PROJETO PROVEDOR DE INFORMAÇÕES SOBRE
O SETOR ELÉTRICO
RELATÓRIO MENSAL ACOMPANHAMENTO DE CONJUNTURA:
Internacional
Dezembro 2012
Nivalde J. de Castro Maria Luiza T. Messeder
ÍNDICE
SUMÁRIO EXECUTIVO...3
1) INTERAÇÃO ENERGÉTICA ...4
2) CONJUNTURA ENERGÉTICA NA AMÉRICA LATINA ...5
2.1)Argentina ...5 2.2)Chile...5 2.3)Colômbia ...6 2.4)Uruguai ...6 3)ENERGIA NO MUNDO...8 3.1) Alemanha ...8 3.1)China ...8 3.2)Espanha...8 3.3)Japão...9 3.4) Reino Unido...10 3.5) Rússia ...10
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SUMÁRIO EXECUTIVO
Este relatório tem como objetivo apresentar os principais fatos, dados, informações e ações sobre energias renováveis do Setor elétrico brasileiro do mês de Novembro de 2012.
A estrutura do relatório está dividida em 3 partes: integração energética, conjuntura energética na América Latina e Energia no mundo.
Quanto à integração energética, a Petrobras informou, em comunicado à CVM, que três poços, de Urubamba, Picha e Taini, que a companhia controla no Peru, tiveram a presença de gás natural e condensado confirmado pelo levantamento sísmico.
Já no campo de conjuntura energética da América Latina, os aumentos das tarifas de eletricidade e gás, anunciados pelo governo argentino não serão o início de um processo de fim dos subsídios. Ao contrário, se planejam subsídios para o consumo elétrico e de gás, com um fundo estatal que irá realizar investimentos.
Quase três meses depois da empresa Interconexão Elétrica Colômbia-Panamá (ICP) adiar de forma indefinida o leilão da linha de transmissão do projeto de interconexão elétrica entre Colômbia e Panamá por falta de condições de viabilidade, o governo colombiano busca reativar o processo.
Em relação a seção de Energia pelo mundo, a Alemanha deu mais um passo em sua reforma energética com a apresentação do plano para uma renovação radical da rede elétrica, base de lei que estabelecerá as medidas a serem otimizadas, reforçadas e redesenhadas nos próximos 10 anos.
Por fim, Após 20 meses dos acidentes radioativos no Nordeste do Japão, o país busca alternativas renováveis para substituir o uso da energia nuclear.
1) INTERAÇÃO ENERGÉTICA
A YPF comercializou durante o mês de outubro 55,09 MMmcd de gás natural, assim atendeu os requerimentos do mercado interno e os compromissos de exportação, volume que supera em média 22% ao registrado no mesmo período em 2011. O Diretor Nacional de Gás Natural da empresa, Jorge Suárez, informou que no período mencionado foram exportados em media 45,35 MMmcd do insumo aos vizinhos Brasil e Argentina, e explicou que a demanda brasileira se dá pelo aumento da geração termelétrica a gás no país. Em outubro foram destinados 31,5 MMmcd ao mercado brasileiro através de um acordo firmado com a Petrobrás.
A Petrobras informou, em comunicado à CVM, que três poços, de Urubamba, Picha e Taini, que a companhia controla no Peru, tiveram a presença de gás natural e condensado confirmado pelo levantamento sísmico. Segundo a estatal, as reservas chegam a 56,6 bi de m³ recuperáveis de gás natural, além de 113,7 mi de barris de condensado. Os estudos foram feitos pela subsidiária da empresa, a Petrobras Energia Peru. A companhia ainda lembra que um quarto poço peruano continua sendo perfurado, o de Paratori. O término da análise está previsto para o fim deste ano e a comprovação de reservas pode elevar o volume passível de ser explorado na região.
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2) CONJUNTURA ENERGÉTICA NA AMÉRICA LATINA
2.1)Argentina
Autoridades argentinas se esforçavam para encontrar a causa de um apagão que deixou, no início do mês de novembro, ao menos 3,4 mi de argentinos sem luz, em Buenos Aires. Aproximadamente 200 mil pessoas ainda estão sem energia, na capital do país. A interrupção no fornecimento de energia aconteceu em meio a uma onde de calor. A Edesur informou que o motivo do apagão foi uma falha dupla nas linhas de alta tensão da rede Costanera-Bosques, que levaram 12 subestações a se desconectarem do sistema. No dia foi superado o recorde do inverno de 3552 mw , chegando aos 3560 MW.
Quanto aos subsídios governamentais, nos primeiros 10 meses deste ano o governo argentino ofereceu 68.707 mi de pesos para o setor, 20% a mais que no mesmo período em 2011. Deste total, quase 60% dos subsídios (39.348 mi) são destinados ao setor de energia. As empresas com maior crescimento em subsídios recebidos foram Nucleoeléctrica (+ 426,3%), ENARSA (+ 80%) e Yacimientos Carboníferos de Río Turbio (+49%).
Deste modo, os aumentos das tarifas de eletricidade e gás, anunciados pelo governo argentino não serão o início de um processo de fim dos subsídios. Ao contrário, se planejam subsídios para o consumo elétrico e de gás, com um fundo estatal que irá realizar investimentos. Apesar disso, o governo encontra dificuldades em dar sustentabilidade financeira a estas políticas. De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, de janeiro a setembro de 2012, o país passou por um déficit fiscal de 16 bi de pesos.
2.2)Chile
De acordo com um estudo realizado pela classificadora de risco, Feller-Rate, a incidência da energia no cash cost (C1) das mineiras se duplicaria até 2020. Hoje, a participação deste item no c1 varia entre 15% e 20%, no final da década, chegaria a 35% ou 40%. O custo marginal utilizado para os cálculos foi de US$ 294 / MWh, entretanto para o diretor executivo da Eletroconsultores, Francisco Aguirre, esse preço já chega a US$ 300/Mwh em alguns contratos.
Se esta for a projeção para 2020, a menos que haja alguma mudança de estratégia das empresas do país, apenas 6% da produção chilena será competitiva no mercado internacional. Por outro lado, o Ministro da Energia, Jorge Bunster, reafirmou a vocação do governo de potencializar a geração de energia hidrelétrica, assim como sua intenção de avançar os estudos sobre a incorporação da energia nuclear no Chile. O ministro também enfatizou a busca de uma maior competitividade e uma queda nos custos de energia, mas reconheceu que nos próximos 4 ou 5 anos eles permanecerão altos.
2.3)Colômbia
A Superintendência de Serviços Públicos colombiana chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas, em várias frentes, pelo setor elétrico do país. Em primeiro lugar, existiria uma fragilidade dos sistemas de transmissão regional, principalmente na costa do caribe, com as regiões de La Guajira, Cesar e Córdoba possuindo um risco considerável de falta de luz. Além disso, dos 4000 W dos projetos de geração em construção no momento, 2000 encontram problemas de caráter social, ambiental e étnico, como os enfrentados pela hidrelétrica Porce IV, suspensa indefinidamente.
Já o projeto de integração energética com o Panamá, quase três meses depois da empresa Interconexão Elétrica Colômbia-Panamá (ICP) adiar de forma indefinida o leilão da linha de transmissão do projeto de interconexão elétrica entre Colômbia e Panamá por falta de condições de viabilidade, o governo colombiano busca reativar o processo. O Ministro de Minas e Energia, Federico Renjifo, anunciou que viajará na próxima semana para o país vizinho para negociar com as autoridades locais. A iniciativa tem um custo estimado de US$ 500 mi e inicialmente estava projetado para se iniciar em 2013.
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feito se repetiu este ano (com US$ 260 mi em investimentos e US$ 70 mi em financiamentos). A iniciativa de maior envergadura este ano foi a de Fingano S.A., que construirá um parque eólico de 50 MW em Maldonado com US$ 117,5 mi, sendo US$ 25 mi financiados.
3)ENERGIA NO MUNDO
3.1) Alemanha
No mês de novembro, a Alemanha deu mais um passo em sua reforma energética com a apresentação do plano para uma renovação radical da rede elétrica, base de lei que estabelecerá as medidas a serem otimizadas, reforçadas e redesenhadas nos próximos 10 anos. A Agência Federal de Redes apresentou o primeiro plano nacional para o desenvolvimento do sistema ao ministro da Economia. O processo de reforma inclui o chamado “apagão nuclear” para 2022 sancionado após a tragédia atômica japonesa.
3.1)China
A China deve chegar ao fim de 2012 com um parque gerador de 1.140 GW, quase dez vezes o sistema elétrico brasileiro. A expectativa é que no próximo ano ultrapasse os EUA, que possui hoje 1.190 GW, como o país com a maior capacidade instalada de energia elétrica do mundo. Em volume de energia de fato produzida, a China já ocupa o primeiro lugar no ranking mundial, com 4,720 mi de GWh/ano. No fim de outubro, o governo publicou um relatório com diretrizes para a expansão da oferta de eletricidade no país nos próximos anos. O principal objetivo é ampliar a participação de fontes limpas na oferta energética. Espera-se aumentar a capacidade instalada de hidrelétricas em 60 GW, na eólica em 55GW e multiplicar por sete a potência instalada de energia solar, de 3 GW para 21 GW. As termelétricas a carvão somam hoje 765,5 GW, o equivalente a 72,5% de todo o parque gerador chinês. Para tornar a matriz elétrica mais limpa, o governo chinês está apostando fortemente em novas tecnologias. Uma das ações é o desenvolvimento de linhas de transmissão mais potentes para transportar a energia gerada por grandes hidrelétricas no oeste até os principais centros consumidores no leste.
9 “geração, distribuição e transporte” da eletricidade e não “outros custos”. O ministro explicou que as medidas até agora tomadas são com o intuito de diminuir o déficit tarifário, não reformular o setor. Soria afirma que compreende a desaprovação das empresas em relação às medidas tomadas, mas as qualificou como necessárias para resolver os problemas que o setor enfrentava. A solução seria uma repartição dos ônus entre consumidores, empresas e estado de uma forma equilibrada. Os “outros custos” mencionados pelo ministro seriam referentes aos subsídios das renováveis, os juros gerados pelo déficit tarifário, a moratória nuclear e os custos extrapeninsulares.
Deste modo, o Secretário do Estado de Energia, Fernando Martí, afirmou que a Espanha levará vinte ou trinta anos para pagar o déficit tarifário acumulado, gerado ao longo de anos. O secretário estimou ainda que o déficit deste ano chegue a 6 bi de euros, quatro vezes o limite legal de 1,5 bi. O governo se comprometeu a não aumentar a sua parte da Tarifa de Ultimo Recurso (TUR) em 2013. Além de negar que exista um oligopólio da Endesa e Iberdrola no setor elétrico, Martí também afirmou existir um déficit tarifário no gás natural, que chegaria a 200 mi de euros. O secretário concluiu afirmando que o sistema encontra-se em uma situação difícil, mas superável.
Já o setor eólico, a Associação Empresarial Eólica (AEE) divulgou dados sobre desempenho do setor eólico espanhol, relativos à primeira metade de 2012. De acordo com o levantamento, foram instalados 413 MW no País, significando uma queda de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo que não há perspectiva de recuperação no curto prazo. Segundo a AEE, os parques eólicos espanhóis ultrapassaram a casa dos 22GW instalados em junho passado. No primeiro semestre, nove projetos foram instalados. Ao todo, existem 9.000 MW projetados para novos complexos, mas a entidade ressalta que não há previsão de quando devem ser desenvolvidos. Nos primeiros seis meses de 2012, a energía eólica foi responsável por 19,5% da demanda por eletricidade na Espanha, tendo produzido quase 29 mil GWh.
Por fim, a Comissão Europeia (CE) propôs a suspensão progressiva dos subsídios para as energias não renováveis até 2020, entre outras medidas incluídas em seu programa de orientação de políticas ambientais. O novo programa define um caminho para que a Europa se torne um local aonde as pessoas vivam em um meio ambiente sustentável e seguro. A comissária da ação contra impactos climáticos afirmou que não se pode esperar o fim da crise econômica para abordar a crise ambiental.
3.3)Japão
Após 20 meses dos acidentes radioativos no Nordeste do Japão, o país busca alternativas renováveis para substituir o uso da energia nuclear. No relatório sobre perspectivas globais,
apresentado pela Aiea (Agencia Internacional de Energia Nuclear), as ações desenvolvidas pelas autoridades japonesas indicam os esforços em busca da redução da dependência da energia nuclear e de um aumento da produção de energia por meio de gás e fontes renováveis. Segundo a diretora do organismo, o abastecimento de energia no Japão depende em parte do exterior e deverá ser uma prioridade nas próximas duas décadas nos mercados de petróleo e gás.
3.4) Reino Unido
Os reguladores britânicos abriram uma investigação a respeito de uma suposta manipulação dos preços no mercado maiorista de gás, depois de denuncias feitas a Autoridade de Serviços Financeiros (FSA em inglês). O denunciante seria um empregado da ICIS Heren, uma das três agências que estabelecem os preços de referencia do gás, após ver movimentos suspeitos no mercado dia 28/09/2012, data que marca o fim do exercício financeiro do mercado e pode influenciar preços futuros.
3.5) Rússia
A Rússia pode vender energia renovável para a Europa. A iniciativa é apoiada pela Corporação Financeira Internacional (IFC), braço do BM, e prevê entre os projetos a instalação de parques eólicos na região do Ártico para abastecer o continente. Os fortes ventos do noroeste russo permitiriam a construção de usinas onshore mais produtivas e baratas do que as plantas offshore nos mares da Europa. A energia dos parques seria transmitida por uma conexão com a rede da Finlândia ou da Noruega e vendida para os países vizinhos. Um Relatório divulgado pelo órgão aponta que essa é uma alternativa pra garantir a meta de uso de 20% de eletricidade renovável até 2020 estabelecida pela União Européia. Ao mesmo tempo, incentivaria o uso de fontes alternativas na Rússia, onde apenas 0,2% da matriz é renovável. A meta do governo russo é de 4,5% até 2020, 25 GW por ano até o fim da década.