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(1)

2021

10

ª

edição revista atualizada ampliada

LEP

Rogério Sanches Cunha

Doutrina

Jurisprudência

Questões de concurso

Lei de

Execução Penal

(2)

EXECUÇÃO PENAL –

LEI Nº 7.210,

DE 11 DE JULHO DE 1984

`

TÍTULO I – DO OBJETO E DA APLICAÇÃO DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL

Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão

cri-minal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.

Introdução –

Os comentários ao artigo inaugural da LEP nos obrigam a relembrar que

a pena, no Brasil, é polifuncional, isto é, tem tríplice finalidade:

retributiva, preventiva

(geral e especial) e

reeducativa.

Explica Flávio Monteiro de Barros (Direito Penal – Parte

Geral, Ed. Saraiva, p. 435):

a)

a prevenção geral (visa a sociedade) atua antes mesmo da prática de qualquer infração

penal, pois a simples cominação da pena conscientiza a coletividade do valor que o

direito atribui ao bem jurídico tutelado.

b)

a prevenção especial e o caráter retributivo atuam durante a imposição e execução

da pena.

c)

finalmente, o caráter reeducativo atua somente na fase de execução. Nesse momento,

o escopo é não apenas efetivar as disposições da sentença (concretizar a punição e

prevenção), mas, sobretudo, a ressocialização do condenado, isto é, reeducá-lo para

que, no futuro, possa reingressar ao convívio social.

O art. 6º da Resolução 113 do CNJ, em cumprimento ao artigo 1º da Lei nº 7.210/84,

determina: “o juízo da execução deverá, dentre as ações voltadas à integração social do

con-denado e do internado, e para que tenham acesso aos serviços sociais disponíveis, diligenciar

para que sejam expedidos seus documentos pessoais, dentre os quais o CPF, que pode ser

expedido de ofício, com base no artigo 11, V, da Instrução Normativa RFB nº 864, de 25

de julho de 2008”.

A LEP também será aplicada (no que couber) às hipóteses de sentença absolutória

im-própria (execução das medidas de segurança). Não se aplica, porém, nos casos de medidas

socioeducativas (resposta estatal aos atos infracionais), regradas pelo Estatuto da Criança e

do Adolescente (ECA e Lei 12.594/12).

Penas

(LEP) segurança (LEP)Medida de Medida socioeducativa (ECA e Lei 12.594/12)

Em abstrato: prevenção geral

(3)

ATENÇÃO: A lei reserva à autoridade administrativa a decisão sobre pontos secundários da

execução da pena, tais como: horário de sol, cela do preso, alimentação etc. Mesmo nesses casos, resguarda-se sempre o acesso do prejudicado ao judiciário.

e)

Outros dispositivos constitucionais relevantes na aplicação da LEP, relacionados

com a humanidade da pena: artigo 1º, inciso III – dignidade da pessoa humana;

artigo 5º, incisos “XLV – nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo

a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos

da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do

patrimônio transferido” (princípio da intranscendência da pena); “XLVII – não

ha-verá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84,

XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis”;

“XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a

natureza do delito, a idade e o sexo do apenado”; “XLIX – é assegurado aos presos o

respeito à integridade física e moral”; “L – às presidiárias serão asseguradas condições

para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação”.

ATENÇÃO: O Supremo Tribunal Federal decidiu que é lícito ao Poder Judiciário impor à

Admi-nistração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da CF, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes. O (des)respeito aos princípios que regem a execução penal é tema recorrente nos Superiores Tribunais. Ganhou especial destaque recente decisão do STF (ADPF 347) onde os ministros entenderam ter configurado o chamado “estado de coisas inconstitucional” no sistema penitenciário brasileiro. Denominado pela Corte Constitucional da Colômbia, o “estado de coisas inconstitucional” ocorre quando presente violação generalizada e sistémica de direitos fundamentais, inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura, transgressões a exigir a atuação não apenas de um órgão, mas sim de uma pluralidade de autoridades.

Abuso de autoridade –

pune-se no art. 9º, caput, da Lei 13.869/19, decretar medida

de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais. O núcleo

decretar certamente vai despertar divergência. Já conseguimos antever corrente defendendo

que alcançará somente ato do juiz. Ousamos, desde logo, discordar. Para nós, o verbo nuclear

tem o sentido de determinar, decidir, ordenar, não se restringindo à autoridade judiciária.

Quisesse o legislador restringir, teria feito o que fez no parágrafo único, expressamente dirigido

aos membros do Poder Judiciário. Medidas de privação de liberdade, por sua vez, são todas

aquelas, penais e extrapenais, que imponham qualquer limitação ao direito de liberdade das

pessoas, que só podem ser levadas a efeito nas hipóteses legais.

1. ENUNCIADOS DE SÚMULAS DE JURISPRUDÊNCIA

` STF – Súmula vinculante nº 35

A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito policial.

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ArT. 1º |LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984|

2. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

` STF – 794 – Obras emergenciais em presídios: reserva do possível e separação de poderes – 1

É lícito ao Poder Judiciário impor à Administração Pública obrigação de fazer, consistente na pro-moção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da CF, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes (STF – . RE n. 592581-RS, Rel.. Ricardo Lewandowski, j. 13.8.2015).

` STF – 798 – Sistema carcerário: estado de coisas inconstitucional e violação a direito fundamental. O Plenário concluiu o julgamento de medida cautelar em arguição de descumprimento de preceito fundamental em que discutida a configuração do chamado “estado de coisas inconstitucional” relati-vamente ao sistema penitenciário brasileiro. Nessa mesma ação também se debate a adoção de provi-dências estruturais com objetivo de sanar as lesões a preceitos fundamentais sofridas pelos presos em decorrência de ações e omissões dos Poderes da União, dos Estados-Membros e do Distrito Federal. No caso, alegava-se estar configurado o denominado, pela Corte Constitucional da Colômbia, “estado de coisas inconstitucional”, diante da seguinte situação: violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais; inércia ou incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura; transgressões a exigir a atuação não apenas de um órgão, mas sim de uma pluralidade de autoridades. O Plenário anotou que no sistema prisional brasileiro ocorreria violação generalizada de direitos fundamentais dos presos no tocante à dignidade, higidez física e integridade psíquica. As penas privativas de liberdade aplicadas nos presídios converter-se-iam em penas cruéis e desumanas. Nesse contexto, diversos dispositivos constitucionais (artigos 1º, III, 5º, III, XLVII, e, XLVIII, XLIX, LXXIV, e 6º), normas internacionais reconhecedoras dos direitos dos presos (o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, a Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos e Penas Cruéis, Desumanos e Degradantes e a Convenção Americana de Direitos Humanos) e normas infraconstitucionais como a LEP e a LC 79/1994, que criara o Funpen, teriam sido transgredidas. Em relação ao Funpen, os recursos estariam sendo contingenciados pela União, o que impediria a formulação de novas políticas públicas ou a melhoria das existentes e contribuiria para o agravamento do quadro. Destacou que a forte violação dos direitos fundamentais dos presos repercutiria além das respectivas situações subjetivas e produziria mais violência contra a própria sociedade. Os cárceres brasileiros, além de não servirem à ressocialização dos presos, fomentariam o aumento da criminalidade, pois transformariam pequenos delinquentes em “monstros do crime”. A prova da ineficiência do sistema como política de segurança pública estaria nas altas taxas de reincidência. E o reincidente passaria a cometer crimes ainda mais graves. Consignou que a situação seria assustadora: dentro dos presídios, violações sistemáticas de direitos humanos; fora deles, aumento da criminalidade e da insegurança social. Registrou que a responsabilidade por essa situação não poderia ser atribuída a um único e exclusivo poder, mas aos três — Legislativo, Executivo e Judiciário —, e não só os da União, como também os dos Estados-Membros e do Distrito Federal. Ponderou que haveria problemas tanto de formulação e implementação de políticas públicas, quanto de interpretação e aplicação da lei penal. Além disso, faltaria coordenação institucional. A ausência de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias eficazes representaria falha estrutural a gerar tanto a ofensa reiterada dos direitos, quanto a perpetuação e o agravamento da situação. O Poder Judiciário também seria responsável, já que aproximadamente 41% dos presos estariam sob custódia provisória e pesquisas demonstrariam que, quando julgados, a maioria alcançaria a absolvição ou a condenação a penas alternativas. Ademais, a manutenção de elevado número de presos para além do tempo de pena fixado evidenciaria a inadequada assistência judiciária. A violação de direitos fundamentais alcançaria a transgressão à dignidade da pessoa humana e ao próprio mínimo existencial e justificaria a atuação mais assertiva do STF. Assim, caberia à Corte o papel de retirar os demais poderes da inércia, catalisar os debates e novas políticas públicas, coordenar as ações e monitorar os resultados. A intervenção ju-dicial seria reclamada ante a incapacidade demonstrada pelas instituições legislativas e administrativas. Todavia, não se autorizaria o STF a substituir-se ao Legislativo e ao Executivo na consecução de tarefas próprias. O Tribunal deveria superar bloqueios políticos e institucionais sem afastar esses poderes dos processos de formulação e implementação das soluções necessárias. Deveria agir em diálogo com os

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outros poderes e com a sociedade. Não lhe incumbira, no entanto, definir o conteúdo próprio dessas políticas, os detalhes dos meios a serem empregados. Em vez de desprezar as capacidades institucio-nais dos outros poderes, deveria coordená-las, a fim de afastar o estado de inércia e deficiência estatal permanente. Não se trataria de substituição aos demais poderes, e sim de oferecimento de incentivos, parâmetros e objetivos indispensáveis à atuação de cada qual, deixando-lhes o estabelecimento das minúcias para se alcançar o equilíbrio entre respostas efetivas às violações de direitos e as limitações institucionais reveladas. (STF – ADPF 347 nºMC-DF, Rel. Marco Aurélio, 9.9.2015).

` STF – 640 – “Habeas corpus” e direito de detento a visitas

É cabível “habeas corpus” para apreciar toda e qualquer medida que possa, em tese, acarretar cons-trangimento à liberdade de locomoção ou, ainda, agravar as restrições a esse direito. Esse o entendi-mento da Turma ao deferir “habeas corpus” para assegurar a detento em estabelecientendi-mento prisional o direito de receber visitas de seus filhos e enteados (HC nº 107701, Rel. Gilmar Mendes, j. 13.9.2011). ` STJ – “Habeas corpus” e direito de detento a visitas

Não se presta o remédio constitucional do habeas corpus à discussão acerca do direito de visitas íntimas do apenado, pois, neste caso, o que se procura proteger é o direito à intimidade da pessoa humana, sua integridade física e moral, e não seu direito de ir e vir (locomoção).(STJ, Quinta Turma, AgRg no HC 425.115/RN, Rel. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 15/03/2018)

3. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Defensoria Pública – SP – 2013 – FCC) Sobre a relação entre o sistema penal brasileiro contemporâneo

e a Constituição Federal, é correto afirmar que:

a) o princípio constitucional da humanidade das penas encontra ampla efetividade no Brasil, diante da adequação concreta das condições de aprisionamento aos tratados internacionais de direitos humanos. b) o princípio constitucional da legalidade restringe-se à tipificação de condutas como crimes, não

abarcando as faltas disciplinares em execução penal.

c) o estereótipo do criminoso não contribui para o processo de criminalização, pois violaria o princípio constitucional da não discriminação.

d) a seletividade do sistema penal brasileiro, por ser um problema conjuntural, poderia ser resolvida com a aplicação do princípio da igualdade nas ações policiais.

e) o princípio constitucional da intranscendência da pena não é capaz de impedir a estigmatização e práticas violadoras de direitos humanos de familiares de pessoas presas.

02. (Agente Penitenciário – CESPE – 2009 – SEJUS-ES) Em relação à Lei de Execução Penal (LEP), julgue

o item a seguir.

O objetivo da execução penal é efetivar as disposições de decisão criminal condenatória, ainda que não definitiva, de forma a proporcionar condições para a integração social do condenado, do internado e do menor infrator.

GAB 1 E 2 ERRADO

Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território

Nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal.

Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.

Jurisdição –

Todo condenado ficará sujeito à jurisdição comum, isto é, jurisdição

ordi-nária (federal ou estadual).

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ArT. 2º |LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984|

possa plausivelmente levar à revisão da condenação pelo tribunal ao qual competir o julgamento do recurso. Aliás, em regra a apelação contra a decisão dos jurados não tem efeito suspensivo (§ 4º), a não ser que se verifique, cumulativamente, que o recurso não tem propósito meramente protelatório e que levanta questão substancial capaz de provocar absolvição, anulação da senten-ça, novo julgamento ou redução da pena para patamar inferior a quinze anos de reclusão (§ 5º).

Acordo de não persecução penal (art. 28-A CPP) – A Lei 13.964/19 positivou no

CPP o acordo de não persecução (art. 28-A), já previsto

na Res. 181/17 do CNMP. A

Resolução, contudo, teve, em pouco tempo de vigência, sua constitucionalidade questionada

pela AMB (ADI 5790) e pela OAB (ADI 5793). Em resumo, a AMB se insurgiu “Porque a

despeito de agora haver a submissão ao Poder Judiciário do acordo firmado, é inegável que

diante da inexistência de lei dispondo sobre ela, resultará uma insegurança jurídica sem

tama-nho, diante da possibilidade de magistrados recusarem ou aceitarem esses acordos, com base

exclusivamente no fato de a Resolução não poder dispor sobre a matéria sem prévia previsão

legal”. No mesmo sentido a OAB: “O texto fere os princípios de reserva legal, segurança

jurídica, extrapolando também o poder regulamentar conferido ao CNMP”. A violação da

reserva legal, como se percebe, era o grande motivo de irresignação dos críticos. Agora, com

a introdução do instituto no CPP, a crítica desaparece.

Tomado pelo espírito de justiça consensual, compreende-se o acordo de não persecução

penal como sendo o ajuste obrigacional celebrado entre o órgão de acusação e o investigado

(assistido por advogado), devidamente homologado pelo juiz, no qual o indigitado assume sua

responsabilidade, aceitando cumprir, desde logo, condições menos severas do que a sanção

penal aplicável ao fato a ele imputado.

São pressupostos cumulativos do acordo, todos previstos, mesmo que implicitamente,

no caput:

a) existência de procedimento investigatório. b) não ser o caso de arquivamento dos autos.

c) cominada pena mínima inferior a 4 (quatro) anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa.

d) o investigado tiver confessado formal e circunstanciadamente a prática do crime.

Como já alertado acima, compreende-se o acordo de não persecução penal como sendo

o ajuste obrigacional celebrado entre o órgão de acusação e o investigado (assistido por

advo-gado), devidamente homologado pelo juiz, no qual o indigitado assume sua responsabilidade,

aceitando cumprir, desde logo, condições menos severas do que a sanção penal aplicável ao

fato a ele imputado. As condições do acordo, ajustadas cumulativa ou alternativamente, estão

estampadas nos incisos que acompanham o caput do art. 28-A:

I – reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo. II – renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como instrumentos, produto ou proveito do crime.

III – prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período corres-pondente à pena mínima cominada ao delito, diminuída de um a dois terços, em

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local a ser indicado pelo juízo da execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).

IV – pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto--Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito.

V – cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e compatível com a infração penal imputada.

Percebam que nos incisos III e IV temos condições inspiradas em sanções alternativas

tradicionalmente utilizadas pelo juiz criminal para evitar pena de prisão. Deve ser alertado,

contudo, que a natureza dos incisos é de condição para o ANPP, isto é, cláusula que

estabe-lece realização de uma situação ou de uma ação, para que ocorra o negócio jurídico. Não se

trata de sanção penal. Tanto que, se descumprida a condição ajustada, não pode o Ministério

Público executá-la, mas oferecer denúncia e perseguir a devida condenação.

Diante desse quadro, fica fácil perceber o equívoco do legislador ao determinar que a

concretização do acordo se dê no juízo das execuções penais. Erro crasso. Na VEC executa-se

sanção penal. No ANPP não temos sanção penal imposta (e nem poderia, pois impede o

devido processo legal). A sua execução deveria ficar a cargo do Ministério Público (como

determina a Res. 181/17) ou do juízo do conhecimento.

1. INFORMATIVOS DE JURISPRUDÊNCIA

` STF – 875 – Execução provisória da pena

O Plenário admite atualmente a execução provisória da pena a partir de condenação em segundo grau. Mencionou que até este momento há três decisões do Plenário: uma, em “habeas corpus”; uma medida cautelar; e outra, em Plenário Virtual, no sentido dessa possibilidade. (HC 139391/RN, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 29.8.2017.)

` STF – 842 – Execução provisória da pena e trânsito em julgado

Em conclusão de julgamento, o Plenário, por maioria, indeferiu medida cautelar em ações declarató-rias de constitucionalidade e conferiu interpretação conforme à Constituição ao art. 283 do Código de Processo Penal (CPP) (“Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva”). Dessa forma, permitiu a execução provisória da pena após a decisão condena-tória de segundo grau e antes do trânsito em julgado. O Tribunal assentou que a execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, não compromete o princípio constitucional da presunção de inocência afirmado pelo art. 5º, LVII, da Constituição Federal (CF). Esse entendimento não contrasta com o texto do art. 283 do CPP. ` STJ – 597 – Condenação em segunda instância. Execução provisória da pena. Ausência de

esgota-mento da instância ordinária. Ilegalidade.

A possibilidade de execução provisória da pena foi recentemente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento das medidas cautelares nas ADCs 43 e 44. Em outras palavras, está autorizada a execução provisória da pena após o julgamento em segunda instância, ressalvadas as hipóteses em que seja possível a superação do entendimento pela existência de flagrante ilegalidade, seja por meio da concessão de habeas corpus ou atribuindo-se efeito suspensivo a eventual recurso

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ArT. 3º |LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984|

especial ou extraordinário. Contudo, no presente writ, verificou-se que ainda não se encerrou a juris-dição em segunda instância, haja vista que o processo foi baixado à primeira instância para intimação da Defensoria Pública Estadual. Diante desse contexto, na hipótese, não se mostra possível, portanto, a execução provisória da pena, tal como já consignado pelo Supremo Tribunal Federal, sendo manifes-tamente ilegal a determinação de imediata expedição de mandado de prisão pelo Tribunal de origem. (HC 371.870-SP, Rel. Min. Felix Fischer, por unanimidade, julgado em 13/12/2016, DJe 1/2/2017.)

2. QUESTÕES DE CONCURSOS

01. (Defensor Público – MA – 2015 – FCC) A autonomia da execução penal implica a compreensão de que

a) há uma feição jurisdicional da execução da pena e plenitude das garantias constitucionais penais e processuais penais.

b) há um caráter misto de regras administrativas e jurisdicionais e aplicação mitigada das regras cons-titucionais.

c) os incidentes de execução são impulsionados somente pela defesa técnica. (D) há distinção das ativida-des da administração penitenciária e da função jurisdicional ressalvado o procedimento administrativo que apura falta.

e) o título executivo delimita o alcance e os limites da execução em processo em que não há alteração fática.

02. (Procurador da República – MPF – 2014) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:

a) Não obstante evidente conexão entre crimes de competência da Justiça Federal e contravenções penais, compete à Justiça Estadual julgar acusado da contravenção penal, devendo haver desmem-bramento da persecução penal;

b) Pessoa condenada na Justiça Estadual é transferida de presídio estadual para presídio federal. A competência para a execução penal permanece na Justiça Estadual;

c) A competência para julgamento de crimes ambientais é, em regra, da Justiça Federal, com exceção daqueles cometidos em terras indígenas;

d) Segundo a Lei nº 9.613/98, os crimes de lavagem de capitais não têm persecução penal na Justiça Estadual.

03. (IDECAN/2017 – SEJUC-RN – Agente Penitenciário) Segundo a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 –

Lei de Execução Penal, é INCORRETO afirmar que:

a) O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança.

b) A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e propor-cionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.

c) A Lei de Execuções Penais não aplicar-se-á ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.

d) Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.

GAB 1 A 2 A 3 C

Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela

sentença ou pela lei.

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02. (Agente Penitenciário – CESPE – 2009 – SEJUS-ES) Em relação à Lei de Execução Penal (LEP), julgue

o item a seguir.

O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade e restritiva de direitos deve ser submetido a exame criminológico a fim de que sejam obtidos os elementos necessários à adequada classificação e individualização da execução.

GAB 01 ERRADO 02 ERRADO

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade,

obser-vando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá: I – entrevistar pessoas;

II – requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado;

III – realizar outras diligências e exames necessários.

Dados para o exame

 – Andou bem o legislador ao ampliar as possibilidades de obter

dados reveladores da personalidade do preso, verdadeiro estranho aos membros da Comissão.

Quanto mais informações, mais preciso será o seu trabalho.

Como bem observa Mirabete (ob. cit. p. 60):

“Os exames do condenado constituem, como já visto, o estudo científico da cons-tituição, temperamento, caráter, inteligência e aptidão do preso, ou seja, da sua personalidade. Assim, os membros da Comissão Técnica de Classificação devem recolher o maior número de informações a respeito do examinado, não só através de entrevistas e peças de informação do processo, o que restringiria a visão do condenado a certo trecho de sua vida, mas não a ela toda, mas de outras fontes. Por essa razão, concede à lei a possibilidade ao perito de entrevistar pessoas, requisitar de repartições ou estabelecimentos privados dados e informações a respeito do condenado ou realizar outras diligências e exames necessários”.

Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave

contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA – ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.

§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.

§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de proteção de dados gené-ticos, observando as melhores práticas da genética forense.

§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.

§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa.

§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena.

§ 5º (VETADO). § 6º (VETADO).

(10)

ArT. 9º-A |LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEI Nº 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984|

§ 7º (VETADO).

§ 8º Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de iden-tificação do perfil genético.

Redação antes da Lei 13.964/19 Redação depois da Lei 13.964/19 Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado,

dolosa-mente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA – ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.

§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.

§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito ins-taurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.

Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado,

dolosamente, com violência de natureza gra-ve contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigato-riamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA – ácido desoxirri-bonucleico, por técnica adequada e indolor. § 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo.

§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer cons-tar garantias mínimas de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da genética forense.

§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. § 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa.

§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido sub-metido à identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento pri-sional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena.

§§ 5º a 7º (VETADOS).

§ 8º Constitui falta grave a recusa do conde-nado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.” (NR)

Identificação do perfil genético –

Com o advento da lei 12.654/12, passou a ser

obri-gatória para os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza

grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes etiquetados como hediondos, a identificação

do perfil genético, mediante extração de DNA, devendo seguir técnica adequada e indolor.

ATENÇÃO – A Lei n. 13.964/19 ampliou o rol de crimes hediondos previstos na Lei n. 8.072/90.

(11)

típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV, V, VI e VII); b) lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2º) e lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, compa-nheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição; c) roubo com restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso V), com emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I), com emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º-B) e qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º; d) extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte;; e) extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lº, 2º e 3º); f) estupro (art. 213, caput e §§ 1º e 2º); g) estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º); h) epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º); i) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêu-ticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B); j) favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º); k) furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum (art. 155, § 4º-A); l) o genocídio (arts. 1º, 2º e 3º, da Lei 2.889/56); m) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido (art. 16 da Lei 10.826/03); n) comércio ilegal de arma de fogo (art. 17 da Lei 10.826/03); o) tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição (art. 18 da Lei nº 10.826/03); p) organização criminosa, quando direcionada à prática de crime hediondo ou equiparado.

Esta identificação (tratando-se da fase de execução da pena) não serve, necessariamente,

para subsidiar qualquer investigação criminal em curso ou esclarecer dúvida eventualmente

gerada pela identificação civil (ou mesmo datiloscópica), tendo como fim principal abastecer

banco de dados sigiloso, a ser regulamentado pelo Poder Executivo (podendo servir para

investigação futura).

Já a coleta de perfil genético durante a fase de investigação policial obedece às disposições

previstas na Lei n. 12.037/09 que versa sobre a identificação criminal de civis. A lei permite a

extração de material genético, mediante autorização judicial, caso seja essencial à investigação.

ATENÇÃO – Esta Lei (12.037/09), também alterada pelo Pacote Anticrime, agora determina

que a exclusão do perfil genético do banco de dados deve ocorrer em caso de absolvição ou, caso haja condenação, mediante requerimento depois de 20 (vinte) anos do cumprimento da pena (a redação original da lei previa a exclusão ao tempo da prescrição do delito). Outra novidade inserida na Lei pelo Pacote Anticrime foi a criação de um Banco Nacional Multibiométrico e de Impressões Digitais, que prevê a coleta, não só de material genético, mas também de registros biométricos, impressões digitais, de íris, face e voz de presos provisórios e definitivos, bem como de investigados.

Temos, assim, duas situações que permitem a coleta de material genético:

i) identificação genética determinada antes do trânsito em julgado da sentença

conde-natória, seguindo as disposições previstas na Lei n. 12.037/09;

ii) a coleta de material genético dos presos com condenação definitiva por crime doloso

com violência grave contra a pessoa ou por crime hediondo, concretizada quando do

condenado na unidade prisional. O condenado pelos crimes previstos no caput do art.

9º-A que não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do

ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante

o cumprimento da pena (§ 4º).

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