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Jornal de Estudos Espíritas - Resumo - Art. N. 010203

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Jornal de Estudos Espíritas 1, 010203 (2013) - (5pgs.) Volume 1 – 2013

Como o Espiritismo contribui para a Sociedade?

Alexandre Fontes da Fonseca

1,a

1

Bauru, SP

e-mail:a[email protected]

(Recebido em 10 de Junho de 2013, publicado em 01 de Setembro de 2013)

RESUMO

O Espiritismo tem como principal objetivo auxiliar o progresso da Humanidade através do estímulo à prática do bem ao próximo. Ele responde a diversas questões de natureza filosófica e de grande importância para auxiliar a Sociedade na busca pela paz, fraternidade e felicidade. Escolhendo quatro dessas questões filosóficas, desenvolve-se uma análidesenvolve-se de como as respostas dadas pelo Espiritismo pode contribuir para que as pessoas consigam reagir e se portar de modo digno e cristão diante das mais diversas situações de sofrimento, das mais cotidianas às menos comuns como catástrofes e perda de entes queridos. Dessa forma, pretende-se mostrar o potencial da Dotrina Espírita em contribuição para o bem estar de toda a Sociedade.

Palavras-Chave: Espiritismo; Questões filosóficas; Sociedade; Progresso da Humanidade.

I

I

NTRODUÇÃO

Na Revista Espírita de Agosto de 1865 [1], lê-se os seguintes comentários de Kardec a respeito do que o

Es-piritismo ensina:

“O Espiritismo tende para a regeneração da Huma-nidade; (. . . ) ora, esta regeneração não podendo se operar senão pelo progresso moral, disto resulta que seu objetivo essencial, providencial, é a melhoria

de cada um; (. . . ). Para admitir ao banquete da

suprema felicidade, Deus não pede o que se sabe nem o que se possui, mas o que se vale e o que se terá feito de bem. É, pois, à sua melhoria individual que todo espírita sincero deve trabalhar antes de tudo. Só aquele que domou seus maus pendores, realmente tem aproveitado do Espiritismo (. . . ).” (Grifos em negrito, nossos).

Pode-se ver das palavras acima que o progresso moral é a estratégia do Espiritismo para promover o progresso da Humanidade. E, considerando válido o princípio mo-ral expresso no comentário de que para obter a “suprema felicidade, Deus não pede o que se sabe nem o que se possui, mas (. . . ) o que se terá feito de bem”, que de certa forma está contido no cerne da moral pregada por diversas religiões, surge a dúvida sobre como o Espiri-tismo pretende valorizar a moral religiosa em uma época em que a Sociedade parece demonstrar pouco valor aos aspectos essenciais da moral religiosa? Embora a grande maioria das pessoas se declarem religiosas (mais de 90% segundo dados do IBGE1), o noticiário descritivo do grau

de sofrimento diante de determinadas situações que ocor-rem com certa frequência (exemplos dados na Seção III), demonstra uma aparente dificuldade que as pessoas tem em lidar com perdas de maior valor, material, emocional ou humano.

O propósito deste artigo é primeiro responder à ques-tão acima (Seção II) para, enques-tão, mostrar que ao

res-ponder um conjunto formado por, pelo menos, 4 (qua-tro) questões filosóficas, o Espiritismo é capaz de contri-buir para solucionar ou, no mínimo amenizar, situações de sofrimento em nossa Sociedade, nessa e em qualquer época porvindoura (Seção III). Em seguida, um resumo dos pontos principais discutidos nesse artigo é apresen-tado, bem como alguns comentários finais sobre sua apli-cabilidde.

II

V

ALORIZANDO O CONHECIMENTO ES

-PÍRITA

hojO Espiritismo é considerado uma doutrina cristã por adotar a moral de Jesus como modelo e guia para a conduta das pessoas. Entretanto, o Espiritismo di-fere de uma religião convencional por possuir aspectos científicos [4] incompreendidos por seus antagonistas. E é o aspecto científico do Espiritismo que permite atribuir ao mesmo um valor de conhecimento, conforme veremos mais adiante.

A figura a seguir apresenta um diagrama de conjun-tos representando tudo o que verdade (conjunto laranja), tudo o que é crença (conjunto azul), e a intersecção entre os dois (conjunto cinza) que representa toda crença que

é verdadeira.

Essa figura que foi reproduzida do Wikipedia [5], ilus-tra uma definição simplificada do conceito de

conheci-mento, proposto por Platão, que consiste de toda crença verdadeira e justificada. Em outras palavras, um conhe-cimento é uma crença verdadeira que foi justificada

atra-vés de algum tipo de método ou evidência que permite considerá-la como verdade. O diagrama da figura1 per-mite identificar que ao mesmo tempo que existem crenças que não são verdadeiras, existem verdades ainda desco-nhecidas da Humanidade. O diagrama também permite identificar a existência de crenças verdadeiras que não

1Ver artigo Ref. [2].

(2)

foram ainda justificadas, isto é, não se descobriu ainda uma forma de demonstrar a validade das mesmas.

Embora se possa utilizar de falácias para mostrar que algumas afirmativas pareçam justificadas, essa definição mais simples permite-nos perceber a Doutrina Espírita como um conhecimento legítimo a respeito das coisas es-pirituais.

Figura 1: Definição simples do conceito de conhecimento, atribuída a Platão, em termos de conjuntos de conceitos de crença (azul), verdade (laranja), a intersecção entre eles ou crenças verdadeiras (cinza) e o conhecimento pro-priamente dito (amarelo) que consiste de crença

verda-deira e justificada. Figura reproduzida do Wikipedia [5] Kardec, no ítem 14 de A Gênese [6], diz que no pro-cesso de elaboração do Espiritimo não se . . .

“. . . estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses nem a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da dou-trina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos; assim quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e re-sumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação.”

O Espiritismo, portanto, surgiu da observação e ex-perimentação constantes e prolongadas, e que a Doutrina foi construída a partir de um amplo trabalho de estudo e reflexão sobre essas observações. Isso mostra que os princípios fundamentais do Espiritismo constituem

cren-ças verdadeiras e justificadas, onde o “justificadas” corre

por conta da aplicação de um método experimental ba-seado na observação de fenômenos e fatos espíritas. Sob o título “Origem das ideias espíritas modernas”, na obra O Que É o Espiritismo (diálogo com o cético) [3], encon-tramos uma boa síntese do processo de desenvolvimento dos conceitos espíritas decorrentes da observação e aná-lise dos fenômenos.

Assim, pode-se perceber a primeira contribuição do Espiritismo para a Sociedade: tornar um subconjunto de

crenças a respeito da realidade espiritual do ser humano em um conhecimento no sentido filosófico do termo. Isso sugere confiança na sua orientação com relação aos aspec-tos religiosos da vida. O subconjunto na cor amarela da figura1representa simplesmente a orientação espírita de termos fé raciocinada. Em outras palavras, enquanto a fé cega pode ser verdadeira (crença verdadeira mas não justificada) ou falsa crença não-verdadeira), só a fé raci-onada garante que aquilo que se crê pode ser considerado um conhecimento.

III

I

MPORTANTES QUESTÕES FILOSÓFICAS

Nesta seção analisaremos como o Espiritismo contri-bui para o progresso da Sociedade através de respostas à quatro questões filosóficas que consideramos de grande importância e interesse para a vida das pessoas. Essas questões foram escolhidas em função de uma evidente ca-rência das pessoas em lidar com determinados problemas que ocorrem cotidianamente na vida delas. O Espiritismo não é a única doutrina a fornecer respostas, mas é capaz de oferecer bases científicas para as mesmas.

Conforme mencionado na Seção anterior, aspecto científico do Espiritismo permite atribuir ao mesmo um valor de conhecimento. Quando dizemos que o Espiri-tismo oferece bases científicas para suas respostas, en-tendemos essas bases científicas não somente em termos do que Kardec expôs na obra O Que É o Espiritimo2 no

sentido filosófico do conceito de ciência e de como a ci-ência se desenvolve. O Leitor é referido aos artigos das Refs. [4,7–9] para maiores detalhes, mas basicamente as características que identificam no Espiritismo uma ciên-cia é a existênciên-cia de um paradigma que norteia e define os objetos de estudo e um programa e metodologia de pesquisa. Apesar das respostas que apresentaremos a se-guir se baseiem em questões respondidas pelos Espíritos, a validade das mesmas decorre não somente dos critérios de avaliação definidos por Kardec (ver Introdução de O

Evangelho Segundo o Espiritismo [11]), mas também da análise acima.

A seguir, descreveremos essas quatro questões e as respostas espíritas, indicando as fontes na codificação onde podem ser aprofundadas. Após, daremos exem-plos de problemas para os quais essas respostas fornecem ajuda e suporte para as pessoas que as vivem.

III.1 Quatro questões e a resposta espírita

Vamos enumerar as questões da seguinte maneira. Nossa tese aqui é mostrar que o Espiritismo pode contri-buir com a Sociedade apresentando uma doutrina capaz de responder às seguintes questões:

1. O que somos ? 2. De onde viemos ? 3. Para onde vamos ?

4. Quais as consequências de nossos atos ?

(3)

A quarta questão não costuma ser lembrada como uma importante questão de natureza filosófica. Ela foi introduzida aqui por servir de base para a postura suge-rida e incentivada pelo Espiritismo. Afinal, como se re-signar e se reequilibrar-se perante os sofrimentos se não compreendemos a justiça por trás dos acontecimentos.

Em vista do Espiritismo ser uma doutrina muito am-pla e do cuidado de Kardec em abordar os diversos temas de modo completo, no espaço de um artigo não consegui-remos apresentar mais do que um resumo de resposta. Porém, para cada afirmação da resposta, indicaremos entre parênteses, o número da questão de O Livro dos

Espíritos [12] onde o Leitor poderá encontrar mais expli-cações.

1. O que somos ?

Todos nós somos Espíritos encarnados (134). Um Espírito é definido pelo Espiritismo como um ser inteligente da Criação (76), que é criado por Deus simples e ignorante, com igual aptidão para o bem e para o mal (121). Tem, portanto, livre-arbítrio, e não tem fim, isto é, somos imortais (83, 115, 133). O Espírito tem como meta a perfeição, pelo co-nhecimento da verdade, para aproximá-lo de Deus (115).

2. De onde viemos ?

Existíamos antes dessa encarnação e já tivemos muitas encarnações (pluralidade das existências) (166, 166a, 166b e 166d). No estado errante (224), isto é, no intervalo entre as encarnações, o Espírito estuda seu passado, ouve e aprende com o discurso de homens esclarecidos e com os conselhos de píritos superiores (224, 226, 227). Em geral, o Es-pírito escolhe o gênero de provas que deseja sofrer em sua próxima encarnação (334, 335 e 337). 3. Para onde vamos ?

A alma sobrevive à morte do corpo e conserva sua individualidade, o que pode ser comprovado atra-vés das comunicações mediúnicas e pelo perispírito (149, 150, 150a e 152). A alma não leva nada de material, apenas suas lembranças (150b). No mo-mento em que se reconhece no mundo dos Espíritos, a alma se sente envergonhada se praticou o mal; e aliviada de grande peso, se foi justa (159). Após algum tempo na erraticidade (224), a alma se pre-para pre-para reencarnar com o objetivo de depurar-se, expiação, ou cumprimento de missões (132, 166a, 167).

4. Quais as consequências de nossos atos ?

Segundo os Espíritos, o homem é quase sempre o artífice da sua própria felicidade (921). Eles ensi-nam, também, que a prática da lei de Deus poupa o Espírito de muitos males e leva-o a alcançar felici-dade tão grande quanto comporta a nossa

existên-cia grosseira (921). Para os bons: a felicidade de conhecerem todas as coisas; não experimentarem necessidades da vida material; o amor que os une é fonte de suprema felicidade; felicidade de fazer o bem; etc. (967). Para os maus: invejam o que lhes falta para serem felizes; ciúme, raiva; remorsos, an-siedade moral indefinível; desejam todos os gozos e não os podem satisfazer, o que os tortura (970). Veremos a seguir alguns exemplos de problemas e si-tuações para os quais as respostas espíritas às questões acima contribuem para a solução dos mesmos.

III.2 Problemas e situações cotidianas

Apresentamos aqui alguns exemplos de situações co-tidianas da Sociedade que geram dor e sofrimento nas pessoas. Discutiremos como as respostas espíritas para as quatro questões descritas na seção anterior contribuem para amenizar ou solucionar essas situações.

Figura 2: Cheia dos rios e desabamentos ocorridos por ocasião de fortes chuvas na Região Serrana. Figura re-produzida do Wikipedia [13]

Vamos dividir as situações cotidianas em três catego-rias:

1. catástrofes naturais;

2. doenças graves ou sequelas de acidentes;

3. dores morais como desencarne de entes queridos, traições afetivas ou profissionais, perda de emprego, etc.

O item 1 acima é uma situação mais comum do que parece. Tsunami na Indonésia, em 2004, que matou mais de 200 mil pessoas 3; terremoto de magnitude 7.0 em 2010 no Haiti, que vitimou mais de 100 mil pessoas 4; Tsunami em T¯ohoku que causou o acidente nuclear em

3Ver, por exemplo,http://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_e_tsunami_do_Oceano_Índico_de_2004 4Ver, por exemplo,http://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_do_Haiti_de_2010

5Ver, por exemplo,http://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I

(4)

Fukushima, no Japão, em 20115; enchentes e

deslizamen-tos de terra na região Serrana do estado do Rio de Ja-neiro6, são exemplos de catástrofes recentes que abalam

as pessoas e trazem muito desespero dentre os familiares das vítimas. A figura2 mostra desabamentos ocorridos na Região Serrana.

Em O Livro dos Espíritos (LE) [12], sob o título “Flagelos destruidores”, as questões de 737 a 741 ana-lisam o assunto. Esses flagelos entristecem as pessoas e despertam sentimentos de solidariedade. Em particular, para as famílias das vítimas, o sofrimento é bastante ele-vado e é nesse momento que chamamos a atenção para o fato de que quando se sabe o que somos, de onde viemos,

para onde vamos e quais as consequências de nossos atos,

a dor da perda dessas pessoas se reduz e se torna força moral de resignação. Ao raciocinarmos com o Espiri-tismo que somos Espíritos imortais (e não apenas corpos físicos), que tivemos várias encarnações e no futuro re-encarnaremos de novo, que no mundo espiritual iremos encontrar familiares e amigos que desencarnaram antes, e que a nossa felicidade depende, no fundo, de cada um de nós, a catástrofe se torna apenas um leve afastamento na certeza do reencontro futuro com os entes queridos. Além disso, como as questões de 737 a 741 do LE en-fatiza, esses flagelos destruidores costumam gerar desen-volvimento intelectual pois as nações se dedicam a de-senvolver métodos preventivos, o que culmina com mais qualidade de vida em vários sentidos.

O item 2 acima pode ser encontrado em todos os lu-gares, não importando raça, nível social ou intelectual. No seio de quase todas as famílias, vê-se desenvolver di-versos tipos de doenças e embora a Medicina e a Ciência trabalhem bastante para trazer alívio e cura, ainda temos muitos males incuráveis ou irreversíveis. Em particular, as doenças e deformidades de nascença costumam entris-tecer e revoltar vítimas e familiares.

Nessas e noutras situações é que, novamente, o conhe-cimento sobre o que somos, de onde viemos, para onde

vamos e quais as consequências de nossos atos, é

funda-mental para trazer paz e resignação, mesmo perante as doenças mais graves. Sabermos que uma pessoa doente na verdade não é doente mas está doente, isto é, que é o corpo que adoece e não o Espírito, já ajuda a conso-lar inúmeros casos de doenças incluindo as incuráveis. O mesmo se pode dizer de sequelas permamentes de aciden-tes. Se baseando na justiça divina e sabendo que tivemos outras vidas, a dor do presente é entendida apenas como consequências de abusos que se não foram cometidos na atual encarnação, o foram em encarnações pregressas. E, com base na certeza da sobrevivência da alma, conhe-cer as consequências dos nossos atos nos dá forças para, mesmo vivendo as mais difíceis doenças e deformidades, ainda por cima extender a mão a quem precisa mais do que nós.

Sobre o assunto, o Leitor poderá encontrar mais infor-mações no Cap. V de O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE) [11], e questão 964 de o LE [12].

Os problemas relacionados ao item 3, acima, também são muito comuns em nossa Sociedade e causam bastante sofrimento. O mesmo raciocínio empregado com os pro-blemas dos itens 1 e 2, vale aqui: o conhecimento sobre

o que somos, de onde viemos, para onde vamos e quais as consequências de nossos atos, permite amenizar a dor

e fortalecer moralmente as pessoas que passam por esses problemas. Sob o título “Das penas e gozos terrestres”, o capítulo 1 da parte 4 do LE [12] expõe o ensinamento dos Espíritos para com relação a problemas do item 3.

IV

C

ONCLUSÕES

Neste artigo, destacamos de modo simples que ao res-ponder quatro questões filosóficas relacionadas à vida, o Espiritismo é capaz de efetivamente ajudar as pessoas di-ante a diversidade de problemas que a vida apresenta. Ao apresentarnos respostas coerentes e com bases científicas7

sobre o que somos, de onde viemos, para onde vamos e

quais as consequências de nossos atos, o Espiritismo nos

confere força moral para não somente nos resignarmos perante as dores, mas também para continuarmos nos-sas vidas praticando o bem, mesmo restando algum so-frimento. Essas questões mostram que a mensagem das religiões de amor, paz, caridade e fraternidade são de fato dignos do nosso maior esforço pensando no presente e no futuro.

De certa forma, pode-se prever que para quem é es-piritualista, a resposta a essas questões tem um efeito

preventivo, isto é, permite que diante das pequenas

situ-ações e problemas da vida, as atitudes e resitu-ações sejam mais equilibradas. Porém, para quem é materialista, as questões respondidas pelo Espiritismo tem a capacidade de remediar dores e outras situações de sofrimento. Por-tanto, em ambos os casos, o Espiritismo pode ser consi-derado uma doutrina que contribui para o progresso da Humanidade.

Para complementar o estudo, citaremos algumas situ-ações diversas para as quais a resposta às quatro questões da seção III permite o entendimento tanto da situação em si quanto da solução.

Uma é a influência negativa que um Espírito desencar-nado pode realizar sobre um encardesencar-nado, chamada de

ob-sessão. As quatro questões permitem compreender tanto

as causas quanto as soluções para o problema. Por sermos Espíritos imortais e por termos vivido muitas encarna-ções, equívocos cometidos podem ter gerado infelicidade e ódio em outras pessoas que também são Espíritos imor-tais e, portanto, continuam vivas. Entendida a causa de uma obsessão, resta saber como resolvê-la o que, nova-mente, decorre apenas do nosso livre-arbítrio e na nossa determinação em fazer o bem. Ver, por exemplo, re-comendação dos bons Espíritos contida no item 252 do capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns [14].

Outro exemplo de situação que nenhuma outra dou-trina foi capaz de explicar e solucionar, é o problema bastante conhecido de conflitos no relacionamento fami-liar. Questiona-se como irmãos nascidos e criados numa

(5)

mesma família, da mesma forma, podem votar um pelo outro animosidades em grau extremo. Ou quando ódios gratuitos surgem entre filho(s) e pai(s), ou entre outros membros de uma mesma família. O Espiritismo, atra-vés da resposta às quatro questões discutidas nesse ar-tigo, permite compreender a origem desses sentimentos conflituosos e orienta sobre como proceder, visando de-senvolver paz e felicidade nos envolvidos. O capítulo XIV de o ESE [11] traz mais informações e orientações a res-peito desse problema.

Em conclusão, mostramos que a forma como o Es-piritismo responde às questões o que somos ?, de onde

viemos ?, para onde vamos ? e quais as consequências de nossos atos ?, pode de fato contribuir para o bem estar da

Sociedade, fornecendo subsídios de natureza moral para resignação perante as dores e sofrimentos irremediáveis, e desenvolvimento de sentimentos de caridade e fraterni-dade para com o próximo.

R

EFERÊNCIAS

[1] A. Kardec, Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos (Edicel), 8 (Agosto), p. 219 (1865).

[2] J. Betarello, “Presença espírita na primeira década do século XXI” In: A. F. da Fonseca, J. R. Sampaio e M. A. F. M. Filho (Org.) O ESPIRITISMO NA ATUALIDADE Textos

Seleci-onados do 8o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo (LIHPE). Centro de Cultura, Documentação

e Pesquisa do Espiritismo – Eduardo Carvalho Monteiro, São Paulo, p. 17 (2013).

[3] A. Kardec, O Que É o Espiritimo, Editora FEB, Rio de Ja-neiro (2008).

[4] A. Xavier, Jornal de Estudos Espíritas 1, art. n. 010202 (2013).

[5] Conhecimento - site do Wikipedia: https: //pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento, acessado em 10 de Junho de 2013.

[6] A. Kardec, A Gênese, Editora FEB, 36a. Edição, Rio de Ja-neiro (1995).

[7] S. S. Chibeni, Reformador Novembro, p. 328 (1988). [8] S. S. Chibeni, Reformador Dezembro, p. 373 (1988). Edição

digital de uma apresentação encontrada em: http://www. geeu.net.br/artigos/exemet.html (acesso em Agosto de 2013).

[9] S. S. Chibeni, Revista Internacional de Espiritismo Março, p. 45 (1991). Edição digital de uma apresentação encon-trada em: http://www.geeu.net.br/artigos/ciespi. html(acesso em Agosto de 2013).

[10] S. S. Chibeni, Reformador Junho, p. 176 (1994). Edição digital de uma apresentação encontrada em: http://www. geeu.net.br/artigos/paresp.html (acesso em Agosto de 2013).

[11] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Editora FEB, 112a. Edição, Rio de Janeiro (1996).

[12] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a. edição, Rio de Janeiro (1995).

[13] Enchentes e deslizamentos de terra no Rio de Janeiro em 2011 - site do Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/ wiki/Enchentes_e_deslizamentos_de_terra_no_ Rio_de_Janeiro_em_2011, acessado em 10 de Junho de 2013.

[14] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Editora FEB, 1a. Edição, Rio de Janeiro (2008).

Title and Abstract in English

How Spiritism contributes to the Society?

Abstract: One of the main objectives of Spiritism is to help the progress of humanity through the encouragement to do good to

others. It offers responses to many philosophical and religious questions of great importance toward the people’s happiness and peace. By choosing four questions in particular, we develop an analysis to see how the spiritist answers effectively contribute to better reactions and behaviors, in a dignified and Christian manner, when people face difficult and suffering situations. Therefore, this work shows the huge potential of Spiritism to contribute to the welfare of Society.

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