GDLAM, de idosas de São Luís, Maranhão.
Testes do
GDLAM Antes da Intervenção Depois da Intervenção Valores em
segundos Classificação
Valores em
segundos Classificação ∆MA
C10M 11,8 Fraco 9,9 Fraco 1,9
LPS 15,65 Fraco 12,8 Fraco 2,85
LPDV 8,35 Fraco 6,15 Fraco 2,2
LCLC 41,45 Regular 36,85 Bom 4,6
IG 37,8 Fraco 31,55 Fraco 6,25
Legenda: C10M = Caminhar 10 metros, LPS = Levantar da Posição Sentada, LPDV = Levantar da Posição de Decúbito Ventral, LCLC = Levantar da Cadeira e Locomover-se pela Casa. IG= índice GDLAM de autonomia funcional, ∆MA = Diferença de Média Aritmética.
Ao comparar os dados das tabelas 1 e 2, percebe-se que as participantes do estudo apresentavam, antes da aplicação do protocolo fisioterapêutico, valores muito acima dos escores considerados para classificação dos testes como “fraco”, expostos na tabela 1, indicando que as idosas pesquisadas apresentavam restrita autonomia funcional. Isto pode estar relacionado ao fato de que as idosas estudadas não participavam de atividades físicas regulares (SANTOS et al., 2010).
Estes resultados são semelhantes aos de outros estudos (ARAGÃO; DANTAS; DANTA, 2003; CÉSAR et al.,2004; Perez et al., 2010), em que a média dos grupos estudados foi considerada como fraco em todos os itens. No estudo de César et al. (2004),a única exceção foi o teste LCLC, que obteve a classificação “muito bom”.
Por outro lado, na presente pesquisa, observou-se diferenças entre as médias aritméticas em relação aos escores de todos os testes ao comparar os valores antes e após a aplicação do protocolo cinesioterapêutico, sugerindo que este protocolo produziu efeitos benéficos para tais atividades. Os testes realizados neste estudo mediram a capacidade de locomoção e a independência da amostra na realização de atividades cotidianas. Salienta-se que a capacidade de realização das atividades da vida diária garante ao idoso maior autonomia no seu dia-a-dia (VALE; DANTAS, 2008).
Utiliza-se o índice GDLAM para associar as atividades de vida diária e a autonomia funcional, representando o nível desta variável nos indivíduos idosos. O índice verifica o nível de independência funcional que o idoso se encontra, através dos resultados obtidos em segundos para a realização dos quatro testes (C10M, LPS, LPDV e LCLC) que reproduzem situações com as quais o idoso se depara no dia-a-dia, como subir uma escada, sentar-se ou levantar-se de uma cadeira, entrar em um ônibus e atravessar uma rua e o programa de cinesioterapia foi realizado com exercícios que simulavam essas situações cotidianas, como: levantar-se do chão ou de uma cama, desviar-se de obstáculos no caminho, pegar objetos no chão e varrer casa, por exemplo (DANTAS; VALE; PERNAMBUCO, 2004).
O propósito dos testes C10M e LCLC é, respectivamente, avaliar a velocidade que o indivíduo leva para percorrer a distância de 10 metros e avaliar a capacidade do idoso na sua agilidade e equilíbrio em diversas situações de sua vida (GURALNIK et al., 2000).
O propósito dos testes LPDV e LPS, respectivamente, é avaliar a habilidade do indivíduo para levantar-se do chão e avaliar a capacidade funcional da extremidade inferior. Atividades que dispõem da rápida movimentação no espaço ou mudança repentina de direção da extremidade inferior podem ser realizadas com mais dificuldade com o avanço da idade.
Segundo Matsudo, Matsudo e Barros Neto (2000), idosos fisicamente ativos apresentam um maior grau de autonomia em atividades que requerem força de membros inferiores e independente do mecanismo envolvido, a melhora da força muscular tem relação direta com a melhora na capacidade de subir escada e se levantar de uma posição sentada.
No teste LCLC, o escore de autonomia funcional das idosas evoluiu de regular para bom. Destaca-se que esse teste associa as habilidades necessárias para os testes levantar-se da posição sentada (LPS) e caminhar 10 metros (C10M), sugerindo que o protocolo também influenciou positivamente nestas habilidades, mesmo que não tenha havido alteração no nível de autonomia para tais testes.
Uma vez que a idade mostra-se um fator fortemente associado à perda da autonomia funcional, torna-se importante manter a aptidão física em indivíduos idosos, pois quanto maior a idade, maior o tempo para a realização de tarefas. Para Hurley e Hoth (2000), a melhor opção para o indivíduo que está envelhecendo é a realização de um programa de atividade física que incorpore exercícios específicos.
Os estudos de Cesar et al. (2004) indicaram que idosos fisicamente ativos possuem uma ordem de locomoção e deslocamento mais eficientes do que idosos sedentários, o que lhes provê maior autonomia cotidiana em atividades como atravessar uma rua ou se locomover sem ajuda de terceiros.
Logo, para Guimarães et al. (2004), a manutenção e a preservação da capacidade para desempenhar as AVD’s são pontos básicos para prolongar a independência do idoso. A reabilitação gerontológica visa a preservação da função, adiamento da instalação de incapacidades, tendo como objetivo diminuir o comprometimento imposto por elas, promovendo um modo de vida mais saudável e adaptando o indivíduo de forma a propiciar uma melhor qualidade de vida.
Evidencia-se que esta pesquisa se restringiu a analisar variáveis relacionadas ao desempenho motor, no entanto, sabe-se que a prática de exercícios podem apresentar outros benefícios como: melhora da autoestima, maior envolvimento social e menores riscos de doenças associadas à hipocinesia (RIGO; TEIXEIRA, 2005).
Conclusão
Os resultados obtidos neste estudo sugerem que o programa cinesioterapêutico utilizado foi capaz de diminuir o tempo de realização de atividades de vida diária das idosas pesquisadas e, por conseguinte, melhorar a autonomia funcional delas. No entanto, os escores obtidos após a intervenção não foram suficientes para alterar a classificação das idosas quanto aos padrões da GDLAM.
Destaca-se que o número restrito de sessões do programa ciensioterapêutico utilizado pode ter influenciado este resultado. Diante disso, sugerem-se novas pesquisas de caráter longitudinal, que possam aplicar este programa com um número maior de sessões.
Considera-se que programas de orientações e incentivo sobre os benefícios da atividade física são recomendados para que os idosos mantenham sua capacidade funcional e, consequentemente, tenham melhor qualidade de vida, pois idosas que permanecem inativas fisicamente ao longo da vida sofrerão os efeitos do envelhecimento com maior impacto.
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ESTADO DEMOCRÁTICO DE
DIREITO E PUNIÇÃO:
Reflexões sobre os
princípios reitores do Direito
Penal
Prof. Dr. Claudio Alberto Gabriel Guimarães,
Lícia Haickel Rosa
ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E PUNIÇÃO: Reflexões sobre os princípios reitores do Direito Penal
DEMOCRATIC STATE OF LAW AND PUNISHMENT : Reflections on the rectors principles of criminal law
Prof. Dr. Claudio Alberto Gabriel Guimarães1
Lícia Haickel Rosa2
Resumo: Objetiva-se, com o presente trabalho, fomentar a discussão
acerca da real efetividade dos princípios reitores do Direito Penal quando da sua aplicação ao caso concreto em conexão com o Estado Democrático de Direito. A referida discussão perpassa necessariamente pelos fundamentos e pela legitimação do direito de punir, com ênfase no Estado Democrático, buscando-se uma contextualização atualizada. Analisa-se, a partir da criminologia crítica, o desvio social, o processo de criminalização e os mecanismos de rotulação de criminosos, tendo como base a desigual aplicação dos Princípios Constitucionais Penais. Importante destacar que a presente reflexão objetiva impulsionar debates e questionamentos sobre a desigualdade social proveniente dos conflitos de classe, sob a ótica da utilização do Direito Penal com fim de reprimir e estigmatizar as classes sociais menos favorecidas como meio de manutenção de privilégios e, consequentemente, do status quo.
Palavras-chave: direito de punir; estado democrático; exclusão
social; princípios constitucionais.
Abstract: The purpose of this work is to foster discussion regarding
the effectiveness of the guiding principles of criminal law when applied to real cases and in connection with the democratic rule of law. Such discussion inevitably permeates the grounds and the legitimacy of the right to punish,
1 Promotor de Justiça do Estado do Maranhão. Coordenador Estadual da Associação Brasileira de Professores de Ciências Penais – ABPCP. Sócio Fundador do Instituto Panamericano de Política Criminal. Especialista em Direito, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em Docência Superior pelo Centro Universitário do Maranhão - UNICEUMA. Mestre em Direito Público pela Universidade Federal de Pernambuco. Doutor em Direito Público pela Universidade Federal de Pernambuco, com área de concentração em Direito Penal. Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, com área de concentração em Criminologia. Professor Pesquisador do CNPq, UNICEUMA e FACEMA. Professor na Universidade CEUMA e UFMA. E-mail: [email protected].
2 Acadêmica do Curso de Graduação em Direito do UNICEUMA. Cursando 9º período no Renascença. Bolsista PIBIC e integrante do NEVIC do CEUMA em 2014. Integrante do grupo de pesquisa da OAB em Direito Constitucional em 2015. E-mail: [email protected]
emphasizing the democratic state, while seeking an updated context. Based on the study of critical criminology, social deviance, the process of marginalization, and labeling mechanisms of criminals an analysis of the unequal application of penal constitutional principles is performed. Importantly, the current work aims to increase debate and questioning regarding social inequality arising from class conflict under the guise of the use of criminal law in order to repress and stigmatize the underprivileged social classes while consequently maintaining the status quo.
Key Words: right to punish; democratic state; social exclusion;
constitutional principles.
Introdução
O presente estudo objetiva, conforme a doutrina crítica majoritária, analisar a real aplicabilidade dos princípios reitores do Direito Penal, partindo-se do pressuposto de que o crime é o reflexo do conflito das classes sociais antagônicas, determinando os interesses da seleção dos fatos sociais e oficialmente catalogados como desviados.
O tema é importante para a sociedade, para a comunidade acadêmica e para os profissionais da área de Direito, pois a reflexão crítica traz a reboque novas formas de percepção dos fenômenos sociais, requisito básico para avançar no campo das ideias e, consequentemente, na concretização de avanços e mudanças no âmbito comunitário.
A questão da não efetividade da lei no Estado Democrático de Direito perpassa pela percepção de que a finalidade das normas jurídicas de assegurar a paz, a segurança e a possibilidade de convivência harmônica social, encontra-se somente, segundo as teorias aqui adotadas, na esfera do porvir.
Portanto, a pretensão final do estudo é descortinar outras percepções sobre o fenômeno punitivo, haja vista que o tema abordado comporta algo muito maior que apenas a teoria oficialmente aceita no meio jurídico, sendo necessário investigar o funcionamento do direito de punir do Estado, suas lacunas, possíveis acertos, mas, antes de tudo, cremos estar contribuindo para uma ampla discussão na comunidade acadêmica e sociedade sobre tão urgente temática.
Material e Métodos
A abordagem do tema foi realizada a partir do método dedutivo, por se tratar de uma pesquisa no campo teórico e interpretativo da realidade, no sentido de auxiliar a reflexão e a discussão a partir de um diferencial
teórico capaz de identificar as essenciais críticas aos princípios reitores do Direito Penal. O método utilizado foi o monográfico, tendo como técnica de pesquisa a revisão bibliográfica, com utilização de sistemas de fichas de leitura e discussões preliminares. Foram analisados artigos científicos e obras, tendo como marco principal a tese adotada por Alessandro Baratta3.
Resultados e Discussão
O Estado Democrático de Direito e o direito de punir
O artigo 1º da Carta Magna de 1988 declara que a República Federativa do Brasil constitui-se em Estado democrático de direito e está pautado nos ideais de soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político, todos conferindo efetiva participação da sociedade no trato da coisa pública. O conceito de Estado democrático de direito tem como intuito garantir o respeito pelos direitos humanos e pelas garantias fundamentais, mediante o estabelecimento de uma proteção jurídica. O seu ponto de orientação deverá ser a defesa, implementação e manutenção da democracia, cuja consequência será o exercício da cidadania.
A questão da democracia na atualidade do Brasil é de se observar que não existe um liame entre o sistema penal e a aplicação das suas leis com o Estado Democrático de Direito, mediante as inúmeras dificuldades no contexto político, econômico e social nos quais estão submetidos para que ocorra sua real efetivação.
Legitimação e fundamentação do direito de punir
O Estado possui, verdadeiramente, o seu direito de punir a partir do momento em que utiliza os princípios constitucionais que norteiam a aplicação da lei penal, na sua fundamentação e legitimação para a devida clareza e igualitária aplicação da norma. O que se observa é uma desigual aplicação do Direito Penal, em que o status de criminoso encontra-se distribuído de forma desigual, ou seja, as prisões estão, na sua grande maioria, ocupadas pelo setor social menos favorecido. Assim, a efetividade do processo nas condutas ou ações qualificadas como tais passam a ser questionadas.
Desta forma, a mudança de paradigmas desloca-se e redefine a criminologia de um saber auxiliar do Direito Penal e interno, com a criminologia comportamental e da violência individual ao modelo integrado, crítico e externo, da violência institucional, que nos ensina que não se pode
3 Barros Filho (2013) destaca que: “...em relação ao crime e à criminalidade, a criminologia positivista fundamentou uma nova política criminal na qual os criminosos são vistos como inimigos da sociedade que devem ser eliminados.”
compreender o crime, a criminalidade e os criminosos sem compreender o controle social e penal que os constrói como tais, e esta culmina numa criminologia da violência estrutural, que nos ensina a compreendê-los não apenas a partir da mecânica do controle, mas funcionalmente relacionada às estruturas sociais (o capitalismo, o patriarcado, o racismo, etc). A seletividade do sistema penal é revelada, assim, como classista, sexista e racista, que expressa e reproduz as desigualdades, opressões e assimetrias sociais (ANDRADE, 2008, p.22-23).
Direito Penal no Século XXI
O desafio do Direito Penal no Século XXI4 tem como destaque a
influência que a mídia exerce na construção de um direito penal seletivo, em detrimento da ineficaz atuação do Estado quanto ao combate das desigualdades sociais e o poder punitivo. A imprensa utiliza-se de meios para ocultar a política de perseguição aos segmentos excluídos da sociedade, sendo estes setores vulneráveis e inaptos à sociedade de consumo. Exerce, ainda, um papel de dominação e disseminação da insegurança como um todo, que tem como consequência o clamor pela coerção estatal, o imediatismo punitivo5, para com a classe menos favorecida. Alguns
programas e notícias propagados pela mídia acabam sendo benevolentes com a seletividade penal e com a criminalização da classe pobre.
Desta forma, os meios de comunicação são vistos como uma moderna ferramenta de dominação social, uma vez que inconscientemente impõe o que a população deve pensar e como reagir, criando um imaginário social da criminalização da pobreza e a necessidade de um Estado policial, em que a pena privativa de liberdade é vista como a única alternativa para o crime.
Atualmente, uma grande parte da doutrina adere ao posicionamento de duas grandes correntes teóricas acerca do controle social e trazem uma nova denominação para ambos: o realismo de direita, outrora ideologia da defesa social e o realismo de esquerda, vinculado às teorias críticas ou do conflito. A Ideologia da Defesa Social transmite a ideia de um estado ideal, em que tudo parece se encaixar de modo perfeito e cujos personagens
4 Andrade (2008) menciona que: “(...) A disciplina criminologia ocupa pouco espaço no ensino jurídico atual e as criminologias críticas pouco espaço na criminologia, sendo elas importantes para o mundo acadêmico. Ensinar criminologias é criar uma consciência jurídica crítica e responsável, capaz de transgredir as fronteiras da zona de conforto do penalismo adormecido na labuta técnico-jurídica; capaz de inventar novos caminhos para o enfrentamento das violências (individual, institucional e estrutural).”
5 Morselli (1997) destaca que: “...diante de um delito, surge na sociedade uma profunda exigência de represália, voltada a desencadear sobre o réu as cargas agressivas suscitadas pela frustração derivada do alarme social ou seletivo”.
nunca se afastam do que seja desejado, deixando apenas para uma minoria, os desviados, tal tipo de violação (GUIMARÃES, 2013).
Princípios Constitucionais Penais
Com base nas discussões sobre o controle social, o posicionamento da corrente teórica do realismo de direita, outrora ideologia da defesa social ou do “fim”, com o objetivo de explicar a criminalidade, sustenta-se em seis princípios basilares, sendo eles: princípio da legitimidade, princípio do bem e do mal, da culpabilidade, da finalidade ou da prevenção, do interesse social e delito natural e o da igualdade. Tal ideologia nasceu contemporaneamente à revolução burguesa, sendo o liame entre a Escola Clássica e a Positiva do Direito Penal (BARATTA, 2011, p.42).
De acordo com o princípio da legitimidade, o Estado é o ente que detém o poder legítimo6 para atuar no sistema penal, coibindo a
criminalidade em conformidade com a lei e tendo como objetivo reafirmar os valores e as normas sociais. Suas instâncias oficiais de controle social são: Poder Legislativo, Polícia, Ministério Público, Magistratura e Instituições Penitenciarias.
Os dois princípios opostos do Bem e do Mal têm como base o dualismo do filósofo grego Maniqueu, que dividia o mundo entre o Bom, ou o Deus, e o Mau ou o Diabo. Desta forma, o delito e o delinquente seriam a reprodução do mal e causadores do dano para a sociedade. O intuito é a existência de um controle do mal, ou seja, da criminalidade, a favor do bem, da sociedade. Assim é visto o princípio do bem e do mal.
Conforme o princípio da culpabilidade, o ato desviante é uma atitude previamente reprovável pela sociedade, pois contraria os valores e as normas estabelecidas, independentes se positivadas ou ainda não, pelo legislador. A atitude interior do autor do delito é consciente de que a sua ação é contrária à sociedade.
O princípio da finalidade ou da prevenção está intimamente relacionado às teorias da pena, englobando as funções de retribuição e prevenção do crime, uma vez que, ao ser violado o preceito primário, aplicar-se-á o preceito secundário cabível como forma de sanção penal. Desta forma, servirá de contramotivação ao comportamento criminoso diante da sua intimidação (prevenção geral negativa), sendo considerada
6 Bobbio (1995), sobre legitimidade do Estado, conceitua que: “... é uma situação nunca plenamente concretizada na história, a não ser como aspiração, e que um Estado será mais ou menos legítimo na medida em que tornar ela o valor de um consenso livremente manifestado por parte de uma comunidade de homens autônomos e conscientes, isto é, na medida em que consegue se aproximar à idéia-limite da eliminação do poder e da ideologia nas relações sociais.”
uma sanção abstrata, enquanto a reinserção (prevenção especial positiva) do infrator no meio social será a concreta.
Para o princípio do interesse social e do delito natural, os delitos naturais são aqueles tipificados no código penal, previamente conhecidos e reprovados pela sociedade, uma vez que representam ofensas aos interesses fundamentais essenciais e, consequentemente, à sua harmônica existência. Portanto, as leis penais dos Estados civilizados protegem os interesses comuns de todos os cidadãos. Em contrapartida, os delitos artificiais estão representados em uma pequena parcela dos fatos puníveis, sendo eles os de violação dos arranjos políticos e econômicos, de acordo com interesses segmentados.
E, por fim, para o princípio da igualdade, a legitimação do Direito Penal e, consequentemente, a sua fundamentação, tem como base os princípios da legalidade e da igualdade7, sendo o principal objetivo deste
a aplicação igualitária das decisões judiciais, provendo a sociedade de segurança jurídica. Segundo tal princípio, a lei penal, quando violada por uma minoria desviante e, consequentemente, gerando o ato criminoso, será igualmente aplicada, de forma a ser observada a neutralidade e a imparcialidade da legislação perante o autor do delito.
Crítica aos Princípios Constitucionais Penais
Os princípios constitucionais penais existentes na ideologia da defesa social, quando analisados pelas teorias sociológicas contemporâneas, deparam-se com elementos críticos inerentes a cada um dos seis já citados, no que se refere à criminalidade. Estas teorias, denominadas teorias “liberais”, estão inseridas, em especial, no campo da sociologia criminal burguesa e distinguem-se da criminologia “crítica”, de inspiração marxista e das teorias liberais clássicas dos séculos precedentes, que se caracterizam, por uma atitude racionalista, reformista e, geralmente, progressista (BARATTA, 2011, p.49-126):
a) Negação do Princípio de Legitimidade: é representada pelas teorias psicanalíticas da sociedade punitiva, com raízes na doutrina freudiana da neurose e na sua aplicação, no que se refere à explicação do comportamento criminoso. Tais teorias colocam em dúvida a legitimação do direito de punir, visto que a reação penal ao comportamento delitivo
7 Grinover (2008) sobre o princípio da igualdade destaca que: “... a aparente quebra do princípio da isonomia, dentro e fora do processo, obedece exatamente ao princípio da igualdade real e proporcional, que impõe tratamento desigual aos desiguais, justamente para que, supridas as diferenças, se atinja a igualdade substancial. Lembre-se, ainda, que no processo penal o princípio da igualdade é atenuado pelo favor rei”.
não tem o intuito de restringir ou elidir a criminalidade, mas equivale a mecanismos psicológicos em face dos quais o desvio criminalizado aparece como necessário e ineliminável do meio social.
A punição representa uma defesa e um reforço do superego, dando ênfase aos mecanismos sociopsicológicos, pois no delinquente irá contrabalançar a pressão dos impulsos reprimidos. A sociedade punitiva, separando-se do sujeito delinquente, como o bem do mal, transfere para ele as próprias agressões.
Portanto, a negação baseia-se no fato de que o comportamento delituoso está inserido no mecanismo psicossocial e, desta forma, não tem o intuito de negar os valores e as normas legitimadas pelo meio social, mas visa manter a sociedade de forma coesa, negando a si própria a sua identificação com o criminoso ao punir.
b) Negação do Princípio do Bem e do Mal: é proveniente da teoria
estrutural-funcionalista da anomia8 e da criminalidade, sendo posterior às
teorias psicanalíticas e representando a virada em direção sociológica efetuada pela criminologia contemporânea.
Sob o prisma desta teoria, o crime faz parte, enquanto elemento funcional, da fisiologia e não da patologia da vida social, sendo visto como um comportamento natural e necessário na formação da sociedade, um fenômeno “normal” para o desenvolvimento estrutural da vida social quando ocorrer dentro de determinados limites quantitativos e qualitativos. Entretanto, será negativo se ultrapassar tais limites das funções psicossociais, sendo considerado um obstáculo para a existência e o desenvolvimento social. Assim, não serão aceitas elevadas discrepâncias entre as normas e os fins culturais, ou seja, o nível crítico da anomia.
O paradoxo desta teoria fundamenta-se na normalidade do delito, que irá provocar e estimular a reação social, estabilizando o sentimento coletivo e sustentando a aceitação às normas pela sociedade; além da funcionalidade do delito, sendo este visto como a antecipação da moral futura.
c) Negação do Princípio da Culpabilidade: é proveniente da
teoria das subculturas criminais, tendo na desconformidade com relação às normas sociais o seu ponto inicial. A reação de minorias desfavorecidas e a sua tentativa de se adequarem no meio social, não obstante as reduzidas possibilidades legítimas de agir, de que dispõem, constituem as subculturas
8 Schecaira (2013, p.314) evidencia que a teoria da anomia contribuiu para o direito penal na concepção de pena funcional, tendo as seguintes manifestações: como meio de intimidação individual se dirige ao delinquente ocasional; como instrumento de reinserção social, ao delinquente habitual corrigível; e, como mecanismo de neutralização, ao delinquente incorrigível.
criminais9.
A teoria das subculturas criminais nega que o delito seja proveniente de uma atitude contrária aos valores e normas sociais gerais, pois considera que a sociedade é dividida por diversos grupos ou subculturas com valores e normas específicas. Por intermédio de mecanismos de interação e de aprendizagem, no interior destes grupos, são determinados os códigos de valores, sendo pautada a conduta de todos os seus componentes e a assimilação, inclusive as delituosas. Assim, o comportamento criminoso está relacionado ao código de valores pertencente àquela subcultura e aos seus integrantes. Portanto, o peso específico da escolha individual ou da determinação da vontade, como também o dos caracteres naturais da personalidade, é muito relativo.
d) Negação do Princípio do Fim ou da Prevenção: a pesquisa dos
teóricos do labeling approach é constituída de dois campos de investigação: o estudo da formação da identidade desviante e seus efeitos como o desvio secundário ou aplicação da etiqueta de criminoso ou de doente mental realizado pelas agências oficiais; e a busca por definição da constituição do desvio e pela distribuição do seu poder, ou seja, o estudo das agências de controle social.
Na corrente da identidade e das carreiras desviantes10, a primeira
direção da pesquisa se deteve, em especial, sobre os efeitos da estigmatização na formação do status social de desviante, tendo como consequência da aplicação da sanção, uma decisiva mudança na identidade social do indivíduo.
Da relação entre a criminologia liberal contemporânea e a ideologia penal, destacam-se os resultados da pesquisa na criminologia inspirada no
labeling approach sobre o desvio secundário e sobre carreiras criminosas,
pondo em dúvida o princípio do fim ou da prevenção e, em especial, a concepção reeducativa da pena. A identidade desviante proveniente do processo de criminalização, em especial nas penas detentivas, será constante na vida social do sujeito autor do crime, não existindo a possibilidade de reeducação deste, mas com grandes oportunidades de continuidade na vida do crime.
9 Andrade (1997, p.205) sobre a negação do princípio da culpabilidade destaca que: “... transcende o poder de decisão do indivíduo e, portanto, sua responsabilidade moral, o fato de participar ou não de uma determinada subcultura e, em consequência, de aprender um determinado sistema de valores ou ainda determinados comportamentos desviantes ou “técnica de neutralização” alternativas aos critérios oficiais de comportamento e de valoração.”
10 Schecaira (2013, p.315) conclui que o delinquente apenas se distingue do homem normal devido à estigmatização que sofre, particularmente aquela decorrente do recolhimento às chamadas instituições totais, em especial a prisão.
e) Negação do Princípio da Igualdade: a sociologia11 criminal e
moderna tiveram como ponto de partida os mecanismos de reação e de seleção da população criminosa, com os seguintes campos de investigação: a criminalidade do colarinho branco de Sutherland, a cifra negra da criminalidade e a crítica das estatísticas criminais oficiais.
Com a análise dos dados estatísticos da distribuição da criminalidade nos estratos sociais, tendo concentração nos menos favorecidos, observa-se uma distorção nas teorias da criminalidade relacionadas com estas interpretações, uma vez que tais valores são baseados sobre o que é identificado na criminalidade enquanto o crime de colarinho branco é representado de modo consideravelmente inferior à sua calculável “cifra negra”. Desta forma, tem-se um quadro falso da distribuição da criminalidade nos grupos sociais, com incidência sobre o seu estereótipo e que influenciam em uma ação seletiva dos órgãos oficiais no meio social.
Tal pesquisa refere-se, no geral, à real frequência e à distribuição do comportamento desviante penalmente perseguível em determinada sociedade. E tem o intuito de demonstrar que a criminalidade não está ligada ao comportamento de uma restrita minoria, mas de largos estratos sociais.
A criminalidade como realidade social é uma qualidade instituída pelos juízes ou tribunal a determinados indivíduos através de sentenças que alteram o status quo do imputado. Desta forma, a criminalidade não existe na natureza, mas é uma realidade construída socialmente através de processos de definição e de interação. A seleção da população carcerária12,
tendo como análise a perspectiva macrossociológica da interação e das relações de poder entre os grupos sociais, tem como maioria, nos países da área do capitalismo avançado, o público-alvo das classes economicamente mais débeis. Assim, observa-se o mecanismo de antagonismo e de poder com desigual distribuição de bens e de oportunidades entre os indivíduos como possível gerador de tais fenômenos.
Apesar de inúmeras críticas, observa-se que as teorias da criminalidade com base no labeling approach conduziram a resultados irreversíveis que abalaram os fundamentos da ideologia tradicional. O princípio da igualdade foi colocado em discussão e, segundo a sua
11 Andrade (1997, p.201) sobre a negação do princípio da igualdade menciona que: “...segundo a definição sociológica, a criminalidade, como em geral do desvio, é um status social que caracteriza ao indivíduo somente quando lhe é adjudicada com êxito uma etiqueta de desviante ou criminoso pelas instâncias que detêm o poder de definição.”
12 Schecaira (2013, p.119) menciona como erro dos positivistas que: “...os mecanismos seletivos já tinham atuado, exercendo seu papel de seleção da clientela que viria a ser identificada com algumas características pessoais, quando estas já foram determinantes para a seleção pelo sistema punitivo.”
definição sociológica, o status recebe atribuição de grupos de poder que, além de criar e aplicar a lei penal, ainda utiliza-se de mecanismos seletivos, onde a estratificação e o antagonismo dos grupos sociais possuem uma influência fundamental. Tal ideologia estende-se aos demais princípios como: legitimidade, interesse social e delito natural.
A teoria do labeling aproach nega o princípio da igualdade, uma vez que, apesar de comportamentos passíveis de criminalização não estarem restritos a grupos sociais específicos, mas a todos os setores sociais, observa-se que existe uma parcela deste grupo que não é apreendida pelo sistema punitivo.
f) Negação do Princípio do Interesse Social e do Delito Natural:
com base nos interesses protegidos pelo Direito Penal a serem considerados comuns a toda sociedade, este princípio13 irá representar violação e punição
de determinados arranjos políticos e econômicos apenas a uma pequena parte dos delitos. Desta forma, a negação a tal princípio ocorre pela teoria da reação social ou do etiquetamento (labeling approach), em que o desvio, com a sua qualidade criminosa, é visto como uma realidade construída mediante as definições e as reações sociais, sendo a criminalidade um status social atribuído através de processos (informais e formais) de definição e mecanismos (informais e formais) de reação.
As teorias conflituais da criminalidade, com uma perspectiva macrossociológica, negam o princípio do interesse social e do delito natural, pois afirmam que os interesses comuns a todos os cidadãos não são os protegidos pelo Direito Penal e a realidade social é criada pelo processo de criminalização. Desta forma, a criminalidade e todo o Direito Penal terão sempre natureza política. Esta teoria parte de uma teoria geral da sociedade, onde o modelo de conflito é fundamental e o objeto de sua polêmica era a teoria estrutural-funcionalista, então dominante na sociologia liberal, pois estudavam os sistemas sociais sob o ponto de vista de sua estabilização e conservação, negando a objetividade dos contrastes de classe. As críticas do estrutural-funcionalismo tornam-se um tema central tanto para a sociologia alternativa de inspiração marxista quanto para a sociologia liberal, em especial, na metade dos anos 50, quando iniciam as mudanças nas condições político-econômicas.
Neste sentindo, o crime é visto como um comportamento político e o criminoso como um membro de um grupo minoritário sem a base pública
13 Andrade (1997, p.202) sobre a negação deste princípio destaca que: “...na origem do processo de criminalização primária (gênese da lei penal) e secundária (aplicação da lei penal) não residem interesses fundamentais para uma determinada sociedade ou diretamente para toda sociedade civilizada, mas interesses dos quais são portadores os grupos que detêm o poder.”
suficiente para dominar e controlar o poder de polícia do Estado. O conflito ocorre quando há a concorrência entre os grupos, de forma a eliminarem-se reciprocamente.
Conclusão
O estudo da punição, no âmbito do Estado Democrático de Direito, deve ser realizado através da análise dos princípios constitucionais que norteiam o Direito Penal, sob as seguintes perspectivas: a reflexão sobre os fundamentos e a legitimação do direito de punir, sobre o conteúdo teórico dos princípios constitucionais penais em confronto com sua aplicabilidade concreta e, consequentemente, sobre as críticas a estes referentes.
Os princípios constitucionais reitores do Direito Penal não possuem sua efetiva aplicabilidade devido ao fato do hodierno Estado Democrático de Direito ser um instrumento de controle social utilizado pelos detentores do poder com o objetivo único de se manterem no controle das esferas política e econômica.
De acordo com esta pesquisa, o perfil do preso nas sociedades do capitalismo avançado configura-se por aqueles que estão fora da sociedade de consumo, uma vez que nos encontramos em uma sociedade fortemente influenciada por um sistema globalizado, pela força persuasiva da mídia que, ao impor seus interesses econômicos, provoca um desequilíbrio social, deixando para o controle penal a responsabilidade para resolver tal questão.
Dessume-se, portanto, diante dos aspectos apresentados, que muitas são as complicações acerca da realidade prática em que se insere o Direito Penal. As desigualdades sociais visualizadas geram uma série de desvios na aplicação das leis punitivas, a maioria deles sendo relacionados com a rotulação de criminosos e a seletividade nas punições aplicadas.
Por fim, importante ressaltar que tais dificuldades não invalidam a real importância do estudo e da discussão sobre os aspectos inerentes ao tema proposto, haja vista que tal discussão é fundamental para que ocorra a real efetivação dos Princípios Constitucionais concernentes ao Direito Penal na prática criminal, bem como para que se estimule a criação de políticas públicas maciças direcionadas à mudança da realidade, visando a abolição das desigualdades sociais geradoras das arbitrariedades no sistema penal hodierno e traçando diretrizes que tornem efetivos os princípios constitucionais regentes do direito de punir e conduzam à aplicação justa, proporcional e igualitária da legislação penal.
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Estudo comparativo da
qualidade de vida entre
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pulmonar obstrutiva crônica
e pacientes asmáticos
Eugenia Aires Pereira, Patrícia Rodrigues
Ferreira, Maria Erivânia Alves de Araújo, Sarah
Tarcisia Rebelo Ferreira de Carvalho, Laise
Neves Carvalho
Estudo comparativo da qualidade de vida entre pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica e pacientes asmáticos Comparative study of quality of life among patients with chronic
obstructive pulmonary disease and patients with asthma
Eugenia Aires Pereira1, Patrícia Rodrigues Ferreira2, Maria Erivânia Alves de
Araújo3, Sarah Tarcisia Rebelo Ferreira de Carvalho4, Laise Neves Carvalho5
Resumo
Objetivo: Comparar o nível de qualidade de vida entre pacientes
com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asmáticos. Materiais e métodos: Estudo quantitativo, analítico transversal, realizado em
ambulatório de DPOC e asma em São Luís-MA. Foram incluídos 30 pacientes, de idade superior a 40 anos, de ambos os gêneros, divididos em dois grupos com 15 participantes cada: Grupo DPOC e Grupo Asma. Para coleta de dados, foi aplicado formulário com dados sociodemográficos, clínicos e funcionais e questionário do Hospital Saint George da Doença Respiratória (SGRQ), validado e traduzido para o português. Para análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva e o teste Manny-Whitney, sendo considerado significativo p<0,05. Resultados: Não foi constatada
diferença de idade entre os grupos. Mas houve diferença em relação ao tempo de diagnóstico, gênero, estado civil e atividade física. Em ambos os grupos, detectou-se que todos (100%) faziam uso de medicamentos. Constatou-se que 66,67% dos pacientes do grupo DPOC e 73,3% do grupo asma apresentavam co-morbidades. Quanto à classificação da doença, tanto em relação à DPOC quanto à asma, 93,3% eram do tipo moderada e 6,7% leve. Não houve diferença significativa em nenhum dos domínios do questionário de qualidade de vida entre os grupos. Constatou-se, ainda, que os participantes apresentaram baixos escores em todos os domínios.
Conclusão: Sugere-se que a DPOC e a asma, quando leve ou moderada,
e tratadas adequadamente, não acarretam grandes prejuízos à qualidade de vida dos pacientes.
Palavras-chave: Doença pulmonar obstrutiva crônica; Asma;
Qualidade de vida.
1 Acadêmica do sétimo período do Curso de Fisioterapia da Universidade Ceuma. 2 Professora Mestre dos Cursos de Fisioterapia e Estética da Universidade Ceuma. 3 Professora Mestre do Curso de Fisioterapia da Universidade Ceuma.
4 Professora Doutora dos Cursos de Fisioterapia e Estética da Universidade Ceuma. 5 Professora Mestre do Curso de Fisioterapia da Universidade Ceuma.
Abstract
Objective: To compare the level of quality of life among patients with
chronic obstructive pulmonary disease (COPD) and asthma. Methods: This
is a quantitative, descriptive , analytical study of the type of cross-section performed in an outpatient COPD and asthma care in São Luís-Ma. They were included 30 patients, older than 40 years old, of both genders, divided into two groups with 15 participants each: Group COPD and Asthma Group. For data collection was applied form with sociodemographic, clinical and functional data and questionnaire Saint George’s Respiratory (SGRQ), validated and translated into Portuguese. For data analysis, we used descriptive statistics and the Manny-Whitney test, considering significant p <0.05. Results: There was no difference in age between the groups. But
there was a difference with respect to time of diagnosis, gender, marital status and physical activity. In both groups, it was found that all (100%) were using drugs. It was found that 66.67% of COPD patients and 73.3% of the asthma group had comorbidities. As to the classification of the disease as compared to COPD or asthma, 93.3% were moderate and 6.7% lightweight type. There was no significant difference in any of the questionnaire domains of quality of life between the groups. It was further observed that participants had low scores in all areas. Conclusion: The data suggest that COPD and
asthma, when mild or moderate type, and handled properly, did not cause significant impairment in quality of life of research participants.
Keywords: chronic obstructive pulmonary disease; asthma; Quality
of life
Introdução
Atualmente, a qualidade de vida (QV) pode ser definida de duas maneiras: de forma genérica ou relacionada à saúde. De maneira geral, a definição mais difundida atualmente é a da Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em 1948, definiu saúde como não apenas a ausência de doença ou enfermidade, mas também como bem-estar físico, mental e social. (SOARES et al., 2008).
Atualmente, a expressão Qualidade de Vida Relacionada à Saúde (QVRS) - Health Related Quality of Life está bastante difundida no contexto da avaliação de resultados de ensaios clínicos e na aplicação específica da prática clínica (MINAYO; HARTZ; KIMURA, 2000). Considera-se que o conceito de QVRS é mais amplo quando comparado à definição de QV apresentada pela OMS, pois inclui dentro da percepção de saúde física e mental, outros aspectos como, por exemplo, a capacidade funcional, percepção da saúde, as funções sociais, psicológicas e físicas, bem como