• Nenhum resultado encontrado

ATERRO DA BOAVISTA POENTE, LISBOA Plano de Pormenor. Maio de 2017 RELATÓRIO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ATERRO DA BOAVISTA POENTE, LISBOA Plano de Pormenor. Maio de 2017 RELATÓRIO"

Copied!
64
0
0

Texto

(1)
(2)

ÍNDICE 1. 2. 2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 3. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 4. 4.1. 4.2. 4.3. 4.4. 4.5. 4.6. 4.7. 4.8. 4.9. 4.10. 5. 6. 6.1. 6.2. 7. 8. INTRODUÇÃO 3

CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO 5

LOCALIZAÇÃO 5

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO 6

ESTRUTURA CADASTRAL 15

VOLUMETRIA E CONSERVAÇÃO DO EDIFICADO 17

USOS DO EDIFICADO 21

DINÂMICA SOCIAL 23

DESCRIÇÃO I FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA 33

OBJETIVOS 33

CRITÉRIOS PARA A DELIMITAÇÃO DA SUOPG 34

MODELO URBANO PROPOSTO PARA A SUOPG 36

ESPAÇO PÚBLICO 40

EQUIPAMENTOS DE UTILIZAÇÃO COLETIVA 44

ENQUADRAMENTO E CONFORMIDADE COM OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO DO TERRITÓRIO 45 ENQUADRAMENTO NO PLANO REGIONAL DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO DA ÁREA

METROPOLITANA DE LISBOA 45

ENQUADRAMENTO NO PLANO DIRETOR MUNICIPAL DE LISBOA (PDML) 47

QUALIFICAÇÃO DO SOLO URBANO 47

ÁREAS DE CEDÊNCIA PARA EQUIPAMENTOS E ESPAÇOS VERDES DE UTILIZAÇÃO COLETIVA 50

SISTEMA DE VISTAS 51

VALORES E RECURSOS AMBIENTAIS 52

VALORES CULTURAIS 53

SISTEMA DE MOBILIDADE E TRANSPORTES 54

CONDICIONANTES DE INFRA-ESTRUTURAS 55

SERVIDÕES E RESTRIÇÕES DE UTILIDADE PÚBLICA 55

INDICADORES DE MONITORIZAÇÃO 566

CARTOGRAFIA E LIMITES ADMINISTRATIVOS 58

CARTOGRAFIA 588

LIMITES ADMINISTRATIVOS 59

CONSTITUIÇÃO DA EQUIPA DO PLANO 600

(3)

ANEXO 2 CERTIDÕES DA CONSERVATÓRIA DO REGISTO PREDIAL

ANEXO 3 DESENHO A1- PLANTA GERAL DE ESPAÇOS EXTERIORES

DESENHO A2- PLANTA DE ALTIMETRIA E SISTEMAS DE DRENAGEM

DESENHO A3- PLANTA DE PAVIMENTOS, REVESTIMENTOS E PERMEABILIDADE

ANEXO 4 ESTUDO DE IMPACTO VISUAL

(4)

1. INTRODUÇÃO

Com este relatório pretende-se, por um lado fazer a caracterização/diagnóstico da área de intervenção, referindo os seus antecedentes e a sua evolução urbanística, por outro descrever e fundamentar as opções de planeamento adotadas no Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente, nomeadamente no que respeita a usos, ocupação e desenho urbano, ao seu enquadramento à luz da análise socioeconómica e à sua conformidade/compatibilidade com as normas aplicáveis.

O denominado "Aterro da Boavista" localiza-se numa zona bastante central da cidade de Lisboa, numa área outrora ocupada pelo rio Tejo, e estende-se entre os núcleos urbanos do Cais do Sodré e de Santos, dominado a norte pela encosta de Santa Catarina e limitado a sul pela margem do rio.

Trata-se de uma plataforma sensivelmente de nível, a uma cota relativamente baixa, com uma superfície de cerca de 12 ha, resultante de sucessivas operações de aterro.

Localiza-se na freguesia da Misericórdia e é delimitado a nascente pela Praça D. Luís I, junto ao Mercado da Ribeira, a poente pela Avenida D. Carlos I, a norte pela Rua da Boavista e Largo do Conde Barão, e a sul pela Avenida 24 Julho e pela linha ferroviária Lisboa-Cascais.

Longitudinalmente, na orientação nascente-poente, é cruzado pela Rua D. Luís I, que liga muito diretamente as áreas de Santos e do Cais do Sodré.

Perpendicularmente ao rio, na orientação sul-norte, é atravessado pela Rua do Instituto Industrial, que divide o aterro em dois setores: o nascente, mais habitado e com um edificado mais compacto e denso, e o poente, uma área menos habitada com um edificado mais rarefeito.

O edificado desta área apresenta-se genericamente bastante envelhecido e é na sua maior parte constituído por quarteirões ocupados por armazéns e oficinas - frequentemente em estado de abandono e/ou com um uso obsoleto ou desajustado face à procura nesta parte da cidade - pontuado por grandes vazios urbanos, não edificados, resultantes de operações de demolição, muitas vezes usados como áreas de estacionamento.

Excetuam-se as construções localizadas nas frentes urbanas dos limites norte, nascente e poente - um tecido construído mais tradicional e consolidado que estabelece a fronteira e transição com uma envolvente urbana reconhecidamente mais sedimentada - e alguns edifícios de habitação e escritórios pontuais, entre os quais se destacam o novo edifício sede da EDP e o museu dos CTT e das Comunicações.

(5)

Nos últimos anos tem vindo a assistir-se a uma progressiva alteração do tecido urbano e socioeconómico, traduzida nas inúmeras operações de reabilitação urbana, muitas vezes destinadas aos usos turístico e habitacional, e à crescente instalação do setor terciário.

Foi nesse contexto de transformação que em 2011 foi elaborado o Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Nascente, atualmente eficaz na área nascente do "Aterro da Boavista", a que o presente Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente pretende dar continuidade.

(6)

2. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

2.1. LOCALIZAÇÃO

A área de intervenção do Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente (fig. 1) localiza-se no setor poente do "Aterro da Boavista", abrangendo uma área de cerca de 4,65 hectares.

É delimitada a norte, pela extremidade poente da Calçada Marquês de Abrantes e pelo Largo do Conde Barão, a sul, pela Avenida 24 de Julho, a nascente, pela Rua do Instituto Industrial, e a poente, pela Avenida D. Carlos I.

fig. 1 -Localização da área de intervenção do Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente

Situa-se no centro histórico da cidade de Lisboa, sobre uma antiga enseada do Tejo, fronteiro ao Bairro da Bica, e corresponde a uma malha urbana de génese industrial que se pretende reconverter.

(7)

fig. 2- Rua de São Paulo em 1945

2.2. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO

O "Aterro da Boavista" teve a sua origem na conquista de terrenos ao rio levada a cabo entre 1855 e 1867, como resposta do Governo e do Município à epidemia de febre-amarela que, entre 1855-56, afetou a cidade de Lisboa com origem nesta zona ribeirinha.

(8)

Até à realização das obras de aterro (na segunda metade do séc. XIX) a zona que corresponde atualmente à área de intervenção era uma enseada de atracação de embarcações, delimitada por um caminho à beira-rio, hoje Rua da Boavista. Este caminho iniciava-se na Praça de São Paulo, onde terminava a reconstrução Pombalina, e ia até à aluai Rua do Cais do Tojo, seguindo depois para ocidente pela Calçada Marquês de Abrantes. Até ao princípio do séc. XIX, as descrições da Boavista referem a sua insalubridade causada pela acumulação, na frente de rio, de lodos e detritos urbanos.

Toda a área desde a Ribeira Nova até Santos era servida por pequenos cais construídos por iniciativa particular e a ligação da Rua da Boavista (sua principal artéria) com a beira-rio era efetuada por numerosos boqueirões, verdadeiros locais de despejo de toda a espécie de detritos, ameaças latentes à saúde pública dos habitantes da cidade. A sucessão de epidemias com origem nesta área terá sido um dos motivos para esta grande obra. Durante toda a década de 1860, as obras do Aterro da Boavista e a construção da Avenida 24 de Julho até Santos, estiveram na ordem de trabalhos da municipalidade da capital.

"A zona era anteriormente constituída pelas lamacentas praias da Boa Vista, percorrida pelo movimento das marés que alimentava estreitos e imundos boqueirões onde atracavam embarcações de carga e descarga, dinamizando indústrias muito artesanais que, desde

o

início do século, aí se implantaram de modo anárquico, através de progressivos avanços sobre o rio." (Raquel Henriques da Silva, in catálogo Lisboa em Movimento)

(9)

fig. 4- Extraio da carta topográfica de Lisboa e seus subúrbios em1807 (levantada sob direção de Duarte José Fava)

Assim, o aterro desta zona foi a solução encontrada:

"O remedia para similhante mal só póde ser o de completar esses aterros, e fazer sobre elles construcções regulares. Consegue-se assim desapparecerem os terrenos cobertos de vasa; substitui-los por novos bairros, que podem ser dos mais formosos, com modos e lucrativos da cidade; e fazer adiantar as aberturas dos canos no rio até onde a sua maior corrente e profundidade permita o mais facil esgoto." (Relatório da Epidemia de Febre Amarella em Lisboa no anno de 1857 feito pelo Conselho Extraordinário de Saúde Pública do Reino)

As preocupações higienistas acabaram por originar um espaço de reconciliação de Lisboa com o rio, situação de exceção na frente ribeirinha que era quase integralmente ocupada, de modo desordenado, por estaleiros, fábricas, instalações militares e apoios portuários diversos que impediam o acesso e a vista para o Tejo.

Na década de 1850 a área estaria já completamente aterrada (fig. 5), tendo sido regularizada em 1858 para a construção da Praça D. Luís I e do Mercado da Ribeira. Mais tarde, já no início do séc. XX, foi feito um novo aterro para construção da linha de comboios e do porto de Lisboa.

(10)

fig. 5- Extraio da carta topográfica de Lisboa em1856 (levantada sob direção de Filipe Folque)

A acompanhar o disciplinar da margem do rio havia igualmente o desejo de regularizar o tecido desta zona, substituindo o cadastro utilitário e orgânico por uma lógica mais racional e normalizada de quarteirões convencionais; intenção que seria cumprida apenas parcialmente e de que restaram, nos extremos, alguns prédios rendimento típicos de arquitetura oitocentista de boulevard e, posteriormente, a morosa abertura da Rua D. Luís I que partiu a meio as longas parcelas originadas pelos primitivos aterros privados.

A partir de 1860, as novas áreas ganhas ao rio foram objeto de sucessivos ambiciosos planos de melhoramento, que tinham em comum o conceito de "boulevard" ribeirinho, uma evidente influência da transformação urbanística de Paris levada a cabo por Haussmann entre 1852 e 1870.

"Já Lisboa toda, desde 1867, se costumara com gosto ao desafogado terreiro marginal. Já todas as oposições tinham emudecido. Já os incrédulos viam no Aterro, ainda então um meio, o mais belo dos passeios públicos. Havia tardes, na Primavera e no Outono, em que

a

sociedade concorria ali, àquele salão enorme,

a

ver o Tejo, que é o amigo de todos nós, e a contemplar as magnificências da grande orquestra de tons luminosos com que o sol se despedia." (Júlio de Castilho, "A Ribeira de Lisboa")

Uma das mais ousadas propostas, da autoria do engenheiro francês Thomé de Gamond (fig. 6) é apresentada no "Projeto de engrandecimento da cidade de Lisboa" em 1870.

(11)

fig. 6- Projeto de engrandecimento da cidade de Lisboa, de Thomé de Gamond em 1870

Estes planos foram sendo sucessivamente abandonados, acentuando-se cada vez mais a separação entre o Tejo e a cidade.

Datam, portanto, de meados do séc. XIX os principais traços formadores desta área da cidade que, apesar das adaptações ocorridas durante o séc. XX, manteve até hoje um carácter industrial, associado ao armazenamento e a atividades relacionadas com o rio.

(12)

PLANTA DA CIDADE DE LISBOA

$~

~ BSCALA-1,10.000 EXTRACTO DA CMTA TOPOGRXFICA.

..

~ISBOA. JlliUC.I.DAEIIII71,TfNDOSOIJLEJIISW A TIMTA fHC.UHADJ.AI ALTEu;lES FEITA~ .U~ liU.

(13)

fig. 10- O Aterro da Boavista e a zona ribeirinha no início do século XX

A implantação dos edifícios e o desenvolvimento dos percursos, ambos perpendiculares ao rio (fig. 10), caracteriza fortemente este conjunto e desenham um sistema de vistas particular, com o Tejo como pano de fundo.

Posteriormente o eixo ribeirinho foi sendo progressivamente abandonado e o investimento concentrou-se na expansão norte-sul da cidade de Lisboa. Em 1924 Raul Proença (1884-1941) no 1° volume do Guia de Portugal, diz o seguinte:

"Na faixa marginal da cidade tem-se

a

impressão que as edificações que ali se ergueram obedeceram à intenção de tapar com um biombo de cantaria

a

vista do Tejo ... E em vez de tudo convergir para o rio fantástico ( .. .), corre ali um paredão inestético de casaria, de fábricas, de armazéns, e até de gasómetros, ocultando

ao

lisboeta

a

vista do seu largo e clario rio." Mais recentemente, em 1962, o "Aterro da Boavista" foi objeto de um estudo urbanístico (fig. 11 e 12) de autoria desconhecida, que teve consequências profundas na área; os edifícios de alinhamento e volumetria mais inexplicáveis desta zona da cidade têm precisamente origem nesse estudo, correspondendo a partes dos grandes e maciços quarteirões então previstos. Este plano veio a ser revogado em 1972 e, na maioria dos casos, os edifícios construídos acabaram por ultrapassar o número de pisos previsto.

(14)

C . \ M A R A MUI\ CI~AL DE s E. o ll

'..

J

·

·.

!( S T I 1 L

fig. 11 -Estudo urbanístico de 1962: sobreposição da proposta sobre o edificado existente

. o i--~ r, o j:.

:..J h

L=-vANTAM-NTO E; ANÁUS-;;:

AniBC!Hisl1illS Urbaristlcos

I Eotudo CML • 1062 • Somol•o'• .ob<O loto>o<>fi

_ _ __ ____L _ _

00

L2 32

(15)

traduzida na estrutura radial e na força dos seus enfiamentos. E este pressuposto cont[inha] outro: que os enfiamentos não são exclusivamente as ruas/boqueirões, mas o conjunto de "vazios" (as ruas) e de "cheios", constituídos por "edifícios/enfiamento", acentuados por coberturas contínuas, com grande desproporção entre

a

reduzida largura e o enorme

comprimento, e que ti[nham] como excepção

a

disposição longitudinal dos antigos edifícios fabris do Gás, entretanto

demolidos.»

Planta da Proposta

fig. 13- Estudo urbanístico de 1995

(16)

2.3. ESTRUTURA CADASTRAL

Na área de intervenção as parcelas são genericamente muito profundas, apresentando o seu lado maior uma orientação sensivelmente perpendicular ao rio. É ainda visível a conformação das mesmas numa altura anterior à abertura da Rua D. Luís 1: os limites entre as diferentes parcelas mantêm-se entre os quarteirões a Norte e os quarteirões a Sul da Rua D. Luís I (fig. 15).

Os antigos boqueirões e aterros particulares que estão na origem desta antiga zona industrial terão tido igualmente influência na irregularidade das parcelas e no modo, por vezes confuso, de ocupação das mesmas. Existem parcelas cujo acesso é feito através de serventias a partir de outras parcelas.

As áreas das parcelas e a sua própria distribuição confirmam a história desta zona: as parcelas mais pequenas e estabilizadas agrupam-se ao longo da Rua da Boavista, enquanto que as parcelas maiores e de configuração mais irregular, algumas delas ainda com o mesmo registo cadastral apesar de se localizarem em quarteirões distintos, dispõem-se mais a Sul, mais próximo do rio, correspondendo ao que seriam os aterros particulares originais.

(17)

fig. 16- Planta da situação existente, evidenciando os grandes vazios originados pelas demolições dos antigos armazéns

I

;

\

"

\

\

~ ~

\

..

,

\

'l.we • •~ • • • r-r•• ""'"'"'"-~..,._r o&>" ·-~•--••"'-- .,. r• .. •••---,..., .... ,. "'~"'-••••• •--••-- --~

-

-·-

·

~

.

.

~~-- ~

'

! ; t

1

! ~

·

s

~~

'"

:.~ ·:: 1 1

~

•liK!I,.•- · • ._, •• ~""....-• .. • • ••••• • • i

(18)

2.4. VOLUMETRIA E CONSERVAÇÃO DO EDIFICADO ; l ---~---· \ ---.; . .---.--- _J,---·

i

:-~\'~:-~}-;~

;~~~~/

)

\ -t 3 pt.:.os

s

\

\

.

--'='====

=-IJ E I' 11 FI 1 A ~J :;: N l O r, - €. R n C ) A 3 :) A V I S 1 f1 C ,'., 11 A 7 A t.' tl t-l I C 1 P f.. L D E L I S R O !'. ~- _.,· -' I + 1 ""o

I

I - 1 I '

~n

I

:

~

-

- -

ll

t?

t==-

.

-.

I i j ' -;--_-~-__ I t 1 PJ50 LEV*NTAMENTO L ANALISE An1€1c&oontcs Urbar\l$tiCúii

~I!IIUe!O CML. -111152 -Etliticios execu1:1dos

fig. 17- Estudo urbanístico de 1962: edifícios executados e número de pisos excedido relativamente ao plano original

A volumetria do edificado acompanha e confirma a génese desta zona da cidade: ao longo da Rua da Boavista os quarteirões encontram-se estabilizados e a volumetria é bastante regular, com edifícios de 4 a 5 pisos de altura; de norte para sul, à medida que nos aproximamos do rio, a regularidade desaparece gradualmente e o edificado torna-se desordenado, evidenciando os grandes vazios originados pelas demolições dos antigos armazéns (fig. 16) e os altos e volumosos edifícios resultantes do estudo urbanístico de 1962 (fig. 17) que, atingindo 10 pisos e com uma implantação marcadamente dissonante, criam um forte e desastroso contraste com as vastas zonas completamente livres e com o tecido edificado pré-existente (fig. 18 a 21).

(19)
(20)

Relativamente ao estado de conservação do edificado, o mesmo encontra-se registado nas fichas constantes no ANEXO 1, referentes às várias parcelas edificadas integradas na área consolidada.

A exemplo de outros planos, classificaram-se os edifícios, relativamente ao seu estado de conservação em quatro categorias: bom, razoável, mau e ruína. Assim, entende-se:

- por "bom", o edifício que apresenta boas condições estruturais e está bem conservado em termos de cobertura, caixilharia, revestimentos e pintura (ver exemplo fig. 22);

- por "razoável", aquele que apresenta a estrutura e cobertura em boas condições, embora se observem indícios de degradação nas caixilharias, revestimentos e pintura (ver exemplo fig. 23);

- por "mau", o edifício que apresenta deficientes condições estruturais, observando-se empenas com fissuras ou coberturas com infiltrações graves (ver exemplo fig. 24);

- em "ruína", o edifício que apresenta um estado de degradação geral avançada, sem cobertura ou caixilharia (ver exemplo fig. 25).

(21)

fig. 24- edifício Rua Cais do Tojo, 48 e 64 fig. 25- edifício Rua Cais do Tojo, 22 e 30

Assim, conforme consta do Anexo 1, verificou-se que a maior parte dos edifícios encontram-se em bom ou razoável estado de conservação, correspondendo respetivamente a 35% e 27%. Os restantes encontram-se em mau estado de conservação, correspondendo respetivamente a 36%, e apenas 3% em ruínas (2 edifícios).

A este propósito é importante notar que a freguesia da Misericórdia, bem como a limítrofe da Estrela, encontra-se entre aquelas que apresentam o parque edificado mais envelhecido da cidade de Lisboa. De facto, como evidenciam os Resultados Definitivos do Recenseamento Geral da Habitação de 2011 (Quadro 1 - dados divulgados pelo INE no final de 2012), o índice de envelhecimento dos edifícios 1 é de 6380% na ex-freguesia de S. Paulo, hoje Misericórdia, alcançando os 6667% em Santos-o-Velho, integrada atualmente na freguesia da Estrela. Contudo, é na ex-freguesia de Santa Catarina, atualmente também parte da freguesia da Misericórdia, que prevalece a maior proporção (86,7%) de edificado anterior a 1919, tendo sido a maior parte (54,5%) dos edifícios desta freguesia construídos entre 1919 e 1945, o que evidencia um processo de desenvolvimento urbano, apesar de tudo, mais recente face ao das demais freguesias confinantes.

Em termos dos principais materiais utilizados na construção, o betão armado abrange apenas 9,1% dos edifícios localizados na ex-freguesia de São Paulo, parte da aluai freguesia da Misericórdia, sendo as estruturas de madeira com parede em alvenaria sem placa predominantes (70,7%). Na área da antiga freguesia de Santos-o-Velho, parte integrante da freguesia da Estrela, esse tipo de estrutura é ainda mais frequente (86,2%). (cf. o mesmo quadro).

1

(22)

Quadro 1- Distribuição dos edifícios por época e principais materiais utilizados na construção (2011)

Freguesia Concelho de NUTSIII

Edifícios

Lisboa Grande l ist:loa São Paulo Santos-o-Velho Santa Catarina

396 653 608 52.496 2n.JB1

Dist "buição por época de construção:

Ante iores a •919 5,8% 67,4% 86,7% 19,6% 6,2%

Const dos enlre 1919 e 1945 54,5% 19,0% 10,0% 18,6% 7,5%

Constru"dos enlre 1946 e 1960 20,2% 5,5% 0,3% 25,0% 13,2%

Constru"dos enlre 1961 e 1970 12,9% 2,5% 0,0% 13,3% 14,3%

Const "dos enlre 1971 e 1980 3,5% 0,6% 0,0% 8,3% 18,9%

Constru"dos enlre 1981 e 1990 0,5% 2,3% 0,0% 4,1% 15,0%

ConstruCdos en re 1991 e 2000 1,3% 1,4% 0,5% 5,6% 12,9%

1,3% 1,4% 2,5% 5,6% 12,0%

6380% 6667% 3933% 1120% 225%

Betão amado 9,1% 6,6% 5,6% 42,2% 64,6%

Paredes de alvenaria c:om placa 18,7% 6,7% 3,6% 2 ,4% 20,8% Paredes de alvenaria sem placa 70,7% 86,2% 58,7% 33,0% 12,1%

Paredes de a naria de pedra solta ou de adobe 0,3% 0,0% 24,5% 2,2% 1,8% 1,3% 0,5% 7,6% 1,2% 0,7%

Fonte: lN -Censos 2011 {Resulllldos De'hhMlS)

Em suma, o risco de derrocada em caso de evento sísmico é, desta forma, elevado nesta zona da cidade de Lisboa, tal como o risco de incêndio por via dos materiais de construção prevalecentes na maior parte do edificado, onde a madeira assume importante expressão, o que aliás obrigou a rever os acessos ao Posto de Segurança Avançado cuja localização está a ser ponderada no âmbito do Plano, da Rua do Cais do Tojo para a Rua D. Luís I.

2.5. USOS DO EDIFICADO

De acordo com os elementos constantes no ANEXO 1 e ANEXO 2, a área de intervenção do PPABP integra cerca 71.557,00 m2 de superfície de pavimento, dos quais cerca de 26.354,00 m2 se encontram devolutos (36,8%).

Apenas cerca de 9.730,00 m2 (13,6 %) se encontram formalmente destinados ao uso habitacional, perfazendo um total de

(23)

Na área do PPABP é ainda de registar a existência de um equipamento de ensino com uma dimensão considerável, o IADE, com cerca de 11.257,00 m2 (15,7 %), o qual detém um papel importante na dinamização económica e sociocultural da zona.

Como conclusão, é possível afirmar que o uso habitacional é residual e que a área é deficitária em relação à oferta de comércio - os espaços comerciais a funcionar são, na realidade, poucos, uma vez que se encontram, na sua maioria, degradados ou desocupados (fig. 26 a 29).

fig.26 fig.27

(24)

2.6. DINÂMICA SOCIAL

Na área do "Aterro da Boavista" - que compreende a área do Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Nascente e do Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente - em 2011 eram poucos os residentes: perto de 60 em cada uma das

áreas. Simultaneamente apresentavam, para o mesmo período, uma taxa de ocupação residencial muito pequena: cerca de

40% na zona de Boavista Nascente e perto de 43% na zona de Boavista Poente, ou seja, mais de metade dos alojamentos,

com função residencial, encontravam-se vagos. Observando o comportamento residencial no último decénio verifica-se que

(25)

Residencial ou sem AFC-Vagos AFCRH 3 ocupação permanente 2011 2011 2001-2011 2011 2001-2011 2001-2011 N % % N % % Boavista N 62 38,7 10,7 (+ 6) 38 15,8 -35,1 Boavista P 61 42,6 17,31(+9) 35 -38,89 -16,13 S. Paulo 151 54,3 -3,82 (-6) 69 -22,22 -20,39 Encarnação CH 369 46,6 78,3 (+162) 197 314,3 16,2 Bica 827 67,6 -1,5 (-13) 268 9,7 -11,6 Sf Catarina 962 62,0 1,8(+17) 366 -3,1 -5,1 S. Bento 1.487 64,4 11,8 (+157) 529 -7,7 3,0 Freguesia 10.482 59,79 7,3 (+710) 4.215 42,84 -9,13 Misericórdia

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

Quadro 3 -Dinâmica de ocupação residencial - ocupação de proprietários residentes e arrendatários

Tecido urbano Total Proprietários Peso dos Peso dos Taxa de Taxa de

AFCRH Residentes Proprietários Arrendatários Variação Variação

Proprietários Arrendatários 2011 2011 2011 2001-2011 2001-2011 2011 N N % % % % Boavista N 24 2 8,3 83,3 -50,0 -28,6 Boavista P 26 9 34,6 46,2 50,0 -52,0 S. Paulo 82 9 11 ,O 81,7 -43,8 -18,3 Encarnação Ch 172 94 54,7 35,5 95,8 -29,9 Bica 559 146 26,1 69,6 -14,6 -11 ,4 Sf Catarina 596 207 34,7 61,6 12,5 -13,0 S. Bento 958 352 36,7 58,5 27,5 -9,2 Freguesia 6.267 2.010 32,1 62,7 1,2 -15,4 Misericórdia

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

Em termos de análise sócio-urbanística é importante destacar as polaridades aglutinadoras que animam a vivencialidade

quotidiana e perceber que tipo de relações se estabelece entre os territórios delimitados em planos de pormenor e os

territórios adjacentes.

2 AFC- Alojamentos Familiares Clássicos, com função residencial (conceito lN E)

(26)

Na zona ainda se encontram marcas das antigas atividades portuárias e industriais, em descativação a partir da década de 70 e em processo de reconversão para novas atividades, de que são exemplo: a instalação do Museu de Telecomunicações, desde os finais de 90 do século XX, numa antiga fábrica; a nova ocupação de antigos armazéns com atividades lúdicas; e a reconversão do mercado da Ribeira, também ele concentrando um conjunto de atividades associadas ao entretenimento e turismo. Nesta zona, também é razoável a concentração de atividades terciárias, nomeadamente com a presença do novo edifício onde se encontra a sede da EDP e de algumas indústrias criativas, como é o caso do Pátio da Ribeira.

De realçar, igualmente, a presença de duas unidades escolares com razoável implantação e geradoras de vivencialidades expressivas no território: os estabelecimentos escolares do IADE (Instituto de Arte, Design e Empresa) e do ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação). Considerando as características sociodemográficas dos poucos residentes no território da Boavista Poente - que apresentam uma razoável percentagem de estudantes a par de um bom índice de juventude- deduz-se que, neste último decénio, a população residente esteja associada às duas escolas.

A rede comercial instalada ao longo do eixo urbano de S. Paulo/Boavista que abrange a Rua de S. Paulo, a Rua da Boavista, o Largo do Conde Barão e a Calçada Marquês de Abrantes, é igualmente polarizadora de dinamismo local, encontrando-se atualmente em processo de reconversão, reorientado para o turismo e entretenimento.

Por fim, e conforme já referido, destaca-se a forte barreira que constitui a Avenida 24 de Julho e a linha ferroviária, que impede o desenvolvimento de uma boa relação deste território com zona ribeirinha, levando a que as redes de relacionamento se estendam para norte; o que justifica a fraca ocupação residencial dos tecidos da Boavista por oposição à vida residencial (e bairral) que se verifica sobretudo, a norte do território.

Assim, para compreender a dinâmica residencial deste território torna-se necessário ter em consideração os bairros adjacentes que possuem particularidades sócio-históricas relevantes e que permitem distinguir cinco micro-tecidos: o "bairro

da Bica", o bairro de "Santa Catarina", o tecido da "Encarnação/Chiado", o tecido de "S. Bento" e o tecido de "S. Paulo/Cais do Sodré".

(27)

Legenda

D Tecido urbano de S. Bento D Tecido urbano de st• Catarina

C

Tecido PP da Boavista Nascente ~Tecido PP da Boavista Poente D Tecido urbano da Encarnação-Chiado

D Tecido urbano de S. Paulo-Cais do Sodré

c=J Tecido urbano da Bica

fig.30- identificação dos tecidos urbanos adjacentes à área de intervenção do PPABP

Tendo em conta a história do território é possível emprestar carácter de bairro à "Bica" e a "Santa Catarina", mas o mesmo não ocorre com os restantes sítios, mais social e historicamente fragmentados.

Os micro-tecidos de "S. Paulo/Cais do Sodré" e da "Encarnação/Chiado" opõem-se: o primeiro na proximidade da zona de entretenimento do Cais do Sodré encontra-se em retrocesso residencial (a que não será alheio o investimento em atividades de entretenimento e lazer nesta área da cidade, definindo uma vocação mais terciária para este tecido urbano); e o segundo inscrito como uma nova zona residencial mais elitizada, em crescimento, resultante da reconversão do Chiado.

Por sua vez, o tecido identificado como "S. Bento" é mais fragmentado no plano da vivência, uma vez que a sua anterior ligação ao bairro da Madragoa foi comprometida pela construção da Avenida D. Carlos I, apresentando no entanto um razoável vitalismo residencial que permite considerá-lo como um novo pólo dinâmico (fig. 30). Efetivamente, neste micro-tecido, embora não se tenha registado um crescimento da população residente (constatando-se uma perda percentual muito pequena), verifica-se que o dinamismo residencial se mantém, apesar de aí se concentrar alguma população idosa, contrariada por um peso razoável de população em idade ativa e a trabalhar.

Os tecidos urbanos residenciais da Bica, Sf Catarina e S. Bento detinham em 2011 uma boa taxa de ocupação residencial: mais de 60% dos alojamentos destinados a função residencial encontravam-se ocupados em 2011.

(28)

Quadro 4- Dinâmica de ocupação residencial - População Residente e Famílias

Tecido urbano Total de Peso dos Taxa de Famílias Tamanho médio

Residentes residentes na Variação dos das Famílias

freguesia Residentes 2001-2011 2011 2011 2011 2011 N % % N Boavista N 67 0,5 -29,5 30 2,17 Boavista P 58 0,4 -31 ,O 26 2,19 S. Paulo 198 1,5 -26,7 87 2,12 Encarnação CH 417 3,2 3,5 182 2,40 Bica 1.184 9,1 -18,1 566 2,17 Sf Catarina 1.250 9,6 -17,5 624 2,11 S. Bento 1.939 14,9 -9,6 1.005 2,03 Freguesia Misericórdia 13.041 100% -17,86 6.583 2,06

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

Ainda assim, no seu conjunto a freguesia da Misericórdia foi das freguesias do centro histórico que mais perdeu residentes no último decénio: perto de 18%.

Acompanhando a tendência do padrão residencial da cidade de Lisboa, verifica.se que nos referidos micro-tecidos se assistiu a um aumento de residentes proprietários, com uma forte variação na zona da "Encarnação/Chiado", o que expressa uma alteração da composição sócio económica dos residentes entre 2001 e 2011: em 2011, mais de metade dos residentes eram proprietários dos alojamentos onde residiam. Na zona de S. Bento também existe uma boa proporção de proprietários residentes (Quadro 3).

Ainda no que respeita à população residente e tendo em conta os índices de envelhecimento (IE), de sustentabilidade (IS), taxa de atividade e taxa de reforma, verifica-se que os poucos residentes na zona de "S. Paulo/Cais do Sodré" apresentavam um elevado índice de envelhecimento (perto de 28% dos residentes encontrava-se em situação reforma). Este micro tecido não teve grande renovação (substituição) residencial no último decénio, reforçando a ideia da sua terciarização. Os poucos residentes revelam alguma precariedade, nomeadamente pela idade ou por se encontrarem em situação de desemprego.

Na zona da "Encarnação/Chiado" os residentes são jovens (apresentando uma proporção razoável de residentes em idade

ativa e a trabalhar) e mais de metade dos residentes detinha uma escolaridade superior.

A zona de "Sta. Catarina", embora com um perfil populacional mais idoso, acompanha a "nobilitação" do micro tecido adjacente da "Encarnação/Chiado", quer pela presença de um bom nível de escolaridade superior nos seus residentes, quer pela proporção de proprietários residentes.

(29)

No micro tecido de S. Bento é de destacar que o vitalismo residencial referido se deu neste último período censitário, com uma razoável substituição de residentes por um perfil social mais elevado, como parece exprimir o crescimento assinalável de residentes com escolaridade superior face a 2001 (Quadros 4, 5 e 6).

Quadro 5 - Dinâmica de ocupação residencial - Índices de população

Tecido urbano IE4 Taxa de IS Taxa de Taxa de Taxa de feminização5 actividade6 desemprego6 reforma6

dos residentes séniores 2011 (%) Boavista N 150,0 80,0 2,1 40,3 12,9 30,9 Boavista P 87,5 133,3 6,1 51,7 11,8 14,0 S. Paulo 392,3 168,4 2,6 38,9 16,7 28,6 Encarnação CH 96,1 151,7 3,7 47,2 7,1 19,6 Bica 176,6 184,7 3,3 45,8 12,8 26,4 Sf Catarina 210,5 158,7 3,3 48,5 13,8 25,7 S. Bento 234,2 173,5 3,0 48,7 10,9 28,2 Freguesia 228,9 177,0 2,7 45,5 12,6 28,8 Misericórdia

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

4IE- Índice de Envelhecimento; leia-se para cada 100 juvenis com menos de 15 anos residiam no tecido da Encarnação Chiado 96 sénior, com mais de 65 anos.

5 Tx de feminização: leia-se para cada 100 homens com mais de 65 anos residiam na Bica 184 mulheres com idade superior a 65 anos

6 Taxa de actividade: leia-se para cada 100 residentes com idade superior a 15 anos encontravam-se a trabalhar 40 pessoas na Boavista Nascente, 12 no desemprego e 30 em situação de reforma.

(30)

Quadro 6- Dinâmica de ocupação residencial -Escolaridade da população residente e população estudante

Tecido urbano População Peso na Taxa de Peso da Taxa de

Estudante população variação da população com variação da residente população escolaridade população com

estudante superior escolaridade superior 2011 2011 2011 2011 2001-2011 N % % N % Boavista N 18 26,9 260,0 19,4 71,4 Boavista P 8 13,8 -20,0 38,0 90,0 S. Paulo 21 10,6 -8,7 18,7 126,7 Encarnação CH 75 18,0 5,6 51,4 106,7 Bica 193 16,3 -17,5 22,3 45,6 Sf Catarina 203 16,2 -30,5 29,5 92,0 S. Bento 288 14,9 -14,8 26,4 169,8 Freguesia Misericórdia 2.049 15,7 -19,3 28,6 69,1

Fonte: INE, Censos 2001 e 2011

Contudo, e ainda que não esteja refletido na análise anteriormente feita à residência permanente, no centro histórico de Lisboa tem vindo a assistir-se a um importante modo de ocupação residencial temporária, não só devido ao fluxo migratório, não contabilizado pelo recenseamento, mas também à presença de grupos sociais em mobilidade como estudantes "Erasmus", investigadores, "criativos" ligados às indústrias culturais, i.e. grupos ligados aos fluxos de mobilidade da "global economy" e ao turismo. Esta nova mobilidade global estimulou o surgimento de um novo mercado residencial temporário que serve quer os fluxos turísticos quer os fluxos de "global people", que inclui as modalidades de alojamento local (AL), inseridos em redes internacionais como o AirBnB, ou novas modalidades de oferta hoteleira (apartamentos ou pequenos hotéis de charme).

A dinâmica vivencial dos bairros conta não só com as famílias residentes, mas igualmente com aqueles grupos de residentes temporários e o conjunto dos fluxos quotidianos causados pelas atividades e trabalhadores que têm lugar nos territórios.

Assim, procurando definir um retrato mínimo da presença de parque hoteleiro e de alojamento local (AL) importa referir que, de acordo com o estudo efetuado pelos serviços municipais (Divisão de Monitorização), em Maio de 2016 a freguesia da Misericórdia era a segunda freguesia que mais concentrava alojamentos locais, tendo registado entre 2015 e 2016 um aumento na ordem dos 43%. Em maio de 2016, 24% dos edifícios na freguesia da Misericórdia detinham pelo menos um alojamento local para fins turísticos e 9,5% dos alojamentos da freguesia destinavam-se a ocupação temporária turística. Tendo ainda em consideração os dados disponibilizados pela Divisão de Monitorização para a freguesia e a informação disponível no Portal do Turismo de Portugal (Registo Nacional de Turismo) referente ao ano de 2016 (de janeiro a

(31)

Bica e S. Paulo-Cais do Sodré e têm capacidade para receber cerca 1.57 4 visitantes.

Quadro 7 - Parque hoteleiro e Alojamento Local nos tecidos urbanos

Tecido urbano Hostels e outros Hot2* Hot 3* Hot4* Hot 5*

estabelecimentos de hospedagem 1

N

Boavista Nascente Boavista Poente S. Paulo-Cais do Sodré 3 1 Encarnação-Chiado 7 1 Bica 2 Sf Catarina 2 1 S. Bento 2 Total 16 (59%) 1 1 1 296 utentes Misericórdia 27 ST. Maria Maior 21

Fonte: Lx lnterat1va e RNTAL8 (2017)

7 A fonte foi o RNT, na modalidade estabelecimentos de hospedagem e hostels, para o ano de 2016 Gan-dez)

https://rnt.turismodeportugal.pt/RNAUConsultaRegisto.aspx?Origem=CP&FiltroVisivei=True acedido em 1 de Março de 2017. 80s dados de Alojamento Local foram calculados a partir da base de registo de pedidos de AL no portal do Turismo de Portugal.

AL (2016) 1 66 8 69 56 93 293 (46%) 1.278 utentes 640 798

(32)

Quadro 8 -Lista de hotéis e hostels na proximidade dos tecidos sócio urbanos da Boavista

Hostels Morada Hotéis Morada

Area da Bica

Surf in Chiado Hoste I Rua Emenda, n.0 111 Santa Bica Travessa do Cabral, n.0 37

3.0 Esq a 39

Area de S. Paulo Cais do Sodré Lisbon Calling Hostel Rua S. Paulo

Sunset Destination Hostel Estação Ferroviária Cais do Sodré

Area de Santa Catarina

Locais Hostel Calçada Combro, n.0 Evidencia Light Santa Rua Dr Luís de Almeida e 107, 1.0, 2.0 e 3.0 dto. Catarina Albuquerque, n.o 6, St

Catarina

Hotel Monte Belvedere Rua de Santa Catarina, n.0 17

Area do Chiado

Passport lisbon Hostel Praça Luís de Bairro Alto Hotel Praça Luís de Camões, n.0 Camões, n.0 36 2.0 2

Dto, 4° Dto, 5° Esq e Dto. (4 aloj)

LX Boutique Hotel Rua do Alecrim, n.012

Garrett 48 Apartments Rua Garrett n.0 48

Hotel Borges Chiado Rua Garrett, n.0 108-110 Hotel do Chiado Rua Nova do Almada, n.0

114

Lisboa Carmo Hotel Rua da Oliveira ao Carmo, n.0 1 a 3

Fonte: Tunsmo de Portugal, RNT, ano base 2016 Uan-dez)

Todavia, esta base de dados só reflete os que registam legalmente os seus alojamentos para residência temporária, sabendo-se que o número de alojamentos que acolhem residentes temporários será consideravelmente superior, aceitando que a análise da informação disponibilizada pelo RNT define um certo padrão indiciário.

A maioria dos que gerem este negócio são pessoas ou empresas com um alojamento, às vezes dois, concessionado para alojamento local. No entanto, no território em análise são de destacar duas empresas que detêm um parque de alojamentos locais considerável: a empresa Freedom Serviced Apartments, Lda, que possui, na área da Bica e S. Bento, 37 alojamentos destinados a alojamento local (cerca de 12% dos AL no território em análise), capazes de receber 110 pessoas; a Habitat

Vitae 11, Property Management, Unipessoal, Lda que detém em regime de concessionário 66 alojamentos locais (cerca de 22,5% dos AL no território em análise), destacando-se sobretudo o edifício silo na Praça D. Luís, n.030-40, que possui 46 alojamentos locais e que reconfigura a vida desta praça ribeirinha. Estas duas empresas gerem 33% dos alojamentos locais neste conjunto de microtecidos urbanos. Os restantes alojamentos locais são geridos por pessoas singulares que são ou arrendatárias (44%) ou proprietárias (48%) dos respetivos alojamentos.

(33)

permanentes, ao interferir no valor dos imóveis e nos preços de arrendamento praticados tendo como consequência uma redução da oferta (face à procura) de residência permanente. E interfere por fim na dinâmica da vida local quotidiana, sobretudo na rede comercial que tende a especializar-se nos "consumidores", que supõem mais rentáveis, como os turistas ou os estudantes erasmus, aspeto visível no eixo urbano de S. Paulo/ Boavista.

Admitindo que o peso dos alojamentos familiares vagos9, recenseados em 2011, tenha diminuído resultado da sua afetação a alojamentos locais e que a nova oferta de alojamentos na área do Chiado tenha atraído novos residentes ao tecido da Encarnação-Chiado, o reforço de função residencial nos territórios da Boavista Nascente e Poente é positivo, nomeadamente se nela se poder incluir uma oferta acessível a um amplo leque de estratos sociais, incluindo a famílias jovens em início de vida ativa, com rendimentos familiares medianos.

(34)

3. DESCRIÇÃO

I FUNDAMENTAÇÃO DA PROPOSTA

fig. 31 -vista aérea da área consolidada ao longo do Largo do Conde Barão e Calçada Marquês de Abrantes

3.1. OBJETIVOS

A semelhança dos ambiciosos planos elaborados para a zona na segunda metade do século XIX e dando sequência ao Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Nascente em vigor, com o Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente pretende-se retomar, agora num contexto contemporâneo, a vontade inicial de aproximar a cidade do rio, promovendo o fluir da circulação pedonal e alterando a vocação industrial desta área, atualmente desarticulada e parcialmente ocupada por edifícios industriais degradados, obsoletos e devolutos.

Assim, pretende-se a regeneração e reconversão urbanística desta zona central e privilegiada da cidade, promovendo e

valorizando a relação com a frente ribeirinha, respondendo a expectativas que remontam praticamente à sua origem e

afirmando-a como uma nova polaridade urbana. Nesse sentido afiguram-se como aspetos fundamentais na sua restruturação urbana, nas suas várias componentes, os seguintes:

(35)

novos espaços comerciais nos pisos térreos do novo edificado;

- a racionalização e reordenamento da circulação e do estacionamento automóvel, com a consequente melhoria da qualidade ambiental;

- o incremento da função sócio-cultural desta parte da cidade, com o reforço do conceito "design district", promovendo a fixação e instalação de "indústrias criativas".

A par da afirmação de uma nova centralidade, a requalificação urbana da área do "Aterro da Boavista", com a criação de oferta comercial, turística e de equipamentos e tirando partido de uma maior fluidez nas deslocações pedonais assim induzida, permite simultaneamente a criação de uma maior continuidade urbana, constituindo um contributo para a uma maior interação e aproximação das zonas históricas envolventes (Bairro Alto, Madragoa, Santos e Cais do Sodré) entre si, e com a zona ribeirinha.

Pretende-se dar total continuidade às premissas estabelecidas no PP do Aterro da Boavista Nascente, nomeadamente ao nível formal, retomando a lógica de implantação perpendicular ao rio, respeitando as altimetrias e proporções dos volumes, procurando assim a afirmação de uma identidade una, sustentada numa lógica de desenho urbano integrado que se estende à totalidade do "Aterro da Boavista".

Retoma-se também a lógica de apropriação do interior dos quarteirões enquanto espaços qualificados de utilização coletiva, criando novas alternativas na fruição do espaço público, privilegiando sobretudo o habitar pedonal, a mobilidade suave e a vivência urbana. Aqui será possível criar zonas de estadia e lazer, protegidas do tráfego e do ruído das ruas, que funcionarão também como estímulo ao incremento e fixação do uso habitacional e de novas atividades comerciais.

3.2. CRITÉRIOS PARA A DELIMITAÇÃO DA SUOPG

No âmbito deste PP, identificam-se duas áreas com características claramente distintas, cuja delimitação (constante na Planta de Implantação) considerou os seguintes critérios:

(36)

- a identificação de áreas urbanas caracterizadas por uma ocupação claramente sedimentada e consolidada (fig. 32 e 33), tanto ao nível da estrutura do seu tecido, como da tipologia e estado de conservação do seu edificado, a que corresponde todo o tecido urbano a norte da Rua D. Luís I (Avenida D. Carlos I, Calçada Marquês de Abrantes, Largo do Conde Barão, Rua do Instituto Industrial, Boqueirão do Duro, Rua e Travessa do Cais do Tojo);

fig. 32- Largo do Conde Barão, de nascente para poente fig. 33- Largo do Conde Barão, de poente para nascente

- a identificação de áreas expectantes, mais carentes, caracterizadas pela descontinuidade e abandono do seu tecido urbano (fig. 34 e 35), a que corresponde o conjunto de áreas localizadas exclusivamente a sul da Rua D. Luís I (com exceção do edifício do IADE, o qual, com um papel importante no carácter consolidado da Avenida D. Carlos I, estabelece a transição para a mais consolidada estrutura urbana de Santos).

Este último conjunto, que integra a totalidade das áreas privadas não edificadas (resultado da demolição das construções legais pré-existentes autorizada pela CML com fundamento na reconversão urbanística da área) e o quarteirão delimitado pela Rua D. Luís I, Rua do Instituto Industrial, Avenida 24 de Julho e Boqueirão do Duro, configura uma Sub-Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (SUOPG), para a qual o PPABP preconiza uma intervenção mais profunda e estruturada no âmbito de uma operação de loteamento, com a construção de um novos edifícios e a criação de novos espaços de utilização coletiva.

(37)

fig. 34-Parcela livre na Rua D. Luís I fig. 35-Empena do edifício do IADE e parcela livre contígua

O perímetro da SUOPG delimita assim as áreas de terreno e de antigos armazéns (agora devolutos e genericamente muito deteriorados), abrangendo as vias que os delimitam e enquadram, diferenciando-os desta forma das restantes áreas, consolidadas, em que o PP aponta apenas orientações para o desenvolvimento futuro.

3.3. MODELO URBANO PROPOSTO PARA A SUOPG

Face ao anteriormente exposto, a área de intervenção da SUOPG incide exclusivamente sobre dois quarteirões: o quarteirão mais a nascente, delimitado pela Rua D. Luís I, Rua do Instituto Industrial, Avenida 24 de Julho e Boqueirão do Duro, e o quarteirão poente, que integra o edifício do IADE, delimitado pela Rua D. Luís I, Boqueirão do Duro, Avenida 24 de Julho e Avenida D. Carlos I.

(38)

fig. 36- vista aérea, de poente para nascente, da área de intervenção do PPABP

Para implementação do novo modelo urbano proposto para estas áreas e a par da desafetação do troço sul do Boqueirão do Duro (que atravessa perpendicularmente a área de intervenção) ao trânsito viário, propõe-se a reformulação da estrutura fundiária existente, mediante a eliminação das estreitas e longas parcelas perpendiculares ao rio, reconfigurando-as num campo de intervenção alargado e dividido em quatro parcelas maiores- de poente para nascente, as parcelas B, C, D e E - cuja delimitação considera desde logo a especificidade das novas implantações preconizadas.

Assim, dando sequência aos volumes edificados perpendiculares ao rio, que no PPABN eficaz pontuam sequencialmente a Avenida 24 de Julho, e numa perspetiva de unificação formal da frente desta artéria no seu troço entre o Cais do Sodré e Santos, sustentada numa solução ancorada nos valores do Urbanismo Moderno, propõem-se quatro novos volumes com implantações e alturas similares aos previstos no PPABN - o mais a poente dos quais encostado à empena do edifício do IADE, que por esta via passa a integrar também a nova lógica de implantação - de cobertura plana e preferencialmente ajardinadas, devendo ser assegurado o seu adequado enquadramento arquitónico e urbanístico, atenta nomeadamente o seu impacte no sistema de vistas.

Entre si, os novos blocos intercalam três amplos espaços públicos, permeáveis e ajardinados, por sua vez separados da Avenida 24 de Julho e Rua D. Luís I, por singelos volumes de um só piso, extensões secundárias dos novos edifícios,

(39)

fig. 37- maquete de conjunto do Aterro da Boavista, com o PPABP em primeiro plano e o PPABN mais atrás

(40)

A par da evidente modernidade urbanística, a implantação adotada para os edifícios, estreita e sensivelmente perpendicular ao rio, evoca e recupera o padrão cadastral dos antigos boqueirões, coincidindo com os seus limites, garantindo simultaneamente a desobstrução visual, de e para o rio.

Aprisionados pela delimitação dos novos lotes, mas ligados entre si e às vias públicas por acessos pedonais de utilização coletiva (espaços privados com ónus de utilização pública) identificados na Planta de Implantação, estes três enclaves do domínio público configuram um espaço orgânico uno, um interior de quarteirão com vocação eminentemente comercial,

destinado exclusivamente ao uso e fruição pedonal, que funcionará como um novo pólo dinamizador no habitar de toda a área do PPABP. O troço sul do Boqueirão do Duro é integrado na lógica dos novos acessos pedonais ao interior do quarteirão, permanecendo no domínio público, agora com um uso estritamente pedonal.

Relativamente aos usos a consagrar na área da SUOPG e apesar do presente PP prever o uso habitacional (com tradução no carácter e tipologia do modelo urbano proposto, designadamente na maior privacidade e proteção promovidas para os dois edifícios centrais), numa perspetiva de garantir alguma flexibilidade remete-se para sede da operação loteamento a realizar, a identificação do uso dominante e a quantificação da edificabilidade dos vários usos, que deverá também ter em consideração que estamos numa área delimitada pelo PDM como polaridade urbana, i.e., uma «área da cidade com

elevada acessibilidade de transporte público, onde se preconiza um modelo compacto de ocupação do território e

a

localização de funções urbanas de maior centralidade, sem comprometer

a

multifuncionalidade do tecido urbano».

Independentemente das condicionantes regulamentarmente impostas pelos usos a adotar, designadamente no que se refere ao pé-direito dos respetivos espaços, e de acordo com a informação constante nos desenhos n° 1 (Planta de Implantação) e n° 10 (Perfis dos Novos Edifícios), o PPABP fixa para as parcelas B, C e Dum máximo de 8 pisos acima do solo e a parcela E, um máximo de 9 pisos acima do solo.

Por outro lado, a altura máxima de fachada estabelecida para as novas construções oscila entre os 28,00m (nas parcelas centrais- C e D) e os 32,60 m (nas parcelas poente e nascente- B e E).

Relativamente ao estacionamento, os lugares de uso privado serão integrados nas caves das várias parcelas (delimitadas de acordo com o polígono máximo de implantação estabelecido no desenho n° 1 -Planta de Implantação), para as quais, independentemente dos usos acolhidos no respetivo edifício, se estima como suficiente um total de 2 pisos abaixo do solo. O acesso de veículos a estas áreas de estacionamento em cave será feito exclusivamente a partir da Rua D. Luís I,

podendo no caso da parcela E, adotar-se para esse efeito a Rua do Instituto Industrial.

O restantes lugares de estacionamento, de uso público, poderão ser integrados nas áreas de estacionamento em cave atrás referidas ou, alternativamente, em qualquer outra parcela dentro da área do Plano.

(41)

áreas livres de utilização múltipla, pretende-se tirar partido da situação privilegiada em relação à sua posição estratégica no centro da cidade e à grande proximidade do rio. Pretende-se ainda criar, sempre que possível e desejável, áreas de desafogo físico e visual, que promovam uma utilização lúdica, cultural ou simplesmente de estadia ou passagem, por parte da população da cidade. Estas áreas poderão incluir equipamento específico peças lúdicas, mobiliário urbano, etc. -mas deverão também ser apelativas e estimulantes enquanto passagens pedonais alternativas.

Assim, englobam-se nos espaços exteriores da intervenção os passeios e percursos pedonais, as faixas de paragem ou estacionamento automóvel e as zonas livres de uso público, a qualificar no sentido de promover a valorização geral e efetiva do conjunto.

De acordo com as peças desenhadas que integram o ANEXO 3 ao presente relatório, a proposta pretende demonstrar a possibilidade de articulação das múltiplas valências do espaço urbano com a importante função ecológica, garantindo grandes bolsas de permeabilidade (com função de retenção de águas pluviais e eventual posterior aproveitamento das mesmas) que serão simultaneamente espaços de recreio, lazer e enquadramento do tecido edificado a implantar.

É também intenção do presente plano garantir, à partida, a criação de uma rede de percursos arborizada confortável ao longo dos arruamentos, intimamente relacionada com o tecido urbano envolvente. Prevêem-se soluções equilibradas de ligação com a cidade, resolvendo questões pontuais e garantindo sempre a acessibilidade de todos os espaços a pessoas com motricidade limitada, de acordo com a legislação específica em vigor.

Relativamente aos espaços verdes de utilização coletiva, o PPABP propõe uma solução ancorada nos valores do Urbanismo Moderno, através da criação de espaços verdes públicos no interior dos quarteirões, não deixando, contudo, de respeitar os alinhamentos pré-existentes, sem a destruição do sentido tradicional de rua.

De facto, são propostos amplos espaços descobertos de utilização pública nos interstícios de blocos que se dispõem de forma (quase) perpendicular à Avenida 24 de Julho e à Rua D. Luís I (uma disposição que também acentua o sentido de modernidade da proposta urbanística) que, por seu turno, são acedidos através do vazamento parcial dos pisos térreos, quer desses blocos, quer das zonas comerciais que confinam e rematam os quarteirões.

No sentido de se cumprirem os objetivos enumerados, propõe-se uma intervenção simples mas altamente funcional e eficiente, que assenta, basicamente, no máximo aproveitamento para uso pedonal das áreas livres inseridas no presente plano e na criação de estreitas ligações com a cidade circundante e com a faixa ribeirinha. Deste modo, a intervenção focalizar-se-à nos seguintes pontos:

(42)

- compatibilização dos passeios existentes com novos passeios a criar;

-tratamento cuidado das faixas de paragem ou estacionamento automóvel;

- definição de vias de circulação automóvel e pedonal integrada na lógica de circuitos existentes para os eixos confinantes com a área do aterro seguindo os pressupostos dos corredores verdes defendidos na Estrutura Ecológica Municipal (EEM), incluindo a pedonalização do troço sul Boqueirão do Duro e a transformação da Travessa do Cais do Tojo, da Rua do Cais do Tojo e do troço norte do Boqueirão do Duro em zonas de coexistência, priviligando modos suaves de deslocação;

- criação de zonas verdes de estadia e recreio ao nível dos interiores de quarteirão, contribuindo para continuidade da estrutura ecológica.

Ao nível da rede de circulação pedonal, prevê-se o reperfilamento dos passeios existentes, com alargamento e arborização sempre que tal se verificar possível e o traçado de novos passeios ao longo de todas as vias. Em termos de materiais, e para uma perfeita integração com as tipologias que se observam nos passeios circundantes, recomenda-se a sua pavimentação com cubo de pedra. A arborização deverá obedecer a um esquema equilibrado, recomendando-se o recurso a espécies de folha caduca que garantam o conforto dos percursos preconizados e alguma sombra para os lugares de estacionamento. A seleção do elenco vegetal terá em conta fatores como: integração biofísica das espécies, resistência,

rusticidade e valor ornamental, dentro do contexto específico do projeto.

As faixas de paragem ou estacionamento automóvel serão integradas ao longo dos arruamentos, encaixadas nos passeios, com um número de lugares considerado razoável para uma área bem servida de transportes públicos e em que o restante estacionamento público se fará em cave. O estacionamento público à superfície será contínuo ao longo das ruas de circulação automóvel, interrompido nas zonas de acesso viário ao estacionamento em cave e nas de atravessamento de peões. Recomenda-se a sua pavimentação com cubo de pedra.

Os espaços verdes públicos e os atravessamentos no interior do quarteirão - elementos chave da intervenção - terão um uso exclusivamente pedonal, devendo no entanto o seu dimensionamento e as características dos respetivos pavimentos reunir características físicas que permitam a circulação de veículos de socorro ou em serviço de manutenção e segurança bem como operações de reparação e manutenção das infraestruturas do subsolo.

Os espaços verdes públicos dever-se-ão constituir como áreas verdes permeáveis, arborizadas, sem construção acima e abaixo do solo, e incluirão uma rede de percursos pedonais que permita a perfeita circulação e acesso pedonal aos edifícios, com possibilidade de alargamento para instalação, por exemplo de esplanadas, ou pequenos pátios que sirvam a melhor fruição no exterior dos equipamentos propostos ao nível dos pisos térreos. Estes espaços serão desenhados numa linguagem contemporânea mas em estreita relação com as praças de Lisboa, tirando partido dos largos séculos de tradição que se leem nestes espaços. Assim, pretende-se que o espaço exterior seja um espaço muito livre e versátil.

(43)

O mobiliário urbano deverá ser desenhado e integrado de modo a conferir um grande dinamismo e uma identidade única a estes espaços fragmentados. Os projetas de execução dos Aterros da Boavista Poente e Nascente deverão articular-se entre outros, nos temas do mobiliário urbano e da iluminação, de modo a que a intervenção nesta área da cidade seja o mais coerente possível.

Em termos luminotécnicos nos arruamentos pretende-se assegurar o balizamento e a iluminação equilibrada dos percursos e acessos principais, em simultâneo com a iluminação das vias automóveis. Nos espaços verdes público a iluminação será estudada de forma a garantir uma segura utilização do espaço, sem pôr em causa o conforto no interior dos edifícios circundantes.

No que diz respeito à permeabilidade, deve ser garantido o cumprimento dos valores mínimos de superfície vegetal ponderada (SVP) e de área verde permeável estipulados ao nível do PDM para a área a consolidar. Prevê-se ainda a abertura de caldeiras para as novas árvores a plantar nos arruamentos a requalificar.

Focando uma vez mais a função ecológica do espaço exterior e o já referido importante papel desta área na EEM, importa dizer que, tratando-se de uma zona de aterro com muito baixos níveis de infiltração, a implementação de extensas áreas verdes foi entendida mais do ponto de vista da função recreativa, de contemplação associada a este tipo de espaços e da criação de um contínuo ecológico e, não tanto como uma necessidade de garantir a permeabilidade do solo e recarga dos níveis sub-superficiais de água do solo.

Ao nível das áreas pavimentadas propõe-se que os sistemas de recolha de águas pluviais sejam constituídos sobretudo por alinhamentos de valetas ou caleiras, que poderão ser expressivos da definição das linhas orientadoras do desenho do espaço, reforçando o sentido de perpendicularidade dos eixos de circulação, tecido edificado e sistema de vistas.

(44)
(45)

3.5. EQUIPAMENTOS DE UTILIZAÇÃO COLETIVA

O PPABP consagra uma parcela (A) destinada a cedência para equipamentos de utilização coletiva, com uma área de total de 1.354 m2 e com uma área estimada de construção acima do solo estimada pela CML em cerca de 4.100 m2.

Para esta parcela e com um carácter indicativo, propõe-se um Posto de Socorro Avançado (PSA), com cerca de 900,00 m2 de Área de Construção acima do solo, que visa complementar o Comando do Regimento de Sapadores Bombeiros localizado na proximidade da área de intervenção (mais precisamente na Avenida D. Carlos I) e demais instalações

municipais afetas à proteção civil numa zona particularmente crítica da cidade de Lisboa.

Na mesma parcela e também como indicação, o PPABP preconiza que, para além do PSA, possam instalar-se outros equipamentos, estando a ser ponderada a localização de um posto de limpeza da CML nesta parcela com cerca de 720,00 m2, e ainda de uma creche com cerca de 600 m2, prevendo-se ainda uma área de reserva para um equipamento a definir com cerca de 1.880 m2.

A concepção do edifício deverá ter especial cuidado em resolver arquitetonicamente a transição entre as volumetrias,

(46)

4. ENQUADRAMENTO E CONFORMIDADE COM OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO DO TERRITÓRIO

4.1. ENQUADRAMENTO NO PLANO REGIONAL DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA

O Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa (PROTAML), aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros n.0 68/2002, de 8 de abril, que estabelece as orientações e opções estratégicas de organização desta

área metropolitana, constituiu um quadro de referência para a elaboração do Plano de Pormenor do Aterro da Boavista Poente.

De acordo com o Esquema de Modelo Territorial do PROTAML, a área de intervenção do PPABP insere-se na Unidade Territorial 2 - Lisboa Centro Metropolitano, encontrando-se abrangida pela Subunidade Área Central de Lisboa, na grande maioria da sua área, e pela Subunidade Coroa Envolvente de Lisboa, na sua extremidade poente.

De entre as orientações e normas gerais estabelecidas pelo PROTAML, destacam-se como diretamente aplicáveis à área em causa, as seguintes Normas Gerais, constantes no Capítulo Normas Orientadoras:

-"reconverter e renovar as áreas/espaços e unidades funcionais que englobem grandes complexos industriais desativados

ou em desativação que devem ser integrados em projetas de requalificação global de áreas ribeirinhas, nomeadamente na frente ribeirinha de Lisboa" (norma n° 1.3.1.3);

- "revitalizar e requalificar os bairros históricos no sentido de criar condições favoráveis à reabilitação e manutenção da função habitacional e às atividades socialmente diversificadas" (norma n° 1.3.2.3);

- "controlar e inverter os processos de degradação física e funcional, criando mecanismos de sensibilização e apoio dirigidos à conservação e recuperação do parque habitacional e à reconversão dos espaços industriais e de armazenagem em decadência ou abandono" (norma n° 1.3.2.4 ).

Relativamente ao cumprimento das disposições atrás transcritas, refere-se que a proposta do PPABP tem como um dos seus objetivos fundamentais a aproximação da cidade com o rio, privilegiando a circulação pedonal e mudando a vocação da área de intervenção, atualmente ocupada por edifícios industriais degradados, obsoletos e devolutos, correspondendo desta forma ao estabelecido nas normas n° 1.3.1.3 e n° 1.3.2.4.

Simultaneamente o PPABP propõe o interior dos quarteirões como novos espaços de utilização coletiva destinados à

Referências

Documentos relacionados

8- Bruno não percebeu (verbo perceber, no Pretérito Perfeito do Indicativo) o que ela queria (verbo querer, no Pretérito Imperfeito do Indicativo) dizer e, por isso, fez

• Meios tecnológicos e humanos, que possibilitam o funcionamento efectivo do sistema Aspectos a considerar REQUISITOS REGULAMENTARES P E RF IL DE RI S CO Risco de Crédito Risco

No experimento 2, os resultados antes da aplicação sequencial (B) não foram eficientes no controle do capim-amargoso, entretanto aos 35 dias após aplicação B, os tratamentos

nesta nossa modesta obra O sonho e os sonhos analisa- mos o sono e sua importância para o corpo e sobretudo para a alma que, nas horas de repouso da matéria, liberta-se parcialmente

O objetivo do curso foi oportunizar aos participantes, um contato direto com as plantas nativas do Cerrado para identificação de espécies com potencial

O valor da reputação dos pseudônimos é igual a 0,8 devido aos fal- sos positivos do mecanismo auxiliar, que acabam por fazer com que a reputação mesmo dos usuários que enviam

Este livro, por último, dirige-se a muitas pessoas com diferentes curiosidades: serve para conhecer mais a história da hipnose com suas verdades e seus mitos, serve para adentrar

Ensino de Estatística presentes na linha de pesquisa Fundamentos e Metodologias para o ensino de Ciências e Matemática no curso de mestrado profissional em Ensino de Ciência