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Um design minimalista, baseado em conceitos simples

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Academic year: 2021

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“Um design minimalista, baseado

em conceitos simples”

Edição 05 | Outubro 2013 | ISSN 2317-9406

publicação Templuz

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Boa leitura, Camilo Belchior

Editorial

Há algum tempo, li um artigo de um dos sociólogos mais conhe-cidos de nossa atualidade, Domenico de Masi que, aos 22 anos, já lecionava na Universidade de Nápoles. Ele dizia que a criativi-dade é, acima de qualquer coisa, a concretização de emoções administradas e técnicas introjetadas. Ou seja, uma característica intrínseca ao ser humano que nos possibilita dar vasão às nossas emoções de forma ordenada, mas sem nos privar da liberdade, do não compromisso com as regras estabelecidas ou mesmo de conceitos já existentes.

O importante talvez seja entendermos que a criatividade não exis-te sem uma fantasia desenfreada, que nos permiexis-te sonhar de olhos abertos, que nos encoraja a ousar caminhos não percorridos e, aci-ma de tudo, superar obstáculos que separam nossos sonhos da sua realização.

A quinta edição da revista iDeia trata exatamente desse tema, fa-lando sobre as várias “mentes criativas” que ousaram em seus ca-minhos. Um exemplo é o personagem da nossa matéria de capa, o designer japonês Oki Sato. Além de ter um trabalho respeitado em vários países, Sato exercita o processo criativo de várias formas, como o trabalho conjunto e continuado com outro designer, o ita-liano Luca Nichetto.

Vamos conhecer um pouco sobre o perfil profissional de pessoas que conseguem ser múltiplas em suas atividades, como o desig-ner e articulador social Jorge Frascara e o arquiteto e desigdesig-ner Ruy Ohtake. Serão apresentadas, ainda, entrevistas com pessoas que lidam com “mentes criativas” no seu dia a dia, como é o caso de Gabrielle Ammann, marchand de uma galeria na Alemanha dedi-cada a designers, e o gestor cultural inglês Ryan Roth, que vive no Japão e é um descobridor de novos talentos criativos.

Conheceremos o trabalho de alguns nomes mineiros, como o dos designers Eraldo Pinheiro e Sergio Savoi; do artista plástico Rigo e do arquiteto Cioli Stancioli, cada um dentro de seu segmento, mas com o mesmo teor elevado de criatividade. Sem contar com a participação de nossos colaboradores, que nos brindam com arti-gos inteligentes e arti-gostosos de ler.

Editor Camilo Belchior Jornalista Responsável: Cilene Impelizieri 5236/MG Jornalistas: Ana Cláudia Ulhôa Danilo Borges Júlia Andrade Thaís Casagrande Projeto gráfico e coordenação gráfica Cláudio Valentin Capa:

Oki Sato e Luca Nichetto Foto: divulgação A revista iDeia é publicação da Templuz e tem veiculação gratuita, não podendo ser vendida. Sua distribuição é feita para um mailing seleto de profissionais das áreas afins ao design e formadores de opinão.

Contato: [email protected] Errata: A matéria “Um arquiteto de teorias”,

veiculada na edição nº4, foi realizada por Danilo Borges em conjunto com Luísa Teixeira.

Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista.

Expediente

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Colaboradores

Lígia Fascioni - Berlim

Engenheira eletricista, especialista em Marketing, mestre em Automação e Controle Industrial e doutora em Gestão do Design. É palestrante, consultora e ministra cursos de pós-graduação nas áreas de marketing, design, inovação e ati-tude profissional. Mora em Berlim desde julho de 2011, onde estuda alemão.

Rita Ribeiro - Brasil

Doutora em Geografia, pesquisadora na área de culturas urbanas e líder do grupo de pesquisa “Design e Representações Sociais” e professora do Programa de Pós-Graduação em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG

Vera Damazio - Brasil

Designer formada pela PUC-Rio, mestre em Design Gráfico pela Boston University e doutora em Ciências Sociais pela UERJ. Professora da PUC-Rio, atua nos programas de Graduação e Pós-Graduação em Design. Coordenadora do projeto “Memória Gráfica Brasileira” (PROCAD/ CAPES) e do Laboratório Design, Memória e Emoção (LABMEMO-PUC-Rio).

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pág.9 pág.8

Artigos

Novos tempos

e o design

de uma nova

velhice

¹

por Vera Damazio

Vivemos tempos de profundas mudanças e o “advento da sociedade pós-industrial” anunciado pelo sociólogo Daniel Bell (1973). A aliança entre conhecimento, tecnolo-gia e criatividade torna-se precioso capital e via expressa à qualidade de vida para todos. Entram em notável alta valores como sentimentos éticos e morais, confiança no próximo, autoexpressão, colaboração, entre outros revelados por estudos em di-versos campos do saber ². A “Felicidade Interna Bruta” e formas imateriais de riqueza ganham espaço na agenda de economistas, como o prêmio Nobel Jeffrey Sachs. Cresce também o reconhecimento de que “somos infelizes quando nos é negado o atendimento de necessidades básicas materiais” e quando “a busca por rendas maiores substitui nosso foco na família, amigos, comunidade, compaixão e equilíbrio interno” ³.

Uma das mudanças mais marcantes em curso é o acelerado envelhecimento da população. A cada segundo, duas pessoas tornam-se sexagenárias. Em 2050, um, em cada cinco habitantes do planeta terá 60 anos ou mais, segundo o relatório “Envelhecimento no Século XXI: Celebração e Desafio”.

Outra mudança importante é a gradual percepção de que, ao contrário de um fardo, o aumento da longevidade é uma das maiores conquistas da humanidade e de que a velhice também é uma fase de ganhos, como o direito de não trabalhar e de viver novas experiências e projetos.

Artigos

Nesse contexto, entram em cena os “novos velhos”, apresentados pela antropóloga Mirian

Gol-denberg no artigo “Bela Velhice” como uma ge-ração que transformou comportamentos, valores, sexualidade, as formas de ser mãe, pai, avô e avó e que: “Continuam cantando, dançando, criando, amando, brincando, trabalhando, transgredindo tabus etc. Não se aposentaram de si mesmos,

recu-saram as regras que os obrigariam a se comportar como velhos. Não se tornaram invisíveis, apagados, infelizes, doentes, deprimidos”. Os novos velhos são diversos, exigentes, surpre-endentes e demandam produtos e serviços que

o Design Emocional, centrado em valores, tem enorme potencial para atender, como buscaremos ilustrar a seguir:

A luminária “Do Scratch Lamp” de Martií Guixé só funciona após o usuário intervir, abrindo

passa-gem para a luz.

1. Agradeço a Mirian Goldenberg e aos integrantes do Laboratório Design Memória e Emoção (LABMEMO) pela valiosa parceria na busca de caminhos para a construção de uma nova e bela velhice. 2. Ler mais no artigo “Some thoughts on post-industrial society and the new roles of emotional de-sign”, nos Anais da 8th International Design and Emotion Conference London 2012. 3. Contraponto do “Produto Interno Bruto”, o FIB foi criado em 1972, pelo então rei do Butão, Jigme Singya Wangchuck, como resposta às críticas de que seu reino crescia miseravelmente e marca um modelo de desenvolvimento centrado na cultura e valores espirituais budistas do país.

Design & Identidade: possibilita o uso individualizado e a autoexpressão.

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Artigos

Os “21 Balanços” de Luc-Alain, Mouna Andraos e Melissa Mongiant instalados em Montreal, produ-ziam melodias que variavam de acordo com a cooperação entre seus usuários. 7

Alpha Sphere, do artista Sha, proporciona

experiência multissensorial de profundo relaxamento.

cortina de banho é um guerreiro verde”, de Elisabeth Buecher, infla pro-gressivamente com o consumo de água e “expulsa” o usuário do banho.

Design & Humor: propicia uma rotina mais divertida e surpreendente.

Design & Bem Estar: promove a transcendência e o equilíbrio mental.

Design & Cidadania: colabora com práticas inclusivas e em prol do bem coletivo

Artigos

Assentos do amor, da empresa Arriva, projetados para incentivar o flerte entre passageiros.

O Movimento “Doe Palavras”, do Instituto Mário Penna, faz chegar mensagens positivas a pacien-tes com câncer através de televisores nas salas de quimioterapia e radioterapia.

Todos conhecemos, somos ou esperamos ser novos velhos em alguns pares ou dezenas de anos. É, por-tanto, urgente e mais do que tempo de contribuir com a construção de um universo muito além das bengalas, fraldas geriátricas, asilos e pictogramas que mascaram a nova e bela face da velhice. Design & Sociabilidade: favorece encontros e o bem viver em uma sociedade plural.

Autoestima: promove ações de respeito e cari-nho; a autoconfiança e a disposição para superar adversidades.

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Artigos

por Ligia Fascioni

CRIATIVIDADE

SEM DONO

— Não repara não, é que eu trabalho com criatividade,

então, não entendo muito esses números...

— Pois é, a área técnica é muito limitada.

Por isso, escolhi trabalhar com criatividade...

— Sabe o que é? Não fico bitolado nesses detalhes

técnicos, porque sou muito criativo, viajo mesmo...

Vivo escutando essas frases de designers, publicitários, ilustradores, artistas plásticos e todos esses profissionais que se convencionou chamar “criativos”. É, praticamente, um consenso: eles são a parte criativa da sociedade. O resto das pessoas é bitolada, um pouco limitada, tem dificul-dade para entender arroubos de inovação. Eu aceitava isso sem questionar muito. Mas, esses dias, ao ouvir pela enésima vez essa fórmula tão pouco criativa, comecei a questioná-la.

De um lado, se colocam os nerds (engenheiros, técnicos, programadores, físicos, matemáticos). Do outro, estão os “criativos” (designers, publicitários, escritores, artistas). Será que a criatividade é mesmo distribuída de maneira assim tão binária no mercado de trabalho?

Vejamos: a primeira coisa que me vem à mente é que os chips eletrônicos são feitos de silício. E silício, em última instância, é um tipo de areia. Físicos, químicos e engenheiros precisaram encontrar maneiras mirabolantes para adestrar essa areia e transformá-la em computadores, telefones celulares e televisores de alta resolu-ção. Como convencer grãos de areia a fazer o que você quer? Como sequer imaginar que grãos de areia sejam tão talentosos? Mais que ser criativo, esse povo precisa, literalmente, tirar leite de pedra…

Olha só o caso dos programadores. É esse povo bizarro que traduz linhas de código escritas em línguas esquisitíssimas no sistema operacional e nos softwares que os criativos usam para desenhar, alterar, distorcer, tratar e animar imagens que antes só viviam numa folha de papel. Existem infinitas maneiras de se escrever um programa – o programador tem que usar toda a sua capacidade criativa para encontrar a melhor solução, usando o mínimo de recursos computacionais. É quase como o trabalho de um escritor. O programador precisa dizer para o computador o que ele tem que fazer (sem dei-xar dúvidas) em um mínimo de palavras muito bem escolhidas.

Achar um erro num programa ou numa placa de circuito impresso é um trabalho de detetive, que exige tanta criatividade quanto um inves-tigador policial. É preciso colher pistas, testar possibilidades, pensar o que ninguém pensou, ser absurdamente original.

Stuttgard - Alemanha Foto: Ligia Fascioni

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Artigos

Artigos

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Física é outro lugar onde a criatividade é essencial para se evoluir. Para mim, a teoria da relatividade é a demonstra-ção mais cabal do pensamento lateral aplicado no seu limite. Vale o mesmo para a matemática.

No caso das telecomunicações, en-tender como funciona a comunicação entre os satélites e as antenas de um mero telefone celular, é de dar dor de cabeça. É necessária muita, mas muita capacidade de abstração. Reunir um volume gigantesco de informações, tentar combinações improváveis, bolar meios de fazer as conexões, tentar caminhos novos, suplantar os infinitos problemas que aparecem no caminho e, mesmo assim, fazer funcionar sob pressão. Isso não é usar a criatividade? Então, o que é?

Não quero, de maneira alguma, defen-der aqui que uma função seja mais ou menos importante que a outra, já que todas se complementam. Também não tem nada a ver com níveis de inteligên-cia, já que o profissional tem que ser muito bom para fazer uma coisa real-mente original, seja que área for. O que gostaria de chamar atenção, é que, às vezes, a gente acaba considerando um trabalho como pouco criativo só porque a não conhece muitos detalhes dele. A criatividade se manifesta sob muitas formas diferentes. Em comum, todas recombinam informações de maneira original para resolver um pro-blema.

1 e 2 - Invervenções em

condomínio em Kreuzberg (próxima da U-Bahn Hallesches Tor) - Berlim

1.

2.

Em minha opinião, a criatividade depende muito mais do profissio-nal do que da profissão. A gente encontra campanhas publicitárias geniais e outras que poderiam ser tudo, menos criativas. Também vê técnicos encontrando soluções, praticamente milagrosas, e outros, que parecem ser desprovidos de cérebro.

Criatividade não tem dono, nem currículo, nem diploma, nem profis-são. Ainda bem.

3 - Invervenção em

Mitte (esquina entre a Breite Strabe e a Mühlendamm) - Berlim Fotos: Ligia Fascioni

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O olho clínico para detectar talentos nas áreas da arte, design e arquitetura fez de

Gabrielle Ammann uma referência para as grandes galerias de arte do mundo. A experiên-cia como designer de interiores e os estudos em história da arte foram alguns dos grandes res-ponsáveis pelo envolvimento da marchand em curadorias de exposições e desenvolvimento de projetos para incentivar novos artistas. Em 2006, Gabrielle chegou a fundar um espaço para a realização de fóruns e apresentação de profis-sionais que estão entrando no mercado. Uma de suas iniciativas mais famosas é o programa de designers emergentes, que revelou nomes como do indiano Satyendra Pakhalé. Acostumada a lidar com mentes criativas de diversas partes do mundo, Gabrielle Ammann contou para a equipe da revista iDeia como identificar trabalhos inovadores, como adminis-trar os interesses das galerias e dos artistas e qual sua opinião sobre o futuro do design.

Revista iDeia: Nos conte um pouco sobre o início da sua carreira. Como foi trabalhar em projetos de design, de curadoria e exposição?

Gabrielle Ammann: Durante cerca de vinte

anos, percorri agências de design e organizei um fórum de artistas, designers e arquitetos para mostrar trabalhos experimentais, através de vários programas e iniciativas. Normalmente, meus projetos não diferenciavam arte, design e arquitetura. Pelo contrário, buscavam objetos e ambientes que encurtavam as fronteiras entre essas áreas. Ajudei vários designers a realizarem seus projetos, e a natureza experimental de muitos deles significa que acabei contribuindo com alguns dos trabalhos mais emblemáticos e inovadores do final do século 20.

Algumas das primeiras iniciativas das quais fiz parte foram o trabalho com o lendário Studio

Entrevistas

Em Busca

de Mentes

Criativas

por Ana Cláudia Ulhôa

Foto: Celso Mellani pág.16

Alchimia e apresentação da coleção Spiritelli, em Munique, em 1990. Fui uma das primeiras pessoas a auxiliar Marc Newson e colaborei com ele em uma de suas primeiras exposições na Europa, a Wormhole, que ocorreu em Milão, em 1992. Tenho uma relação de longa data com Ron Arad, o que foi fundamental para ajudá--lo a realizar muitas de suas exposições iniciais

na Alemanha. A natureza experimental de todos esses projetos significava que eu era uma pioneira na apresentação de coleções artísticas que, eventualmente, evoluiu para a criação de um espaço de galeria permanente em 2006, em Colônia, Alemanha.

Ri: Quais são os parâmetros que você usa para escolher os designers e artistas que estarão em sua galeria? GA: Em primeiro lugar, devo ser cativada e desafiada pela peça. Estou constantemente atraída por obras que possuem uma pesquisa estética intelectual por trás do desenvolvimento do objeto. Para todos os artistas e designers de minha coleção, o processo é tão importante quanto o resultado final. Eu acredito que isso é essencial para que haja uma narrativa e uma filosofia por trás da obra, a fim de diferenciá-la de uma peça puramente funcional.

Ri: Em sua opinião, qual é a relação entre arqui-tetura, arte e design?

GA: A arquitetura é a mãe das artes, todas as outras formas são usadas para enriquecê-la. Mais importante ainda, a arquitetura fornece uma estrutura para obras de arte e design, trans-formando nossa linguagem visual e paisagística. O objeto tridimensional sempre foi fascinante para mim, pois sou muito interessada na forma e em seu diálogo dentro de um espaço. No entanto, a fim de realizar uma peça verdadei-ramente relevante, é importante combinar a arquitetura com arte e design. O design é o cul-minar perfeito dessas disciplinas para um objeto na escala humana. Torna-se um companheiro que interage dentro de seu ambiente.

Ri: Em uma entrevista recente, você disse que tem um interesse especial em arte asiática. Diga-nos, por que essa preferência?

GA: Alguns dos trabalhos mais excitantes e origi-nais que podemos encontrar no mercado atual são provenientes da Ásia. Esta jovem geração de artistas e designers está em busca de sua identidade numa sociedade caracterizada pelo ambiente urbano e pela rápida mutação. De-safiando e rejeitando as tradições de seus ante-passados, bem como questionando os princípios

Entrevistas

Gabrielle Ammann Foto: Alexander Dwyer

Exposição de Zaha Hadid 2007 - Iceberg Foto: galeria Gabrielle Ammann

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Entrevistas

ocidentais de estética, eles estão criando uma nova linguagem visual, que muitas vezes associa arte e design de forma espirituosa e original.

Ri: O tema desta edição da revista iDeia é “Mentes Criativas”. Como lidar com tantos ta-lentos criativos? Como você pode gerenciar os interesses de sua galeria com a criatividade dos profissionais que você escolhe?

GA: Indivíduos criativos, especialmente desig-ners, vêm o mundo de uma maneira diferente. Por isso, é tão gratificante trabalhar com eles. Eu gosto de pessoas e objetos desafiantes. Por possuírem essa característica, meus designers muitas vezes ultrapassam limites de materiais, técnicas e formas. Às vezes, eu preciso de muita paciência, enquanto estou esperando por eles, para descobrir como realizar e aperfeiçoar um trabalho. Mas sempre vale a pena.

Ri: Conte-nos como foi participar da Design Miami Basel 2013.

GA: A Design Miami foi, desde o seu início, uma feira intelectual e séria, por isso atrai colecio-nadores sérios. Esse ano, o evento atingiu um público fantástico e muito maior, porque está-vamos localizados no belo edifício projetado pela dupla de arquitetos Herzog & de Meuron. Foi memorável ver como houve uma grande mistura de galerias internacionais, apresentando os melhores trabalhos que tinham para mostrar. Meu sentimento pessoal é: estamos finalmente chegando ao ponto que pretendíamos.

Ri: Sendo uma curadora de projetos de design, como você percebe a evolução do design hoje?

GA: Estamos em um processo de busca. O que vai se tornar cada vez mais importante é o fato

Entrevistas

das peças de design estar seguindo nossas cren-ças, como no uso de materiais sustentáveis em relação ao meio ambiente, terem uma filosofia narrativa por trás do objeto e um personagem para mostrar. “Originalidade vem de origem”, diz o designer indiano Satyendra Pakhalé, com quem eu trabalho há muitos anos.

Ri: Quais são seus novos projetos? Você pode nos contar um pouco sobre eles?

GA: Fui convidada pela DAAB para editar um livro sobre as tendências atuais do design no mundo. Estou muito animada para começar a trabalhar no meu primeiro livro em setem-bro. Também estou envolvida em um projeto, aqui em Colônia, para o MAK - Museu de Artes Aplicadas de Colônia. Vamos mostrar obras do artista e designer suíço Rolf Sachs, sob o título: Rolf Sachs - Eingemachtes - Typically German? É

muito emocionante ver o projeto em desenvol-vimento e eu também irei realizar uma contribui-ção para o catálogo.

As próximas feiras que vamos participar são a PAD Londres, em outubro, e a Design Miami, em dezembro. Já estou muito curiosa e animada para ver as novas peças que os meus artistas vão mostrar.

Um dos espaços da galeria Gabrielle Ammann - DMB 2013 Foto: galeria Gabrielle Ammann

Exposição do artista Shi Jianmin 2009 Acordeão ‘Dedo de Buda Mãe e Filho’ Foto: galeria Gabrielle Ammann

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Investimento

em Criatividade

por Ana Cláudia Ulhôa, com

colaboração de Danilo Borges

Entrevistas

Com apenas 32 anos, o inglês Ryan Roth já viveu em cidades como Londres, Paris, Bangkok, Sydney, Los Angeles e, agora, Tóquio. O gosto por conhecer as mais diferentes culturas veio da paixão do empresário pela arte. Em cada país por onde passou, Ryan buscou compreender como as obras eram recebidas e como o mercado de arte funcionava, para, em 2009, fundar a Roth Managment.

Atualmente, Ryan Roth e sua equipe oferecem serviços como consultoria, gestão de fundos de arte, alocação de ativos e investimentos, licen-ciamento e projetos de curadoria. Entre os nomes revelados pela empresa estão Minjae Lee, Choi Jeong Hwa e Makoto Ainda.

Atraído pela ideia de encorajar pessoas que não possuem apoio para construir uma carreira, o empresário conta para nossa equipe como é tra-balhar com mentes criativas e como estimulá-las.

Revista iDeia: Ryan, como você começou sua vida profissional? O que te levou a trabalhar com a arte contemporânea?

Ryan Roth: Eu diria que tudo começou quando

me mudei para a França, alguns anos atrás. Mi-nha namorada, na época, era uma artista excep-cional, cujo trabalho me cativava muito. Observar suas obras me deixava extremamente engajado, focado e, ao mesmo tempo, perdido.

Durante o tempo que passei ao lado dela, co-mecei a perceber quão importante era a arte e quão subjetiva ela pode ser.

Como eu, na época, estudava psicologia na uni-versidade, isso realmente mexeu comigo. Mas a arte, para mim, era uma paixão. Eu nunca havia, até então, pensado nela como um negócio. Mas comecei a negociar eventualmente.

Entrevistas

Busquei entender como as galerias funcionavam e percebi que, em geral, a arte poderia ser muito mais apreciada por uma cultura, do que por outra. Dessa forma, comecei a viver em diferentes países para entender a cultura de cada um. Enquanto morei nesses lugares, comecei a pesquisar as diferentes formas, como as galerias representavam os artistas e percebi que existia muita corrupção, assédio aos artistas, roubo e um, inacreditável controle sobre esses profissionais. Então, um dia, tive um insight e passei a enxergar um modelo de negócios. Ao invés de simples-mente vender uma obra de arte, lancei a Roth Managment.

Ri: Como você percebe a relação entre arte e design?

RR: Eu acredito que exista uma conexão intrínseca entre ambos, na qual qualquer coisa pode ser definida como arte. A sopa de Andy Warhol (re-ferência à obra Campbell´s Soup Can, de 1962), realmente, mostrou isso ao mundo.

Creio que há muitos designers que pensam muito na imagem e não na funcionalidade das peças. Poucos conseguiram fazer essa mistura da forma correta. Há artistas cujos trabalhos não só são bonitos, como funcionais, o que gera melhorias nos produtos que estão desen-volvendo. E pensar em algo que é aperfeiçoa-do com frequência é ótimo. Mal posso esperar para ver produtos especialmente desenvolvidos para um indivíduo.

Quando olhamos para o vestuário, por exem-plo, há várias opções de tamanho, mas isso não é tão comum quando falamos de produtos. Im-pressoras 3D e peças personalizadas parecem ser a melhor solução para o futuro.

Ri: Como é trabalhar com pessoas com tanta criatividade?

RR: É maravilhoso. Também sou criativo e irei, finalmente, trabalhar em minha primeira obra de arte em Londres, entre 2014 e 2015. Então, entendo o mundo dos artistas. Mas parece que tenho uma mente mais voltada para o lado dos negócios / marketing / relações públicas. Se não fosse criativo, acho que as coisas seriam mais difíceis. Mas, entendo uma coisa que muitos não compreendem: não se pode forçar a criatividade, apenas guiá-la e encorajá-la. Às vezes, alguns artistas com os quais trabalho per-guntam minha opinião e eu digo: “O que você acha?”. Às vezes, falo o que acho e explico por que seguir esta ou aquela direção pode ser uma boa ideia. Mas nunca tento forçar minhas opiniões no trabalho deles.

Tenho muita sorte de trabalhar com pessoas que possuem talentos fantásticos. Minjae Lee, por exemplo, acaba de ser capa da mais re-cente edição da “Art Business News”, que listou os 50 maiores artistas com menos de 30 anos. Estar na capa já é uma satisfação para qual-quer artista, mas é difícil expressar o quanto eu e Minjae Lee estamos honrados e agradecidos por ele ter aparecido naquela edição. Resumin-do, é um prazer.

Ri: Quais são os parâmetros que determinam a escolha dos artistas que estarão representados comercialmente por sua empresa?

RR: Vejo o trabalho de um artista que me surpreende e então, começo a pensar como sua obra seria recebida em diferentes países. Também me pergunto: É representado por uma galeria? Ele irá me ouvir enquanto explico o que faço? Recebo boas vibrações dele? Ele está focado no trabalho ou tem outras prioridades?

Ryan Roth Foto: divulgação

Transeuntes, Colton Haynes - Jaeyeol Han Foto: divulgação

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Entrevistas

São, portanto, muitos fatores que determinam minha vontade de trabalhar com alguém. Algumas vezes, pos-so levar meses para decidir; em outras, só uma tarde.

Ri: Depois de ter vivido em vários países e de ter entrado em contato com tantas culturas diferentes, você acha que existe algum padrão de design e arte que é comum a todas essas culturas?

RR: O único padrão é que todas as culturas têm arte e pensam sobre o design. Política, geografia, guerra, histó-ria, clima, sexo, relacionamentos ou, você pode simples-mente dizer, a vida. A vida e as diferentes experiências que temos moldam a nossa apreciação artística.

Ri: Criatividade é um elemento importante em seu traba-lho, você lida diariamente com pessoas criativas. Você acredita que essa é uma característica natural ou pode ser moldada ao longo do tempo?

RR: Somos todos criativos. Mas saber até que ponto cada um pode ser criativo, é muito subjetivo. Eu acredito que você pode ser treinado, incentivado e apoiado a ser cada vez mais criativo. É claro que, se uma pessoa escuta de maneira contínua que não tem talento, 99,9% das que poderiam ter se transformado em alguns dos maiores artistas do mundo, vão desaparecer no esqueci-mento e nunca mais vão criar novamente.

Essa é uma das razões pelas quais eu comecei a empre-sa, para incentivar jovens talentos, para apoiá-los.

Ri: Como é o investimento no mercado internacional em criatividade (arte)?

RR: As pessoas não costumam investir no mundo criativo.

Ri: Em que projetos você está trabalhando atualmente? RR: Estamos trabalhando na criação de departamentos de design de interiores, fotografia e design industrial. Cada divisão será dirigida por um gestor específico e nós só vamos lançá-las, de fato, quando encontrarmos as pessoas certas para comandá-las. Não administrarei pessoalmente esses setores e preciso me sentir 100% confortável com as pessoas que estarão trabalhando comigo e representando a empresa.

Também lançaremos uma marca de roupa, controlada pela Roth Management. Investiremos em produtos de edição limitada, produzidos por artistas com os quais trabalhamos.

Ri: Você tem planos de desenvolver projetos no Brasil?

RR: Sim. O Brasil é um país que sempre quis visitar e, assim que concluir alguns projetos que estão em andamento, irei em busca de um espaço para a galeria.

Ri: Você tem contato com a arte e o design brasi-leiros? Qual sua impressão de ambos?

RR: Me encanta. O Brasil está numa posição única e espero que consiga diversificar sua economia e focar na fusão entre natureza, paisagem urba-na e design. Alguns dos projetos arquitetônicos mais belos do mundo estão no Brasil, com hotéis e casas particulares cercadas pela natureza. Há algumas construções realmente admiráveis. A cultura e a arte brasileiras, para mim, estão muito ligadas a cores vibrantes, vida, espírito livre e diversão. Também estou ansioso para ver se o Paulinho (jogador brasileiro recém-contratado pelo clube inglês Tottenham) trará um pouco da arte brasileira para o White Hart Lane (estádio do clube).

Outro projeto que estamos desenvolvendo é o programa de estágio para artistas. No momento, estamos procurando pessoas que possuam uma segunda casa ou um local para acomodar jovens artistas durante um período de 3 a 6 meses. Ainda serei curador da Fundação TJ Martel, em Santa Mônica (EUA), e participarei do Festival de Cinema de Catalina, na costa de Los Angeles, um evento fantástico, do qual me orgulho de ter feito parte da diretoria fundadora.

Também faço parte de um estúdio de produção de documentários, que será lançado mais para frente, no qual tenho participação de 33%. Nosso foco serão as agências de notícias e a mídia em geral. Temos algumas produções bastante interes-santes para serem lançadas, e os diretores com os quais estamos trabalhando têm ganhado diversos prêmios.

Por fim, estou me dedicando ao lançamento de uma companhia de turismo, que tem tido um suporte muito grande das autoridades do setor.

Entrevistas

Artistas representados pela Roth Management Fotos: divulgação Minjae Lee Satoshi Komatsubara ROBBBB Jaeyol Han

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Persona

Sem Medo

de Ousar

por Thaís Casagrande

Há dez anos no mercado, Cioli Stancioli acredita que se interessou pela carreira de arquiteto e design de interio-res por se considerar uma pessoa altamente influenciada

e estimulada pelo entorno. “Gosto de tudo, de todas as formas de arte, música, cores, design, natureza, moda e, especialmente de pessoas. A arquitetura e o design ampliam meu horizonte e me permitem trabalhar com muitos dos universos que aprecio, e, portanto, me

com-pletam bastante”, conta.

Telas do Artista

Fotos: Fábio Cançado e Marcos Anthony pág.25

Cioli Stancioli Foto: Ludimila Loureiro

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pág.26

Persona

Ele afirma que não sofreu influência direta de familiares ou de outros arquitetos para a escolha da profissão, “embora eu segura-mente admire o trabalho de muitos profis-sionais, icônicos ou não, na área de design

e arquitetura”, diz. Entre eles, o arquiteto Rosembaum, que possui um universo rico e amplo em projetos, assim como Zaha Hadid, que quebrou muitos paradigmas. Já na moda - outro ramo considerado inspirador para o arquiteto - Cioli aprecia o trabalho de Alexander McQueen, pela força

emocio-nal de suas coleções. Quanto ao uso de conceitos e temas em

seus projetos, Cioli deixa claro que tudo depende do uso a ser feito, “nem sempre utilizo um, mas, harmonizar o projeto como um todo é sempre importante”. E, se o as-sunto for inspirações para criar, “sem dúvida

o cotidiano já oferece material muito rico; as viagens sempre ampliam o universo;

ima-gens gráficas e livrarias. “Observo muito os

detalhes”. Às vezes, uma embalagem ou um tipo de costura já me inspiram”.

O arquiteto trabalha com ambientes corpo-rativos, comerciais e residenciais e, na hora de criar, o uso do espaço norteia o traba-lho. “Aprecio muito uma primeira conversa com o cliente, onde gosto de fazer muitas anotações, conhecer os gostos e até a idealização que faz do projeto final. O meu processo é sempre baseado em croquis e perspectivas a mão. Os desenhos são sempre o meu ponto de partida” explica. Segundo Cioli, já durante o processo dos desenhos inicia-se também um estudo de cores, texturas, tecidos e outros materiais disponíveis, incluindo a possibilidade de uti-lizar a customização, quando couber, para individualizar os projetos.

Além de arquiteto, Cioli desenvolve um inte-ressante trabalho como designer. Para fazer seus projetos ainda mais completos, ele

Persona

O processo de criação do arquiteto Cioli compreende duas fases:

1. Na criação são produzidos

sketchs para uma primeira apresentação ao cliente.

2. Após, definido com o

cliente todas as informações, são produzidas imagens em 3D, com uma realidade virtual primorosa.

Foto da obra pronta Foto: Ludimila Loureiro

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pág.29 pág.28

Quando as pessoas tem a criatividade como componente nato de sua personalidade, os sentidos e a sua percepção ficam alerta 24h por dia. Cioli percebeu a possibilidade de exercitar este processo em seu próprio escritório, quando conseguiu enxergar que um sofá velho poderia se transformar em uma das peças mais chamativas da sua sala de trabalho.

Persona

cria móveis e até mesmo ladrilhos hidráuli-cos exclusivos para cada tipo de ambiente. “Gosto de observar o universo ao meu redor e dele tirar inspirações. Outro dia, vi, no trânsito, uma mulher com uma blusa de tons harmônicos e belíssimos e, a partir daquelas cores, criei uma casa inteira. Também já

de-senhei um novo ladrilho hidráulico baseado na roda de um carro. Não sigo um padrão”. Para os móveis, Cioli procura sempre reapro-veitar peças antigas e repaginá-las, criando

um ar vintage e cool ao mesmo tempo. “Quando vejo um móvel rico de história e

es-tilo busco mantê-lo no ambiente, com uma nova cara. Faço pesquisas sobre a época em que ele foi criado e qual o tecido ideal para forrá-lo (no caso de sofás) e analiso se vale a pena reformar, se a estrutura conti-nua boa para mantê-lo.” Visualmente, Cioli idealiza móveis mais finos e com aparência de frágeis, proporcionando leveza para o ambiente. “A mobília mais refinada e projetada com delicadeza pode contrastar com os mais diversos projetos. Fujo do bruto, do grosso, com cores fortes e vibrantes, sem medo de provar um novo que já foi velho”.

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Se pudesse definir com uma só palavra qual a marca registrada de seu trabalho, ele não pensa duas vezes: “Ousadia. Não tenho medo de ousar - seja em cores, objetos ou materiais, todas as misturas podem ser harmonizadas e são bem vindas”, enfatiza. Em seus projetos, as matérias-primas mais utilizadas são madeira, vidro, concreto, aço, tecidos, papéis, ladrilhos, cobogós, “para mim, o céu é o limite!” conta. Se for para escolher um único projeto que considera um marco em sua carreira, Cioli avalia cada um deles como únicos e, pequenos ou grandes, sempre importantes. “Embora eu ainda tenha muito chão a

per-correr, não coloco projetos como um mar-co”. Quanto às mostras, o arquiteto destaca

a Mostra Líder e a Casa Cor. E, em se tratando de uma mente altamente

criativa, já para 2014, Cioli espera ampliar mais a área de Design de Produtos em seu escritório, “como gosto muito de desenhar, crio muitas linhas de ladrilhos hidráulicos, papéis e mobiliário. Gostaria muito de me dedicar mais a isso no futuro”.

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Foto: Ludimila Loureiro

A fotografia detalhada do sofá: Carol Reis O sofá: Ângelo Brum estofados Iluminação: Templuz Quadros e adornos: Vênica Casa.

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Persona

A Ferro

e Fogo

por Júlia Andrade

Artista Plástico mineiro mostra

a leveza e liberdade dos

movimentos

Muitos perguntam de onde vem a inspiração dos artistas, pintores, designers. Mas, poucos sabem responder a esta pergunta. Este é o caso de Rigo, artista plástico mineiro, autodidata, que começou, por acaso, a criar peças de ferro.

“Meu laboratório é minha banca de solda e giz. Tudo co-meça com rabiscos e vai tomando forma” explica Rigo. Sua história com a arte começou em 1998. Logo após fechar sua pequena indústria metalúrgica, ele foi convi-dado, pela artista plástica Angela Maciel, a compor uma exposição que ela faria de peças de cerâmica. Assim, o que seria uma contribuição, com suportes de ferro para as peças, acabou tornando-se uma mostra conjunta, com obras de ambos os autores.

Rigo enquanto trabalha em seu ateliê. É possível ver a tatuagem “A Chama”, símbolo de sua família que virou escultura.

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A partir daí, o autodidata começou a pro-duzir esculturas de parede, mesa e chão, utilizando o aço corten oxidado, ou pintado, e o aço inox. As obras, que misturam simpli-cidade e leveza com a complexidade de formas, podem ser encontradas em diversas praças de Belo Horizonte. Rigo explica que seu objetivo é surpreender, criar novidades que agradem aos olhos e acelerem o co-ração “Para mim, o design é isso: criar uma forma bonita, que saia do lugar comum, da mesmice”.

O reconhecimento veio pelo inusitado e pela exclusividade. Todos os desenhos têm produções limitadas, sendo produzidas, no máximo, cinco peças de cada modelo. Ain-da assim, Rigo explica que nenhuma é igual à outra e, geralmente, o que acaba sendo produzido são releituras das originais. “As coisas precisam ser livres. Elas tomam forma durante a produção, que pode começar com determinada ideia, mas, no decorrer da montagem, criamos uma coisa nova” conta.

O artista, que confessa ter sentido medo no começo, hoje fala com tranqüilidade e orgulho de seu trabalho. “Quando comecei, ficava com medo de não agradar. O cliente

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pedia a peça e eu temia não cumprir as expectativas. Hoje, sou totalmente realizado! Quero continuar assim sempre, tenho muito orgulho da minha profissão”.

A chama

No começo, trabalhando sozinho, Rigo passada entre 12h e 14h, por dia, em seu atelier. Apesar do aumento das deman-das - que vem de todo o país através de seu site, e das mostras que participa – hoje, ele trabalha menos e conta com a ajuda dos filhos para atender as demandas. “A entrada deles aconteceu de forma natural” explica. Gabriel, filho do meio, participa na produção das peças. A caçula, Ananda, é

responsável pelo marketing e contatos do atelier, e o filho mais velho, Emilio, é a parte de interface do trabalho, cuidado de site, fotos e visual de produtos para divulgação. Com uma tatuagem no braço que chama a atenção, Rigo conta que todos os filhos têm o mesmo desenho tatuado, cada um em um local do corpo. “A chama representa a ligação da família, a chama que existe entre eu e meus filhos”. Inclusive, em 2011, sua escultura intitulada “A Chama”, com formas semelhantes à da tatuagem, passou a fazer parte do acervo público de obras de arte, de Belo Horizonte. Assim como outras peças, está exposta, em caráter permanente, na cidade.

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Foto mostra um corrimão criado por Rigo. A linha de peças faz muito sucesso e é feita sob encomenda. Foto: Emilio Sant’Anna Mostra Morar Mais por menos 2013

1. Escultura da série “Potes”

Foto: Emílio Sant’Anna

2. Escultura da série

“Casulos”

Foto: Emílio Sant’Anna

3. Escultura “A Chama”

Foto: Emílio Sant’Anna

4. Escultura ambientada

Foto: Emílio Sant’Anna - Mostra Morar Mais por Menos 2013

5. Rigo trabalhando

em seu Ateliê. Foto: Afonso Hatem

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4. 5.

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Perfil

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Perfil

O Design Social

de Jorge Frascara

por Ana Cláudia Ulhôa

Folhetos para ensinar pessoas a administrar seus remédios; campanhas para incentivar uma alimentação mais saudável entre estu-dantes universitários e desenvolvimento de formulários para melhorar a comunicação dentro de hospitais. Quem olha essa lista de projetos pode não imaginar, mas ela faz par-te do currículo de um designer, o argentino Jorge Frascara.

Envolvido com a ideia de que os projetos de design podem, e devem, contribuir para o exercício da responsabilidade social e para um processo de mudança comportamental, Frascara se tornou referência em

Design Social.

Formado em artes plásticas e desenho industrial, Jorge só começou a desenvolver trabalhos, como os citados acima, depois de 12 anos atuando como designer de informação. Nessa época, ele se dedicou à pesquisa sobre a compreensão dos símbolos gráficos usados em informações públicas. Aproveitando o conhecimento acumulado, Jorge resolveu aplicá-lo na resolução de problemas sociais. “Decidi mudar meu foco profissional, deixando de me concentrar nas informações do design, para me dedicar aos problemas de comunicação de massa em relação às graves questões sociais”, esclarece.

Entre os projetos mais conhecidos de Frasca-ra está o de seguFrasca-rança rodoviária, realizado em parceria com a Canadian Mounted Police, Ministério da Saúde, Ministério dos Transportes, e outras organizações do gover-no canadense, para a promoção de uma cultura de segurança nas estradas de todo o país.

Para a elaboração do projeto, foram realiza-das inúmeras pesquisas sobre as causas mais comuns de acidentes, grupos mais atingi-dos, além dos dias e locais mais propícios a batidas, capotagens de carros, entre outros. Logo depois, uma equipe de publicitários se encarregou de produzir campanhas, que foram analisadas pelo designer e seus companheiros de escritório. De acordo com Jorge, o resultado foi uma redução de 19% no número de mortes por acidentes, só no ano de 2007.

Para realizar esse tipo de trabalho, o desig-ner explica que o primeiro passo é discutir as necessidades e objetivos do cliente, para, em seguida, começar um estudo aprofunda-do de seu público. Nesse momento, a

Frascara Noël Design della Comunicazio-ne Visiva conversa, entrevista e observa os

usuários do produto final, com o intuito de compreender as necessidades, desejos, limi-Jorge Frascara

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Perfil

tes e possibilidades desse grupo. A partir daí, são definidos os objetivos que vão orientar a elaboração do projeto.

A experiência adquirida por Frascara no setor social fez com que ele fosse convida-do para participar de eventos de destaque internacional, como os elaborados pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Acredito que meu trabalho mais importante foi a organização de uma conferência em Nairóbi, no Quênia, em 1987. Ela se chama-va ‘Design Gráfico para o Desenvolvimento’ e foi financiada pela UNESCO. Também organizei vários projetos internacionais, em sua grande parte dentro das escolas de design, que asseguravam a participação de países em desenvolvimento para melhorar a capacidade de se manterem”, comenta.

Visão crítica

Além de ministrar palestras e cursos por todo o mundo, Jorge Frascara ocupou também os cargos de professor emérito da Universi-dade de Alberta, membro da SocieUniversi-dade dos Designers Gráficos do Canadá, assessor da Organização Internacional de Normaliza-ção (ISO) e membro do Conselho Canadian Standards em princípios de design para a compreensão, posicionamento e tamanho dos símbolos gráficos em grandes espaços públicos.

Devido ao contato com tantas culturas dife-rentes, o profissional revela uma visão crítica

Perfil

sobre a prática do design na Europa, nos Estados Unidos e América Latina. “O desen-volvimento do design na Europa mostra dife-renças notáveis. Por exemplo, a Alemanha, Inglaterra e os países escandinavos têm uma abordagem muito pragmática e funcional, sem descuidar da estética. A Holanda tende para as inovações. Já a Suíça é tradicional. A Itália está preocupada,principalmente, com estilo. Na França, o design gráfico ainda tem forte componente artístico. Na América do Norte há grande diversidade de pessoas interessadas em design de moda e alguns pragmáticos, preocupados com a função social do design. Já na América Latina existem indivíduos muito capazes mas, infelizmente, ainda possuem pouca cultura de design”, afirma.

Há 36 anos longe de seu país de origem, o designer também mostra um olhar pessimis-ta em relação à produção argentina. “Nos últimos anos, fui apenas visitar a Argentina. Minha perspectiva em relação a ela ainda não está bem definida. Sou muito amigo de Ronald Shakespear, cujo trabalho é de pri-meira classe, mas a educação é um ponto fraco, em geral e, consequentemente, a maior parte da produção não é interessan-te”, completa.

1. Catálogo da exposição,

“Letras Latinas”. Projeto: Jorge Frascara & Guillermina Noël

2. Jorge Frascara: design de

comunicação. Cubra design: Lorenzo Shakespear

3. Jorge Frascara:

O poder da imagem. Cubra design: Lançamentos infinitos

1.

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Momentos

escondidos no

cotidiano

por Danilo Borges

Em 2008, o designer de moda japonês, Issey Miyake, pediu ao arquiteto e designer Oki Sato que encon-trasse uma utilidade para o papel plissado que so-brara da produção de tecidos fabricados para uma das coleções do estilista. Sato analisou o material, que normalmente era descartado, e chegou a uma solução: agrupar o material em um grande rolo, cortá-lo verticalmente da metade superior até o centro e descascar camada por camada. A resina presente no papel garantia a resistência necessária, dispensando a necessidade de pregos ou qualquer estrutura interna de sustentação. Nascia a “cadeira repolho”, uma das criações mais conhecidas do Estúdio Nendo, comandado por Sato.

Com soluções simples e traços minimalistas,

a Nendo desponta como um dos mais

influentes escritórios de design do mundo

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Oki Sato

Foto: divulgação

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A simplicidade da ideia que norteou o projeto não é a exceção, mas sim a regra na Nendo, que atualmente, conta com cerca de 30 profissionais, entre arquitetos e designers de diversas áreas. Um design mi-nimalista, baseado em conceitos simples, é a principal marca do escritório, que nasceu em 2002, depois que Sato e um grupo de amigos – todos recém-graduados em

arqui-tetura pela Universidade japonesa de Wa-seda – decidiram visitar o Salão de Móveis

de Milão, um dos mais esperados eventos de design do mundo. Encantado com a liberdade, flexibilidade e fluidez das criações que encontrou, o arquiteto decidiu que era assim que gostaria de trabalhar. Não por acaso, escolheu o nome Nendo, que, em

japonês, significa argila, uma massa fluida, que pode ser modelada e remodelada. Ao falar de suas fontes de inspiração, Sato acaba frustrando quem espera uma grande revelação. Seus produtos não surgem de viagens a lugares remotos, de espécies exó-ticas de plantas ou de complexas lucubra-ções teóricas. Sua criatividade emerge de situações as mais cotidianas possíveis. O que importa são os pequenos momentos “escon-didos” no dia a dia, os quais, segundo ele, revelam as partes mais interessantes da vida. “Nosso objetivo é reconstruir o cotidiano através da captura e remodelagem de coi-sas que são facilmente perceptíveis para nós e, portanto, fáceis de entender”, explica.

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Momentos solitários em cafés, restaurantes e passeios pela vizinhança (atividades que ele afirma serem frequentes) podem render inspirações que se materializam em objetos surpreendentes. A Hanabi Lamp, por exem-plo, surgiu de um copo de chá gelado. Ao observar os movimentos e escutar os sons que o gelo fazia ao derreter, Sato pensou em desenvolver uma luminária que mudas-se de formato conforme a temperatura. Lembrou-se de uma liga metálica sensível ao calor e capaz de memorizar um formato. Projetou, então, um bocal comum, rodea-do por finas hastes de metal. Ao ser ligada, a lâmpada incandescente esquentaria o material, fazendo com que ele se abrisse, afastando-se do centro, como se a luminária estivesse florescendo.

Traços minimalistas são outra marca da Nendo. Segundo Sato, atualmente as

pes-1 - Imagem Cadeira Repolho

Foto: divulgação

1.

2 - Linha de luminárias Nuno desenvolvidas

para a empresa espanhola Vibia. Foto: divulgação

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mais clientes e tornou-se referência mundial em design. Em pouco mais de dez anos de atuação, Sato, hoje com 35 anos, já colecio-na prêmios – incluindo o de melhor designer de 2012, concedido pela revista Elle Decor – e possui peças em exposição permanente em 12 museus ao redor do mundo, além de participar frequentemente de mostras temporárias.

Mas, o sucesso parece não interferir no foco do trabalho realizado no estúdio. “ganhar prêmios é sempre uma grande honra. Porém, isso não é o mais importante. Nosso objetivo principal é continuar desenvolven-do, da melhor maneira possível, os projetos nos quais estamos envolvidos, tentando sempre nos superar a cada trabalho concluído”, garante.

3 - Instalação Stonegarden

Foto: divulgação

3.

4 - Produtos Nichetto + Nendo

Foto: divulgação

4.

soas estão mais interessadas em pequenas histórias e, por isso, seu design é baseado em formas mínimas, que expressam narrativas curtas, sempre com um leve tom de humor, para não tornar as criações “frias”. Seja num projeto arquitetônico ou no desenvol-vimento de um produto, a simplicidade e praticidade estão sempre presentes. “Como arquiteto, aprendi que não se desenha uma linha sem ter alguma razão para isso. Minhas experiências profissionais, além de muito do que eu trouxe da academia, são responsá-veis pela forma minimalista como penso e, consequentemente, isso se reflete no design que fazemos na Nendo, ou seja, tudo muito simples”.

Capaz de extrair soluções inovadoras do co-tidiano, a Nendo tem conquistado cada vez

Atualmente, Sato e sua equipe trabalham simultaneamente em mais de 200 projetos, nas mais diversas áreas do design. O arqui-teto diz participar de todos diretamente, sobretudo nas primeiras etapas do processo criativo. Mas, ao ser questionado sobre a opção de trabalhar sozinho, ele é enfático: “É impossível trabalhar sozinho! Principalmen-te no design, que é uma profissão multidis-ciplinar, ter auxílio de outros profissionais do design e de outras áreas é imprescindível”. De acordo com Sato, as próximas novida-des deverão ser apresentadas no início de 2014. Enquanto isso, o designer destaca dois projetos importantes realizados este ano: a instalação Stonegarden e a parceria de criação colaborativa com Luca Nichetto.

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A primeira, encomendada pela fabricante de superfícies de quartzo Caesarstone, foi inspirada nos jardins de pedras japoneses. Sato criou clusters de mesas com apenas uma perna, as quais se mantinham de pé graças à sobreposição. A instalação foi montada na última edição da Semana de Design de Milão. “A ideia era ter uma estru-tura que pudesse se moldar livremente, de acordo com o espaço disponível” conta. Um processo criativo conjunto, cujo resulta-do não pode ser atribuíresulta-do a nenhuma das partes. Assim foi o projeto que Sato desen-volveu com o designer italiano Luca Nichet-to. Inspirados num gênero de poesia japone-sa, conhecido como kami no ku / schimo no ku – em que um poeta escreve as primeiras linhas e outro completa a poesia – ambos compartilharam ideias, esboços e concei-tos. De um intenso vai-e-vem de rascunhos e propostas, surgiram sete objetos, que foram reunidos na mostra Nichetto=Nendo, também exposta na Semana de Design de Milão. “Foi um trabalho muito interessante. Uma abordagem criativa na qual um inicia o projeto e o outro o termina. Cada um com sua forma de pensar e interpretar as coisas. Desenvolvemos, ao todo, sete produtos, para os quais não havia regras, apenas a intuição” conclui.

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5 - Coleção de mobiliário “Splinter” (lasca em português), desenhada para a empresa

japo-nesa Conde House. A linha é composta por cadeiras, cabideiro, espelhos verticais e mesas de café, todos confeccionados a partir de pedaços de madeira que, em algum momento, se dividem em duas ou mais seções, como acontece na natureza com os gravetos.

Foto: Yoneo Kawabe

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Projetos

Hotel

Ouro Minas

O Barroco Mineiro de Luxo

por Thaís Casagrande

Símbolo do luxo e da aristocracia mineira, o Hotel Ouro Minas perpetua-se como o único que ofe-rece um serviço cinco estrelas em Belo Horizonte. Por tratar-se de um local que recebe de delega-ções de futebol a príncipes e nobres, passando por grandes empresários de multinacionais, há uma necessidade em se manter com o mais alto padrão de qualidade e sofisticação, sendo necessárias constantes reformas e adaptações para garantir, aos hóspedes, o extremo conforto. O projeto de reforma,dos arquitetos Paulo Ro-berto Meireles do Nascimento e Eraldo Pinheiro, teve como principal norte a singela combinação entre o barroco mineiro e o europeu, com a finalidade de internacionalizar os espaços, com uma linguagem de arquitetura global. A rustici-dade, comum no barroco, é harmonizada com peças modernas que juntas, criam um clima de aconchego proporcionado por móveis, cortinas, abajures e carpetes repletos de detalhes sutis.

Hall do hotel

Foto: Ludimila Loureiro

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Projetos

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Projetos

“As mudanças foram implantadas ao longo de três anos, uma vez que o hotel não pode parar para obras, assim, o soft opening é feito aos poucos”, conta Eraldo.No hall principal, o hotel ganhou elementos em voluta – uma forma espiral que lembra o desenho de um caracol – alcançando uma mistura do grego com o barroco. A forma foi maximizada no desenho do tapete exclusivo.

Para o acabamento da parede dourada foram utilizadas folhas de ouro, mesmo recurso usado na douração dos santos e marcenaria das igrejas barrocas. A fonte de águas, com borda em pedra-sabão, também segue a forma de voluta epoderá ser vista de cima em todos os andares, através do vão interno - uma solução criativa para um saguão que oferece uma bela vista. Há ainda peças barrocas antigas, que já faziam parte do acervo do hotel. Entre elas, a mesa redonda do século XVIII, instalada no lobby. A peça ganhou um toque de modernidade com as irreverentes cadeiras Louis Ghost, de modelo barroco Luís XV revisitada, em policarbonato, design de Philippe Starck. E dos abajures, com o sugestivo nome de Bourgie, também em policar-bonato, numa versão contemporânea do cristal lapidado. Ainda do acervo do hotel, as cadeiras Luiz XV, espalhadas pelo hall, foram customiza-das, duas a duas, com estampas diferentes e harmônicas, que remetem ao universo barroco. O lobby foi padronizado com as cores preto e dourado, para incrementar a decoração. Uma

estante expõe uma luxuosa coleção de taças de espumante.Já nos vidros que o separam do restaurante, as volutas aparecem novamente plotadas, repetidas vezes, de forma a dar à divisória oconceito de um muxarabi- recurso criado pelos árabes para fechar parcialmente os ambientes, de maneira que quem está dentro possa ter visão total do lado externo, porém de forma a preservar sua intimidade – e comum em tantas janelas “treliças” de Ouro Preto. Dessa forma, quem está sentado no restaurante pode acompanhar o movimento da recepção. Já as cadeiras foram decoradas com tachas doura-das, em camurça preta, ao estilo D. Pedro. Além das treliças, embutidos com lâmpadas de LED foram usados em fendas no gesso, o que proporcionou uma iluminação geral indireta e algumas pontuais, deixando o ambiente acon-chegante. Assim, o espaço ficou adequado para receber vários tipos de eventos, desde jantares especiais a convenções e palestras.

O encanto do restaurante também se dá pela harmonia das peças de diferentes estilos, entre elas, urnas, pedestais e o tríptico barroco. Na parede, espelhos barrocos em releitura em poli-carbonato, da Kartell, se alternam com espelhos venezianos.

A iluminação foi uma obra de arte à parte. Em forma de volutas no teto, as luminárias foram inspiradas nas Palmas de Sabará. “A inspiração veio do ramo de folhas e flores que as beatas fazem, artesanalmente, para substituir as flores

1. Divisória do hall com o restaurante 2. Restaurante

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Projetos

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naturais dos vasos, nos altares das igrejas”, conta o designer. Em proporção maior, a palma foi envolvida porcontas de cristais e minirosas, formando uma espécie de lustre. Além disso, elas serpenteiam pelo teto, guiadas por um feixe de arames, que remete aos espinhos. Luzes de LED foram escolhidas pela durabilidade e flexibili-dade que possuem, formando deslumbrantes guirlandas no teto.

Já o Health Center, um espaço para relaxamento e descontração, além de piscina e sauna, possui um diferencial: academia altamente equipada para os hóspedes se exercitarem. Os elementos da arquitetura remetem ao estilo grego romano e piso e paredes são revestidos por porcelanato ecologicamente correto, imitando o mármore. “A piscina é toda feita com pastilhas douradas e, no teto, uma cortina solar possibilita a entrada da luz, porém bloqueia os raios solares nocivos à pele,” explica o Eraldo. Desenvolvida sob Restaurante

Projetos

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medida para a piscina, a iluminação indireta, proporcionada pelo uso da arandela pá, foi feita em parceria com a Templuz e proporciona uma luz agradável, que valoriza a cortina solar. Já a iluminação da escada fica por conta de fitas de LED embutidas nos degraus, material de fácil ins-talação, que dispensa o uso de equipamentos. “A iluminação do SPA foi elaborada com perfis de sobrepor nas laterais, valorizando o perímetro desse espaço e proporcionando uma ilumina-ção mais agradável aos usuários”, afirma Lorena Mattos, gestora de iluminação do Grupo Loja Elétrica, da qual a Templuz faz parte.

“Antigamente, o hotel disponibilizavaduas saunas, uma masculina e outra feminina, porém, com as tarifas promocionais para casais aos fins de semana e para Noite de Núpcias, criou-se a necessidade de uma sauna única, para os ena-morados”, justifica o arquiteto.

Fotos:

Ludimila Loureiro

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Apartamentos

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Os apartamentos seguem o mesmo conceito criado para o hall, lobby e restaurante. “As cabeceiras dos quartos de luxo são estilo Dom João V, tacheada em couro amarelo ocre, muito presente na arquitetura das cidades históricas. O papel de parede é uma espécie de vinil, que trás aconchego e proporciona um movimento de caiação, uma pintura rústica e tipicamente mineira. O carpete, uma exigência do hotel para todos os ambientes, imita um piso feito em tábua corrida, remetendo às luxuosas casas de antigas fazendas de Minas”, descreve Eraldo Pinheiro. E, para seguir fielmente a proposta do projeto e os padrões de sustentabilidade, as bancadas foram feitas de madeira freijó em lâminas com poros abertos, o que confere um clima de rus-ticidade e remete à madeira tipo assoalho das fazendas antigas. Por cima, utilizou-se vidro, para evitar o desgaste diário. “As cortinas são de linho branco e,me inspirando nas esculturas e detalhes em ouro das igrejas históricas, a sanefa – peça que esconde o trilho da cortina – foi forrada por uma folha de ouro”, relata.

Na suíte executiva, a soma das cores preta e dourada consegue a combinação perfeita entre o barroco e o sofisticado. A bancada passou pelo processo de “ebanização”, sendo tingida de preto, dando a impressão de ser ébano - ma-deira escura, pesada e resistente. Já a cabecei-ra é toda na cor preta, com tachas e detalhes dourados.

Para o apartamento standart, o de menor tarifa do hotel, Eraldo utilizou alternativas mais baratas de decoração, porém, não menos charmosas. Como desafio, o arquiteto aproveitou as mesas de refeição que eram de outros quartos - e não

Detalhes

1. Tapete com desenho exclusivo. 2. Luminárias inspiradas nas palmas

douradas de Sabará.

3. Espelhos venezianos.

4. Cabeceira tacheada em couro amarelo ocre e

papel de parede vinílico com motivo de caiação.

5. Peça do acervo do hotel. 1

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foram aproveitadas na reforma - e transformou--os em criados, colocados ao lado da cama, e utilizadas para trabalho, refeição, etc. “A intenção era deixar o quarto com cara de casa. Após pesquisas com fornecedores da Templuz, optei por utilizar, como adorno, um abajour com luz amarelada, tornando o ambiente quente e aconchegante”, conta.

Para a bancada, Eraldo buscou novidades touch, e o escolhido foi um material que imita o couro marrom, sintético e ecológico, de fácil manutenção, por ser lavável. Para cabeceiras, a inspiração veio das poltronas Gerber, aquelas com abas dos lados, feitas de couro sintético e brilho sofisticado.

Para decorar, ao invés de obras de arte, uma opção charmosa e criativa: caminhos de

cro-chê de artesãs mineiras foram emoldurados e dispostos. Nas cortinas, cores barrocas, e para o carpete, uma graça a mais: “usei um produto si-milar às colchas de patchworking, tão populares no interior de Minas Gerais, já o papel de parede cria a impressão do linho desgastado”, diz. De forma suave, a noção do movimento con-tínuo, característico do barroco, e o desejo de despertar emoções e os sentidos dos mais varia-dos hóspedes pontuam esse projeto. O resultado cria uma espécie de espetáculo, cuja sutileza dos detalhes, as cores e brilho se traduzem na elegância e sofisticação do design, que renovou os ambientes e confirmou o Hotel Ouro Minas como uma referência de luxo.

pág.56 Espaço Niemeyer Eraldo Pinheiro C M Y CM MY CY CMY K

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Para uma

boa iluminação

comercial

O projeto de iluminação é algo que vai além do objetivo óbvio de iluminar espaços. Ele define o ambiente, perso-naliza, cria efeitos e sensações, provoca o interesse ou não pelo objeto.

Empreendedores de vários segmentos sabem da impor-tância de um profissional de iluminação e do diferencial que um bom projeto pode causar em seu estabeleci-mento comercial. Porém, curiosamente, a maioria deles assume nunca ter contratado profissionais da área. Independentemente da localização, do segmento ou da estrutura da empresa, o projeto de iluminação na arquitetura é responsável por boa parte das vendas. Quanto melhor sua fachada e vitrine estiverem ilumina-das, mais chamarão a atenção dos consumidores e se destacarão entre as outras.

O projeto mais eficiente é aquele que tem uma relação entre a técnica e a emoção. É muito importante usar a técnica, os cálculos e, principalmente, os índices de conforto visual. Cada ambiente de uma loja deve ser analisado individualmente, pois tem um objetivo e uma proposta diferentes. São eles: vitrine, provador, produto e a loja como um todo.

O Impacto da vitrine no projeto

A vitrine é um ponto de grande importância, pois é o pri-meiro contato do cliente com o produto a ser vendido. Ela deve ser bem iluminada para favorecer as peças, principalmente no período noturno, onde a iluminação é o único alvo de destaque para a loja se sobressair. Con-tudo, se iluminada em excesso pode gerar ofuscamento nas pessoas.

No período diurno, a preocupação é em relação ao consumo de energia, pois a iluminação natural contribui bastante para vitrine e, na maioria das vezes, dispensa o uso de lâmpadas até determinada hora do dia. Vale ressaltar que essa observação é para lojas de rua e não para as localizadas em shoppings, que dependem da iluminação artificial durante todo o dia.

por Luiza Emília de Pádua Cunha

Lighting

Vitrine de loja Foto: divulgação

A vitrine tem que ser iluminada com muito cuidado para não anular o fundo da loja, onde vários produtos podem estar expostos. O interessante é iluminar a vitrine mantendo o contraste com o fundo da loja, para criar uma sensação de profundidade.

Tecnologias como a automação e, até mesmo, os convencionais sistemas de di-merização ajudam bastante no controle de iluminação artificial, levando em considera-ção a variaconsidera-ção de luz natural que incide na loja no decorrer do dia.

A iluminação no provador

O provador é o menor espaço dentro de uma loja e, na maioria das vezes, conside-rado o mais importante. A iluminação desse local é fundamental, pois são nos provado-res que grande parte dos clientes define a compra.

A iluminação indireta permite que o cliente se enxergue em vários ângulos e a ilumina-ção do teto, um metro atrás do espelho, ajuda a eliminar sombras no rosto. Essa seria uma aplicação ideal, por exemplo, para provadores de lojas de roupas e biquínis.

A Iluminação do produto

Para iluminar um produto de forma ade-quada, é preciso levar em consideração o tipo de produto, seu tamanho e a superfície onde está exposto, a fim de especificar a lâmpada e luminária corretas.

O uso de lâmpadas que proporcionam foco em formato de círculos, por exemplo, ajuda a destacar o produto, já que formas circula-res atraem a atenção das pessoas e passam uma sensação de posse, que estimula o cliente, de forma indireta, a se interessar pelo produto.

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Lighting

As lâmpadas fluorescentes tubulares colori-das e até mesmo os novos sistemas de LED e fibra ótica, são opções que oferecem des-taque e chamam a atenção do consumidor nas lojas. Aliados com sistemas de automa-ção, oferecem vários efeitos e cenários que contribuem para o aumento das vendas.

A iluminação como elemento da decoração

A integração entre o decorador, arquiteto e até mesmo o dono do empreendimento é fundamental para um bom projeto de ilu-minação. O estudo da arquitetura do local favorece a criação dos recursos necessários que garantem resultados que facilitam a venda dos produtos e a harmonia da loja. A

iluminação deve valorizar não só os produ-tos, mas também destacar alguns elementos estratégicos da arquitetura, favorecendo o ambiente e deixando-o agradável ao olho humano.

Embora não exista uma forma pré-definida de iluminação perfeita, todos os projetos devem levar em consideração fatores intrín-secos à iluminação como a técnica, o Lux e a potência, sem deixar de lado os extrínse-cos, e não menos determinantes ao sucesso do comércio, como a boa iluminação do produto e a boa sensação que o ambiente iluminado passa para público-alvo.

Luiza Emília de Pádua Cunha

Formada em Design de Interiores - 2006 pelo INAP. Pós Graduada em Master Arquitetura - 2012 pelo IPOG. Trabalha na Templuz como Lighting Planner desde 2011.

Vitrine Villa Vittini Foto: Ludimila Loureiro

Algumas tradições

melhoram com o tempo.

Há 25 anos ao seu lado, o Café Barão já faz parte dos momentos mais

gostosos do seu dia a dia. Um café genuinamente mineiro, que surpreende

pelo aroma e sabor diferenciados, agradando aos paladares mais distintos.

O Café Barão é produzido a partir de grãos selecionados, utilizando um

cuidadoso processo de torrefação e moagem, o que preserva a pureza e a

qualidade do produto que chega até você.

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Criatividade

para crescer

Unir tecnologia a traços contemporâneos e autorais. A

busca por um diferencial para se destacar no mercado mundial fez com que empresas como a Leds-C4, perce-bessem a importância de se investir em mentes criati-vas. Para sua última coleção, a marca espanhola de produtos de iluminação convidou 12 designers, de toda a Europa, para desenvolver peças dos mais variados segmentos de iluminação.

De acordo com Júlia Pimentel, lighting designer da Loja Elétrica, representante exclusiva da Leds-C4 no Brasil, a empresa espanhola sempre se preocupou em investir em nomes de destaque na área de criação. “Ela dispõe de uma equipe de designers contratados, mas, even-tualmente, convida outros profissionais que possuem reconhecimento em toda a Europa”.

por Ana Cláudia Ulhôa

Lighting

Luminaria de piso Medusa Foto: divulgação

Referências

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