• Nenhum resultado encontrado

Download/Open

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Download/Open"

Copied!
60
0
0

Texto

(1)JÉSSICA RAPOSO EMERY. PARÂMETROS OFTÁLMICOS DE CÃES ADULTOS DA RAÇA BULDOGUE FRANCÊS. RECIFE 2018.

(2) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA. JÉSSICA RAPOSO EMERY. PARÂMETROS OFTÁLMICOS DE CÃES ADULTOS DA RAÇA BULDOGUE FRANCÊS. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Medicina Veterinária. Orientação: Prof. Dr. Fabrício Bezerra de Sá Co-orientadora: Profª. Drª. Mª Cristina de Oliveira Cardoso Coelho. RECIFE 2018.

(3) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA VETERINÁRIA. PARÂMETROS OFTÁLMICOS DE CÃES ADULTOS DA RAÇA BULDOGUE FRANCÊS. Dissertação de Mestrado elaborada por: JÉSSICA RAPOSO EMERY. Aprovada em ______ / ______ / ______. BANCA EXAMINADORA:. _________________________________________________ Prof. Dr. Fabrício Bezerra de Sá - Orientador Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal (DMFA) – UFRPE. _________________________________________________ Profa. Dra. Maria Cristina de Oliveira Cardoso Coelho Departamento de Medicina Veterinária – UFRPE. ______________________________________________________ Prof. Dr. Joaquim Evêncio Neto Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal (DMFA) – UFRPE.

(4) AGRADECIMENTOS. Primeiramente agradeço a Deus, Allah, Budha e tantos outros nomes que existem para a energia sagrada que habita em cada ser vivo da terra. Agradeço pela vida, pela família maravilhosa que tenho, pelos amigos humanos e de quatro patas e pela força para enfrentar os desafios da caminhada. Agradeço aos meus pais, Tarcísio e Vanessa por todo apoio, amor e compreensão nessa fase da minha vida. Serei eternamente grata por tudo que vocês fizeram e ainda fazem por mim. Um obrigado especial para minha mãe, que além de todo apoio e amizade, também teve que me aguentar nos momentos de crise. Obrigada por tudo! Agradeço às minhas irmãs queridas Stefanie e Tarsila por todo apoio e carinho. Obrigada especial à Stefanie pela paciência e companheirismo. Agradeço também aos meus familiares, tios (as), primos (as), avôs (vós) e amigos (as) por fazerem parte da minha vida. Um agradecimento especial para minha avó Denilde (Bororó) por todas as suas orações e amor. Um agradecimento mais do que especial para meu noivo Adriano Machado, por toda paciência, amizade, companheirismo e amor. Por ter me ajudado com execução deste projeto e por ter ficado ao meu lado nos dias mais difíceis. Grande parte dessa conquista eu devo a você. Muito obrigada! Obrigada aos membros do LOE: Prof. Fabrício, Taciana, Elton, Karine, Ana, Stephanie, Bruno, Mary, Cristiane, Robério e Francielly pelos ensinamentos e experiências vividas durante esses dois anos de convivência. Agradeço ao Professor Fabrício de Sá pela amizade, incentivo, paciência e por todos os ensinamentos nesse período em que fui sua orientada, muito obrigada por tudo. Obrigada também a Karine que me ajudou bastante na execução deste projeto e na rotina de cirurgia e atendimentos, muito obrigada pela amizade, pelo conhecimento e pelas brincadeiras Agradeço também aos Alfas: Adriano, Robério, Thábata, Sabrina, Fábio, João, Stanley, Letícia, Luan, Vanessa, Vanessinha, Rafael, Manuela, Matheus e Mauro pela amizade, troca.

(5) de experiências profissionais e pelos momentos de descontração. Espero que possamos continuar compartilhando esses momentos. Agradeço também a Professora Cristina por todos os ensinamentos, apoio e amizade nos anos em que fui sua orientada até os dias de hoje. Agradeço aos funcionários do Hospital Veterinário da UFRPE: Acácio, Vera, Ilma, Jôsi, Leo, Severino, Keyla, entre outros que ajudam no funcionamento do hospital. Obrigada a Dra. Elayne Cristine pela paciência e por toda ajuda na execução deste projeto. Agradeço ao Dr. Edbhergue Costa pela grande contribuição estatística para realização deste projeto. Agradeço aos Tutores e aos Buldogues que participaram deste projeto e mesmo àqueles que se disponibilizaram, porém não conseguiram participar. Muito obrigada. Obrigada a Dra. Maria e Dra. Paola do Laborvet pela parceria que possibilitou a execução deste projeto. Obrigada aos professores que ministraram as disciplinas do programa de pós-graduação em medicina veterinária. Agradeço também à minha gatinha Amora e à Negura, meus amores..

(6) RESUMO. Os cães de raças braquiocefálicas comumente apresentam alterações oculares que fazem parte da Síndrome Ocular do Braquiocefálico, na qual se observam órbitas rasas, triquíase de carúncula, exoftalmia, euribléfaro, entre outras. Dentre as raças acometidas encontram-se os Buldogues Francês, cujos parâmetros oftálmicos não foram descritos até o momento. Objetivou-se com este estudo determinar os parâmetros de diagnóstico oftálmico para cães da raça Buldogue Francês bem como correlacionar a pressão intraocular com a pressão arterial sistêmica. Foram avaliados 11 animais, entre machos e fêmeas, oriundos de criadores não comerciais da cidade do Recife – Pernambuco. O exame teve início através da biomicroscopia com lâmpada de fenda, em seguida realizaram-se os testes de Schirmer I, a tonometria, a estesiometria, tempo de ruptura do filme lacrimal, a ultrassonografia ocular em modo B e, por fim, a aferição da pressão arterial sistêmica. À biomicroscopia foram observadas alterações em 90,9% dos animais, sendo a mais comum a triquíase de carúncula (36,3%). Não houve diferença significativa entre os olhos direito e esquerdo nos exames realizados. A média do teste de Schirmer I foi 23,27 ± 3,4mm/min; a pressão intraocular média foi 20,09 ± 3,75mmHg. A estesiometria em centímetros foi 2,09 ± 0,49 cm. O tempo de ruptura do filme lacrimal foi de 13,23 ± 1,76 s. Quanto à ecobiometria, foi obtida a média de 20,74 ± 0,05 mm para o comprimento axial do globo ocular. A pressão arterial média foi de 114,36 ± 13,13mmHg e observou-se que houve uma baixa correlação entre a pressão intraocular e a pressão arterial média. Pode-se concluir que os cães da raça Buldogue Francês apresentam alterações oculares compatíveis com a Síndrome Ocular do Braquiocefálico, sendo os valores dos parâmetros oftálmicos avaliados semelhantes aos valores relatados por outros autores em estudos com cães braquiocefálicos e que não há correlação entre a pressão intraocular e a pressão arterial sistêmica.. Palavras-chave: braquiocefálicos, exames oftálmicos, oftalmologia veterinária, síndrome ocular..

(7) ABSTRACT. Brachiocephalic dogs commonly present with ocular changes that are part of the Brachiocephalic Ocular Syndrome, in which shallow orbits, trichinosis of caruncle, exophthalmos, euriblepharon, among others are observed. Among the affected races are the French Bulldogs, whose ophthalmic parameters have not been described so far. The objective of this study was to determine the parameters of ophthalmic diagnosis for dogs of the French Bulldog breed as well as correlate intraocular pressure with systemic arterial pressure. Eleven animals, male and female, from non - commercial breeders from the city of Recife Pernambuco were evaluated. The examination was started by means of the slit-lamp biomicroscopy, then the Schirmer I tests, the tonometry, the esthesiometry, tear film breakup time, the B-mode ocular ultrasonography, and finally the systemic blood pressure. Biomicroscopy showed changes in 90.9% of the animals, the most common being trichinosis of caruncle (36.3%). There was no significant difference between the right and left eyes in the examinations performed. The mean of the Schirmer I test was 23.27 ± 3.4 mm / min; the mean intraocular pressure was 20.09 ± 3.75 mmHg. The stoichiometry in centimeters was 2.09 ± 0.49 cm. The rupture time of the tear film was 13.23 ± 1.76 s. As to the ecobiometry, the mean of 20.74 ± 0.05 mm for the axial length of the eyeball was obtained. The mean arterial pressure was 114,36 ± 13,13mmHg and it was observed that there was a low correlation between intraocular pressure and mean arterial pressure. It can be concluded that French Bulldog dogs present eye changes compatible with Brachiocephalic Ocular Syndrome and values of ophthalmic parameters are similar to those reported by other authors in studies with brachiocephalic dogs and that there is no correlation between intraocular pressure and systemic arterial pressure.. Keywords: brachiocephalic, ophthalmic exams, veterinary ophthalmology, ocular syndrome..

(8) LISTA DE FIGURAS. Figura 1: Imagens fotográficas demonstrando algumas das alterações observadas à biomicroscopia dos olhos de cães da raça Buldogue Francês adultos. A – presença de distiquíase em terço nasal de pálpebra superior (seta). B – presença de triquíase de carúncula (seta).. Figura 2: Médias e desvios padrão do TLS I nos ODs e OEs de acordo com o sexo.. Figura 3: Representação das médias e desvios padrão da PIO nos ODs e OEs dos machos e fêmeas.. Figura 4: Representação das médias e desvios padrão do CTT nos ODs e OEs entre machos e fêmeas.. Figura 5: Representação das médias e desvios padrão do TRFL nos ODs e OEs dos machos e fêmeas.. Figura 6: Ultrassonografia ocular em modo B de alta resolução demonstrando os pontos para as medidas das estruturas intraoculares: B – comprimento câmara anterior; C – espessura da lente; D – comprimento da câmara vítrea; E – diâmetro da lente e F – comprimento do globo..

(9) LISTA DE TABELAS. Tabela 1: Representação das alterações morfológicas observadas em cada animal à biomicroscopia.. Tabela 2: Representação da média e desvio padrão do teste lacrimal de Schirmer (TLS I), pressão intraocular (PIO), Limite de toque corneano (CTT) e o tempo de ruptura do filme lacrimal (TRFL) dos olhos direito (OD) e esquerdo (OE) em Buldogues Francês. Teste T de Student realizado para comparar os valores entre OD e OE.. Tabela 3: Média das medidas ecobiométricas da câmara anterior (CA), da espessura da lente (EL), comprimento da lente (CL), comprimento câmara vítrea (CV) e comprimento do globo (CG) de cães da raça Buldogue Francês. O Teste T de Student foi utilizado para comparar as medidas entre o OD e o OE..

(10) SUMÁRIO 1.. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS................................................................. 11. 2.. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................... 13. 2.1. Anatomia do Olho ......................................................................................... 13. 2.1.1. Globo ocular ................................................................................................... 13. 2.1.1.1 Córnea e Esclera ............................................................................................ 13. 2.1.1.2 Úvea ............................................................................................................... 15. 2.1.1.3 Lente .............................................................................................................. 16. 2.1.1.4 Retina ............................................................................................................. 17. 2.1.2. Anexos Oculares ........................................................................................... 18. 2.1.2.1 Órbita .............................................................................................................. 18. 2.1.2.2 Pálpebras e Conjuntiva ................................................................................... 19. 2.1.2.3 Terceira pálpebra ............................................................................................ 21. 2.1.2.4 Filme Lacrimal ............................................................................................... 21. 3.. Síndrome do Braquiocefálico ...................................................................... 23. 3.1. Síndrome Ocular do Braquiocefálico ......................................................... 23. 3.1.1. Exoftalmia, Euribléfaro e Lagoftalmia .......................................................... 24. 3.1.2. Entrópio ......................................................................................................... 24. 3.1.3. Triquíase ........................................................................................................ 25. 3.1.4. Distiquíase ..................................................................................................... 26. 3.1.5. Ceratites ......................................................................................................... 27. 3.2. Exames Oftálmicos ...................................................................................... 31. 3.2.1. Teste Lacrimal de Schirmer e Tempo de Ruptura do Filme Lacrimal ......... 31. 3.2.2. Tonometria ..................................................................................................... 32. 3.2.3. Estesiometria .................................................................................................. 33. 3.2.4. Ultrassonografia ............................................................................................. 34. 4.. MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................... 34. 5.. RESULTADOS ............................................................................................. 37. 6.. DISCUSSÃO ................................................................................................. 42. 7.. CONCLUSÃO .............................................................................................. 47. 8.. REFERÊNCIAS ........................................................................................... 48.

(11) 11. 1 – INTRODUÇÃO. O olho é formado pelas túnicas fibrosa, vascular e nervosa. Sua estrutura e anatomia variam de acordo com a espécie, raça e até entre indivíduos da mesma espécie. Os cães de raças braquiocefálicas, dentre elas os Buldogues Francês, apresentam particularidades em sua conformação craniofacial que fazem com que os olhos fiquem mais expostos (exoftalmia) do que nos cães não braquiocefálicos, predispondo assim ao ressecamento e ao maior risco do desenvolvimento de úlceras (PACKER, et al., 2015). Além disso, exibem com frequência alterações oculares que caracterizam a Síndrome Ocular do Braquiocefálico (PLUMER, 2015). Os cães portadores dessa Síndrome podem apresentar alterações em pálpebras e globo como: exoftalmia, euribléfaro, entrópio, distiquíase, triquíase de carúncula, entre outras. Essas anormalidades levam a um quadro de irritação crônica da conjuntiva e córnea, que podem induzir à vascularização e pigmentação da córnea, e déficits lacrimais, resultando em perda de visão nos casos mais graves (UFAW, 2011; PLUMER, 2015). Desta maneira, faz-se necessário o diagnóstico precoce dessas alterações e a realização do tratamento adequado para prevenir o agravamento do quadro. A avaliação oftálmica envolve uma anamnese detalhada e exames oftalmológicos completos que têm início através da inspeção das estruturas oculares e perioculares, seguida por exames mais específicos como o Teste Lacrimal de Shirmer (TLS I) e tempo de ruptura do filme lacrimal (TRFL) que auxiliam na detecção de anormalidades do filme lacrimal, a tonometria que tem como função determinar o valor da pressão intraocular e a estesiometria que determina a sensibilidade corneana. Entre outros exames, a ultrassonografia também é bastante utilizada, pois além de permitir a avaliação das estruturas intraoculares nos casos de opacificação da córnea, também auxilia na escolha e definição das lentes intraoculares. O tratamento para os cães portadores da Síndrome Ocular do Braquiocefálico depende das anormalidades observadas e da evolução da doença. Normalmente o tratamento envolve a identificação e correção cirúrgica das anormalidades palpebrais, uso de colírios lubrificantes ou lacrimomiméticos nos animais que já apresentarem sinais de CCS. Nos casos crônicos onde se observa pigmentação de córnea e/ou úlceras profundas, procedimentos como a ceratectomia lamelar podem ser necessários (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013)..

(12) 12. Objetivou-se com o presente estudo determinar os parâmetros oftálmicos de cães adultos da raça Buldogue Francês, tais como o teste lacrimal de Schirmer (TLS), o tempo de ruptura do filme lacrimal (TRFL), a estesiometria (CTT), a pressão intraocular e a ecobiometria, bem como verificar a existência de uma correlação entre a pressão intraocular e a pressão arterial sistêmica..

(13) 13. 2 - REVISÃO DE LITERATURA. 2.1 Anatomia do Olho O olho é um dos órgãos sensoriais mais importantes dos vertebrados. Sua formação incorpora os mais diversos tecidos do organismo e tem um papel fundamental na percepção ambiental pelos animais. A anatomia ocular varia de acordo com a espécie e até mesmo entre indivíduos da mesma espécie (SAMUELSON, 2013).. 2.1.1 Globo ocular. O globo ocular, ou bulbo do olho, corresponde a uma esfera fechada formada pelas túnicas fibrosa, vascular e nervosa. Em seu interior, encontra-se uma lente, as câmaras anterior e posterior, que são banhadas pelo humor aquoso, íris e corpo ciliar e a câmara vítrea, preenchida pelo corpo vítreo. Existem também estruturas perioculares, referidas como anexos oculares, que conferem proteção e apoio ao globo, além de auxiliar na sua função. São estas: órbita, pálpebras e conjuntiva, terceira pálpebra e filme lacrimal précorneano (FLPC) (WILCOCK, 2005; SAMUELSON, 2013).. 2.1.1.1. Córnea e esclera. A córnea corresponde à porção anterior transparente do bulbo e a esclera é a parte posterior e opaca (branca), ambas compõem a túnica fibrosa do globo ocular. A zona de transição entre essas estruturas é denominada de limbo. Tem como principais funções dar suporte às estruturas intraoculares e atuar como meio refrativo (devido à sua curvatura e transparência). Essa transparência é mantida por uma série de mecanismos fisiológicos e por características anatômicas como ausência de vasos sanguíneos, melanina e outros pigmentos, baixa densidade celular, relativo estado de desidratação e por ser uma superfície ópticamente lisa (devido à presença do FLPC). A córnea em cães e gatos apresenta o diâmetro horizontal semelhante ao diâmetro vertical, esta é formada por quatro camadas: epitélio e membrana.

(14) 14. basal, estroma, membrana Descemet e endotélio (SLATTER e DIETRICH, 2007; MAGGS, 2008a). O epitélio corneano é do tipo pavimentoso estratificado não-queratinizado, formado por cinco a sete camadas de células. A região mais interna é composta por uma única camada de células basais ligadas à membrana basal por hemidesmossomos. A camada mais superficial é estruturada em duas a três camadas de células escamosas não queratinizadas (WILLIAM, 1991). O estroma corresponde à cerca de 90% da espessura da córnea e é composto por ceratócitos, colágeno e substância fundamental. As fibras colágenas estão dispostas de maneira paralela formando lamelas que são entremeadas por linfócitos, macrófagos e neutrófilos. A organização dessas fibras, a ausência de vasos e a relativa desidratação que tornam a córnea transparente. Essa desidratação, chamada de deturgência, ocorre porque o epitélio e o endotélio possuem bombas (Na+/K+) (ATPase) que movem a água ativamente para fora do estroma, além de atuarem como barreira física contra o afluxo do FLPC e humor aquoso para a camada estromal (SLATTER, 2005a; SAMUELSON, 2013). A membrana Descemet é uma fina e elástica membrana acelular, homogênea que tem a composição semelhante às trabéculas do ângulo iridocorneal. Ela corresponde à membrana basal do endotélio e está sempre sob tensão, portanto, quando o estroma é excessivamente destruído a membrana Descemet ressalta devido à sua elasticidade. Quando isso ocorre é chamado de Descementocele (SLATTER e DIETRICH, 2007). O endotélio é uma camada única de células hexagonais achatadas que se localizam adjacente à membrana Descemet e são banhadas pelo humor aquoso. Devido ao seu alto metabolismo, as células desta camada possuem um número expressivo de mitocôndrias e retículo endoplasmático rugoso. Apesar disso, sua capacidade regenerativa é controversa e depende da espécie e idade do animal. Em animais jovens observa-se maior poder mitótico, já com o avançar da idade o número de células endoteliais tende a diminuir, assim como seu potencial regenerativo (SLATTER, 2005a; SAMUELSON, 2013). A inervação sensorial da córnea ocorre através dos nervos ciliares longos que são derivados de um ramo oftálmico do nervo trigêmeo. Esses nervos partem da região limbal periférica da córnea, onde são mielínicos e à medida que vão em direção à porção central, eles se tornam amielínicos (GUM e MACKAY, 2013)..

(15) 15. A sensibilidade corneana varia de acordo com a espécie, com a área da córnea, e nos cães, também varia com o tipo de conformação do crânio (GUM e MACKAY, 2013). Samuelson (2013) observou que cães dolicocefálicos apresentaram maior sensibilidade corneana em relação aos braquiocefálicos utilizando para isto, o estesiômetro de CochetBonnet e avaliação histológica. De maneira geral, a camada epitélial é inervada principalmente por receptores de dor, enquanto que no estroma se observam mais receptores de pressão. Isso explica porque muitas vezes as lesões superficiais são mais dolorosas do que as lesões profundas.. 2.1.1.2 Úvea. A úvea ou trato uveal compõe a túnica vascular do olho. É formada pela íris, corpo ciliar e coroide. A íris se estende do corpo ciliar em direção ao centro do globo formando um diafragma sobre a lente, chamado de pupila. A íris controla a quantidade de luz que penetra no olho através dos músculos constritor e dilatador da pupila (SLATTER, 2005b), e ainda divide as câmaras anterior e posterior do globo ocular (WILKIE, 2007). A face anterior da íris é formada pela zona pupilar e zona ciliar, que são separadas por uma região mais espessada denominada de colarete (SLATTER, 2005b). Sua face anterior é composta por estroma, que corresponde a maior parte da íris, enquanto que a face posterior possui os músculos esfíncter e camadas de tecido epitelial (SAMUELSON, 2013). As variações na tonalidade da íris estão associadas à pigmentação estromal e ao arranjo da camada anterior (SLATTER, 2005b). O corpo ciliar é a continuação anterior da coroide e se une posteriormente à íris. A íris juntamente com o corpo ciliar recebe a denominação de úvea anterior. É formada por uma parte anterior pregueada denominada de coroa ciliar (pars plicata), a qual é responsável pela produção do humor aquoso e uma parte posterior plana (pars plana) de onde partem as fibras zonulares que são responsáveis pela sustentação da lente (MILLER, 2008a). O humor aquoso é um fluido livre de células e proteínas produzido por secreção ativa e ultrafiltração do epitélio que recobre o corpo ciliar. Uma vez produzido, o aquoso flui da câmara posterior para a câmara anterior, onde será direcionado para ângulo iridocorneal que é.

(16) 16. responsável pela drenagem de 85 a 90% do seu volume. O restante é drenado através da rota uveoescleral (15% nos caninos) (SAMUELSON, 2013). O equilíbrio entre a produção e a drenagem do humor aquoso é que mantém a pressão intraocular (PIO) dentro da normalidade. Uma PIO normal é essencial para manter a forma do olho e a estreita adesão entre a retina e a coroide (SAMUELSON, 2013). O volume do aquoso pode ser afetado pela variação da pressão arterial sistêmica, pelo período do dia (é discretamente mais alta durante o dia), pelo uso de alguns fármacos (inibidores da anidrase carbônica podem reduzir a produção em até 50%) e pela presença de inflamações oculares (normalmente diminui a PIO) (SLATTER, 2005b). A pressão excessiva sobre as veias jugulares devido à contenção ou coleiras apertadas, bem como a manipulação lateral das pálpebras também pode elevar falsamente o valor da PIO, particularmente em cães braquiocefálicos (KLEIN et al., 2011). A coroide é um fino tecido formado principalmente por vasos e pigmentos que está localizado posteriormente entre a retina e a esclera, e anteriormente se une ao corpo ciliar. Ela fornece os nutrientes para as camadas mais externas da retina. A maioria dos animais domésticos apresenta na região dorsal da coroide um tecido refletivo chamado de tapete lúcido. O tapete amplifica e reflete a luz que passou pela retina reestimulando a camada fotorreceptora e aumentando a capacidade de visão dos animais durante a noite. A colocação desta estrutura varia de acordo com a espécie, raça, idade e coloração da pele (SLATTER, 2005b; MILLER, 2008a).. 2.1.1.3 Lente. A lente ou cristalino corresponde a uma estrutura biconvexa, formada por um epitélio anterior e um estroma constituído por fibras. Está envolvido pelas cápsulas anterior e posterior que estão ligadas às fibras zonulares que partem do corpo ciliar. Essas fibras, além de fornecer sustentação, são responsáveis por forçar o cristalino a mudar de forma durante o mecanismo de acomodação (GILGER, 2007). Este mecanismo é responsável por aumentar o.

(17) 17. poder óptico para uma melhor visão de objetos próximos, sendo um fenômeno pouco desenvolvido nos animais domésticos e bem desenvolvido em aves (SLATTER, 2005c). A transparência do cristalino é mantida por processos bioquímicos intrínsecos e pela composição do humor aquoso, que é o principal responsável pelo fornecimento de oxigênio e metabolismo da lente (SLATTER, 2005c). Qualquer opacidade da lente e/ou sua cápsula é denominado de catarata (DAVIDSON e NELMS, 2013). A catarata é a alteração intraocular mais comum em animais domésticos e a principal causa de perda da visão (DAVIDSON e NELMS, 2013). A classificação mais comumente utilizada no cão é baseada no estágio de desenvolvimento da catarata, que pode ser chamada de: insipiente, quando está no estágio inicial e compromete cerca de menos de 10 a 15% do volume da lente; imatura, corresponde a qualquer envolvimento da lente entre o estágio incipiente e a catarata matura; matura quando envolve toda a lente e impede a passagem da luz e observação do reflexo tapetal (WILLIAMS, 2004); hipermatura corresponde ao estágio onde ocorre degradação das proteínas e rupturas de fibras da lente, normalmente com irregularidade da cápsula e sinais de inflamação (OFRI, 2008a).. 2.1.1.4 Retina. A retina e o nervo óptico formam a túnica nervosa do bulbo ocular e estão conectados ao córtex visual via quiasma óptico, tratos ópticos e corpo geniculado lateral. Tradicionalmente a retina é descrita como tendo dez camadas: o epitélio pigmentar, camada de fotorreceptores, membrana limitante externa, as camadas nuclear externa, plexiforme externa, nuclear interna, plexiforme interna, ganglionar e de fibras nervosas ópticas e a membrana limitante interna (OFRI, 2008b). A função da retina é receber e transformar o estímulo luminoso através de fotorreceptores chamados de cones e bastonetes em estímulo elétrico, o qual é transmitido via impulso nervoso para o córtex visual onde a imagem é formada (OFRI, 2008b; SAMUELSON, 2013). A principal fonte de nutrição da retina é através dos capilares retinianos e da coroide, uma pequena parte vem do vítreo. Ela é um dos tecidos com a maior taxa de metabolismo do organismo devido ao seu alto consumo de oxigênio. Portanto, a.

(18) 18. maioria das espécies apresenta um duplo suprimento sanguíneo, um deles sai da coroide e supre a retina externa enquanto a retina interna e média é nutrida pelas artérias ciliares posteriores curtas que penetram na esclera em um círculo em torno do disco óptico (OFRI, 2008b). Por isso qualquer interrupção no fluxo de nutrição pode causar isquemia e perda completa de sua função. (SAMUELSON, 2013). A classificação da retina é feita pelo tipo de vascularização. Pode ser do tipo Holangiótica, na qual a maior parte da superfície interna da retina é atravessada por vasos. Este tipo está presente nos caninos, felinos, ovinos, bovinos e primatas; na Merangiótica, os vasos partem do disco lateralmente e medialmente, porém partes da retina ficam descobertas, sendo observadas em coelhos; na Paurangiótica, apenas as áreas ao redor do disco óptico são supridas por capilares retinianos curtos. Este padrão é observado no equino e porco-da-Índia. Por fim, as retinas Anagióticas são desprovidas de vasos em sua superfície interna e estão presentes no morcego, chinchila, tatu e bicho preguiça (SLATTER, 2005d).. 2.1.2 Anexos Oculares 2.1.2.1. Órbita. A órbita é a cavidade óssea que envolve o bulbo do olho e o separa da cavidade craniana, fornecendo proteção e o trajeto para vários vasos e nervos que saem através de numerosos forames para auxiliar na função do olho (SLATTER e BASHER, 2007). O tamanho, a forma e a posição da órbita estão intimamente relacionados ao tipo de atividade visual e ao comportamento de alimentação de cada espécie, influenciando também no campo de visão destes animais. Nos carnívoros domésticos, como o cão e o gato, o eixo dos olhos é rostrolateral, aproximadamente 10 a 20° da linha mediana, conferindo uma visão binocular, favorecendo a noção de profundidade e o comportamento predatório dessas espécies (SAMUELSON, 2013). A órbita dos vertebrados pode ser dividida em dois tipos: fechada, que é completamente abrangida por osso, e incompleta, na qual não é completamente envolvida por osso. No cão e no gato, que possuem a órbita incompleta, a porção dorsolateral é revestida pelo ligamento orbital, que passa do processo frontal do osso zigomático para o processo zigomático do osso frontal (SLATTER, 2005e)..

(19) 19. Os ossos que formam a órbita do cão podem ser de cinco a seis, são eles: osso frontal, o maxila, o zigomático e lacrimal. A região caudomedial é composta pelo osso palatino e préesfenóide (SLATTER e BASHER, 2007). Em cães braquiocefálicos, a órbita se apresenta rasa em relação às demais raças, característica que favorece a protrusão do globo ocular deixandoo mais exposto e predispondo à formação de úlceras (PACKER, et al., 2015). O tecido mole da órbita corresponde a uma fáscia de tecido conjuntivo fino e resistente que envolve todas as estruturas internas da órbita. Esta fáscia se divide em três partes: a periórbita, que corresponde a uma membrana fibrosa conectiva em forma de cone que é contínua com o periósteo e envolve o globo ocular com seus músculos, vasos e nervos; a cápsula de Tenon que é uma bainha de tecido conjuntivo que acompanha a esclera e conjuntiva, encerrando próximo à região do limbo e as fáscias dos músculos extra-oculares, que estão conectadas a eles e têm continuidade com a cápsula de Tenon. Entre as fáscias e os músculos extra-oculares se encontram a gordura orbital e infra-orbital, que preenchem os espaços mortos da órbita e funcionam como uma “almofada” protetora para o olho e músculos (SAMUELSON, 2013). As estruturas que se encontram dentro dos limites da cápsula de tenon, são chamadas de intraconais e incluem os músculos extra-oculares, a glândula lacrimal, nervos cranianos (II, III, IV, ramo oftálmico do V e VI), nervos autônomos, gordura, artérias, veias e músculo liso (SLATTER e BASHER, 2007). Os músculos extra-oculares são responsáveis pela movimentação e proteção do globo, são eles: reto dorsal, reto ventral, oblíquo dorsal, oblíquo ventral e o retrator do bulbo ocular (ANDRADE, 2008). A glândula lacrimal se encontra sob o ligamento orbital, na superfície dorsolateral do globo ocular, já a glândula salivar zigomática fica caudoventral ao globo ocular, ocupando grande parte do assoalho orbitário nos cães (SLATTER, 2005e).. 2.1.2.2. Pálpebras e Conjuntiva. Os animais domésticos possuem três pálpebras: a superior, a inferior e a terceira pálpebra (ANDRADE, 2008). As pálpebras superior e inferior são compostas por pele, conjuntiva palpebral, colágeno, músculos e tecido glandular. Na superfície externa da pálpebra superior estão localizados os cílios, que tem uma função sensorial e estão ausentes no gato e presentes em espécies como os cães, cavalos, bovinos, ovinos e suínos. Elas têm.

(20) 20. como principal função fornecer proteção física contra traumas e corpos estranhos e ajudar na distribuição do FLPC (SLATTER, 2005f; STADES e WOREDT, 2013). As pálpebras deslizam sobre a superfície da córnea e convergem lateralmente e medialmente para formar o canto temporal e o canto nasal, respectivamente. O espaço formado entre elas é denominado de fissura palpebral (BASHER, 2007; ANDRADE, 2008; SAMUELSON, 2013). Seu fechamento é realizado pela contração do músculo orbicular do olho (inervado pelo nervo palpebral), enquanto os músculos elevador da pálpebra superior (inervado pelo oculomotor, III) e de Müller (inervado simpaticamente) são responsáveis por mantê-la aberta. Existe uma grande variação no tamanho e abertura das pálpebras entre as raças caninas. Nos cães braquiocefálicos, observa-se com frequência animais euribléfaros, ou seja, com pálpebras grandes e fissuras amplas, que normalmente estão associadas a órbitas rasas. (SLATTER, 2005f; SLATTER e BASHER, 2007). Nas margens palpebrais se abrem glândulas sebáceas modificadas (glândulas de Moll e Zeis) e as glândulas tarsais (de Meibômio) que secretam fluido rico em fosfolipídios que vão formar a camada lipídica do FLPC e revestir a margem palpebral para prevenir o transbordamento da lágrima. Além disso, auxiliam na drenagem da lágrima através ducto nasolacrimal (MAGGS, 2008b; SAMUELSON, 2013). A camada interna das pálpebras é revestida por uma membrana mucosa conhecida por conjuntiva palpebral, que também recobre a face externa e interna da terceira pálpebra (SLATTER, 2005f). À medida que a conjuntiva vai em direção ao globo ocular continuando até a região do limbo, passa a se chamar de conjuntiva bulbar. A junção da conjuntiva palpebral com a conjuntiva bulbar forma o fórnix conjuntival (SAMUELSON, 2013). A conjuntiva é formada por epitélio cilíndrico, não queratinizado com células caliciformes e sustentado por uma substância própria composta por vasos e tecido conjuntivo fibroso (BURKITT et al., 1994). É a membrana mucosa mais exposta do corpo, sendo assim, seus mecanismos de defesa podem ser comparados aos de um gânglio linfático. Quando estimulados por antígenos, os numerosos linfócitos presentes na substância própria são ativados e formam folículos ativos, que estão presentes em maior densidade na superfície bulbar da terceira pálpebra. Além disso, apresenta duas vias de drenagem linfática, uma próxima aos vasos sanguíneo superficiais e outra na camada fibrosa profunda (MAGGS, 2008b)..

(21) 21. 2.1.2.3. Terceira pálpebra. A terceira pálpebra, também chamada de membrana nictante pode ser considerada como uma grande dobra de conjuntiva que se projeta no canto nasal rostral à superfície ocular. Sua principal função é produzir e distribuir o FLPC, produzir as imunoglobulinas do FLPC e proteger o globo. É constituída por uma cartilagem hialina em forma de “T”, glândula nictante, conjuntiva bulbar e palpebral e folículos linfoides que recobrem a superfície da conjuntiva bulbar. A porção “horizontal” da cartilagem encontra-se paralela à margem livre da terceira pálpebra e a parte “vertical” desce perpendicular em direção à base desta. Ela é responsável por promover rigidez e sustentação à glândula (MAGGS, 2008c). A glândula nictante produz uma secreção seromucóide sendo responsável pela produção de 50% do FLPC. No cão, ela recebe inervação adrenérgica e colinérgica, sendo esta última observada em maior densidade. A posição da terceira pálpebra é parcialmente determinada pelo tônus simpático nos músculos lisos da órbita. A interrupção desse tônus, como ocorre na síndrome de Horner, resulta em enoftalmia e proeminência da terceira pálpebra (MAGGS, 2008c; SAMUELSON, 2013). Na maioria das espécies domésticas a musculatura que controla a terceira pálpebra é vestigial. Sua movimentação ocorre de maneira passiva quando o olho é retraído pelo músculo retrator do globo inervado pelo nervo abducente. Já nos gatos, ela apresenta uma movimentação mais ativa, podendo ser projetada sobre a superfície da córnea em momentos de excitação. Isso ocorre porque nesta espécie a membrana nictante possui um número considerável de fibras musculares inervadas por fibras simpáticas adrenérgicas pósganglionares (GUM e MACKAY, 2013).. 2.1.3 Filme lacrimal. O FLCP consiste em um fluido que está presente sobre a superfície da córnea e conjuntiva. É constituído por três camadas: a camada lipídica externa, a camada aquosa média e uma camada mais profunda de mucina. A camada lipídica, formada por fosfolipídios, é.

(22) 22. produzida pelas glândulas de Zeis e pelas glândulas Meibômianas localizadas ao longo da margem palpebral. Esta camada tem como função reduzir a evaporação da porção aquosa da lágrima e formar uma barreira na margem palpebral para prevenir seu extravasamento sobre a face (GIONFRIDDO, 2007; MILLER, 2008b; GUM e MACKAY, 2013). A camada média aquosa, que é a mais espessa, é composta por 98% de água e 2% de sólidos, sendo eles em sua maioria proteínas e ácidos graxos, incluindo também sais inorgânicos, glicose, uréia, glicoproteínas, mucinas solúveis, imunoglobulinas, lactoferrinas e lisozima. É produzida pelas glândulas lacrimal localizada sobre a parte súpero-temporal do globo ocular, lacrimais acessórias localizadas na conjuntiva e pela glândula da membrana nictante. Apresenta diversas funções, entre elas: remover material estranho e bactérias do saco conjuntival, lubrificar a superfície da terceira pálpebra e córnea, atuar no metabolismo da córnea através do fornecimento de oxigênio, células inflamatórias e anticorpos e remover os metabólitos desta e atua com substâncias antibacterianas (MILLER, 2008b; GUM e MACKAY, 2013). A camada de mucina mais externa é produzida pelas células caliciformes, que são células secretoras apócrinas e são abundantes principalmente na região do saco conjuntival. Esta camada também possui glicocálice que se adere e preenche as irregularidades da córnea, criando uma superfície hidrofílica na qual a camada aquosa se espalha uniformemente, tornando-a opticamente lisa. Além disso, capta bactérias e corpos estranhos, contribui na lubrificação da córnea e conjuntiva (GIONFRIDDO, 2007; GUM e MACKAY, 2013). A drenagem do FLPC ocorre principalmente pelo sistema nasolacrimal, que possui um canalículo superior e um inferior. Estes canalículos estão localizados na conjuntiva palpebral, imediatamente na junção mucocutânea. O ducto inferior tem início no saco lacrimal, atravessa o osso lacrimal e passa pelo canal interósseo da maxila para se abrir na cavidade nasal. Cerca de 25% do FLPC é perdido na evaporação e o remanescente é “bombeado” pelas pálpebras através dos canalículos de drenagem (GIONFRIDDO, 2007; MILLER, 2008b). A produção lacrimal pode sofrer interferência de vários fatores como idade, sexo e raça, condições fisiológicas e de anormalidade, variando de acordo com a espécie animal, o ritmo circadiano, a idade, fármacos, estações do ano, ambiente e doenças oculares (MARGADANT et al., 2003). A deficiência qualitativa ou quantitativa de componentes lacrimais pode gerar uma ceratoconjuntivite seca (CCS), que leva a alterações na.

(23) 23. transparência, consequentes à vascularização, ao edema e à melanose, podendo causar déficits visuais em casos mais graves (HERRERA, 2008).. 3. Síndrome do Braquiocefálico. A Síndrome do Braquiocefálico corresponde a uma série de anormalidades hereditárias observadas em cães de raças selecionadas artificialmente para apresentarem uma cabeça curta, resultando em uma discrepância entre o neurocrânio e o esplancnocrânio (ROEDLER et al., 2013). Os cães braquiocefálicos apresentam alterações morfológicas que podem levar a condições médicas graves, que incluem: obstrução das vias aéreas (síndrome respiratória do braquiocefálico), (HAIMEL e DUPRÉ, 2015; UFAW 2016), distorcias (desproporção entre canal pélvico e tamanho fetal) e doenças oftálmicas com maior frequência devido à alterações anatômicas e funcionais do sistema visual dessas raças, sendo esse conjunto de manifestações chamadas de síndrome ocular do braquiocefálico (PACKER et al., 2015).. 3.1. Síndrome Ocular do Braquiocefálico. As doenças oculares dos braquiocefálicos correspondem a uma síndrome observada em animais com este tipo de conformação que consiste em uma combinação de alterações em pálpebras, conjuntiva e córnea podendo incluir vários outros fatores (UFAW, 2011; PLUMER, 2015). Os cães portadores dessa síndrome apresentam graus variados de anormalidades como: exoftalmia, fenda palpebral aumentada (euribléfaro), lagoftalmia, entrópio nasal, triquíase de carúncula, distiquíase, ceratite pigmentar (melanose), ceratite por exposição, baixa produção lacrimal e obstrução de ducto nasolacrimal (UFAW, 2011). Segundo Packer et al.(2015) os cães com este tipo de conformação craniofacial têm 20 vezes mais chances de desenvolverem úlceras de córnea do que cães não braquiocefálicos. Os sinais clínicos vão variar de acordo com tipo e severidade das alterações presentes. Inicialmente os cães podem apresentar produção lacrimal excessiva (epífora) associada à blefarospasmo evoluindo posteriormente para sinais de doença crônica como fotofobia,.

(24) 24. secreção ocular, hiperemia conjuntival (conjuntivite), opacidade e/ou pigmentação da córnea, CCS e cegueira parcial ou total, em casos mais graves. Geralmente o cão tende a esfregar o rosto e os olhos devido ao desconforto ou dor (UFAW, 2011).. 3.1.1 Exoftalmia, Euribléfaro e Lagoftalmia. A exoftalmia corresponde a uma protrusão anormal do globo ocular, tornando visível a conjuntiva bulbar e esclera braquiocefálico (PACKER et al, 2015). Essa exposição excessiva está relacionada a uma órbita rasa e pálpebras grandes (euribléfaro), fazendo com que os cães tenham como característica olhos grandes, redondos e proeminentes. Essas alterações são consideradas “normais” em cães braquiocefálicos (UFAW, 2011). A exoftalmia pode levar a uma incapacidade física de fechamento completo das pálpebras (lagoftalmia) levando a um aumento na evaporação do FLP e predispondo à ceratite crônica com pigmentação, vascularização e/ou ulceração da córnea (MAGGS, 2008b; PACKER et al., 2015). O diagnóstico é realizado através da biomicroscopia com lâmpada de fenda ou oftalmoscopia direta. O tratamento depende do grau das alterações, podendo ser medicamentoso através do uso de lubrificantes ou através da redução cirúrgica do comprimento palpebral por meio da cantoplastia medial ou lateral. Esta técnica também é utilizada para correção da triquíase de carúncula, outra alteração comumente observada nessas raças (SLATTER, BASHER, 2007).. 3.1.2 Entrópio O entrópio é uma inversão de parte ou de toda a margem palpebral, fazendo com que os pelos das pálpebras fiquem constantemente em contato com a conjuntiva e/ou córnea, podendo levar a pigmentação (ceratite pigmentar) e/ou ulceração (UFAW, 2011; STADES e WOERDT, 2013). Vários fatores podem predispor ao entrópio, incluindo o tamanho do globo, seu posicionamento na órbita, o comprimento da fissura palpebral e o tônus do músculo orbicular (BASHER, 2007). O entrópio pode ser temporal, nasal ou angular e pode afetar a pálpebra.

(25) 25. superior, inferior, ou ambas, sendo o canto temporal da pálpebra inferior o mais acometido. Entretanto, em raças braquiocefálicas e em gatos Persa é comum se observar o entrópio no canto nasal inferior (SAMUELSON, 2013). O entrópio pode ser classificado como congênito, espástico ou adquirido. O congênito normalmente é observado antes do sexto mês de vida e geralmente é bilateral. É comum em raças como Chow Chow, Buldogues, Setter Irlandês, Labrador, Golden Retriever, São Bernando e Shar Pei. O espástico está associado à blefarospasmo devido a dor. Já o entrópio adquirido ocorre como consequência de processos cicatriciais em conjuntiva e/ou pálpebra. Os cães apresentam irritação conjuntival, lacrimejamento excessivo (epífora), secreção mucopurulenta e blefarospasmo (MAGGS, 2008b; STADES e WOERDT, 2013). O diagnóstico do entrópio em cães não é difícil, visto que a inversão da pálpebra normalmente é evidente, porém devem-se levar em consideração os sinais clínicos, o histórico e a raça do animal.. A aplicação tópica de colírio anestésico pode ser necessária para. diferenciar espasmos devido à dor de um possível entrópio. Como diagnóstico diferencial pode-se ter a triquíase, distiquíase, úlcera de córnea e uveíte grave. O tratamento do entrópio geralmente é cirúrgico, porém a técnica empregada depende da idade do paciente e do grau de envolvimento palpebral (SLATTER, 2005f; STADES e WOERDT, 2013).. 3.1.3 Triquíase. A triquíase corresponde a pelos que se direcionam erroneamente para dentro do olho e irritando a córnea e/ou a conjuntiva resultando em lacrimejamento, blefarospasmo, secreção mucopurulenta e comumente se observa a presença de ulceração. Ela ocorre com frequência na pálpebra superior e em combinação com entrópio. Mesmo quando os animais não demonstram sinais de desconforto, pode se observar sinais de ceratite crônica com presença de pigmentos. Os cães braquiocefálicos também podem apresentar triquíase de dobras nasais (PLUMER, 2015). Em casos de doença corneana leve, a terapia pode ser iniciada com pomadas antibióticas e lubrificantes a cada seis horas, porém, isso normalmente não é suficiente para.

(26) 26. resolver o problema. O tratamento cirúrgico normalmente se dá através da cantoplastia medial e por vezes, remoção parcial ou total das dobras nasais (PLUMER, 2015).. 3.1.4 Distiquíase. A distiquíase corresponde a cílios que emergem de forma isolada ou múltipla a partir das glândulas de Meibômio. Os folículos destes cílios se localizam de quatro a seis milímetros atrás da placa tarsal e pode ocorrer tanto na pálpebra superior quanto na inferior, geralmente a condição é bilateral. Assim como outras desordens ciliares, os animais com distiquíase irão apresentar inicialmente epífora, blefarospasmo, umidade na pálpebra inferior e hiperemia conjuntival podendo evoluir para ulceração da córnea. Ocasionalmente o próprio cílio pode ser o responsável direto pela perda do epitélio corneano, embora o auto traumatismo também possa estar envolvido. O entrópio secundário ao blefarospasmo ou primário também pode estar presente, agravando a irritação e resultando em lesões corneanas com edema, vascularização e pigmentação (STADES e WOERDT, 2013). O diagnóstico da distiquíase pode ser difícil sem o uso de lupas e iluminação focal. É comum se observar a presença de mucina aderida aos cílios revelando assim sua presença. As triquíases e entrópio devem ser considerados como diagnóstico diferencial (STADES e WOERDT, 2013). O tratamento temporário envolve a depilação manual com uma pinça em intervalos regulares de quatro a seis semanas. As vantagens deste procedimento é que não necessita de anestesia, pode ser realizado por tutores mais habilidosos e permite avaliar se a irritação presente é devido à distiquíase. Como tratamento definitivo, o folículo deve ser destruído, removido ou redirecionado (MAGGS, 2008b). Existem vários métodos para correção da distiquíase, inicialmente era realizada a técnica de separação palpebral que consistia em remover parte do tarso, no entanto, devido ao entrópio cicatricial, fibrose da margem palpebral e destruição das glândulas de Meibômio esta técnica caiu em desuso. Atualmente as técnicas mais utilizadas são a microcrioepilação e a eletroepilação (MAGGS, 2008b)..

(27) 27. 3.1.5 – Ceratites. A Ceratite corresponde a uma inflamação de todas as camadas da córnea ou de uma camada específica, normalmente nomeada por um termo adicional. Sua classificação pode ser baseada na etiologia, topografia ou profundidade (SLATTER, 2005a). Podem ainda ser classificadas como não inflamatórias e inflamatórias, sendo esta última dividida ainda entre não ulcerativas e ulcerativas (LEDBETTER e GILGER, 2013). Existem vários tipos de ceratite, neste tópico serão abordadas as que acometem mais comumente as raças braquiocefálicas que são a ceratite pigmentar, CCS e as ceratites ulcerativas.. 3.1.5.1. Ceratite Pigmentar. A ceratite pigmentar, também conhecida como melanose, é uma resposta não específica à irritação crônica da córnea como observado nos casos de exposição crônica do globo (animais com euribléfaro e exoftalmia, disfunção do nervo facial), irritação por fricção (presença de distiquíase, triquíase de carúncula e/ou de dobras nasais, entrópio), anormalidades do filme lacrimal (CCS) e em estímulos imunológicos crônicos (Pannus) (LABELLE et al., 2013; MAGGS, 2008a). O pigmento se deposita sobre o epitélio corneano e eventualmente estroma anterior através da migração de melanócitos da conjuntiva limbal via neovascularização ou através de macrófagos e fibroblastos. Normalmente o pigmento do epitélio corneal surge da camada basal, que é da mesma origem embriológica que a camada contendo pigmento na conjuntiva. Essa condição é observada com frequência em cães braquiocefálicos (LEDBETTER e GILGER, 2013; MAGGS, 2008a). A pigmentação geralmente inicia de forma focal no canto nasal da córnea, progredindo a uma área variável na superfície ocular, podendo ocluir toda a região central da córnea e interferir na visão (SLATTER, 2005a). A melanose não é diagnóstico e sim uma resposta à inflamação crônica da córnea, sendo assim, é necessário investigar a causa base para delinear o tratamento mais adequado para cada animal. O tratamento é direcionado para a interrupção da progressão da pigmentação e correção da causa primária. Em cães braquiocefálicos pode ser necessária uma combinação de procedimentos cirúrgicos para correção das anormalidades palpebrais. A produção lacrimal.

(28) 28. também deve ser investigada, visto que a CCS é uma causa comum para o desenvolvimento da ceratite pigmentar (LEDBETTER e GILGER, 2013; MAGGS, 2008a).. A. remoção. parcial dos pigmentos pode ser indicada nos casos de déficit visual e após a causa primária ter sido resolvida.. A terapia cirúrgica envolve uma ceratectomia superficial, aplicação de. radiação beta com estrôncio 90 ou crioterapia. Em casos de menor gravidade, pode-se fazer aplicação tópica de ciclosporina, corticoides ou tacrolimus. No entanto pode haver recorrência do pigmento mesmo com a terapia adequada, limitando o sucesso do tratamento (SLATTER, 2005a; AZOULAY, 2013; LEDBETTER e GILGER, 2013).. 3.1.5.2. Ceratoconjuntivite Seca (CCS). A CCS ou “olho seco” é uma doença ocular comum em cães caracterizada pela deficiência da porção aquosa do FLPC resultando em dessecação, irritação da conjuntiva e córnea, dor ocular, doença corneana progressiva e perda da visão (ANGÉLICO et al., 2011; GIULIANO, 2013). Anormalidades quantitativas e/ou qualitativas de qualquer componente lacrimal (lipídio, aquoso ou muco) podem alterar a dinâmica e a função do FLPC. A ausência ou diminuição da secreção do FLPC pode resultar de uma doença isolada ou de uma combinação de condições que afetam as glândulas orbitais e terceira pálpebra (GIULIANO, 2013). Existem várias causas para a CCS, no entanto, acredita-se que a mais comum seja por doença auto-imune que pode corresponder até 30% dos casos considerados idiopáticos. Neste caso, ocorre uma destruição auto-imune das glândulas lacrimais e da terceira pálpebra, que demonstram infiltrados linfocitários. As outras etiologias incluem o viral (herpes vírus felino, cinomose canina), causas iatrogênicas (remoção cirúrgica da glândula da terceira pálpebra), induzida por fármaco (etodolac, fenazopiridina, sulfadiazina, sulfasalazina, sulfametoxazol, atropina), radioterapia, trauma orbital e supra-orbital, neoplasias, blefaroconjuntivite crônica, alterações neurológicas, doenças metabólicas sistêmicas, hipoplasia congênita dos ácinos lacrimais (MILLER, 2008b; GIULIANO, 2013). Os sinais clínicos vão depender se a condição é bilateral ou unilateral, aguda ou crônica, temporária ou permanente e da extensão da córnea afetada. No estágio inicial o animal apresenta blefarospasmo acompanhado por enoftalmia, hiperemia e secreção mucoide.

(29) 29. ou mucopurulenta aderida à superfície da córnea (COLITZ, 2008; MILLER, 2008b; GIULIANO, 2013). Essa secreção pode ser devido à produção excessiva de mucina pelas células caliciformes ou disfunção do FLPC (MILLER, 2008b). Com a evolução da doença, a córnea torna-se opaca e dessecada, a conjuntiva se apresenta hiperêmica e quemótica e a secreção mucopurulenta encontra-se intermitente, principalmente nas margens palpebrais. Ocorrem vascularização e pigmentação da córnea com ou sem ulceração, que pode progredir para uma perfuração e enoftalmia se não tratada adequadamente (COLITZ, 2008; MILLER, 2008b; GIULIANO, 2013). Blefarite e dermatite periocular podem se apresentar simultaneamente devido ao acúmulo de secreção na margem palpebral e região peri ocular (GIULIANO, 2013). O diagnóstico da CCS é baseado nos sinais clínicos, no teste lacrimal de Schirmer (TLS), no tempo de ruptura do filme lacrimal (TRFL) e na coloração rosa bengala ou verde lissamine, se necessário (ANGÉLICO et al., 2011; FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). O tratamento normalmente é medicamentoso e inclui a aplicação de colírios lacrimoestimulantes (ciclosporina e tacrolimus), lágrimas sintéticas, agentes mucolíticos, antibióticos e agentes imunomoduladores (tacrolimus) (MILLER, 2008b; GIULIANO, 2013). No entanto, a falha terapêutica é frequente devido à falta de disponibilidade dos tutores em tratar adequadamente os animais (SLATTER, 2005f). A cirurgia pode ser realizada em paralelo com o tratamento medicamentoso ou nos casos não responsivos a este. As técnicas cirúrgicas mais comuns são transposição do ducto parotídeo (GIULIANO, 2013) ou transplante das glândulas salivares (ANGÉLICO, et al. 2011), esses procedimentos tem como objetivo fazer da saliva um substituto lacrimal, a tarsorrafia parcial permanente que diminui a exposição do globo e melhora o ato de piscar e, por fim, a oclusão dos canalículos de drenagem da lágrima que faz com que esta permaneça na superfície ocular por mais tempo (SLATTER, 2005f; COLITZ, 2008, GIULIANO, 2013).. 3.1.5.3. Ceratite Ulcerativa. As úlceras de córnea ou ceratites ulcerativas correspondem à doença ocular mais comum nos cães e estão presentes quando ocorre uma ruptura do epitélio e exposição de parte.

(30) 30. do estroma corneano. São classificadas de acordo com a profundidade da lesão em úlceras superficiais, estromais, descementoceles e perfurações, e ainda, são classificadas de acordo com a causa subjacente (LEDBETTER e GILGER, 2013; SLATTER, 2005a). As úlceras superficiais são caracterizadas por descamação do epitélio e membrana basal. As erosões superficiais adquiridas, normalmente decorrentes de traumas menores, fatores ambientais, CCS e anormalidades palpebrais como distiquíase e cílio ectópico, tendem a curar rapidamente e sem formação de cicatriz exuberante ou leucoma. Já as úlceras superficiais recorrentes, também conhecidas como “úlcera do Bóxer” ou úlcera indolente normalmente são crônicas e ocorrem devido à hemidesmossomos defeituosos que causam o desprendimento do epitélio da camada basal ou à anormalidades nas células epiteliais basais e no estroma anterior, levando à formação de edema intra e intercelular (SLATTER, DIETRICH, 2007; LEDBETTER e GILGER, 2013). As lesões normalmente são de três a quatro milímetros, apresentam contornos irregulares, dor intensa e pode-se observar o epitélio “enrolado” e facilmente removível (BENTLEY, 2005). As úlceras estromais são mais comumente decorrentes de traumas e normalmente estão associadas a infecções bacterianas secundárias, podendo evoluir rapidamente para uma descementocele ou perfuração. Clinicamente se manifestam através de lacrimejamento, blefarospasmo, fotofobia, edema, hiperemia conjuntival e possível miose. O diagnóstico se dá através dos sinais clínicos e na retenção da coloração de fluoresceína que se adere à camada estromal (SLATTER, 2005a; LEDBETTER e GILGER, 2013). Independente da causa, todas as úlceras podem evoluir e envolver camadas mais profundas. O sucesso do tratamento depende da identificação e remoção das causas primárias, evitar a progressão da lesão e criar um ambiente ideal para cicatrização (SLATTER e DIETRICH, 2007). Segundo um estudo realizado por Packer et al. (2015), os cães braquiocefálicos têm 20 vezes mais chances de desenvolver úlceras de córnea em relação aos cães não-braquiocefálicos. O tratamento depende da causa e do tipo de úlcera. Nas úlceras superficiais e estromais simples o tratamento medicamentoso com colírios antibióticos, midriáticos e lubrificantes, juntamente com eliminação da causa primária, são suficientes para obter a cicatrização. Nas úlceras indolentes, além dos colírios acima citados, faz-se necessário o desbridamento corneal. para estimular a epitelização. Já em úlceras profundas,. descementoceles e perfurações a terapia cirúrgica com o uso de retalhos e enxertos é.

(31) 31. recomendada, assim como o uso de antibióticos subconjuntivais e/ou (SLATTER e DIETRICH, 2007; LEDBETTER e GILGER, 2013).. 3.2 Exames oftálmicos. Um bom exame oftálmico requer uma organização lógica, sistemática com uso de instrumentos básicos que possibilitem chegar a um diagnóstico precoce e correto dos distúrbios oculares sendo essencial para resultado clínico eficiente. Assim como os demais sistemas do organismo a avaliação do paciente com doença ocular envolve uma anamnese refinada e dirigida além do exame completo de estruturas oculares e perioculares. Em alguns casos, faz-se necessário a realização de exames diagnósticos mais especializados como o TLS, TRFL, Tonometria, Estesiometria e Ultrassonografia (MAGGS, 2008d).. 3.2.1 Teste de Schirmer (TLS) e Tempo de ruptura do filme lacrimal (TRFL). O TLS é o teste padrão para se quantificar a porção aquosa da lágrima, sendo realizado através do posicionamento de uma tira graduada estéril no interior do saco conjuntival inferior pelo período de um minuto. Imediatamente após a remoção da fita é procedida a leitura da extremidade umedecida do papel (MAGGS, 2008d). Consideram-se dois tipos de TLS: Schirmer I (TLS I), que é realizado sem anestesia tópica, avalia a produção lacrimal basal e a reflexa, e o Schirmer II (TLS II), é realizado após a desensibilização da superfície ocular através de colírios anestésicos, avaliando apenas a produção lacrimal basal (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013; MAGGS, 2008d; ANDRADE, 2008). O valor do TLS I normal em cães adultos varia de 18.64 ± 4.47 mm/min até 23.90 ± 5.12 mm/min (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). Valores entre 10 a 15mm/min podem sugerir CCS mesmo em animais aparentemente assintomáticos (MAGGS, 2008d)..

(32) 32. A avaliação qualitativa da lágrima é realizada através do TRLF, que permite observar em quanto tempo a camada de mucina do FLPC se dissipa da superfície da córnea. Este teste é realizado através da aplicação tópica de fluoresceína e após o animal piscar, as pálpebras são mantidas separadas e registra-se o tempo, em segundos, até que se observe o surgimento da primeira marcha negra/seca sobre a superfície da córnea (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013; ANDRADE, 2008). A observação é facilitada através de biomicroscopia utilizando uma lâmpada de fenda com o filtro azul cobalto. O tempo médio de TRFL em cães da raça Beagle é de 19,7 ± 5 a 21,53 ± 7,42 segundos (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013).. 3.2.2 Tonometria. A tonometria corresponde à mensuração da PIO e é essencial para uma avaliação oftálmica completa. Existem vários métodos para estimar a PIO, sendo os indiretos mais utilizados por serem menos invasivos, rápidos e causar menor desconforto para o paciente. Dentre estes, as tonometrias de aplanação e a rebote são as mais comumente utilizadas. A PIO normal em cães é entre 15-18 mmHg, porém pode haver variações de acordo com o tipo de tonômetro utilizado (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). A tonometria de aplanação se baseia no princípio de que a força necessária para “aplainar” uma determinada área de uma esfera é igual à pressão exercida dentro dela (lei de Imbert-Fick). Se a área é conhecida (tamanho da sonda) e a força é medida, a pressão pode ser calculada. Existem vários tipos de tonômetros de aplanação, o mais comumente utilizado é o TonoPen®. Para a realização do exame, é necessário colírio anestésico e contenção do paciente por um assistente. Após a blefarostase manual, o dispositivo é gentilmente encostado repetidas vezes no centro da córnea até o aparelho realizar a leitura gerando o valor da PIO (MAGGS, 2008d). A normal em cães utilizando este tipo de tonômetro é 19,2 ± 5,9 mmHg (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). Na tonometria de rebote uma probe com a ponta arredondada é propulsada eletromagneticamente em direção à córnea a partir de uma distância fixa. Ao atingir o tecido, a velocidade de retorno (rebote) da probe é avaliada e interpretada pelo instrumento gerando o.

(33) 33. valor da PIO. Esta técnica é influenciada pela tensão superficial ocular, não sendo recomendada a aplicação de medicação tópica, incluindo anestésicos (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). A PIO normal de cães utilizando o TonoVet® é 10,8 ± 3,2 mmHg (KNOLLINGER et al., 2005).. 3.2.3 Estesiometria Cochet-Bonnet (CTT). O reflexo corneano corresponde a um dos reflexos mais sensíveis do organismo, tendo como principal função a proteção do globo. Ele pode ser avaliado subjetivamente através do toque na periferia da córnea utilizando um cotonete estéril ou através da estesiometria que utiliza o reflexo corneano para avaliar quantitativamente a sensibilidade da córnea e indiretamente avalia a inervação da mesma (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). Existem vários modelos de estesiômetro, incluindo Cochet–Bonnet, Larson–Millodot (Luneau USA, Westport, CT), e estesiômetros de não contato (Golebiowski et al., 2011; Millodot & Larson, 1969). O mais utilizado na medicina veterinária é o estesiômetro de Cochet-Bonnet que consiste em um instrumento que possui um filamento de náilon de 0,12mm de diâmetro de comprimento variável de 0,5 a 6 cm (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). Para realizar este exame, o instrumento é posicionado perpendicular à superfície da córnea com o filamento no comprimento máximo, sendo avançado até que este toque a superfície da córnea. Este procedimento é repetido diminuindo o comprimento do filamento (0,5cm por vez) até se obter a resposta do animal (reflexo de piscar) (BLOCKER e WOERDT, 2001). Cada comprimento do filamento exerce diferentes pressões sobre a córnea, podendo variar de 0,4 a 15 gr/mm2. Essa pressão é calculada para dar o valor do limiar de toque corneano (CTT – corneal touch threshold) que corresponde à pressão necessária para gerar o reflexo corneano (ato de piscar). O CTT é calculado através da conversão dos centímetros do filamento em gr/mm2 utilizando uma tabela de conversão que vem no próprio instrumento (FEATHERSTONE e HEINRICH, 2013). O valor normal para cães em centímetros é 26,75 ± 7,99 e o CTT é 2.16 ± 1.40 gr/mm2 (WIESER et al., 2013)..

Referências

Documentos relacionados

Após 96 horas, houve um aumento no consumo, com o aumento de 100 para 160 ninfas, que não diferiu significativamente da densidade 220; com 280 ninfas disponíveis houve um

Nishizawa et al (1999) modelaram um pavimento composto do tipo WTUD considerando o efeito do gradiente térmico sobre este, chegando à conclusão de que para um gradiente negativo, em

Este subsídio é para aqueles que forem reformar a casa usando os serviços de alguma construtora que possua endereço na cidade de Hikone.. Informações Setor de Promoção da

A teoria das filas de espera agrega o c,onjunto de modelos nntc;máti- cos estocásticos construídos para o estudo dos fenómenos de espera que surgem correntemente na

3.7.7 Para candidatos que tenham obtido certificação com base no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, do Exame Nacional para Certificação de Competências

Se a pessoa do marketing corporativo não usar a tarefa Assinatura, todos as pessoas do marketing de campo que possuem acesso a todos os registros na lista de alvos originais

Como objetivos específicos, a ação busca ampliar o conhecimento sobre os museus; apresentar o MHNJB como espaço educativo e um possível locus de atuação do

mandar para Eretz,para os chaverim da Aliat-Hancar de Bror Chail, Além do dinheiro da Kupa, vancs fazer trabalhos manuais para vender, e mais fâãcilmente comprar o presente,.