DANIELLE YUMI EIMORI
MORTALIDADE POR CÂNCER DE MAMA NO BRASIL E NO
ESTADO DE SANTA CATARINA NO PERÍODO DE 2008 A
2017
Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito para a conclusão do Curso de Graduação em Medicina.
Florianópolis
Universidade Federal de Santa Catarina 2019
DANIELLE YUMI EIMORI
MORTALIDADE POR CÂNCER DE MAMA NO BRASIL E NO
ESTADO DE SANTA CATARINA NO PERÍODO DE 2008 A
2017
Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a conclusão do Curso de Graduação em Medicina.
Presidente do Colegiado: Prof. Dr. Aroldo Prohmann de Carvalho
Professor Orientador: Prof. Dr. Lúcio José Botelho
Florianópolis
Universidade Federal de Santa Catarina 2019
Eimori, Danielle Yumi.
Mortalidade por câncer de mama no Brasil e no estado de Santa Catarina no período de 2008 a 2017. / Danielle Yumi Eimori – Florianópolis, 2019. 33p.
Orientador: Lúcio José Botelho
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde - Graduação em Medicina.
AGRADECIMENTOS
Manifesto meus sinceros agradecimentos a meus pais Ioko e Jorge, minha irmã
Francielle e meu namorado João Victor que me acompanharam nessa caminhada e foram meu apoio e fonte de motivação nas horas difíceis. Ao meu orientador, Lúcio José Botelho, pela dedicação, paciência e conhecimento compartilhado. Sem todos vocês este trabalho não seria possível.RESUMO
Introdução: O câncer de mama é doença multifatorial e constitui a principal causa de morte por câncer em mulheres, além de ser a neoplasia maligna mais frequente após os cânceres de pele não melanoma, tendo grande impacto na saúde pública. Em menores proporções atinge também os homens.
Objetivo: Descrever a mortalidade por câncer de mama no Brasil e no estado de Santa Catarina no período de 2008 a 2017.
Métodos: Estudo descritivo exploratório do tipo ecológico e série histórica analisando os óbitos e a taxa de mortalidade por câncer de mama no Brasil e em Santa Catarina durante o período de 2008 a 2017, utilizando-se dados do DATASUS/TABNET e SIM (Sistema de Informação de Mortalidade).
Resultados: Foram identificadas 141.935 mortes por câncer de mama no Brasil e 5035 em Santa Catarina entre 2008 e 2017. A taxa de mortalidade no Brasil variou entre 12,5 e 14,22 na população feminina, sendo que em Santa Catarina a mortalidade foi superior à nacional na maioria dos anos estudados. O número de óbitos aumentou 77,4% entre os homens e 41,6% entre as mulheres comparando-se o ano de 2008 com o de 2017.
Conclusão: A mortalidade e incidência pelo câncer de mama ainda estão em ascensão no Brasil. É fundamental fortalecer a prevenção primária dessa afecção, além de ofertar detecção precoce, diagnóstico e tratamento oportunos e de qualidade para a população. São escassos os estudos sobre câncer de mama na população masculina.
ABSTRACT
Background: Breast cancer is a multifactorial disease and represents the main cause of death by cancer for women, while also being the most frequent malignant neoplasia after non-melanoma skin cancer, affecting public health considerably. On smaller proportions it also affects men.
Objective: Describing breast cancer mortality in Brazil and in the state of Santa Catarina from 2008 to 2017.
Methods: Descriptive, exploratory study of ecological and historical series type, analyzing death count and mortality rates related to breast cancer in Brazil and in Santa Catarina from 2008 to 2017, using data from DATASUS/TABNET and SIM (Sistema de Informação de Mortalidade)
Results: 141.935 deaths related to breast cancer were identified in Brazil and 5.035 in Santa Catarina state between 2008 and 2017. The mortality rate in Brazil ranged from 12,5 to 14,22 among women, while in Santa Catarina the mortality rate was superior to the national on most years studied. The death count increased 77,4% among men and 41,6% among women when comparing years 2008 and 2017.
Conclusion: The mortality rate and incidence related to breast cancer are still rising in Brazil. It is fundamental to strengthen primary prevention of this affection, while also offering quality early detection, diagnosis and treatment in a timely manner and for all people. Studies about male breast cancer are scarce.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Taxa de mortalidade por câncer de mama por sexo no Brasil entre 2008 a 2017 Figura 2 - Taxa de mortalidade por câncer de mama por sexo em Santa Catarina entre 2008 a 2017
Figura 3 - Incidência do câncer de mama feminino a cada 100.000 mulheres entre os anos 2008 a 2017 no Brasil
Figura 4 - Incidência do câncer de mama feminino em Santa Catarina entre os anos 2008 a 2017
Figura 5 - Letalidade do câncer de mama em mulheres no período de 2008 a 2017 no Brasil Figura 6 - Letalidade do câncer de mama em mulheres em Santa Catarina no período de 2008 a 2017
Figura 7 - Números de óbitos por câncer de mama em mulheres por faixa etária no Brasil em 2016
Figura 8 - Óbitos por câncer de mama em homens por faixa etária no Brasil em 2016 Figura 9 – Número de óbitos por câncer de mama em mulheres por ano no Brasil, no período de 2008 a 2017
Figura 10 - Número de óbitos por câncer de mama em homens por ano no Brasil, no período de 2008 a 2017
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
BIRADS Breast Imaging Reporting and Data System BRCA Breast Cancer Gene
CDC Centers for Diseases Control and Prevention HER2 Human epidermal growth factor receptor 2 IARC Agência Internacional de Pesquisa em Câncer
INCA Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva
SEER Surveillance Epidemiology and End Results SUS Sistema Único de Saúde
SUMÁRIO
RESUMO... v ABSTRACT...vi 1 INTRODUÇÃO...1 2 OBJETIVO...6 3 MÉTODO ...7 4 RESULTADOS...8 5 DISCUSSÃO...16 6 CONCLUSÃO...19 REFERÊNCIAS...20 NORMAS ADOTADAS...241. INTRODUÇÃO
O câncer de mama persiste como um dos grandes desafios da saúde pública apesarde se tratar de doença amplamente estudada e com possibilidade de intervenção precoce. Considerando-se a população feminina mundial é o tumor maligno mais frequentemente encontrado depois dos cânceres de pele não melanoma e constitui a principal causa de morte por câncer¹. Segundo o Globocan, foram 2.088.849 novos casos de câncer de mama no mundo em 2018 e 626.679 mortes por este agravo.2
Em 2016, no Brasil, ocorreram 16.069 mortes devido ao câncer de mama, com uma taxa bruta de mortalidade de 15,4/100 mil mulheres. Entre os homens, para o mesmo ano, a taxa foi de 2,05. Quando se consideram as diferentes regiões brasileiras, observa-se que as taxas brutas de mortalidade são superiores às nacionais nas regiões Sul e Sudeste e menores na região Norte.3
O número de novos casos de câncer de mama previstos para o ano de 2019 no Brasil é de 59.700, com risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil mulheres.1
Denomina-se câncer de mama um grupo heterogêneo de doenças que levam a proliferação anormal e desordenada das células que compõem o tecido mamário. 4,5 Trata-se de doença com etiologia multifatorial.6 Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de mama, podem-se citar fatores endócrino-reprodutivos, genéticos/hereditários e ambientais/comportamentais.7
Dentre os fatores endócrino-reprodutivos, destacam-se a nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia, primeira gestação após os 30 anos, terapia de reposição hormonal pós menopausa e uso de anticoncepcionais orais combinados.7
Já com relação aos fatores genéticos/hereditários, aumentam o risco de câncer de mama a presença de história familiar dessa condição em parentes de 1º grau, especialmente se abaixo dos 50 anos, história familiar de câncer de mama em homens e presença de mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 (genes supressores tumorais também associados a aumento na chance de desenvolver câncer de ovário). Em torno de 5 a 10% dos casos de câncer de mama têm caráter hereditário. 6, 7
Finalmente, considerando-se os fatores ambientais e comportamentais, observa-se como fatores de risco sedentarismo, ingestão de bebida alcóolica, sobrepeso e obesidade pós-menopausa e exposição à radiação ionizante.7
A prevenção primária do câncer de mama tem como objetivo diminuir a incidência desse agravo ao reduzir a exposição aos fatores de risco. Já a prevenção secundária é um tipo de detecção precoce que engloba o diagnóstico e o rastreamento precoces e tem o intuito de detectar a doença em estágios iniciais e reduzir a mortalidade.8, 9
No que tange ao rastreamento do câncer de mama, atualmente o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) recomenda mamografia bianual para mulheres entre 50 e 69 anos e posiciona-se contrário ao ensino do autoexame das mamas (AEM) para fins de rastreamento. A mulher deve ser encorajada a conhecer suas mamas e identificar alterações suspeitas para câncer em situações cotidianas, sem contudo necessidade de periodicidade ou técnica padrão (como anteriormente se preconizava com o autoexame). 8,9 Com relação ao diagnóstico precoce do câncer de mama, é preciso que a população tenha conhecimento e esteja atenta aos principais sinais e sintomas sugestivos de câncer de mama, assim como os profissionais de saúde que prestam o cuidado, e por sua vez o serviço de saúde deve estar apto a realizar a confirmação do diagnóstico e oferecer o cuidado necessário a cada paciente portador do agravo.8
Os achados da mamografia são classificados de acordo com o Breast Imaging-Reporting and Data System (RADS), que se relacionam a condutas. Mamografias com BI-RADS 1(sem achados) e 2 (achados benignos) requerem somente manutenção da rotina de rastreamento, já nas mamografias BI-RADS 3 (achados provavelmente benignos) recomenda-se controle radiológico por 3 anos. Exames BI-RADS 4 ou 5 que denotam achados suspeitos para malignidade ou altamente suspeitos para malignidade, respectivamente, demandam realização de biópsia com estudo histopatológico. Já o resultado BI-RADS 6, por englobar casos já diagnosticados caso a caso, seguirão condutas específicas e BI-RADS 0 necessita de investigação adicional com outros métodos de imagem.3
Dentre os sinais apresentados pelas mulheres com câncer de mama, o nódulo mamário é o mais frequente. A descarga papilar (sobretudo quando sanguinolenta ou cristalina, unilateral e espontânea), alteração no contorno das mamas, edema cutâneo, inversão, descamação ou ulceração do mamilo são outros sinais que podem estar presentes.10
A investigação do câncer de mama envolve exame clínico, exames de imagem e estudo histopatológico (sendo este necessário para confirmação diagnóstica). Material da lesão suspeita pode ser coletado a partir de mamotomia ou punções aspirativas com agulha fina (PAAF) ou grossa (core biopsy).3
O tipo histológico mais comum de câncer de mama é o carcinoma ductal invasivo, que engloba de 50 a 75% dos casos, seguido do carcinoma lobular invasivo, que corresponde a cerca de 5 a 15% dos casos.11
Na última década, muito se avançou no entendimento sobre o câncer de mama como uma doença plural no que diz respeito a marcadores moleculares, prognóstico, diagnóstico e padrões de disseminação, o que significou a necessidade de se modificar a forma de estadiamento da doença.12
Até então, o sistema TNM, que avalia a extensão anatômica da doença considerando-se o tamanho do tumor (T), linfonodos regionais (N) e metástaconsiderando-ses à distância (M) tinha sido utilizado com o intuito de servir como um guia de prognóstico para auxiliar a determinar o uso ou não de terapia sistêmica.12
A partir da melhor compreensão do comportamento da doença, passou-se a considerar, além do TNM (que compõe o clássico estadiamento anatômico), fatores biológicos do tumor no estadiamento do câncer de mama. Assim, esses fatores biológicos – grau histológico, expressão de receptores de estrógeno (RE), receptores de progesterona (RP) e o Human Epidermal growth fator Receptor-type 2 (HER2) - compõem agora o estadiamento prognóstico do câncer de mama.12
O estadiamento prognóstico é subdividido em clínico e patológico, sendo que o primeiro é realizado para todas as pacientes a fim de guiar o tratamento inicial e o segundo é aplicável às pacientes que tenham se submetido à ressecção cirúrgica como tratamento inicial para o câncer de mama. Além disso, foram incorporados ao TNM os testes diagnósticos genômicos - dentre os quais se destaca o OncotypeDX – para um grupo específico de pacientes: T1-2, N0, HER2 negativos e RE positivos).12
Existem dois alvos moleculares principais no tratamento do câncer de mama. Tumores que expressam receptores de progesterona (RP) ou estrogênio (ER) em no mínimo 1% das células tumorais são classificados como tumores receptores hormonais positivos. Nesses casos, é possível utilizar agentes hormonais capazes de diminuir ou inibir a atividade dos
hormônios endógenos – estrógeno e progesterona – sobre a mama. Outro alvo molecular é o HER2, expresso em torno de 20% dos cânceres de mama. Em tumores HER2 positivos, pode-se utilizar terapia alvo dirigida com anticorpos anti-HER2 (como o trastuzumab) ou com inibidores de tirosina quinase (como lapatinib).11
Os tumores que não expressam os receptores anteriormente citados –RP, EP e HER2- são chamados de triplo negativos, correspondem a aproximadamente 15% dos tumores da mama e estão relacionados a pior prognóstico.12
Com relação ao câncer de mama não metastático, a terapia local compreende duas abordagens consideradas equivalentes: mastectomia total ou excisão associada a radiação pós-operatória. A terapia sistêmica pode ser neoadjuvante e/ou adjuvante, guiada pelo subtipo de câncer de mama.11
Nos casos de câncer de mama metastático, pode-se utilizar terapia sistêmica em categorias semelhantes às usadas no câncer não metastático, além de cirurgia e radioterapia (nesse caso, utilizados como paliação).11
Quanto ao manejo dos linfonodos axilares, pode ser feita dissecção (tratamento padrão em pacientes com envolvimento axilar clinicamente evidente que se submeteram a tratamento inicial cirúrgico) ou avaliação do linfonodo sentinela (podendo proceder a dissecção dos linfonodos axilares de acordo com sua positividade).11
No Brasil, desde 2012, todo paciente com neoplasia maligna tem assegurado o direito de receber o primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) em até 60 dias a partir da confirmação do diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor (a depender da necessidade terapêutica).13 Apesar disso, segundo os Registros Hospitalares de Câncer, no período de 2013 a 2015 apenas 51,2% das pacientes iniciaram tratamento para o câncer de mama no período previsto pela lei.3
O tratamento cirúrgico para o câncer de mama envolve técnicas conservadoras (como a quadrantectomia) e mutilantes (mastectomia). Mulheres que se submetem ao tratamento de câncer de mama sofrem profundas transformações relacionadas à imagem corporal, a qual reflete na autoestima da mulher e em sua sexualidade. 14 Desde 1999, com a Lei nº 9.797, as mulheres que passam por mutilação total ou parcial de mama decorrente de técnica de tratamento de câncer têm direito a cirurgia plástica reconstrutiva, que, desde que asseguradas condições técnicas, será efetuada no mesmo tempo cirúrgico.15
Cabe ressaltar que, apesar de não terem as mamas desenvolvidas como as mulheres, os homens também podem desenvolver câncer de mama.3O câncer de mama representa menos de 1% dos cânceres em homens. 17,18 Em 2019 a taxa de incidência ajustada de câncer de mama em mulheres é de 54,69 a cada 100 mil, no homem é de 0,4 a cada 100 mil.3
Entre os fatores de risco para o câncer de mama em homens estão história familiar de câncer de mama e ovário, mutação nos genes BRCA2 e BRCA1, Síndrome de Kleinefelter, obesidade, anormalidades testiculares, adenomas hipofisários, ginecomastia, cirrose, uso de estrógenos exógenos e exposição à radiação.16
Apesar de a incidência do câncer de mama masculino nos últimos 25 anos ter crescido em torno de 26% segundo dados do SEER (Surveillance Epidemiology and End Results), existem escassos estudos dedicados sobre o tema quando comparado àqueles que versam sobre a população feminina. Atualmente as condutas frente a um câncer de mama em mulheres são extrapoladas para o tratamento do câncer de mama em homens.17
2. OBJETIVOS
2.1. Objetivo Geral:
Descrever a mortalidade por câncer de mama no Brasil e no estado de Santa Catarina no período compreendido entre 2008 e 2017.
2.2. Objetivos Específicos:
2.2.1. Comparar a taxa de mortalidade por câncer de mama no Brasil com a de Santa Catarina no período de 2008 a 2017.
2.2.2. Comparar a incidência do câncer de mama em ambos os sexos, no Brasil e em Santa Catarina no período estudado.
2.2.3. Comparar o número de óbitos por câncer de mama por sexo entre os anos de 2008 a 2017.
3. MÉTODOS
Trata-se de um estudo descritivo exploratório do tipo ecológico e série histórica descrevendo o câncer de mama em ambos os sexos na população de Santa Catarina durante o período de 2008 a 2017.
As variáveis estudadas foram sexo, ano de ocorrência e faixa etária com dados secundários coletados do DATASUS/TABNET sendo a causa do óbito codificada de acordo com a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, décima revisão (CID-10) sob o CID C50.
Os dados foram coletados e tabulados no Microsoft Excel e foram confeccionados tabelas e gráficos para análise das taxas de mortalidade e número de óbitos ocorridos no Brasil e Santa Catarina no período de 2008 a 2017, ajustando-se a população brasileira de 2010.
A coleta dos dados foi feita através do site TABNET no período de julho a outubro de 2019. Foram estudados todos os casos de morte registrados no subsistema SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) nos anos de 2008 a 2017.
A letalidade do câncer de mama feminina foi calculada dividindo-se o número de óbitos por câncer de mama pelo número de casos novos da doença devido à indisponibilidade dos dados correspondentes ao número de mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Já a incidência e a letalidade do câncer de mama em homens foi estimada a partir de dados da American Cancer Society para o ano de 2019.
4. RESULTADOS
Entre os anos de 2008 a 2017 foram constatadas 11.992.831 mortes por todas as causas no Brasil, sendo 5.189.967 mulheres e 6.797.193 homens. Considerando-se as mortes por câncer de mama nesse período, houve 140.326 mortes em mulheres e 1.599 mortes em homens, o que corresponde, respectivamente, a 2,7% e 0,02% do número total de óbitos no Brasil. Dentre as mortes por câncer de mama ocorridas nesse intervalo, tem-se que 98,8% atingiram o sexo feminino e 1,2% o sexo masculino (Tabela 1). Já em Santa Catarina para os mesmos anos estudados foram 5.035 óbitos, sendo 4961 (98,5%) do sexo feminino e 74(1,5%) no sexo masculino.
Tabela 1. Óbitos por câncer de mama no Brasil, por sexo, no período de 2008 a 2017.
Sexo Óbitos %
Feminino 140.326 98,8
Masculino 1.599 1,2 Total 141.935 100,0
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
A taxa de mortalidade por câncer de mama considerando-se a população geral no Brasil no período de 2008 a 2017 manteve-se relativamente estável em um intervalo de 6 a 8%, com pequenas oscilações nos valores, sendo o máximo de 7,78 em 2017 e o mínimo de 6,72 em 2009. Considerando-se apenas a população feminina, verifica-se que na maioria dos anos estudados houve aumento na taxa de mortalidade exceto nos anos de 2009, 2012 e 2014, quando houve decréscimo. A taxa variou entre 12,3 em 2009 a 14,22 em 2017. Entre os homens a taxa manteve-se com mínimas oscilações, sendo a mínima de 0,16 e a máxima de 0,21, conforme figura 1.
No estado de Santa Catarina, nota-se que com exceção do ano de 2008, as taxas de mortalidade apresentaram-se superiores às nacionais, independente do sexo analisado. A taxa de mortalidade de câncer de mama em ambos os sexos variou entre 6 a 9 com aumento progressivo durante o período em estudo, tendo quedas apenas no ano de 2014. A mesma observação de queda no ano de 2014 pode ser feita para a taxa referente ao sexo feminino. Já na taxa de mortalidade por câncer de mama masculina houve decréscimos em 2010, 2011, 2014 e 2017, obtendo maior valor em 2014 com 0,12 e maior em 2016 com 0,33, conforme ilustrado na figura 2.
Figura 1 - Taxa de mortalidade por câncer de mama, por sexo no Brasil de 2008 a 2017
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
0,17 0,16 0,17 0,14 0,18 0,2 0,17 0,2 0,19 0,21 12,54 12,3 12,32 12,75 12,7 12,87 12,85 13,11 13,69 14,22 6,85 6,72 6,74 6,96 6,94 7,04 7,02 7,17 7,48 7,78 0 2 4 6 8 10 12 14 16 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Masculino Feminino Geral
Figura 2 - Taxa de mortalidade por câncer de mama por sexo em Santa Catarina entre 2008 a 2017
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
Durante o período em estudo, a incidência do câncer de mama entre as mulheres brasileiras sofreu leve queda comparando-se o biênio 2008-2009 (no qual a taxa foi de 50,71) com o biênio 2010-2011 com 49,27. A incidência volta a ter valores continuamente crescentes a partir do biênio seguinte, obtendo estabilização em torno de 56/100.000 mulheres dois últimos biênios estudados, o que pode ser observado na figura 3.
Figura 3. Incidência do câncer de mama feminino a cada 100.000 mulheres entre os anos 2008 a 2017, no Brasil
FONTE: DATASUS (INCA)
*Nota: acúmulo bianual de acordo com o publicado pelo INCA
0,17 0,4 0,23 0,21 0,27 0,29 0,12 0,24 0,33 0,18 11,17 12,46 12,76 13,56 13,64 13,82 13,68 14,06 14,57 15,27 6,04 6,81 6,93 7,3 7,36 7,46 7,29 7,57 7,83 8,24 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Sexo masculino Sexo feminino Total 50,71 49,27 52,5 56,09 56,2 44 46 48 50 52 54 56 58 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Já em Santa Catarina, a incidência do câncer de mama na mulher no período de 2008 a 2017 manteve-se relativamente estável nos quatro primeiros anos estudados, variando entre 49,58 no biênio 2010-2011 a 52,03 no biênio 2008-2009. A partir de 2014 houve aumento considerável na incidência, atingindo seu ápice no biênio 2016-2017 com 62,06 casos a cada 100.000 mulheres catarinenses. Esses dados podem ser visualizados na figura 4.
Figura 4. Incidência do câncer de mama feminino em Santa Catarina entre os anos 2008 a 2017, a cada 100.000 mulheres
FONTE: DATASUS (INCA)
*Nota: acúmulo bianual de acordo com o publicado pelo INCA
Em relação à letalidade do câncer de mama em mulheres brasileiras entre os anos de 2008 a 2017, percebe-se que, excetuando-se os anos de 2012 e 2014, houve um aumento progressivo, sendo o valor mínimo de 23,9 em 2008 e o máximo de 28,85 em 2017, conforme visualizado na figura 5.
Em Santa Catarina, a letalidade do câncer de mama feminino mostrou-se superior à letalidade nacional em todos os anos de estudo, exceto em 2008. Nos anos seguintes apresentou aumento dos valores, tendo ápice no ano de 2013 com 31,77. A partir de 2014 passou a apresentar vales e picos, oscilando entre 28,75 a 30,64. Esses dados podem ser verificados na figura 6. 52,03 49,58 51,38 57,43 62,06 0 10 20 30 40 50 60 70 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Figura 5. Letalidade do câncer de mama em mulheres no período de 2008 a 2017, no Brasil FONTE: DATASUS (INCA), 2019
*Nota: acúmulo bianual de acordo com o publicado pelo INCA
Figura 6. Letalidade do câncer de mama em mulheres em Santa Catarina no período de 2008 a 2017
FONTE: DATASUS (INCA)
*Nota: acúmulo bianual de acordo com o publicado pelo INCA
Com relação ao número de óbitos por câncer de mama em mulheres brasileiras no ano de 2016, nota-se que até a terceira década de vida tem-se 7,3% do total de mortes por câncer de mama. A partir da quarta década o número de óbitos aumenta consideravelmente,
23,9 24,22 25,8 26,85 25,79 26,96 25,59 26,96 27,72 28,85 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 21,49 24,84 27,7 29,93 30,12 31,77 28,75 30,64 28,81 30,39 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
atingindo seu maior valor na faixa etária dos 50-59 anos, com um total de 3850 mortes, correspondendo a 23% (N=16.069) das mortes por este agravo. Nas faixas etárias subsequentes, o número de óbitos passa a ter tendência decrescente alcançando 2326 óbitos (14,4%) na faixa etária a partir dos 80 anos, conforme visualizado na figura 7.
Figura 7. Números de óbitos por câncer de mama em mulheres por faixa etária no Brasil em 2016
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
Figura 8 - Óbitos por câncer de mama em homens por faixa etária no Brasil em 2016 FONTE: DATASUS (INCA), 2019
1 130 1045 2601 3850 3525 2590 2326 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500
10-14 anos 20-29 anos 30-39 anos 40-49 anos 50-59 anos 60-69 anos 70-79 anos 80 anos e mais 6 20 31 49 46 33 0 10 20 30 40 50 60
10-14 anos 20-29 anos 30-39 anos 40-49 anos 50-59 anos 60-69 anos 70-79 anos 80 anos e mais
Na população masculina brasileira, no ano de 2016, as mortes pelo câncer de mama surgem a partir dos 30 anos, apresentando valores ascendentes até atingir seu pico entre os 60-69 anos, faixa na qual ocorreram 49 mortes. Os óbitos ocorridos a partir dos 60 anos correspondem a 69,1% das mortes por câncer de mama em homens nesse ano, conforme demonstra a figura 8.
Figura 9 – Número de óbitos por câncer de mama em mulheres por ano no Brasil, no período de 2008 a 2017.
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
Figura 10 - Número de óbitos por câncer de mama em homens por ano no Brasil, no período de 2008 a 2017.
FONTE: DATASUS (INCA), 2019
Considerando-se o número de óbitos por câncer de mama em mulheres no período em estudo, nota-se que no Brasil houve um aumento progressivo iniciado em 2008, com 11.945
11945 12098 12853 13345 13746 14388 14786 15593 16254 16925 11000 12000 13000 14000 15000 16000 17000 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 351 410 442 475 499 528 536 575 596 623 300 400 500 600 700 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
mortes, atingindo 16.925 óbitos em 2017, totalizando um aumento de 41,6% no número de mortes durante o período estudado. Esses dados estão ilustrados na figura 9.
Entre os homens brasileiros houve também aumento crescente no número de óbitos por câncer de mama entre 2008 a 2017, o que significou um aumento de 77,4% nesse período, conforme observado na figura 10.
5. DISCUSSÃO
Este estudo tornou possível apresentar o contexto epidemiológico da mortalidade por câncer de mama no período de 2008 a 2017 tanto no Brasil quanto no estado de Santa Catarina. Esses dados, provenientes do DATASUS/INCA, são essenciais para planejar, executar e avaliar ações de prevenção, tratamento e controle da doença e estabelecer prioridades nos cuidados aos pacientes acometidos.
Neste presente estudo entre o biênio 2008-2009 e 2010-2011 houve uma queda na incidência do câncer de mama feminina no Brasil, havendo a partir de então aumentos progressivos chegando a 56,2 no biênio 2016-2017. Em Santa Catarina a incidência também teve queda do primeiro para o segundo biênio estudado e aumento progressivo nos demais biênios, atingindo valor expressivamente maior no ano de 2016 (62,06) em relação ao Brasil (56,2). Com exceção do biênio 2012-2013, Santa Catarina apresentou valores de incidência superiores aos nacionais. Segundo literatura sobre o tema, as maiores taxas de incidência estão nas regiões Sul e Sudeste com valores próximos em todos os anos estudados, com média de 68,2; enquanto a região Norte detém os menores índices, variando entre 16 e 22,26.1 Em um país de dimensões continentais como o Brasil, tais disparidades guardam relação com as disparidades socioeconômicas, culturais, de estilo de vida e de acesso a serviços de saúde.19 O INCA, que fornece bianualmente estatísticas sobre a incidência de câncer no Brasil, não dispõe de informações sobre a incidência do câncer de mama em homens, já que a publicação prioriza as localizações de câncer com comparativamente maior relevância epidemiológica. Utilizando-se como base dados da American Cancer Society, segundo a qual foram diagnosticados 2670 casos novos de câncer de mama masculino e 500 mortes por esse câncer no ano de 2019, estima-se para o Brasil 1284 casos novos de câncer de mama masculino e 240 mortes por essa doença.20 Estudos prévios evidenciaram que homens diagnosticados com câncer de mama têm idade mais avançada no momento do diagnóstico, além de ter neoplasia mais avançada em relação às mulheres. 21 Campanhas como o Outubro Rosa, no Brasil oficializada em 2018 com a Lei Nº 13.733, têm como alvo o público feminino dada a magnitude da morbimortalidade dessa doença nessa parcela da população. Isso pode contribuir para que muitos homens não disponham da informação de que esse tipo de câncer,
embora raro, também acomete a população masculina e por esse motivo estes são diagnosticados mais tardiamente (em geral 10 anos depois da idade média de diagnóstico nas mulheres), o que pode limitar e comprometer o sucesso de métodos terapêuticos. 22,23,24 Além disso, soma-se à equação o fato de que os homens tendem a procurar menos os serviços de saúde em relação às mulheres.25 No primeiro estudo publicado especificamente sobre o câncer de mama masculino no estado do Amazonas, entre 2001 e 2013 foram registrados 17 casos novos, a maioria (58,82%) deles em estágio clínico III A e IIIB e apenas 5,88% no estágio inicial da doença (carcinoma in situ), exemplificando a demora para procura de atendimento médico.24 Nos Estados Unidos é estimado um número de 2000 diagnósticos de câncer de mama masculina a cada ano.26
Foram registradas no Brasil no período de 2008 a 2017 140.326 mortes em mulheres e 1.599 em homens tendo como causa base o câncer de mama, totalizando 141.925 mortes nesse intervalo. Observa-se que no ano de 2016 o número de óbitos por câncer de mama em homens foi maior na faixa etária de 60 a 69 anos, mais tardia do que na população feminina em que os óbitos concentram-se na faixa etária entre 50 a 59 anos. Segundo dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), agência especializada em câncer da Organização Mundial da Saúde, nos Estados Unidos as mortes por câncer de mama ocorridas entre 2008 e 2016 foram de 369.44227 Segundo o CDC (Centers for Diseases Control and Prevention), a faixa etária com maior número de óbitos foi acima de 85 anos, seguida da faixa etária entre 60 e 69 anos.28 No Reino Unido, para o período foram registradas 104.509 mortes reunidas principalmente na faixa etária a partir de 80 anos.29
No Brasil entre 2008 e 2017 a taxa de mortalidade por câncer de mama variou entre 6 e 8 na população geral e entre 12 e 15 nas mulheres. Em Santa Catarina as taxas de mortalidade por câncer de mama feminina variaram entre 11 e 16, superiores às taxas nacionais, apresentando aumentos progressivos em suas taxas exceto no ano de 2014. Contrastando com a realidade brasileira, nos Estados Unidos, entre 2008 e 2016 as taxas de mortalidade na população feminina foram decrescentes, com valores de 14,82 em 2008 chegando a 13,04 em 2016.27 No Reino Unido também houve decréscimo em todos os anos desse período, com valores máximos em 2008 com 17,79 e mínimo em 2016 com 14,91.29 Já na Argentina há também uma tendência de queda na mortalidade, todavia com valores maiores que as taxas brasileiras em todo o período estudado, variando entre 17 e 18.28 A diminuição das taxas de mortalidade nesses países pode ser reflexo da detecção precoce da doença (que engloba rastreamento e maior conscientização sobre o câncer de mama) aliada a
avanços nos tratamentos.20,29 No Brasil ainda existem barreiras para a diminuição da mortalidade por câncer de mama, como a dificuldade de acesso a serviços de saúde a fim de obter-se diagnóstico precoce, e intervalos prolongados entre confirmação do diagnóstico e tratamento.19
No presente trabalho nota-se que a taxa de incidência do câncer de mama feminino teve aumento considerável a partir do ano de 2012 tanto no Brasil quanto no estado de Santa Catarina. Isso pode ser fruto do aumento contínuo na oferta de mamografias para mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos (na qual se tem maior evidência para o rastreamento mamográfico) a partir de 2012. Adicionalmente, em 2012 foi implantado o Programa Nacional de Qualidade da Mamografia (PQNM), que visa melhorar a qualidade das mamografias desde o monitoramento dos serviços que oferecem esse exame, passando por qualidade da imagem, laudo, diagnóstico e dose de radiação. Atualmente o PQNM é obrigatório para todos os serviços que dispõem de mamografia, o que pode ter contribuído para melhorar os índices de detecção do câncer de mama.3 As discrepâncias na incidência do câncer de mama podem ser causadas pelas diferenças na distribuição e prevalência dos fatores de risco implicados nesse tipo de câncer (como obesidade e fatores reprodutivos), além de depender das políticas locais de saúde com relação à detecção precoce e rastreamento. É observado que as taxas de incidência são frequentemente mais altas nos países que incluíram o rastreamento como parte de suas ações para enfrentamento ao câncer de mama.32
Com a recente sanção da lei Nº 3.896 em 30 de outubro de 2019, nos casos em que a principal hipótese diagnóstica seja neoplasia maligna, os exames necessários para esclarecimento diagnóstico deverão ser feitos em até 30 dias.33 Com isso, é possível que a confirmação do diagnóstico dos pacientes com câncer seja feito mais precocemente, o que poderá impactar nas taxas mortalidade pelo câncer de mama uma vez que os tratamentos tendem a ter melhores resultados quando descoberto em estágios precoces. Serão necessários maiores estudos para observar os impactos dessa lei no futuro.
6. CONCLUSÃO
O câncer de mama lidera a mortalidade por câncer entre as mulheres em âmbito mundial e é a segunda neoplasia maligna mais incidente atrás do câncer de pele não melanoma tendo, portanto, notável importância para a saúde pública. A mortalidade por câncer de mama no Brasil permanece alta apesar da existência de exames diagnósticos, rastreamento e possibilidade de mortes evitáveis através de prevenção primária.
Informações acerca de seu comportamento ao longo do tempo são essenciais para a elaboração de políticas públicas, diretrizes e criação de estratégias para obter prevenção e controle desse tipo de câncer. Dessa forma, necessidades da população podem ser identificadas e priorizadas pelo setor público. É necessário encorajar e disseminar informações sobre mudanças de hábitos de vida, como alimentação equilibrada, controle do peso corporal e prática de exercícios físicos regulares a fim de atuar mais enfaticamente na prevenção primária do câncer de mama.
Embora seja raro em homens, o câncer de mama nessa parcela da população possui alta letalidade e é detectado tardiamente (e, portanto, em estágios mais avançados) devido à demora na procura por atendimento médico. Há necessidade, portanto, de aumentar a conscientização acerca dos sinais de alerta para câncer de mama também para a o público masculino. Além disso, nota-se a necessidade de mais estudos sobre o câncer de mama em homens para que possam ser tomadas medidas mais específicas de enfrentamento à doença para esse público.
No Brasil, tanto a incidência quanto a mortalidade por câncer de mama apresentaram tendência ascendente entre os anos de 2008 a 2017. A redução da mortalidade por câncer de mama no Brasil é questão complexa e envolve, além de acesso a exames de rastreamento, redução de fatores de risco evitáveis e melhora do acesso aos métodos diagnósticos e tratamento, o que demanda uma linha de cuidado adequada e um sistema de saúde coeso.
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NORMAS ADOTADAS
Este trabalho foi realizado seguindo a normatização para trabalhos de conclusão do Curso de Graduação em Medicina, aprovada em reunião do Colegiado do Curso de Graduação em Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina, em 16 de junho de 2011.