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Marcos Pozzetti Meneghin

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Academic year: 2021

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Marcos Pozzetti Meneghin

Análise morfológica e morfométrica da capacidade de

limpeza dos canais radiculares submetidos ao preparo

biomecânico com solução irrigante à base de

Ricinus

communis

em comparação ao NaOCl a 1%.

Orientadora: Profa. Dra. Heid Sueli Leme dos Santos

Ribeirão Preto 2005

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Banca Examinadora

Profª. Drª. Heid Sueli Leme dos Santos

Professora Titular do Curso de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP

Prof. Dr. Manoel D. Sousa Neto

Professor Titular do Curso de Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP

Prof. Dr. Carlos Roberto Colombo Robazza

Professor do Departamento de Endodontia da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas - UNIFAL

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Marcos Pozzetti Meneghin

Análise morfológica e morfométrica da capacidade de

limpeza dos canais radiculares submetidos ao preparo

biomecânico com solução irrigante à base de

Ricinus

communis

em comparação ao NaOCl a 1%.

Dissertação apresentada ao Curso de Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto, para obtenção do Título de Mestre em Odontologia, sub-área Endodontia.

Orientadora: Profa. Dra. Heid Sueli Leme dos Santos

Ribeirão Preto 2005

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Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Processamento Técnico da Biblioteca Central da UNAERP

- Universidade de Ribeirão Preto -

Meneghin, Marcos Pozzetti, 1964 -

M541a Análise morfológica e morfométrica da capacidade de limpeza dos canais radiculares, submetidos ao preparo biomecânico com solução irrigante à base de Ricinus communis em comparação ao NaOCl a 1% / Marcos Pozzetti Meneghin. - - Ribeirão Preto, 2005.

84 f. : il.

Orientadora : Profa. Dra. Heid Sueli Leme dos Santos. Dissertação (mestrado) - Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP, Odontologia, área de concentração: Endodontia. Ribeirão Preto, 2005.

1. Odontologia. 2. Endodontia. 3. Canal Radicular. 4. Tratamento. I. Título.

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Este trabalho foi realizado no Laboratório de Pesquisas em

Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP.

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A DEUS, que me deu a vida, com a possibilidade de crescer espiritualmente através do aprendizado científico e conhecimento da vida, me fortificando para lutar e prosseguir sempre com muita dedicação e amor.

Nunca deixe de esperar o que nunca foi esperado.

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Aos Meus Pais

Walter Meneghin (in memoriam) Wandercy Pozzetti Meneghin,

que através do amor me ensinaram a moral, a dignidade e respeito com a vida, conseguindo dar força e estrutura para eu prosseguir através das pedras do caminho, tornando-as pequenos grãos de areia, fazendo a estrada da vida um caminho de esperança, amor e luz.

Amo vocês! Muito obrigado.

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Ao meu irmão

Valter César Meneghin(in memoriam)

que foi meu segundo pai. Sempre me espelhei na sua capacidade profissional e na pessoa cheia de carinho, alegria, solidariedade e amizade.

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Ao coordenador do Programa de Pós-Graduação em Odontologia - UNAERP, Prof. Dr. Manoel D. de Sousa Neto, o meu sincero agradecimento por sua competência profissional sendo da sapiência de todos, ensinando-me muito mais do que conhecimentos acadêmicos, através da sua sinceridade e amor ao seu trabalho!

O mais difícil é dizer em poucas palavras sua conduta como ser humano e amigo, mas em pouco tempo de convivência, posso afirmar, que sua nobreza e seu caráter são peculiares!

Seus ensinamentos vou levar para a minha vida inteira! Que Deus abençoe e ilumine seu caminho!

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Ao Prof. Dr. Luis Pascoal Vansan, pelo incentivo e estímulo na confecção deste trabalho e por sempre me presentear com sua experiência profissional.

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À minha orientadora, Profa. Dra. Heid Sueli Leme dos Santos, pelo exemplo de seriedade e competência na minha trajetória.

Ao Curso de Pós-Graduação em Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto, que possibilitou meu crescimento intelectual e aprimoramento profissional.

À equipe de professores do Programa de Pós- Graduação em Odontologia da UNAERP, cujos ensinamentos e conhecimentos, não somente de Endodontia mas de vida, souberam transmitir com clareza e seriedade durantes todos esses anos de minha formação profissional: Prof. Dr. Manoel D. de Sousa Neto, Prof. Dr. Luiz Pascoal Vansan, Prof. Dr. Antônio Miranda Cruz Filho, Prof. Dr. Paulo César Saquy, Prof. Dr. Raphael Carlos Comeli Lia, Profa. Dra. Yara Teresinha Corrêa Silva Sousa , Profa. Dra. Neide Aparecida de Souza Lefheld, Profa. Dra. Lisete Diniz Ribas Casagrande, Prof. Celso Bernardo de Souza Filho.

Ao Prof. Renato Cássio Roperto e Prof. Celso Bernardo de Sousa Filho pelos ensinamentos e pela amizade.

A todos os professores do Curso de Odontologia da Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP.

À Cecilia Maria Zanferdini, secretária da Pós-Graduação, pela atenção, dedicação e competência com que realiza seu trabalho.

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À Rosemary Alexandre, técnica do Laboratório de Patologia da UNAERP, que, com atenção, paciência e carinho esteve sempre disposta a me ajudar.

Aos colegas da quarta turma de Pós-graduação em Odontologia, sub-área Endodontia, André Augusto Franco Marques, Emanuel Soares de Souza, Jarbas Passarinho Neto, Lucas da Fonseca Roberti Garcia, Marcelo Soares Bertocco, Mariana Braga Silvério, Michele Regina Nadalin, Neilor Matheus Antunes Braga e Renato Interliche, pela amizade e o agradável convívio durante o curso.

Aos amigos e colegas do Laboratório de Pesquisa em Odontologia da UNAERP, Melissa Andréia Marchesan, Rafael Brandão Ferreira, Alessandro Rogério Giovani e Felipe Barros Matoso pela convivência harmoniosa, demonstração de companheirismo, empenho, caráter solidário, em especial à minha amiga Sylvia Maria Bin Nomelini, que muito colaborou para realização desse trabalho.

Aos amigos pessoais, Sérgio Antônio Valente, José Rubens Macedo, Marcio Castro, João Luis Fernandes Tiveras e Magda Luiza, que com uma família hoje pequena, não poderia deixar de homenagear, que no decorrer da minha jornada, foram e serão sempre meus irmãos, mesmo não tendo relações sanguíneas, são pessoas especiais e tiveram sempre atitudes de verdadeiros irmãos. Obrigado!

Ao diretor Prof. Neoclair Olina e professores do curso de Odontologia da Faculdades Adamantinenses Integradas – FAI pela compreensão e apoio no meu trabalho.

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RESUMO SUMMARY INTRODUÇÃO... 01 REVISTA DA LITERATURA... 08 PROPOSIÇÃO... 41 MATERIAL E MÉTODOS... 43 RESULTADOS... 52 DISCUSSÃO... 60 CONCLUSÃO... 66 REFERÊNCIAS... 68

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Resumo

Estudou-se, por meio da análise morfológica e morfométrica, a capacidade de limpeza promovida pela instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio e irrigação com diferentes soluções auxiliar. Vinte e sete pré-molares inferiores humanos, unirradiculares, foram distribuídos em três grupos de acordo com a solução irrigante testada: Grupo I água destilada; Grupo II NaOCl a 1% e Grupo III detergente derivado do óleo de mamona a 3,3%. O preparo biomecânico foi realizado com sistema rotatório de níquel-titânio Protaper Plus, obedecendo a seguinte ordem de uso dos instrumentos: S1, SX e S2 para o terço cervical e médio, e 25/02, 25/04, 25/06, 30/02, 30/04 e 30/06 no terço apical, todos a 1 mm aquém do ápice. A irrigação foi realizada a cada troca de instrumento com 2 ml de solução, totalizando um volume de 20 ml para cada dente. Após o preparo biomecânico, os terços apicais dos dentes foram submetidos ao processamento histológico. Os espécimes foram analisados em microscópio óptico com um aumento de 40X, e as imagens submetidas à análise morfométrica por meio de uma grade de integração. Os resultados do presente estudo evidenciaram que não houve diferença estatisticamente significante (p>0,01) entre os espécimes irrigados com NaOCl a 1% e detergente de mamona a 3,3%, que apresentaram menor quantidade de debris, 8,49% e 10,11% respectivamente, e esses por sua vez apresentaram diferença estatística significante (p<0,01) em relação aos espécimes irrigados com água destilada (15,58%). Concluiu-se que o detergente

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Resumo

de mamona a 3,3% apresentou comportamento semelhante ao NaOCl a 1% na remoção de debris.

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Summary

This study evaluated by morphologic and morphometric analysis, the cleaning capacity obtained by rotary instrumentation with nickel-titanium files and different irrigating solutions. Twenty-seven single-root mandibular premolars were distributed into three groups according to the tested irrigation solution: group I, distilled and deionized water; group II, 1% NaOCl and group III, 3.3% Ricinus communis detergent. Biomechanical preparation was performed with Protaper Plus nickel-titanium files as follows: S1, SX e S2 at the cervical and medium thirds, and 25/02, 25/04, 25/06, 30/02, 30/04 and 30/06 at the apical third, at 1 mm form the apex. Irrigation was performed at each file change with 2 ml of irrigation solution, totalizing 20 ml for each tooth. After biomechanical preparation, the thirds were processed histologically. The specimens were analyzed by an optical microscope at 40X augmentation and submitted to morphometric analysis by means of a grid. Results show that there was no significant statistical difference (p>0.01) between the specimens irrigated with 1% NaOCl and 3.3% Ricinus communis detergent, which presented the lowest percentage of debris, 8.49% e 10.11%, respectively. These presented a statistical significant difference when compared to distilled and deionized water (p<0.01; 15.58%). We can conclude that 3.3% Ricinus communis detergent presented similar behavior to 1% NaOCl on debris removal.

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Uma das grandes preocupações do endodontista é a realização de uma perfeita limpeza, preparo e desinfecção do canal radicular. Segundo SCHILDER (1974), o preparo biomecânico, permite a obtenção de um canal radicular com forma cônica afunilada desde o acesso coronário até o ápice, criando um espaço cirúrgico que favorece uma completa obturação do sistema de canais radiculares.

Um dente não apresenta simplesmente um único ou vários canais radiculares, mas sim, um complexo sistema que pode ser composto por canais laterais, colaterais, recorrentes, secundários, acessórios, reticulares, intercanaliculares e, ainda, múltiplas aberturas foraminais (DE DEUS, 1975).

A ação do instrumento endodôntico durante o preparo biomecânico ocorre apenas no canal principal, não atingindo diretamente todo o complexo radicular e massa dentinária (túbulos dentinários). Diante disso, a limpeza do sistema de canais radiculares constitui um desafio para o endodontista.

A limpeza do sistema de canais radiculares na fase do preparo biomecânico tem como objetivo eliminar irritantes como bactérias e seus produtos, tecido pulpar degenerado e dentina contaminada (SIQUEIRA JR. et al., 1997b). Esse processo ocorre pela ação mecânica dos instrumentos endodônticos junto às paredes do canal principal, aliada à ação química das soluções irrigantes e à ação física do processo de irrigação e aspiração.

Os métodos normalmente utilizados para avaliar a limpeza dos canais radiculares são a microscopia eletrônica de varredura (HÜLSMANN et al., 1997;

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GUERISOLI et al., 2002), a microscopia óptica (SIQUEIRA JR et al., 1997a; BARBIZAM et al., 2002; FARINIUK et al., 2003), a análise de cortes antes e após a instrumentação (GLOSSEN et al., 1995) e a tomografia computadorizada (PETERS; BARBAKOW, 2000). Estes métodos propiciam avaliar quantitativa e qualitativamente os restos de smear layer e debris dos canais radiculares.

Os debris são resíduos, orgânicos e/ou inorgânicos, remanescentes nos canais radiculares após o preparo biomecânico (HÜLSMANN et al., 1997). A smear layer, um aglomerado em forma de pasta que tende a se depositar nas paredes do canal radicular, sobretudo no terço apical, é resultante da ação do instrumento endodôntico sobre as paredes do canal radicular associada a restos orgânicos e substâncias químicas. A smear layer, portanto, forma-se apenas nas áreas que sofreram a ação mecânica dos instrumentos endodônticos (MOODNIK et al., 1976).

Diferentes técnicas, tipos de instrumentos e equipamentos têm sido desenvolvidos ao longo dos anos para que seja possível uma melhor limpeza e preparo do canal radicular, o que proporciona maior segurança e rapidez no tratamento endodôntico.

Apesar de existirem várias técnicas de preparo do canal radicular, todas têm um único objetivo: a suficiente ampliação do canal radicular para possibilitar uma obturação tridimensional que favoreça o sucesso do tratamento endodôntico. A proposta atual está baseada na realização de um preparo cervical que pode ser

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denominado ampliação reversa (WEINE 1982), crown down (MARSHAL; PAPPIN, 1980) ou step down (GOERIG et al., 1982), o qual é iniciado pelo terço cervical até atingir o terço apical, minimizando os riscos de acidentes e erros durante o tratamento endodôntico.

Em relação aos instrumentos endodônticos, a evolução das limas de níquel-titânio (Ni-Ti) trouxe um grande avanço, principalmente por sua flexibilidade, que permite a sua utilização tanto manualmente como em técnicas automatizadas. Hoje, existem vários tipos de limas de Ni-Ti que agregam novas características de fabricação, novos desenhos, alteração da conicidade padrão e também diferentes comprimentos da parte ativa.

Os instrumentos rotatórios de Ni-Ti podem criar eficientemente um canal cônico afunilado, com risco mínimo de formação de degraus e transporte do canal radicular, utilizando menos tempo que a instrumentação manual (FARINIUK et al., 2001). No entanto, a limpeza do sistema de canais não tem sido efetiva (SIQUEIRA JR et al., 1997a; BARBIZAM et al., 2002), principalmente nos casos de canais achatados ou naqueles em que a forma não permite a ação do instrumento endodôntico em todas as suas paredes. Mesmo em canais radiculares com anatomia mais circular (FARINIUK et al., 2001) observaram que havia áreas que não eram tocadas pelos instrumentos. Dessa maneira, as soluções irrigantes auxiliares assumem fundamental importância durante o preparo biomecânico (BARATTO-FILHO et al., 2004).

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Dentre as soluções irrigantes disponíveis atualmente, as soluções de hipoclorito de sódio, em diferentes concentrações, são as mais utilizadas e mundialmente aceitas por suas propriedades de clarificação, dissolução de tecido orgânico, saponificação, transformação de aminas em colaminas, desodorização e ação antimicrobiana (McCOMB et al., 1975; MOODNIK et al., 1976; ABOU-RASS; OGLESBY, 1981; BAUGARTNER; CUENIN, 1992; GAMBARINI et al., 1998; SANTOS, 1999; SPANÓ et al., 2001).

Embora a solução de hipoclorito de sódio seja a mais utilizada, pesquisadores buscam novas propostas de soluções com o objetivo de obter novos recursos que possam melhorar o índice de sucesso do tratamento endodôntico.

Com o desenvolvimento dos poliuretanos derivados do óleo de mamona, os pesquisadores observaram seu potencial de biocompatibilidade nas áreas médicas e odontológicas (IGNÁCIO, 1995; OHARA et al., 1995; VILARINHO et al, 1996; CARVALHO et al., 1996; COSTA et al., 1997; FRANCINO , 1998; CALIXTO et al., 2001; BONINI et al., 2002).

A mamona (Ricinus communis, divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopside, sub-classe Rosidae, ordem Euforbiales, família Euforbiaceae) constitui um vegetal típico de clima tropical, e o Brasil, devido às suas características climáticas e por sua grande extensão territorial, apresenta-se como uma das grandes reservas mundiais deste produto. Possui um grande potencial oleoquímico, podendo garantir o fornecimento de polióis e pré-polímeros a partir de ácidos graxos em

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larga escala. Devido à sua composição, de 81 a 96% de triglicerídeo do ácido ricinoléico, pode ser considerada como um poliol natural por conter três radicais hidroxilas passíveis de serem utilizados na síntese de poliuretanas (PASCON, 1999).

Algumas vantagens na utilização de resinas poliuretanas são, a processabilidade, a flexibilidade de formulação, a versatilidade de temperatura de cura e controle de pico exotérmico na transição líquido-gel, além da ausência de emissão de irritantes químicos ou de vapores tóxicos (OHARA et al., 1995).

A partir dos estudos sobre biocompatibilidade na área de ortopedia (OHARA et al., 1995; HIRAKI et al., 2001; IGNÁCIO et al., 2002; BELOTI et al., 2003), os pesquisadores da área de Odontologia observaram a possibilidade de utilizar a mamona (Ricinus communis) para reconstrução e reparo de defeito ósseos, que promovam leitos viáveis para receber implantes, pinos, redes metálicas, levantamento do seio maxilar e preenchimento de alvéolos (CARVALHO et al, 1997; COSTA et al., 1997; BRENTEGANI et al., 2000; MANTESSO et al., 2000; BARROS et al., 2001; CALIXTO et al., 2001).

Na Endodontia foi desenvolvido um detergente à base do óleo de mamona para ser utilizado como solução irrigante que apresenta atividade antimicrobiana similar à do hipoclorito de sódio a 0,5% quando utilizado na irrigação de canais radiculares necróticos (FERREIRA et al., 1999; FERREIRA et al., 2002), ação contra bactérias gram-positivas e leveduras (ITO et al., 1999), ação antiinflamatória

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(BARROS et al., 2001), biocompatível com os tecidos periapicais (MANTESSO et al., 2000), possui capacidade de aumentar a permeabilidade dentinária (PÉCORA et al., 2000), e promover a remoção da smear layer semelhante ao EDTA 17% (TEIXEIRA et al., 2001)

Assim, torna-se importante estudar a capacidade de limpeza do canal radicular após o preparo biomecânico associado às novas tendências de produtos naturais de origem vegetal utilizados como soluções irrigantes.

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Para melhor entendimento da Revista de Literatura, este capítulo será abordado em duas partes: 2.1- Hipoclorito de sódio utilizado como solução irrigante no preparo biomecânico; 2.2- Mamona (Ricinus communis).

2.1 Hipoclorito de sódio utilizado como substância química no preparo biomecânico.

DAKIN (1915) teceu o seguinte comentário sobre o princípio de esterilização de uma superfície infectada: “Para tornar uma ferida estéril é necessário usar um anti-séptico de modo que ele fique em contato e em concentração adequada com todas as paredes da ferida”. Se essas condições são satisfeitas, haverá resposta ao tratamento através da diminuição e desaparecimento dos microrganismos.

BARRET (1917) relatou a eficiência da solução de DAKIN (1915) que correspondia à associação de uma solução de hipoclorito de sódio a 0,5% com ácido bórico, o qual tinha objetivo de diminuir o ph da primeira solução. De acordo com o autor, a solução tinha capacidade anti-séptica devido sua reação química. A formação de cloramina, produto da reação do cloro com a amônia ou com compostos do grupo amino, ocorre devido a função das proteínas presentes nos tecidos.

TAYLOR; AUSTIN (1918) pesquisaram a ação solvente da solução de Dakin sobre tecidos necróticos. Concluíram que essa era eficaz em sua dissolução e destacaram, ainda, sua ação irritante sobre os tecidos vitais.

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BUCKLEY (1926) relatou que a solução de hipoclorito de sódio (Licor de Labarque) deveria ser usada somente para clarear os dentes. Nos casos de polpa mortificada, ele utilizava ácido fenolsulfônico a 80% e o neutralizava com uma solução de bicarbonato de sódio a 10%. No mesmo livro, o autor faz severas críticas a respeito da utilização do ácido sulfúrico como irrigante de canais radiculares, devido aos violentos danos que provoca aos tecidos periapicais. Buckley ressaltou que o ácido por ele proposto era menos irritante.

COOLIDGE (1929) pesquisou a ação de soluções germicidas sobre os microrganismos mais comumente encontrados nos canais radiculares infectados. Demonstrou assim, a penetração do cloro nascente até em espaços inacessíveis dos canais radiculares, o qual neutralizava tanto os produtos tóxicos como os gases formados pela putrefação. A conclusão do autor foi que a desinfecção de um canal contaminado é conseguida pela ação química de soluções irrigantes capazes de destruir os microrganismos e de neutralizar seus produtos tóxicos, auxiliadas pela ação mecânica de instrumentos endodônticos que removem materiais durante o processo de alargamento desses canais

Em 1936, WALKER introduziu o hipoclorito de sódio na concentração de 5% na Endodontia como instrumento auxiliar, dando início a uma fase onde essa solução seria reconhecida e aceita mundialmente. Em seu trabalho, esclareceu que essa solução foi utilizada após a indicação do Dr. Blass, da Universidade de New York.

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GROSSMAN; MEIMAN (1941), após os estudos dos vários agentes químicos aplicados em técnicas endodônticas, ratificaram que a solução de soda clorada era mais eficiente como solvente do tecido pulpar. Essa afirmativa, em última análise, permitiu um tratamento endodôntico mais disciplinado quanto ao uso de solução irrigante.

GROSSMAN (1943) propôs uma forma de irrigação utilizando as soluções de hipoclorito de sódio a 5% e a solução de peróxido de hidrogênio a 3%. Portanto, fundamenta-se na irrigação alternada, primeiro com hipoclorito de sódio a 5%, depois com peróxido de hidrogênio a 3% e novamente com hipoclorito de sódio a 5%. Assim, associou-se a capacidade solvente do hipoclorito de sódio com a liberação de oxigênio nascente do peróxido de hidrogênio. Como justificativa para sua técnica, o autor citou o seguinte axioma: antes de uma estar pronta para receber o agente quimioterápico, todo o resto necrótico e sujeira devem ser removidos”.

SENIA et al. (1971) avaliaram, in vitro, a capacidade da solução de hipoclorito a 2,25% de promover a dissolução do tecido pulpar em canais de molares inferiores. Com esse estudo, os autores concluíram que a solução de hipoclorito de sódio a 2,25% tem ação mais efetiva nos casos de canais com diâmetros amplos do que nos casos de canais atrésicos, e que são questionáveis os resultados alcançados em relação à capacidade de dissolução de tecido pulpar a 0,3mm do ápice.

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SCHILDER (1974) preconizou a técnica de instrumentação cleanning and shaping, ou seja, limpeza e forma. O autor observou que durante o ato da instrumentação o profissional deve dar ao canal uma forma cônica afunilada. O objetivo é alcançar maior facilidade durante a limpeza com o uso das soluções irrigantes e proporcionar uma melhor adaptação do material obturador do canal radicular em toda a área vazia. Entretanto, admitiu que a instrumentação na região apical não deve ser tão pronunciada como aquela alcançada no terço médio do canal radicular. A região média do canal é esculpida com limas e alargadores, e a região cervical é alargada com brocas de Gates Glidden.

McCOMB; SMITH (1975) observaram, por meio M.E.V., que todas as áreas da dentina instrumentadas apresentavam-se cobertas com smear layer, o que, segundo os autores, não se constitui apenas de raspas de dentina mas também, de tecido necrótico remanescente dos odontoblastos e bactérias.

HAND et al. (1978) verificaram que a diluição de uma solução de hipoclorito de sódio a 5,0% diminuía sua capacidade de dissolução de tecido necrótico, salientando ainda que quanto maior a área de superfície de contato entre o tecido e a solução de hipoclorito de sódio, melhor é a dissolução

THÉ (1979) dissolveu tecido necrosado em hipoclorito de sódio e verificou que o tempo de contato, o volume e a concentração da solução eram parâmetros importantes na dissolução tecidual.

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________________________________________________________Revista de Literatura 13

WAYMAN et al. (1979) evidenciaram, por meio do M.E.V., que a solução de hipoclorito de sódio a 5,25% apresenta maior capacidade de dissolver tecidos orgânicos, e que a solução de ácido cítrico a 10% detém maior capacidade de abrir os canalículos dentinários e, em conseqüência, promover maior limpeza das paredes dos canais radiculares.

MACHTOU (1980) relatou que o sucesso da terapia endodôntica repousa sobre a tríade preparo biomecânico, controle da infecção e obturação dos canais radiculares. O autor salientou a importância da eliminação dos resíduos e microrganismos do interior dos canais radiculares e ressaltou que a ação da solução irrigante depende de dois fatores: o contato entre a solução e os resíduos e o tempo de ação da mesma.

GORDON et al. (1981) estudaram o efeito solvente de soluções de hipoclorito de sódio nas concentrações de 1%, 3% e 5% sobre o tecido pulpar bovino vivo e necrosado. Os autores observaram que quanto maior a concentração da solução menor era o tempo de solvência dos tecidos vivos como também dos necróticos.

MOORER; WESSELINK (1982) estudaram a influência do fluxo líquido, do potencial hidrogeniônico e da área de contato na capacidade de dissolução da solução de hipoclorito de sódio. Observaram que o princípio ativo do hipoclorito de sódio depende da quantidade de moléculas de HOCl (ácido hipocloroso) não dissociadas. Esse ácido é responsável pela forte cloraminação e oxidação de

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matérias orgânicas, tais como tecido e microrganismos. O HOCl é consumido na interação com matéria orgânica.

MADER et al. (1984) investigaram, por meio da M.E.V., as características morfológicas da smear layer nas paredes dos canais radiculares instrumentados com limas tipo K e irrigados com solução de hipoclorito de sódio a 5,25%. Eles observaram que a smear layer estava localizada sobre a parede da dentina e, ainda, impactada no interior dos canalículos dentinários.

PÉCORA (1985) estudou, por meio de um método histoquímico e de análise morfométrica, a permeabilidade da dentina radicular em caninos humanos após a instrumentação manual dos canais radiculares com o uso das soluções irrigantes: líquido de Dakin, solução de Milton, soda clorada, soda clorada alternada com água oxigenada, EDTA, RC-PREP mais soda clorada, Tergentol-Furacin, EndoPTC neutralizado com líquido de Dakin, e água como controle. Com base nos resultados, concluiu que as soluções halogenadas e a de EDTA foram as que mais aumentaram a permeabilidade da dentina radicular.

SÓ et al. (1997) avaliaram a habilidade de dissolução tecidual de soluções de hipoclorito de sódio de diferentes fabricantes, concluindo que a capacidade de dissolução tecidual é diretamente proporcional à concentração da solução. Concluiu-se, ainda, que o hipoclorito de sódio a 0,5% apresenta limitada capacidade de dissolução tecidual.

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GUERISOLI et al. (1998) investigaram a ação das soluções de hipoclorito de sódio nas concentrações de 0,5%, 1,0%, 2,5% e 5% sobre a estrutura dentinária mineralizada e desmineralizada, pelo tempo de uma hora. Os autores constataram que a dentina mineralizada apresenta perda de massa tecidual de modo estatisticamente semelhante para todas as concentrações das soluções estudadas. Porém, a dentina desmineralizada (colágeno) sofre perda de massa de modo diretamente proporcional à concentração da solução, ou seja, quanto maior a concentração da solução de hipoclorito de sódio maior a perda de massa da dentina desmineralizada.

BARBIN (1999) estudou, in vitro, a dissolução do tecido pulpar bovino, promovida pela solução de hipoclorito de sódio nas concentrações de 0,5%, 1,0%, 2,5%, e 5,0% com ou sem lauril dietilenoglicol éter sulfato de sódio. O autor analisou também o potencial hidrogeniônico, a tensão superficial, a condutividade iônica e o teor de cloro, antes e depois da utilização dessas soluções, concluindo que: a) a velocidade de dissolução dos fragmentos de polpa bovina é diretamente proporcional à concentração da solução de hipoclorito de sódio e maior sem tensoativo; b) a redução do pH, entre o início e o fim do processo de dissolução pulpar, é inversamente proporcional à concentração da solução de hipoclorito de sódio, com ou sem tensoativo; c) a redução da condutividade iônica, entre o início e o fim do processo de dissolução pulpar, ocorreu da mesma forma nas diferentes concentrações da solução de hipoclorito de sódio, com ou sem tensoativo; d) a

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variação da tensão superficial, entre o início e o fim do processo de dissolução pulpar, é diretamente proporcional à concentração da solução de hipoclorito de sódio e maior nas soluções sem tensoativo. As soluções sem tensoativo apresentaram redução da tensão superficial, e as com tensoativo, elevação; e) os menores teores de cloro remanescente ocorreram com a solução de hipoclorito de sódio a 0,5%, e os maiores, com o grupo formado pelas soluções a 1,0%, 2,5% e 5,0%. As soluções com hipoclorito de sódio com tensoativo apresentaram os menores teores de cloro remanescente após o processo de dissolução.

SANTOS (1999) estudou, in vitro, o aumento da temperatura do hipoclorito de sódio sobre as suas propriedades físico-químicas (potencial hidrogênico, tensão superficial, condutividade iônica e teor de cloro), anterior e posteriormente à dissolução do tecido pulpar bovino. Os dados obtidos foram submetidos ao teste estatístico e observou-se que: a) a velocidade de dissolução dos fragmentos da polpa bovina é diretamente proporcional à concentração da solução de hipoclorito de sódio; b) a redução percentual do potencial hidrogeniônico das soluções de hipoclorito de sódio testadas, após a dissolução, foi inversamente proporcional à concentração inicial das soluções; c) as soluções de hipoclorito de sódio nas concentrações estudadas apresentaram redução dos valores da condutividade iônica, de modo estatisticamente semelhantes entre si, após o processo de dissolução do tecido pulpar bovino; d) o estudo da tensão superficial das soluções, antes e após a dissolução tecidual, evidenciou que esta propriedade variou de

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modo diretamente proporcional à concentração; e) o teor de cloro remanescente das soluções de hipoclorito de sódio, após o processo de dissolução do tecido pulpar bovino, apresentou-se de modo diretamente proporcional à concentração.

ALENCAR et al. (2000) avaliaram, por meio de cortes histológicos, a capacidade de limpeza das seguintes soluções: hipoclorito de sódio a 0,5% e HCT20 (associação de um detergente-lauril-dietileno-glicol-éter-sulfato de sódio + hidróxido de cálcio 1,6% e água destilada). Os resultados mostraram que as soluções testadas apresentaram eficácia de limpeza variável. No entanto, em relação ao hipoclorito de sódio a 0,5%, o HCT20 apresentou menor percentual de limpeza no terço apical.

SCELZA et al. (2000) avaliaram, por meio do M.E.V., o número de túbulos dentinários abertos quando do emprego das seguintes soluções químicas auxiliares do preparo biomecânico: hipoclorito de sódio a 1% seguido de ácido cítrico a 10%, sendo irrigado no final com água destilada; hipoclorito de sódio à 0,5% e EDTAT; hipoclorito de sódio a 5,0% associado com água oxigenada a 3,0%; hipoclorito de sódio a 5%. Os resultados mostraram que: 1- em relação aos terços radiculares, a maior média do número de túbulos dentinários abertos foi seqüencialmente cervical, médio e apical, independentemente dos grupos experimentais. Porém, houve diferença estatisticamente significante entre o cervical e o apical; 2- considerando os grupos experimentais, independentemente dos terços radiculares,

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a maior média do número de túbulos dentinários abertos foi encontrada no grupo que utilizou a solução de hipoclorito de sódio e EDTAT.

EVANS et al. (2001) analisaram, por meio de cortes histológicos, a influência da solução irrigante e da técnica de preparo do canal radicular na remoção da pré-dentina e do tecido pulpar dos canais de dentes multirradiculares. Para isso, quarenta e seis dentes, entre pré-molares e molares recém-extraídos, foram divididos em quatro grupos: I- técnica step-back/hipoclorito de sódio a 3,0%; II- técnica step-back/água destilada; III- sistema automatizado/água destilada; IV- sistema automatizado/hipoclorito de sódio a 3,0%. Os resultados obtidos não mostraram nenhuma diferença estatística na remoção de pré-dentina e tecido pulpar observado entre os grupos estudados. Entretanto, os autores relataram que nas áreas de difícil acesso do canal radicular a percentagem de tecido pulpar foi menor no grupo irrigado com a solução de hipoclorito de sódio a 3,0% .

SPANÓ et al. (2001) estudaram, in vitro, a dissolução do tecido pulpar bovino promovida pela solução de hipoclorito de sódio nas concentrações de 0,5%, 1%, 2,5% e 5%, e analisaram também o pH, a tensão superficial, a condutividade iônica e o teor de cloro, no início e no final do processo de dissolução pulpar. Os autores constataram: a) relação diretamente proporcional entre a velocidade de dissolução pulpar e a concentração da solução utilizada; b) redução do pH de modo inversamente proporcional à concentração testada; c) redução da condutividade iônica semelhante em todos os casos; d) redução da tensão

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superficial de modo diretamente proporcional à concentração testada; e e) relação diretamente proporcional entre a concentração de cloro inicial e a concentração de cloro remanescente.

GRANDINI et al. (2002) analisaram, por meio de M.E.V., a eficácia de quatro diferentes técnicas de irrigação associadas aos instrumentos de níquel-titânio ProFile®. No grupo A foi utilizada solução fisiológica, no grupo B hipoclorito de sódio a 2,5%, no grupo C hipoclorito de sódio a 2,5% e o Gel Glyde File Prep® e no grupo D hipoclorito de sódio a 2,5% e o Gel Glyde File Prep® no final do preparo do canal radicular. Após a avaliação dos três terços, os autores concluíram que nenhuma das soluções auxiliares empregadas foi capaz de promover superfícies livres de smear layer e debris. O grupo que promoveu melhor limpeza da superfície radicular foram os grupos em que se utilizaram a combinação entre o hipoclorito de sódio a 2,5% e o Gel Glyde File Prep®.

NIU et al. (2002) avaliaram, por meio de M.E.V., a erosão dentinária provocada pelo preparo biomecânico utilizando o sistema Profile 29 e variando a irrigação final da seguinte maneira: I- NaOCl a 6% (3ml, 2 minutos), II- EDTA a 15% (3ml, 1 minuto), III- EDTA a 15% (3ml, 1 minuto) seguido de NaOCl a 6% (3ml, 2 minutos), IV- EDTA (3ml, 3 minutos) e V- EDTA (3ml, 3 minutos) seguido NaClO a 6% (3ml, 2 minutos). Os resultados mostraram que, quando os canais foram irrigados com a solução de EDTA a 15% isoladamente, a superfície dentinária teve uma aparência lisa e plana e os túbulos dentinários

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apresentavam-________________________________________________________Revista de Literatura 20

se abertos. Entretanto, quando os canais foram irrigados com EDTA a 15% seguido com a solução de hipoclorito de sódio a 6%, houve uma erosão excessiva da superfície dentinária.

MARCHESAN et al. (2003) verificaram, por meio da M.O., a qualidade de limpeza promovida pela técnica de instrumentação rotatória com o sistema ProFile .04 associada ao hipoclorito de sódio 0,5%, HCT20 e clorexidina a 2%, em canais achatados no sentido mesio-distal. A análise estatística evidenciou que os valores da porcentagem de limpeza para as diferentes soluções irrigantes foram estatisticamente diferentes entre si. Comparações duas a duas permitiram dispor as soluções irrigantes em ordem crescente de efetividade na limpeza, sendo: hipoclorito de sódio a 0,5%>clorexidina a 2%>HCT20. Os resultados mostraram também que as variações da anatomia interna dos canais radicular podem interferir no sucesso da terapêutica endodôntica devido ao fato de que em canais radiculares achatados, podem persistir remanescentes teciduais em istmos, reentrâncias e ramificações dificultando a execução das técnicas de instrumentação.

ARRUDA et al. (2003) estudaram, por meio da avaliação histológica e análise morfométrica, a capacidade de limpeza promovida pela técnica de instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio Profile® .04, associada a diferentes soluções químicas auxiliares do preparo biomecânico, em canais com achatamento mésio-distal. Para tanto, vinte dentes incisivos inferiores humanos,

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unirradiculares, foram selecionados e divididos aleatoriamente em cinco grupos, instrumentados com o sistema Profile® .04, um milímetro aquém do ápice anatômico e com lima de memória de número 40, variando apenas a solução química auxiliar do preparo biomecânico, a saber: água destilada (grupo controle), hipoclorito de sódio a 1%, hipoclorito de sódio a 1% alternado com EDTAC a 17% e o hipoclorito de sódio a 1% associado ao creme EndoPTC®. Após o preparo biomecânico, os terços apicais foram submetidos ao processamento histológico. Para a análise morfométrica, utilizou-se um microscópio óptico com ocular de 4X/0.06 e objetiva de ampliação 10X/25, obtendo-se um aumento final de 40X e uma grade de integração. Os resultados evidenciaram diferença estatística ao nível de 1% entre as soluções químicas auxiliares estudadas, sendo que a solução de hipoclorito de sódio a 1% associada à instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio Profile® .04, apresentou um maior percentual de limpeza do terço apical. Já, as soluções de hipoclorito de sódio a 1% alternado com EDTAC a 17% e o hipoclorito de sódio a 1% associado ao creme EndoPTC® ocuparam uma posição intermediária quanto ao percentual de limpeza no terço apical. O grupo controle, constituído pela água destilada, permitiu um menor percentual de limpeza no terço apical do canal radicular. Com base nos resultados obtidos, conclui-se que a instrumentação rotatória com limas de níquel-titânio Profile® .04, utilizando as soluções irrigantes propostas não foi efetiva na limpeza de canais com achatamento mesio-distal.

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YAMASHITA et al. (2003) avaliaram a capacidade de limpeza nos terços apical, médio e cervical dos canais radiculares, por meio de M.E.V., utilizando 36 dentes humanos recém extraídos, realizando nestes um batente apical com uma lima # 50, um milímetro aquém do ápice radicular sendo estes divididos em 4 grupos conforme a solução irrigante testada a saber: Grupo 1- Soro fisiológico. Grupo 2- Clorexidina a 2%. Grupo 3- Hipoclorito de sódio a 2,5%. Grupo 4- hipoclorito de sódio a 2,5% e EDTA no final da instrumentação por 3 min, sendo feita uma agitação do líquido no interior do canal com a lima # 50. Não houve diferença estatística entre os grupos testados, os terços apicais de todos os grupos apresentaram-se mais smear layer que os demais.

BARATTO-FILHO et al. (2004) avaliaram a capacidade de limpeza do canal radicular utilizando o sistema ProFile® .04 associado à solução de hipoclorito de sódio nas seguintes concentrações: 0,5%, 1,0% e 5,0% utilizada a cada troca de lima. Os autores concluíram que as soluções de hipoclorito de sódio associadas ao sistema ProFile® .04 não promoveram canais radiculares totalmente limpos, entretanto houve diferença significante ao nível de 1% entre as soluções, sendo a solução de hipoclorito de sódio a 5% a mais efetiva, seguida pela solução de hipoclorito de sódio a 1% e a 0,5%.

PASSARINHO-NETO (2005) avaliou, in vitro, a capacidade de limpeza do terço apical dos canais achatados no sentido mésio-distal, por meio de análise histológica e morfométrica, promovida pela instrumentação rotatória com o uso do

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sistema Profile GT, associada a irrigação com hipoclorito de sódio a 1% energizada pelo ultra-som variando o tempo de aplicação. Conclui-se que a instrumentação rotatória com o sistema GT associada a irrigação final com hipoclorito de sódio a 1% energizado com ultra-som por 5 minutos apresentou maior percentual de limpeza do terço apical em canais com achatamento mésio-distal, seguida daquelas que utilizaram o ultra-som pelo tempo de 3 e 1 minutos.

2.2 Mamona (Ricinus communis).

Com a crescente conscientização de preservação e aproveitamento controlado de produtos ecológicos, com consequente diminuição da toxicidade dos produtos obtidos a partir dessa biomassa, a síntese de resinas poliuretanas tem sido muito pesquisada com diversas aplicações nas áreas de implantes odontológicos e cardiovasculares.

Os polióis utilizados na síntese de poliuretanas são moléculas de alto peso molecular, contendo dois ou mais radicais hidroxilas, apresentando-se geralmente na forma de poliéster e poliéter. A poliuretana é derivada do poliol poliéster, obtido a partir de ácido graxo vegetal e difenilmetanodiiso-cianato. Essa derivada do óleo de mamona apresenta uma fórmula molecular que tem mostrado certa compatibilidade com os tecidos vivos.

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Este subproduto da mamona, pode ser encontrado na forma de detergente, cimento, gel ou como principal componente de um polímero, muito semelhante ao osso humano.

IGNÁCIO (1995) avaliou a capacidade de integração e neoformação óssea do cimento derivado do polímero de mamona no preenchimento de falhas ósseas produzidas em coelhos. Após o sacrifício dos animais nos períodos de 2, 4 , 8 e 16 semanas, verificou radiograficamente que houve processo de neoformação óssea gradativo e que no final do experimento a grande maioria dos casos apresentava a união sólida das interfaces cimento-osso. Histologicamente não observou a presença de células gigantes e reação do tipo corpo estranho que pudessem indicar a toxicidade do material avaliado.

IGNÁCIO et al. (1996) descreveram como propriedades básicas do biomaterial ideal a biocompatibilidade, a ausência de toxicidade ou de carcinogênese, a estabilidade química e biológica, a densidade e o peso dentro dos limites toleráveis, a resistência mecânica e a elasticidade adequadas e o baixo custo. Os autores salientaram ainda que em 1984 surgiu uma resina poliuretana extraída do óleo de mamona, que desde o início mostrou propriedades compatíveis com as de um polímero, podendo ser utilizada como cimento ósseo ou ser preparada previamente com diferentes consistências e formas, características que a torna muito versátil. A partir daí, um novo campo de investigação experimental se abriu tanto para Medicina como para a Odontologia.

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VILARINHO et al. (1996) analisaram a reação tecidual à resina de poliuretana vegetal com ou sem carbonato de cálcio, implantada na câmara anterior do olho de camundongos. Decorridos 7, 15 e 30 dias após o implante, os animais foram sacrificados para análise dos globos oculares em microscópio de luz. Observaram que a resina derivada da mamona foi bem tolerada pelos tecidos da câmara anterior do olho, havendo uma reação inflamatória inicial que diminuiu com o passar do tempo. Concluíram que a reação dos tecidos foi semelhante em ambas formulações e a presença de células multinucleadas pode propiciar a reabsorção do material lentamente.

KHARMANDAYAN (1997) implantou pinos de poliuretana derivada da mamona em coelhos para analisar a reparação tecidual entre osso-pino nos períodos de 1, 30, 60, 120, 180 e 360 dias. A microscopia eletrônica de varredura revelou, nos diferentes períodos experimentais, que a superfície de interface osso-pino foi preenchida e mostrou a formação de uma camada densa de tecido colágeno e neoformação óssea. A superfície do pino apresentou pequenas diferenças qualitativas, sendo mais evidente naqueles que continham carbonato de cálcio após 360 dias. Os cortes histológicos evidenciaram a reparação tecidual gradual, com preenchimento do espaço ao redor do pino por tecido conjuntivo e neoformação óssea.

CLARO-NETO (1997) avaliou as caracterizações físico-químicas de um poliuretano derivado de óleo de mamona utilizado para implantes ósseos. Para

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avaliação das propriedades químicas realizou técnicas analíticas convencionais, como a determinação de índice de hidroxila e porcentagem de isocianato livre além do uso da espectroscopia de absorção infravermelho. Testes de tração, compressão e dureza pelas técnicas de termogravimetria, calorimetria exploratória diferencial e análise dinâmico-mecânica também foram realizados. Observou que o tempo de cura final ocorre após 48 horas, com estabilidade térmica sofrendo alterações acima de 150°C. A temperatura de transição vítrea se encontra acima de 75°C, mostrando a estabilidade das propriedades mecânicas. A adição do carbonato de cálcio ao polímero tem como objetivo fornecer cálcio para a região da interfase osso/polímero, estimulando assim uma bio-integração. Em quantidade até 40%, o carbonato de cálcio melhora as propriedades mecânicas sem alterar as propriedades térmicas do polímero. Além disso, preenche os espaços vazios deixados pelas bolhas, observados pela microscopia eletrônica de varredura, melhorando o desempenho mecânico do polímero. Conclui que o conhecimento do comportamento mecânico deste polímero é de grande importância para que possa ser utilizado em bioengenharia, como nos cálculos dimensionais de diferentes aplicações de prótese e seus esforços característicos.

SUGUIMOTO (1997) avaliou a reação do tecido ósseo após o implante de polímero de mamona na região de mento em macacos. Quatro implantes apresentaram somente uma perfuração central para a fixação, e os outros quatro, aproximadamente doze perfurações, além da central. Decorridos 5 meses, os

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animais foram sacrificados e os espécimes processados e corados em hematoxilina-eosina. A análise dos cortes histológicos mostrou que em nenhum dos dois grupos foi observada neoformação óssea na superfície de contato do mento com o implante e tampouco no seu interior.

COSTA et al. (1997) compararam a toxidade da resina poliuretana de mamona e do cimento óxido de zinco e eugenol quando em contato com o tecido subcutâneo de ratos. Tubos de polietileno contendo os materiais avaliados foram implantados na região dorsal dos animais para posterior análise histopatológica. Observaram que em 7 e 15 dias, somente a poliuretana vegetal derivada da mamona promoveu moderada reação inflamatória. Com o decorrer dos períodos, notaram regressão dos eventos histopatológicos e a reparação junto à abertura do tubo. Em 30, 60 dias o tecido conjuntivo adjacente apresentava características histológicas de normalidade para ambos materiais. Concluíram que o cimento de óxido de zinco e eugenol foi menos irritante que o polímero derivado da mamona, porém ambos apresentaram biocompatibilidade aceitável.

SILVA et al. (1997) estudaram, por meio da análise quantitativa das radiopacidades nas imagens radiográficas convencionais, o comportamento do tecido ósseo frente ao implante do polímero de mamona. Defeitos ósseos produzidos em membros anteriores de coelhos foram preenchidos com coágulo sanguíneo (controle) ou implantada a resina de poliuretana vegetal derivada da mamona. Após o sacrifício dos animais em 15, 30, 90 e 120 dias observaram por

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meio das radiografias a intensificação das radiopacidades nas áreas dos defeitos, a evolução e/ou retardo no processo de reparo ósseo e as mudanças de radiopacidade nas regiões interface polímero-osso. Concluíram que as radiografias convencionais padronizadas com qualidade são excelentes meios para a investigação não invasiva do comportamento biológico do tecido ósseo.

VIANNA (1997) comparou, por meio de ensaios de tração, a resistência mecânica da poliuretana derivada do óleo de mamona, do elastômero de silicone e da espuma de borracha, utilizados na confecção de luvas para revestimentos de soquetes de próteses para amputações infrapatelares. Os resultados mostraram que o silicone foi o material mais resistente; e a poliuretana pura apresentou resistência próxima à da espuma de borracha e à do silicone puro quando associada à malha tubular. Concluíram que, apesar de menos resistente no estado puro, a poliuretana derivada do óleo de mamona pode ter sua resistência aprimorada em associação com a malha tubular, mantendo-se ainda mais flexível e com melhor capacidade de absorção e distribuição de carga que o silicone.

CARVALHO et al. (1997) pesquisaram histometricamente se a presença dos grânulos de resina poliuretana derivada da mamona, implantados imediatamente após a extração dos incisivos de ratos, eram capazes de interferir no curso do processo de cicatrização alveolar. A neoformação óssea paralelamente à diminuição do volume de tecido conjuntivo foi quantificada pelo método histométrico após 1, 2, 3 e 6 semanas da extração dental. Observaram que, apesar

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da natureza biocompatível, a presença da poliuretana derivada da mamona no terço cervical causou um pequeno (9%-22%), mas significante atraso na neoformação óssea nos terços médio e apical a partir da segunda semana de avaliação.

FRANCINO (1998) analisou, por meio de análises macroscópica, radiológica e histológica, o comportamento do implante de resina poliuretana de mamona na reparação óssea em calotas cranianas de coelhos, nos períodos de 2, 6, 12, 18, e 24 semanas. Os resultados mostraram que ocorreu osteogênese e osteocondução com osso neoformado reparando satisfatoriamente as falhas produzidas após 6 semanas. Houve osteointegração sem observação de atividade fagocitária e ausência de fenômenos tóxicos ou reacionais.

FERREIRA et al. (1999) compararam a atividade antimicrobiana do gel de papaína a 0,4; detergente derivado da mamona a 3,3% e hipoclorito de sódio a 0,5% em dentes com necrose pulpar. Foram realizadas coletas do material no interior dos canais radiculares antes, imediatamente após e depois de 72 horas da instrumentação com as substâncias avaliadas. Os resultados mostraram que o detergente a 3,3% e o hipoclorito de sódio a 0,5% apresentaram atividade antimicrobiana similar na redução do número dos anaeróbicos, S. mutans e Streptococci, porém o gel de papaína a 0,4% mostrou baixa atividade sobre esses microrganismos. Concluíram que a solução de mamona a 3,3% e o hipoclorito de sódio a 0,5% são efetivos como agentes antimicrobianos podendo ser empregados

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no tratamento de canais radiculares com polpa necrosada. Estudos adicionais ainda são necessários para avaliar a ação proteolítica do gel de papaína em tecidos pulpares necróticos.

ITO et al. (1999) estudaram a diluição máxima inibitória dos detergentes derivados do óleo ricinoléico, subproduto da mamona, para diferentes tipos de cocos gram-positivos, bacilos gram-negativos e leveduras. Os resultados mostraram que o detergente derivado da mamona não tem ação sobre gram-negativos, mas apresenta atividade antimicrobiana contra gram-positivos e leveduras, podendo ser utilizado como anti-séptico ou desinfectante.

PASCON (1999) comparou a biocompatibilidade do polímero de mamona com os cimentos endodônticos AH 26, Dentinol, Kerr Sealer e Sealapex, ytilizando testes iniciais de citotoxidade, e secundários de implante implante subcutâneo e implante intra-ósseo, realizado em cobaias. Os resultados mostraram que todos os materiais, com exceção do polímero apresentaram reação inflamatória que variava de moderada a severa para os dois testes utilizados. Conclui que o polímero de mamona pode ser considerado um material biocompatível, apresentando condições biológicas para sua utilização como material de obturação de canais radiculares.

SAMPAIO (1999) avaliou, por meio da microscopia eletrônica de varredura, a capacidade de limpeza de diferentes detergentes e do quelante EDTA em superfícies radiculares submetidas à raspagem e aplainamento periodontal. Após o procedimento periodontal foram aplicados Tergipol, Perioquil, Plax ou EDTA 24%

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para remoção da smear layer. Os melhores resultados foram obtidos com o EDTA, seguido pelo Plax e o derivado da mamona (Perioquil). O detergente lauril sulfato de sódio (Tergipol) apresentou menor eficiência na remoção da smear layer das paredes dentinárias submetidas ao tratamento periodontal prévio.

BRENTEGANI et al. (2000) estudaram a biocompatibilidade do polímero de mamona em tecidos do alvéolo dental de ratos diabéticos aloxânicos. Os animais foram sacrificados 7, 14 e 21 dias após a cirurgia de implante do grânulo de polímero na região dos incisivos centrais. Com auxílio de microscópio óptico, estimaram o volume dos tecidos ósseo e conjuntivo nos terços apical, médio e cervical do alvéolo. A histometria mostrou menor quantidade de osso em animais diabéticos quando comparado aos ratos sadios. Concluíram que a diabete prejudicou a biocompatibilidade do material e o reparo ósseo alveolar.

MANTESSO et al. (2000) avaliaram a citoxicidade do polímero de mamona através do cultivo de osteoblastos sobre fragmentos do material, e do detergente em concentrações de 10-3 e 10-4, por meio de testes de viabilidade celular. Os resultados mostraram que os osteoblastos aderiram e cresceram sobre os fragmentos do polímero e que houve crescimento celular semelhante ao grupo controle quando utilizado detergente a 10-4. Concluíram que o polímero de mamona é biocompatível in vitro assim como o detergente em concentração a 104.

PÉCORA et al. (2000) observaram o efeito do detergente derivado da mamona e do gel de papaína sobre a permeabilidade dentinária radicular.

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Utilizando o método histoquímico por íons cobre e morfometria, os autores concluíram que os detergentes derivado da mamona a 3,3%, o gel de papaína a 0,4% e a solução de hipoclorito de sódio a 0,5% promoveram um aumento da permeabilidade dentinária. Observaram ainda que o terço apical foi menos permeável a qualquer substância avaliada em comparação aos terços médio e cervical.

BARROS et al. (2001) analisaram, por meio de cortes histológicos não descalcificados e analisador de imagem, a resposta biológica óssea e o potencial de osteointegração do polímero de mamona acrescido ou não de fosfato de cálcio. Após 8 semanas, observaram na interface osso cortical-implante um íntimo contato entre o material e a matriz mineralizada formada, sem a presença de células inflamatórias ou multinucleadas, e com grau de osteointegração variando de 72,8% e 90,6%. Os resultados mostraram uma boa biocompatibilidade do material testado, com uma maior porcentagem de osteointegração quando acrescido fostato de cálcio ao polímero de mamona.

HIRAKI et al. (2001), utilizando cultura de célula de medula óssea de ratos, avaliaram a biocompatibilidade do polímero de mamona puro, associado a 30% de carbonato de cálcio ou a 30% de fosfato de cálcio. Após 4 horas analisaram a adesão celular, aos 7 dias a proliferação celular, e aos 14 dias o conteúdo de proteínas total e atividade da enzima fosfatase alcalina. Aos 21 dias classificaram a formação de matriz mineralizada. Observaram que não houve diferenças entre os

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grupos em relação à adesão e à atividade da enzima fosfatase alcalina. Na formação de matriz mineralizada e conteúdo de proteína total as composições com o carbonato e o fosfato foram melhores que o polímero puro. Concluíram que o polímero puro apresenta melhor biocompatibilidade e que a presença do fosfato de cálcio favorece a formação de matriz mineralizada, principalmente por permitir maior proliferação celular.

PRETEL et al. (2001) avaliaram a capacidade de reparação tecidual em feridas no dorso de 36 ratos do laser de baixa intensidade (semicondutor de arsenato de gálio-alumínio, infravermelho – 785 nm, 50 mw) com ou sem pomada a base de éster de ácido ricinoléico. Por meio de microscopia óptica observaram que o laser acelerou a reparação tecidual, aumentou a angiogênese e abreviou o processo inflamatório, enquanto que a pomada não mostrou efetiva no tratamento.

ROCHA et al. (2001) pesquisaram a existência e a taxa de absorção de um minipino constituído de polímero de mamona implantando em tíbia de ratos em períodos experimentais de 60 e 150 dias. Por meio de análise estatística os autores compararam os pesos inicial e final dos minipinos e observaram que não houve alterações significantes entre as variáveis em ambos períodos experimentais. As amostras tornaram-se mais homogêneas com o aumento do tempo do experimento.

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CALIXTO et al. (2001) avaliaram a biocompatibilidade de flocos de resina poliuretana de mamona e a sua interferência na cronologia do reparo ósseo alveolar de ratos. Para isso foram realizados as extrações dentais, implantes com flocos de resina de mamona nessas regiões e, posteriormente, o sacrifício desses animais. Por meio da análise histométrica, os autores observaram que os flocos de resina mostraram-se biocompatíveis, apresentando um certo grau de osseointegração direta. No entanto, o formato irregular dos flocos não favoreceu sua aderência aos tecidos reparacionais e a presença desse material nos terços médio e cervical provocou um atraso discreto (13% a 20%) no reparo alveolar de ratos.

CHAVES (2002) avaliou, in vitro, a presença de detritos nas paredes dentinárias após instrumentação com géis de clorexidina a 2% e de mamona, com auxílio da microscopia eletrônica de varredura. Os resultados mostraram que a mistura das soluções EDTAC a 17% com hipoclorito de sódio a 1% foi capaz de remover por completo a smear layer das paredes dentinárias, produzida durante a instrumentação endodôntica. Hipoclorito de sódio a 1% e os géis de clorexidina a 2% e de mamona não foram eficientes na limpeza dos canais radiculares, mostrando-se estatisticamente similares. Não houve diferença estatística significante entre os terços médio e apical dos canais radiculares quanto à remoção da smear layer, independente da substância auxiliar utilizada no preparo químico-mecânico dos canais radiculares. Pode-se concluir que os géis de

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clorexidina a 2% e de mamona removeram os detritos de forma semelhante ao verificado com o uso de hipoclorito de sódio a 1% nos terços apical e médio dos canais radiculares.

FERREIRA et al. (2002) avaliaram a atividade antimicrobiana de substâncias utilizadas como agentes antimicrobianos (solução hidróxido de cálcio, PMCC, digluconato de clorexidina e um detergente obtido a partir do óleo de mamona) em bactéria anaeróbicas (Fusobacterium nucleatum, Prevotella nigrescens, Clostridium perfringens e Bacterioides fragilis) in vitro. Todos os agentes apresentaram ação antimicrobiana, com melhor desempenho do Digluconato de Clorexidina, seguido pelo detergente à base de óleo de mamona, pelo PMCC e pelo hidróxido de cálcio.

IGNÁCIO et al. (2002) realizaram um estudo experimental em cães, onde foi utilizada a poliuretana da mamona nas formas compacta e porosa no preenchimento de falhas ósseas. Com isso, puderam concluir que tal material se apresenta biocompatível com os tecidos, mas comportou-se como um espaçador biológico, preenchendo a cavidade, mas sem osteointegração.

BONINI et al. (2002) em um experimento que testou a citotoxicidade e a ativação de macrófagos em resposta a presença da poliuretana derivada da mamona, demonstraram através da cultura de macrófagos peritoniais obtidos a partir da lavagem intraperitonial de camundongos isogênicos C57/BL/6, por meio de análise espectofotométricas, que o material-teste revelou-se não citotóxico ao

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interagir com os macrófagos em cultura e foi constatado que, embora tenha induzido a liberação de NO em níveis relativamente baixos, não ativou macrófagos para a produção de H2O2. Portanto, concluíram que o material testado apresentou um comportamento favorável a biocompatibilidade.

BELOTI et al. (2003) avaliaram in vitro a biocompatibilidade da resina poliuretana (RCP) à base de Ricinus communis, em três diferentes composições químicas: RCPp (RCP puro), RCP+CaCO e RCP+Ca. Células ósseas de ratos foram cultivadas e colocadas em contato com os diferentes tipos de materiais testados. Foram analisadas possíveis alterações morfológicas que poderiam ter ocorrido nas células após os 3 primeiros dias. Após um período de 7 a 14 dias foi avaliada a proliferação celular, e pôde-se concluir que nenhuma das formas químicas da resina poliuretana afetou o desempenho das células testadas.

DEL CARLO et al. (2003) avaliaram o processo de reparação tecidual e o comportamento do implante de polímero vegetal extraído do óleo de mamona acrescido de 40% de carbonato de sódio, associado ou não à impregnação com medula óssea autógena, em falhas ósseas experimentais em rádios de 30 coelhos e em sítio heterotópico em seis animais. Em quinze coelhos, a falha óssea no rádio direito foi preenchida por cilindros de polímero de mamona (grupo P) com dimensão semelhante à falha. A falha no rádio direito dos outros coelhos recebeu aspirado de medula óssea autógena junto com o implante (grupo M). A falha óssea no membro esquerdo de cada coelho não recebeu nenhum tratamento e serviu

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como controle. Os seis coelhos restantes receberam seis implantes no músculo reto abdominal (sítio heterotópico), sendo que, em três animais, os implantes estavam embebidos em aspirado de medula óssea autógena. No local do implante, em ambos os grupos, foi observado aumento da radiopacidade, sem desvio de eixo ósseo ou reabsorção das extremidades ósseas receptoras. Na avaliação histológica, em ambos os grupos, foi observada formação de tecido ósseo imaturo com tendência à organização. Quando foi associado à medula, o implante permitiu a ocorrência de osteocondução e osteogênese progressiva, e mostrou-se biocompatível no período estudado.

FIGUEIREDO et al. (2004) estudaram comparativamente implantes de osso bovino desvitalizado, hidroxiapatita porosa de coral, poliuretana de mamona e enxerto ósseo autógeno no reparo de defeito ósseo de 6x10mm em fêmur de coelhos. Noventa e seis coelhos Nova Zelândia distribuídos em 4 grupos conforme o material de preenchimento do defeito ósseo. Após seguimento de 4 e 12 semanas, as peças foram submetidas a análise macroscópica, microscópica, radiográfica, tomográfica e histométrica. Com isto, puderam concluir que O implante de osso bovino desvitalizado induz reparação tecidual guiada mais lenta quando comparado ao enxerto ósseo autógeno e aos implantes de hidroxiapatita porosa de coral e poliuretana de mamona.

LARANJEIRA et al. (2004) realizaram um estudo experimental, onde placa e espaçador de polímero derivado do óleo de mamona (PDOM) (Ricinus communis)

Referências

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