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7/11/09

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Pureza e Perigo

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Introdução

Cada cultura tem o seu ritual, a sua fé, quotidiano, etc.. O que para nós (cultura do ocidente) é natural e cientifico para outros é o acto divino de Deus ou da natureza, considerado, muitas vezes, por nós insanidade mas por eles considerado “normal”. O trabalho de Mary Douglas mostra como em muitas coisas somos ingénuos e inconsciente perante tradições ou rituais de outras culturas.

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Magia e Milagre

Como somos ingénuos quando se trata das

crenças dos outros!”

Cada cultura despreza os rituais, crenças e padrões de vida das outras culturas por considerarem os seus mais correctos e válidos. Por exemplo, os bosquimanos Kung usam ritos para produzir chuva, já os europeus olham para tal rito como algo primitivo uma vez que acreditam que a chuva ocorre devido a fenómenos naturais.

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Ø No continente europeu devido á noção abstracta de magia e

à falsa distinção entre culturas primitivas e culturas modernas o estudo comparado das religiões saiu prejudicado.

Ø Segundo Mauss na Théorie de la Magie o termo magia “não se

aplica a uma classe particular de rituais e de crenças dos povos primitivos” nem tem especial importância a noção de eficácia, contrariamente ao que Frazer defendia (ideia da magia como símbolo eficaz).

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Ø Para Malinowsky “a magia tem as suas origens na expressão

das emoções do individuo”, ou seja, o fundamento dos ritos mágicos consistiria na ilusão de concretizar um desejo através de representações físicas e inicialmente involuntárias.

Ø Robertson Smith “viu uma analogia entre os rituais da igreja

Católica e a magia primitiva” uma vez que apesar de se considerar a última como pertencente a uma cultura moderna, esta também praticava rituais como a “acção de graças” (purificação da mãe após o parto).

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Ø Quando é referido o termo magia é associado quase de

imediato o termo milagre. Ambos fazem referência a poderes prodigiosos, no entanto o milagre ao contrário da magia não necessitaria de rituais para acontecer.

Ainda assim, tanto num como noutro existe a esperança de que um poder prodigioso/superior esteja ao serviço dos homens a fim de responder a necessidades virtuosas e/ou que consigo traga qualquer vantagem material.

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Ø Ao longo dos tempos várias correntes religiosas se

opuseram aos ritos afirmando que estes seriam “demasiado

formalistas e desprovidas de interioridade”:

• O Protestantismo afirmava que o formalismo ritual aos

poucos substituía o sentimento religioso sendo necessário acautelarmo-nos;

A Reforma “fez vários ataques sucessivos e atroadores

contra os rituais vazios”;

• O movimento evangélico deixou-nos com o seguinte

pensamento: “todo o rito não é mais que um formalismo

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Ø Pfeiffer na sua obra fundamentalmente anti-ritualista

(Books of the Old Testament ) opõe a “antiga religião do culto” à “nova religião da conduta”, afirmando que o antigo culto não teria nenhum conteúdo espiritual.

Ø Sendo o Homem um animal social podemos afirmar que

consequentemente é um animal ritual o que ainda hoje se verifica através dos ritos de amizade. Estes ritos apelidados de ritos sociais “criam uma realidade que sem eles nada seria” uma vez que “não existem relações sociais sem actos

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Rituais

Ø Para cada um de nós os rituais ou esses actos quotidianos

e simbólicos têm diversas funções:

• permitem-nos isolar certos fenómenos e valorizá-los; • fornecem-nos um método mnemónico;

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Ø Mas os rituais não nos ajudam apenas a seleccionar

determinadas experiências e a prestar-lhes uma atenção acrescida, desempenham também um papel criativo ao nível dos actos:

• Entre os Dinka, o pastor com pressa de chegar a casa e

jantar, faz um nó num tufo de ervas á beira do caminho. Este nó simboliza a demora: exprime assim, objectivamente, o desejo de ter o jantar á sua espera.

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Ø Os rituais permitem formular a nossa experiência e dão nos

a consciência de fenómenos que sem eles nunca viríamos a conhecer

Ø O ritual não só exterioriza a experiência e a ilumina, como a

modifica pela própria maneira como a exprime (existem certas coisas que nunca experimentaríamos sem o ritual)

Ø Os acontecimentos que ocorrem em série adquirem um

sentido a partir da relação que têm com outros acontecimentos da mesma série

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Ø Sem a sequência os acontecimentos isolados perdem-se,

tornam-se ininteligíveis

Ø Por exemplo, não nos é permitido ter a experiência de que é

Terça-feira se por qualquer razão não estiver formalmente estabelecido que já passámos por Segunda-feira.

À que tomar consciência duma parte da ordenação antes de tomar consciência de outra parte

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Rituais Religiosos

Ø Durkheim dizia que estes rituais tem como objectivo criar e controlar a experiência

ØDurkheim preocupava-se sobretudo em saber como é que

os homens tornam manifesto o seu eu social através dos rituais religiosos, criando assim a sua própria sociedade

Ø Segundo Durkheim no seu espírito o ritual substituía o

culto do sagrado e designava a concretização por meio de actos, dos valores significativos no plano social

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Ø Segundo Durkheim no seu espírito o ritual substituía o

culto do sagrado e designava a concretização por meio de actos, dos valores significativos no plano social

Ø Radcliffe Brown abandonou os termos «sagrado» e

«mágico» e restabeleceu a linha de continuidade entre os rituais seculares e religiosos

Ø O ritual permite suscitar os sentimentos necessários para

que os homens desempenhem os papéis que lhes são atribuídos

Ø Lienhardt sublinha que cada ritual tem por função

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Ø Em relação ao ritual dos Mestres da Lança feito pelos

Dinka:

• quando um incesto é cometido o sacrifício pode

modificar os descendentes do casal e portanto apagar a sua culpa;

•a vitima viva é cortada em dois no sentido longitudinal

passando pelos órgãos sexuais;

•a origem comum do casal incestuoso é assim

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Ø No ritual do Mestre da Lança dos pescadores:

• o Mestre pede ao seu povo que lhe conceda um certo

tipo de morte e isto pelo seu bem;

• se morresse de morte natural, a vida do seu povo que

dele depende iria com ele;

• se sofresse uma morte ritual, separa a sua vida pessoal

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Ø Os Dinka acreditavam ou esperavam que através dos seus

rituais controlavam o curso natural, por exemplo fazer chover ou rituais curativos que impedissem a morte. No entanto estes símbolos ou actos sublinham a sua

experiência religiosa.

Ø Nós, o homem da actualidade, temos também vários actos

simbólicos mas para vários campos distintos. Imitando os bosquimanos “como os bosquimanos, evitamos as impurezas e justificamos este comportamento invocando determinados perigos.”

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ØA diferença entre nós e os bosquimanos é que nossa

experiência é fragmentária “criamos muitos pequenos mundos sem nenhum laço entre si.”

Ø O dinheiro é, evidentemente, um ritual em si. O dinheiro

medeia as transacções, o valor do objecto e a confiança, quer económica quer social. No entanto se este perder o seu valor perde também o seu valor simbólico, tal e qual um ritual que só é de confiança para os indivíduos se os seus símbolos forem valorizados, isto é, tem que existir aceitabilidade.

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Ø Turner - an Ndembu Doctor in Pratice (1964)

A aplicação consiste em ventosas ao doente e na simulação do remover de um dente do corpo do paciente. Esta cura era por norma para indivíduos que tinham palpitações, dores dorsais agudas e um abatimento geral. Essencialmente

tratava-se uma terapia de grupo, pois este mal estar do individuo era por norma originado por problemas

relacionais sociais. Este exercício grupal consistia em juntar o individuo em questão com o seu grupo social numa situação em que era exposto a razão do conflito em conjunto com

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ØAtravés do estudo da cultura e desta terapia de grupo,

Turner, não só ensina uma lição aos médicos do ocidente mas mostra também como certas situações podem ser curadas ou resolvidas pela declaração “publica” das redes sociais da causa da tensão ou de ressentimento perante o individuo. Turner através duma xamânica mostra que não devemos ignorar ou desconhecer o meio em que o paciente ou individuo se encontra.

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Ø Levi-strauss (1949-1958)

Levi através de um cântico xamã usado para ajudar uma mãe, em trabalho de parto difícil, a aguentar melhor a dor e tormento mostra como facilita mas também ajuda bastante a pessoa em questão. Este cântico relatar as dificuldades da parteira e depois um segundo cântico que conta os obstáculos, perigos e vitorias do xamane. Este ritual representa um luta contra o Muu que é o ser responsável pelo feto e que prende o espírito da mãe. Uma vez a vitoria conseguida é representada pelo nascimento do bebé. Então através da mitologia xamane e espiritual o paciente aceita inquestionavelmente este conceito do universo.

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Ø Levi-strauss & Turner

• Ambos chegaram a conclusões bastante importantes para

a psicanálise;

É incorrecto achar personagens mitológicas absurdas “o

acto ritual criativo” um expressão humana;

• Estes rituais e crenças são a personificação da

significação da existência, quer em situações positivas ou negativas.

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Trabalho realizado por:

üCátia Andreia Mendes de Jesus nº 20084420

üFábio Daniel Soares nº 20082102

Referências

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