A PELE DO LOBO E OUTRAS PEÇAS
Análise da obra
TEXTO TEATRAL
f O texto teatral assemelha-se ao narrativo quanto às características, uma vez que o mesmo
se constitui de fatos, personagens e história (o enredo representado), que sempre ocorre em um determinado lugar, dispostos em uma sequência linear representada pela introdução (ou apresentação), complicação, clímax e desfecho.
A história em si é retratada pelos atores por meio do diálogo, no qual o objetivo maior pauta-se por promover uma efetiva interação com o público expectador, onde razão e emoção se fundem a todo momento, proporcionando prazer e entretenimento.
Pelo fato de o texto teatral ser representado e não contado, ele dispensa a presença do narrador, pois como anteriormente mencionado, os atores assumem um papel de destaque no trabalho realizado por meio de um discurso direto em consonância com outros recursos que tendem a valorizar ainda mais a modalidade em questão, como pausas, mímica, sonoplastia, gestos e outros elementos ligados à postura corporal.
A questão do tempo difere-se daquele constituído pelo narrativo, pois o tempo da ficção, ligado à duração do espetáculo, coincide com o tempo da representação.
ANÁLISE DA OBRA
f AUTOR: Artur Azevedo: (A. Nabantino Gonçalves de A.),
jornalista, poeta, contista e teatrólogo, nasceu em São Luís, MA, em 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 22 de outubro de 1908. Ao lado do irmão Aluísio de Azevedo,
participou do grupo fundador da Academia Brasileira de Letras. f GÊNERO: Dramático (comédia): Drama, em grego, significa
"ação". Pertencem ao gênero dramático os textos, em poesia ou prosa, feitos para serem representados, encenados,
f O gênero dramático compreende as seguintes modalidades: f Tragédia: é a representação de um fato funesto, triste, suscetível
de provocar compaixão e terror (catarse). Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror".
f Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida cotidiana, no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. Os temas são leves e alegres.
f ESTRUTURA: peça em um ato e dez cenas.
f COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA: a peça A pele do lobo apresenta a
trilogia da unidade: unidade de ação, de tempo e de espaço, o que significa que todo o drama ocorre em um único espaço
cênico, em um único tempo determinado e os fatos se sucedem em função de uma única ação. Por tratar-se de um texto
dramático, não apresenta narrador – toma-se conhecimento da história através das falas e ações das personagens. As indicações de cena (cenário, entradas e saídas das personagens, quem diz o que, como, e quando) são feitas pelas rubricas.
f Um dos objetivos do texto dramático, no caso da comédia, é
corrigir os defeitos do homem através do riso. Artur Azevedo, em A pele do lobo, censura alguns aspectos da sociedade carioca do século XIX, com um texto que, respeitando-se os elementos
particulares da época, mantém uma temática bastante atual. Através das falas e ações das personagens, nota-se a crítica à atuação das autoridades responsáveis pela segurança da
população, enfatizando o descaso, a intolerância e a inoperância, com que tratam as causas dos cidadãos, em detrimento de
f A verdadeira intenção de se estar “aturando” as implicações do
cargo é a possibilidade de ascensão política, social e econômica. Há também uma crítica à burocracia, ao excesso de papéis
necessários para o bom andamento de um processo, bem como a noção de que a maioria da população não conhece nem domina os termos (variedade linguística) utilizados nos autos processuais. O drama critica ainda a forma como a população trata o bem
público, que por ser de todos, não é de ninguém, e cada qual acredita que pode tratá-lo como bem quiser, inclusive, destruindo-o.
f O título da obra, A pele do lobo, relacionado à frase de
Amália, Quem não quiser ser lobo, não lhe vista a pele, retrata bem o tema abordado, ou seja, aquele que não quer passar horas
ouvindo as partes de denúncia ou de defesa em um processo, que não quiser chegar tarde aos eventos – ou mesmo perdê-los, que não quiser perder a hora de comer, dormir ou levantar, que não se candidate ao cargo de subdelegado. Caso contrário, terá que lidar com atrasos, com pessoas de diferentes níveis sociais, econômicos e culturais, com papéis, bandidos e, além de tudo, expor-se
TEMPO E ESPAÇO
f TEMPO: atualidade (1875). Cronológico: quando começa a primeira cena, Cardoso e Amália já estavam prontos para sair há duas horas e dois minutos. Quando termina a última cena, já eram três horas e um quarto de espera. Psicológico: a
marcação sistemática dos minutos indica que cada minuto consistia em um período insuportável de espera, quando eram eles que tinham que ouvir as partes; por outro lado, parecia que o tempo passava muito depressa, acentuando o atraso dos dois. f ESPAÇO: Rio de Janeiro, sala da casa de Cardoso: a casa da
PERSONAGENS
f A peça A pele do lobo foi escrita por Artur Azevedo em 1875 e
representada pela primeira vez no Rio de Janeiro, no Teatro Fênix Dramática, em 10 de abril de 1877
f Cardoso: subdelegado, que pediu o cargo, visando conseguir, após a
morte de um colega, galgar um cargo superior. É impaciente e não suporta receber as queixas das pessoas. Representa o funcionário público que não atua de acordo com as necessidades e obrigações de seu cargo e,
quando o faz, é de má vontade.
f Amália: esposa de Cardoso, atormenta-o com horários rígidos, acusa-o por
ter aceito o cargo e sugere que o abandone.
f Apolinário: cidadão do povo, criador de galinhas, uma parte. Representa o
indivíduo de pouca escolaridade, humilde, bajulador e enrolado. Faz-se de tonto, mas impõe sua presença pela subserviência.
PERSONAGENS
f Perdigão: Compadre de Cardoso. Vem reclamar o atraso dos
padrinhos.
f Jerônimo: Outra parte, o acusado que se transforma em vítima.
Trata mal o bem público, reclama da burocracia e impõe-se pela força. Termina preso.
f Manuel Maria, Vitorino e Compadre: testemunhas. f Uma parte.
f Dois soldados de polícia: agentes que aparecem para restabelecer
f A peça possui 10 cenas, sendo elas: f Cena I - Cardoso, Amália e uma parte f Cena II - Os mesmos e Apolinário
f Cena III - Cardoso e Amália
f Cena IV - Os mesmos e Jerônimo
f Cena V - Os mesmos, Manuel Maria, depois O Compadre, depois Vitorino f Cena VI - Os mesmos e Dois Soldados
f Cena VII - Cardoso e depois Amália f Cena VIII - Amália, depois Perdigão f Cena IX - Os mesmos e Cardoso f Cena X - Os mesmos e um Soldado f [ Cai o pano]
PELE DO LOBO
f Pele do LoboConta a angústia de Cardoso e sua esposa Amália. O casal tenta há mais de duas horas chegar ao batizado onde serão padrinhos. No entanto, são constantemente impedidos de sair da delegacia, onde Cardoso ocupa o cargo de subdelegado, devido à queixa de roubo de galinhas feita por Apolinário contra o suposto ladrão,
Jerônimo. Jerônimo vai até a delegacia e causa a maior confusão. No final desta confusão toda Cardoso perde o cardo de
AMOR POR ANEXINS
Conta a história de Isaías e de Inês. Isaías era apaixonado por Inês e queria se casar com ela, mas ela não queria. Isaías adora
anexins (provébios) e conversa muito com a tentativa de
conquistar à Inês, que já era viúva. No final Inês aceita o pedido de casamento.
COMO EU ME DIVERTI
Conta a história de Jorge que em uma noite de carnaval, sai para beber e faz tudo que tem direito. Depois volta para a pensão de Dona Maria, onde mora. Ela muito preocupada com Jorge chama um médico para vê-lo. Ele examina-o e diz que foi apenas a
ressaca da noitada. E depois de conversar com D. Maria, o
médico descobre que Jorge é namorado de sua afilhada. Então ele conta para o pai da moça, que rompe relações com Jorge. Certo tempo depois chega um homem, D. Maria deixa o entrar, pois acha que ele é o pai da namorada de Jorge. Mal sabia ela que era o chefe de Jorge, que demite-o por causa da noitada anterior. D Maria fica arrependida e se sente culpada pelo
O DOTE
f Conta a história de Ângelo que era casado com Henriqueta. Ângelo vivia cheio de dividas
por causa do luxo da sua esposa. Certo dia seu amigo Rodrigo chega no seu escritório e fala com ele sobre este assunto e convence Ângelo de dizer a seu sogro e sua sogra o que
estava acontecendo.
f Ângelo então conta e no final se separa de Henriqueta. Então Ângelo juntamente com pai
João e Rodrigo vão para outra cidade descansar a cabeça.
f Mas lá descobrem que Henriqueta está doente assim como Ângelo. Depois descobrem que
ela está grávida e os dois, com muita saudade se reencontram e voltam para o lar.
f A linguagem empregada facilita a compreensão do texto e o assunto é de fácil