VANESSA JOAQUIM DA SILVA
ESTADIA ANTÔNIO JOAQUIM:
REQUALIFICAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO HISTÓRICA
Tubarão 2017
ESTADIA ANTÔNIO JOAQUIM:
REQUALIFICAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO HISTÓRICA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de bacharel.
Orientador: Ana Paula Cittadin, Ms.
Tubarão 2017
ESTADIA ANTÔNIO JOAQUIM:
REQUALIFICAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO HISTÓRICA
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel e aprovado em sua forma final pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Tubarão, (dia) de (mês) de (ano da defesa).
______________________________________________________ Professor e orientador Ana Paula Cittadin, Ms.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Avaliador 1
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Avaliador 2
que nos deram a oportunidade de crescer e brincar dentro de uma casa histórica.
Gostaria de primeiramente agradecer ao meu companheiro Felipe, que me incentivou a retornar a faculdade e me aguentou durante toda essa jornada no mundo da arquitetura. Sem seu apoio eu não estaria aqui e não ateria descoberto e aprendido tantas
coisas.
Aos amigos que fiz na faculdade e que espero levá-los pela vida inteira, sem vocês eu não teria chego até aqui com certeza. Obrigada por todas as explicações, risadas, choros que
tivemos juntos.
A minha família que compreendeu minha ausência em muitos feriados, me ouviram, me amparam quando foi preciso. Não há palavras para expressar minha gratidão. Amo
vocês!
A minha orientadora Ana Paula Cittadin por me guiar nessa caminhada, sem você com certeza eu não teria conseguido. Obrigada compreender meus anseios e medos.
Requalificação de uma edificação histórica em hostel na cidade de Laguna, Santa Catarina, Brasil. No Centro Histórico após o horário comercial apresenta um quadro de esvaziamento passando a sensação de abandono e insegurança por quem paasa por ali no período noturno. A proposta é contribuir para mudança deste cenário, incentivo o empreendedorismo e valorizando o Centro Histórico de Laguna com a implantação de um hostel numa edificação luso-brasileira.
Requalification of a historic building in a hostel in the city of Laguna, Santa Catarina, Brazil. In the Historical Center after the business hours presents a scene of emptying giveng the feeling of abandonment and insecurity by who walks by night there. The proposal is to contribute to change this scenario, encourage entrepreneurship and value the Historic Center of Laguna with the implementation of a hostel in a Portuguese-Brazilian building.
Figura 01: Localização de Laguna e da área de intervenção ...11
Figura 02: Foto área do Centro Histórico ...13
Figura 03: Croqui das casa luso-brasileiras ...18
figura04: Planta de uma casa luso-brasileira ...18
Figura 05: Delimitação da poligonal de tombamento e linguagens arquitetônicas existentes no Centro Histórico de Laguna ...20
Figura 06: Infográfico padrões de qualidade ...21
Figura 07 : Infográfico como são os hostels?...21
Figura 08- Localização do hostel...23
Figura 09 - Planta Térrea modificada pela autora...23
Figura 10- Planta Térrea e primeiro pavimento modificada pela autora...24
Figura 11 –Planta do segundo e terceiro pavimento modificada pela autora...24
Figura 12 –Foto da fachada modificada pela autora...24
Figura 13 –Foto do pavimento térreo com os espaços convidativos...25
Figura 14 –Foto do quarto coletivo...25
Figura 15 – Foto quarto privado...25
Figura 16 –Foto do pavimento térreo dando ênfase nas colunas de pedra...26
Figura 17–Planta térrea e primeiro pavimento modificada pela autora...27
Figura 18 –Planta segundo e terceiro pavimento modificada pela autora...27
Figura 19: Localização da edificação...28
autora...28
Figura 21 : Fachada da edificação art déco...29
Figura 22 : Fachada da edificação eclética...29
Figura 23: Localização do Hostel Matilda...31
Figura 24: Hostel Matilda e edificações vizinhas...31
Figura 25: Parede e afrescos original da edificação...31
Figura 26: Fachada do hostel...32
Figura 27: Fachada do hostel...32
Figura 28: salão e cozinha do hostel...32
Figura 29: Quarto coletivo...33
Figura 30: Quarto privativo...33
Figura 31: Planta do hostel, editado pela autora...33
Figura 32: Localização de Laguna e da área de intervenção...35
Figura 33: Laguna em 1828...36
Figura 34 Mapa de pontos de interesse...38
Figura 35: Mapa de uso do solo...39
Figura 36: Mapa de hierarquia viária...39
Figura 37: Mapa de sentidos...39
Figura 38: Mapa de relação de cheios x vazios...40
Figura 39: Mapa de relação de gabaritos...40
Figura 40: Mapa de setores morfológicos...41
Figura 41: Mapa de setores morfológicos...42
Figura 42: Implantação no terreno...42
Figura 45: Praça República Juliana em 1940...43
Figura 46: Autora junto a família...44
Figura 47: Edificação em estudo e vizinhança...44
Figura 48: Análise iconográfica...51
Figura 49: Árvore da vida...52
Figura 50: Fluxograma...54
Figura 51: Implantação da edificação junto a praça...54
Figura 52: Planta a perservar x a demolir...55
Figura 53: Planta esquemática...55
Figura 54: Zoneamento...55
Figura 55: Maquete volumétrico atual...56
Figura 56: Relação das alturas (croqui esquemático)...56
Quadro 1: Documentos e Cartas sobre a Presevação...15
Quadro 2: Pontos positivos e negativos...34
1 INTRODUÇÃO...11 1.1 TEMA...11 1.2 Justificativa...11 1.3 Problema...12 1.4.1 Objetivo Geral...12 1.4.2 Objetivos Específicos...13 1.5 Metodologia...13 2. REFERENCIAL TEÓRICO...14
2.1 Preservação e Intervenções em Pré-existência...14
2.2 Arquitetura Luso-Brasileira...17
2.3 Turismo...20
2.3.1 Hostel...20
3. REFERENCIAL PROJETUAL ...23
3.1 Generator Hostel Veneza...23
3.1.1 Acessos...23
3.1.2 Circulacação...24
3.1.3 Volume e massa...24
3.1.4 Espaços...25
3.1.5 Estruturas e Técnicas Construtivas...26
3.1.6 Zoneamento Funcional...26
3.1.7 Conforto Ambiental...26
3.1.8 Relações...26
3.1.9 Interior com o exterior...27
3.1.10 Hierarquias espaciais...27 3.1.11 Partido...27 3.2 Morada da Praça...28 3.2.1 Acessos...28 3.2.2 Circulação...28 3.2.3 Volume e massa...28 3.2.4 Espaços...29
3.2.5 Estruturas e técnicas construtivas...29
3.2.6 Conforto Ambiental ...30
3.2.7 Relações Edifício com o entorno cheios e vazios...30
3.2.8 Interior com o exterior...30
3.2.9 Hierarquia espaciais...30
3.2.10 Partido...30
3.3 Estudo de caso - Hostel Matilda...30
3.3.1 Localização...30
3.3.2 Sistemas construtivos...31
3.3.3 Volume e massa...32
3.3.4 Aspectos relevantes...32
3.4 Conclusão dos projetos referencias e estudo de casa...34
4 ANÁLISE DA ÁREA...35
4.1 Histórico ...35
4.2 Pontos de interesse...37
4.3 Análise se uso do solo...38
4.4 Análise sistema viário...39
4.3 Análise se uso do solo...38
4.4 Análise sistema viário...39
4.5 Análise de cheios e vazios...40
4.6 Gabaritos...40
4.7 Legislação...41
4.8 Estudo do Edifício Histórico Cultural...41
4.8.1 Situação e implantação...41
4.8.2 Análise Bioclimática...42
5 IDENTIFICAÇÃO E CONHECIMENTO DO BEM...43
5.1 Formação da Praça República Juliana...43
5.2 Histórico do imóvel...44
5.3 Levantamento Fotográfico...45
5.4 Análise iconográfica...51
6 PARTIDO...55
6.1 Conceito: árvore da vida...55
6.2 Diretrizes projetuais...56
6.3 Programa de Necessidades e Pré-dimensionamento...56
6.4 Fluxograma...57
6.5 Implantação...57
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS...60
REFERÊNCIAS...61
ANEXOS...62
ANEXO 1 - Escritura da edificação...62
1. INTRODUÇÃO
1.1 TEMA
Hostel é uma modalidade de hospedagem com caráter
comunitário, onde, dormitório, cozinha e banheiro são compartilhados entre os hóspedes. Com isso busca-se incentivar o intercâmbio cultural e troca de experiências. O trabalho trata da requalificação de uma edificação de interesse histórico e cultural localizada no Centro Histórico de Laguna para a implantação de um hostel.
1.2 Justificativa
Laguna serviu de cenário a grandes acontecimentos da história nacional e regional, tais como, O Tratado de Tordesilhas e a República Juliana, foi porta de entrada para os imigrantes alemães e italianos. Assim, foi cenário de grande desenvolvimento urbano e intelectual da região sul do Brasil. Porém, com o passar dos anos com a distribuição das atividades para outras cidades o polo econômico de Laguna entrou em decadência. Hoje, Laguna recebe um grande número de turistas de veraneio que estimula o crescimento imobiliário, principalmente na Praia do Mar Grosso onde se encontram a maioria da rede hoteleira da cidade.
A escolha do tema se deu devido à falta de movimentação noturna que traz ao usuário um sentimento de abandono e insegurança ao caminhar na área central de Laguna após o horário comercial. A proposta é c o n t r i b u i r p a r a m u d a n ç a d e s t e c e n á r i o , i n c e n t i v a n d o o empreendedorismo e valorizando o Centro Histórico de Laguna.
A escolha da edificação é de caráter pessoal, sendo que mesma, pertence família da autora desde 1979. Com o falecimento da irmã mais velha Zoraide Joaquim dos herdeiros, a edificação se encontra subutilizada. A edificação sempre teve como uso o residencial, está inserida no poligonal de tombamento do Centro Histórico de Laguna, decretado como patrimônio cultural nacional desde 1985. A casa possui linguagem arquitetônica luso-brasileira e se encontra na Praça República Juliana, uma das principais vias de visitação turística da cidade, está próxima ao Museu Anita Garibaldi e a Estátua de Anita Garibaldi, um dos símbolos da Laguna.
A edificação possui grande relevância histórica e arquitetônica, assim como a área a qual está inserida, o local também possui potencial turístico, com isso, surge o desejo de requalificar o imóvel da família em desuso.
Fonte: IPHAN, 2013.
1.3 Problema
Laguna apresenta um grande potencial turístico devido a sua história, paisagem arquitetônica e belezas naturais. Mesmo com esse cenário favorável ao turismo, os equipamentos de hospedagem encontrados no Centro Histórico, além, de escassos são insatisfatórios.
Sendo assim, a maior demanda de equipamentos de hospedagem, se encontram na praia do Mar Grosso e com melhor estrutura.
No Centro Histórico é onde se encontra a maior parte do setor terciário da cidade e também onde localiza-se grande parte dos serviços. Nesta área da cidade existe uma grande circulação de pessoas e veículos entre período da manhã e da tarde, porém, após as 18 horas o Centro Histórico se encontra ocioso com pouca circulação de pessoa.
Portanto, um equipamento de hospedagem como um hostel pode atrair serviços como bares, restaurantes e atividades culturais. Trazendo vida noturna a esta parte da cidade que é pouco frequentada no período noturno. Aumentando a atividade noturna é possível incentivar que o comércio local estenda seu horário atendimento após às 18 horas.
Considerando que o patrimônio arquitetônico é testemunha de um período remoto que demonstram características e informações sobre o local e estilo de vida dos que ali habitavam, a destruição deste patrimônio pode quebrar o elo de conhecimento com as gerações passadas. Atualmente a edificação em estudo se encontra subutilizada, um novo uso possibilitará uma nova vida a edificação, colaborando com a sua preservação.
1.4 Objetivos
1.4.1 Objetivo Geral
Elaborar diretrizes para anteprojeto de restauração e requalificação do patrimônio de interesse cultural no Centro Histórico de
de Laguna, Santa Catarina. Assim, adaptando a edificação para implantação de um hostel.
1.5 Metodologia
Afim de atingir os objetivos anteriormente apresentados, serão utilizadas as seguintes metodologias:
a) Revisão bibliográfica para fundamentação teórica em livros, artigos, teses, periódicos, sites, legislação e normas apropriados b) Análise de dados quanto a inserção urbana, referentes a estudo do uso do solo, gabarito, sistema viário, análise da legislação vigente ao tópico, analise bioclimática;
c) Avaliação estudo de caso para melhor compreensão das necessidades desta modalidade de hospedagem e também características específicas como setorização, fluxos e organograma;
d) Lançamento de partido arquitetônico com base no programa de necessidades, pré-dimensionamento, organograma, fluxograma, setorização e estudos de volumetria para inserção do anexo junto a edificação. As diretrizes traçadas fundamentam a segunda etapa deste Trabalho de Conclusão de Curso.
.1.4.2 Objetivos Específicos
a) L e v a n t a m e n t o d e i n f o r m a ç õ e s i n d i s p e n s á v e i s p a r a fundamentação teórica e histórica para contribuir com a proposta projetual;
b) Realizar análise de projeto referenciais e estudo de caso com uso equivalente, afim de criar diretrizes para intervenção do local; c) Realizar levantamento arquitetônico da edificação e identificar
seu estado de conservação;
Fonte: Ronaldo Amboni, 2013. Figura 02: Foto área do Centro Histórico.
d) Produzir um programa de necessidades adequado as exigências de um hostel, quanto ao patrimônio;
e) Lançar partido arquitetônico respeitando as condicionantes da edificação e tema proposto.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Este capítulo aborda uma revisão histórica e conceitual dos temas de interesse para o desenvolvimento da pesquisa. São apresentados os tópicos de maior relevância para o trabalho, tais como a importância do patrimônio cultural material e imaterial, bem como o seu valor no que diz respeito a representação da cultura na região e a influência no desenvolvimento econômico e social da mesma.
2.1 Preservação e Intervenções em Pré-existência
O patrimônio arquitetônico histórico é testemunha de um período, de modo que estes demonstram características e informações sobre o lugar e estilo de vida dos que ali habitavam. A destruição deste patrimônio quebra o elo de conhecimento com as gerações passadas. É fato que cada geração busque e renegue seu passado de acordo com a visão daquele período. Como por exemplo, a cultura grega clássica era muito valorizada no período renascentista, os artistas deste período buscavam uma influência artística baseada no classicismo grego. Os renascentistas já demonstravam preocupação com as edificações significativas, desmanchavam os acréscimos para que uma edificação mais antiga retornasse a sua característica original. Já edificações que não se adequassem ao uso do período tinham partes desmanchadas, ou ainda alteradas para condizer com padrões estéticos e necessidades
vigentes, Braga (2003).
Segundo Braga, 2003, p. 11:
Camillo Boito em 1883 em Roma determinou os seguintes princípios para obras de restauração arquitetônica no III Congresso de Engenheiros e Arquitetos: 1. Diferença de estilo entre o novo e o velho. 2. diferença no material de construção. 3. supressão de perfis e ornamentos. 4. Mostra de pedaços velhos retirados, em local aberto e ao lado do monumento. 5. Incisão em cada pedaço renovado com a data de restauro ou com um sinal convencionado. 6. Epígrafe descritiva incisa sobre o monumento. 7. Descrições e fotografias dos diversos períodos do trabalho, dispostas no edifício ou em um local a ele ou descrição publicada pela imprensa 8. Notoriedade.
As questões relacionadas à preservação do patrimônio, bem como os conceitos do que é o patrimônio e como preservá-lo, tem sido objeto de estudos e discussões em vários países do mundo, e, por isso, muitos documentos de caráter científico foram sendo elaborados para dar suporte conceitual e difundir a necessidade da preservação de forma mais ampla.
Embora o patrimônio construído no Brasil seja bem mais recente que o patrimônio europeu, por exemplo, isto não significa que seja menos importante. Para que possamos selecionar o que devemos preservar para o futuro, utilizamos critérios e reflexões extraídos destes documentos de preservação e restauração.
O quadro abaixo demosntra apenas os mais importantes, que foram fundamentais nos caminhos que foram adotados para a preservação no Brasil:
Carta de Veneza 1964
Portadoras de mensagem espiritual do passado, as obras de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições secularesA restauração é uma operação que deve ter caráter excepcional. Tem por objetivo conservar e revelar os valores estéticos e históricos do monumento e fundamenta-se no respeito ao material original e aos documentos autênticos. A restauração será sempre precedida e acompanhada de um estudo arqueológico e histórico do monumento.
Os acréscimos só poderão ser tolerados na medida que respeitarem todas as partes interessantes do edifício, seu esquema tradicional, o equilíbrio de sua composição e suas r e l a ç õ e s c o m o m e i o a m b i e n t e .
Documento Descrição
Carta de Atenas - 1931
Os valores arquitetônicos devem ser preservados (monumentos isolados e conjuntos urbanos);
Serão preservados se constituem-se na expressão de uma cultura anterior e se correspondem a um interesse coletivo; Copiar o passado é condenar-se à mentira, é construir o falso.
Salienta também a necessidade de que o interesse individual esteja subordinado ao interesse coletivo.
Recomendação de Paris - 1962
Entende-se por salvaguarda da beleza e do caráter das paisagens e sítios a preservação e, quando possível, a restituição do aspecto das paisagens e sítios, naturais, rurais ou urbanos, devido à natureza ou à obra do homem, que apresentam um interesse cultural ou estético, ou que constituem meios naturais característicos.
Quadro 1: Documentos e Cartas sobre a Presevação
Declaração de Amsterdã –1975
A conservação do patrimônio arquitetônico deve ser considerada não apenas como um problema marginal, mas como objetivo maior do planejamento das áreas urbanas e do planejamento físico-territorial;
Carta de Nairobi 1976.
Um cuidado especial deveria ser adotado na regulamentação e no controle das novas construções para assegurar que sua arquitetura se enquadre harmoniosamente nas estruturas espaciais e na ambiência dos conjuntos históricos, sem, contudo copiá-los.
Carta do Restauro Itália - 1972
A realização do projeto arquitetônico para a restauração de uma obra arquitetônica deverá ser precedida de um exaustivo estudo sobre o monumento, elaborado de diversos pontos de vista. Parte integrante desse estudo serão as pesquisas bibliográficas, iconográficas e arquivísticas, etc, para obter todos os dados históricos possíveis
Uma exigência fundamental da restauração é respeitar e salvaguardar a autenticidade dos elementos construtivos. Este princípio deve sempre guiar e condicionar a escolha das
o p e r a ç õ e s
Fonte: Cury, 2008.
A Carta de Atenas 1931, a de Veneza 1964 e muitas outras seguiram estes fundamentos, segundo Braga (2003). Desenvolvendo conceitos da carta anterior, Carta de Veneza buscou consenso pós-guerra, com princípios como: o uso de técnicas modernas tem que ser distinguíveis, o monumento é indissolúvel do entorno, o programa atual da edificação deve se adequar a sua estrutura sem ser alterada.
Conservar e revelar os valores estéticos e assim respeitar as contribuições de todas as épocas, não objetivando uma unidade estilística, todo trabalho de reconstrução deve ser evitado, sendo recomendada somente anastilose. A documentação dos trabalhos deve ser analítica critica e
com fotografias. Tais relatórios devem também atender a restauração (Braga, 2003, p. 11-13).
Segundo Lyra (2016), na Carta de Brasília 1994 há também semelhanças com a Carta de Veneza e suas antecessoras. Podemos compreender estas semelhanças nos condicionantes de novos usos que são admitidos com análise prévia das alternativas que harmonizam com a edificação.
Definida a opção adequada ao edifício, três critérios são estabelecidos para a adoção do novo uso: 1. Qualidade de intervenção, isto é, esta deve ter valo arquitetônico ou ser capaz de agregar valores ao bem (trata-se de um critério que não tinha sido estabelecido). 2. Reversibilidade, ou seja, a possibilidade de desfazer a intervenção e restabelecer a situação preexistente. 3. Harmonização com o conjunto, isto é, a intervenção não deve alterar a leitura e a fruição do todo. (Lyra, 2016, p. 33)
O objetivo maior da preservação do patrimônio cultural é, através de estudos, que se iniciam com os chamados inventários, escolher dentro de tudo o que o homem produz, o que é essencial para compor o presente e o futuro, de modo que não se percam os referenciais e a identidade dos locais mais significativos sob o ponto de vista histórico, cultural, artístico e paisagístico.
O Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi criado em 1937, há oitenta anos, quando foi promulgado o Decerto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que dava ao poder público federal, instrumentos legais para a preservação do Patrimônio Cultural brasileiro.
Num primeiro momento, apenas os grandes monumentos, de grande importância histórica foram preservados. Aos poucos, em função da crescente especulação imobiliária ou do abandono dos prédios mais antigos, foi-se sentindo a necessidade de preservar também cidades e
e segmentos de conjuntos urbanos evoluindo para a preservação do que chamamos da paisagem urbana, ou seja, de todos os elementos que compõem o cenário e a vida nas cidades. Pequenos núcleos rurais, também ameaçados de desaparecimento, foram igualmente protegidos e preservados. Foi dentro desta realidade e necessidade que o Centro Histórico de Laguna foi tombado em 1985, objeto de estudo nesse trabalho.
Lyra (2016) afirma que os primeiros 30 anos do SPHAN é tido como fase heroica da instituição, pois mesmo com o poucos recursos e patrimônios espalhados pelo país de tamanho continental conseguiu implantar legislação e consolidar esta instituição. “Nesse esforço construtivo, coube aos arquitetos responder às questões de preservação de bens imóveis tombados, definindo soluções para a proteção, a conservação, a restauração e a valorização do patrimônio arquitetônico.” (Lyra, 2016, p. 58)
De acordo com Lyra (2016), há duas tendências na atuação do arquiteto perante a uma edificação a ser restaurada. A primeira o autor chama de reconversão ou reutilização reverente, o arquiteto acrescenta de forma discreta a edificação, deixando de lado sua assinatura; esta postura é prevalecente na escola brasileira. A segunda tendência chamada de reciclagem ou reutilização criativa, esta apresenta acréscimo mais expressiva, assim deixando sua assinatura bem evidente.
Para Braga (2003, p. 20) “É importante que uma intervenção no bem cultural requer discrição e honestidade, sendo personagens principais são o passado, o presente e o futuro reunidos na história e representados na memória.”
Retrofit é uma técnica muito utilizada hoje em dia, seria a adaptação de um novo uso, reabilitação do espaço. Sempre buscando adaptar edificações preexistentes a uma nova atividade ao qual ela não foi projetada. Esta ação certifica que a edificação não reduzirá a vida a edificação, Braga (2003).
“Harmonizar as características da edificação ao novo uso é de extrema importância, pois não se ater as vocações e limitações do espaço antigo é predestinar a edificação a degradação acelerada.”(Braga, 2003, p. 25)
Independente do tipo de inserção a uma edificação com atributo histórico, deve se respeitar segundo Lyra (2016): a autencidade, a harmonia e sensibilidade. Tais premissas nortearão o projeto de restauração e requalificação para a implantação de um hostel da edificação localizada na Praça da República Juliana no Centro Histórico de Laguna que é objeto deste trabalho. Sendo assim, respeitar as limitações do espaço ao máximo, harmonizar com o novo uso.
A história de Laguna se inicia com disputa territorial entre Portugal e Espanha decorrendo ao Tratado de Tordesilhas. Com as invasões espanholas no sul do Brasil, Portugal envia mais de 100 mil portugueses para o Brasil-Colônia. Todavia, apenas no século XIX forram implantadas políticas para o povoamento do sul. Os açorianos chegam por volta de 1748 com incentivo da Coroa Portuguesa para 2.2 Arquitetura Brasileira
para impulsionar o crescimento populacional nas vilas litorâneas ao sul do Brasil. Isto provoca uma grande modificação nos usos e costumes da Vila de Laguna (SC), Site Municuoal de Laguna, 2017.
Com a chegada dos portugueses se inicia a arquitetura luso-brasileira no Brasil. Weimer (2005, p. 195) faz menção a Vautier, engenheiro e arquiteto francês que no século 19, observando as fachadas das moradias luso-brasileiras na cidade de Recife, referiu-as como que de uma “monotonia desesperadora”. Já para Carlos Lemos (1979, p. 56), a construção colonial do Sul do Brasil, a partir de uma visão geral, é assim definida: “sempre foi muito simples, de pedra e cal, sem mostrar absolutamente nada de especial a não ser uma clara e nítida influência portuguesa, talvez algarvia nas obras populares.”
Santos (2015) afirma:
“ esta arquitetura simples, aparentemente, “sem mostrar
absolutamente nada de especial”, tem suas raízes na
arquitetura tradicional portuguesa, que embora seja rica em regionalismos, em função de diferentes condicionantes – geográficos, culturais, econômicos, dentre outros – apresenta algo como uma unidade ou homogeneidade
plástica que lhe confere identidade comum”.
Essa uniformidade relevante é encontrada nas fachadas, segundo Reis Filho (2005), nos terrenos e partidos arquitetônicos a uniformidade também é notada, estes muitas vezes eram registrados em Cartas Régias ou posturas municipais.
Figura03: Croqui das casa luso-brasileiras
Fonte: Nestor Goulart, 2005
A construção das casas estava sempre ligada a uniformidade dos terrenos. As casas eram construídas de maneira uniforme, sendo que, em certos casos, tal padronização era fixada nas Cartas Régias ou resultantes de posturas municipais. (Souza, 1981, p.159)
Para assegurar uma aparência portuguesa em cidades e vilas brasileiras, dimensões, números de aberturas, altura dos pavimentos e alinhamentos com as edificações vizinhas eram recorrentes no século XVIII, Reis Filho(2005). ''Essa era a forma de garantir para as povoações e cidades uma aparência lusa." (Souza, 1981, p.159)
A monotonia e repetição, de acordo com Reis Filho (2005) não permanecia somente nas fachadas, tais características também era encontrada nas plantas estas escolhidas pelos proprietários. A disposição dos espaços permaneciam praticamente os mesmos em todas as residências, salas e lojas a frente se beneficiando das aberturas para a rua. Aos fundos também haviam aberturas para iluminar os cômodos de
cômodos de permanência das mulheres e locais de trabalho. Nas alcovas era quase improvável a entrada de luz diurna, estes espaços eram reservados para a permanência noturna. Um corredor longitudinal seguia do acesso aos fundos da edificação, este não servia apenas para circulação mas também para o apoio a uma das paredes laterais.
Souza (1981, p.160), descreve alcova como“quartos apertados sem abertura para a rua”, sendo este cômodo estritamente importante para caracterizar a residência portuguesa daquele período. Souza complementa ainda, que pequenas casas com porta e janela eram denominadas de moradinha. De acordo com Souza (1981, p. 163) “As casas térreas, de pouca fachada e metragem quadrada reduzida, vão apresentar, quase sempre as seguintes peças: sala, corredor, uma ou duas alcovas e cozinha.”
Figura04: Planta de uma casa luso-brasileira
Fonte: Desenho feito pela autora 1- Sala 2- Corredor 3- Alcova 4- Cômodo de permanência das mulheres
1
2
3
4
Figura 05: Delimitação da poligonal de tombamento e linguagens
arquitetônicas existentes no Centro Histórico de Laguna.
Os sistemas construtivos mais utilizados nas casas mais pobres eram pau-a-pique e taipa de estuque, segundo Souza (1981). Já o uso de materiais como pedra e barro ou ainda tijolos, pedra e cal apenas eram encontrados nas residências mais importantes, Reis Filho (2005).
“Quando o homem luso chega ao Brasil, não encontra aqui uma tradição de construção representativa como no México ou Peru.”(Souza, 1981, p.156)
As águas pluviais poderiam ser problemas para tais edificações, com isso, a cobertura da edificação com telhado em duas águas com grandes dimensões, buscava jogar a água da chuva para a rua ou sobre o quintal, podendo ser absorvida pelo terreno. Não era comum o uso de calhas. As construções vizinhas eram de extrema importância, estas traziam estabilidade e proteção das empenas contra as águas pluviais, quando não havia estas construções vizinhas procurava-se proteção com telhas aplicadas horizontalmente, Reis Filho (2005).
Até meados do século XIX, as casas e sobrados da Cidade de Nossa Senhora do Desterro possuíam beirais cobrindo quase toda a calçada(quando esta havia). Por ele escorria a água da chuva vinda dos telhados. Sem dúvida nenhuma que esse era um problema terrível para os transeuntes que passavam sob os beirais.(Souza, 1981, p.160).
Para Santos (2015) em todo o território brasileiro, são encontrados esses mesmos elementos construtivos, com as mesmas plantas baixas, sejam singelas moradinhas de porta-e-janela, ou abastadas moradas inteiras, por vezes elevadas em porão alto: salas à frente, alcovas ao centro e corredores compridos que levam da rua ao
ao quintal ou terreiro. E as cozinhas, igualmente muito alongadas, em volumes distintos numa espécie de cauda do corpo principal da habitação. Essa realidade também é vista nas cidades ocupadas no período colonial no estado de Santa Catarina e em Laguna.
De uma forma geral as edificações luso-brasileiras existente em Laguna apresentam as características arquitetônicas das existentes em outras regiões do país. São casas austeras, sem decoração, marcadas pelas cimalhas ou beira severa no beiral, paredes com mais de 50 cm de espessura, construídas com materiais da região, as casas térreas geralmente possuem uma porta e janela ou duas janelas.
A edificação em estudo faz parte deste conjunto de casas luso-brasileiras com estas mesmas características, está inserida na poligonal de tombamento do Centro Histórico de Laguna, compondo um conjunto arquitetônico luso-brasileiro, junto a edificações art déco, ecléticas, modernistas e contemporâneas que definem a paisagem desta área e podem ser observadas na Figura XX.
2.3 Turismo
A história do turismo se origina há muitos anos atrás, sendo os gregos e romanos os primeiros a fazer tal atividade. Porém, esta atividade internacional só se desenvolveu a partir do surgimento do turismo de massas, se tornando algo relevante no mundo desenvolvido. Segundo Cooper (2001), esta especialidade teve um rápido crescimento a partir da década de 60 com o aumento na procura de viagens de lazer
Fonte: Etec Laguna IPHAN-SC, 2010.
influenciado todos os aspectos do sistema turístico.
Trigo (1998) afirma que, o turismo pertence ao âmbito do lazer, sendo uma ocupação fora de compromissos como: trabalho, sociais, religiosos ou ainda familiares.
O lazer é uma necessidade e um direito tão legitimo do ser humano quanto educação, saúde, transporte ou segurança. O ser humano é um animal muito especial e complexo, que não se contenta com o mínimo indispensável a sua sobrevivência. Sua vida envolve aspectos mais amplos, como os lúdicos, imaginativos e criativos. (P. 11 – turismo básico)
O turismo requer o movimento temporário de pessoas para outras regiões ou países, desejando o bem-estar que uma atividade remunerada pode não satisfazer. Com isso, esta atividade desempenha um meio de comunicação e elo de interação entre os povos, dentro e fora de uma país, Trigo (1998).
2.3.1 Hostel
Como visto anteriormente turismo é um movimento temporário com o objetivo principal de lazer e troca, para que isso aconteça é preciso de setor de hospedagem para amparar o turista. Nesta parte conceituaremos o hostel e as necessidades básicas para esboçar um. O hostel começou quando o professor Richard Schirmann começou a realizar viagens de estudos para grupos jovens por volta de 1909 na Alemanha, segundo HI Hostel Brasil (2017). Assim, acabou descobrindo a oportunidade de criar uma alternativa para acomodar os
COMO SÃO OS HOSTELS?
COMO SÃO OS HOSTELS?
Na recepção dos hostels você encontra todas as informações para tornar a sua viagem ainda melhor: dicas de passeios, transportes, onde comer e badalar,etc.
É o lugar onde todos se encontram para bater papo e trocar ideias sobre passeios e viagens. Muitos hostels oferecem também áreas de lazer com piscina, jogos, bares e outros itens.
A maioria dos Hostels oferece cozinha comunitária onde você poderá economizar fazendo seu próprio lanche ou refeição.
Os hostels oferecem quartos coletivos equipados com beliches e armários individuais. Em vários hostels você encontrará quartos privativos, para casal, família ou grupo de amigos.
Podem ser coletivos separados por sexo (no estilo dos encontrados em academias e clubes) ou podem ser privativos, dentro do próprio quarto. DORMITÓRIOS BANHEIROS COZINHA ÁREA DE CONVIVÊNCIA RECEPÇÃO
Fonte: APAJ, infográfico adaptado pela autora. Figura 07 : Infográfico como são os hostels?
os alunos, que não fosse apenas o pernoite em hospedarias, assim nasceu o primeiro albergue da juventude. No Brasil a ideia chegou apenas na década de 60 com o movimento hippie e em 71 foi criado a Federação Brasileira dos Albergues da Juventude.
Segundo a Embratur (1987), os albergues estão ligados aos movimentos alberguistas nacional e internacional,baseando-se em um meio de hospedagem de turismo social. Esta forma de hospedagem oferece ao hóspede acomodação comunitária de curta duração com baixo custo assegurando higiene, conforto e segurança.
HOSTEL
SEGURANÇA CONFORTO
HOSPITALIDADE PRIVACIDADE
LIMPEZA
Figura 06: Infográfico padrões de qualidade
Fonte: APAJ, infográfico adaptado pela autora
Os albergues tem o objetivo de ajudar aos jovens a viajar, conhecer e amar natureza e ainda admirar culturas de grandes e pequenas cidades. Segundo Trotta (1978), esta modalidade de hospedagem devem seguir os mesmos princípios oferecer: dormitórios, banheiros separados por gênero, sala de estar e cozinha, seguindo a filosofia dos albergues da Juventude Internacionais.
O albergue da juventude é um meio de hospedagem alternativo, extra-hoteleiro e associativo que forma a maior rede de hospedagem econômica mundial, associado à marca Hostelling Internacional, espalhados por 70 países, somando 4.024 empreendimentos em todo mundo.
Oferece um padrão mínimo de conforto e proporciona uma noite bem dormida, em um ambiente descontraído, no qual se cria a oportunidade de encontrar pessoas e de formar um maior círculo de amizades com outras pessoas que viajam o mundo buscando conhecer o máximo gastando o mínimo. (Giaretta, Maria José. Turismo da juventude. 2003)
Segundo Giaretti (2003), o albergue da juventude ou seja, o
hostel é tido por unanimidade como um jeito de hospedagem que
permite a convivência, encontro de uma mesma faixa etária, isso tido aliado ao preço.
Levando em conta que Laguna tem ótimos atrativos turísticos e o esvaziamento que ocorre no centro histórico da cidade em horários que o comércio não funciona, a instalação de um hostel na edificação em estudo parece ser conveniente trazendo o que é preciso, mais movimentação. Um hostel não oferece tudo que o um hotel oferece ou seja, apenas o básico, não é obrigatório um grande número de quartos, assim a casa luso-brasileiro talvez consiga comportar esta modalidade de hospedagem.
3. REFERENCIAL PROJETUAL
Os referenciais projetuais e estudo de caso analisados a seguir apresentam interessante relação com o tema da proposta de intervenção na Casa 47 Praça República Juliana . O Hostel Genrator Veneza-Itália, a Morada da Praça em Laguna-SC e ainda o Hostel Matilda-PR, além de abordar o uso cultural em questão, tratam-se de intervenções em preexistências. Apresentam elementos e ideias específicas a serem trazidos para proposta.
3.1.Generator Hostel Veneza
Ficha técnica
Natureza do edifício: Hostel Arquitetura: DesignAgency Ano: 2013
Área: 2415,47m2 Local: Veneza, Itália
Este projeto trata-se de renovação deste hostel que chegou a ser o único da cidade de Veneza em 1950. A edificação de 1855 que originalmente era um armazém, fica localizada numa parte mais residencial de Veneza na Ilha de Guidecca, tendo proximidade a ponto de
Figura 09 - Planta Térrea modificada pela autora. Figura 08- Localização do hostel.
Fonte: Google Maps, 2017.
vaporetto facilitando o deslocamento dos turistas e moradores por Veneza.
O projeto trouxe a modernização dos espaços oferecendo quartos privados e compartilhados, como também bar e café.
3.1.1. Acessos
Todos os acessos a edificação acontecem pela frente, tendo o mesmo alinhamento. O acesso de serviço é mais restrito aos funcionários e encontra-se do lado de um acesso secundário, o acesso principal está centralizado no edifício. Todos os acessos são marcados com molduras.
Fonte: aeccafe.com
Figura 11 –Planta do segundo e terceiro pavimento modificada pela autora.
3.1.3. Volume e massa
A edificação tem forma básica retangular predominando a horizontalidade, não encontrando elementos vazios e aproveitando todo o espaço do terreno. As superfícies se demonstram de maneira opaca na fachada por tijolos maciços aparentes e o ritmo da dá pelas janelas e portas dispostas numa mesma maneira.
Figura 12 –Foto da fachada modificada pela autora.
Fonte: aeccafe.com
Fonte: aeccafe.com
3.1.2. Circulação
A circulação horizontal é predominante, mas para acessar os outros pavimentos a circulação é vertical tendo duas escadas e um elevador. O acesso aos quartos se dá por um corredor bem marcado. Os espaços no pavimento térreo se encontram em diferentes níveis dando distinção a cada espaço, ainda no térreo a circulação se encontra entre os mobiliários e colunas não tão marcados como nos pavimentos superiores.
Fonte: aeccafe.com Figura 15 – Foto quarto privado
Fonte: aeccafe.com Figura 13 –Foto do pavimento térreo com os espaços convidativos
Fonte: aeccafe.com
Figura 14 –Foto do quarto coletivo.
3.1.4. Espaços
No pavimento térreo há espaços totalmente singulares se diferenciando um dos outros, marcados pelo mobiliário. Toda a articulação deste pavimento se dá por esses elementos. A recepção, o café e o bar se encontram num mesmo balcão circular.
Nos pavimentos superiores os espaços ficam bem definidos diferenciando onde são os quartos, banheiros e circulações. Nos quartos os espaços ficam marcados pelos beliches cada um uma numeração demonstrando qual a cama do hóspede. Já nos quartos privativos os ficam definidos entre closet, banheiro privativo e quarto em si.
3.1.5. Estrutura e técnicas construtivos
A edificação de 1855 possui colunas em pedras, vigas em madeira e treliças do telhados restauradas trazendo a beleza original destes elementos. A edificação possui alvenaria com tijolos maciços aparente mostrando a originalidade do espaço sempre ressaltando a memória do local. Foi adicionado a ela elevador, quartos e banheiros para melhor atender aos hóspedes. Buscou-se trazer a glória e beleza original deste Palazzo de 1855.
Figura 16 –Foto do pavimento térreo dando ênfase nas colunas de pedra.
Fonte: aeccafe.com
3.1.6. Zoneamento Funcional
As áreas destinadas a serviço são bem reservados.
A parte social se encontrado no térreo tendo espaços destinados a isso, com mobiliário confortável e convidativo.
3.1.7. Conforto Ambiental
Utiliza-se iluminação natural com as janelas originais não foram feitas novas aberturas para não descaracterizar a edificação, então o uso de iluminação artificial é necessário. Através da luz buscou-se trazer mais aconchego aos ambientes. É possível observar dutos de ventilação artificial nos andares, provavelmente para trazer mais conforto aos hóspedes e funcionários.
3.1.8. Relações
Edifico com o entorno - Cheios e Vazios
Nas laterais da edificação há outras edificações dando a impressão de cheio e aos fundos da edificação encontra-se áreas verdes assim parecendo mais vazio nesta parte. A edificação tem o mesmo alinhamento das existente ao lado, tendo maior volume e altura em comparação as outras. As linguagens e texturas são distintas, parecendo ser de períodos diferentes.
3.1.9. Interior com o exterior
Esta relação se dá pelos acessos e também pelas janelas. Não há área área externa fazendo ligação com interna gerando uma descontinuidade.
3.1.10. Hierarquia espaciais
O hostel é denominado como privado tendo espaços semi-privados onde podem circular não apenas hóspedes e funcionários como também público em geral que queira utilizar o bar ou o café, o pavimento térreo em si é muito convidativo com espaços para interação e relaxamento. Os pavimentos superiores são exclusivamente privados tendo acessos apenas hóspedes e funcionários, nos corredores pode ser caracterizado como semi-privado.
Figura 17 –Planta térrea e primeiro pavimento modificada pela autora.
Fonte: aeccafe.com
Fonte: aeccafe.com
3.1.11. Partido
O hostel adapta uma edificação antiga para um uso mais contemporâneo. Com análise podemos perceber a importância de espaços convidativos para interação dos hóspedes e relaxamento ou seja área de convivência. A utilização de um outro uso como bar ou café para não apenas hóspedes mas também ao público em geral. Importância de espaços destinados exclusivamente para o uso dos funcionários como vestiário, escritório, almoxarifado, cozinha. Já parte dos quartos a relevância de ter quartos compartilhados destinados a hóspedes que pretendem gastar menos e ter experiências compartilhando o espaço com desconhecidos ou não, e ainda quartos privativos aos que não se importam de gestar um pouco a mais e ter privacidade e comodidade a mais.
3.2 Morada da Praça Ficha técnica
Natureza do edifício: Morada estudantil e hostel
Arquitetura: Arte Real Arquitetura e Restauro Ano: 2016
Área: 415 m²
Local: Laguna, Santa Catarina, Brasil
Este projeto trata-se de um projeto requalificação de duas edificações históricas tombadas a nível federal com o uso principal para uma morada estudantil e hostel como alternativa as férias estudantis. Este ocupa uma edificação com linguagem arquitetônica art-déco e também uma edificação com características do ecletismo.
3.2.1. Acessos
O acesso principal é feito edificação art déco localizada em frente a praça Vidal Ramos bem próximo a Igreja de Santo Antônio dos Anjos. Já o acesso secundário e de serviço pela edificação com características do ecletismo, estes ficam em frente a Casa da Cultura do Sesc de Laguna.
3.2.2. Circulação
As circulações predominantes são horizontais, a circulação vertical se dá por uma escada oriunda da edificação art déco dando acesso ao pavimento superior onde se localiza outros quartos além dos
Fonte: Arquiteto Raphael Py
Figura 21: Plantas pavimento térreo e superior modificados pela autora Figura 20: Localização da edificação
Fonte: Google Maps, 2017.
Legenda
Circulação horizontal Circulação vertical Área comum Banheiro
Quarto com banheirocoletivo Quarto com banheiro privado Déposito, gás e lixeira
3.2.3. Voluma e massa
Estes serão analisados separadamente por conta das edificações em linguagens arquitetônicas diferentes.
A edificação principal a art déco, tem formato predominante retangular aproveitando todo o espaço do terreno, há elementos verticais
Pavimento térreo Pavimento superior
8 7 6 1 2 4 5 9 11 13 14 15 12 10 16 17 18 19 20 3 21 22 23 24 25 3 Legenda 1- Recepção 2 - Área comum 3- Escada 4- Suíte 5- Suíte 6- Banheiro 7- Quarto 8- Quarto 9- Lavanderia 10- Bicicletário 11- Cozinha e Bar 12 - Área de refeição 13-Banheiro 14- Depósito 15- Lixo e gás 16- Suíte 17- Demi-suíte 18- Banheiro da demi-suíte 19- Demi-suíte 20- Suíte 21- Área comum 22- Quarto 23 - Quarto 24 - Quarto 25- Banheiro
marcantes em sua fachada, colunas semelhantes a ordem de colunas dóricas. A sua superfície externa é revestida com material cinza áspero chamado Cirex dando robustez a edificação. As aberturas do térreo e segundo são alinhadas e em conjuntos com as elementos geométrico que se destacam na argamassa conferem ritmo a fachada. Porem, a fachada é assimétrica devido ao vão do acesso principal.
A edificação eclética, também tem formato predominante retangular porém este demonstra mais verticalidade por conta da platibanda existente da edificação. O ritmo é bem harmônico por conta das duas aberturas idênticas.
Figura 22 : Fachada da edificação art déco.
Figura 23 : Fachada da edificação eclética.
Fonte: Arquivo pessoal.
Fonte: Arquivo pessoal.
3.2.4. Espaços
No pavimento térreo há espaços bem definidos como quartos, banheiros e áreas comuns como: recepção, estar, salão, área de serviço, cozinha e bar, bicicletário
3.2.5. Estrutura e técnicas construtivos
As edificações art déco e eclética são autoportantes de tijolos maciços e nas divisórias não originais da edificação optou-se por parede em gesso acartonado. E já na parte nova ou seja um anexo para abrigar mais espaços foi usado alvenaria com tijolos de seis furos.
3.2.6. Conforto Ambiental
Utiliza-se iluminação natural em quase todos ambientes, porém há presença de iluminação artificial quando é necessário. Não foram feitas novas aberturas para não descaracterizar ambas edificações. No salão utilizou-se cobertura Zetaflex translúcida para trazer mais iluminação a este ambiente, este permite a abertura para a circulação de ar.
3.2.7. Relações - Edifico com o entorno - Cheios e Vazios
Por se tratar de centro histórico preservado praticamente não há vazios perto da edificação, com exceção do terreno ao lado da edificação art deco que encontra-se vazio. As edificações são alinhadas ao passeio público, assim como as edificações vizinhas. As linguagens e texturas são completamente distintas por conta de períodos de construção diferentes.
3.2.8. Interior com o exterior
Há uma descontinuidade entre interior e exterior, pois não há ligações diretas. As relações se dão essencialmente pelas janelas e acessos, pelo fato de se tratar de edificações históricas construídas no alinhamento do passeio publico e ocupando 100% do lote.
3.2.9. Hierarquia espaciais
O morada estudantil e hostel é qualificada como privada tendo espaços semi-privados onde podem circular não apenas hóspedes e
funcionários como também convidados. Nos pavimentos superiores são exclusivamente privados tendo acessos apenas hóspedes e funcionários, nos corredores pode ser caracterizado como semi-privado.
3.2.10. Partido
A morada estudantil e hostel adaptam duas edificações antigas residenciais para uma uso mais atual. É importante perceber que aqui pensou-se mais no conforto dos usuários, principalmente dos estudantes por conta da preocupação em ter escrivaninhas em todos os quartos e privacidade para os estudos não havendo quartos coletivos, porém há quartos com banheiros coletivos, algo muito comum em hostel pelo mundo. As áreas de convívio se dão pelo salão e estar estes sempre pensados para interação dos usuários.
3.3 Estudo de caso - Hostel Matilda
3.3.1 Localização
A localização do hostel fica na área central de Curitiba perto da via pendotal rua XV de Novembro. Observou-se que em frente ao hostel é passagem da linha de ônibus turística de Curitiba que leva os visitantes aos pontos turísticos da cidade.
O hostel está situado em uma esquina da quadra, as edificações ao lado não possuem o mesmo gabarito e nem a mesma linguagem arquitetônica. Porém, a edificação que funciona o hostel chama atenção por sua cor, localização, linguagem arquitetônica e características históricas.
Figura 24: Localização do HostelMatilda
Fonte: Google Maps, 2017.
Figura 25: Hostel Matilda e edificações vizinhas
Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
3.3.2 Sistemas construtivos
Nas divisórias internas foi utilizado gesso acartonado, visando interferir minimamente na edificação histórica e possibilitando a reversibilidade das intervenções. Já os materiais originais da edificação foram destacados através de recortes na parede que chamam atenção para os tijolos maciços e pilares de madeira. Em algumas paredes internas observa-se a existência de afrescos, pinturas originais da edificação.
Fonte: Arquivo pessoal, 2017. Figura 26: Parede e afrescos originais da edificação.
3.3.3. Volume e massa
A edificação tem forma essencial retangular, predominando a horizontalidade e ocupando todo terreno ficando a extrema com o passeio público. As aberturas são todas alinhadas tendo ritmo e balanço bem harmônico por conta de suas aberturas iguais.
Figura 27: Fachada do hostel.
Figura 28: Fachada do hostel. Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
3.3.4 Aspectos relevantes
O espaço da edificação foi muito bem adaptado dentro do programa de necessidades de um hostel, buscando trazer privacidade aos hóspedes. Optou-se por não oferecer serviços de bar ou café ao público externo.
A setorização dos ambientes foi bem definida, separando os dormitórios das áreas de uso comum. O acesso aos dormitórios acontece através de um corredor. Existem nove dormitórios, sendo dois não compartilhados com banheiro privativo.
O Programa de necessidades do hostel foi todo adaptado dentro da edificação histórica, sem a necessidade da construção de novas edificações. A construção anexa existente conforme figura XX é a residência da proprietária.
Existem duas áreas de uso coletivo comum, um uma sala de televisão com sofás e outro um grande salão ao qual funcionam a cozinha, sala de jantar e recepção.
Figura 30: Quarto coletivo. Figura 32: Planta do hostel, editado pela autora.
Fonte: Arquiteto Juliano Monteiro. Figura 31: Quarto privativo.
Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
Fonte: Arquivo pessoal, 2017.
Pavimento térreo Pavimento superior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 10 Legenda Circulação horizontal Circulação vertical Área comum Banheiro Quarto coletivo
Quarto privativo com banheiro Legenda
1 - Cozinha, Área de refeição e Recepção 2- Quarto coletivo 3 - Quarto coletivo 4 - Quarto privado 5 - Quarto Privado 6 -Quarto coletivo 7 - Banheiro acessível 8 - Banheiro feminino 9 - Banheiro masculino 10 - Escada 11 - Sala de TV 12 - Quarto coletivo 13 - Quarto privado 14 - Quarto privado 15 - Quarto privado
3.4 Conclusão dos projetos referenciais e estudo de caso
Após analisar três hostels diferentes com propostas completamente diferentes, podemos concluir que todos eles tentaram aproveitar ao máximo o que a edificação histórica ofereceu. Topos optaram por uma intervenção discreta valorizando a história da edificação.
Pontos
Positivos
Generator
Veneza
Morada da
Praça
Hostel
Matilda
Pontos
Negativos
- muita área comum - não tem lavanderia para os hóspedes
- não tem cozinha para os hóspedes - disposição dos quartos coletivos e banheiros - cozinha disponível aos hóspedes - ótima divisão dos espaço
- ótima divisão dos espaço
- ambiente intimista - aproveitamento de toda edificação histórica
-pouco áreas sociais - sem lavanderia para hóspedes
- não tem acessibilidade
Quadro 2: Pontos positivos e negativos
4.1 ANÁLISE DA ÁREA
O município Laguna está localizado no sul do Estado de Santa Catarina, com uma população de 51.562 habitantes em uma área de 336, 396 km2, segundo dados do IBGE (2017), porém com a emancipação de Pescaria Brava estimasse que a cidade tenha aproximadamente 36.000 habitantes.
Laguna encontra-se a 120 km ao sul da capital Florianópolis, possui limite territorial com os municípios de Imbituba e Imaruí ao norte, Jaguaruna ao sul, Capivari de Baixo, Tubarão e Pescaria Brava a oeste e a leste o Oceano Atlântico. O município tem seu acesso principal por meio da rodoviaBR-101.
Figura 32: Localização de Laguna e da área de intervenção.
Fonte: CARDOSO, 2016
4.1 Histórico
A parte sul do continente brasileiro permanecia despovoado até os colonizadores portugueses despertarem a explorar região (Lucena, 1998). Nada foi desenvolvido na área, de 1580-1640, mesmo quando Portugal estava sobre domínio espanhol. Como ponto estratégico por sua localização geográfica, Laguna serviu para os portugueses como base principal aos seu sinteresses para manter o território sobre domínio português. Domingos de Brito Peixoto efetua assentamento para exploração do interior até atingir a Lagoa dos Patos. Em 1714 Laguna tem sua categoria elevada a Vila.
Fundada então, a povoação de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, é levantada incicalmente uma capea de “pau-a-pique”, coberta de palha, quando em 1696, seria substituída por uma nova edificação, que constitui hoje a parte da capela-mor da atua. A capela tinha a sua frente um grande campo, que seria também reservado para construção de uma praça. (Lucena, 1998, p. 14)
O porto que abastecia a Vila assegura uma nova a fase, de desenvolvimento econômico, transformando o porto de Laguna no principal da região sul, sendo responsável pela navegação dos barcos, mercadorias e principal escoador da produção de todo o sul (Lucena, 1998). A imigração açoriana é de grande importância para o povoamento da Vila e região, com os imigrantes vieram modificação na forma das construções, no cultivo da terra, aspectos religiosos, entre outros.
Com a transferência da Coroa portuguesa para o Brasil se inicia uma nova fase politica, econômica e social em solos brasileiros. A abertura dos portos em 1808, beneficiaria o comércio com outros
países. Em 1847 Laguna tem sua categoria elevada à cidade (Lucena, 1998).
A chegada do imigrante europeu, a partir de 1850 proporcionou um aumento considerável na mão-de-obra e na incrementação da atividades econômicas. Esta r e p e r c u s s ã o e c o n ô m i c a p o s s i b i l i t o u i n i c i a r a s transformações espaciais e socioculturais tão almejadas pela classe social emergente, de maior poder aquisitivo em Laguna. (Lucena, 1998, p. 34)
A ferrovia Thereza Christina também tem grande influência para o desenvolvimento de Laguna e região, o carvão extraído de Lauro Muller e Criciúma era enviado ao porto de Laguna. Isto trouxe diversos benefícios para a cidade, como a construção da Ponte Férrea de Cabeçuda. Na década de 1940, o fim da Segunda Guerra Mundial e com a escoação de carvão transferida para o porto de Imbituba, se inicia uma fase de declínio para a cidade de Laguna, que só não foi maior por ter permanecido a concentração comercial e de serviços (Lucena, 1998).
Em 1970 com a expansão da praia do Mar Grosso a atividade turística se desenvolve na cidade, trazendo desenvolvimento para a construção civil e prestação de serviços. O balneário Mar Grosso começa a se destacar como bairro para estabelecimentos turísticos, veraneio e para residências fixas. Na década de 1980, devido a especulação imobiliária e a renovação urbana que acontecia na maioria das cidades, inclusive em Laguna, inicia-se os estudos de tombamento da área central da cidade.
Atualmente, a especulação imobiliária continua concentrada na área balneária, sendo as praias mais procuradas da região do sul de Santa
Catarina. O Centro Histórico de Laguna, por sua vez, é pouco valorizado com potencial turístico, se destacando como centro administrativo e comercial da cidade. Quase não há presença de hospedagem e alimentação na região central. Os restaurantes existentes limitam o atendimento ao publico ao período diurno.
A preocupação com a preservação do patrimônio arquitetônico em Laguna iniciou em 1954 com o tombamento federal da Casa de Câmara e Cadeia, atual Museu Anita Garibaldi, localizado na Praça Republica Juliana. Já a preservação por parte do município, iniciou na década de 1970 com Decreto de Lei n° 34/77, quando foram tombados alguns imóveis na cidade, destacando as fachadas do conjunto de casarios da Praça da República Juliana, incluindo a Casa nº 47 em estudo neste trabalho.
O tombamento federal do conjunto arquitetônico e paisagístico do Centro Histórico de Laguna foi homologado em 25 de abril de 1985 pelo IPHAN. O Decreto Lei 25/1937 define.
Fonte: Debret, 1828 Figura 33: Laguna em 1828.
A área tombada de Laguna é composta por aproximadamente 600 edificações, de tipologias e linguagens arquitetônicas variadas, com um acervo de exemplares luso-brasileiros, ecléticos, art decô, modernos e contemporâneos que juntamente com o traçado urbano, a Lagoa de Santo Antônio e a vegetação das encostas do Morro da Glória configuram a paisagem urbana do local. Como ressalta o arquiteto Luiz Fernando Franco (1985) no parecer de tombamento do Centro Histórico de Laguna.
Recomenda-se, assim, o tombamento do centro histórico de Laguna em seu acervo paisagístico constituído pelo sistema natural que o envolve, pelo conjunto de logradouros em seu traçado e dimensão, pelo cais junto à lagoa de Santo Antônio e pelo conjunto de edificações em sua volumetria, em sua ocupação do solo e em suas características arquitetônicas, que expressam a continuidade da evolução histórica do núcleo urbano original, acervo delimitado pelo perímetro apresentado. (p.16)
Atualmente o Centro Histórico continua sendo a centralidade do município, predominando as atividades comerciais e de serviço. Em conseqüência disso, a circulação de pessoas se limita ao horário comercial, após as 18 horas a movimentação de pessoas diminui consideravelmente.
4.2. Pontos de interesse
Para melhor compreensão das análises realizadas em seqüência, serão demonstradas as ligações da edificação em estudo com os demais pontos de interesse no Centro Histórico de Laguna.
A área delimitada pela poligonal de tombamento possui um grupo de edificações de grande relevância histórica e arquitetônica, são linguagens arquitetônicas construídas no período colonial e nos seguintes períodos históricos até os dias atuais, aliado aos edifícios é possível observar o traçado urbano que se manteve desde o inicio da ocupação da vila, além dos atributos naturais, a vegetação e a lagoa que emoldura a área tombada. Caminhar pelo Centro Histórico de Laguna proporciona ao usuário uma experiência única.
Nesta área também se encontram edificações que se destacam das demais por sua monumentalidade, por sua importância histórica ou apenas pelo uso do edifício. Todas muito próximas a edificação em estudo, logo em frente observa-se a Praça República Juliana com o Museu Anita Garibaldi – Antiga Casa de Câmara e Cadeia. Seguindo pela Avenida Colombo Machado Salles está localizado o Mercado Público Municipal, as docas, o Memorial Tordesilhas e o Cine Teatro Mussi.
O tombamento é o instrumento de reconhecimento e proteção do patrimônio cultural mais conhecido, e pode ser feito pela administração federal, estadual e municipal. Em âmbito federal, o tombamento foi instituído pelo
Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o
primeiro instrumento legal de proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro e o primeiro das Américas, e cujos preceitos fundamentais se mantêm atuais e em uso até os nossos dias. (IPHAN, 2017 acesso em: 16 de outubro de 2017)
Diante deste cenário, a proposta deste trabalho de requalificar uma edificação histórica localizada na Praça República Juliana dando a ela o uso de hostel, busca contribuir para uma mudança, impulsionando a permanência de pessoas no centro da cidade e assim valorizando o Centro Histórico tombado.
1
2
3
4
Edificação em estudo Praça República Juliana e Museu Anita Garibaldi
Mercado Público
Igreja Santo Antônio do Anjos e Casa de Anita
Fonte da Carioca e Casa Pinto Ulysséia Praça Vidal Ramos
Cine Teatro Mussi. 1 2 3 4 5 6 5 6
Figura 34 Mapa de pontos de interesse
Fonte: Google earth modificado pela autora, 2017.
Este cenário pode contribuir para a proposta de um hostel na edificação em estudo. A circulação entre os pontos de interesse são extremamente curtos não ultrapassando a distância de oitocentos metros a partir da edificação.
4.3 Análise de uso do solo
A partir da análise do mapa de uso do solo é possível observar que uso misto e comercial se sobressaem em relação ao residencial, principalmente nas proximidades da orla da lagoa Santo Antonio, é importante ressaltar que o Centro Histórico de Laguna continua sendo o pólo comercial da cidade. O fluxo de pessoas é intenso durante o horário comercial, porém, após as 18 horas acontece um esvaziamento dessa parte da cidade, causando sensação de insegurança ao usuário.
O uso misto geralmente ocupa edificações com dois ou mais pavimentos, a parte térrea é ocupada como comércio. O uso residencial vai aumentando com a aproximação do Morro da Glória.
A Praça República Juliana vem mudando ao longo do tempo, já foi predominante o uso residencial, não havendo nenhum tipo de comércio, atualmente este cenário está mudando, muitas casas que eram de uso residencial estão se transformando em comércio, devido o falecimento dos moradores que são em sua grande maioria pessoas idosas.
Há proximidade também com a fonte da Carioca, Casa Pinto Ulysséia e Biblioteca Pública. Além da Praça Vidal Ramos onde estão instalados a Casa de Anita, a Igreja Santo Antônio dos Anjos e a Casa da Cultura do SESC.
4.4. Análise Sistema Viário e Fluxos
O sistema de hierarquia viária demonstra que na poligonal de tombamento é formada por três importantes vias; a Avenida Colombo Salles caracterizada como arterial, pois desempenha ligações importantes dentro da cidade; a rua Gustavo Richard podendo ser classificada como coletora com bastante movimentação sendo uma via bastante comercial; a rua Raulino Horn ligada a Praça República Juliana cruza todo o Centro Histórico podendo também ser classificada como coletora. Também foi possível observar a presença vias locais que não interferem diretamente com o trânsito fazendo pequenas ligações.
Edicação em estudo Via arterial Via coletora Via local Via pedonal Legenda
Figura 36: Mapa de hierarquia viária
Figura 37: Mapa de sentidos Fonte: Iphan adaptado pela autora, 2017.
Fonte: Iphan adaptado pela autora, 2017.
Os fluxos da área em análise têm predominância de sentindo único nas vias, pois, o traçado urbano continua o mesmo desde o início da ocupação da vila.
Edicação em estudo
Via de sentindo único Via de sentindo duplo Via pedonal
Legenda
N
Fonte: Iphan adaptado pela autora, 2017.
Serviços Misto Institucional Comércio Habitação Habitação desocupada Uso das edicações
N
Edicação em estudo
N
39
Figura 35: Mapa de uso do solo.4.6 Relação de Gabaritos
É possível observar uma superioridade de edificações com somente um pavimento, se aproximando da lagoa Santo Antônio concentram-se edificações de dois a três pavimentos. Edificações com 4 a 6 pavimentos são inexpressivos, porém é possível notar presença de algumas. Essa realidade é resultado da legislação de preservação e pelo tombamento da área, que não permitiu a verticalização.
Figura 38: Mapa de relação de cheios x vazios
Figura 39: Mapa de relação de gabaritos
Fonte: Iphan adaptado pela autora, 2017.
Fonte: Iphan adaptado pela autora, 2017. Cheio Vazio Edicação em estudo Legenda 1 Pavimento 2 Pavimento 3 Pavimento Legenda
Após, análise dos mapas, é possível averiguar que a edificação em estudo encontra-se em uma localização privilegiada da cidade, estando entre vias importantes do Centro Histórico, facilitando a locomoção a pé sendo próxima de vários pontos de interesse da cidade.
4.5. Análise de cheios e vazios
A predominância no Centro Histórico é de cheio sobre os vazios, ou seja, há mais edificações construídas do que espaços vazios, ocupando praticamente a totalidade de lotes existentes. Característica comum ao de um centro municipal, principalmente tratando-se de uma cidade
N