• Nenhum resultado encontrado

Download/Open

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Download/Open"

Copied!
150
0
0

Texto

(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE HUMANIDADES E DIREITO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO. VIVIAN APARECIDA VETORAZZI SARAGIOTO. NARRATIVAS DE USOS PEDAGÓGICOS DE FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS NA DOCÊNCIA DO ENSINO MÉDIO. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2015.

(2) VIVIAN APARECIDA VETORAZZI SARAGIOTO. NARRATIVAS DE USOS PEDAGÓGICOS DE FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS NA DOCÊNCIA DO ENSINO MÉDIO. Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Humanidades e Direito, da Universidade Metodista de São Paulo, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação.. Orientadora: Profa. Dra. Adriana Barroso Azevedo. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2015.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA. Sa71n Saragioto, Vivian Aparecida Vetorazzi Narrativas de usos pedagógicos de ferramentas tecnológicas na docência do ensino médio / Vivian Aparecida Vetorazzi Saragioto. 2015. 149 p.. Dissertação (mestrado em Educação) --Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2015. Orientação: Adriana Barroso de Azevedo. 1. Educação 2. Processo de aprendizagem e ensino 3. Portal educacional 4. Ambiente virtual de aprendizagem I. Título. CDD 379.

(4) A dissertação de mestrado sob o título: NARRATIVAS DE USOS PEDAGÓGICOS DE FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS NA DOCÊNCIA DO ENSINO MÉDIO, elaborada por, VIVIAN APARECIDA VETORAZZI SARAGIOTO, foi apresentada em 09 de abril de 2015, perante banca examinadora composta por Profa. Dra. Adriana Barroso Azevedo (Presidente UMESP), Prof. Dr. Roger Marchesini de Quadros Souza (Titular UMESP) e Profa. Dra. Maria Elizabette Brisola Brito Prado (Titular convidado).. ______________________________ Profa. Dra. Adriana Azevedo Barroso Orientadora e Presidente da Banca Examinadora. _____________________________ Profa. Dra. Roseli Fischmann Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Educação Área de Concentração: Educação Linha de Pesquisa: Formação de Educadores.

(5) Dedico este trabalho à minha família, meu marido, Sérgio, meu pai, minha mãe (in memoriam), meus filhos que por muita luta fizeram acreditar na Educação..

(6) AGRADECIMENTOS. À minha orientadora, Profa. Dra. Adriana Barroso Azevedo, pela acolhida da minha pesquisa neste processo, pelas suas orientações, contribuições e sua vasta experiência que me fizeram enfrentar os desafios e refletir sobre a prática docente. À Profa. Dra. Marília Duran Claret, que leu e percebeu a importância do meu projeto para o Programa de Pós-Graduação durante a entrevista do processo seletivo, bem como nas aulas que ministrou.. Ao Prof. Dr. Roger Marchesini de Quadros Souza e à Profa. Dra. Maria Elizabette Brisola Brito Prado, que aceitaram o convite de participar da banca de defesa e se dispuseram a tomar de seu tempo para lerem meu trabalho. Agradeço suas valiosas contribuições para enriquecer a minha dissertação.. Enfim, meu imenso agradecimento a todos os docentes/pesquisadores do Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Educação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) pelo conhecimento e experiências compartilhadas durante o curso. À Profa. Ma. Cintia Pattaro, que muito me incentivou na Faculdade de Pedagogia (FAENAC) a realizar o Mestrado em Educação com suas reflexões e experiências de prática docente. À minha família, que esteve comigo ao longo dessa jornada, sempre me incentivando e colaborando para mais um sucesso profissional na minha vida.. Aos meus amigos do Mestrado, que compartilharam momentos significativos sempre apoiando e contribuindo com conhecimentos e palavras, incentivando para a concretização do meu projeto.. Aos funcionários do programa de Pós-Graduação em Educação que de forma direta ou indireta colaboraram na realização da minha dissertação, sempre solícitos para ouvir nossos anseios e angústias..

(7) E aos participantes desta pesquisa (os professores de uma escola pública), que, sem suas contribuições, a minha reflexão não teria significado para realizar a minha pesquisa..

(8) “Comunicar não é de modo algum transmitir uma mensagem ou receber uma mensagem. Isso é a condição física da comunicação. É certo que para comunicar, é preciso enviar mensagens, mas enviar mensagens não é comunicar. Comunicar é partilhar sentido”. Pierre Lévy.

(9) RESUMO. O trabalho intitulado Narrativas de usos pedagógicos de ferramentas tecnológicas na docência do Ensino Médio tem como objetivo conhecer e mapear as experiências de professores do Ensino Médio que integram em sua prática pedagógica recursos tecnológicos através de suas narrativas, os quais atuam em escolas públicas da região de São Paulo. Sendo assim, a prática pedagógica com o uso de tecnologia se faz presente na docência do professor de ensino médio, transformando-o em agente mediador do processo ensino-aprendizagem. A metodologia da pesquisa se concentra na experiência dos professores que utilizam a tecnologia como ferramenta de sua prática mediante a investigação narrativa, a qual os autores Connely e Claudinin elucidam em sua obra. São ressaltados alguns autores durante a pesquisa exploratória e documental, como: Moran, Lévy, Perrenoud e Tardif, conceituando a atuação do professor em Freire e Zabala, mediando sua prática com a tecnologia, levando a resultados que propiciam um ensino adequado à aprendizagem. Os instrumentos investigativos da pesquisa adotados na pesquisa foram: entrevista semi-estruturada, conversas informais com os professores, registro dos participantes nos fóruns do Portal educacional e reuniões pedagógicas coma a coordenadora do Portal educacional. O processo organizativo da análise das narrativas dos docentes se realizou por categorias tais como: organização do conteúdo pelos professores, uso do Portal educacional e interdisciplinaridade. Nas narrativas dos participantes da pesquisa percebeu-se que o trabalho na comunidade virtual baseou-se em três pontos fundamentais: produção, troca de informações e apresentação de resultados. De acordo com os relatos apresentados pelos entrevistados conclui-se que o trabalho desenvolvido pelos professores é bastante rico e contribui para a troca de experiências entre docentes pesquisadores da rede, que diferenciam suas aulas através do uso de tecnologia por meio do Portal educacional. Destaca-se também como diferencial na pesquisa a escolha, pelos docentes, de algumas ferramentas com o uso do Portal.. Palavras-Chave: educação, processo ensino e aprendizagem, portal educacional, ambientes virtuais..

(10) ABSTRACT. The work entitled “Narratives of pedagogical uses of technological tools in high school teaching” aims to evaluate and map experiences of high school teachers that integrate technology resources into their practice through their narratives, in public schools in the region of São Paulo. Thus, the teaching practice with the use of technology is present in the high school teaching, turning the teacher into a mediator of the teaching-learning process. The research methodology focuses on the experience of teachers who use technology as a tool of their practice by narrative research, which authors like Connelly and Claudinin elucidate in their work. Some authors are highlighted during the exploratory and documentary research, as Moran, Lévy, Perrenoud and Tardif, conceptualizing the role of the teacher in Freire and Zabala, mediating their practice with technology, leading to results that provide a suitable result to learning. The investigative research instruments adopted were: semi-structured interviews, informal conversations with teachers, registration of the participants in the forums of the educational portal and pedagogical meetings with the coordinator of the educational portal. The process of the analysis of the narratives of teachers was held by categories such as: organization of content by teachers, use of educational portal and interdisciplinarity. In the narratives of respondents it was noted that the work in the virtual community was based on three fundamental points: production, exchange of information and presentation of results. According to the reports submitted by the respondents, it is possible to conclude that the work developed by the teachers is very rich and contributes to the exchange of experiences among those teachers who differentiate their classes using technology through the education portal. Also noteworthy in the survey, is the choice of tools in the educational portal, made by the teachers.. Keywords: education, environments.. teaching-learning. process,. educational. portal,. virtual.

(11) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB ........................27.

(12) LISTA DE GRÁFICOS. Gráfico 1 - Escolas por tipo de computador..............................................................49 Gráfico 2 - Local de instalação dos computadores.................................................... 50 Gráfico 3 - Escolas com conexão à Internet sem fio ................................................. 51 Gráfico 4 - Tipo de computador existente no domicílio do professor......................... 52 Gráfico 5 - Professores que acessaram a Internet por meio do telefone celular ....... 52 Gráfico 6 - Local de uso do computador e Internet nas atividades com os alunos... 53 Gráfico 7 - Uso de recursos obtidos na Internet para a preparação de aulas ou atividades com alunos ............................................................................................... 54 Gráfico 8 - Tipos de recursos obtidos na Internet para a preparação de aulas ou atividades com alunos ...............................................................................................55 Gráfico 9 - Publicação de recursos produzidos através das TIC .............................. 56.

(13) LISTA DE QUADROS. Quadro 1 - Ferramentas mais utilizadas pelos docentes no Portal ..........................79.

(14) SUMÁRIO. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 14 1 ENSINO MÉDIO E O CONTEXTO CONTEMPORÂNEO ...................................... 22 1.1 BREVE PANORAMA DO ENSINO MÉDIO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO .................................................................................................................................. 22 1.2 ESTUDOS E INFORMAÇÕES SOBRE O ENSINO MÉDIO ............................... 24 1.3 QUESTÕES RELEVANTES E PERSPECTIVAS PARA UM ENSINO MÉDIO PÚBLICO DE QUALIDADE ....................................................................................... 26 1.4 RELAÇÃO PROFESSORES E ALUNOS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO . 28 1.5 O QUE VEM A SER TECNOLOGIA? .................................................................. 31 1.5.1 Tecnologia e Educação ............................................................................. 31 1.6 EDUCAR NA CONTEMPORANEIDADE ............................................................. 33 1.7 GLOBALIZAÇÃO E TECNOLOGIA ..................................................................... 34 1.8 A INTERNET COMO RECURSO PEDAGÓGICO ............................................... 37 1.9 O HIPERTEXTO .................................................................................................. 43 1.10 PANORAMA ATUAL NO BRASIL SOBRE AS TIC ........................................... 47 2 O PROFESSOR DO ENSINO MÉDIO ................................................................... 58 2.1 PARA UMA NOVA COMPETÊNCIA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA ERA DIGITAL ............................................................................................................ 58 2.2 O USO DA TECNOLOGIA NO AMBIENTE EDUCATIVO ................................... 63 2.3 SALA DE AULA ONLINE..................................................................................... 69 2.4 INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA DOCÊNCIA NO ENSINO MÉDIO ........................................................................................................ 73 2.5 O USO DE UM PORTAL COMO RECURSO PEDAGÓGICO............................. 76 2.6 FERRAMENTAS DISPONIBILIZADAS PELO PORTAL...................................... 78 2.7 JOGOS EDUCACIONAIS: RECURSOS UTILIZADOS POR EDUCADORES .... 80 3 ENSINO E APRENDIZAGEM COM USO DE TECNOLOGIAS ............................. 85 3.1 ARTICULAÇÕES METODOLÓGICAS: A INVESTIGAÇÃO NARRATIVA .......... 85 3.2 O CONTEXTO DA COLETA DE DADOS ............................................................ 90 3.3 CAMPUS DE ATRAÇÃO NARRATIVA: EXPERIÊNCIAS RECORRENTES NAS NARRATIVAS DOS DOCENTES .............................................................................. 92 CONSIDERAÇÕES FINAIS: POSSÍVEIS REFLEXÕES DE PRÁTICAS FUTURAS ................................................................................................................................ 114 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 118 ANEXOS .......................................................................... Erro! Indicador não definido..

(15) 14. INTRODUÇÃO. Inicio a minha narrativa como educadora com um trecho de Maistre (2009, p.51), escritor francês realista, que revela todo o seu desejo em escrever algo significante para o leitor:. Não sei como isto me acontece; há algum tempo meus capítulos terminam sempre com um tom sinistro. Em vão, quando os inicio, fixo os meus olhares em algum objeto agradável, em vão embarco em calmaria – logo enfrento uma borrasca que me faz derivar. Para pôr fim a essa agitação que não me deixa o controle de minhas ideias, e para pacificar os batimentos do meu coração, que tantas imagens tocantes agitaram demais, não vejo outro remédio senão uma dissertação. (MAISTRE, p.51, 2009).. Como premissa, revelo ao leitor meu primeiro contato com a tecnologia. Foi a experiência em uma empresa americana do ramo de prestação de serviços em informática. Na EDS (Electronic Data Systems do Brasil), subsidiária da GM, pude ter os primeiros contatos com o recurso tecnológico, pois trabalhava com as linguagens de tecnologia de informação, porém devo dizer que a minha primeira formação profissional foi no Ensino Médio com Habilitação ao Magistério em 1981. Depois, prossegui meus estudos com o ingresso na Faculdade de Letras (Português /Inglês – FAFIL) pelo Centro Universitário de Santo André (Fundação de Santo André), onde pude ter contato com excelentes professores. Insatisfeita ainda, pois buscava mais conhecimento, à medida que lia vários livros de literatura, concretizei a minha trajetória realizando duas Pós-Graduações. A primeira foi na antiga Universidade São Marcos, no curso de Pós em Língua e Literatura Inglesa, em 1995, onde pude trocar experiências com as minhas colegas a respeito do Ensino de uma língua estrangeira como segundo idioma. Dessa experiência, pude receber conhecimento da área de educação e língua por parte de docentes como a Profa. Dra. Laura, que me deu muito apoio para prosseguir a minha caminhada como educadora. A segunda foi a Pós em Psicopedagogia (2003) pelo Centro Universitário Santo André, antiga UNIA, onde conheci excelentes educadores como o Prof. Dr. Manuel Carlos da Silva (orientador da monografia) e a Profa. Ms. Luzia Miranda de Araújo Liói (docente da disciplina de Metodologia em Matemática), que incentivaram.

(16) 15. a todo momento os alunos a proporcionarem atividades diferenciadas em sala de aula visando à heterogeneidade, bem como refletirem sobre sua prática pedagógica. Nessa caminhada como educadora, tive o privilégio de trabalhar como professora e conteudista de uma editora de língua estrangeira ao lado da minha primeira professora de Inglês, Ivete Marcillo (in memoriam), de quem me lembro com bastante saudade, porém com entusiasmo, pois ela sempre me motivou e contribuiu para a minha formação docente no que se refere à Língua Inglesa, como segundo idioma. Naquela época comecei a utilizar a tecnologia como recurso para elaborar atividades pertinentes à faixa etária juvenil, com a qual tenho muita afinidade. Não posso deixar de considerar também a minha experiência vivenciada por dez anos em uma escola municipal de São Caetano do Sul, no Ensino Fundamental, onde fui capacitada para trabalhar com lousa digital, max câmera, diários informatizados, para serem utilizadas no laboratório de informática. Cabe ressaltar que nesta instituição também tive a oportunidade de exercer a função de Orientadora Pedagógica, auxiliando à Coordenação no desenvolvimento do educando de forma integral. Associada a minha experiência docente, pude realizar “um sonho” de lecionar em uma Faculdade (UNIESP – Diadema) para os cursos de Letras e Pedagogia (Noturno) em 2011; empregava nas minhas aulas estratégias utilizando os recursos tecnológicos, como laboratório de informática, filmes, músicas, blogs, fóruns de discussão e chats. Assim, sempre incentivava os alunos a se tornarem mediadores de uma educação que contemplasse a tecnologia. Com base nas minhas experiências vivenciadas como aluna no curso de Pedagogia realizado na FAENAC em 2008, posso considerar a importância das disciplinas (semipresenciais), na medida em que proporcionaram o contato com a realidade tecnológica e as variadas possibilidades de aprendizagem. Como aconteceu na disciplina Comunicação e Novas Tecnologias, na qual como estudante realizava a leitura semanal de textos referentes ao tema, seguida de atividades, como discussões no fórum, pesquisas em sites, projetos, etc., tudo intermediado pelas possibilidades tecnológicas. Cabe ressaltar que, fomos uma das turmas pioneiras de uma disciplina semipresencial na referida instituição. Desta forma, interessada neste assunto, procurei aprofundar o tema com leituras relacionadas à educação, novas tecnologias, os processos de ensino e aprendizagem, principalmente na formação de docentes nesta era digital..

(17) 16. Quanto mais aprendia, mais refletia e mais questionamentos surgiam relacionados ao tema. Somado a isso, em agosto de 2009, ingressei em uma escola pública e lá ocupei a função de professora de Língua Inglesa e Língua Portuguesa para o Ensino Médio. Fiquei muito motivada, pois conheci educadores que já utilizavam em suas práticas pedagógicas a tecnologia e recebi o convite a realizar um curso como tutora em Língua Inglesa em uma escola pública para educandos com parceria da Escola Thomas Jefferson em Brasília. Ainda em 2009, realizei uma capacitação para Professores de Língua Estrangeira na escola Pueri Domus em São Paulo, em parceria com a Empresa suíça EUROCENTERS (Intercâmbio Cultural e Formação de Professores de Idiomas). A imersão na Língua Inglesa foi intensa, pois desfrutamos de trocas de experiências, além de ter o contato com o idioma. Dessa forma, pude conhecer excelentes professores nativos de origem americana e britânica, que possibilitaram essa aprendizagem. Com isso, também reconheci nos recursos tecnológicos fornecidos pelos formadores a oportunidade de elaborar melhor as aulas. Devo dizer que outra experiência significativa e pertinente de registro diz respeito a minha vivência (como educadora) com jovens do Ensino Médio em uma escola técnica, lecionando Sociologia e Língua Inglesa, nas quais a carga horária é menor em relação às outras disciplinas. Percebi que ao incorporar a tecnologia nas minhas aulas, o rendimento e o desenvolvimento dos educandos cresceu, melhorando o resultado atribuído à possibilidade tecnológica como ferramenta em sala de aula. Reconhecendo a importância do educador como um dos participantes fundamentais para a consolidação do uso do computador no processo de aprendizagem, resolvi realizar vários cursos oferecidos pelo Portal educacional com parceria por uma escola pública, utilizando blogs, roteiro de aprendizagem, HQs e jornal. Outro fator que merece destaque neste momento também diz respeito à minha trajetória no Mestrado. Dentre os participantes que colaboraram para a concretização deste trabalho de Mestrado, destaco a importância do corpo docente que compõe o Programa de Pós-Graduação, Mestrado em Educação. Com os colegas do curso sempre comentavam a colaboração dos docentes, disponibilizando livros, sites da internet, dissertações sobre o tema de cada um, mesmo não sendo sua linha de pesquisa..

(18) 17. Quando a gente começa a intensificar o contato com a pesquisa, alguns comportamentos passam a ser incorporados, tal como a observação de educadores que utilizavam o computador por questão de necessidade e sobrevivência tendo em vista o ritmo das atividades propostas pela profissão. Por fim, esse conjunto de vivências, experiências e leituras me conduziram a uma curiosidade científica: o uso de tecnologia pelos educadores do Ensino Médio em suas práticas pedagógicas, que resultou nesta pesquisa de dissertação. A pesquisa tem por objetivo conhecer e descrever as experiências de um grupo de professores do Ensino Médio que atuam em uma escola pública da região de São Paulo que possui cerca. de 3.000 alunos e utilizam em sua prática. pedagógica recursos tecnológicos, e analisam as suas percepções, enquanto docentes. Justifico a relevância do presente trabalho, argumentando que alguns professores não utilizam as tecnologias por não saberem manuseá-las nem mesmo aplicá-las dando significado para suas aulas utilizando estratégias que possibilitem aprimorar o conhecimento dos alunos e a sua formação. Pode-se delinear alguns aspectos pertinentes ao uso ou não da tecnologia nas práticas educacionais: falta de capacitação do professor com práticas tecnológicas impossibilitando o processo ensino aprendizagem, ausência de estrutura física em algumas escolas, despreparo das escolas para aderirem à tecnologia e falta de interesse de alguns professores para inovarem suas aulas utilizando ferramentas da tecnologia. Existem diversos trabalhos de literatura nacional e internacional em congressos e em artigos periódicos, relatando experiências, estudos de uso de tecnologia da informação e comunicação na Educação. No Brasil, merece destaque o Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE, que é um evento anual promovido pela Comissão Especial de Informática na Educação - CEIE da Sociedade Brasileira de Computação - SBC, que tem por objetivo divulgar a produção científica nacional nesta área e proporcionar a troca de experiências entre profissionais, pesquisadores, estudantes e professores das áreas de Informática na Educação, Computação e Engenharia. Esta pesquisa ressaltará como a educação musical se articula com um novo ambiente de prática educacional mediado pelas tecnologias de informação e comunicação..

(19) 18. Os ambientes virtuais para educação musical são exemplos de ferramentas de simulação que permitem produzir e criar sons semelhantes a diversos instrumentos reais, proporcionando aos professores de música que atuem como mediadores de seus alunos, desenvolvendo conceitos, competências e habilidades musicais. O mundo está globalizado, por isso precisa-se integrar a tecnologia no contexto escolar, para que haja uma aprendizagem significativa numa “sociedade de conhecimento”. A educação e a tecnologia estão modificando o cenário da modernidade e nesse processo remete para a escola o papel de formar indivíduos que dominem o código científico, incorporando novos olhares da tecnologia para entender o mundo contribuindo para o bem-estar do homem e da sociedade. A aprendizagem se realiza à medida em que os indivíduos não se limitam ao conhecimento de conteúdos, mas sim de atitudes e valores inerentes ao momento que vivemos. Numa sociedade denominada “sociedade de conhecimento ou informação”, a informação circula numa velocidade crescente para contribuir com a qualidade de vida das pessoas, porém o excesso delas pode também levar a outros fatores como: o stresse e outras de doenças de comportamento social. Sabe-se que as exigências de se estar permanentemente conectado são muitas e isso faz com que enfrentemos novos desafios com a educação dos jovens. Lançando mão de aparelhos como. smartphones, tablets, notebooks e desktops, crianças e. adolescentes se mantêm quase ininterruptamente conectadas à internet. Nesse quadro, as tecnologias de comunicação e informação têm propiciado o surgimento de novas formas de vivenciar o processo de construção do conhecimento. Segundo Câmara e Ivanoff, (2010, p.3). “a tecnologia pode ser definida com o conjunto de técnicas, processos, métodos, meios e instrumentos de um ou mais domínios da atividade humana.” Diante disso, não se pode deixar de destacar que a cibercultura precisa fazer parte da escola. Porém, é necessário apropriar-se de bases teóricas e mais do que isso, assumir um papel ativo em suas inter-relações. Sabe-se que o modelo tradicional de ensino faz com que o professor seja o detentor de poder e centralizador de caráter autoritário, rígido, o qual só contribui para um ensino que visa a aprendizagem através da repetição, cópia de fórmulas e.

(20) 19. fatos, levando o aluno a decorar para o acúmulo de informações. A sociedade da informação requer que seja modificado esse modelo de ensino tradicional, sendo fundamental propiciar uma autonomia maior ao processo. Como afirma Pierre Lévy (2010, p.159), “Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação contemporânea da relação com o saber.” A metodologia de pesquisa narrativa utilizada neste trabalho se concentra na experiência de seis professores que utilizam a tecnologia como ferramenta de sua prática mediante a investigação narrativa (pesquisa quantitativa), fato que os autores Connelly e Clandinin (1990) elucidam em sua obra. Para esses autores a pesquisa narrativa é o estudo da experiência como história, assim, é principalmente uma forma de pensar sobre a experiência. E ainda, a narrativa é o método de pesquisa e ao mesmo tempo o fenômeno pesquisado. A metodologia de pesquisa narrativa para Connelly e Clandinin (1990) pode ser desenvolvida apenas pelo contar de histórias (telling), ou pelo vivenciar de histórias (living). Para Connelly e Clandinin (2004), requer-se interpretação plausível, construções coerentes, além de que o texto, em uma pesquisa narrativa, precisa dar conta dos seguintes lugares comuns: temporalidade, lugar, aspectos pessoais e sociais da pesquisa e histórias de participantes. A análise do material documentário, também pode ocorrer tendo em vista a perspectiva dos “lugares comuns” da pesquisa narrativa, conforme abordado por Connelly e Clandinin (2004). Um dos lugares comuns é a sociabilidade, a preocupação com as condições pessoais e sociais existentes no contexto em que as experiências são vividas. Por condições pessoais entendem-se sentimentos, esperança, desejos, reações estéticas e disposição moral do pesquisador ou do participante. “Por condição social, entendem-se as condições existenciais, o ambiente, forças e fatores subjacentes e pessoais que participam e formam o contexto dos indivíduos”. (CONNELLY; CLANDININ, 2004, p.8). Esses autores enfatizam que, para analisar as condições pessoais faz-se o movimento para dentro (inward) e as condições sociais o movimento para fora (outward). Outro lugar comum da pesquisa narrativa, é a temporalidade. Connelly e Clandinin (2004) falam em manter a sensação contínua de trabalho em desenvolvimento, sempre em processo de tornar-se (becoming). Essa perspectiva dá à pesquisa narrativa um movimento de para trás (backward) e para frente (forward). A partir desses quatro movimentos da pesquisa narrativa são compostos.

(21) 20. os significados dos relatos de experiências vividas durante esses relatos. A partir dos relatos de experiências de vida torna-se possível considerar a dimensão pessoal, utilizando o movimento para dentro. Assim é possível perceber de que forma os colaboradores e os participantes de pesquisa se sentem, reagem e se dispõem em relação à experiência vivida. Esse movimento para dentro é ainda, um movimento para trás, já que se pode contar ou recontar experiências vividas. O movimento para fora é feito ao contrapor os significados compostos em relação às experiências pessoais com o contexto social nos quais essas experiências foram ou são vividas. Quando reconstruímos as experiências relatadas e vividas e compomos significados para refletir sobre o conhecimento construído e sobre forma alternativas para construir novas experiências no futuro, estamos fazendo o movimento para frente. Serão ressaltados alguns autores durante a pesquisa exploratória e documental, como Moran (2012), Lévy (1998), Perrenoud (1993), e Tardif e Lessard (2008), que conceituam a atuação do professor, mediando sua prática com a tecnologia, levando a resultados que propiciam um ensino. adequado à. aprendizagem. O presente trabalho se concentra na análise dos dados das narrativas de histórias vivenciadas por educadores do Ensino Médio que fazem uso da tecnologia em suas aulas, pois acontece em local privilegiado com equipamentos e suporte adequados. A abordagem é qualitativa, a pesquisa valoriza estratégias de coleta de dados, tais como entrevistas com educadores sobre suas práticas, além de pesquisas com a Tecnologia da Informação e Comunicação – TIC. Desta forma, no capítulo 1 recorro a um levantamento das discussões acerca da cibercultura, da educação (Ensino Médio) e das novas tecnologias. Discute também a presença da principal evolução tecnológica presente na vida das pessoas: o computador como uma nova possibilidade de aprendizagem integrando a internet e o hipertexto. Na sequência, apresento algumas pesquisas relacionadas às TIC, de forma a explicitar o panorama atual da educação brasileira com o uso da tecnologia. No capítulo 2, contemplo a apresentação do uso da tecnologia no ambiente educativo, jogos educacionais, sala online, a integração de mídias e práticas pedagógicas, além da formação dos professores do Ensino Médio que utilizavam em suas aulas a tecnologia. O referencial teórico também proporcionou reflexões pertinentes a temática..

(22) 21. Por fim, o capítulo 3 retoma a problemática da pesquisa, agora subsidiada e contemplada pelas narrativas dos participantes da pesquisa: educadores de uma escola pública em São Paulo, para tecer minhas considerações sobre seus relatos e experiências a respeito do uso do Portal e outras ferramentas. A escolha de autores que discutiam sobre o assunto foi trabalhada no Programa de Pós-Graduação. São obras que relatam a possível parceria entre educação e tecnologia e também autores que fazem crítica a esta relação numa sociedade informacional em que os educadores precisam estar cientes de suas práticas pedagógicas com o uso da tecnologia, favorecendo o ensino-aprendizagem e não apenas inteirando o computador em suas aulas sem mediação pedagógica. Acredito que foi esta postura que possibilitou a concretização deste estudo, tal como poderá ser visto no capítulo a seguir quando trago uma visão preliminar da cibercultura..

(23) 22. 1 ENSINO MÉDIO E O CONTEXTO CONTEMPORÂNEO. A inovação tecnológica tem sido reconhecida como o principal elemento de transformação da organização dos processos produtivos, do que decorre a necessidade de formar a população. Por isso, faz-se necessário uma reformulação e reflexão sobre o currículo do Ensino Médio no Brasil visando a ampliação da inserção dos jovens no mercado de trabalho.. 1.1 BREVE PANORAMA DO ENSINO MÉDIO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO. Começo o meu primeiro capítulo com a reflexão da educação brasileira no que se refere ao Ensino Médio, no qual tenho vasta experiência e devo dizer que foi a chave-mestra para que eu pudesse iniciar minha dissertação. Entretanto, devo dizer que, como vou tratar dos jovens dessa era denominada digital, não posso prosseguir sem remeter alguns conceitos importantes como a cibercultura, ou seja, onde eles estão inseridos nessa sociedade. Para isso, procurei autores que me dessem essa resposta como premissa para a minha pesquisa, e descobri muito com a pesquisadora Edméa Santos.. Segundo a autora:. A cibercultura vem promovendo novas possibilidades de socialização e aprendizagem mediadas pelo ciberespaço e, no caso específico da educação, pelos ambientes virtuais de aprendizagem. A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelas tecnologias digitais. Não é uma utopia, é o presente, vivemos a cibercultura, seja como autores e atores incluídos no acesso e uso criativo das tecnologias de informação e comunicação (TICs), seja como excluídos digitais. Assumimos desde já que a educação online não é apenas uma evolução das gerações da EAD, mas um fenômeno da cibercultura. (SANTOS, 2009, p.1).. Sabe-se que cada vez mais os jovens no seu cotidiano utilizam e carregam smartphones para as escolas, computadores e notebooks em casa, pois este é o.

(24) 23. ambiente virtual que eles vivem no momento, e que alguns professores ficam confusos, pois não sabem como agir e ficam no impasse pela lei que proíbe aparelhos eletrônicos em sala de aula. Por isso, antes de começar a minha narrativa de práticas pedagógicas de docentes do Ensino Médio com o uso de tecnologia, farei uma reflexão sobre os jovens e as possibilidades de socialização e aprendizagem com o uso da tecnologia em sala de aula na sociedade atual. Na Constituição Federal, pela Emenda Constitucional está prevista a obrigatoriedade escolar dos 4 aos 17 anos a frequência dos jovens no Ensino Médio depois de concluírem o Ensino Fundamental. Porém, a obrigatoriedade de permanecer na escola não garante que os jovens não tenham nenhum atraso nos seus percursos. Sendo que, um dos maiores desafios das políticas públicas é reduzir as taxas de evasão e de repetência no ensino fundamental, e a expansão do ingresso no Ensino Médio, reduzindo o abandono e a reprovação. Destaca-se nessa perspectiva a proposta do Ministério da Educação - MEC em relação a “Experiência curricular inovadora do ensino médio: ensino médio inovador” (2009). Essa proposta teve como recomendações aprovadas a diversificação nos currículos do Ensino Médio para atender a heterogeneidade e a pluralidade de necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos. Nesse sentido, pode-se retomar a orientação do Programa Ensino Médio Inovador:. A organização curricular do ensino médio deve oferecer tempos e espaços próprios para estudos e atividades que permitam itinerários formativos opcionais diversificados, a fim de melhor responder à heterogeneidade e à pluralidade de condições, múltiplos interesses e aspirações dos estudantes, com suas especificidades etárias, sociais e culturais, bem como sua fase de desenvolvimento. [[...] ] formas diversificadas de itinerários podem ser organizadas, desde que garantida a simultaneidade entre as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia, da cultura, e definidas pelo projeto políticopedagógico, atendendo necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos e a realidade da escola e do seu meio1.. Os jovens têm mais facilidade para incorporar em sua vida cotidiana os novos recursos tecnológicos, mas não significa que eles os incorporem de forma 1. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNEICEB nº5/2011, aprovado em 5 de maio de 2011.Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília: MEC/CNE,2011. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&task=dowload&gid=8016&ltemid=..

(25) 24. crítica e produtiva. O desafio da escola não é protegê-los desses recursos, porém prepara-los para abordar a experiência de interação com eles.. 1.2 ESTUDOS E INFORMAÇÕES SOBRE O ENSINO MÉDIO. Os desafios estão presentes na pauta dos órgãos governamentais e de instituições públicas e privadas como também os organismos internacionais, Organização das Nações Unidas para Educação e Ciência - UNESCO presentes no país após a década de 80 com o processo de redemocratização. Existem numerosos documentos governamentais e de instituições nacionais e internacionais da legislação e das políticas referentes à oferta do Ensino Médio no Brasil. Segue alguns deles:  “Parâmetros curriculares nacionais para o Ensino Médio2”  “Reestruturação e expansão do Ensino Médio no Brasil3”  “Melhores práticas em escolas de Ensino Médio no Brasil4”. No estudo proposto pela UNESCO sobre integração entre o Ensino Médio e a educação profissional5, destacam-se os documentos produzidos pelo MEC referentes a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC que indicam a opção preferencial pela integração em um único curso, do Ensino Médio com a Educação Profissionalizante Técnica.. 2. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação/Semtec, 1999.4v. 3 Elaborado pelo Grupo de Trabalho Interministerial do Ministério da Educação e da Secretaria de Assuntos estratégicos da presidência da república (Portarias nº1189/2007 e nº386/2008). 4 INEP. Melhores práticas em escolas de ensino médio no Brasil. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2010. 5 AUR, B. A. Integração entre o ensino médio e a educação profissional. In: REGATTIERI, M.; CASTRO, J. M. (Orgs.) Ensino Médio e educação profissional: desafios da integração. 2 ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0019/001923/192356por.pdf>..

(26) 25. Referente aos estudos realizados em um workshop com a participação de especialistas e representantes do MEC, organizados pela UNESCO6 (denominado Ensino Médio e a Educação Profissional) foram levantadas questões fundamentais relativas a formação para o trabalho e para a cidadania; a concepção e a estruturação das propostas curriculares e dos projetos escolares; a qualificação e ao aperfeiçoamento dos professores; ao financiamento da educação; a integração da escola ao desenvolvimento local, regional e nacional, visando a inclusão social, a necessidade de desenhar ofertas diversificadas de educação de nível médio (desigualdade socioeconômicas).. Pode-se dizer que entre as reflexões do workshop, temos a de que:. O ensino médio está diretamente vinculado ao trabalho. Muitos estudantes já são trabalhadores e querem de alguma forma entender como suas atividades profissionais articulam-se com os estudos. Em qualquer de suas alternativas, a educação secundária funciona como instância de preparar para o trabalho.. Com isso, o projeto visou duas propostas curriculares de integração entre a educação geral e a profissional no Ensino Médio. Nas duas propostas sobre Educação para integração geral e profissional no Ensino Médio, a formação geral está voltada para o mundo do trabalho e para a prática social, garantindo as aprendizagens quanto ao conhecimento, atitudes, capacidades e preparação do jovem para enfrentar os problemas da vida e de participar de rumos coletivos de forma a pensar na sociedade em que vive. Entretanto, para que esta organização ocorra é preciso escutar as vozes dos jovens quanto as suas necessidades e expectativas no mundo produtivo.. 6. REGATTIERI, M.; CASTRO, J.M. (Orgs.). Ensino Médio e educação profissional: desafios da integração.2ed.rev.Brasília:UNESCO, 2010.Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0019/001923/192356por.pdf..

(27) 26. 1.3 QUESTÕES RELEVANTES E PERSPECTIVAS PARA UM ENSINO MÉDIO PÚBLICO DE QUALIDADE. Do ponto de vista da legislação educacional brasileira, os jovens na faixa etária entre 15 e 17 anos deveriam ter concluído o Ensino Fundamental e estar cursando o Ensino Médio. Porém, de acordo com os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2009) de cada 100 crianças na faixa etária de 7 anos, 98 frequentavam a escola. Contudo, no Ensino Médio esse quadro é pior, pois se observa que somente 37% da população de 18 anos o concluíram. Sabe-se que entre as possíveis causas dessa defasagem idade-ano/série estão a repetência e a situação socioeconômica. Dos concluintes do ensino fundamental, 83% se matriculam no primeiro ano do Ensino Médio na idade adequada; 65% no segundo, e 55% no terceiro, sendo que, apenas 47% concluem o último ano no tempo certo; os demais o realizam com distorção de idade-ano/série. Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas - FGV, intitulado “os determinantes do fluxo escolar entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio no Brasil” (2010), mostra que 70% dos jovens matriculados no Ensino Médio provêm de famílias com renda per capita da até um salário mínimo. Os sistemas educacionais, contudo, precisam ter como referência o projeto do novo Plano Nacional de Educação7, que tem como Meta nº 3 “universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa líquida de matrículas no Ensino Médio para 85%, nesta faixa etária”. Dessa forma, o primeiro desafio é persistir em programas de expansão do ingresso de jovens com 15 anos no Ensino Médio, o que implica na redução da evasão e da repetência na etapa anterior do Ensino fundamental. Como instrumento de verificação do alcance das METAS do PDE, foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB, divulgado a cada 2 anos, calculado com base nos dados de aprovação escolar, obtidos pelo Censo Escolar e das provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB e a Prova Brasil.. 7. BRASIL. Ministério da Educação. Plano Nacional de Educação-PNE. Brasília, 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=16478&ltemid=1107>..

(28) 27. Ao criar o IDEB, o MEC estabeleceu uma meta até 2021. Assim, de uma escala que varia entre 0 e 6 pontos, espera-se que o Ensino Médio obtenha 5,2 pontos. A tabela a seguir mostra um desempenho inferior no Ensino Médio quando comparado com o do fundamental nos anos de 2007 e 2009. Em 2005 o índice do Ensino Médio era 3,5. Em 2007 o índice foi de 3,6 e em 2009 a meta era 3,5. Nesse ritmo o Ensino Médio não vai alcançar a meta de 5.2 em 2021, o que indica a continuidade de um ensino insatisfatório e que suas deficiências não foram sanadas.. Tabela 1 - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB. Fonte: IDEB. Com base em pesquisas realizadas segundo Sposito e Galvão (2004), o jovem perde muito rapidamente o entusiasmo pelos estudos no Ensino Médio. No primeiro ano, os jovens se sentem orgulhosos, pois venceram a barreira da escolaridade de seus pais. No segundo ano começa o desencanto, principalmente, pelas dificuldades do processo de ensino, ao passo que as amizades se tornam mais importantes. No terceiro ano, os alunos se confrontam com um frustrante universo de possibilidades: o ingresso na universidade e o desejo de trabalhar se torna difícil de ser concretizado. Em maio de 2011, um grupo de trabalho composto por técnicos do Ministério da Educação e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República apresentou um estudo sobre a reestruturação e expansão do Ensino Médio no Brasil. O documento mostra uma concepção inovadora do Ensino Médio, com a formação integral do estudante estruturada na ciência, cultura e trabalho, bem como estar conectado com o uso de tecnologia na sociedade da informação. Esta reforma recorre a mudanças também na grade curricular e na opção de aprofundamento nas.

(29) 28. disciplinas relacionadas áreas de Exatas, Humanas e Biológicas. Pois, o índice apresentado em 2013 apontou estagnação no Ensino Médio – a nota permaneceu em 3,7. Na rede privada, houve queda na nota: de 5,7 para 5,4 quando o índice de 2013 é comparado ao de 2011.. 1.4 RELAÇÃO PROFESSORES E ALUNOS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO. Na era digital, as tecnologias de comunicação têm propiciado o surgimento de novas formas de aprendizagem, nas quais o papel do docente foi dando lugar ao de mediador e problematizador do aprender: ele passou a ser visto como aquele que desafia os alunos, apresentando-lhes os possíveis caminhos que poderão ser percorridos. Lévy (2010) propõe uma análise otimista das novas tecnologias, onde defende que está surgindo um novo espaço sociológico em que poderá se realizar uma nova cultura formando uma inteligência coletiva.. Segundo Lévy (2010, p.30):. Os processos de inteligência coletiva desenvolvem-se de forma eficaz graças ao ciberespaço, um de seus principais efeitos é o de acelerar cada vez mais o ritmo da alteração tecnossocial, o que torna ainda mais necessária a participação ativa na cibercultura, se não quisermos ficar atrás, e tende a excluir de maneira mais radical ainda aqueles que não entraram no ciclo positivo da alteração, de sua compreensão e apropriação.(LÉVY, 2010, P.30).. Para os educadores dessa nova era digital, o grande desafio não é oferecer as respostas prontas, mas sim apontar novos caminhos que levem a uma inovação na aprendizagem com o uso da tecnologia. Diante disso, não é mais possível ignorar a necessidade de que a escola incorpore em suas práticas o uso de tecnologia, assumindo um papel ativo em suas inter-relações. Como educadora, percebo que as grandes transformações de hoje, (Internet, workshop) da economia à cultura, afetam ao cidadão adulto, mas são.

(30) 29. experimentadas pelas crianças e jovens como sendo o mundo em que eles nasceram e vivem8 com a Internet.. Afirma Lévy (1993, p.9):. É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar/ ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática (como do audiovisual) supõe, portanto o abandono de um hábito antropológico mais milenar o que não pode ser feito em alguns anos. (LÉVY, 1993, P.9).. Maraschin (2011) ressalta que a escola da transmissão da informação e da memorização deve dar lugar à escolada construção do conhecimento e descoberta. O foco da educação escolar deve se basear na construção de modelos criativos de conhecimento utilizando múltiplas modalidades de informação.. Moran enfatiza (1997, p.151):. [...] precisamos de mediadores, de pessoas que saibam escolher o que é mais importante para cada um de nós em todas as áreas da nossa vida, que garimpem, o essencial, que nos orientem sobre as suas consequências, que traduzam os dados técnicos em linguagem acessível e contextualizado. (MORAN, p. 151, 1997).. Também para Cysneiros (1996), o professor passa a ser o intermediador, ajudando o aluno analisar as fontes de informações, centrando sua atenção não mais na transmissão de conhecimentos, mas sim na mediação do saber. O aluno deverá deixar de assumir uma posição passiva, para se tornar um ser ativo no processo educativo. A filosofia deweyana remete a uma prática docente baseada na liberdade do aluno para elaborar os próprios conhecimentos. Em lugar de começar com definições ou conceitos já elaborados, deve usar procedimentos que façam o aluno pensar, refletir, raciocinar e elaborar os próprios conceitos para depois confrontar com o conhecimento sistematizado. 8. Os chamados nativos digitais (são aqueles que já nasceram em um mundo completamente envolvido pelo avanço tecnológico), como jogos eletrônicos, mensagens no celular e pela internet, além da televisão, cinema e variados meios de comunicação que provocam novas maneiras de interagir, pensar e de utilizar a escrita como leitor e escritor do seu próprio texto..

(31) 30. Afirma-se que as teorias mais modernas da didática, como o construtivismo tem inspiração nas ideias de Dewey. Como sugere Valente (1999, p.22), “trata-se de uma inovação pedagógica fundamentada no construtivismo sociointeracionista que, com os recursos da informática,” levará o educador a ter muito mais oportunidade de compreender os processos mentais, os conceitos e as estratégias utilizadas pelo aluno e, com esse conhecimento, mediar e contribuir de maneira mais efetiva nesse processo de construção do conhecimento. O papel do educador está em orientar e mediar as situações de aprendizagem, para que aconteça a apropriação que vai do social ao individual, como preconiza o ideário vygotskyano. Dessa forma, a interatividade surge á medida que o professor problematiza e desafia os alunos através dos conteúdos pelo uso da tecnologia. Moran (1997, 2001 e 2003) e Assmann (2000) destacaram o processo de metamorfose da aprendizagem na sociedade de informação. Com o surgimento da internet, alunos e professores introduzem formas diferentes de lidar com a informação e o conhecimento, ou seja, novas estratégias de processos de ensino e aprendizagem estão sendo incorporadas no campo da educação, devido ao uso de novas tecnologias. A. sociedade. da. informação,. também. denominada. sociedade. da. aprendizagem, tem nas novas tecnologias seus elementos fundamentais para organizar o mundo. Desse modo, Assmann (2000, p.11) relata que o processo de conhecimento se transforma intrinsecamente em uma versatilidade de inciativas, escolhas, opções seletivas e constatações de caminhos equivocados ou propícios. Portanto, na era da informação, a escola não deve ser uma instituição isolada onde se prepara o indivíduo, mas o lugar onde, numa situação real de vida, indivíduo e sociedade se constituam em unidade orgânica. Vale dizer então, que é de fundamental importância que o papel dos professores na era da informação seja de mediadores e instigadores do conhecimento, contribuindo para a formação do sujeito de forma humana e ético-social..

(32) 31. 1.5 O QUE VEM A SER TECNOLOGIA?. Para Kenski (2003, p.18), “segundo o Dicionário de filosofia de Nicola Abbagnano (1982), a tecnologia é o estudo dos processos técnicos de um determinado ramo de produção industrial ou de ramos”. No entanto, a tecnologia envolve todo um conjunto de técnicas que são utilizadas para o desenvolvimento das ferramentas tecnológicas. A expressão “Tecnologia na Educação” abrange a informática, mas não se restringe a ela. Inclui também o uso da televisão, vídeo, rádio e até mesmo cinema na promoção da educação. O conceito de tecnologia educacional pode ser enunciado como o conjunto de procedimentos (técnicas) que visam “facilitar” os processos de ensino e aprendizagem com a utilização de meios (instrumentais, simbólicos ou organizadores) e suas consequentes transformações culturais.. 1.5.1 Tecnologia e Educação. Da pedra à roda, do fogo até chegar na Revolução Industrial, a humanidade passou por várias fases para adentrar na era digital. Sabe-se que com o advento da mesma, o homem pôde avançar em várias áreas na sociedade, nas diferentes instituições e na própria vida. As diferentes perspectivas de ‘tecnologia’ traduzem esses avanços de uma caminhada longínqua, que está distante de terminar.. Sancho (2010, p.28) argumenta que:. Na Grécia, a combinação dos termos téchne (arte, destreza) e logos (palavra, fala) significava o fio condutor que abria o discurso sobre o sentido e a finalidade das artes. No entanto, a téchne não era uma habilidade qualquer, mas aquela que seguia certas regras, pelo que também o termo tem sido usado como ofício. Em geral, a téchne acarreta a aplicação de uma série de regras por meio das quais se chega a conseguir algo. Daí existir uma téchne da navegação (“arte de navegar”), uma téchne de governo (“arte de governar”), uma téchne do ensino (“arte de ensinar”). (SANCHO, p. 28, 2010)..

(33) 32. Essas relações etimológicas aproximam “tecnologia” de “disciplina”, de modo que seu significado está ligado à “educação”. Atualmente as novas tecnologias da informação já se fazem ou, dada as condições materiais ou políticas pedagógicas, se farão presentes na escola, mesmo que lentamente. O fato, como afirma Appel (1995, p.169-170), é que “a nova tecnologia está aqui. Não irá embora [...] Devemos estar seguros de que o futuro que ela promete para nossos estudantes é real, não fictício.” O importante é compreender o processo de incorporação das tecnologias da informação pela escola, particularmente pelo professor, pois se defende que estas tecnologias podem contribuir para uma vinculação entre os contextos da escola, da vida do jovem aluno, do mundo do trabalho e da cultura contemporânea.. Soares (2006, p.39), destaca que:. Tecnologia não melhora a essência do que se ensina e sim a forma de transmiti-la. Assumir o emprego de tecnologias educacionais favorece a revisão da prática convencional. Rever atitudes de ensino pelo professor corresponde a ponderar necessidade de inovação da prática como o objeto principal da capacitação ou da formação continuada do professor hoje. (SOARES, 2006, p.39).. Corrêa (2002, p.46) afirma que “o valor da tecnologia não está nela em si mesma, mas depende do uso que fazemos dela”. Portanto, o que se deve ter claro é o conceito de tecnologia, articulado com o conceito de sociedade, indivíduo, educação e ensino, ou seja, o fazer e o pensar contemplado no seu projeto político pedagógico, e nesta relação dialética deve estar expressa a concepção e o uso das tecnologias. Através de várias leituras sobre educação e tecnologia observei uma diferença entre as expressões educação tecnológica e educação para a tecnologia. A primeira está voltada para aqueles que aprenderão a fazer a tecnologia, e a segunda para aqueles que lidarão com a realidade de uma sociedade tecnologizada. O meu interesse como educadora é pelo segundo, como Rodrigues (1996, p.1) se refere “[...] possivelmente a educação que deveríamos dar a todos os jovens para adequá-los à vida contemporânea.”.

(34) 33. Segundo Rodrigues (1996, p.1), notei em minhas aulas a importância da observação da vida dos jovens em relação à tecnologia, pois dessa forma comecei a preparar mais aulas no portal utilizando várias ferramentas, como blogs, roteiro de aprendizagem, jornal, além de trocar ideias com os professores da minha escola que já utilizavam a tecnologia em sala. Aplico uma estratégia com os alunos de “tirarem foto” de alguns textos ou até mesmo de partes da apostila, pois alguns deles se esquecem de trazer o material de estudo, e com isso a aula se desenvolve normalmente, assim posso continuar expondo a matéria e apresentando exercícios através dos smartphones. Os alunos conseguem resolver os exercícios e todos têm o material no seu smartphone para estudar para a prova.. 1.6 EDUCAR NA CONTEMPORANEIDADE. Jacques Delors (1998) coordenou o Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI, no qual aponta como principal consequência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma educação continuada. A proposição de Delors apresenta uma educação para a aprendizagem assentada em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, e aprender a ser. Como primeiro pilar, o autor aponta o aprender a conhecer, que visa não só a aquisição de saberes codificados, mas o domínio dos instrumentos do conhecimento como meio e finalidade na vida humana. Segundo Gadotti (2000, p.251), aprender a conhecer implica ter autonomia, curiosidade, descobrir, construir, reconstruir e se deslumbrar pelo novo, pelo conhecimento. O professor enquanto mediador, precisa estabelecer essa interação para que o novo tenha sua real importância no aprender a conhecer. Como segundo pilar, Delors (1998, p.93) apresenta o aprender a fazer, e recomenda que os alunos participem no fabrico de algo, para que a aprendizagem evolua e tenha seu valor..

(35) 34. Percebo que quando proponho a utilização dos smartphones em sala de aula, para que os alunos busquem informações sobre palavras em Inglês, textos elaborados para um seminário de Sociologia, o rendimento é maior e as aulas se desenvolvem de forma contextualizada com a realidade com que os jovens vivem. O quarto pilar apresentado se refere ao aprender a ser. Delors (1998, p. 99) recomenda que a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade, tornando o ser humano preparado para ser crítico, autônomo e para formular seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida. (DELORS, 1998, p.99).. Gadotti (2000, p.251) atribui à escola a missão de:. Nesse contexto, cabe a escola tornar possível o desenvolvimento desses quatro pilares para que os alunos sendo desafiados busquem uma formação humana mais crítica e competente, tornando mais autônomos, questionadores, participativos, criativos e, principalmente, transformadores da realidade social.(GADOTTI, p. 251, 2000).. 1.7 GLOBALIZAÇÃO E TECNOLOGIA. Atualmente, com o mundo globalizado em que vivemos, o ser humano tem acesso fácil à informação em um ritmo cada vez mais veloz, pois o conhecimento se tornou fator de produção. Segundo Giddens (1997, p.4), “globalização não é apenas um fenômeno econômico, de surgimento de um sistema-mundo, mas tem a ver com a transformação do espaço e do tempo”..

(36) 35. Como Milton Santos revelou (2008, p.174):. A grande mutação tecnológica é dada com a emergência das técnicas de informação, as quais – ao contrário das técnicas das máquinas – são constitucionalmente divisíveis, flexíveis e dóceis, adaptáveis a todos os meios e culturas, ainda que seu uso perverso atual seja subordinado aos interesses dos grandes capitais. Mas, quando sua utilização for democratizada, essas técnicas doces estarão ao serviço do homem. (MILTON SANTOS, p. 174, 2008).. Percebo que a evolução das tecnologias de informação e comunicação viabilizou este crescimento, tanto na quantidade quanto na velocidade, no recebimento e envio de informações. A Ciência, portanto, tem um papel importante na sociedade, sendo responsável pela descoberta, pesquisa, inovação e disseminação do conhecimento. As inovações tecnológicas, como a internet, ocorrem tão rapidamente que uma informação hoje se torna ultrapassada amanhã. Sabe-se dos benefícios da internet e do volume gerado e disseminado, mas também existem as dificuldades em gerenciar todo esse conhecimento. Dessa forma, realizo atividades em sala de aula através dos avanços tecnológicos alcançados pela humanidade que me permite maior agilidade e formas de lidar com a informação e a comunicação. Nas minhas aulas, solicito aos alunos que procurem informações sobre vários assuntos de Sociologia, Inglês, Filosofia nos smartphones como sendo uma biblioteca virtual. Não existe a necessidade de locomoção, e sim aprender a conhecer, ter curiosidade, ser crítico e participativo. Associada a essa tecnologia está a educação entrelaçada com os novos paradigmas que surgem com suas repercussões, mas ela deve promover, com sua filosofia e procedimentos, a formação do participante. Quando proponho atividades diferenciadas nas aulas de Sociologia com o uso da tecnologia, os alunos se motivam e querem pesquisar mais sobre o assunto abordado, e com cada turma discute-se sobre a globalização, a tecnologia atual e seus efeitos na sociedade. Assim, as aulas se tornam mais dinâmicas, reflexivas e os alunos mais participativos com os assuntos pertinentes à realidade que vivem. Milton Santos(2008) assinala que a globalização aponta uma nova qualidade técnica chamada de técnica informacional..

(37) 36. [...] chegamos a um outro século e o homem, por meio dos avanços da ciência, produz um sistema de técnicas presidido pelas técnicas de informação. Estas passam a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando a presença planetária desse novo sistema técnico. (SANTOS, 2008, p.142).. Com a entrada da educação ao terceiro milênio, os computadores são janelas para o mundo, possibilitando trocas nessa sociedade informatizada. Na tentativa de incorporar esses novos recursos, a escola nem sempre obtém sucesso, pois ainda não consegue alterar a tradição das aulas acadêmicas.. Passei a entender com Aranha (2000):. Que o importante é que os novos recursos como computador, os vídeos, não sejam usados apenas como instrumentos, mas se tornem capazes de desencadear transformações estruturais na velha escola. Só assim, a função do professor pode se revitalizada, libertando-o da aula de saliva e giz e estimulando o aluno a uma posição menos passiva e mais dinâmica. Como fazer, é um desafio para a imaginação [...]. (ARANHA, p. 239, 2000).. Segundo Valente (2008), é necessário o aluno compreender o que faz, para se tornar um ser crítico, participativo e se envolver nas atividades na sociedade, desenvolvendo suas habilidades e competências e assumindo responsabilidades. Atualmente, implantar mudanças na escola, adequando-se aos novos modelos da sociedade do conhecimento, constitui um dos maiores desafios. Consolido a ideia anterior de Rodrigues com a afirmação de Paulo Gileno Cysneiros (2000, p.11) professor da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE:. A escola tem mudado. Claro que as instituições têm certa permanência – não só a escola, mas a justiça, a Igreja, etc. Mas esse discurso muito em voga de que a escola não evolui vem desde a década de 20 do séc. passado e é falso, que nas últimas três décadas tem se dedicado ao ensino e pesquisa em tecnologia da informação e comunicação na educação. (CYSNEIROS, p.11, 2000).. Para Cysneiros (2000, p.11), o uso das tecnologias tem o potencial de modificar os modos de pensar, de ensinar e de aprender, e até mesmo de ver o mundo..

(38) 37. Os jovens estão se interessando pela disciplina de História, pois têm acesso aos jogos e com isso necessitam saber sobre algumas civilizações e até mesmo como se comportavam perante o que chamava de “conquistar territórios”.. Segundo Harada; Sarruf e Mendes (2013, p.145):. Na era industrial, o bem-estar foi promovido quando se substitui a mão de obra por máquinas. Nessa nova economia, baseada no conhecimento, a geração e a utilização do conhecimento desempenham um papel predominante na promoção do bem-estar social. Neste novo ambiente, a produção tornou-se flexível, substituindo a produção em massa. O principal motor tecnológico deixou de ser a mecanização para ser a tecnologia da informação. Mudaram os requisitos de educação, e as relações do trabalho passaram a ser mais colaborativas. (HARADA; SARUF E. MENDES, p. 145, 2013).. A escola atual, e a que idealizamos para o futuro, precisa resgatar as concepções da modernidade clássica transformando-as para adaptá-las às infinitas possibilidades que as tecnologias de comunicação e de informação nos oferecem. Belloni (1998) sintetiza que com a modernização radical na educação, que vai da pesquisa acadêmica às estratégias políticas, a escola cumprirá sua função social, que é a de formar o cidadão autônomo, competente técnica e politicamente. Como educadora devo dizer que, para entender melhor a sociedade da informação, se faz necessário saber mais a respeito da internet como recurso pedagógico para que o professor incorpore as novas tecnologias em sala de aula.. 1.8 A INTERNET COMO RECURSO PEDAGÓGICO. Em 1947, os físicos John Bardeen, Walter Brattain e William Shockley ganharam o Prêmio Nobel pela invenção dos transistores, o que tornou possível processar impulsos elétricos em alta velocidade. Primeiramente, as empresas passaram a fazer transistores com germânio, depois com silício. A partir dos transistores, chegamos aos chips e aos circuitos integrados, invenção do engenheiro norte-americano Jack Kilby em 1957 até o aparecimento da microinformática..

Referências

Documentos relacionados