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Estágio na Aquacultura  Safiestela

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Academic year: 2021

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E stágio na A qu ac ul tur a S afi es te la

Sc

FCUP

2018

2.º CICLO T iago M igu el S o u sa Fo z

(2)

Estágio na Aquacultura

Safiestela

Tiago Miguel Sousa Foz

Mestrado em Recursos Biológicos Aquáticos

Departamento de Biologia 2018

Orientador

Maria Helena Peres, Investigadora, CIIMAR

Coorientador

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Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri,

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Agradecimentos

Queria agradecer a Prof. Dra, Helena Peres, por tornar este estágio possível, pelo empenho que demonstrou ao longo do mesmo, por todo o conhecimento que partilhou e pelo apoio que forneceu ao longo do ano.

Ao Diogo Rosado, por ter permitido a realização do estágio na empresa, e por todo o apoio que demonstrou.

A todos os colegas da empresa especialmente ao Isidro, Marta, Cidália, Sérgio, Ildefonso, Daniela, Filipe, Paulo, Christophe e Fábio pela amizade e conhecimento que me transmitiram durante o estágio na empresa.

À Marta Loureiro, por todo o amor e apoio que me deu ao longo de todo o percurso académico. Por me ter dado motivação e foco, aturando todas as minhas lamúrias e dúvidas.

À minha irmã por me ter ajudado e apoiado no decorrer desta dissertação.

E aos meus pais e irmão por terem apoiado, incentivado, e demonstrando um apoio incondicional ao longo de todo o meu percurso académico.

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Índice

ÍNDICE DAS FIGURAS ... 1

ÍNDICE DAS TABELAS ... 3

RESUMO ... 4 PALAVRAS CHAVE... 4 ABSTRACT ... 5 KEY WORDS... 5 I. INTRODUÇÃO ... 6 AQUACULTURA NO MUNDO ... 7 AQUACULTURA EM PORTUGAL ... 11

BIOLOGIA DA SOLEA SENEGALENSIS ... 13

PESCA DA SOLEA SENEGALENSIS E SOLEA SOLEA ... 14

AQUACULTURA DE SOLEA SENEGALENSES E SOLEA SOLEA ... 15

II. ESTÁGIO NA AQUACULTURA SAFIESTELA (SUSTAINABLE AQUA FARMING INVESTMENTS, LDA.) ... 18

ESTRUTURA DA SAFIESTELA ... 20

Área dos reprodutores ... 20

Sala de incubação ... 22

Sala de cultivo das larvas ... 23

Sala de desmame ... 25

Alimento vivo ... 27

Sala de rotíferos (Brachionus plicatilis) ... 28

Sala da Artémia (Artemia spp.) ... 31

Sala da Pré-engorda ... 33

SISTEMA DE RECIRCULAÇÃO RAS ... 35

Tipos de tanques ... 36

Remoção dos resíduos sólidos ... 37

Remoção de compostos azotados ... 39

Transferência de gases para a água ... 40

Desinfeção da água ... 41

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Índice das Figuras

Figura 1: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura a nível

mundial, excluindo algas (FAO, 2017) ……….8

Figura 2: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura em água salgada e salobra a nível mundial (FAO, 2017) ...………...8

Figura 3: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura em água doce a nível mundial (FAO, 2017) ………9

Figura 4: Produção mundial em aquacultura de animais e plantas aquáticos (FAO, 2017) ………...………...10

Figura 5: Produção em aquacultura por tipo de regime em Portugal (INE, 2017) …...12

Figura 6: Total da produção aquícola em Portugal (INE, 2017) ………...12

Figura 7: Solea senegalensis, fotografia tirada por Tiago Foz ……….14

Figura 8: Captura de linguado no Atlântico e no Mediterrâneo entre o ano 1990 e 2012 (Bjørndal, Guillen, & Imsland, 2016) ...………...15

Figura 9: Produção mundial de linguado em aquacultura (Bjørndal et al., 2016) ……..16

Figura 10: Safiestela (Google maps) ………19

Figura 11: Área dos reprodutores, Sala de verão, fotografia tirada por Tiago Foz ……21

Figura 12: Incubadora, fotografia tirada por Tiago Foz……….……….23

Figura 13: Medição de larva de linguado senegalês, fotografia tirada por Tiago Foz .. 25

Figura 14: Sala de desmame, fotografia tirada por Tiago Foz ………26

Figura 15: Processo de Triagem num tanque do desmame, fotografia tirada por Tiago Foz………...27

Figura 16: - Brachionus plicatilis fêmea e macho (Ferreira, 2009)………29

Figura 17: Sala dos rotíferos, fotografia tirada por Tiago Foz………30

Figura 18: Sala da artémia, fotografia tirada por Tiago Foz ………..32

Figura 19: Sep-Art (INVE) ………..32

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Figura 21 : Taque tipo Raceway (Fao, 2015)………..……..36

Figura 22: Zona de tratamento da água da Pré-Engorda, Filtro de tambor rotativo e

Biofiltro, fotografia tirada por Tiago Foz ……….37

Figura 23: Resultado da nitrificação (Fao, 2015) ……….39

Figura 24: Zona de depósito de oxigénio líquido, fotografia tirada por Tiago Foz …..…41

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Índice das Tabelas

Tabela 1: Produção e utilização do pescado obtido em aquacultura e pesca no mundo

(FAO, 2017) ……….9

Tabela 2: Produção mundial em aquacultura (FAO, 2017) ………11

Tabela 3: Produção mundial em aquacultura de alimento para consumo humano. (FAO,

2017)………...…11

Tabela 4: Produção de aquicultura em águas interiores e oceânicas consoante o tipo de

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Resumo

Com o aumento do consumo de pescado, a nível mundial, e com a diminuição drástica dos stocks pesqueiros, a aquacultura surge como sendo a única alternativa sustentável para suprir as necessidades da população. Neste contexto, atualmente a aquacultura é o sector de produção animal que apresenta maior crescimento a nível mundial.

No âmbito do mestrado em Recursos Biológicos e Aquáticos ocorreu a possibilidade de realizar um estágio na Safiestela, Sustainable Aqua Farming Investments, Lda., localizada na Póvoa de Varzim, pertencente ao grupo SEA 8. Esta unidade apresenta um método de produção intensivo, em sistema fechado de recirculação de água (RAS), método este que permite controlar todos os parâmetros necessários para que sejam criadas as condições ótimas de crescimento da espécie, o linguado senegalês (Solea senegalensis). Para além desta vantagem, este método de produção apresenta uma pegada ambiental muito reduzida, em comparação com os sistemas de produção tradicionais. Os juvenis, produzidos nesta unidade, são posteriormente transportados para as unidades de engorda; a Aquacria situada em Aveiro, Portugal e a Aquacría Arousa, situada em Pontevedra, Espanha.

A duração do estágio foi de 9 meses, começou em 25 de setembro de 2017 e acabou em 25 de maio de 2018. Este estágio teve como objetivo testar e aplicar os conhecimentos adquiridos no âmbito deste curso de mestrado, mas sobretudo adquirir novas competências profissionais, em contexto real de trabalho. Este estágio proporcionou a aprendizagem de melhores práticas no maneio dos reprodutores e reprodução, das larvas e dos juvenis de linguado senegalês e de alimento vivo, artémia e de rotíferos, usados para alimentação de larvas de linguado, bem como, o desenvolvimento de competências no controlo de parâmetros físico químicos da água. Dado o desenvolvimento da aquacultura intensiva na Europa, estas competências serão seguramente uma mais valia no mercado de trabalho atual.

Palavras Chave

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Abstract

With the increase of world fish consumption per capita and the drastic reduction of fish stocks, aquaculture emerges as the only sustainable alternative to meet the needs of the population. In this context, aquaculture is currently the fastest growing animal production sector in the world.

Within the scope of the Master's Degree in Biological and Aquatic Resources, there was the possibility to carry out an internship at Safiestela, Sustainable Aqua Farming Investments, Lda., located in Póvoa de Varzim belonging to the group SEA 8. This aquaculture unit presents an intensive production method, in a closed water recirculation system (RAS), a method that allows controlling all parameters necessary to create optimal conditions of growth of the species, Senegalese sole (Solea senegalensis). This production method also has a very low environmental footprint compared to traditional production systems. The juveniles, produced in this unit, are then transported to the ongrowing units, namely Aquacria located in Aveiro, Portugal and Aquacría Arousa, located in Pontevedra, Spain.

This internship lasted 9 months, started on September 25, 2017, and ended on May 25, 2018. This internship aimed to test and apply the knowledge acquired in this master's course as well as to acquire new professional skills, in a real work context. This internship allowed to learn about the best practices in the management of breeding and reproduction, larvae and juveniles of Senegalese sole, production of live feed organisms, (Artemia and rotifers) used to feed larvae of the sole as well as control of recirculating water quality. Given the development of intensive aquaculture in Europe, these skills will surely add value to my resume

Key words

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Aquacultura no mundo

Nos nossos primórdios, mudamos de um regime de produção de alimento, que consistia na caça e recoleção para a produção de alimento através da agricultura. O alimento derivado do pescado passou a resultar não apenas do capturado na natureza, sendo também gradualmente produzido em regime controlado pelo ser humano, com um número de espécies cultivado cada vez maior (FAO, 2016).

O sector pesqueiro e a aquacultura são dois dos pilares base na produção alimento, contribuindo para suprir parte das necessidades nutritivas da maior parte da população mundial. O consumo de peixe per capita tem vindo a aumentar significativamente, sendo que, no ano de 2013, 17 % da proteína de origem animal provinha do pescado (FAO, 2016). O consumo de peixe traz vários benefícios para a saúde humana, sendo uma fonte rica de proteína, de alto valor biológico, contém ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa, fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo, várias vitaminas e minerais (FAO, 2016; Mozaffarian e Rimm, 2006).

A aquacultura é a produção de organismos aquáticos, abrangendo peixes, moluscos, crustáceos e plantas aquáticas, alcançada através da manipulação dos ciclos de vida dos organismos e, dependendo do tipo de produção em aquacultura, controlo dos parâmetros ambientais. Três fatores chave estão intrinsecamente relacionados: o controlo da reprodução, controlo do crescimento e eliminação de fatores de mortalidade natural. A aquacultura está subdividida, consoante o regime de produção, em produção extensiva, semi-intensiva e intensiva, com crescente controlo das condições de produção, densidades de produção e fornecimento de ração. Por outro lado consoante o local onde é feita esta produção, pode ser classificada por aquacultura em terra (inshore), aquacultura em mar aberto (offshore) e aquacultura costeira (onshore) (Beveridge, 2004; Van Houtte 1989).

O peixe capturado nas pescas não apresenta crescimento significativo desde os anos 80, sendo a aquacultura responsável pelo grande crescimento na produção de pescado para consumo. Em, 2015, a aquacultura representava 45.3 % do total de animais (produzidos e capturados) o que representa um crescimento considerável visto que, no ano de 2000 apenas representava 25.7 % deste total (Figura 1) (FAO, 2017). No ano de 2014 o pescado produzido para consumo ultrapassou, em quantidade, o total de pescado capturado. A China desempenhou um papel maioritário neste crescimento, representando um valor superior a 60% na produção mundial de pescado (FAO, 2016).

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Figura 1: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura a nível mundial, excluindo algas (FAO, 2017)

Dentro da produção em aquacultura é possível distinguir a produção em meio marinho e salobro que representou um total de 25.5% da produção total em 2015. Este valor representa um aumento da produção neste setor, visto que no ano 2000 o valor representava apenas 13.8% do total de peixe produzido (Figura 2). Em água doce, o contributo da aquacultura para a produção total de água doce cresceu de 68.6 % em 2000 para 81% em 2015, do total de animais produzidos (Figura 3) (FAO, 2017).

Figura 2: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura em água salgada e salobra a nível mundial (FAO, 2017)

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Figura 3: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura em água doce a nível mundial (FAO 2017)

O consumo médio de peixe aumentou a um ritmo elevado nas últimas cinco décadas, a nível mundial, apresentando valores médios de crescimento na ordem dos 3.2 % ao ano, no período entre 1961 e 2013. Este valor é duas vezes maior que a percentagem de aumento da população mundial no mesmo período. Em 2014 os valores de consumo de peixe per capita ultrapassaram os 20 kg (Tabela 1) (FAO, 2017).

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Outros dos fatores que contribuíram para o aumento do consumo de peixe, além do aumento da produção de pescado, foi a redução do desperdício, melhor utilização dos recursos, melhoramento nos “canais de distribuição”, maior procura resultante do aumento da população e aumento dos centros urbanos. O comércio internacional ajudou a alargar o leque de oferta existente para os consumidores finais (FAO, 2017).

O consumo de peixe per capita, nos países em desenvolvimento tem vindo a aumentar consistentemente, tendo aumentado de 5.2 kg em 1961 para 18.8 kg em 2013. Contudo, este valor continua a ser menor do que nos países desenvolvidos, mas as diferenças atendem a diminuir. Em 2013 o consumo de peixe per capita nos países desenvolvidos apresentou um valor de 26.8 kg. Nos países desenvolvidos o aumento do consumo de peixe está maioritariamente dependente do aumento das importações, enquanto que nos países em desenvolvimento, o consumo de peixe está relacionado com a capacidade de produção local, não dependendo tanto das importações (FAO, 2017).

Em 2015, a produção em aquacultura totalizou 106 milhões de toneladas de peso vivo, a maior parte da produção animal é representada pelos peixes ósseos com um valor de cerca de 51.9 milhões de toneladas de peso vivo. Os moluscos representam cerca de 16.4 milhões de toneladas de peso vivo em 2015. Os crustáceos representam cerca de 7.3 milhões de toneladas de peso vivo. Outros animais aquáticos representam um total de 909 mil toneladas. As plantas aquáticas registaram um valor de 29.4 milhões de toneladas da produção total em 2015 (Figura 4) (FAO, 2017).

A produção mundial em aquacultura apresenta um valor total estimado de 163 mil milhões de dólares (Tabela 2). Este valor inclui animais e plantas aquáticas e produtos não usados na alimentação (pérolas e conchas) (FAO, 2017).

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Tabela 2: Produção mundial em aquacultura (FAO, 2017)

O crescimento da produção de animais aquáticos, entre 2001 e 2015, apresentou um valor médio de 5.9% ao ano, significativamente mais baixo do que na década anterior. No ano de 2015 a aquacultura, a nível mundial, apresentou um crescimento de 4%, o valor de taxa anual de crescimento mais baixo registado nas últimas décadas. A América e a Oceânia apresentam valores negativos no crescimento (Tabela 3) (FAO, 2017).

Tabela 3: Produção mundial em aquacultura de alimento para consumo humano (FAO, 2017)

Aquacultura em Portugal

Acredita-se que a aquacultura na Península Ibérica apareceu provavelmente com os Romanos. Estes usavam métodos simples de produção, associando a produção de sal com o cultivo de peixes e ostras em salinas. As salinas eram utilizadas para prender larvas e juvenis de peixes, durante a maré cheia, adicionando valor económico à produção e disponibilizando uma fonte de proteína para as famílias que dela dependiam.

Apesar de antiga, esta atividade demonstra um desenvolvimento pouco significativo. A aquicultura em água doces foi feita apenas em regime intensivo. Na produção em aquacultura de águas marinhas e salobras, 54.9% do volume total foi resultante de um regime extensivo, 34% do produzido foi em regime intensivo, e em semi-intensivo a percentagem de peixe produzido foi 11.1 % (Figura 5)(INE, 2017).

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Figura 5: Produção em aquacultura por tipo de regime em Portugal (INE, 2017)

Em 2015 a produção em aquicultura apresentou um valor de 9561 toneladas e gerou uma receita de 54,1 milhões de euros. Estes valores representam uma diminuição na quantidade de peixe produzido, relativamente a 2014, de cerca de 14.8%, mas um acréscimo na receita final de 4% (Figura 6). Esta diminuição está relacionada com quebras na produção de pregado, mas devido à menor oferta o valor por quilo de produto aumentou relativamente a 2014.

Figura 6: Total da produção aquícola em Portugal (INE, 2017)

A produção em água salobras e marinhas representa 91% da produção total. A produção de peixes ósseos proveniente de águas salobras e marinhas representa 44,9% da produção, da qual 87.3 % foi representada por pregado e dourada. A produção

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de pregado diminui, mas a produção de dourada e linguado registou um ligeiro aumento. Os moluscos e bivalves representam 55.0 % do total da produção, sendo as ameijoas a espécie mais produzida, seguida pelos mexilhões. Ambos registam um aumento quando comparado com 2014, as ostras registaram um ligeiro decrescimento na produção em relação a 2014. A produção em truta representa o total do produzido em água doce.

Tabela 4: Produção de aquicultura em águas interiores e oceânicas consoante o tipo de água e de regime, segundo espécies (INE, 2017)

Biologia da Solea senegalensis

O linguado (Figura 7) , Solea senegalensis, é um peixe que pode ser encontrado no oceano atlântico, desde o golfo da Biscaia até ao Senegal, sendo também possível encontrar esta espécie no mar Mediterrâneo, ainda que em menor número (Bjørndal et al., 2016; FishBase, 2018). Esta espécie apresenta bastantes semelhanças com a solha comum, Sole sole, as suas fases larvares são quase impossíveis de distinguir uma da outra (Dinis et al., 1999).

(20)

Figura 7: Solea senegalensis, fotografia tirada por Tiago Foz

O seu habitat predominante é sobretudo na zona litoral, na zona bentónica, preferindo fundos com substrato de areia ou lama, sendo encontrado em áreas até aos 100 metros de profundidade(FishBase, 2018).

O linguado senegalês é um peixe achatado, com um corpo oval e assimétrico (ambos os olhos do lado direito do corpo). Possui do lado direito, uma membrana interradial, na barbatana peitoral com uma cor negra. Esta espécie é gonocórica, a primeira maturação para as fêmeas dá-se depois dos 2 anos de idade. A desova dá-se na primavera, entre março e junho, em águas costeiras. Apresentando uma postura média de 509 oócitos por grama de indivíduo(Dinis et al., 1999). No seu habitat natural, alimenta-se principalmente de poliquetas, podendo ainda ingerir anfípodes, copépodes ou isópodes (Dinis et al., 1999).

Pesca da Solea senegalensis e Solea solea

A pesca continua a ser o principal método de produção tanto de linguado senegalês como de linguado legítimo (Bjørndal et al., 2016), ambos são predadores noturnos, o que torna a captura durante a noite mais provável do que durante o dia (Bjørndal et al., 2015).

Nas últimas duas décadas o total de toneladas capturadas na pesca tem vindo a baixar. A maior parte das capturas feitas representa a linguado legítimo, sendo que a

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quantidade de linguado senegalês capturado é negligenciável. As zonas onde se efetua a captura são no Nordeste Atlântico, no Atlântico Leste e no Mediterrâneo.

O pico de captura de Linguado registou-se no ano de 1994, com um valor de 66553 toneladas, em 2012 o valor total capturado foi de 31377 toneladas (figura 8). Os países que pescaram mais Linguado, foram a Holanda (9085 toneladas), a França (7695 toneladas) e a Bélgica (3055 toneladas) (Bjørndal et al., 2016).

Figura 8: Captura de linguado no Atlântico e no Mediterrâneo entre o ano 1990 e 2012 (Bjørndal et al., 2016)

No geral, a maior parte das capturas de Solea são realizadas por pequenas embarcações que dependem de um grande número de espécies para obterem lucro. No entanto, algumas embarcações artesanais, em certas alturas do ano, conseguem capturar cerca de 100 kg por dia, especialmente entre agosto e outubro (Bjørndal et al., 2016).

Aquacultura de Solea senegalenses e Solea solea

É importante que se invista e se promova o desenvolvimento científico de espécies nativas de alto valor económico, desde que seja possível fechar o seu ciclo biológico com as técnicas de produção atualmente existentes (Bjørndal et al., 2016; Imsland et al., 2003). Apesar de já existir um interesse no cultivo de linguado senegalês desde meados de 1980, não apresentou valores comerciais significativos até recentemente.

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As razões pelas quais não foi possível produzir esta espécie, foram a falta de controlo sobre as desovas, baixa qualidade dos alevins e altas taxas de mortalidade durante a fase de desmame. Estes fatores combinados com vários surtos de doenças que afetavam as primeiras fases de produção tornaram difícil o desenvolvimento desta atividade.

O mercado atual apresenta uma saturação em algumas espécies como a Dourada e o Robalo, tornando o linguado senegalês e o linguado legítimo, como duas espécies apetecíveis para o investimento no setor da aquacultura (Bjørndal et al., 2016; Dinis et al., 1999).

Nos últimos anos é possível observar algumas variações na produção destas espécies, sendo os valores totais de produção baixos em comparação com os capturados. A partir do ano de 2007, começaram a aumentar significativamente, apresentando um valor de 55 toneladas que aumentou até a um máximo de 349 toneladas no ano de 2010, tendo decrescido ligeiramente no ano de 2012 em que o total registado foi 343 toneladas (Figura 9).

Figura 9: Produção mundial de linguado em aquacultura (Bjørndal et al., 2016)

Em 2012, a França apresentou uma produção de 200 toneladas de linguado senegalês, em Espanha foram produzidas 95 toneladas de linguado senegalês e em Portugal a produção de solha foi de 45 toneladas (Bjorndal et al. , 2015).

(23)

A maior parte da produção dos animais da ordem Solea é representada pela espécie

Solea senegalenses, devido ao melhor desenvolvimento que apresenta em condições

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III.

Estágio na aquacultura Safiestela

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A Safiestela, Lda. (Figura 10) pertence ao grupo espanhol Sea8, encontra-se localizada no Lugar do Rio Alto na localidade da Estela, conselho de Póvoa de Varzim. É uma unidade de produção de linguado senegalês que atua em conjunto com a Aquacria Piscícolas situada na Torreira, distrito de Aveiro, e a Aquacría Arousa situada em Pontevedra, Espanha.

Figura 10: Safiestela (Google maps)

Esta unidade foi fundada no ano 1993 como, unidade de produção de pregado (Psetta

maxima), dirigida pela empresa A. Coelho e Castro, Lda. Em 2012 esta firma foi

adquirida pela filial espanhola Sea8 alterando o seu nome para Safiestela. Foi nesta fase que se iniciou a produção de linguado Senegalês, tonando necessário a realização de uma remodelação total na empresa.

O grupo Sea8 passou então a apostar fortemente na produção de linguado senegalês, tendo como objetivo ser a maior produtora da península ibérica. A primeira fase de produção sendo na unidade Safiestela, em que são produzidos 2,5 milhões por ano de juvenis de linguado, que são enviados para uma das duas unidades de engorda, a Aquacria Piscícolas situada em Portugal ou a Aquacría Arousa situada em Espanha.

A unidade Safiestela ficou responsável pela produção de juvenis. São utilizados adultos selvagens para as desovas sendo possível, através da manipulação do fotoperíodo e

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da temperatura, obter ovos viáveis ao longo de todo o ano. Posteriormente as larvas passam ao estado juvenil, sendo utilizado alimentado vivo nos primeiros dias de vida, que depois é substituído por ração, esta primeira fase é realizada num sistema aberto. Mais tarde os juvenis passam para tanques do tipo raceway, em regime fechado, com recirculação da água (RAS).

Estrutura da Safiestela

A Safiestela é uma empresa que está subdividida em várias secções, cada uma com diferentes funções e métodos de produção. De entre as várias secções existe, a área de reprodutores, a sala de incubação, a sala de larvas, a área de desmame, a área da pré engorda e a área da maquinaria.

Área dos reprodutores

Os reprodutores são indivíduos que atingem a maturidade sexual, capazes de originar gâmetas, permitindo assim o início de um novo ciclo de vida. A reprodução do Linguado senegalês tem sido um dos principais obstáculos ao seu cultivo em aquacultura. Até à data não se consegue produzir ovos férteis com peixes da primeira geração cultivada em aquacultura, denominados de F1 (Bjorndal et al., 2015; Oliveira et al., 2011). A principal desvantagem é ter de se recolher reprodutores selvagens, para poder iniciar o ciclo de produção, sendo que os reprodutores selvagens gradualmente perdem a performance reprodutiva quando colocados em cativeiro (Bjorndal et al., 2015) .

Normalmente, reprodutores são capturados em tanques de terra, utilizados para a produção semi-intensiva de espécies, como a dourada ou o robalo. No momento de captura destes animais é necessário muito cuidado com o seu manuseamento, pois os animais são facilmente feridos pelas redes, e os que são feridos muito dificilmente se tornarão viáveis para a reprodução (Dinis et al., 1999)

O seu acondicionamento e transporte têm de ser executados de forma cuidada para que se obtenham gâmetas viáveis (Dinis et al., 1999). São transportados de carro, num recipiente de plástico envolvidos num pano húmido (Martín et al., 2017). Posteriormente são colocados em tanques em regime de quarentena, onde se começa a introduzir a

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ração para que os animais possam ser utilizados na área de reprodutores, passados vários meses.

Antes de serem colocados nos tanques de reprodução é feita a recolha de sangue para despiste de doenças e distinção de sexos, são pesados, medidos, injetados com um chip de identificação na zona dorsal do corpo, com um número de identificação. Por fim, são colocados em tanques com uma densidade de 1- 1,5 kg/m2 e com um rácio de

macho fêmea de 1:1 ou 2:1 (Dinis et al., 1999; Imsland et al., 2003; Villanueva e Alonso, 2014)

A área dos reprodutores está dividida em 4 salas diferentes, cada uma com 3 a 5 tanques, que são denominadas de sala de verão (Figura 11), sala de inverno, sala da primavera e sala de outono. O nome de cada sala coincide com a altura do ano em que se induz a desova. Nestas salas há um controlo da temperatura e da luminosidade, de forma a obter desovas durante todo o ano, nas alturas pretendidas.

Figura 11: Área dos reprodutores, Sala de verão, fotografia tirada por Tiago Foz

Na altura pretendida, a desova é induzida através do aumento da temperatura até atingir cerca de 20º C. Esta espécie, apresenta um comportamento de desova semelhante a outras espécies de peixes planos. Para que a desova seja bem-sucedida é necessário que a fêmea aceite o macho que vai fecundar os seus ovos, de seguida nadam paralelamente e ambos libertem as gâmetas para a água (Carazo et al., 2016).

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Depois da fecundação, é feita a recolha dos ovos, através da utilização de filtros com uma malha de 400 µm que são colocados na saída de água do tanque para o sistema de recirculação. É necessário manter a salinidade da água a pelo menos 30 ‰, não pelo facto de não ocorrer a desova, mas para que os ovos flutuem, pois não o fazem abaixo deste valor (Imsland et al., 2003).

Na zona de reprodutores são executadas várias rotinas diárias que consistem na preparação e fornecimento do alimento, que varia diariamente de acordo com o protocolo da empresa, lavagem e desinfeção de chão. É feita uma análise diária da água, que passa por medir o oxigénio e a temperatura com um oxímetro. Realiza-se ainda uma limpeza aos filtros de areia designada por “backwash” - este processo é realizado através da inversão no fluxo de água dentro dos filtros que faz com que as partículas que nele estão retidas sejam direcionadas para o esgoto, fazendo também com que haja uma descompactação da areia neles contida. É também feita uma verificação aos filtros UV, verificação aos permutadores de calor e verificação das bombas que transportam água para o sistema.

Sala de incubação

Antes de passarem para a sala de incubação é necessário recolher, no início do dia, os ovos colocados durante a noite pelos reprodutores. É feita uma pesagem dos ovos recolhidos e são separados os ovos viáveis dos não viáveis, os que são inviáveis ficam depositados no fundo e são retirados, e os viáveis são os que flutuam.

Em seguida, os ovos são colocados a incubar dentro de incubadoras cilíndrico-cónicas (Figura 12

)

, com uma capacidade de 200 litros, onde permanecem durante 48 horas, com uma temperatura constante de 19º C, com aerificação, up-welling de 0.5 Lmin-1 e

com um filtro de 400 µm (Imsland et al., 2003). A quantidade máxima de ovos colocada em cada incubadora é de 300 gramas. Os ovos apresentam um diâmetro que varia entre os 0,99 e os 1,03 mm, ocorrendo um ligeiro decréscimo no tamanho dos ovos ao longo do período de desova (Dinis et al., 1999; Imsland et al., 2003). A água utilizada, tal como na sala de reprodutores, apresenta uma salinidade superior a 30 ‰ para que os ovos flutuem.

Os ovos demoram cerca de 48 horas até eclodirem, o que faz com que seja uma das espécies cultivadas atualmente em aquacultura com um período de incubação mais curto. Durante este tempo passa por todas as fases descritas do desenvolvimento

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embrionário, primeiras divisões celulares, mórula, blástula, gástrula, contorno do embrião, larva bem formada e a eclosão (Villanueva e Alonso, 2014).

Figura 12: Incubadora, fotografia tirada por Tiago Foz

Depois da eclosão dos ovos é feita uma contagem do número aproximado de larvas presentes em cada incubadora, utilizando uma pipeta de 10 ml e fazendo 10 amostragens, de modo a estimar o número de tanques de larvas que serão necessários na próxima fase. As larvas eclodem com 2.4 ± 0.1 mm de comprimento total, dependendo do lote (Dinis et al., 1999; Villanueva e Alonso, 2014). Apresentam simetria, possuem a boca e o ânus fechados , alimentando-se apenas das reservas presentes no seu saco vitelino, e apresentam uma atividade muito reduzida, nadando passivamente perto da superfície (Villanueva e Alonso, 2014).

Sala de cultivo das larvas

Depois da eclosão, as larvas são transportadas para uma nova sala. Esta nova sala está dividida em dois compartimentos, cada um deles constituído por 6 tanques cilíndrico-cónicos em fibra de vidro com uma capacidade de 2700l, numa densidade de 15 larvas/l,

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com um filtro central que possibilita que haja troca de água, sem que ocorra saída de larvas. Os tanques possuem aerificação e fotoperíodo controlado.

O fotoperíodo desta sala é mantido com uma duração constante de 16H de luz e 8H de ausência de luz e com uma intensidade superior nos primeiros dias, por causa da interação do alimento vivo utilizado nesta altura e as próprias larvas. Depois a intensidade é diminuída ao longo dos dias, segundo o protocolo da empresa. A temperatura varia entre os 18ºC e os 20ºC e a saturação do oxigénio entre 90% e 100%. Nesta fase é utilizado um ciclo de produção aberto, pelo que a salinidade da água é aproximadamente a do oceano 35 ‰.

As larvas são transportadas para a sala de cultivo ao segundo dia após a eclosão. Sendo que, quando se começa a utilizar alimento vivo pela primeira vez, as larvas possuem cerca de 3.34±0.08 mm (Dinis et al., 1999).O primeiro alimento utilizado são rotíferos (Brachionus plicatilis) enriquecidos, em seguida por volta do 5/6 dia de vida são introduzidos náuplios de Artémia (Artemia salina) (Dinis et al., 1999; Villanueva e Alonso, 2014).

As rotinas diárias realizadas nesta sala incluem o controlo do caudal, que tem de estar nos valores presentes no protocolo da empresa. No caso de estar muito elevado é perdido demasiado alimento prejudicando as larvas, e se estiver muito reduzido, vai ocorrer uma acumulação de alimento vivo nos tanques, consumindo o seu enriquecimento, necessário para o crescimento das larvas.

Durante a fase em que se utiliza uma luminosidade mais elevada, diariamente, é aplicada nos tanques pasta de alga, antes de se ligar a luz. A utilização da alga apresenta vários benefícios para a produção, transformando este meio de cultura inicial em “água verde”. A alga é importante pois permite que os rotíferos se alimentem ajudando na manutenção do seu valor nutricional, pois eles podem permanecer nos tanques durante mais que um dia; ajuda a que a água apresente uma maior estabilidade físico-química, consumindo os compostos azotados e produzem oxigénio; permitem também que haja uma maior eficácia na captura dos rotíferos por parte das larvas, pois aumentam o contraste (Ferreira, 2009).

A partir da altura em que se começa a alimentar as larvas, são removidas amostras de cada um dos tanques de larvas e de água. São recolhidas 3 ou 4 larvas de cada tanque diariamente, para serem medidas, possibilitando compreender, se o crescimento é o esperado; analisar o conteúdo estomacal de cada um dos animais para que se possa perceber se as larvas estão a ingerir o alimento que lhes é fornecido e procurar por alguma anormalidade no crescimento (Figura 13) . A amostra de água, recolhida duas

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vezes ao dia, serve para contar o número de rotíferos e de artémia que existem por litro de água, sendo possível depois calcular a quantidade de alimento que se vai utilizar diariamente. As larvas são alimentadas 2 ou 4 vezes ao dia, dependendo da fase em que o ciclo de produção se encontra. Uma vez que a fase de produção se faz em circuito-aberto, é necessário garantir a boa qualidade da água do mar utilizando filtros de cartucho e de areia que removem partículas mais pequenas e luz ultravioleta, para remoção vírus e bactérias da água.

Figura 13: Medição de larva de linguado senegalês, fotografia tirada por Tiago Foz

Sala de desmame

A sala de desmame (Figura 14) é constituída por 69 tanques quadrangulares com uma altura de água com cerca de 20 cm. Estes possuem filtros de rede centrais que apresentam malhas de tamanhos diferentes, ajustada ao tamanho dos peixes. O crescimento dos peixes é acompanhado, com um aumento da renovação da água de cada tanque. Os tanques estão dispostos em filas paralelas e estão divididos em dois subsetores, o desmame 1 que funciona em sistema aberto e o desmame 2, que funciona em sistema de recirculação de água.

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Figura 14: Sala de desmame, fotografia tirada por Tiago Foz

O desmame 1 recebe as larvas provenientes da sala de larvas, por volta dos 13 dias depois da eclosão e, na primeira fase, são alimentadas com artémia, fornecida várias vezes ao dia, de forma manual. É neste subsetor que se dá o desmame, substituição de alimento vivo por alimento inerte, sendo feito de uma forma gradual para que o peixe se possa habituar ao novo alimento. Esta fase é crucial no ciclo de produção desta espécie, visto que, é necessário que as larvas ingiram o novo tipo de alimento, pois no caso de não ocorrer esta adaptação, os custos de produção ao usar alimento vivo, são excessivos e o seu crescimento é reduzido (Imsland et al., 2003).

O desmame 2 recebe os peixes provenientes do desmame 1 depois de realizada uma triagem (Figura 15). Para tal é utilizada uma caixa composta com uma malha de uma dimensão apropriada. O peixe é recolhido com um camaroeiro, cuidadosamente e em pequenas quantidades, sendo colocado numa caixa de polietileno e transportado até ao tanque de triagem. No tanque de triagem o peixe é transferido da caixa de polietileno para a caixa de rede. Com a ajuda de uma lanterna e com um ligeiro agitar da caixa de rede, o peixe é separado por tamanho, os mais pequenos ficam dentro do tanque de triagem sendo eliminados e os maiores passam para um novo tanque previamente preparado. Este processo é importante, pois permite calcular com mais precisão a quantidade de ração que será fornecida aos peixes, com base no peso médio e densidade populacional que o tanque possui. Quando o peixe atinge 1g, por volta dos 75 dias depois da eclosão, é feita uma nova triagem com uma malha apropriada, e é transferido para a sala de pré-engorda. A transferência é realizada de forma cuidada e envolve a cooperação dos elementos de ambos os setores, o peixe é capturado em

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pequenas quantidades e colocado dentro de caixas de polietileno com água do próprio tanque, o peixe é transportado até à sala de pré-engorda onde é pesado e colocado nos novos taques.

Figura 15: Processo de Triagem num tanque do desmame, fotografia tirada por Tiago Foz

Semanalmente é calculado o peso médio dos juvenis presentes no desmame 2, para que seja possível calcular a quantidade de ração que lhes é fornecida, tendo em conta a densidade populacional que o tanque possui.

Diariamente é realizada uma limpeza geral a todos os tanques do desmame, com a ajuda de uma escova. O nível de água dos tanques é reduzido para ajudar o processo e é limpo o fundo dos tanques e as redes presentes no centro. São também recolhidos os animais mortos ou com sinais de doenças para que a qualidade da água se mantenha boa.

Alimento vivo

A alimentação fornecida nas fases larvares é considerada um período crítico em aquacultura. Ainda não é possível obter resultados satisfatórios utilizando alimentos

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artificiais nas primeiras fases de desenvolvimento larvar, sendo necessário utilizar alimento vivo no início da alimentação exógena (Ferreira 2009).

Para que uma espécie de zooplâncton seja adequada para a produção em aquacultura, é necessário que apresente um tamanho adequado à dimensão da boca da larva para cada estado de desenvolvimento; possua uma flutuabilidade e uma movimentação adequada permitindo a sua captura pelas larvas, devido à sua capacidade de natação ainda ser muito reduzida; apresente uma fácil produção em cativeiro em densidades elevadas, com um ciclo de vida rápido e uma boa resistência ao maneio; apresente um valor nutritivo adequado ou a possibilidade da transformação de perfil nutricional, através de uma tecnologia de “bioencapsulação”, garantindo que haja um fornecimento constante de alimento, sem que haja falhas que levem mortalidades elevadas na produção.

Sala de rotíferos (Brachionus plicatilis)

Os rotíferos (Figura 16) são pequenos metazoários, que apesar de não ser uma espécie que se encontra em grandes quantidades no zooplâncton marinho, é bastante utilizada em aquacultura, pois apresenta caraterísticas ideais para a alimentação das primeiras fases larvares. Apresentam uma dimensão pequena (120-300µm), uma mobilidade bastante reduzida, uma possibilidade de cultura em elevadas concentrações e a possibilidade da manipulação do seu perfil nutricional, através de variadas técnicas (Ferreira 2009). São utilizados entre o dia 3 depois da eclosão, até ao dia 5/6 até que as larvas tenham a dimensão necessária para se alimentarem de Artémia.

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Figura 16: - Brachionus plicatilis fêmeae macho (Ferreira, 2009)

O ciclo de vida dos Brachionus plicatilis é na maior parte do tempo assexuado, resultando da divisão por via da partenogénese. As fêmeas (partenogénicas) formam ovos diploides, não fecundados, que dão origem a novas fêmeas. Este ciclo pode ser interrompido através da alteração de fatores de origem exógena (temperatura, alimentação, densidade de população, etc.) ou endógena (idade), resultando na reprodução sexuada. Na produção em grande escala, a reprodução assexuada é a que se utiliza na maior parte do tempo, sendo a mais rápida e eficiente (Ferreira, 2009).

Na Safiestela o cultivo é feito em 4 taques cilíndrico-cónicos de 600l (Figura 17), a uma temperatura de 26ºC, com uma salinidade idêntica à do mar e uma saturação de oxigénio de 80%. A temperatura é mantida constante, através da utilização de resistência que possuem termostatos, e são colocadas difusoras de ar e de oxigénio nos tanques, que permitem distribuição uniforme de rotíferos e do seu alimento pelo tanque.

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Figura 17: Sala dos rotíferos, fotografia tirada por Tiago Foz

Existe diferentes fases ao longo do ciclo da produção. É mantida uma cultura de manutenção durante o tempo em que não são utilizados rotíferos para alimentar larvas, diariamente é recolhida uma amostra de água do tanque de cultivo e é feita a estimativa de rotíferos presentes no meio. É fornecido, 5 vezes ao dia, um alimento formulado próprio para este tipo de cultivo. A cada três dias é renovado o meio de cultura, o tanque é filtrado através da utilização de um coletor, que possui uma malha que aprisiona os rotíferos. A filtração permite ainda, a saída de outros microrganismos mais pequenos e de partículas em suspensão, evitando assim a contaminação do meio.

Na altura em que é necessária a utilização de rotíferos, é feita uma bipartição do meio de cultura para mais que um tanque, segundo um protocolo definido pela empresa, para que seja possível fazer uma recolha diária de rotíferos para alimentar as larvas. Os rotíferos são filtrados no coletor, no dia anterior ao que é necessário para a utilização na alimentação das larvas, sendo colocados num tanque cilíndrico-cónico, com a capacidade de 100l. Ao longo de 24h é utilizado uma mistura de produtos de enriquecimento de rotíferos, ricos em ácidos gordos, para que apresentem um perfil nutricional adequado para as larvas de linguado.

Outras rotinas que são realizadas neste local, são a lavagem e desinfeção de tanques, chão e pedilúvios. É ainda feito o controlo de oxigénio nos tanques e da temperatura utilizando um oxímetro.

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Sala da Artémia (Artemia spp.)

A Artemia spp. é um crustáceo braquiópode, possui uma ampla distribuição geográfica podendo ser encontrada em todos os continentes, em salinas ou lagos salgados (acima dos 70ppm de salinidade onde não existem predadores). Na época das chuvas torna-se relativamente comum a pretorna-sença dos torna-seus ovos junto à margem, arrastados pelo vento. Os ovos possuem uma dimensão de 200 a 300µm de diâmetro, são designados por cistos de diapausa (fase de dormência), sendo que são produzidos quando as condições ambientais se tornam adversas. Para que haja a eclosão dos ovos, basta que ocorra a reidratação dos mesmos. A dimensão da Artémia varia entre 0,45mm (náuplio) e 1,5 cm (adulto) (Ferreira, 2009).

Os náuplios de Artemia spp. são recolhidos de lagos salgados ou salinas, depois têm de ser desinfetados e comercializados a seco (Sorgeloos et al., 2001). Os cistos recolhidos têm a forma bicôncava e possuem propriedades higroscópicas, quando são colocados em água novamente, aumentam de volume ficando com uma forma esférica (Ferreira, 2009).

A eclosão dos cistos é realizada em tanques cilíndrico-cónicos de 600 L ou 300 L (Figura 18), sendo que deve ser realizada sobre certas condições, para assegurar uma máxima taxa de eclosão; a temperatura deve estar entre os 25ºC e os 30ºC, a luz deve ter cerca de 2000 lux durante todo o processo, a salinidade entre os 20‰ e os 32‰, o pH deve ser 8 ou superior. Deve ser realizado um arejamento contínuo e forte para manter o oxigénio acima de 5mg/l e os cistos em suspensão. A densidade dos cistos não deve ultrapassar os 2 g.L-1 (Ferreira, 2009).

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Figura 18: Sala da artémia, fotografia tirada por Tiago Foz

Depois de 24h os náuplios de Artémia são recolhidos e separados dos cistos, utilizando um dispositivo denominado por Sep-Art, desenvolvido pela INVE (Figura 19). Os cistos de artémia comercializados são envolvidos num material não tóxico que apresenta magnetismo. Depois da eclosão, os náuplios são passados pelo Sep-Art, que possui um conjunto de discos constituídos por um material que apresenta magnetismo, aprisionando os cistos e deixando passar os náuplios de artémia (INVE Aquaculture, 2018). Depois, os náuplios são filtrados usando um coletor de rede, para que haja a remoção dos restantes cistos e outras impurezas. Por último, são transferidos para um novo tanque, onde se inicia o processo de bioencapsulação, aumentando o perfil de ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa, melhorando a relação DHA/EPA e o teor em ARA (Ferreira, 2009). Durante este processo as condições físico químicas são mantidas de forma semelhante às que foram utilizadas durante a eclosão.

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Figura 19: Sep-Art, (INVE Aquaculture, 2018)

Depois de 24h do início do enriquecimento, a artémia é novamente recolhida, utilizando um coletor, sendo lavada para remoção do enriquecimento em excesso e contada para confirmar se a taxa de eclosão foi a esperada, ou se existe algum problema durante o cultivo e a filtragem. Posteriormente é armazenada a uma temperatura de 4 ºC, para que o enriquecimento fornecido se mantenha durante o maior período possível, com a artémia viva, sendo que é fornecida às larvas várias vezes ao dia.

As outras rotinas que são realizadas neste local, são a lavagem e desinfeção de tanques, chão e pedilúvios. O controlo de oxigénio nos tanques e temperatura são realizados utilizando um oxímetro. É realizado o ajuste de pH pela adição de Hidróxido de sódio. É preparada a quantidade correta de enriquecimento para fornecer à artémia, sendo fornecido várias vezes ao dia.

Sala da Pré-engorda

O peixe é transportado da sala de desmame para a sala de pré-engorda, depois de realizada uma triagem. Os animais triados apresentam cerca de 1 g de peso e permanecem na sala de pré-engorda até atingirem cerca de 12 gramas, por volta dos 150 a 180 dias, após a eclosão, consoante o tamanho do peixe aquando a triagem.

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A sala da pré-engorda (Figura 20) é composta por 56 tanques com 12 m de extensão e uma coluna de água com cerca de cerca de 15 cm. O nome dado a este formato de tanques é “raceways”. Os tanques estão divididos em 4 patamares, subdivididos em duas secções a norte e a sul.

Figura 20: Sala de Pré-engorda, fotografia tirada por Tiago Foz

Como rotina diária é feita uma limpeza dos tanques usando escovas, sendo limpa a saída de água com mais cuidado, pois é a zona onde se acumula mais ração e dejetos dos animais. Durante este processo é também realizada a recolha de animais mortos ou doentes. Estes dois processos apresentam uma maior importância, pois como se utiliza um regime de recirculação de água, todo o material que se encontra em decomposição nos tanques, deteriora a qualidade da água do sistema. Durante este período é utilizada iluminação de cor azul, para mimetizar as condições que existem no meio natural, visto que o linguado é um animal bentónico.

Outra das rotinas realizada nesta sala é a triagem, que se inicia quando o peixe possui um peso médio de 5 gramas, 120 dias depois da eclosão. Apenas é necessário realizar uma triagem na sala da pré-engorda, esta é realizada numa máquina desenvolvida pela empresa. Primeiro é necessário realizar um cerco nos tanques, com o auxílio de uma rede apropriada para facilitar a captura dos peixes. Seguidamente, os peixes são encaminhados para uma máquina de triagem, a primeira zona da máquina apresenta uma área onde os peixes são separados manualmente, todos os exemplares que se encontram com sinais de doença, que apresentam deformações na estrutura esquelética ou que são despigmentados, são removidos. Na segunda zona da máquina,

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a separação é feita de forma mecânica, os peixes são separados por tamanho e são contabilizados pela máquina. Os peixes de menor dimensão são eliminados da produção.

Realizam-se diariamente análises da qualidade da água, incluindo a determinação da salinidade, da amónia, dos nitritos, do potencial redox, da transmitância, a alcalinidade, entre outros. A medição do oxigénio é feita várias vezes ao dia.

Diariamente é também realizada uma lavagem e desinfeção do chão. É substituída a água e o desinfetante presente nos pedilúvios, sendo feita uma lavagem e desinfeção de todo o material envolvido na limpeza de tanques e do chão.

Ocasionalmente é necessário realizar o transporte, utilizando um camião especialmente preparado para este propósito. Os peixes são enviados para as unidades de engorda, a Aquacria e a Aquacría Arousa, onde se completa o processo de engorda dos animais. Antes do transporte é realizado um período de jejum de 24 horas, para reduzir a quantidade de matéria orgânica excretada pelos peixes durante o transporte, para que a condição da água dos tanques se mantenha estável. O transporte tem de ser feito de forma cuidada para causar o menor stress possível nos animais, sendo que a sua distribuição deve ser feita em quantidades iguais pelos diversos tanques presentes no camião.

Sistema de recirculação RAS

A aquacultura é o setor de produção animal que apresenta maior crescimento a nível mundial, é, portanto, necessário otimizar este processo de forma a aumentar a rentabilidade e a mitigar o impacto ambiental deste setor (Badiola et al., 2012; Bregnballe, 2015; Martins et al., 2010; Zhang et al., 2011).

Foram implementadas pela união europeia, fortes restrições para controlar as emissões poluentes resultantes da indústria de produção animal. Isto funcionou como um grande incentivo para a otimização das unidades de produção animal. Em aquacultura, surgiram os recirculating aquaculture systems (RAS), que consiste numa tecnologia de produção de peixes e outros organismos aquáticos, através da reutilização da água e do tratamento da mesma, permitindo um certo controlo da temperatura e de outras variáveis, de modo a maximizar o crescimento e o bem-estar dos animais, diminuindo consideravelmente o consumo de água (Bregnballe, 2015).

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Este tipo de produção apresenta enormes benefícios para o ambiente, comparando com outros métodos de produção em circuito de água aberto. Apresenta um gasto de água muito reduzido, sendo possível realizar em zonas do globo em que a água é um recurso pouco abundante. A produção em circuito de água fechado, faz com que a taxa de emissão de resíduos para o ambiente seja substancialmente mais reduzida que outros métodos tradicionais de produção. Os nutrientes destes efluentes podem ser utilizados como fertilizantes na agricultura, e podem também ser transformados para a obtenção de biogás.

As aquaculturas convencionais estão dependentes de fatores externos, como a temperatura da água, e os níveis de oxigénio. A produção em RAS permite o controlo, dentro de certos limites, destes parâmetros, assim como um controlo rigoroso de patogénicos provenientes do meio exterior. Em muitos dos sistemas de recirculação a existência de doenças não se verifica, reduzindo assim a utilização de medicamentos e reduzindo ainda mais o impacto ambiental resultante da produção.

Para que o sistema RAS funcione é necessário assegurar, através da utilização de vários sistemas que trabalham em uníssono, a remoção da matéria orgânica em suspensão resultante da atividade dos animais (filtração mecânica e protein skimmer), a oxidação de compostos azotados (filtração biológica), a esterilização e desinfeção (UV e ozono), o controlo de pH e de dióxido de carbono, a oxigenação da água, e o controlo da temperatura a que a água se encontra.

Tipos de tanques

Existem vários tipos de tanques que podem ser utilizados nos sistemas RAS, consoante a espécie que vai ser produzida, tendo em consideração o tamanho dos tanques, a sua forma, a altura da coluna de água e a sua capacidade de autolimpeza. Todos estes fatores apresentam um grande impacto na performance das espécies produzidas.

No caso da produção de um peixe plano, como o linguado senegalês, é necessário a utilização de um tanque com uma área de superfície grande, não sendo essencial apresentar uma profundidade elevada, nem uma renovação de água alta em comparação com outras espécies.

Durante a fase de pré-engorda são utilizados tanques quadrados de fibra de vidro, com esquinas arredondadas, do tipo raceway e com uma altura de água entre os 30 e os 50

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cm. A água é bombeada para dentro do tanque através de um tubo colocado numa das extremidades e sai pelo centro, onde é colocada uma rede com a malha apropriada para o tamanho dos peixes (Rodríguez, 2014).

O tipo de tanque durante a fase de pré-engorda na Safiestela é o raceway (Figura 21), a água é bombeada por um dos lados e recolhida no lado oposto, apresenta uma coluna de água baixa e uma área de superfície grande. O principal problema deste tipo de tanque, é a variação da distribuição de oxigénio pelas diferentes zonas, pelo que é necessário assegurar atenção para que não se criem zonas anóxicas no final do tanque. Estes tanques apresentam também uma baixa capacidade de autolimpeza, que obriga a limpezas rotineiras na superfície do tanque (FAO, 2015).

Figura 21 : Taque tipo Raceway (Fao, 2015)

Remoção dos resíduos sólidos

Os sólidos em suspensão apresentam impactos negativos nos sistemas de recirculação, como por exemplo a acumulação dos sólidos de menores dimensões nas branquias dos peixes, dificultando as trocas de oxigénio com o exterior e facilitando a proliferação de microrganismos patogénicos (Timmons e Ebeling, 2010). A acumulação de resíduos sólidos, pode pôr em causa também, o bom funcionamento do biofiltro, prejudicando a eficiência das bactérias nitrificantes ao facilitar o aparecimento de microrganismos heterotróficos(Zhang et al., 2011). Sendo que um dos principais objetivos de qualquer sistema RAS é a remoção dos desperdícios orgânicos (Badiola et al., 2012).

Durante o ciclo de produção, os sólidos em suspensão resultam das fezes produzidas pelos animais, do biofloc (bactérias vivas e mortas) e do alimento não ingerido. Ocorre a acumulação de matéria orgânica, com tamanhos que podem variar, entre alguns centímetros (cm) até aos micrómetros (µm) e que degradam a qualidade da água do sistema. A matéria orgânica encontra-se na água de diferentes formas, a matéria orgânica em suspensão (POM) e a matéria orgânica dissolvida (DOM), sendo que o total de sólidos suspensos na água pode ser designado por (TSS), podem ser encontrados

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também nutrientes como o azoto (N) e o fósforo (P), e compostos orgânicos e inorgânicos específicos, como por exemplo medicamentos (Piedrahita, 2003).

Para a redução destes compostos na água, é importante que se melhorem as técnicas de produção para que se consiga um fator de conversão alimentar (FCR) cada vez menor, resultando assim numa menor contaminação e concentração de TSS na água do sistema.

Para a remoção das partículas, é necessário selecionar os meios apropriados consoante o tamanho das mesmas. Para a remoção das partículas suspensas de maiores dimensões, é utilizado um filtro de tambor rotativo (Figura 22) com uma malha, sendo este método o mais eficaz na remoção de grandes quantidade de TSS (Jeffery et al., 2011). A água entra no tambor e passa pelas telas, sendo utilizada a força gravítica para forçar a água a transpor esta barreira. Os sólidos presentes na água ficam retidos na malha do tambor e, através da utilização de jatos de água, que realizam “backwash” removem-se os sedimentos da malha, que são posteriormente encaminhados para um tanque de resíduos. Para a remoção de resíduos sólidos, são também utilizados filtros de areia. A água ultrapassa a areia presente nos filtros, e a matéria orgânica que contém fica aprisionada nos sedimentos de sílica. Diariamente é feito um “backwash” manual, para remover a matéria orgânica presente no filtro de areia.

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Mesmo com a utilização dos métodos descritos em cima, partículas de menores dimensões podem continuar na água, maioritariamente devido à lixiviação de partículas maiores, o sistema começa a acumular espuma. Esta espuma resulta principalmente da dissolução de proteínas, e é responsável pela degradação da água, favorecendo o desenvolvimento de agentes patogénicos no sistema. Para a remoção destas partículas, é utilizado um protein skimmer, a água é colocada numa coluna fechada, sendo injetadas bolhas de ar que sobem ao longo da coluna e aprisionam a matéria orgânica presente na água, formando espuma no topo da coluna, que é posteriormente limpa com água (Timmons e Ebeling, 2010).

Remoção de compostos azotados

A amónia, o nitrito e o nitrato são altamente solúveis em água. A amónia é o principal resultante do catabolismo proteico (Timmons e Ebeling, 2010) e apresenta valores de toxicidade a partir dos 0.02 mg/L (Bregnballe, 2015), durante o processo de nitrificação é reduzida a nitrito. O nitrito (NO2-) é um subproduto da nitrificação, apresenta toxicidade

para os organismos aquáticos em níveis acima de 2.0 mg/L, uma forma de perceber que este composto está em excesso, é através do comportamento típico que os animais apresentam quando estão com falta de oxigénio na água, mesmo com os níveis de oxigénio normais, pois o composto tem a capacidade de reduzir a absorção do oxigénio pela hemoglobina no sangue.

O azoto é libertado para o sistema, principalmente em forma de amónia que apresenta uma toxicidade elevada para os organismos aquáticos, tornando um dos principais desafios da aquacultura de recirculação, a remoção deste composto. O processo de remoção da amónia, designado por nitrificação (Figura 23), consiste em sucessivas oxidações. Primeiro a amónia é transformada em nitrito e posteriormente o nitrito é reduzido a nitrado. Para que o processo de nitrificação seja eficiente, é necessário assegurar que a temperatura da água se mantenha entre os 10 ºC e os 35ºC. A temperatura do sistema de biofiltro, depende da temperatura ideal de crescimento da espécie que se está a cultivar, que no caso do linguado senegalês é cerca de 20 ºC. o pH deverá manter-se entre os 7 e os 8. Acima do pH 7, a eficiência das bactérias nitrificantes aumentas, mas por outro lado o aumento do pH resulta no aumento da quantidade de amónia no sistema (Bregnballe, 2015).

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Figura 23: Resultado da nitrificação (Fao, 2015)

Os dois fatores que mais afetam as variações no pH do sistema, são a produção do CO2

pela atividade dos peixes e das bactérias presentes no biofiltro e a produção de H+

(ácido) no processo de nitrificação. Para a remoção do CO2 é realizada a aeração da

água, é injetado ar que forma bolhas que sobem na coluna da água, libertando o CO2

do sistema. Para controlar a produção de H+ durante o processo de nitrificação,

adiciona-se uma base ao sistema, normalmente hidróxido de sódio (NaOH) (Bregnballe, 2015).

O nitrato é o produto final na nitrificação, os peixes toleram concentrações muito elevadas deste composto, na ordem dos 100 mg/L, mas em valores elevados aprece a afetar a conversão de alimento e o crescimento. Uma das formas de controlar as concentrações de nitrado em sistemas fechado, é a utilização de desnitrificação (Bregnballe, 2015).

Transferência de gases para a água

Em condições normais a concentração de oxigénio na água é de 100%, mas com as atividades metabólicas dos animais, que aumenta durante o período de alimentação, este valor decresce (Zhang et al., 2011). Em sistemas de recirculação (RAS) é importante manter a saturação de oxigénio elevada, para que a performance dos animais e funcionamento do biofiltro sejam maximizados e também assegura que os níveis de CO2 se mantenham baixos, pois a acumulação deste gás torna o ambiente

tóxico tanto para os peixes como para as bactérias do biofiltro. Através da aeração da água, os níveis de CO2 podem ser controlados no sistema. Em sistemas intensivos,

devido a baixa renovação da água, é necessário utilizar sistemas que mantenham os níveis de oxigénio elevados, o método mais comum é a aerificação da água. Em recurso é possível utilizar, oxigénio no estado gasoso, oxigénio líquido (Figura 24) ou geradores de oxigénio (Bregnballe, 2015; Timmons e Ebeling, 2010; Zhang et al., 2011).

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Independentemente do método utilizado, é necessário realizar medições de oxigénio constantes na água. Várias vezes ao dia, com a ajuda de uma sonda de oxigénio, os níveis são medidos em todos os tanques do sistema, para garantir que não se atinjam valores baixos.

Figura 24: Zona de depósito de oxigénio líquido, fotografia tirada por Tiago Foz

Desinfeção da água

Um problema que afeta seriamente a aquacultura em regime intensivo são as doenças, que podem ser desencadeadas por vírus, bactérias e parasitas. Apesar do sistema (RAS) apresentar uma renovação baixa, necessita de tratamento constante da água, pois facilmente podem aparecer organismos patogénicos que provocam prejuízos enormes (Bregnballe, 2015; Timmons e Ebeling, 2010)

Um dos métodos de tratamento de água utilizado em aquacultura, é a desinfeção por ultravioleta (UV), que consiste na utilização de radiação em comprimentos de onda específicos que destroem ADN. Para que este método seja eficaz, é necessário assegurar que a filtração da água seja eficiente, pois a acumulação da matéria reduz a sua eficiência(Bregnballe, 2015). Por esse motivo este tratamento é apenas utilizado

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para sistemas de menores dimensões e carga orgânica, como é caso do sistema dos reprodutores.

O método que é mais utilizado em sistemas RAS é a desinfeção através do ozono. O ozono apresenta toxicidade elevada para os animais, podendo causar lesões graves nos mesmos, apresenta também toxicidade para os trabalhadores, pelo que tem de ser instalado seguindo normas de segurança apropriadas. O ozono apresenta uma forte capacidade de oxidação de matéria orgânica, destruindo com eficácia os microrganismos que estão presentes no meio. É também capaz de reduzir a matéria orgânica mais fina presente na água, que consegue passar através dos outros tratamentos de filtração, contribuindo para que a água do sistema se mantenha mais límpida (Bregnballe, 2015; Timmons e Ebeling, 2010).

O ozono é gerado in situ, num gerador (Figura 24), e é injetado na água onde permanece durante um período definido, oxidando os compostos orgânicos presentes na água e posteriormente é retirado da água utilizando um destruidor de ozono. Para controlar este processo, é feito diariamente a análise do bromo (Br) presente na água, pois o ozono em água salgada reage com seus iões, formando oxidativos tóxicos para os peixes (Timmons e Ebeling, 2010).

Figura 25: Gerador de ozono, fotografia tirada por Tiago Foz

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A realização deste estágio permitiu aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do mestrado, contribuindo para o desenvolvimento das capacidades técnicas no maneio dos reprodutores, larvas e juvenis de linguado senegalês, de técnicas de produção de alimento vivo, artémia e rotíferos, usados na alimentação de larvas de linguado, bem como, o desenvolvimento de competências do controlo da qualidade da água.

Permitiu conhecer também as rotinas de duas zonas diferentes da empresa, o desmame, que é responsável pela reprodução e desenvolvimento das primeiras fases de produção dos linguados e a pré-engorda, unidade responsável pelo desenvolvimento dos peixes até ao tamanho pretendido para partirem para as unidades de engorda da empresa.

Destaco, pelo contributo que teve para o sucesso do estágio, a atitude pedagógica que os profissionais da empresa mantiveram e a constante ajuda que a orientadora de estágio me forneceu.

Por fim, este estágio proporcionou-me um conjunto de experiências enriquecedoras que contribuíram para o meu desenvolvimento como profissional, e como prova do sucesso do estágio fui convidado para trabalhar na empresa.

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Imagem

Figura 1: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura a nível mundial, excluindo algas (FAO, 2017)
Figura 3: Comparação entre o pescado obtido na pesca e em Aquacultura em água doce a nível mundial (FAO 2017)
Figura 4: Produção mundial em aquacultura de animais e plantas aquáticos (FAO, 2017)
Tabela 3: Produção mundial em aquacultura de alimento para consumo humano (FAO, 2017)
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Referências

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