CONTRATO-PROGRAMA E DE GESTÃO
ENTRE:
O MUNICÍPIO DE LOULÉ, pessoa colectiva nº 502 098 139, com sede na Praça da República, em Loulé, adiante simplesmente designado por “ CML ”, devidamente representado pelo Presidente da Câmara, Sebastião Francisco Seruca Emídio,
E
INFRALOBO - EMPRESA DE INFRA-ESTRUTURAS DE VALE DO LOBO, E.M., pessoa colectiva nº 504 041 193, com sede em Vale do Lobo, Freguesia de Almancil e Concelho de Loulé, representada para o efeito por Aquilino José da Silva Matos Pereira, na qualidade de Presidente, e Luís Fernando Dias de Matos e Luis Manuel Pedro Inês na qualidade de Administradores, adiante simplesmente designada por “INFRALOBO ”;
CONSIDERANDO QUE:
1. É da responsabilidade da CML, no respeitante ao concelho de Loulé, a gestão do sistema de adução e distribuição de água doméstica, industrial, comercial e para rega, a gestão do sistema de saneamento básico, a recolha de resíduos sólidos urbanos e a manutenção de infra-estruturas, designadamente a construção e manutenção de redes viárias, espaços verdes, sistemas de drenagem de águas pluviais, rede de iluminação pública, estacionamentos públicos e limpezas de ruas, conforme resulta do disposto nas alíneas a), c) e l) do nº 1 do artigo 13.º e dos artigos 16.º,18.º e 26.º da Lei n.º 159/99, de 14 Setembro;
2. A CML pretende desenvolver uma estratégia para a gestão do sistema adução e distribuição de água doméstica, industrial, comercial e para rega na área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, que permita uma moderna e ambientalmente responsável gestão de infra-estruturas, a qual deve traduzir um empenhamento em introduzir, de forma adequada e tecnicamente actualizada, os diferentes aspectos relevantes para a prossecução da melhoria dos sistemas, tendo em vista a crescente necessidade de preservar, de forma sustentável, a qualidade da água fornecida, a saúde pública e o ambiente;
3. A CML pretende igualmente orientar o sistema de saneamento básico da mesma área para a optimização de todos os recursos, incentivando uma redução dos custos e uma minimização dos impactos ambientais e dos desperdícios no integral cumprimento da legislação e regulamentação inerente aos serviços e ao ambiente;
4. A CML está profundamente empenhada no desenvolvimento de infra-estruturas de tratamento e deposição de resíduos sólidos urbanos na área Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, no âmbito de uma política integrada de recolha selectiva e valorização de resíduos;
5. Por decisão conjunta da CML e da Empresa Turística de Vale do Lobo do Algarve, Lda., posteriormente alterada a sua denominação social para Vale do Lobo Resort Turístico de Luxo, S.A., a Infralobo iniciou a sua actividade em 1 de Janeiro de 1998, tendo-lhe sido conferidas competências de gestão, conservação e manutenção, nomeadamente na área de distribuição e tratamento de águas, recolha e tratamento de efluentes domésticos e pluviais e serviços de limpeza e recolha de resíduos sólidos, competências para cujo exercício, aliás, esta foi expressamente constituída, conforme previsto nos estatutos da empresa;
6. Que tais competências correspondem à prestação de serviços de interesse geral, devendo assegurar-se a universalidade e continuidade dos serviços prestados, a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos, a coesão económica e social local ou
regional e a protecção dos utentes, sem prejuízo da eficiência económica e do respeito dos princípios da não discriminação e da transparência;
7. A INFRALOBO, nos termos do disposto nos artigos 18.º e 19.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, deve ser classificada como uma empresa encarregada da gestão de serviços de interesse geral;
8. De acordo com o também disposto no artigo 20.º da mesma Lei n.º 53-F/2006, a prestação de serviços de interesse geral pelas empresas do sector empresarial local depende da celebração de contratos de gestão com as entidades participantes.
CONSIDERANDO AINDA QUE:
9. A CML pretende criar e desenvolver condições necessárias à gestão e boa manutenção dos equipamentos infra-estruturais da área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, nomeadamente construção e manutenção de redes viárias, espaços verdes, drenagem de águas residuais pluviais, rede de iluminação pública, estacionamentos públicos e limpeza urbana, favorecendo desta forma a realização de actividades de interesse para o progresso e desenvolvimento do Município;
10. A reparação, manutenção ou adaptação destes equipamentos, constitui a realização de um interesse local e regional, permitindo dotar a área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, de infra-estruturas modernas e funcionais essenciais, para fruição da população residente, circunvizinha e dos turistas, com a inerente projecção internacional;
11. Não obstante o interesse municipal na reparação, manutenção ou adaptação de infra-estruturas, o orçamento municipal está já onerado pela realização das demais obras a cargo do Município;
12. Nestas condições e tendo em conta as dificuldades actuais, tornou-se indispensável recorrer à disponibilização de financiamentos privados que possibilitem em regime de
parceria, a implementação a curto prazo e respectiva promoção imobiliária destes equipamentos, no sentido de proporcionar a sua melhor utilização, gestão, rentabilidade e valorização;
13. Decorre dos estatutos da INFRALOBO e das competências que lhe foram delegadas, a possibilidade de esta proceder à realização de obras e trabalhos, nomeadamente de construção, reparação, manutenção ou adaptação de infra-estruturas;
14. Que tais competências se inserem na promoção do desenvolvimento económico local ou regional, devendo assegurar-se a promoção do crescimento económico local e regional, a eliminação de assimetrias e o reforço da coesão económica e social local ou regional, sem prejuízo da eficiência económica e do respeito dos princípios da não discriminação e da transparência;
15. A INFRALOBO, nos termos do disposto nos artigos 18.º e 19.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, deve para esse efeito, e simultaneamente, ser classificada como uma empresa encarregada da promoção do desenvolvimento económico local e regional;
16. De acordo com o também disposto no artigo 23.º da mesma Lei n.º 53-F/2006, a promoção do desenvolvimento económico local ou regional pelas empresas encarregadas de tais competências depende de celebração de contratos-programa com as entidades participantes;
FINALMENTE CONSIDERANDO QUE:
17. Através da constituição da INFRALOBO, a CML delegou nesta empresa pública municipal as necessárias competências no que respeita à prossecução das competências atrás descritas;
18. Nos termos do disposto da alínea d) do n.º 7 do artigo 64.º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com a redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro e ao abrigo do estatuído nos artigos 18.º a 23.º, da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, a CML aprovou a celebração de um contrato de gestão e de um contrato programa entre a CML e a INFRALOBO, cuja minuta fez parte integrante da proposta.
É celebrado entre CML e a INFRALOBO, ao abrigo do disposto nos artigos 18.º a 23.º da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro, o presente contrato, que engloba um contrato de gestão e um contrato-programa, o qual se rege pelas cláusulas seguintes:
CAPÍTULO I (Normas Gerais)
CLÁUSULA PRIMEIRA
1. O presente Contrato tem por objecto a definição da prestação de serviços de interesse geral e de promoção do desenvolvimento económico local e regional da área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, definida de acordo com o PDM de Loulé, pela INFRALOBO,
2. Nomeadamente, o presente Contrato tem por objecto a gestão e manutenção, pela INFRALOBO, do sistema de adução e distribuição de água doméstica, industrial, comercial e para rega, do sistema de saneamento básico, do sistema de recolha de resíduos sólidos urbanos, bem como a gestão e a manutenção de infra-estruturas, pela INFRALOBO, designadamente a manutenção de redes viárias, espaços verdes, sistemas de drenagem de águas pluviais, rede de iluminação pública, estacionamentos públicos e limpezas urbana.
3. Salvo disposição em contrário, a gestão e a prestação dos serviços referidos no número anterior é efectuada nos termos e disposições aplicáveis à sua gestão pela CML.
CLÁUSULA SEGUNDA
1. A CML aprovará, em cada ano civil, sob proposta da INFRALOBO, os tarifários respeitantes aos serviços referidos na Cláusula Primeira, que deverão respeitar o princípio do equilíbrio económico da exploração e da proporcionalidade.
2. A INFRALOBO obriga-se a adoptar sistemas de contabilidade analítica que permitam aferir o custo real da prestação de cada um desses serviços.
3. Considerando a sazonalidade inerente à área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, a INFRALOBO fica autorizada a propor e fixar tarifas diferenciadas para cada época do ano.
CLAÚSULA TERCEIRA
1. A CML aprovou em sessão ordinária da Assembleia Municipal de 27 de Novembro de 2009 o Regulamento Tarifário da INFRALOBO, respeitante a:
a) adução e distribuição de água doméstica, industrial, comercial e obras, b) de saneamento básico,
c) recolha de resíduos sólidos urbanos,
d) qualidade das infra-estruturas e ambiente, designadamente a manutenção de redes viárias, espaços verdes, sistemas de drenagem de águas pluviais, rede de iluminação pública, estacionamentos públicos e limpeza urbana.
2 A CML autoriza expressamente a INFRALOBO a proceder à aplicação do Regulamento Tarifário para o ano de 2010 e a cobrar as respectivas tarifas, na zona de Vale do Lobo, Garrão e áreas adjacentes.
CLÁUSULA QUARTA
1. O prazo de duração do presente Contrato coincidirá com o mandato do actual Conselho de Administração e contará a partir da data da sua assinatura;
2. A CML e a INFRALOBO podem respectivamente pôr termo ao presente ao presente contrato até um ano antes do vencimento do período considerado;
CLÁUSULA QUINTA
1. O presente Contrato pode ser revisto por acordo escrito e mediante iniciativa de qualquer das partes.
2. A CML poderá rever o presente Contrato quando, em virtude de alteração superveniente e imprevista das circunstâncias, a sua execução se torne excessivamente onerosa para a mesma, ou se manifeste inadequada à realização do interesse público.
CLÁUSULA SEXTA
1. O incumprimento, por parte da INFRALOBO, das obrigações emergentes do presente Contrato ou o desvio dos seus objectivos, nomeadamente os referentes às obrigações de serviço público, de universalidade de acesso, continuidade, regularidade e sujeição tarifária em toda a área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, condição essencial do presente Contrato, constitui justa causa de rescisão do mesmo, implicando a devolução dos valores recebidos, bem como, dos valores correspondentes suportados pela CML, para além da responsabilidade financeira e criminal aplicável.
2. No caso de ocorrer a rescisão prevista no número anterior, a CML avocará provisoriamente as competências da INFRALOBO, com os meios e pessoal afectos à INFRALOBO, até encontrar com Vale do Lobo, RTL, S.A. uma solução adequada para a assunção das obrigações e responsabilidades daí decorrentes, designadamente em matéria de pessoal.
CLÁUSULA SÉTIMA
A CML não assume, pelo presente Contrato, qualquer responsabilidade pelos prejuízos que a sua execução pela INFRALOBO possa causar a terceiros.
CLÁUSULA OITAVA
1. A INFRALOBO não poderá ceder a sua posição contratual ou qualquer dos direitos e obrigações decorrentes do presente Contrato, sem autorização da CML.
2. A INFRALOBO pode, em todo o caso, contratar com terceiros subprestadores de serviços ou subcontratantes, a realização de parte das actividades inerentes às competências que lhe são atribuídas pelo presente Contrato que não lhe sejam economicamente vantajosas desempenhar, desde que a INFRALOBO assuma a plenitude da responsabilidade pela actividade desenvolvida e pelo serviço prestado.
CLÁUSULA NONA
1. Quaisquer diferendos emergentes do presente Contrato ou a ele respeitantes que não sejam resolvidos amigavelmente, serão dirimidos por arbitragem, no âmbito do Centro de Arbitragem Comercial da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa/ Associação Comercial de Lisboa e Associação Comercial do Porto/ Câmara de Comércio e Indústria do Porto, de harmonia, salvo o que consta da presente Cláusula, com o respectivo Regulamento.
2. O tribunal arbitral será composto por três árbitros, constituído e funcionando de acordo com a Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto e com o estipulado na presente Cláusula.
3. As partes podem acordar, atenta a dimensão e complexidade do conflito, confiar a solução do conflito a um árbitro único.
4. A arbitragem terá lugar em Loulé.
5. O tribunal arbitral deverá proferir a sua decisão sobre o litígio no prazo máximo de 3 (três) meses a contar das últimas alegações apresentadas pelas Partes.
6. A decisão do tribunal arbitral é passível de recurso nos termos previstos nos recursos em processo civil para o tribunal da Relação com jurisdição sobre o Município de Loulé, que julgará em última instância.
CAPÍTULO II (Do Contrato de Gestão)
CLÁUSULA DÉCIMA
1. A INFRALOBO assume a gestão e prestação e dos seguintes serviços de interesse geral, bem como a cobrança das respectivas tarifas, de acordo com o Regulamento Tarifário em vigor:
a) sistema de adução e distribuição de água doméstica, industrial comercial e obras, b) sistema de saneamento básico,
c) sistema de recolha de resíduos sólidos urbanos.
2. A gestão da prestação dos serviços referidos no número anterior fica sujeita às regras da universalidade de acesso, continuidade, regularidade e sujeição tarifária em toda a área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, nos termos da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro.
CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA
No exercício da sua actividade, a INFRALOBO contratará o pessoal que entender necessário ao bom desempenho das suas tarefas, adquirirá os equipamentos e instalará as infra-estruturas necessárias ao mesmo fim, sem que tais contratos ou assunção de obrigações de alguma forma vinculem a CML.
CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA
1. Fica a INFRALOBO autorizada a cobrar aos respectivos utentes as taxas de utilização ou consumo respeitantes aos serviços de interesse geral em causa, de acordo com os tarifários aprovados pela CML.
2. Suportará a CML os custos inerentes à deposição de resíduos sólidos urbanos e de saneamento recolhidos na zona de Vale do Lobo, Garrão e áreas adjacentes.
certidões de dívida que emita em relação ao incumprimento da obrigação de pagamento por parte dos destinatários do serviço.
CAPÍTULO II (Do Contrato Programa)
CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA
1. A INFRALOBO assume a gestão e a manutenção de infra-estruturas na área geográfica de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, nomeadamente a construção, gestão e manutenção de redes viárias principais e secundárias, espaços verdes, sistemas de drenagem de águas pluviais, rede de iluminação pública, estacionamento público e limpeza urbana, bem como a cobrança da tarifa relativa à qualidade das infra-estruturas e ambiente.
2. Suportará a CML os custos inerentes às despesas de consumo de energia relativo à iluminação pública na área de intervenção da INFRALOBO.
3. A gestão e a prestação dos serviços referidos no número anterior fica sujeita às regras da universalidade de acesso, continuidade, regularidade e sujeição tarifária em toda a área de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes, nos termos do Capítulo II da Lei n.º 53-F/2006, de 29 de Dezembro.
CLÁUSULA DÉCIMA QUARTA
1. Sempre que a dimensão técnico-financeira e a complexidade das actividades referidas no número anterior e a opção estratégica de desenvolvimento integrado do Concelho o exigir, pode a CML celebrar protocolos específicos de execução com a INFRALOBO, definindo pormenorizadamente o seu objecto e regras de execução e claramente identificando o montante das comparticipações públicas que a INFRALOBO tem o direito de receber como contrapartida das específicas obrigações assumidas.
2. A celebração dos protocolos específicos de execução em caso algum pode envolver a derrogação de normas do presente contrato-programa, nem deles pode resultar a assunção de responsabilidades contratuais não previstas na Cláusula Décima Terceira.
CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA
Incumbe à INFRALOBO, após conhecimento sobre os projectos de loteamento que lhe sejam comunicados pela CML, acompanhar e vistoriar a execução das infra-estruturas dos loteamentos autorizados pela CML na área geográfica de Vale do Lobo, Garrão e zonas adjacentes e promover junto da CML a respectiva recepção provisória, que se converterá em definitiva depois de aprovada pela CML.
CLÁUSULA DÉCIMA SEXTA
O incumprimento por parte da INFRALOBO das obrigações referidas na cláusula Décima Terceira, salvo por razões devidamente fundamentadas, implicará a suspensão das comparticipações financeiras da CML.
O presente Contrato é feito em duplicado, ficando um exemplar na posse da cada outorgante, possui todas as suas folhas rubricadas e vai ser assinado.
Loulé, aos 14 dias do mês de Julho de 2010
CÂMARA MUNICIPAL DE LOULÉ
O Presidente,
INFRALOBO