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Considerações sobre uma Ideia de Teatro Popular

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Academic year: 2021

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C

O NSI DE RAÇÕE S SO BRE UMA

I

DEI A DE

T

E AT RO

P

OP UL AR1

D a I de ia à I de o lo g ia

O conceito present e em “teatro popular” não se mostra, à partida, de fá cil de fi niçã o; qu a nd o ma ior a discu s sã o s obr e o a ssu nto, ma ior a br a ngên cia va i c on qu ista nd o e e sta be le ce nd o u ma mu ltipli cida d e d e cr itér io s, ca da qu a l r epres enta nd o a pers pe ctiva qu e m el hor s e coa du na co m o s eu int erlo cu tor. Ma s, na rea lida d e, em c omu m e xist irá u ma ideia de tea tr o qu e co mp orta u ma esp éci e d e vo nta de de ret orn o a uma verda d e pr imor dia l, c onti da na pró pr ia fu n çã o tea tra l, ma nife sta ndo - s e n o conta cto dir e cto c om o pú blic o , d o qu a l será su a expr e ssã o. Será u ma ideia a ními ca de t ea tra lida de, u ma font e ori gina l d e c o mu nica çã o pa r tilha da , ex pr e ssa da a tra vé s d e u ma lingu a ge m es s en cia lm e nte vi su a l, qu e s e tr a n sfor ma em t ea tro qu a nd o su rge a vo nta de d e repr e s enta çã o de u m r e fle xo i d ea l d e u ma cr e nça su p erior a o pró prio ho m em . U m mo do inicia lm ent e e s pon tâ ne o, qu e s e c on stitu i co m o gé ner o à me di da qu e os seu s fa z e dor e s del e ga n ha m c on s ciê ncia e l he vã o cria n do r egr a s pa ra a s nova s n ec e ssi da de s do m o d u s fac ien d i.

Se o s tir os a gr á rios r e pro du zir a m a s pro fu nda s rela çõ e s pr opi cia tór ia s e xi ste nte s c om o mu ndo d ivin o, a tra vés da re p res enta çã o pú blica do s mi stéri o s, o de s env olvi m ent o da p o lis condu ziu o ho me m à r ecr ia çã o d e no va s int er pr eta çõ e s da su a rela çã o co m a na tu reza e com o divin o. A na tu r e za r u r a l e a na tu reza u r ba na , a pa rentem ent e disti nta s, r efl ec tia m pa r a do xa lm ent e u m c on ce ito se m elha nt e d e o pre s s ã o, a mba s su bju ga ndo o ho m em na bu s ca do e nte ndi m ent o da vonta d e so brena tu ra l. T oda via , a u r ba nida de, intr o du zind o a s epa ra çã o e ntre la b o r e la zer, per mitiu -lh e u m t e mpo d e r e fle xã o, de i ntro sp ec çã o ra cio na l, s obre o seu pr ópr i o de stin o. E, na me dida e m qu e se qu e sti on ou , su rgiu a dú vida , es sa f or ma dinâ mica d e inc on f ormi s mo, qu e o fez entra r e m co n flito 1 C o mu n i c a ç ã o p ro f e r i d a n o â mb i t o d o C i cl o d e C on f e r ê n c i as So b r e Te a t r o P o pu l a r Tr a n s mo n t a n o ( Ur r ó s , 1 8 d e Ago s t o d e 2 0 11 ) , e p u bl i c a d a e m C AS IM IR O , D a vi d Lu í s ( 2 01 2 ) , Au to d a C ri a ç ão d o M u nd o ou Pr i n cí p io d o M u nd o . M o ga d ou r o : C â ma r a M u ni c i p al d e M o ga d o u ro , p p. 3 35 - 3 43 . Es c r it o s e gu nd o a no r ma o r t o gr á f i c a a n t e r io r a o a c o r d o d e 19 9 0.

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con si go, e c om o s deu s e s, qu e o fe z mo nol oga r e dia lo ga r, a reu nir - s e pa r a filo so fa r , a r eu nir - se pa ra vi su a liza r a tra gédia d e si próp rio. C riou u ma fu nçã o cívi ca pa r a o tea tr o, de to do s e pa ra todo s.

D esti na do a m olda r a m ora l e o s co stu m es d os ci da dã o s, o t e a tro a fir m ou - se, d est e m odo , co mo e spa ç o de qu oti dia no, en qu a nto incru sta çã o da hi stór ia do d evir hu ma n o, per mitin do u m di sta ncia m ent o cr ític o d o ol ha r interior, le va ndo o H o m em a ex plica r s e, a c ontra diz er -se, a pr ol on ga r - se co m o c ontra p ont o d e si própri o. N o pa lc o da p o lis , ins cr e veu a su a recr ia çã o exist en cia l, de sa fiou a m im es is pla tóni ca , conju g ou o lo g o s interior c o m o lo g o s exteri or, pr ocu rou a ver da de, e, à lu z do dia , a ss istiu à cel ebr a çã o a go ní stica da su a ra cion a lida de, à r epr e s enta çã o tra ns f orma da de si pr óprio, sob for ma d e a rte, em disju n çã o te m por a l – do t em po r ea l pa ra o te mpo fi c ciona l – , com o ef eit o dr a má tico cria ndo u ma te nsã o entre o pa lco e o a u ditório, e ntre per so na ge ns e p ers ona lida d e s, c om fu n çã o m eta fórica e met o ními ca do pr ópr i o ho m em. O r ela to da s su a s a cç õe s, de u m t od o imit a ndo u ma r ea lida de ex em pla r , ga nhou im portâ n cia ex po siti va . N esta es sê nc ia dr a ma tú r gica , o ho me m a s su m e - se co mo p oeta , co mo fa zed or d e tea tr a lida de, cria nd o u ma ce na por ta d or a d e fu nçã o d em on stra tiva (ist o é o qu e é), a o me s mo te m po qu e de ne ga tiva (isto nã o é o qu e é, ma s a su a sig ni fica çã o).

O tea tr o reli gio so re strito c onv ert e - s e em u ma religiã o d e t e a tro col ecti va , qu e s e orga ni za e m t em po d e fe sti va l c omu nitá rio, c onvi da nd o à pa r tilha por todos . A tea tra lida de cre sc e e m di me n sã o e sp eta cu l a r, o qu e in flu en cia o s eu a ma du r eci me nto na rra tivo, nu m p erma n ent e dia logi sm o co mu nitá rio, e ntr e for ma e con teú do , torna nd o -s e ta nto em a cto políti co , co mo e m a cçã o cí vi ca . Se a co mé dia ex pre s sa a ontog én e se ca r ica tu r a l hu ma na , a tra gédia r epre s enta a fil og én es e hu ma na , ma s a mbo s e qu a ciona m a a mplitu d e do s pr o ble ma s i ner ent es a o se r polític o. O co nf lito qu e opõ e o ho me m -di vin da de a o h om e m -ci da dã o, nu m c lima de t en sõ e s no s eio da cida d e, t em si do co ntinu a da me nte recria do , con s oa nte o s pa r a dig ma s cu ltu r a is d e ca da tem po. O tea tro s u rge a gora co mo e xpr es sã o d o tr iu nfo d e u m si ste ma de va lore s; a es s ên c ia popu la r

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tra ns for ma - se em a pa rê ncia p opu la r , e o tea tro pa s sa a ter co mo de stina tá r io o col ec tivo do s cida dã o s. A mplia -s e o do mín io indivi du a l pa r a o da e sf er a pú bli ca : u m tea tr o de u n s pa ra mu ito s.

O th ea tro n ga nha o esta tu to de es pa ço pú bli co. O qu e l á se r epr e s enta tor na -s e e xpr es sã o d e o piniã o pú bli ca , vei cu la uma ideia , encontra uma audiência, e adquire consciência, por que “se l he atribui expr e ssã o e fu n çã o so cia l, su sc eptí vel de c on stitu ir u m p ont o d e vi sta , co m f or ça pa r a a ponta r u m ca minho pr ó pr io rela tiv o a u ma situ a çã o em debat e” e por que di spõe de “mecani smos i nter nos de for mulação e conceptualização e de mecani smos de di fusão”2

. O grupo s ocia l do mina nt e i mpõ e u m mo de lo a u m gr u p o so cia l do mina d o .

N u ma con c ep çã o su bsta nti va d e sta int era cçã o c ole ctiva , e ste tipo de t ea tro, d e stina d o à s gr a nd es ma ssa s, exi be u m pro du to d o ra ciocí nio sobre a ssunt os públicos, faz “representar, o diálogo e o debat e públicos, pa r a discu tir os te ma s pre me nte s à so cie da de e a va lia r critica ment e o s a ctos do p od er políti co , co m o o bj ecti vo d e pro m ov er a ha rmo nia so cia l, na medi da em qu e o s cida dã o s id enti fi qu em e en contr e m a reso lu çã o pa ra os pr obl ema s c ole ctiv o s. Por ém, nu ma co nc ep çã o a dje ctivi sta , ele a p ena s r efl ec te u ma o piniã o qu e s e c on he c e, qu e foi pu blicita da , por ve ze s a té pu blica da , ma s qu e po der á nã o t er sid o for ço sa m ent e a o piniã o do pú blico , qu e a s si stiu a o e sp e ctá cu lo na qu ela a ltu ra . A ú nica c erte za qu e tem os é a de qu e o pe n sa me nto se ex pre s sou de for ma dia lógi c a , segu n do u ma dia léctica p er su a si va , de stina da a con s egu ir o c on se n so d o pú blic o, u ma ma s sa h eter og én ea , ca l eido s có pica , qu e r efl e cte e r e fr a cta ca da su bje ctivi da de. N a r ea lida de, é na c omu ni ca çã o qu e re sid e o veí cu lo cr ia tivo da opi niã o pú bli ca ; é o a to d e c omu ni ca r qu e ne c es sita ser cont inu a me nte a per feiç oa do, à me dida e à veloc i da de do de se nv olvi me nto da s me nta lida de s. A fu nçã o tea tra l é mu tá vel con s oa nte os tip o s de so cie da de e m qu e s e de s en vol ve o t ea tro, de a c or do c om os quadros sociai s e, assim, a apregoada per eni dade da “ essência da arte do

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M AC E D O , Jo r ge B o r ge s d e ( 1 9 86 ) , Q u es t õ es c h a v e : A o pi ni ã o p ú bl i ca n a H is t ór ia

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teatro” não pa ssa de um mito. E, assi m, o teatro popular será aquilo que o po vo qu er.

Te atr o : Ar te e Entr e te nime nt o

T a nto nu ma so cie da de d e ca rá cter s en horia l, c o mo nu ma prim eira for mu la çã o da s oci eda d e d e ca r á ct er bu rgu ês, o a ce s so à c u ltu ra e à liber da d e a pr es enta m -s e co mo privi lé gio da s cla s s es do mi n a ntes. O s idea is ilu mi nista s, e o t ec nici s mo e mer ge nte , n o s écu l o X VIII, con du zir a m à for mu la çã o de u ma so cie da de in du stria liza da , qu e a chou ne ce s sá r io pa r a o seu pr ópr i o d e se nv olvi me nto, qu e fos s e c ria da u ma instr u çã o g en era liza da e se d e mo cr a tiza s se o a c es so a o s be n s cu ltu ra is. D est e mo do, a e du ca çã o do s er hu ma n o pa s sou a corre s pon der à s exig ê ncia s soli cita da s pel o s n ov o s pa dr õe s de ord e m t éc ni ca . N u ma per sp ecti va dia lé tica , o s c on ceit os de tra ba lho e de ó cio fo ra m se ndo entre te cid os; a de fi niçã o d e u m te mp o de la b or foi - s e equ ilibra ndo co m a de u m te m po de la zer, e a ca bou p or se gera r u ma dic oto m ia entre o tem po li vr e e o te mp o d e tra ba lho, qu e , pel o s vi sto s, se t ornou sin óni mo se mâ nti co de a pri sio na do!

T or na -s e e ntã o e vid ent e, qu e a exi g ên cia de u ma i ndú stria d o l a zer se en co ntr a na tota l dep en dê ncia d e u ma indú stria la bora l. Mú ltiplo s sã o os ex e mpl os hi stóri co s, em qu e v eri fica mo s a n ec es si da de s e ntida , p elo pod er, e m legi sla r a pr odu çã o de e sp e ctá cu los , co mo for ma de sa lva gu a rda r a s ou tra s a ctivida de s la bora i s , font e de s ob reviv ên cia fi siol ógi ca . N u ma r ela çã o de int er d ep en dê ncia , u ma so ciol ogi a do la z er indu z u ma id eol ogia da r ec ep çã o, esta n do o s ta tu s ma teria l em rela çã o dir ec ta co m o s ta tu s espiritu a l, ou seja , co m o ní vel c u ltu ra l da so cie da de. Ma r ca d o p or u ma mira ge m de st e ti po, u m tea tr o p opu la r pod erá d eixa r d e ser u ma co ns ciê nc ia crítica , pa ra fu nci o na r co mo ele me nto d e c on vivia lida d e, co mo m ero fa ctor d e e ntret eni me nto, e m con cor dâ ncia co m o s va lor e s so cia is pr a tica do s.

N o s écu lo X X, a a rte tea tr a l, qu e s e e xpa n dira ge ogra fi ca m en te e se d e se nvol ver a de u m po nto d e vista t é cni co, a ca bou por ma n ter, a p esa r

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de tu d o, u m ca rá cter a rte sa na l. Fa c e a ou tr os m eio s de co mu nica çã o de ma s sa s – r á dio, cine ma e tele vi sã o, forma s em erg ent e s da indú stria do la zer -, o t ea tr o nã o te m po s sibili da de d e co mp etir na divu lga çã o da su a me nsa g e m. Q u er a e mi s sã o ra dio fóni ca , qu er a a u diovi su a l, en qu a nto vei cu la dor e s d e in for ma çã o, c he ga m ma is d epr e ssa a qu a lqu e r pa rte do mu ndo . O seu co nt eú do a ge dir ecta me nte so bre a per c ep çã o do de stina tá r io, forma ta nd o su btil me nte o s eu ima gi ná rio. A s i ma ge n s tele visi va s a cr es ce nta m u ma e ficá cia r ea l de co n su mo, n u m efeito per v er sa me nte ilu sór i o (ou ilu sio ni sta !) . O tea tro conti nu a rá a a pres enta r u ma distâ n cia me nta l e ntr e a pr odu çã o da a c çã o e a re c ep çã o da m es ma , e a co nv oca r a pa r tici pa çã o v olu ntá r ia de fa ze dor e s e fru idor e s.

Ain da qu e a ctu a lme n te o tea tro já nã o seja vist o co m o o em pre en dim ent o cu ltu r a l priva do ca ra ct erísti co do s é cu lo XIX – u m jogo de a pa r ê ncia s, u m e sca pa ra te da bu r gu esia , ou u m e stra do iti nera nt e d o mel odr a ma d e f eira -, a su a na tu r eza a rtística conti nu a a leva nta r a s eter na s qu e st õe s. T ra ta -se de u ma a rte pa ra u ma elite, ou de u ma a rte pa r a a s ma s sa s? A a lter na tiva pa rec e nã o c ont em pla r ma is do qu e e sta s du a s prep osi çõ e s; pa r a a s ma ssa s, a su b -a rte da ind ú stria do diver ti m ent o, pa r a a elite, a gra nde a rte cu ltu ra l. Alta cu ltu ra ou ba ixa cu ltu r a , a opiniã o ge ner a li za da pa r ec e c onti nu a r a reprodu zir v elh os a nta goni sm o s – a rte a ri sto crá tica ou a rte eru dita e a rte co mu m ou a rte popu la r -, p oré m e xi ste u ma di fere nça su b sta n cia l. Enqu a nto na a ntiga a r te popu la r se tra ta va de u m pr od u to de cria çã o c ole ctiva , o s pro du to s da indú s tr ia do la zer sã o c on ce bid os c o mo su bpr odu to s de a rte, e p o sto s à dis po siçã o da co mu nida d e p or u m gru po pa rticu la r. E a di s cu s sã o e m tor no da ma tér ia tea tra l leva nta , entã o, ou tra s qu e stõ e s de gra n de per tin ên ci a . S e é u ma Arte pa ra u ma elit e, e ntã o d e qu e a rte e d e qu e elite s e tr a ta ? Esta remo s p era nte u ma a rte d e c on sa gra ç ã o ou de opo si çã o? T ra ta r -se -á d e u ma elite so cia l ou d e u ma elit e int el e ctu a l (qu e ma is nã o s erá do qu e ou tro tipo d e elit e so cia l)?

A hi stór ia da liter a tu ra dra má tica dá relev o à s p e ça s e xe m pl a res, qu e p or a lgu ma ra zã o ma rca r a m u ma ru ptu ra d e e stil o, ou qu e de fi nira m u m a co nte cim ent o so cia l, cu jo cont eú do s e l oca li zou nu ma é po ca

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cha r ne ir a . A pou c o s hi st oria dor e s int ere s sa rá , por es sa ra zã o, o in su ce s so co mer cia l de u m a u tor , a misér ia de vida do s a ctor es , ou o fia sc o fina n c eir o d e u m e mpr esá r io. Serã o s obre tu do a na lisa d o s c om o epi só dio s oca si ona i s, deta lh e s por v e ze s a ne dóti co s, pi nc ela da s d e origi n a lida de no r etr a to do a r ti sta , en qu a nto b oé mi o a na rqu iza nte, i ndi vídu o is ola do, lu ta ndo s ozi nho , c ontra u m e sta do de coi sa s, nu ma situ a çã o ú n ica . T ra ta -se d e u ma hi stór ia fra gm entá r ia , c on str u ída a pa rtir de e sti lha ço s d e vivê n cia s rea i s, pu bli cita nd o, d e for ma su bli mina r, u ma opi ni ã o elitis ta , u ma for ma ide oló gica , qu e a cre dita ser po s sív el e scr ev er a história da s ideia s a tr a vé s da hi stória da qu el e s qu e a s i mpri mira m. N a da m a is erra do. O tea tr o, en qu a nto a lime nto da inteli gê ncia , va i pa ra a lém da exi stê ncia textu a l. Ele c on vo ca u ma pa rticipa çã o ma i s a mpla d e todo s o s inter v eni ent e s, d os seu s co nh eci m ento s e do s s eu s se ntim ent o s, o fer ec e no mo me nto e fé m er o da a ctu a çã o a m es ma fru içã o d e tea tra lida de qu e exi ste nu ma “instalação” contemporânea. Uma história do teatro r etr a ta rá , entã o, a fa ce vi sí vel de u ma hi stória da s me nta lid a des, nu m det er mi na do t e mpo .

A hi stór ia da en c ena çã o a pr e s enta u ma lógi ca idê ntica . É c o mu m r efer e ncia r -s e c om o u ma a ctivida de d e fina is d o s écu lo XIX , ma s, na r ea lida de, a su a pr á tica e nc ontr a - s e a s so cia da a o t ea tro p o pu la r dos fina i s de set e ce nto s, a o m elo dr a ma . A leitu ra da s dida scá l ia s de ste s text os d e mo nstr a a con s ciê ncia e xa cta qu e o m el odra ma tu rgo po ssu ía da es cr ita t ea tra l, e da im portâ n cia qu e e la e xer cia na co mpr ee nsã o d o es pe cta dor . A e s cr ita cén ica a mpli ou a dimen sã o d o e scrit or, e a ca bou por con f er ir -lh e u m esta tu to de i de ólo go. A hi stória da en ce na çã o ma ter ia liza o olha r te mp or a l so bre u ma obra , qu e re fl ect e, e m div er so s gr a u s, e ss e me s mo t e mpo , s int etiza n do mo do s de co mpr ee n sã o.

T eófil o G a u thier con sid era va o melo dra ma co mo u m e sp ectá cu lo visu a l, u m tea tro d e a cçã o pa ra a ctor es, e pa ra prov eito de e sp ecta d ore s, dir e mo s nó s. A lin gu a gem d o mel odra ma mi stu ra o dis cu rs o bu rle s co co m a sent im enta lida d e e vid ent e, e jo ga pre cisa me nte c o m a fu nçã o em oci ona l da lingu a ge m. O gé n er o nã o pr o cu ra o lirismo, a inve nçã o poét ica , n e m a di gni da de lit erá r ia ; os diá lo go s e stã o ei va do s d e

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pe cu lia r ida des da li ngu a ge m se nti me nta l, dra má ti ca e rea lista , qu e va r ia m s egu nd o o s pa dr õ es d e ca da é po ca , e, por i s so , nã o resi st e a o tem po e tr a n sfor m a - se ra pi da me nt e no p eríod o d e u ma g era çã o . D a í qu e, a o perc eb er a s si ner gia s d e ste s cr ia d or e s, e nte nd ere mo s a s te n dên cia s do pen sa m en to da é po ca em qu e ex erc era m a su a a rte. Expli ca r a s r evolu ç õe s est éti ca s a pe na s a tr a vé s de u ma filo so fia m eca nici st a3 deixa rá de for a a com pr e en sã o d e to do s o s im pu lso s qu e la va ra m à o clu sã o do s a cont eci m ento s qu e se te m de i nt er preta r. D o m e sm o mo do, a so ciol ogia do pú bli co ta mb ém d ev erá a ba r ca r u ma a ná lise s ocia l, políti ca e ec onó mi ca .

Te atr o co me rc ial

A e co no mia e mpr esa ria l é a ba s e do fu n cio na me nto do t e a tro pr o fis si ona l. U m fa ctor qu e nã o s e qu er a dmitir, qu a ndo é c on sid era do co mo u m el e me nto a ce s sóri o da intel ectu a lida de , pa ra nã o diz er a nta góni co. T ra ta -se d e u ma na tu r eza contra ditória , produ t o da su a pr ópr ia r ea lida d e – se o e mpr ee ndi m ent o f or priva d o, v eja - s e o ba la ncet e qu a ntita tivo do e sp ectá cu lo, se o em pr e en dim ent o for a rt ístico , veja - se o ba la nço qu a lita tivo da obr a de a r te -, pr es su po nd o , e m qu a lqu er d os ca so s, u ma ca pa cida d e intr í ns eca d e a da pta çã o. T ra ta ndo -s e de Arte, a qu estã o de s env olv e - se se gu nd o u m e spírit o s ocia l d e c oop era tiva a r tística , u ma e s pé cie d e “ sa c er d óci o cu ltu ra l ” , tra ta ndo- s e d e a ctivida d e co mer cia l, o pr odu to a rtísti co pa s sa a ser enca ra do se g u ndo u ma mo da lida de de ge stã o e mpr esa ria l.

D est e mo do, u m ta l e mpiri s mo fa r ia cr er qu e a s l eis g era is d o l u cro ter mi na r ia m on de c o me ça s se a a r te do t ea tro, ou qu e s eria m inco m pa tívei s c om ela . Por é m, a r ea lida de de mo nstra -n os qu e u m em pre en dim ent o tea tr a l – me s mo no s seu s prim órdi os a n c es tra is -, s e orga niza s egu nd o r egr a s id ênti ca s da s qu e re ge m o mo del o i n du stria l : o livr e e mpr e e ndi me nto e a livr e c on cor r ên cia . Po de m os c on sid e ra r a o bra 3 Te o r i a f i l o s ó f i c a s e gu n do a q u a l t od o s os f e n ó me n o s q u e s e ma n i f e s t am n o s s e r e s vi vo s s ã o me c a n i c a me n t e d e t e r mi n a d o s e , e m ú l t i ma a n á l i s e , e ss e n c ia l me n t e d e n a t u r e z a f í si c o - qu í mi c a . E s t a po st u r a o põ e - s e à s e x pl i c a ç õ es vi t a l i s t as , qu e p o st u l a m a e x i st ~ e n ci a d e u ma f o r ç a o u e n e r gi a , s e m a q u a l a vi d a n ã o p o d e ri a s e r e x p li c a d a .

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es cr ita co mo u ma a r te “ pu ra” , enqu a nto for ma de pe n sa me nto s em intu ito lu cr a tivo, p or é m, a su a ed içã o i mpr e ssa , ou a su a rep res enta çã o pr e ssu p õe m u m i nv esti m ent o d e ca pita l, u ma pr odu çã o d e o br a técni co -a r tístic-a , e -a r ecu p er-a çã o d e u m-a m-a is - v-a li-a , segu n do r egr-a s e sp ecí fi c-a s. Esta m os p er a nte u m s ec tor cu ltu ra l a ctivo, ou seja , u m mo del o de cu ltu ra r ea l, qu e i nte gra cr ia d ore s e con su mi dor es , e qu e a bs orv e qu a lqu er mo del o a r tístic o. e m mu ito s ca s os , da da a tra nsv ersa lida d e d os pú blico s -a lvo, -a -a rte popu l-a r pod erá m-a ni fe st-a r u m-a ten dê nci-a p-a r-a -a estiliz-a çã o, r efi na nd o o a sp ect o pi tore s co, en qu a nto a a rte eru dita t orn a rá meno s r ígido s os s eu s con tor n os .

A in dú stria d o la zer nã o se per de e m e sp e cu la çõe s pr o fu nda s s obr e o esta d o da Arte. I nt ere s sa -l he, so br etu do, a rec epti vi da de do s con su mi dor es d o seu pr odu to, o qu a l de verá ma nter - se d e a co rdo co m o de sej o qu e o su scit ou , s e m nu n ca ca u sa r a dec ep çã o d o pú bli c o, nu nca de fra u da ndo, e n e m e mp ola nd o, a s su a s e xp ecta tiva s. O pr od u to cria do tem e m c onta a su a co m ercia liza çã o; o va lor c om ercia l e qu iva le a o va lor cu ltu r a l. Enqu a nto a obra d e Arte co stu ma va pr e ce der o go sto do pú blico , a indú stria d o la z er a nte cipa - se a es s e g ost o, na me di da em qu e va i a o en co ntr o do s eu de stina tá r io, cu jo d es ejo e stu dou .

O tea tr o fa z pa rte da i ndu str ia d o la z er qu a ndo co ns egu e a lca nç a r o ma ior nú mer o po s sív el de pú blic os, se nd o, por i ss o, c on sid er a do co mo u m mod o de tea tro p opu la r , u m tea tro pa ra toda a gente . E, pa ra isso, u ma empr e sa tea tra l r epro du zirá u ma pr á tica de c o mér cio de con su m o ger a l, c o mer cia liza nd o obra s d esti na da s a su prir a n e ce s si da de e de entre te nim ent o d o pú bli co, s egu n do pa dr õe s prot o tipi fi ca do s:

( 1 ) Su scita r o míni m o d e r e s er va s i ntel e ctu a is ,

( 2 ) a pr es enta r -s e d entr o d e u m qu a dro d e n orma lida d e so cia l, ( 3 ) exib ir per so na lida de s c onh e cida s , e, à s ve ze s – coin cid ên cia ! -, de mérit o s r e co nh eci do s,

( 4 ) inte gra r u ma equ ipa cria tiva c on he ce dora d a s te nd ên cia s do mer ca do e

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Simp le s f ór mu la s de su ce s so p es s oa l, e d e triu n fo co mer cia l, por qu e s e o pr odu to a r tí stic o b en e ficia de a u tono mia no s eu p roce s so d e cr ia çã o, o pr odu to da in dú stria d o la z er en con tra - se liga do à e c ono mia d e mer ca do, ou seja , a o si st ema qu e d e finiu a su a con c ep çã o, d i vu lga çã o e co mer cia liza çã o.

Por v ez e s, a s si stim o s a obr a s , dita s d e va n gu a rda , qu e se a pr es enta m no tea tr o c o mer cia l, ma s, pri me ira me nte, ela s fora m su jeita s a u m proce ss o de “ dig e stã o so cia l ” , ou seja , à pa ssa ge m por pequ en o s es pa ço s ma r gina i s, p or pa l co s p eri féri co s, por col e ctivi da d es ou p or a gr emia ç õe s a ma d ora s, cu jo a m bie nte pro picia a s pequ e na s cu mpli cida d e s e ntr e fa z ed ore s e fr u idor es. N ã o a bu nda m o s ca so s de mér it o cu ltu r a l, e o ma is c erto é qu e p erma n e ça m na e s fera s e mipri va da do s gr u po s a ma dor es, ma is pr eo cu pa do s c om o va lor so c ia l qu e o es pe ctá cu lo pr op or ci ona .

O s pe qu en os t ea tros - e stú dio pr o fi s sio na is fu nci ona m co m u m pú blico r e str ito e sel eci ona d o, qu e a í se d esl oca moti va do pe la pa rtilha de u ma ideia , ou de u m mo me nto, ta l co m o a s pe qu ena s sa la s do tea tro a ma dor , ou a s do tea tr o e s cola r. Por ém, en qu a nto es te s e spa ç o s se p od em per mitir a fru içã o a rtística a ba ixo cu sto, os ou tro s viv em e m p erma n ent e de sa fi o à s l eis de mer ca do, pe sa n do con s ta nt e me nte so bre ele s o ris co d o de sa ir e fina n ceir o.

Pa r a minim iza r o s e feit o s qu e a d vê m da p equ e na di me nsã o d o tea tr o, d o pa l co ou do el en co, ga nha pa r ticu la r importâ n cia a es col ha do r epert ório, cu ja r e pr e se nta çã o de ver á t er em lin ha d e co nta u ma pro du çã o cr ia tiva de cu sto r edu zi do s. P or is so , qu a lqu er e mpre sa s a be qu e a con c ep çã o plá sti ca do es pe ctá cu lo é s e ctor qu e po de so frer corte s or ça m enta i s ime dia to s. A c en ogr a fia , ta l como o figu rin o, re du z - s e a o es s en cia l, fa ze nd o pa ssa r a i deia de qu e s e tra ta de u m a est ética mini ma lista . E, na r ea lida d e a té o foi , litera lm ent e, p orqu e, se gu nd o a a cep çã o po pu la r , a nec es si da de a gu çou o en ge nh o . R e solvi do o prim eiro ob stá cu lo, lo go s e a pr e s enta u m s egu nd o, a di vu lga çã o d o e s pe ctá cu lo, ou tr a dor de ca b eça or ça m enta l. O es pa ço pu bli citá rio c om po rta cu sto s ex ce s siv os, d evid o à su a mu ltipli cida d e. C a rta ze s pro mo cio na is,

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pr ogr a ma s, f olha s d e sa la , pa n flet os e a n ú nci os no s mei os de co mu nica çã o d e ma s sa s corre s po nd em a u m in ve sti me nto, cu jo ret orno nã o é con ta bilizá v el a cu rto pra z o. M orma lm en te, os qu a tro prim eiro s iten s c on so m em gra n de pa r te do or ça m ent o di sp oní vel, e o qu e so bra pa r a os m e d ia pou co va lerá s e m o a p oio d e u m su b sídi o pú bli co ou de u m pa trocíni o pr iva d o . T a l co mo n o fo m ent o de a ctivi da de s cu ltu ra is, os ef eit os, qu e se d e seja r ia m im e dia tos, a p ena s serã o se ntid os a mé dio, ou me s mo a lon go pra z o, tr a du zi nd o - s e na cria çã o d e há b ito s cu ltu ra is con si st ent es e na fi deli za çã o do s seu s pú blic o s.

C o nc lus õe s

A de sig na çã o de tea tr o p opu la r pa r ec e -n o s qu e re fl ect e ma is u ma ca teg oria “ so cioló gi ca do qu e e st ética ”4. U ma a pre cia çã o du a li sta qu e se pr ete nd eu o po sta a t ea tro eli tista ou er u dito , a t ea tro lit erá rio, a tea tro d e cor te ou a tea tr o bu r gu ês, ou a té me s mo a tea tro p olític o -pa rti dá rio, ma s qu e a ca ba por di ficu lta r a de fini çã o de u ma id en tida d e u nív oca .

U m tea tro p opu la r , na pl ena a c ep çã o de pa rtici pa çã o pop u la r, pod eria enc ontra r -s e, a inda qu e em di minu ta es ca la , na produ çã o de r itu a is fe stivo s, em qu e se c on vo ca a pa rticipa çã o dos es pe cta do re s, u ma es pé ci e d e h a p pe n in g come m ora tivo de u m a c ont eci me nto . Ma s, na r ea lida de, est e tip o d e e ve nto s su rg e d e forma orga n iza da , por u ma enti da de r es po nsá v el, se nd o , p or is s o, ma i s u m e s pe ctá cu lo d ma s sa s, a qu em s e c ontr ola su bt il me nte a e spo nta nei da d e. Uma situ a çã o qu e o corre ta mbé m n o tea tro de r u a , ou no tea tro de pa rtici pa çã o/ pro vo ca çã o, e m qu e se pr ete nd e u ma r esp o sta cog nitiva , ou se ns oria l, i8 media ta , a tra vés de nov o s m od o s d e r ela ci ona me nto fí sic o entr e a ctor es e pú blic o, ma s qu e, ma is do qu e tea tro, s e a pr es en ta m co mo jo go s i nter s em iótic os d e na tu r eza tea tra l. N e st e ti po de e xp eriê ncia , e sta m os p era nte situ a çõ e s qu e u ltra pa ssa m a di s cu s sã o t eór ica do va lor da a rte, pa ra da r prima zia à vonta d e de pa r tilha r a vi vê nc ia d e u m e spa ç o co mu m de na tu reza t ea tra l nã o co nv en cio na l, qu e per mite a mu ltiplica çã o de foc o s d e a ten çã o, d e

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per sp ecti va s e d e e nqu a dra me nto s d o e sp ecta d or, na qu ilo a qu e R icha rd Sch ec hn er d e sig nou por t ea tro a m bie nta l.

D e tu do qu a nto se dis s e, c on clu ímo s qu e a ideo logia d e u m t e a tro popu la r r e sid e na pr e su mí vel e xist ên cia d e u m pú bli co po pu la r, qu e s e pr ete nd e em gr a nd e nú mer o e s e m di s crimi na çã o so cia l. Procu ra - se con cilia r a s di fer ent e s a spir a ç õe s d o ma ior nú mer o de i ndiví du os , inde p end ent e me nte da s or i ge ns s ocia i s e d o co nteú d o d o re p e rtório. N o fu nd o, pa r a ca da tea tro o seu pú blic o, e pa r a ca da pú blico o s eu tea tro – ca da qu a l co m o s mei os c or re sp ond ent e s.

Q u a ndo pe nsa mo s nu m tea tro de ma triz p opu la r, ou de prod u çã o popu la r , ve m à ideia , por u m la do, u m tipo de tea tro d e ra iz et nográ fica , u m tea tro es pon tâ ne o, ou seja , u ma a ctivida de e m qu e se v e rifica u ma per mu ta entre a ctor e es pe cta dor, u ma e sp éci e de j og o d e i m provi sa çã o qu e se a pr opr ia da r ea lida d e ext erior5, c om o s erã o, por ex e mpl o , o s j og os do s Ca reto tr a ns m onta no s, ou o s tra di cio na is E ntru do, d e n ort e a su l de Portu ga l, ou a s Fe sta s d o R ei s Ma g o s. Ma s, por ou tro la d o, há qu e conta biliza r a pr odu çã o dr a má tica r e gio na l, fru to do es pírito de a u tore s loca is , e da s repr e se nta çõ e s a ma dor a s. E , a s sim, s e a lgu ma s o bra s tiver a m a s orte de ter em si do da da s à e sta m pa , a ma ior pa rte, pr e su mi mo s, e sta rá e squ e cida a lgu r es, ou , no pior d os ca s os, irr em edia v elm ent e per di da . Ur ge, por ta nt o, pr oc ed er à su a recol ha , r eto ma r a tra diçã o do s ca n cio neir os, en qu a nto o te ste mu nh o d a mem ória pod e ser r e col hido . N ã o ser á tra ba lho d e u m, ma s d e mu itos , de s ejo de a lgu ns, v onta d e p olíti ca de ou tros, ind is cu tivel m ent e, pa ra p roveit o d e todo s.

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12 R e f er ê nc ias bi blio gr áfic as

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Referências

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