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Dominação política

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DOMINAÇÃO POLÍTICA:

LIDERANÇA CARISMÁTICA E POPULISMO

Um Estudo sobre a Dominação e a Transição do Poder Político em

Montes Claros na Década de 80

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DOMINAÇÃO POLÍTICA:

LIDERANÇA CARISMÁTICA E POPULISMO

Um Estudo sobre a Dominação e a Transição do Poder Político em

Montes Claros na Década de 80

•N

Dissertação apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC para obtenção do títu lo de Mestre em Direito.

Orientadora: Prof* Dra. Olga Maria Boschi Aguiar de Oliveira

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CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS - CCJ CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO - CPGD

MESTRADO INTERINSTITUCIONAL

DOMINAÇÃO POLÍTICA:

LIDERANÇA CARISMÁTICA E POPULISMO

Um Estudo sobre a Dominação e a Transição do Poder Político em

Montes Claros na Década de 80

Hamilton A lm eida Ferreira

DR. CHI_______ ________ JBET Coordenador do CPGD / CCJ / UFSC

Professora Orientadora

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DOMINAÇÃO POLÍTICA:

LIDERANÇA CARISMÁTICA E POPULISMO

Um Estudo sobre a Dominação e a Transição do Poder Político em

Montes Claros na Década de 80

D issertação aprovada para o b te n ç ã o d o grau de M estre j u n t o ao Curso de P ó s-G rad u a ção em D ireito da U n iv e rsid a d e F ed eral de Santa C a ta rin a pela B anca E x am inadora:

Presidente: Pro: Olga Maria Boschi Aguiar DeTMiveira- -

^

£ (yKJo& x.

Membro: Pro# Dr. Christian Guy Caubet

Membro: Prof. Dr. Ant rios Wolkmer

Suplente: Prof. Dr. Sergio urqöhart Cademartori

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Dedico este trabalho a minha “Tiazé” - Maria

José Almeida, que faleceu durante o

desenvolvimento desta pesquisa, pelo seu carinho e p o r toda aflição que sofreu durante minhas viagens à Florianópolis; a minha Mãe - Maria Neusa Almeida, que sempre rezou para que tudo fo sse concluído de form a feliz; ao “N a to ” - Eunápio, meu irmão e amigo que o tempo todo me ajudou e conviveu comigo nesta caminhada rumo à vitória; e a Deus, por ser Ele o sentido e a razão de tudo.

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No desenvolvimento deste trabalho, várias são as pessoas que marcaram a participação no intuito de colaborar ou apoiar para que tudo fosse construído com o maior empenho possível. São a elas que destino os meus agradecimentos.

Ao meu irmão Eunápio - “N ato” , em especial, pelo incentivo a ingressar neste Mestrado, pelo apoio no planejamento dos estudos, antes e durante o mestrado; pelo companheirismo nas viagens que tivemos que fazer à Florianópolis; pela sabedoria em dirimir os problemas ocorridos e pelo exercício do verdadeiro sentimento de irmão na convivência cotidiana. A ele declaro, não somente um agradecimento por tudo isto, mas também o meu respeito em mais alto grau.

A minha mãe, Maria Neusa, pela luta diária e dedicação, trabalhando e rezando, para que todo o nosso trabalho fosse abençoado por Deus e recompensado com um reconhecimento acadêmico.

A minha “Tiazé” - Maria José, em memória, por sua abdicação em prol da felicidade e bem estar de seus sobrinhos; por todo o seu trabalho incessante em toda sua vida e pelas orações que fizera durante todo o Curso.

A toda a minha família que sempre me apoiou e fez votos para que pudesse concluir bem este trabalho.

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dividiram a convivência da estada em Florianópolis por vários meses, pela tolerância nos momentos difíceis da convivência e pela amizade verdadeira que demonstraram durante todo o Curso.

Aos demais colegas, que também passaram, assim como eu, por vários momentos de alegrias e tristezas, transtornos e vitórias longe de seus lares, pelo cooperativismo e coesão, sem endogenias, no transcorrer do Mestrado.

Aos professores e funcionários do CPGD/UFSC, pelo profissionalismo e empenho em nos oferecer o Curso de Mestrado em mais alto nível.

Aos professores e funcionários da UNIMONTES responsáveis pela implantação e realização deste Curso.

E, a DEUS, criador de tudo, por sempre me oferecer condições e oportunidades neste sentido, para que eu possa, com isso, cumprir uma missão. Ciente dela, trabalharei muito para cumpri-la.

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CLAUSS OFFE

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RESUMO... XI RESUMEN... XIII

INTRODUÇÃO... 01

CAPÍTULO I - AS FORMAS DE DOMINAÇÃO EM MAX WEBER 1.1. Formas de dom inação... 05

1.1.1. A organização dos setores dominantes... 10

1.2. A dominação burocrática... 13

1.3. A dominação patriarcal (tradicionalismo e patrimonialismo)... 19

1.3.1. Breve abordagem sobre o feudalismo... 25

1.4. A dominação carismática... 28

1.4.1. A sucessão carismática... 34

CAPÍTULO II - ASPECTOS HISTÓRICOS, POLÍTICOS E ECONÔMICOS DO POPULISMO 2.1..O conceito de populism o... 38

2.2. Breve histórico sobre o populismo... 44

2.2.1. O populismo russo e o norte-americano... 47

2.3. Aspectos políticos, econômicos e sociais do populismo... ... 50

2.4. O populismo na América Latina... 54

2.4.1. A formação dos Estados populistas... 60

2.5. O populismo no B rasil... 65

CAPÍTULO III - A DOMINAÇÃO E A TRANSIÇÃO DO PODER POLÍTICO EM MONTES CLAROS NA DÉCADA DE 80 3.1....O cenário político nacional e local nas décadas que antecedem o movimento oposicionista de 1982... 77

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3.3. Os movimentos oposicionistas... 88 3.4. As organizações partidárias e a transição política... 91 3.5. O surgimento de um novo líder político: a trajetória de Luiz Tadeu Leite... 98

CONCLUSÃO... ... 111 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... ... 117

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Esta pesquisa tem por objeto um estudo em análise comparativa, numa abordagem tipológica, das formas de dominação política apresentadas pela teoria sócio-política de Max Weber em sua obra Economia e Sociedade. Isto identificado em um âmbito definido de exercício do poder político.

Os tipos fundamentais “p u ro s” de dominação política estudados proporcionam um enorme espaço, dentro dos diversos exemplos históricos, para que possam ser analisados. Desta forma, a pesquisa busca delimitar o campo de trabalho em um só tipo de dominação num estudo proposto na cidade de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, no início da década de 80, período de grandes transformações políticas.

A dominação carismática, que encontra o seu fundamento na entrega ao extraordinário, na crença no carisma, na revelação ou graça concedida a determinada pessoa - um herói ou redentor político, por exemplo - é o principal ponto de estudo deste trabalho. Além da dominação carismática, esta pesquisa apresenta ainda os outros dois tipos fundamentais de dominação: a dominação

burocrática, baseada num sistema de regras racionais estatuídas e a dominação patriarcal, centrada no tradicionalismo e no patrimonialismo e que encontra seu

fundamento na autoridade pessoal e na tradição sagrada.

Também será apresentada nesta pesquisa uma abordagem sobre o populismo - fenômeno ou fórmula política, cuja fonte principal de inspiração e

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dominação imposta ou dirigida por um líder carismático, em qualquer tipo de regime político implantado num país ou numa comunidade. Em estudo, o surgimento do Estado populista brasileiro, que teve Getúlio Vargas, como seu principal representante.

A pesquisa finaliza em torno da dominação e transição do poder político em Montes Claros, iniciadas no final dos anos 70 e efetivadas no início da década de 80, com uma grande mobilização popular cujo principal líder era Luiz

Tadea Leite, que representava o ponto convergente da oposição política naquele

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Esta investigación tiene por objetivo un estúdio en análisis comparativa, en un abordaje tipológico, de las formas de dominación política presentadas por la teoria socio-política de Max Weber en su obra Economia y

Sociedad. Esto, identificados en um âmbito definido de ejercicio dei poder político.

Los tipos fundamental.es “puro s” de dominación política

estudiados, proporcionan un enorme espacio, dentro de los diversos ejemplos históricos, para que puedam ser analisados.

De esta forma, la investigación busca delim itar el campo de trabajo en un tipo solo de dominación en un estúdio propuesto en la ciudad de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, en el inicio de la década de 80, período de grandes transformaciones políticas.

La dominación carismática, que encuentra su fundamento en la

entrega a lo extraordinario, la creencia en el carisma, en la revelación o gracia concedida a determinada persona - un héroe o redentor político, por ejemplo - es el principal punto de estúdio de este trabajo.

Además de la dominación carismática, este trabajo presenta aún los otros dos tipos de dominación: la dominación burocrática, baseada en un sistema de regias racionales estabelecidas y la dominación patriarcal, centrada en el tradicionalismo y en el patrimonialismo y que encuentra su fundamento en la autoridad personal y en la tradición sagrada.

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populismo. Fenómeno o formula política, cuya fuente principal de inspiración y término constante de referencia es el pueblo y que puede ocurrir en virtud de una dominación impuesta o dirigida por un lider carismático en cualquier tipo de regimen político implantado en un pais o en una comunidad. En estúdio, el surgimiento dei Estado populista brasileno, que tuvo Getúli Vargas como su principal representante.

La pesquisa finaliza en torno de la dominación y transición dei poder político en Montes Claros, iniciadas al final de los anos 70 y efectivadas en el inicio de la década dei 80, con una gran mobiliza popular que tenia como lider principal Luiz. Tadeu Leite, que representaba el punto convergente de la oposición política en aquel momento y el redentor político que la ciudad esperaba.

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A proposta apresentada por este trabalho está direcionada para analisar as formas de dominação política identificadas por Max Weber, num âmbito definido de exercício do poder político. Os tipos fundamentais de dominação

política proporcionam um enorme espaço, dentro dos diversos exemplos históricos,

para que possam ser analisados. Desta forma, tornou-se imprescindível a delimitação metodológica do campo de trabalho.

A base teórica utilizada para a construção desta dissertação foi a obra Economia e Sociedade de Max WEBER, onde ele trata, dentre outros pontos, da sociologia da dominação. E, no auxílio bibliográfico para o desenvolvimento da pesquisa, os outros referenciais utilizados foram as seguintes obras: O Colapso do

Populismo no Brasil de Octavio Ianni e O Populismo na Política Brasileira de

Francisco Weffort, que formam a base do segundo capítulo.

A análise do problema criado encontra-se no estudo das grandes transformações políticas ocorridas no início da década de 80 na cidade de Montes Claros, localizada ao norte do Estado de Minas Gerais, que teve, pela primeira vez em sua história, o comando do poder político local nas mãos de um político que não é originário das classes oligárquicas, até aquele momento dominante.

A hipótese investigada oferece condições de verificar, nesta transição de poder em Montes Claros, se ocorre ou não um enquadramento

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característico deste político à qualificação proposta por WEBER a uma determinada forma de dominação, a saber: a liderança carismática.

Para o desenvolvimento da pesquisa foram utilizados o método indutivo de abordagem e o método tipológico de procedimento. Vez que, além da análise sobre os tipos e formas de dominação política, também foi ponto de estudo deste trabalho as características das circunstâncias políticas que cercaram o político Luiz Tadeu Leite, bem como as comparações implícitas do complexo político-social com os tipos e formas de dominação política propostos por Max WEBER. Para isso foram utilizadas a técnicas de pesquisa bibliográfica e documental e, como instrumento de coleta de dados a entrevista.

Definidas as bases doutrinárias para o desenvolvimento da pesquisa, bem como os métodos e técnicas a serem utilizadas, o trabalho inicia-se em seu primeiro capítulo, com um estudo teórico das formas de dominação propostas por M ax WEBER, e apresentando a relevância do papel desempenhado pela dominação em todos os tipos de formação social, seja ela, economicamente, mais ou menos importante. Apresenta ainda os três tipos fundamentais “puros” de dominação: a

dominação burocrática, baseada num sistema de regras racionais estatuídas; a dominação patriarcal, centrada no tradicionalismo e no patrimonialismo e que

encontra seu fundamento na autoridade pessoal e na tradição sagrada; e, a

dominação carismática, que se fundamenta na entrega ao extraordinário, na crença

no carisma, na revelação ou graça concedida à determinada pessoa - um herói ou redentor político, por exemplo. A dominação carismática é o principal ponto de estudo deste trabalho.

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No segundo capítulo será feita uma abordagem sobre o populismo. Fenômeno ou fórmula política, cuja fonte principal de inspiração e termo constante de referência é o povo, e que pode ocorrer em virtude de uma dominação imposta ou dirigida por um líder carismático em qualquer tipo de regime político implantado num país ou numa comunidade. Serão apresentados o conceito e um histórico sobre o populismo; além de formas de populismo ocorridas na Rússia, que tinha este como um movimento de intelectuais que propunham lutar e sacrificar suas vidas e a liberdade em benefício do “povo” ; e nos Estados Unidos, que apresenta características próprias e que se desenvolveu entre' proprietários e trabalhadores agrícolas, na última década do século XIX; bem como aspectos do populismo latino americano que surge, como um fenômeno típico da passagem da sociedade tradicional, arcaica ou rural, para a sociedade moderna, urbana ou industrial, na época em que o Estado oligárquico entra em sua maior crise na grande depressão econômica dos anos trinta. Também neste capítulo será apresentado o surgimento do Estado populista brasileiro, que teve em Getúlio Vargas seu principal representante.

No terceiro e último capítulo a pesquisa se desenvolverá em torno da dominaçao e transição do poder político em Montes Claros, iniciadas no final dos anos 70 e efetivadas no início da década de 80, com uma enorme mobilização popular que tinha como principal líder Luiz Tadeu Leite, representando o ápice da oposição e o redentor político que todos esperavam. Serão descritos, no transcorrer deste capítulo, o cenário político em que se encontrava o Brasil e a região antes e durante o movimento oposicionista de 1982 ocorrido na cidade. Serão apresentadas, também, as principais formações das administrações de Montes Claros, bem' como

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das instituições de poder locai; os movimentos oposicionistas, liderados por estudantes e operários com o apoio da igreja católica; as organizações partidárias durante o período da transição política. Para encerrar o capítulo, será desenvolvida, dentro das técnicas de pesquisa acima citadas, a trajetória política e da vida de Luiz Tadeu Leite, figura preponderante para o estudo investigativo do objeto deste trabalho científico.

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AS FORMAS DE DOM INAÇÃO EM MAX WEBER

1.1. Formas de dominação

WEBER apresenta a “dominação”' , num sentido mais amplo, como um dos elementos mais importantes da ação social. Isso não representa que toda ação social possui uma estrutura direcionada a uma forma de dominação, mas, em sua maioria, há uma correlação entre uma e outra. E isto é possível constatar, pois, em diversas estruturas, sejam elas públicas ou privadas, filantrópicas ou capitalistas, há como detectar ações que apontam para uma determinada forma de dominação. A título de exemplo, um colégio católico tem em sua estrutura padrões de conduta e comportamento que nem sempre estarão presentes numa escola laica. Assim como um órgão público, no Brasil, não apresentará o mesmo estilo de trabalho que um privado. Os fins são distintos assim como suas ações e, por conseguinte a maneira de exercer a dominação é diferente.

1 W E B E R , M ax. E c o n o m ia e Sociedade: fu n d a m e n to s da sociologia com preensiva. T rad. Regis B arbosa e K aren E lsabe B a rb o sa . B rasília, DF: U niversidade de B rasília, 1999, p. 187

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Assim como constata WEBER “todas as áreas da ação social, sem

exceção, mostram-se profundamente influenciadas por complexos de dominação”

Ela funcionará, em determinados casos, como uma mola impulsionadora, seja dando forma a uma ação associativa, seja promovendo uma adequação funcional, ou seja, orientando ações para um determinado objetivo.

Nas formações sociais de todos os tipos, seja as economicamente mais relevantes ou menos relevantes, a dominação desempenha um papel claro de

p o d e r 1, porém nem toda posição de poder manifesta-se como forma de dominação.

Mas, em grande parte das formas de dominação, o modo como os meios econômicos são empregados para conservar a dominação influencia, diretamente, na estrutura em que se exerce o poder. Também ajuda na definição da estrutura, aquela função intermediária que possui o interesse em obedecer, para obter ou manter o poder de domínio sobre aqueles em funções inferiores.

Nem sempre a dominação busca alcançar, para seus detentores, uma quantidade expressiva de bens, a simples disposição de bens, ou seja, na mão de quem os bens estiverem, ou como esta pessoa disporá dos bens, ocasionalmente estará exercendo, direta ou indiretamente uma forma de dominação. Uma determinada pessoa, escolhida para ocupar um cargo de secretário de ação social, cuja uma das funções é a distribuição de alimentos, poderá canalizar esta ação de

2 W E B E R , M. E conom ia e S o cied a d e : fu n d a m en to s da so c io lo g ia com preensiva, p. 187.

3 E m se n tid o social, o p o d er p o d e ir desde a ca p a c id a d e g e r a l de agir, até à c a p a c id a d e do hom em em

d ete rm in a r o com portam ento d o hom em : p o d e r d o hom em so b re o homem. No ca m p o da política, o p o d e r é co n sid era d o com o uma das va riá ve is fu n d a m en ta is, em to d o s os setores de estudo d a p olítica: na análise das burocracias, das o rg a n iza çõ es de estruturas hierárquicas, d as relações intern a cio n a is, d os sistem as p o lítico s n acionais e locais. D esta fo rm a , o p o d e r está a n co ra d o p o r um lado na institu cio n a liza çã o e na leg itim a çã o da autoridade e, p o r outro na p o ssib ilid a d e efetiva do recurso à a m ea ç a e, com o extrem a m edida, ao uso da violência. B O B B I O , N. D icio n á rio d e P olítica.

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diversas formas, seja atendendo a interesses pessoais ou de quem o colocou no cargo, vislumbrando para um ou para o outro um cargo público de maior relevância onde poderá exercer o domínio político. A maneira como sua atividade for exercida irá determinar por conseqüência as atitudes do assistido que, para sua subsistência, deixará ser influenciado.

— Este tipo de dominação não é exclusivo de pessoas físicas, certas e determinadas, há também ações, de cunho econômicas, proporcionadas por comunidades econômicas mais sólidas que, em sua própria estrutura e, por conseguinte nas suas ações de mercado ou mesmo políticas, implicam na dominação. Isto fica claro, principalmente quando esta estrutura vem a partir de empresas multinacionais que impõem sua lei de mercado obrigando a quem utilizar seus produtos ou serviços adequar as suas regras, não havendo, desta forma, escolha para o consumidor ou usuário final. Ditam as regras, o funcionamento do mercado e a conduta a ser adotada, transferem para as comunidades em desenvolvimento um padrão de comportamento nos moldes em que são praticados na sede. Trata-se de uma forma de dominação que tornam as comunidades submetidas a estes produtos, serviços ou padrões de comportamento em comunidades dominadas. »

As formas com as quais são possíveis elencar os conceitos de dominação fazem com que não se restrinja a um único significado. W EBER estabelece que é impossível estabelecer um conceito abrangente de todas as formas, condições e conteúdos do “dominar” .

“ P o r isso, q u e r e m o s s o m e n t e ler em c o n t a q u e , al ém d e n u m e r o s o s o u t r os tipos p o s s í v e i s de d o mi n a ç ã o , e x i s t e m

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doi s t ipos r a d i c a l m e n t e o p o s t o s . P o r u m l ado, a d o m i n a ç ã o e m vi r t ude de u ma c o n s t e l a ç ã o d e i n t e r e s s e s ( e s p e c i a l m e n t e em v i r t u d e de uma s i t u a ç ã o d e m o n o p ó l i o ) , e, p o r o u t r o, a d o mi n a ç ã o e m vi rt ude de a u t o r i d a d e ( p o d e r d e m a n d o e d e v e r d e o b e d i ê n c i a) . O t i po mais p u r o d a p r i m e i r a é a d o m i n a ç ã o m o n o p o l i z a d o r a n o me r c a d o , e, da úl t i ma , o p o d e r d o c h e f e de f amí l i a , da a u t o r i d a d e a d m i n i s t ra t i v a o u d o p r í n c i p e ” .4 “

É sobre a dominação em virtude de autoridade que este trabalho será desenvolvido.

Um dos elementos preponderantes do poder de autoridade5 é a propriedade6, que não se limita ao poder no mercado. A propriedade proporciona amplo poder social quando está ligada diretamente a uma relação na sociedade em que vive, o que corresponde à atual posição social do homem que tem a propriedade de uma empresa de jornais ou da mulher que tem uma loja de roupas. Essas relações podem assumir traços diretamente autoritários, não apenas no mercado, mas também nas relações da vida social produzindo “dominação” no sentido mais amplo, transformando este homem no “dono da palavra” ou desta mulher na “rainha das roupas”.

Para que ocorra a relação entre dominador e dominado, não apenas diretamente na esfera das relações ou dos mercados privados, mas também em outras

4 W E B E R , M. E conom ia e Sociedade: fundam entos d a sociologia co m p reen siva , p. 188.

^ Para WE B E R , as relações de mando e de obediência, mais ou me n o s conf i r madas no tempo, e que se encontram tipicamente na política, tendem a se basear não só em f un d a me n t o s materiais ou no mero hábi t o de obediência dos súditos, mas t ambém e principalmente num específi co f unda me nt o de legitimidade. De s t e poder legítimo, que é muitas vezes designado pela pal avra A U T O R I D A D E .

6 O substantivo propriedade deri va do adjetivo latino p ro p riu s e significa: que é de um indivíduo específico. Objet o que pertence a al guém de modo exclusivo, direito de possui r al guma coisa, ou seja, de dispor de a l guma coisa de modo pleno, sem limites, independentemente da posse. No qu e se relaciona com o pode r é o seu reconhecimento no pl ano do direito, da legitimidade, seja d a pr opri edade privada ou não. B O B B I O , N. D icionário de Política.

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situações de dominação, é necessário que haja a obediência, tal como explicita WEBER: “P o r d o m i n a ç ã o c o m p r e e n d e m o s , en t ão , a qui , u m a s i t u a ç ã o de fato, e m q u e u m a v o n t a d e ma n i f es t a ( m a n d a d o ) d o ‘d o m - i n a d o r ’ ou d os ‘d o m i n a d o r e s ’ q u e r i n f l u e n c i a r as a ç õ e s de o u t r a s p e s s o a s ( do ‘d o m i n a d o ’ ou dos ‘d o m i n a d o s ’), e d e f at o as i n f l u e n c i a de tal m o d o q u e es t as aç ões , n um gr au s o c i a l m e n t e r e l e v a n t e , se r ea l i z a m c o m o se os d o m i n a d o s t i ve s s e m f e i t o do p r ó p r i o c o n t e ú d o d o m a n d a d o a m á x i m a de suas a ç õ e s ( ‘o b e d i ê n c i a ’) ” .7

** A obediência pode ser refletida no cumprimento do mandado por

í

convicção de sua conformidade, por um sentimento de obrigação, por medo, por “mero costume” ou por-causa de vantagens pessoais, sem que a diferença tenha uma importância sociológica. Quem exerce.a-dominação está administrando um poder de domínio. A dominação manifesta-se .e.funciona como-administração. Esta precisa, de alguma forma, da dominação, pois, para dirigi-la, é necessário que certos poderes de mando se encontrem nas mãos de alguém, e este alguém é o administrador. O poder de mando pode assumir várias aparências, até mesmo aquela em que o dominador é um “servidor público” a serviço dos dominados. Caso que pode ocorrer nas “administrações públicas” ou “administrações democráticas” onde o concurso para assumir o comando de uma repartição é o meio utilizado, haja vista que para almejar tal posto existe um pressuposto de qualificação ou por algum tipo de benefício pelo tempo e experiência naquela função que vários exercem, o que pode provocar uma minimização da extensão do poder de mando.

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A estima pelos mais experientes no exercício de uma função conserva-se onde importa o valor útil objetivo da experiência ou o poder subjetivo da tradição ou das normas de uma determinada instituição. O desenvolvimento qualitativo e quantitativo das tarefas administrativas favorece, em longo prazo, inevitavelmente, a continuidade efetiva de pelo menos uma parte dos funcionários, porque a superioridade técnica na administração dos assuntos públicos fundamenta- se em treinamento e experiência. Neste sentido torna-se" conseqüente a formação social especial e perene para os fins administrativos e para o exercício da dominação.

\ • *

1.1.1. A organização dos setores dominantes

’ A camada constituída de pessoas que exercem funções de domínio sobre aquela camada inferior, em termos quantitativos, tem sua conservação no poder baseado na organização dos setores dominantes, ou seja, na possibilidade existente para a minoria dominante de comunicar-se internamente com rapidez especial, de dar origem, a cada momento, a uma ação social racionalmente organizada que serve para a conservação de sua posição de poder e de dirigi-la de forma planejada. A vantagem dos setores dominantes organizados sobre os dominados é plenamente eficaz quando os dominadores guardam segredo de suas intenções, das decisões e do conhecimento, atitude que se torna mais difícil e improvável com o aumento da camada dominante.

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“A c i r c u n s t â n c i a de q u e n o c a s o d a d o m i n a ç ã o es s a f u n d a m e n t a ç ã o d e sua l e g i t i mi d a d e n ã o é u ma q u e s t ã o de e s p e c u l a ç ã o t e ó r i c a o u f i l os óf i c a, mas t e m a v e r c o m d i f e r e n ç a s mu i t o r ea i s e n t r e e s t r u t u r a s de d o m i n a ç ã o e m p í r i c a s , d e v e - s e à n e c e s s i d a d e m u i t o g e r a l d e t o d o poder , e a t é d e t o d a o p o r t u n i d a d e de vida, d e a u t o j u s t i c a ç ã o . A ma i s s i mpl e s o b s e r v a ç ã o mo s t ra que, q u a n d o e x i s t e m c o n t r a s t e s a c e n t u a d o s e n t r e o d e s t i n o ou a s i t u a ç ã o de d u a s p e s s o a s , s e j a q u a n t o à saúde ou à s i t u a ç ã o e c o n ô m i c a , social ou o u t r a q u a l q u e r , a q u e l e que se e n c o n t r a na s i t uaç ã o ma i s f a v o r á v e l , p o r m a i s p a t e n t e q u e sej a a o r i g e m p u r a m e n t e ‘c a s u a l 7 da d i f e r e n ç a , s e n t e a n e c e s s i d a d e i nc e s s a nt e d e p o d e r c o n s i d e r a r o c o n t r a s t e q u e o p r i v i l e g i a c o m o ‘l e g í t i m o ’, a s i t u a ç ã o p r óp r i a c o m o ‘m e r e c i d a ’, e a d o o u t r o c o m o r es u l t a d o d e a l g u m a ‘c u l p a ’ del e. I st o o c o r r e t a m b é m n a s r e l a ç õ e s ent re g r u p o s h u m a n o s p o s i t i v a e n e g a t i v a m e n t e p r i v i l e g i a d o s . A ‘l e n d a ’ d e t o d o g r up o a l t a m e n t e p r i v i l e g i a d o é s u a s u p e r i o r i d a d e nat ural, às v e z e s at é ‘de s a n g u e ’ .” 8»

A subsistência de toda “dominação” depende da autojustificação mediante o apelo aos princípios de sua legitimação. São três os princípios, propostos por WEBER, que podem validar um poder de mando legitimando a dominação:

a) Poder Burocrático: Baseado num sistema de regras racionais

estatuídas (pactuadas ou impostas) que encontram obediência quando a pessoa por elas “autorizada” a exige. O portador individual do poder de mando está legitimado por aquele sistema de regras racionais, sendo seu poder legítimo, na medida em que é exercido de acordo com aquelas regras. Obedece-se às regras e não à pessoa,

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ocorre quando a ação social de uma formação de dominação se baseia numa relação associativa racional.

b) Poder Tradicional: Encontra seu fundamento na autoridade pessoal, na tradição sagrada, isto é, no habitual, no que tem sido assim desde sempre, tradição que prescreve obediência diante de determinadas pessoas. A ação social, numa visão vinculada a relações de autoridade tradicionais, esta tipicamente representada pelo “patriarcalismo”.

c) Poder Carismático: A formação de dominação “carismática” apóia-se na autoridade não racionalmente nem tradicionalmente fundamentada de personalidades concretas, esta pode encontrar seu fundamento na entrega ao extraordinário; na crença no carisma, isto é, na revelação atual ou na graça concedida à determinada pessoa - em redentores, profetas e heroísmo de qualquer espécie.

Estes princípios formam o que WEBER denomina de “tipos fundamentais ‘puros’ da estrutura da dominação”, que serão abordados nos tópicos seguintes para a compreensão da pesquisa. Será oferecida à dominação carismática uma maior ênfase, tendo em vista ser esta o objeto de estudo deste trabalho.

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1.2. A dominação burocrática

Alguns fatores, que formam o princípio das competências oficiais fixas, constituem a existência de uma autoridade burocrática, seja na dominação baseada no direito público ou na dominação de uma empresa burocrática de economia privada. São eles:

a) A existência de uma forma de distribuição fixa das atividades regularmente necessárias para realizar os fins do complexo burocraticamente dominado, como deveres oficiais;

b) A necessidade dos poderes de mando, determinados para cumprir estes deveres, estarem fixamente distribuídos, e os meios coativos (físicos, sacros ou outros) que eventualmente podem empregar devem estar também fixamente delimitados por regras;

c) Criação de providências planejadas, contratando pessoas com qualificação regulamentada de forma geral, para o cumprimento regular e contínuo dos deveres assim distribuídos e para o exercício dos direitos correspondentes.

Outro princípio que constitui o funcionamento do poder burocrático é o da hierarquia dos cargos. Trata-se do sistema devidamente regulamentado de mando e subordinação das autoridades, com fiscalização das autoridades inferiores pelas superiores, oferecendo ao mesmo tempo, ao dominado a possibilidade de apelar de uma autoridade inferior à instância superior desta.

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Para que uma administração seja considerada moderna e organizada, esta tem que se basear na organização dos seus documentos, cujo original sempre se registra e arquiva, e ter um quadro de funcionários subalternos e escrivães de todas as espécies, além de separar, por princípio, o escritório da moradia privada, distinguindo em geral a atividade oficial, como área especial, da esfera da vida privada, e os recursos monetários e outros meios oficiais da propriedade privada do funcionário. Constitui um escritório o conjunto dos funcionários que trabalham numa instituição administrativa e também todo o aparato correspondente de objetos e documentos. Formação que por toda parte é produto de um longo desenvolvimento. Encontra-se esta estrutura tanto nas empresas públicas quanto naquelas da economia privada, estendendo-se nestas últimas, também, ao-empresário dirigente ou a profissionais liberais.

O funcionário que compõe o escritório de uma repartição, seja pública ou de economia privada, pode ser considerado moderno, quando aspira sempre a uma ascensão social, sempre buscando crescer na hierarquia da estrutura burocrática até conseguir um cargo que lhe dê poder de domínio. O tipo puro do funcionário burocrático é nomeado por uma instância superior; caso o funcionário seja eleito pelos dominados deixa de ser uma figura puramente burocrática. O funcionário não-eleito, mas nomeado por um superior, costuma funcionar, do ponto de vista técnico, com maior precisão. Os dominados, como leigos, somente podem julgar o grau de qualificação técnica de um candidato a um cargo pelas experiências feitas com ele. Desta forma, a eleição popular não apenas do chefe administrativo, como também de seus funcionários subordinados, além de debilitar a dependência

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hierárquica, costuma ameaçar fortemente o funcionamento preciso do mecanismo burocrático, comprometendo a estrutura burocrática.

O avanço da organização burocrática sempre foi sua superioridade técnica sobre qualquer outro tipo de estrutura. Conhecimento da documentação, precisão, rapidez, continuidade, discrição, uniformidade, subordinação rigorosa, diminuição de atritos e custos materiais e pessoais alcançam o ótimo numa administração rigorosamente burocrática exercida por funcionários individuais treinados, em comparação a todas as formas colegiais ou exercida como atividade honorária ou acessória. No que se refere às tarefas mais complexas, o trabalho burocrático remunerado não apenas é mais preciso, como também muitas vezes mais barato no resultado final do que o formalmente não-remunerado.

A atividade honorária (função honorífica) é uma atividade acessória, por isso funciona mais devagar, está menos vinculada a esquemas e não é tão formal e, portanto, de menor precisão e também menos uniforme, por não depender demasiadamente das autoridades superiores, é menos contínua. Com isso os gastos efetivos são muito mais altos na administração burocrática que funciona com atividade não-remunerada por perda de tempo e falta de precisão.

Com o desenvolvimento em alta escala dos aparatos burocráticos, torna-se mais econômico investir em funcionários bem qualificados. Nesse sentido WEBER expõe:

“A e x i g ê n c i a d a r e a l i z a ç ã o m a i s r á p i d a p os s í v e l d a s t a r e f a s of i c i ai s , al ém de i n e q u í v o c a e c o n t í n u a , é a t u a l m e n t e d i r i g i d a à a d m i n i s t r a ç ã o, e m p r i m e i r o l ugar, p e l a e c o n o m i a

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c a p i t a l i s t a m o d e r n a . As m o d e r n a s e m p r e s a s ca pi t a l i s t as de g r an d e p o r t e s ã o e l a s me s m a s , em r e g r a , m o d e l o s i n i g u a l a d o s de u ma r i g o r o s a o r g a n i z a ç ã o b u r o c r á t i c a . Su a s r e l a ç õ e s c o m e r c i a i s b a s e i a m - s e , s e m e x c eç ã o , em c r e s c e n t e p r e c i s ã o , c o n t i n u i d a d e e, s o b r e t u d o , r a p i d e z d a s o p e r a ç õ e s . I s t o es t á c o n d i c i o n a d o , p o r sua vez, p e l a n a t u r e z a p e c ul i a r d o s m o d e r n o s me i o s de t r an s p o r t e e c o m u n i c a ç ã o , d os q u a i s faz pa r t e , e n t r e o u t r a s c oi s a s , o s e r v i ç o de i n f o r m a ç õ e s d a i mp r e n s a. A a c e l e r a ç ã o e x t r a o r d i n á r i a na t r a n s m i s s ã o de c o m u n i c a d o s p ú b l i c o s d e fatos e c o n ô m i c o s ou p u r a m e n t e p o l í t i c o s e x e r c e , c o m o tal, u m a fort e p r es s ã o c o n t í n u a e m d i r e ç ã o à ma i o r a c e le r a ç ã o p o s s í v e l d o t e mp o de r e a ç ã o da a d m i n i s t r a ç ã o d i a n t e da s s i t u a ç õ e s d a d a s e m c a d a mo me n t o , e o ó t i m o , n e s t e s e nt i do, p o d e s o m e n t e se r a l c a n ç a d o , em r egr a, por u m a o r g a n i z a ç ã o b u r o c r á t i c a r i g o r o s a . (A c i r c u n s t â nc i a d e q u e o a p a r a t o b u r o c r á t i c o p o d e t a m b é m p r o d u z i r , e de fat o pr o d u z , c e r t o s o b s t á c u l o s q u e i m p e d e m u ma r e s o l u ç ã o a d e q u a d a d o c a s o i n d i v i d u a l n ã o p o d e ser t r a t ada n e s t e l uga r. ) S o b r e t u d o , p o r é m , a b u r o c r a t i z a ç ã o o f e r e c e o ó t i m o d e p o s s i b i l i d a d e p a r a r e a l i z a r o p r i n c í p i o d a r e p a r t i ç ã o d o t r a b a l h o a d m i n i s t r a t i v o s e g u n d o a s p e c t o s p u r a m e n t e o b j e t i v o s , d i s t r i b u i n d o - s e as t a re fa s e s pe c i a i s e n t r e f u n c i o n á r i o s e s p e c i a l i z a d o s , e q u e c a d a vez ma i s se a p r i m o r a m na p r á t i c a c o n t í n u a . (...) A r e a l i z a ç ã o c o n s e q ü e n t e d a d o m i n a ç ã o b u r o c r á t i c a s i g n i f i c a o n i v e l a m e n t o d a ‘h o n r a ’ e s t a me n t a l e, p o r t a n t o , q u a n d o n ão se r es t r i n g e a o m e s m o t e mp o o p r i n c í p i o d a l i b e r d a d e d e m e r c a d o , a d o m i n a ç ã o u n i v e r s a l d a ‘s i t ua ç ã o de c l a s s e ’. S e e s t a c o n s e q ü ê n c i a d a d o m i n a ç ã o b u r oc r át i ca n ã o se d eu p o r t o d a p a r t e p a r a l e l a m e n t e ao g r a u d e b u r o c r a t i z a ç ã o , isto se d e v e à d i v e r s i d a d e d o s p o s s í v e i s p r i n c í p i o s q u e d e t e r m i n a m a c o b e r t u r a d a s n e c e s s i d a d e s nas c o m u n i d a d e s p o l í t i ca s . M a s t a m b é m p a r a a b u r o c r a c i a m o d e r n a , o s e g u n d o e l e m e n t o , as ‘r eg r as c a l c u l á v e i s ’, t e m i m p o r t â n c i a p r e d o m i n a n t e . A p e c u l i a r i d a d e d a c ul t ur a m o d e r n a , e s p e c i a l m e n t e a de s ua b a s e t é c n i c o - e c o n ô m i c a , exi ge p r e c i s a m e n t e e s t a ‘c a l c u l a b i l i d a d e ’ do r e s u l t a d o ” .9

E WEBER completa, neste mesmo trecho, abordando sobre a desumanização provocada pela qualidade exigida pela melhor estrutura burocrática:

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“E l a d e s e n v o l v e sua p e c u l i a r i d a d e , b e m - v i n d a a o c a p i l a l i s m o , c o m t a n t o m a i o r p e r f e i ç ã o q u a n t o mai s se “ d e s u m a n i z a ” , vale di z e r , q u a n t o mais p e r f e i t a m e n t e c o n s e g u e r e a l i z a r a q u e l a q u a l i d a d e e s p e c í f i c a que é l o u v a d a c o m o sua vi r t ude : a e l i m i n a ç ã o d o a m o r , d o ó di o e de t o d o s os e l e m e n t o s s e n t i me n t a i s , p u r a m e n t e p e s s o a i s e, de m o d o ger a l i r r a ci o n a i s , q u e se s u b t r a e m ao cál cul o, na e x e c u ç ã o das t arefas o f i c i ai s . E m vez do s e n h o r da s o r de n s ma i s a n t i g a s , m o v i d o por s i m p a t i a p e s s o al , favor , g r a ç a e gr at i dão, a c u l t u r a m o d e r n a exi ge par a o a p a r a t o e x t e r n o e m q u e se a p ó i a o e s p e c ia lis ta n ã o - e n v o l v i d o p e s s o a l m e n t e e, p o r isso, r i g o r o s a m e n t e ‘o b j e t i v o ’ e i s t o tant o mai s q u a n t o ma i s el a se c o m p l i c a e e s pe c i a l i z a . E t u d o ist o a es t r ut ur a b u r o c r á t i c a o f er ec e n u m a c o m b i n a ç ã o f a v o r á v e l . S o b r e t u d o é só el a q u e c o s t u m a c r i a r p a r a a ju r is d iç ã o o f u n d a m e n t o p a r a a r e a l i z a ç ã o d e um d ir e ito c o n c e i t u a l m e n t e s i s t e m a t i z a d o e r ac i o n a l , na b a s e d e i e i s ’.” 10

Torna-se necessário nos lugares onde existe a democracia de massas, que visa acabar com os privilégios patrimoniais e plutocráticos, ter uma administração que coloca o trabalho profissional remunerado no lugar da tradicional administração de atividades honorárias.

Uma estrutura burocrática plenamente realizada torna-se um complexo social quase que indestrutível. Como instrumento da transformação em - relações de dominação, ela era e continua sendo um meio de poder de primeira categoria para aquele que dispõe do aparato burocrático, pois, uma “ação associativa” , ordenada e dirigida de forma planejada, é superior a toda “ação de m assas” ou “comunitária” contrária. Onde quer que a burocratização da administração tenha sido levada conseqüentemente a cabo, cria-se uma forma praticamente inquebrantável das relações de dominação. O funcionário individual não pode desprender-se do aparato do qual faz parte. Os dominados, por sua vez,

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não podem nem prescindir de um aparato de dominação burocrático, uma vez existente, nem substituí-lo, porque este se baseia numa síntese bem planejada de instrução específica, especialização técnica com divisão do trabalho e firme preparo para exercer determinadas funções habituais e dominadas com destreza. Se este aparato suspende o trabalho ou é forçado a fazê-lo, a conseqüência é um caos, sendo difícil a tarefa de improvisar uma instituição substitutiva, a partir dos dominados, para vencê-lo. Isto se aplica tanto à esfera administrativa pública quanto à da economia privada, tal como se verifica com as greves de funcionários públicos, bem como com as greves e manifestações das categorias pertencentes à economia privada.

Pode-se dizer, com certo cuidado, que a burocratização é fomentada pelo avanço da democracia, apesar de ser um fundamento particularmente favorável, não é o único possível para fenômenos de burocratização. E sempre cabe ter presente o fato de que a “democracia” é também inimiga do “domínio” da burocracia, podendo criar, neste papel, rupturas e obstáculos muito sensíveis para a organização burocrática. Mesmo assim, o poder da burocracia plenamente desenvolvida é sempre muito grande. Toda burocracia, quando desenvolvida, procura aumentar mais ainda a superioridade do profissional instruído, ao guardar segredo sobre seus conhecimentos e intenções. Busca sempre registrar os documentos e estabelecer formas claras para que qualquer um tenha acesso ao aparato burocrático.

Verifica-se que a estrutura burocrática é de caráter racional: regra, finalidade, meios, impessoalidade, fazem parte de suas atitudes. O seu surgimento e sua divulgação tiveram por toda parte efeito inovador que se caracteriza pelo avanço

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do racionalismo em todas as áreas e também por aniquilar formas de dominação que não tinham caráter racional.

1.3. À dom inação patriarcal (tradicionalismo e patrimonialismo)

A estrutura patriarcal da dominação se baseia em relações de piedade rigorosamente pessoais. Sua origem encontra-se na autoridade do chefe da comunidade doméstica. Com muita propriedade WEBER faz um paralelo entre a dominação burocrática e a patriarcal:

/

“ (...) a mb as e n c o n t r a m seu a p o i o interior, e m ú l t i m a i nst ânci a, na obe d i ên c i a a ‘n o r m a s ’ p o r p ar t e dos s u b me t i d o s ao p o d er . Es t a s nor mas , no c a s o d a d o m i n a ç ã o bu r o cr át i c a , s ã o r a c i o n a l m e n t e criadas, a p e l a m a o s e n s o d a l e g al i d a d e a b s t r a t a e b a s e i a m - s e e m i nst rução t é c n i c a ; na d o m i n a ç ã o p a t r i ar c a l , a o c o n t r á r i o , f u n d a m e n t a m - s e n a ‘t r a d i ç ã o ’; na c r e n ç a na i n v i o l a b i l i d a d e d a q u i l o q ue foi a s s i m d e s d e s e mp r e . E a si gni fi c a ç ão d a s n o r m a s é nas d u a s f u n d a m e n t a l m e n t e di f e r e n t e. N a d o m i n a ç ã o b u r o c r á t i c a é a n o r m a es t at uí da qu e c r i a a l e g i t i m a ç ã o do d e t en t o r c o n c r e t o do p o d e r p a r a d a r or dens c o n c r e t a s . N a d o m i n a ç ã o pa t r i a r c a l é a s u b mi s s ã o pes soal ao s e n h o r q u e g a r a n t e a l e g i t i mi d a d e d a s r eg r as p o r es t e es t at uí das, e s o m e n t e o f at o e os l i mi t es d e seu p o d e r d e m a n d o , t ê m por sua vez, s u a o r i g e m eni ‘n o r m a s ’, ma s e m n or ma s não- es t at uí das, s a g r a d a s p e l a t r a d i ç ã o ” . 11

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O poder de domínio patriarcal está inserido, pela tradição, na figura do “senhor” e caso o seu poder não esteja limitado pela tradição ou por poderes concorrentes, ele o exerce de forma ilimitada, arbitrária e sem compromisso com regras. Nestes casos de autoridade doméstica, situações remotas, naturalmente surgidas, é que vai construindo a fonte da crença na autoridade, baseada em piedade; na convivência especificamente íntima, pessoal e duradoura no mesmo lar, daqueles que são os dominados submetidos à comunidade doméstica; "na superioridade normal da energia física e psíquica do homem, para a mulher submetida à autoridade doméstica; na necessidade objetiva de apoio, para a criança; no hábito e na influência persistente da educação e lembranças arraigadas da juventude, para o filho- e para o servo, baseada na falta de proteção fora da esfera

* de poder de seu amo ou patrão.

O patriarcalismo não se baseia somente em vínculos de sangue reais, a primitiva concepção patriarcal trata das relações entre procriação e nascimento, é o poder doméstico sob o aspecto de propriedade: os filhos de todas as mulheres submetidas ao poder doméstico de um homem, tanto da esposa como das escravas, eram considerados, independentemente da paternidade biológica, “seus” filhos, assim como são considerados seus gados os animais nascidos de seus rebanhos.

A dominação dos portadores de honra, assim como a dominação patriarcal, também é autoridade baseada na santidade da tradição. A honra social dentro de determinado círculo se torna a base de uma posição dominante com o poder de mando autoritário.O que a distingue da dominação patriarcal e ausência

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daquelas relações de piedade específicas vinculada à pertinência a uma comunidade doméstica ou patrimonial.

O comunismo primitivo exercido nas comunidades domésticas, tanto na esfera sexual quanto na economia, está sendo submetido a limites cada vez mais estreitos, devido ao sucesso de outras formas de dominação, como a da “empresa” racional. Trata-se de uma descentralização da comunidade doméstica quando, numa propriedade extensa, certos membros não livres, incluem-se aí os filhos do dono da casa, são colocados em parcelas com moradia e família próprias e abastecidos com gado e utensílios, provocando uma debilitação interna do poder doméstico. Esta própria relação de dependência permanece uma relação de piedade e lealdade. Mas uma relação baseada em tal fundamento, por mais que se represente inicialmente uma denominação puramente unilateral, faz surgir a exigência de reciprocidade, por parte dos submetidos ao poder e, esta exigência, em virtude da

f

natureza da relação, adquire reconhecimento social como “costume” . O senhor “deve” , portanto, alguma coisa ao submetido, não juridicamente, mais de acordo com o costume, tal como a proteção de perigos externos ou algo em troca da exploração da capacidade de trabalho do dominado. De acordo com o costume, o submetido deve ao senhor seu apoio, com todos os meios disponíveis, o apoio no caso de conflitos, o senhor pode-lhe ceder parte da propriedade, bem como o direito de tirar-lhe arbitrariamente, e também o costume considera originalmente óbvio o direito do dominador de dispor sobre as pessoas e os bens que deixa após a morte. Nestes casos da estrutura de dominação patriarcal, onde o poder doméstico é descentralizado mediante a cessão de terras e eventualmente de utensílios a filhos

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ou outros dependentes da comunidade doméstica, WEBER denomina como “dominação patrimonial”.

A administração patrimonial cuida especificamente das necessidades, puramente pessoais, do senhor ou de seus “filhos” . A obtenção de um domínio “político” de um senhor sobre outros senhores, não submetidos ao poder doméstico, significa então a agregação ao poder doméstico de outras relações de dominação. Os dois poderes políticos, o poder militar e o judicial (nas comunidades onde estes são nomeados livremente), são exercidos como partes integrantes do poder doméstico. WEBER acolhe da seguinte forma esta relação política no patrimonialismo: “O s e n h o r p a t r i m o n i a l p o l í t i c o e s t á u n i d o c o m os d o m i n a d o s n um a c o m u n i d a d e c o n s e n s u a l , a qual exi st e t a m b é m i n d e p e n d e n t e m e n t e d e u m p o d e r mi l i t a r p a t r i m o n i a l a u t ô n o m o e se b a s e i a na c o n v i c ç ã o d e q u e o p o d e r s e n h o r i a l tr a d ic io n a lm e n te e x e r c i d o sej a o d i r e i t o l e g í t i m o do s e n h o r . A u m a p e s s o a n e s t e s e n t i d o ‘l e g i t i m a m e n t e ’ d o m i n a d a p o r u m p r í n c i p e p a t r i m o n i a l q u e r e m o s c h a m a r aq u i d e ‘súdi t o p o l í t i c o ’. S u a p o s i ç ã o d i s t i n g u e - s e d a q u e l a d o livre c o m p a n h e i r o mi l i t a r ou j u r í d i c o pe l o fat o d e el e t er qu e p r e s t a r s e r v i ç o s e c o n t r i b u i ç õ e s p a r a f i ns p o l í t i c o s ” . 12

Aparentemente o funcionalismo patrimonial, com a progressiva divisão das funções e racionalização, sobretudo com o aumento das tarefas escritas e o estabelecimento de uma hierarquia ordenada de instâncias, pode assumir traços burocráticos. Porém, falta ao cargo patrimonial a distinção burocrática entre a esfera “privada” e a “oficial” .

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A administração política é tratada como assunto puramente pessoal do senhor, e a propriedade e o exercício do seu poder político, como parte integrante de seu patrimônio pessoal. A forma com que ele exerce o poder é objeto de seu livre-arbítrio, desde que a santidade da tradição, que interfere por toda parte não lhe imponha limites. Toma decisões puramente pessoais até mesmo sobre a delimitação das competências e atribuições de seus funcionários. Nesta relação de delimitação das competências e das atribuições entre os funcionários patrimoniais, na medida em que a tradição sagrada não exige determinados atos oficiais por parte do senhor ou dos servidores, estas são produtos de livre-arbítrio.

Ao contrário da burocracia, o funcionário patrimonial tem uma relação, puramente pessoal, de submissão ao senhor. Mesmo ali onde o funcionário político não é pessoalmente um dependente da corte, o senhor exige sua obediência ilimitada no cargo. Pois a fidelidade ao cargo do funcionário patrimonial não é uma fidelidade objetiva do servidor perante tarefas objetivas, cuja extensão e conteúdo estão delimitados por determinadas regras, mas, sim, uma fidelidade de criado que sé refere de forma rigorosamente pessoal ao senhor e constitui uma parte integrante de seu dever de princípio universal de piedade e fidelidade. Desta forma o complexo patrimonial político não conhece nem o conceito de “competência” nem o de “autoridade administrativa” no sentido atual das palavras, e isto tanto menos quanto maior a apropriação. Falta ao cargo, baseado em relações de subordinação puramente pessoais, a idéia do dever oficial objetivo. Nesse sentido W EBER define o estado patrimonial da seguinte forma:

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“ O e s t a d o p a t r i m o n i a l é, na área de f o r m a ç ã o do d i r e i t o , o r e p r es e n t a n t e tí pi co d a c o e x i s t ê n c i a de u ma v i n c u l a ç ã o i n q u e b r a n t á v e l à t r adi ção, p o r um l a d o , e, por out ro, d e uma s u b s t i t u i ç ã o do d o mí n i o de r e g r a s r a c i o n a i s pe l a ' j u s t i ç a de g a b i n e t e ’ d o s e n h o r e de s e us f u n c i o n á r i o s . Em v e z da ‘o b j e t i v i d a d e ’ b u r oc r át i ca e do i de al , b a s e a d o na v i gênci a a b s t r a t a d e u m d i r e i t o igual e o b j e t i v o , d a a d m i n i s t r a ç ã o ‘sem c o n s i d e r a ç õ e s p e s s o a i s ’, r e g e o p r i n cí p i o o p o s t o . S i m p l e s m e n t e t udo se b a s e i a e x p r e s s a m e n t e em ‘c o n s i d e r a ç õ e s p e s s o a i s ’, isto é, na a v a l i a ç ã o do s o l i c i t a n t e c o n c r e t o e de seu p e d i d o c o n c r e t o e em r el a ç õ e s , a t o s de g r a ç a , p r o m e s s a s e pr i v i l é g i o s p u r a m e n t e pes soai s . T a m b é m as a p r o p r i a ç õ e s e os pr i vi l é gi os c o n c e d i d o s pel o s e n h o r - as s i m, s o b r e t u d o , as d o a ç õ e s de t erras, p o r m a i s de f i ni t i vas que s e j a sua f o r m a - s ã o mui t a s ve z e s c o n s i d e r a d o s r e v o g á v e i s em c a s o de ‘i n g r a t i d ã o ’, a qual se d e t e r m i n a de f o r m a mui t o v aci l ant e , s e n d o , a l é m d i s s o , p o u c o s e g u r o s q u a n t o a s u a v a l i d a d e a pós a m o r t e do s e n h o r , e m vi r t u d e d a i n t e r p r e t a ç ã o p e s s o a l de t oda s as r e l a ç õ e s . P o r i s s o , s ã o a p r e s e n t a d o s a o s u c e s s o r p a r a este c o n f i r ma - l o s . D e p e n d e n d o d a s i t uaç ão d e p o d e r , s e m p r e inst ável , ent re o s e n h o r e os f u n c i o n á r i o s , este ato p o d e s e r t ant o e n t e n d i d o c o m o c u m p r i m e n t o de um deve r , c o n s t i t u i n d o , por t ant o, o c a m i n h o que c o n d u z d a r e v o g a b i l i d a d e à a p r o p r i a ç ã o p e r ma n e n t e , c o m o d i r ei t o a d q u i r i d o , q u a n t o, p o r o u t r o l ado, p o d e se r par a o s u c e s s o r u ma o c a s i ã o c o n v e n i e n t e p a r a a b r i r c a m i n h o à a r b i t ra r i e d a d e p r ó p r i a , m e d i a n t e a c a s s a ç ã o de tais d i r e i t o s e s p e c i a i s - m e i o q u e foi e m p r e g a d o s r e p e t i d a s ve z e s no p r o c e s s o de f or ma ç ã o d o E s t a d o p a t r i m o n i a l - b u r o c r á t i c o o ci dent a l d a e r a M o d e r n a ” . 13

Nesta estrutura administrativa, a capacidade pessoal do senhor de impor sua vontade é, em alto grau, decisiva para a proporção em que este realiza na prática seu poder nominal. O senhor tenta de várias maneiras assegurar a unidade de sua dominação e protegê-la contra a apropriação dos cargos por parte dos funcionários e de seus herdeiros, e também contra outras formas de surgimento de

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poderes senhoriais. E para a manutenção do poder o senhor promove viagens regulares onde pessoalmente visita todo o território dominado.

1.3.1. Breve abordagem sobre o feudalismo

Dentro da estrutura patrimonial encontra-se o feudalismo, que é definido por WEBER como um “caso-limite” de estrutura patrimonial, no sentido da fixação das relações entre os senhores e os vassalos. O feudalismo tem origem dentro do comunismo doméstico patriarcal, onde se iniciou, na fase da economia patrimonial extensa, a relação de fidelidade baseada em contratos fixados. O feudo é um complexo de direitos que proporciona rendas e cuja posse pode e deve fundamentar uma existência senhorial, em direitos senhoriais territoriais e poderes políticos que proporcionam rendas.

As relações feudais são classificadas por WEBER da seguinte forma:

“ 1) f e u d a l i s m o ‘I i t ú r g i c o ’ : s o l d a d o s e s t a b e l e c i d o s c o m o c o l o n o s , c o l o n o s f r o n t e i r i ç o s , c a m p o n e s e s c om d e v e r e s mi l i t a re s e s p e c í f i c o s ( c l e r u c o s , la e ti, lim ita n e i, c o s s a c o s ) ;

2) f e u d a l i s m o ‘p a t r i m o n i a l ’ , s u b d i v i d i d o em:

a) f e u d a l i s m o v i n c u l a d o ao ‘s e n h o r i o t e r r i t o r i a l ’: r e c r u t a m e n t o de c o l o n o s ( p o r e x e m p l o , p e l a a r i s t o c r a c i a

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b) f e u d a l i s m o v i n c u l a d o ao ‘s e n h o r i o c o r p o r a l ' : e s c r a v o s ( exérci t o de e s c r a v o s d a B a b i l ô n i a e do a n t i g o E gi t o, t r o p a s par t i cul a r e s d a A r á b i a d a I d a d e Mé d i a , m a me l u c o s ) ; c) f e u d a l i s m o v i n c u l a d o à l i nha ge m: c l i e n t es h e r e d i t á r i o s c o mo s o l d a d o s p a r t i c u l a r e s ( no b r e z a r o ma n a ) ; 3) F e u d a l i s m o ‘l i v r e ’, s u b d i v i d i d o em: a) f e u d a l i s m o de ‘s é q ü i t o ’: e x c l u s i v a m e n t e em v i r t u d e d e uma r e l a ç ã o d e f i d e l i d a d e p e s s oa l , s em c o n c e s s ã o de d i r e i t o s senhori ai s t e r r i t o r i a i s (a ma i o r i a d os s a m u r a is j a p o n e s e s ) ; b ) f e u d a l i s m o de ‘p r e b e n d a ’: s e m r e l a ç õ e s de f i d e l i d a d e pessoal , a p e n a s e m vi r t u d e d a c o n c e s s ã o de s e n h o r i o s t e r r i t o r i a i s e de t r i b u t o s ( O r i e n t e P r ó x i m o , i nc l us i ve o s f e u d o s t u r co s ) ; c) f e u d a l i s m o ‘de v a s s a l a g e m ’: c o m b i n a ç ã o de r e l a ç ã o d e f i del i dade p e s s o a l e f e u d o ( Oc i d e n t e) ; d) f e u d a l i s m o ‘u r b a n o ’: e m vi r t ude d e u ma a s s o c i a ç ã o de gu e r r e i r o s , b a s e a d a e m lotes c o n c e d i d o s p e l o s e n h o r t e r r i t o r i a l a c a da um d o s g u e r r e i r o s (a p o lis he l éni c a , t í p i c a do m o d e l o d e E s p a r t a ) ” . 14

O feudalismo cria condições de auto-equipamento e treinamento militar profissional. Na guerra, o vassalo encontra na honra do senhor sua própria honra, na expansão de seu poder, a possibilidade de seus descendentes receberem feudos e, sobretudo, na conservação do domínio pessoal dele, que é o único

fundamento da legitimidade da posse de um feudo.

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O único motivo para o senhor tirar o feudo de um vassalo é a “felonia”, trata-se do rompimento de fidelidade ao senhor pelo não cumprimento dos deveres feudais. Em contra-ponto o ato de deslealdade, por arbitrariedade, do senhor para com um vassalo faz com que destrua, internamente, as suas relações com todos os vassalos.

Diante dessa relação de deveres e de lealdade recíproca, W EBER propõe a seguinte afirmação:

“O f e u d a l i s m o s i g n i f i c a u ma ‘d i v i s ã o d e p o d e r e s ’. Só que n ã o é, c o m o a d e M o n t e s q u i e u , u m a d i v i s ã o q u al i t a t i v a , c o m o d i v i s ã o d e t r aba l ho, m a s s i m u m a s i m p l e s d i v i s ã o q u a n t i t a t i v a d o p o d e r s e n h o r i a l . E m c e r t o s e n t i d o , t r a t a- s e d e u m a a n t e c i p a ç ã o p r i mi t i v a d a i dé i a d o ‘c o n t r a t o s o c i a l ’, q u e c o n d u z ao c o n s t i t u c i o n a l i s m o e c o n s t i t u i o f u n d a m e n t o d a d i v i s ã o d e p o d e r e s pol í t i ca . M a s não n a f o r m a de um p a c t o ent re o s e n h o r e os d o m i n a d o s ou s eus r e p r e s e n t a n t e s - c o n s i d e r a n d o - s e a s u b m i s s ã o d o s úl t i mos à f ont e d o di r ei t o do s e n h o r -, e si m n a f o r m a e s s e n c i a l m e n t e d i f e r e n t e d e um c o n t r a t o e n t r e o s e n h o r e os p o r t a d o r e s d o p o d e r d e r i v a d o d e l e ” . 15

A estrutura de dominação feudal, com seus direitos e deveres exatamente definidos, exerce, em regra, uma influência estabilizadora sobre a distribuição individual dos bens. Isto ocorre em virtude do caráter fundamental da ordem jurídica. A associação feudal e as formações patrimoniais afins constituem uma síntese de direitos e deveres concretos de conteúdo individual. Constituem um caso amorfo de “Estado de direito” sobre a base não de ordens jurídicas “objetivas” , mas sim de direitos “subjetivos” .

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Então se verifica, numa abordagem ampla, que o feudalismo é o domínio dos poucos, dos aptos para o uso de armas, enquanto que o patrimonialismo patriarcal é a dominação das massas por um indivíduo que precisa de “funcionários”, como órgão da dominação, já o feudalismo minimiza esta necessidade. O patrimonialismo patriarcal, desde que não se apóie em exercícios patrimoniais recrutados no exterior, depende, quase sempre, da boa vontade dos súditos, dispensável em grande parte para o feudalismo.

1.4. A dominação carismática

No patriarcalismo, que tem como qualidade importante a continuidade, o patriarca é o líder natural da vida cotidiana. Na estrutura burocrática, que também possui caráter cotidiano, mas dentro da esfera racional, tem-se uma formação permanente e corresponde com seu sistema de regras racionais, à satisfação de necessidades constantes e calculáveis com meios normais. Em oposição a toda espécie de organização administrativa, a estrutura carismática não conhece nenhuma forma e nenhum procedimento ordenado de nomeação ou demissão, nem de carreira ou promoção; não conhece nenhum salário, nenhuma instrução especializada, regulamentada do portador do carisma ou de seus ajudantes e nenhuma instância controladora ou à qual se possa apelar; não lhe estão atribuídos

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determinados distritos ou competência objetivas exclusivas e, por fim, não há nenhuma instituição permanente e independente das pessoas e da existência de seu carisma pessoal, à maneira das autoridades burocráticas. Ao contrário, o carisma conhece apenas determinações e limites imanentes. O portador do carisma assume tarefas que considera adequadas e exige obediência e adesão em virtude de sua missão. Se as encontra, ou não, depende do êxito. Se aqueles aos quais ele se sente enviado não reconhecem sua missão, sua exigência fracassa. Se o reconhecem, é o senhor deles enquanto sabe manter seu reconhecimento mediante provas. O reconhecimento do carismaticamente qualificado é o dever daqueles aos quais se dirige sua missão. A satisfação de todas as necessidades que transcendem as exigências da vida econômica cotidiana tem fundamentos carismáticos.

O carisma é, em regra, na abordagem de WEBER:

“(...) q u a l i t a t i v a m e n t e si ngul ar, e p o r isso d e t e r m i n a - s e p o r f a t or e s i nt er nos e n ã o p o r o r de n s e x t er n a s o l i mi t e q u a l i t a t i v o d a mi s s ão e d o p o d e r d e s e u p o r t a d o r . S e g u n d o seu s e n t i d o e c o n t e ú d o , a m i s s ã o p o d e d i r i g i r - s e , e em r egr a o f az , a um g r u p o d e p e s s o a s d e t e r m i n a d o p o r f a t o r e s locai s, ét ni cos , s o c i a i s , p o l í t i c o s , p r o f i s s i o n a i s ou de o u t r o t i p o qu a l qu e r : n e s t e ca s o, e n c o n t r a s e u s l i mites no cí r c u l o d e s t a s p e s s o a s . (...) A e x i s t ê n c i a da a u t o r i d a d e c a r i s má t i c a , de a c o r d o c o m a sua n a t u r e z a é e s p e c i f i c a m e n t e lábil. O p o r t a d o r p o d e p e r d e r o ca r i s ma , s e n t i r - s e ‘a b a n d o n a d o de seu d e u s ' , c o m o J e s u s n a cruz, mo s t r a r - se a seus s e q u a z e s c o m o ‘p r i v a d o de sua f o r ç a ’ : n e s t e caso, s u a m i s s ã o est á e x t i n t a , e a e s p e r a n ç a a g u a r da e p r o c u r a um novo p o r t a d o r . A b a n d o n a m - n o os s e q u a z e s , poi s o c a r i s m a p u r o a i nd a n ão c o n h e c e o u t r a ‘l e g i t i m i d a d e ’ a l ém d a q u e l a q u e se d e r i v a da p r ó p r i a forç a, p r o v a s e m p r e de novo. O herói c a r i s m á t i c o n ão d e r i v a sua a u t o r i d a d e de o r d e n s e es t at ut os , c o m o o faz a ‘c o m p e t ê n c i a ’ b u r o c r á t i c a , nem de c o s t u m e s t r a d i c i o n a i s ou p r o m e s s a s de

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