Da Administração Científica
às Ciências da Administração
Benedicto Silva
T écn ico de Adm inistração; direto r do Instituto de D ocum entação da Fundação Getúlio Vargas
(IN D O C ) Nos tempos atuais, o conhecimento envelhece quase tão rapidamente quanto a moda. Por exemplo: há vinte anos passa dos, o corpo de conhecimentos teóricos utilizados na formação do administrador tinha por núcleo central o taylorismo, isto é, aquilo que, na literatura pertinente, veio a chamar-se scientific Management.
Havendo perfeita complementariedade entre a doutrina de Fayol e o sistema de Taylor, o fayolismo fazia parte integrante do scientific management, pelo menos no Brasil.
Conseqüentemente, era inconcebível não considerar o taylo rismo e o fayolismo como disciplinas essenciais do ensino da administração.
Hoje, o cenário das disciplinas reunidas sob o rótulo Management sciences é tão diverso do cenário do scientific Management, tão mais amplo, que chega a causar espanto ao observador.
Naquela época, a abordagem interdisciplinar dos curricula de ensino estava apenas raiando no Brasil, ao passo que hoje já se fala até na abordagem unificada.
Durante a II Guerra Mundial surgiu uma tendência para a aplicação da ciência ao estudo e solução dos problemas admi nistrativos das forças beligerantes e das empresas industriais. Graças aos resultados obtidos, essa tendência, já então
trans-aDós-nuprJ^ mfteress® militante, cresceu e consolidou-se no o sumimpntn ^ 0ríll^ j ^ i‘ st Churchmann que isso provocou comn a ,1 n6S novas e n°vedosas, em vários países, S S a r fL J ? ■ Pesc>uisa Operacional (Inglaterra), as So-F r a S i Hp RSqh 'Saudeo °peraÇÕes (Estados Unidos), a Société rationJ , L Í Rt C[l e ° P erationalle. A expressão inglesa ope- entirlarlpQ — 6 ígura na denominação de algumas dessas Innlatpt-ra o
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or'gmariamente usada pelas forças armadas da dos Hp rio t fS stados Unidos para designar a tarefa dos gru- Dorpm naco IS 8 S a n a *'savary 3s operações militares. Logo, a nilaicsín ° U 3 ?'9nar 9enericamente a aplicação da ciência n i S r °P?raǰes desencadeadas e controladas por admi-as pvnrPQcf- 91 serem as vezes empregadas como sinônimos as expressões management Science e operation research. 1 à ao. pro.cess? decisório, à teoria da decisão e do mananpi-iai nizaçao- lsto é, aos três domínios placentários semântirnq Hp«fr0CeSS' - Gra e,sPeravel que esses cruzamentos sciencp*; nu S6nÜ ori9em à expressão plural managementÊSSiJSBríJn °t0U T-Iíngua
in9lesa (e já é verbete da resse comum a H- mCa' e j ' çao de 1967) Para representar ointe-solução de p ro b le m T a 1 m 1 S a tiv Õ s C'en' lfiCaS Pe'° eStUd° 6
cio n a m e n to ^n frp ^c '60^ 3' comum nao ® 0 único fator de rela- necessidadp Hp a n 'r mana9.ement Sciences: ao preconizarem a mas adm inistrati^ 'S6S ima'S rigorosas dos complicados proble- comum de métodos 6,38 Partilham também uma f i 'osofia a p lic a ç ã o ^ T m a tp n fá r suscePt,v e ' de ser atendida m ediante a
a exD eriênH a Ca' ° U as vezes m ediante a observação e
cedimento deve apUM^se sob N° S d° ' S CaS° S’ ° pr° '
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dezenas de d1sclDHnaRC'nnC0S um *eixe c*e mais ^uas
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2. disciplinas modernas: Engenharia, Antropologia, Plane jamento Urbano, Teoria da Organização, Administração Empresarial, Estatística Matemática, Contabilidade de Custos, e
3. disciplinas moderníssimas: Informática, Teoria da Fila, Teoria dos Jogos, Teoria da Decisão, Teoria do Inventá rio, Cibernética, Programação Linear, Programação Dinâ mica, Automação.
Cabe observar que as management sciences estão sendo combinadas e cultivadas para habilitar o administrador a enfren tar os problemas das grandes organizações. A gerência das empresas de porte médio, e a fortiori a das pequenas empresas não reclama o concurso sofisticado de toda a bateria das Management sciences.
é claro que a sua aplicação tende a afetar tanto o estado Maior como o pessoal de linha e, em certos casos, pode incluir também pelo menos algum aspecto das atividades de qualquer Membro da organização. A comunidade dos cientistas da admi nistração tende a reconhecer, entretanto, que as atividades administrativas mais complexas, aquelas cujo desempenho de safia os titulares das management sciences, são as que recaem sobre os dirigentes e seus assessores mais graduados. Desdo- bram-se elas nos quatro grupos seguintes:
1. descoberta (ou identificação), desenvolvimento, defini ção e avaliação dos objetivos da organização e das polí ticas alternativas que propiciem a consecução desses
objetivos;
2. adoção das políticas e dos planos pela organização: 3. verificação oportuna (concomitante ou a posteriori) da
eficácia das políticas e dos planos adotados;
4. tomada de medidas para mudar as políticas e rever os planos quando aquelas e estes forem julgados menos eficazes do que deviam .3
As atividades constantes do item 1 freqüentemente se con fundem com o planejamento. Trata-se de atividades essencial- Mente cognitivas", desempenhadas por indivíduos ou grupos que utilizam informações e dados para eles coligidos por seus ajudantes (pesquisadores, assessores etc.). Os planos daí
t^ Se,?Íj Í^errl em p'anos de curto prazo e planos elaborarão va j S informações necessários à sua
SSSS^TT
grandemente- A necessidade de cuidar daaos Hirmpntfe6 pro9resso permanente da organização impõe vários L ^ !?S p anos de longo alcance, que podem cobrir pm rnnc H vindouros. Neste caso o planejador terá que levar , , 1 eraÇao muitos objetivos sociais intangíveis", geral- e somenos importância no planejamento a curto prazo. dos nlaanlVj dade constante do item 2, a adoção das políticas e omani7ar~ ’ represen,ta uma das tarefas cruciais das grandes m J n B Ninguém consegue implementar um plano por lizar nrnnnmP 6S expediÇão de ordens orais e/ou escritas. Mobi- dampntP “ numerosos de pessoas e fazê-las mover coordena- p,ane¥ 0 Pressupõe a existência de compli- hiprarnnía t +S 6 c° munica<?ão . enredando todos os níveis da dp moti\/nõ~ 3 pa(i iencia- sutileza, capacidade de persuasão e
deve ser
eficáciatdasannlít-°nStantj d° 'tem a verificação oportuna da chamada ro n tm iJCaS 6 m p*anos adotados é freqüentemente ficar a carno Hp +’ ,nag 0 clue implica quantificação, pode ricar a cargo de estatísticos e contadores.
políticas e ^s ^o la n o t*81^ 6 'tem 4' 0 Processo de mudar as não somente requer u m s i í reve,am sintomas de ineficácia, também pressupõe a escolh?!?3 integrado de informações, mas da fúria das ní.K fnJ
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de m6l0S que fic1uem equidistantes mudanças demasf^do raras! *S'8. ' reqQen,eS 6 da ' « “ «"o dasriqueza e elasNcida^e°nniftenia ^a^.or‘ s0?' n'10 apesar de sua soas para d e se m p enharem T nm ;.ja .nao equipa 9 ru P °s de pes- empresas, as oDerarnpc ^ ■ e^lclenc,a- no seio das grandes crever sucintamente hasp m‘mstrativas que acabamos de des- quase literalmente rio verhptt° n°k Gm grande Pa rte , aqui e ali C. W. Churchmann psrro s°bre management sciences que pédia Britânica.5 É pvíHp T 11 P3ra 3 ediÇão de 1967 da Enciclo- de qualquer grande emnrp«fa problematica administrativa cursos intelectuais bem mais , e™a requer um fundo de re- do que o oferecido Delo s- lvet^ |f |cado e muito mais inclusivo aquilo que r s c ie n t m i ma Tayl° r' Mas rec1uer- sobretudo,
" •cient.l.c management não pode oferecer: plena
atualização com o desenvolvimento científico e tecnológico do século XX.
Não há negar que o taylorismo e o fayolismo permanecem como estágios fundamentais do movimento chamado scientific Management, que tantos serviços prestou à humanidade. Mas, como se vê, o advento das disciplinas moderníssimas acima enumeradas veio revolucionar de fond en comble todo o reper tório de recursos intelectuais com que deve contar o executivo moderno.
O conceito de eficiência, por exemplo, base do scientific management, foi completamente alterado pelo emprego do computador nas atividades administrativas.
Por eficiência se entendia a obtenção do máximo de resul tados com o mínimo de recursos materiais e temporais. A norma de trabalho preferida era a que determinasse menor emprego de tempo, de material, de espaço etc., para a obtenção de deter minado volume de resultados. A economia de tempo era uma consideração essencial da eficiência.
Tratando-se, porém, de operações em que seja empregado 0 computador, qualquer preocupação com a economia de tempo Perde a razão de ser. O computador funciona com incrível ra pidez: pode consultar instantaneamente milhares e milhares de itens de informação registrados em sua memória e identificar 0 item buscado.
A atividade de planejamento, por sua vez, coluna mestra do taylorismo, sofreu tremendo impacto com a utilização da in formática. Ainda não raiou a hora em que a atividade do admi nistrador terá por base a informação recebida em regime de real time, mas os futurólogos já prevêem a era tecnotrônica. Então, a nau do Estado poderá ser conduzida como um automó- vel: o motorista faz as manobras convenientes e instantâneas ao longo da estrada, de acordo com as circunstâncias cambian- tes e percebidas en Ia marcha.
É certo, porém, que sem a informática muitas das proezas administrativas contemporâneas, — as viagens à lua, os longos vôos dos laboratórios espaciais e as transmissões interconti nentais de imagens e sons por intermédio de satélites colocados em órbita pelo homem — não poderiam ser planejadas, menos ainda executadas. Quer isso dizer que o processamento eletrô nico da informação veio enriquecer colossalmente a instrumen- talidade operacional do administrador.
Comparado com o movimento das managements sciences, r T taylorista do scientific management apresenta di versas diferenças. Em suas primeiras fases, o taylorismo reve- ou se principalmente interessado no controle das operações rea- iza as no interior das fábricas; omitiu-se no desenvolvimento ae modelos matemáticos para esses procedimentos; valeu-se incipa mente da observação cuidadosa e da mensuração física como método de descobrir e prescrever melhoramentos na execução das operações.
n â n rilÍZrí-C*1UJiC*imann: J a'v.ez se P°ssa precisar essa discre- pm Hüc 'Zer1| ° C'Ue 0 scientific management não se interessava nativac enV° ^8r Um mod®'° ^ue pudesse revelar todas as alter- AmipIoo 6 lcat\ um critério para a otimização das opções, mç Hno ,,C*^ef*36r 0 scientific management — os engenhei- n n r Pvprr,S'|S emas e Procedimentos" e do “ tempo e movimento” , HpHp rino*5 ° Se t ^ m mantid0 de certo modo fora da comuni- bem uir a " iana9ement sciences, segregação que pode muito
ser a fase de amadurecimento dos dois grupo s".6 existente^rvírp r* ^ n®tancia c' ue indica a diferença quase abismai manaaempnt p a U m 6 conhecimentos chamados scientific dotado nnrlp ?S mana9ement Sciences: um cérebro bem namentn Hn tn i'™'
ar
pr° f undamente todo o conjunto de ensi- Í m c í £ d í ! ?nyi ISm° 6 d0 fay ° lismo- Mas a lista de discipli- conherp la<? p h riorTlf rite evidencia que, se fosse necessário n S ra d o r n r n L l mm,a' la! t0das para se che9a^ a ser um admi- dizado tão longo!°na ’ 3 Uraçao da vida nao bastaria paraapren-atuaisStrans^pndrp Hplar° f Ue 3 tare*a de administrar nos tempos
- > ad° “ indivt °
experiência daqueles. m qU6 6St8S comPlementam o saber e a
nais também^TTma ^conspmv'mpre®as nacionais e multinacio- administrativas m o d e r n í s s im a ^ ^ adyent0 das disciplinas na maioria das vezes oor fu«?ãn f S.e formando atualmente, vergadura tão vasta quesem a empresariais de en-se apenas com r l !
a
J a da mformática — contando- sível administrar S° S d° S'Stema TaV,or ~ seriaimpos-O processo decisório — é ou não é a prova de fogo do admi- nistrador? A estabilidade, o progresso, a própria sobrevivência das empresas — dependem ou não dependem diretamente das decisões de seus dirigentes? Quem se abalançará a responder negativamente a estas questões?
Os sinais da boa administração, da administração correta, sã, eficiente, o administrador manifesta-os, primeiro, no cuidado com que se informa antes de decidir, em seguida, na segurança com que analisa as informações pertinentes e distingue as de cisões mais apropriadas, e, por fim, no fato de acertar em cheio na hora de tomá-las.
A administração não é exclusivamente um procedimento científico — é também uma criação artística. É admissível, assim, que pelo menos nas empresas médias e nas pequenas 0 Processo decisório possa desenvolver-se eficazmente, sem que seja necessário ao dirigente empregar toda a bateria das ciên- C|as da administração.
Eis por que o repertório de idéias e práticas tayloristas e fayolistas conserva a sua validade. A administração computari- 2ada pede grau de sofisticação muito além da capacidade da maioria dos administradores atuais.
Conjugado ao fayolismo, tayolorismo continuará ainda por muito tempo a ter aplicação e a produzir bons efeitos na em- Presa média e na empresa pequena.
Mesmo em determinados setores das grandes empresas, P°de acontecer que o volume de trabalho não justifique nem a intervenção dispendiosa do computador, nem o recurso à com- Plicada instrumentalidade das ciências da administração. Re f e r ê n c ia s
1 • C H U R C H M A N N , C. W est. M anagem ent Sciences. Verbete in Encyclopaedia
Britannica. E n cyclopaedia Britannica, Inc. C hicago, 1967.
2 - LA FO N TA IN E, A. P. Boutroux — Editorial Sudam ericana - Buenos Aires, 1943, p. 127.
3 - C H U R C H M A N N , C. W est. Op. c/f. loc. cit. 4 .
5.
e.
. Op. cit. loc. cit. Op. cit.
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