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AULA 7 31/03/11 A COMPETÊNCIA PENAL

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AULA 7 – 31/03/11

A COMPETÊNCIA PENAL

____________________________________________________________________________________

1 A DISTRIBUIÇÃO

1.1 INTRODUÇÃO

Somente há de se falar em distribuição após a prática das primeiras quatro perguntas concernentes à competência penal. Destarte, tendo chego ao foro competente, em havendo multiplicidade de juízos competentes, ocorrerá a distribuição.

1.2 A REGRA

Entrega-se a petição no órgão distribuidor. Promove-se um sorteio, que atualmente é patrocinado por mecanismo eletrônico, e define-se qual dentre as varas daquele juízo será a competente para processar e julgar o delito1.

1 Código de Processo Penal do Brasil (1941): Art. 75 - A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma

circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente. Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito da concessão de fiança ou da decretação de prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal.

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1.3 A EXCEÇÃO

O inquérito policial é um procedimento pré-processual para investigar a autoria e a materialidade. Há situações, no curso de um inquérito policial, nas quais se fazem necessárias a fiscalização por parte de um juiz de direito.

Exemplificando, consideremos um inquérito policial no qual ocorre uma prisão em flagrante. O juiz de direito plantonista – daquele dia – imediatamente analisa o flagrante: se regular, mantém; por outro lado, se irregular, relaxa.

Neste norte, sempre que um juiz plantonista exercer um ato decisório (ex.: relaxar um flagrante, decretar uma prisão cautelar, requerer uma diligência, autorizar fiança e liberdade provisória etc.), tal magistrado se fará prevento.

Prevento é a qualidade daquele que é prevenido. Em sendo a pessoa prevenida a pessoa preparada, será este juiz aquele que gozará da capacidade jurídica para promover os atos processuais. Neste caso, o processo não será distribuído.

2 A CONEXÃO

2.1 INTRODUÇÃO

Conexão é palavra que vem do verbo conectar que quer dizer juntar, acoplar, atrelar, ligar, prender, unir, vincular. Neste norte, há situações nas quais se observa a recomendação – não obrigação – para que o magistrado reúna dois ou mais processos sob uma mesma competência2.

Nestes casos, reunir os processos propicia vantagens, tais como: celeridade e uniformidade, evitando-se a discrepância de decisões. Em suma, aponta-se que três elementos conectam processos penais, quais sejam: provas, partes e lides.

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Código de Processo Penal do Brasil (1941): Art. 76 - A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.

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2.2 A CONEXÃO INSTRUMENTAL (PROBATÓRIA)

É a sugestão de reunião de dois ou mais processos que tem em comum o elemento prova. Exemplo: uma câmera de vídeo flagrou, simultaneamente, dois delitos: Maria roubando Marta de um lado da rua; e João roubando Pedro do outro lado da mesma rua.

Maria reside em São Paulo: o processo será aforado em São Paulo. João reside em Guarulhos: o processo será aforado em Guarulhos. A fita da câmera instruirá ambos os processos penais. Poderá um magistrado abraçar ambos os processos por meio da conexão.

2.3 A CONEXÃO INTERSUBJETIVA

É a sugestão de reunião de dois ou mais processos que tem em comum algo concernente ao elemento sujeito, podendo ser: por simultaneidade; por concurso; ou por reciprocidade. Note que, a palavra intersubjetivo é a comunhão de “entre” “sujeitos”.

Por simultaneidade: réus unidos por situação fática. Exemplo – caminhão tomba em rodovia e vários moradores locais furtam latas de cerveja, sem que haja combinação prévia. Cada um será processado em um lugar. Recomenda-se reunir todos os processos.

Por concurso: réus unidos pelo concurso de agentes. Exemplo – vítima, falando ao celular na Santa Ifigênia, é empurrada roubada pelo primeiro, empurrada pelo segundo e confundida pelo terceiro. Há ajuste prévio entre os autores. Recomenda-se reunir os processos.

Por reciprocidade: réus unidos por lesões injuriosas ou físicas recíprocas. As duas partes são autores e réus, simultaneamente. Exemplo – João e Pedro travam luta e agridem-se mutuamente. Cada um dirige-se a delegacia de polícia do seu bairro. Recomenda-se reunir os processos.

2.4 A CONEXÃO OBJETIVA

É a sugestão de reunião de dois ou mais processos que tem em comum algo concernente ao objeto, valendo dizer, ao delito. São possíveis quatro modalidades: para facilitar outro crime; para ocultar outro crime; para garantir impunidade; ou para garantir vantagem de outro delito.

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Para facilitar outro crime: um crime que tem por objetivo facilitar um segundo delito. Exemplo: - João falsifica um documento de identidade (será processado neste juízo) e o utiliza para comprar roupas (será processado naquele juízo). Recomenda-se reunir os processos.

Para ocultar outro: um crime que tem por objetivo ocultar um segundo delito. Exemplo – João ateia fogo em um documento que comprovava uma apropriação indébita (processo aqui), destravando um incêndio (processo ali). Recomenda-se reunir os processos.

Para garantir impunidade: um crime que tem por objetivo assegurar a impunidade. Exemplo – João, que está sendo processado por assédio sexual no escritório (processo aqui), amedronta certa testemunha ameaçando matá-la (processo acolá). Recomenda-se reunir os processos.

Para garantir vantagem de outro delito: objetivo assegurar vantagem de outro delito. Exemplo – João e Pedro roubam um banco (processo naquela comarca), fogem para o estado vizinho e, neste, João mata Pedro para ficar com toda a pilhagem (processo nesta comarca). Reunir processos.

3 A CONTINÊNCIA

3.1 INTRODUÇÃO

O termo continência3 nos faz pensar em contentor (continente, dominador) e contido (conteúdo, dominado). Juridicamente, podemos perceber a existência de dois processos: um processão que engloba um processinho. Recomenda-se reunir os processos.

3.2 A CONTINÊNCIA SUBJETIVA

Há pluralidade de pessoas, grupo maior abraçando o menor. Exemplificando, consideremos um processo de maior porte que envolve cem pessoas, dentre os quais estão Pedro, João e José; e outro menor, envolvendo somente Pedro, João e José. Recomenda-se reunir os processos.

3 Código de Processo Penal do Brasil (1941): Art. 77 - A competência será determinada pela continência quando: I - duas ou mais

pessoas forem acusadas pela mesma infração; II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1o, 53,

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3.3 A CONTINÊNCIA OBJETIVA

Há pluralidade de delitos, grupo maior abraçando o menor. Exemplificando, meditemos um processo de maior porte envolvendo formação de quadrilhas, tráfico de drogas e contrabando; e outro menor, envolvendo somente contrabando. Recomenda-se reunir os processos.

4 A VIS ATTRACTIVA

4.1 INTRODUÇÃO

Pode ser, a vis attractiva4, percebida como a força de atração que os processos exercem uns sobre os outros. Em verdade, pode ocorrer de um processo puxar para dentro de sua competência outro processo que originalmente pertence a competência distinta.

4.2 OS DELITOS DE CATEGORIAS DISTINTAS

Há situações nas quais se observa que os dois ou mais delitos dispõem-se em justiças hierarquicamente distintas. Neste caso, considera-se que a justiça especial puxa a comum. Exemplo: homicídio em São Paulo (crime doloso contra a vida – júri) puxa o furto em Campinas.

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Código de Processo Penal do Brasil (1941): Art. 78 - Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

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4.3 OS DELITOS DE CATEGORIA ANÁLOGA

Há situações nas quais se observa que os dois ou mais delitos dispõem-se em justiças hierarquicamente iguais. Neste caso, em se considerando a qualidade e a quantidade de delitos, nota-se que três possibilidades se fazem presentes.

A primeira: delitos de igual qualidade e quantidade. Exemplo: João pratica um furto em Salto e João pratica um furto em Itu. Sugere-se reunir os processos: o juiz que primeiro praticar ato decisório (ex.: intimação) será prevento em face do outro magistrado.

A segunda: delitos iguais em qualidade e diferentes em quantidade. Exemplo: João pratica dois furtos em Salto e pratica um furto em Itu. Sugere-se reunir os processos: o juiz da cidade em que ocorreram dois furtos é prevento em face do da cidade em que ocorreu um furto.

A terceira: delitos diferentes em qualidade. Exemplo: João pratica um roubo em Salto e pratica em furto em Itu. Sugere-se reunir os processos: o juiz da cidade em que ocorreu o crime mais gravoso (roubo) é prevento em face do da cidade em que ocorreu o menos gravoso (furto).

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