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A LITERATURA E A VIDA:

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Academic year: 2021

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Este número da revista em tese inaugura uma nova fase: a partir de agora ela será gerida na plataforma SEER por estu-dantes do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UFMG. Quando nos foi sugerido assumirmos o periódico, pensamos em sua reestruturação, de modo a alargar suas possi-bilidades temáticas. No intuito de fomentar a tensão crítica com a produção literária e cultural, expandimos a publicação em oito eixos: Dossiê, Ensino e Teoria, Crítica Literária, outras Artes e Mídias, Tradução e Edição, Em Tese, Entrevistas, Resenhas e Poéticas. Outro ponto consiste no fato de o pe-riódico passar a receber contribuições em espanhol, francês e inglês, de modo a estender o diálogo a outras dicções e direções.

Neste número, a revista em tese traz como Dossiê o tema A LITERATURA E A VIDA: modos de usar. Deseja-se, com tal proposta, sugerir reflexões acerca da criação lite-rária e da invenção poética, além de indagar como a partir da leitura de textos literários se criam conceitos e se apre-sentam outras possibilidades de pensar as formas de vida na arte.

Integrando o dossiê desta edição, Carolina Izabela Dutra Miranda estabelece uma análise comparativa entre as obras retrato do artista quando jovem, de James Joyce, e infância, de Graciliano. “João-alguém, João-ninguém: o duplo em João Gilberto Noll” expõe algumas das principais contribuições

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Editorial

teóricas de Roland Barthes e Michel Foucault acerca da no-ção de “autor”. Luciana Silviano Brandão Lopes discute a função da escrita na vida pessoal em uma vertente daqui-lo que se poderia chamar de “tratamento”. Luiz Henrique Carvalho Penido articula o relato da viagem de Antonin Artaud ao México, em 1935, à inauguração de formas de pensamento-liminar.

Ainda nesta seção, Maraíza Labanca indaga de que manei-ra a escrita literária e a solidão funcionam como rotas de fuga face ao eu e aos modos de vida estabelecidos nas obras de Juliano Pessanha. No artigo “A escrita literária em Foucault: da transgressão à assimilação”, Marco Antônio Sousa Alves

propõe uma leitura das relações do pensador francês com o texto literário durante as décadas de 1960 e 1970. Rafael Drumond toma o livro-memória guia afetivo da periferia, de Marcus Vinícius Faustini, como mote de problematiza-ções acerca da escritura e da consciência biográfica. Por fim, Thiago Pereira analisa a centralidade do pop na sociedade contemporânea, especificamente na obra Nick Hornby.

Ensino e Teoria traz quatro artigos. Marcelo Andrade Viana propõe algumas reflexões sobre o narrador em Lugar público, de José Agrippino de Paula. Nathália Campos de-senvolve uma leitura das produções em prosa de Mário de Andrade, tendo por foco suas ambições literárias. Bárbara

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Editorial

Araújo discute a constituição estilística de canaã, de Graça Aranha, a fim de questionar a posição do romance na his-toriografia literária brasileira. E Luciana Oliveira busca compreender como a representação da realidade subjetiva serve como norte para a interpretação de to the lighthouse, de Virginia Woolf, e a paixão segundo gh, de Clarice Lispector.

Na seção Crítica Literária, outras Artes e Mídias, apre-sentamos o texto de Fabíola Tasca, que reúne fragmentos discursivos de agentes do espaço teórico e crítico brasileiro que discutem a arte contemporânea. Jacques Fux e Luciana Gomes realizam aproximações entre Jorge Luis Borges e

Georges Perec, apontando para a subversão desses autores ao tratarem da ordenação tradicional do conhecimento por meio da noção de inclassificável. Ainda nesta seção, mas no campo das artes dramáticas, são abordadas as obras do mul-tiartista brasileiro Michel Melamed, do dramaturgo espa-nhol Calderón de la Barca e do cineasta russo contemporâ-neo Nikita Mikhalkov.

Em Tradução e Edição há duas contribuições. João Gonçalves Ferreira Christófaro Silva analisa alguns proce-dimentos editoriais que culminaram na publicação do diário do hospício de Lima Barreto no ensaio “Edição e ficção”. Já Douglas Cristiano da Silva, em “Três epigramas de Calímaco”,

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Editorial

apresenta, além das traduções, breves considerações sobre o gênero epigramático.

Os trabalhos de Gabriel Carrara Vieira e Maria Angélica Amâncio compõem a seção Em Tese. Vieira propõe uma leitu-ra das estleitu-ratégias textuais empregadas por Luiz Ruffato no ro-mance eles eram muitos cavalos. Já Amâncio apresenta um estudo sobre a obra de Albert Camus, tendo por foco o estrangeiro, de modo a verificar como o entrecruzamento de gêneros textuais contribui para que o absurdo se instaure na narrativa.

Em Entrevistas, contamos com três breves depoimentos feitos por Juliano Garcia Pessanha, Antonio Carlos Secchin

e Maria Valéria Rezende. Tendo por base o tema do dossiê desta edição, foram enviados alguns motivos de conversa a estes escritores – que retornaram comentários e indaga-ções estimulantes. Em ressonância às mediaindaga-ções feitas por Pessanha, Secchin e Rezende, optamos por intitular esta conversa a várias vozes de “Conversas aos quatro ventos”.

Resenhas traz contribuições sobre a importância da edi-ção fac-símile do periódico modernista leite criôlo; a recente publicação de toda poesia, de Paulo Leminski, enfatizando a relevância do volume; considerações sobre o livro as primeiras pessoas, de Ronaldo Correia de Brito; leituras do filme matéria

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Editorial

de composição, de Pedro Aspahan, e da peça teatral discurso do coração infartado, de Ricardo Alves Jr. e Silvana Stein.

Finalmente, a seção Poéticas expõe trabalhos de áudio, desenho, texto e vídeo. Julia Panadés se vale da aquarela e do bordado sobre o papel para compor as imagens de abismo parapeito – livro em processo que surgiu a partir do convite de publicação dos desenhos na em tese.

Joela Có lê poemas da escritora guineense Maria Odete da Costa Semedo gravados para o programa migalhas Literárias, da Rádio UFMG Educativa.

Trazemos também os vídeos ecstasy poem e flickering, da vídeo artista kika Nicolela. O primeiro deles traz duas ima-gens em paralelo da atriz norueguesa Liv Ullmann em gritos e sussurros e saraband, de Ingmar Bergman. O segundo é um “autorretrato” da artista entre a luz e a escuridão.

Ainda em Poéticas, o poeta Marcelo Dolabela apresenta a série inédita “Futebol & Cia”, composta por quatro poe-mas sobre o futebol, tomando-o como um forte elemento performático do cotidiano brasileiro. Por fim, Ana Martins Marques, um dos principais destaques da atual poesia brasi-leira, contribui com os poemas dedicados às escritoras Orides

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Editorial

Fontela, Sylvia Plath, Wislawa Szymborska e Ingeborg Bachmann, do inédito Livro dos jardins.

Boa leitura!

Cleber Araújo Cabral Felipe Oliveira de Paula

Gustavo Cerqueira Guimarães João Alves Rocha Neto

Marcos Fabio de Faria

Referências

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