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Cap8 Escoamento superficial

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Academic year: 2021

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8 ESCOAMENTO SUPERFICIAL 8.1 Conceitos gerais

Escoamento superficial é o movimento das águas, que, por efeito da gravidade, se deslocam na superfície da Terra.

Conforme já visto no item referente ao ciclo hidrológico, o escoamento superficial de um rio está direta ou indiretamente relacionado com as precipitações que ocorrem em sua bacia hidrográfica.

A figura abaixo mostra as quatro formas pelas quais os cursos d’água recebem água: 1. Precipitação direta sobre o curso d’água (P);

2. Escoamento superficial (ES);

3. Escoamento sub-superficial ou hipodérmico (ESS); 4. Escoamento subterrâneo ou básico.

Figura 8.1 – Formas pelas quais um curso d’água recebe água. Fatores que influenciam o escoamento superficial

A quantidade e a velocidade da água que atinge um curso d’água dependem de alguns fatores, tais como:

a) Área e forma da bacia;

b) Conformação topográfica da bacia: declividade, depressão, relevo;

c) Condições de superfície do solo e constituição geológica do sub-solo: vegetação, impermeabilização, capacidade de infiltração no solo, tipos de rochas presentes; d) Obras de controle e utilização da água: irrigação, canalização, derivação da água para

outra bacia, retificação.

Grandezas características

A seguir, são citadas algumas grandezas relacionadas com o escoamento superficial. Bacia hidrográfica: área geográfica coletora de água de chuva, que, escoando pela superfície, atinge a seção considerada.

Vazão ( Q): volume de água escoado na unidade de tempo em uma determinada seção do rio. Normalmente, expressa-se a vazão em m3/s ou l/s.

Velocidade (V): relação entre o espaço percorrido pela água e o tempo gasto. É geralmente expressa em m/s.

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Escoamento Superficial 8-2 Vazão específica (q): relação entre a vazão e a área de drenagem da bacia.

A Q

q= (expressa em l/s.km2)

Altura linimétrica (h) ou altura na régua: leitura do nível d’água do rio, em determinado momento, em um posto fluviométrico.

Coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de “run off” (C): relação entre o volume de água que atinge uma seção do curso d’água e o volume pr ecipitado.

8.2 Postos fluviométricos e fluviográficos

Posto fluviométrico ou fluviômetro consiste em vários lances de réguas (escalas) instaladas em uma seção de um curso d´água, que permite a leitura dos seus níveis d´água. Normalmente, dá-se ao posto o nome do município ou cidade onde ele é instalado e identifica-se por um prefixo.

A leitura do nível d´água é feita duas vezes ao dia, às 7 h e 17 h (ou 18 h), e seus valores são anotados em uma caderneta. Completada a leitura de 1 mês, essa caderneta é enviada ao escritório central, onde os dados são analisados, processados e publicados em boletins fluviométricos. As figuras 8.2 e 8.4 mostram, respectivamente, um posto fluviométrico e a cópia das leituras realizadas no posto Ponte Joaquim Justino (prefixo 5B-001F).

Fig. 8.2 Chama-se de fluviográfico o posto que registra continuamente a variação do nível d´água. O aparelho utilizado para registrar o N.A. chama-se limnígrafo ou fluviógrafo e o gráfico resultante é denominado limnigrama ou fluviograma. O esquema de um posto fluviográfico pode visto na Figura 8.3 abaixo.

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Fig. 8.4

A conversão da leitura do nível d´água em vazão é feita através de curva-chave. Os assuntos ´medições de vazão´ e ´traçado de curva-chave´ serão vistos nos próximos itens.

8.2 Medições de vazão

Existem várias maneiras para se medir a vazão em um curso d´água. As mais utilizadas são aquelas que determinam a vazão a partir do nível d´água:

- para pequenos córregos: calhas e vertedores;

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Escoamento Superficial 8-4 8.3.1 Vertedores

São mais utilizados os vertedores de parede delgada, de forma retangular com contração completa e forma triangular. As fórmulas que relacionam o nível e a vazão são as seguintes: - Vertedor retangular: Q=1,84LH1,5 (L e H em m, Q em m3/s) H L - Vertedor triangular: 2,5 42 , 1 H

Q= ⋅ (H em m, Q em m3/s) – Equação válida para θ = 90°

H θ

8.3.2 Método área-velocidade

A vazão é obtida aplicando -se a equação da continuidade: Q = V.A

A área é determinada por batimetria, medindo -se várias verticais e respectivas distâncias e profundidades.

Tomando uma sub-seção qualquer:

i i i i l h h S ⋅      + = + 2 1

Para se medir a velocidade de água na seção, o método mais empregado é o do molinete. Molinete é um aparelho que permite calcular a velocidade instantânea da água no ponto, através da medida de rotações de uma hélice em determinado tempo. Cada molinete tem uma equação que transforma o número de rotações da hélice em velocidade. A equação é do tipo

V = a + b.n

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n = número de rotações/ tempo (normalmente utiliza-se o tempo de 50 segundos).

Fig. 8.5. Dependendo da profundidade da vertical, mede-se a velocidade em:

a) um ponto, quando a profundidade (h) é menor ou igual a 1,0 m. O molinete é colocado a 60% da profundidade e a velocidade neste ponto é adotada como a média da vertical considerada.

6 , 0

V Vvert=

b) dois pontos, quando h é maior que 1,0 m. Neste caso, o molinete é colocado a 20% e 80% de h e a velocidade média da vertical é a média aritmética das velocidades obtidas nos dois pontos. 2 8 , 0 2 , 0 V V Vvert = +

A velocidade média da seção compreendida entre as verticais i e i+1 é calcula fazendo-se a média aritmética das velocidades médias de duas verticais.

2 1 sec_ + + = i i i V V V

A vazão na seção i é determinada multiplicando -se área pela velocidade média da seção.

i i i A V

q = ⋅ sec_

A vazão total da seção do rio é obtida pelo somatório das vazões parciais:

= = n i i q Q 1

8.3 Relação cota-vazão (curva-chave)

Curva-chave é a relação entre os níveis d´água com as respectivas vazões de um posto fluviométrico.

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Escoamento Superficial 8-6 Para o traçado da curva-chave em um determinado posto fluviométrico, é necessário que disponha de uma série de medição de vazão no local, ou seja, a leitura da régua e a correspondente vazão (dados de h e Q).

Partindo -se desta série de valores (h e Q) a determinação da curva-chave pode ser feita de duas formas: gráfica ou analiticamente.

A experiência tem mostrado que o nível d´água (h) e a vazão (Q) ajustam-se bem à curva do tipo potencial, que é dada por:

b h h a Q= ⋅( − 0) (8.1) onde: Q é vazão em m3/s;

h é o nível d´água em m (leitura na régua);

a, b e h0 são constantes para o posto, a serem determinados;

h0 corresponde ao valor de h para vazão Q = 0.

A equação acima pode ser linearizada aplicando -se o logaritmo em ambos os lados: log Q = log a + b.log (h -h0)

Fazendo Y = log Q, A = log a e X = log(h-h0), tem-se:

Y = A + b.X (8.2) que é a equação de uma reta.

A maneira mais prática de se obter os parâmetros a, b e h0 é o método gráfico, que

necessita de papel di -log. Entretanto, em face à dificuldade de encontrar este papel no mercado, introduziu-se também, neste curso, o método analítico para a definição das curvas-chaves.

A seguir, é apresentado, de forma sucinta, o procedimento de cálculo dos parâmetros a, b e h0, utilizando os dois métodos:

I. Método gráfico

1. Lançar em papel milimetrado os pares de pontos (h, Q);

2. Traçar a curva média entre os pontos, utilizando apenas critério visual;

3. Prolongar essa curva até cortar o eixo das ordenadas (eixo dos níveis); a intersecção da curva com o eixo de h corresponde ao valor de h0;

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5. Lançar em papel di-log os pares de pontos (h-h0, Q);

6. Traçar a reta média, utilizando critério visual;

7. Determinar o coeficiente angular dessa reta, fazendo -se a medida direta com uma régua; o valor do coeficiente angular é a constante b da equação da curva-chave; 8. Da intersecção da reta traçada com a reta vertical que corresponde a (h-h0) = 1,0

resulta o valor particular de Q, que será o valor da constante a da equação.

Na figura acima,

d c tg

b= α= e a ≅ 8,0. II. Método analítico

Apesar desse método ser um processo matemático, não dispensa o auxílio de gráfico na determinação do parâmetro h0. Portanto, aqui vale também os quatro primeiros passos

descritos no método gráfico.

Rescrevendo a equação da curva-chave: Q=a⋅(hh0)b

Linearização aplicando logaritmo: log Q = log a + b.log (h-h0)

A equação acima é do tipo Y = A + b.X onde: Y = log Q, A = log a e X = log(h-h0).

Os parâmetros A e b da equação da reta Y = A + b.X são calculados da seguinte forma:

⋅ − ⋅ ⋅ − ⋅ = 2 2 X n X Y X n Y X b i i i X b Y A= − ⋅

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Escoamento Superficial 8-8 Exercícios propostos:

E8.1 Calcule a vazão no posto Santo Antonio de Alegria (prefixo 4C-002) a partir dos dados de medição mostrados na tabela da página seguinte.

Dados: Equação do molinete – V = 0,2466.n + 0,010 se n ≤ 1,01 V = 0,2595.n + 0,005 se n > 1,01

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E8.2 A tabela abaixo mostra alguns resultados da medição realizada em um posto fluviométrico. Determine a equação da curva-chave deste posto, utilizando os métodos gráfico e analítico.

Data h (m) Q (m3/s) 5/4/91 0,95 2,18 14/2/92 1,21 4,25 20/3/85 0,38 0,45 17/2/97 1,12 3,20 22/2/98 0,66 1,15

Referências

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