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Vista do Perfil Sócio Demográfico de Pacientes Dependentes Químicos Acolhidos em uma Comunidade Terapêutica

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11 Perfil Sócio Demográfico de Pacientes Dependentes Químicos Acolhidos em uma

Comunidade Terapêutica.

Aline Coutinho Jéssica Punaro Baratta da Silva

Regiane Carla Gomes Acadêmicas do curso de Enfermagem das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila – FATEA.

Mara Filomena Falavigna Enfermeira, Professora Titular das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila

Mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade do Vale do Paraíba.

Valdinéa Luiz Hertel Enfermeira, Professora Titular das Faculdades Integradas Teresa D’Ávila. Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

RESUMO

Este estudo trata-se da caracterização do perfil sociodemográfico do dependente químico acolhido em uma comunidade terapêutica no interior de São Paulo. Parte-se do pressuposto que no Brasil o índice de dependentes químicos vem aumentando significativamente todos os anos. Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa, do tipo descritivo e retrospectivo e de caráter documental, fundamentado na análise de dados coletados dos prontuários dos pacientes. Foram analisados sessenta e nove prontuários para a coleta de dados, sendo dezessete mulheres e cinquenta e dois homens. Os resultados mostraram que do público total estudado, a faixa etária onde existe o maior número de dependentes químicos é de vinte e um a trinta e um anos, correspondente à etnia branca/parda, possuindo escolaridade de ensino fundamental, estado civil solteiro, pertencendo a religião católica, não possuindo ocupação profissional. A droga mais usada em ambos os sexos é o álcool, e o uso se dá há um tempo acima de 48 meses. O maior índice de usuários encontra-se no Estado de São Paulo.

PALAVRAS CHAVE:

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12 ABSTRACT

This study deals with the characterization of the demographic profile of the chemically dependent welcomed in a therapeutic community in São Paulo. Part from the assumption that in Brazil the rate of drug addicts has increased significantly each year. This is a study of quantitative approach, descriptive and retrospective and documentary character, based on analysis of data collected from patients charts. Sixty-nine records were analyzed for data collection, being seventeen and fifty women and two men. The results showed that the total audience studied, the age range where there is the highest number of drug addicts is twenty-one to thirty-twenty-one, corresponding to white / brown colored, possessing Elementary school level, single marital status, belonging to the Catholic religion, having no occupation. The most widely used drug in both sexes is alcohol, and the use occurs at a time over 48 months. The highest rate of users is in the state of São Paulo.

KEY WORDS:

Socio Demographic Profile; Chemical Dependency; Therapeutic Community; Mental Health.

INTRODUÇÃO

O termo droga tem origem na palavra drogg, proveniente do holandês antigo e cujo significado é folha seca. Esta denominação é devida ao fato de, antigamente, quase todos os medicamentos utilizarem vegetais em sua composição. Atualmente, porém, o termo droga, segundo a definição da Organização Mundial de Saúde (1), abrange qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento.

Atualmente, outra definição bastante utilizada nos meios acadêmicos, refere-se a drogas psicotrópicas ou psicoativas, que se definem como qualquer substância capaz de afetar os processos mentais (2).

Drogas depressoras diminuem a atividade do sistema nervoso central (SNC). Como consequências, aparecem os sintomas e sinais dessa diminuição: sonolência, lentificação psicomotora, etc., uma das drogas depressoras mais consumidas é o álcool. As drogas estimulantes são aquelas que estimulam atividade do SNC, fazendo com que o estágio de

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13 vigília fique aumentado (portanto, diminui o sono), haja nervosismo, aumento da atividade motora e etc. Em doses mais elevadas chegam a produzir sintomas perturbadores do SNC, tais como delírios e alucinações. A droga estimulante mais usada é a cocaína e seus derivados, como cloridrato, crack, merla, pasta etc (3) .

No grupo das drogas perturbadoras, existem as drogas que produzem uma mudança qualitativa no funcionamento do SNC. Assim, alterações mentais que não fazem parte da normalidade como, por exemplo, delírios, ilusões e alucinações, são produzidos por essas drogas. Por essa razão são chamadas de psicoticomiméticas, ou seja, drogas que mimetizam psicoses. As mais usadas são a maconha e alguns medicamentos anticolinérgicos* (4).

A Organização Mundial de Saúde (1) diz que cerca de 10% das populações dos centros urbanos de todo o mundo consomem abusivamente substâncias psicoativas, independentemente de idade, sexo, nível de instrução e poder aquisitivo.

*Anticolinérgicos: São plantas e substâncias sintéticas que possuem em comum uma série de efeitos no corpo humano.

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14 Dessa forma entende-se como dependência química, um estado psíquico e também físico resultante da ingestão do uso contínuo de substâncias químicas, caracterizado por reações comportamentais e a necessidade incontrolável de usar a droga frequentemente, usufruindo dos seus efeitos psíquicos e por vezes evitar o desconforto físico da sua falta (6).

De muitas maneiras, os usuários de drogas estão escondidos da sociedade, tanto por usarem, uma droga ilegal, como pela criminalidade a ela relacionada, ficando, assim, difícil determinar com precisão o seu número. Eles podem ser encontrados: a) em serviços especializados no tratamento de dependência química, onde são internados para recuperação ou por “overdose”; b)em delegacias de polícia, cadeias e nos presídios, onde se encontram devido aos crimes relacionados às drogas; c) em hospitais, quando são agredidos em consequência da violência, ou quando são vistos para cuidados devido às drogas ou outras condições a elas relacionadas, tais como infecções (7).

Atualmente o alcoolismo se tornou o maior problema de saúde pública mundial. O alcoolismo é uma doença grave que atinge 12,3% da população brasileira com idade entre 12 e 65 anos. Entre os jovens de 12 a 17 anos, a taxa de alcoolismo é de 7,0% (8).

A maconha é a substância proibida por lei mais usada em nosso país. De acordo com pesquisa realizada em 2001, de cada 100 brasileiros, sete já haviam usado maconha pelo menos um vez na vida (ou seja, 7%). É claro que esse dado varia conforme o sexo e a idade: entre homens, 10,6% já usaram e, entre mulheres, 3,4%. O uso é maior entre jovens adultos entre 18 e 34 anos de idade, atingindo a porcentagem de 9% nessa faixa etária, e menor entre os adolescentes de 12 a 17 anos: 3,5%. O uso de cocaína no Brasil varia bastante conforme sexo e idade: situa-se em 4% entre homens e 1% entre mulheres. A faixa etária de maior uso ocorre entre os 25 e os 34 anos de idade, a qual atinge a porcentagem de 4,4%. Entre os adolescentes de 12 a 17 anos 0,5% relataram já terem experimentado essa droga. Embora haja o crescimento do número de usuários do crack, menos de 1% dos brasileiros já teve algum contato com crack. Na pesquisa realizada em 2001, 0,4% das pessoas relataram já ter usado crack pelo menos uma vez na vida. Homens experimentaram mais que mulheres, 0,7% e 0,2% respectivamente. A maior porcentagem de uso se encontra na faixa etária de 25 a 34 anos, entre homens. Por fim cerca de 6% dos brasileiros já inalaram algum produto solvente ou inalante (cola, benzina, éter, gasolina, acetona). Esse dado varia conforme o sexo e a idade: entre homens, 8,1% já usaram e entre mulheres, 3,6%. Os solventes ou inalantes são, muito

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15 comumente, a primeira droga usada por adolescentes, depois de álcool e tabaco. O preço acessível e a grande disponibilidade também tornam os inalantes muito usados entre crianças e adolescentes em situação de rua (9).

JUSTIFICATIVA

O uso de drogas atualmente é considerado um grave e complexo problema de saúde pública. Falar sobre o uso abusivo de drogas é discutir o processo saúde/doença, considerando-se os modelos que contribuem para a compreensão do fenômeno no momento atual e das estratégias de intervenção estabelecidas (10).

A dependência química deixou de ser um costume ou um vício, e passou a ser uma enfermidade crônica, progressiva e fatal, afetando o estado físico, mental, emocional e social do indivíduo.

O alto índice de usuários frequentes de álcool e de outras drogas requer maior atenção das famílias e das autoridades responsáveis. Planos de ação pré-concebidos, impostos de cima para baixo têm-se revelado ineficazes, talvez porque sejam elaborados por quem desconhece a realidade local.

Através dos resultados obtidos com esse estudo, acreditamos que poderemos contribuir com um melhor atendimento e cuidado e com a prevenção concentrada onde exista o maior foco de usuários. A partir das informações poderemos também elaborar uma cartilha ilustrada e explicativa, orientando os usuários quanto à prevenção e tratamento da dependência química. As informações obtidas serão também de grande valia para a sociedade, pois contribuirá para o aumento da bibliografia referente ao tema, haja vista que ao se fazer o levantamento de dados bibliográficos deparou-se com a escassez de produção científica acerca deste assunto, constituindo assim como mais um fator motivante para a realização desta pesquisa.

OBJETIVO

Caracterizar o perfil sócio demográfico dos dependentes químicos acolhidos em uma comunidade terapêutica.

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16 Dependência química

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dependência química é um estado caracterizado pelo uso descontrolado de uma ou mais substâncias químicas psicoativas com repercussões negativas em uma ou mais áreas da vida do indivíduo. É um estado psíquico e físico que sempre inclui uma compulsão de modo contínuo ou periódico, podendo causar várias doenças crônicas físico-psíquicas com sérios distúrbios de comportamento. Pode também ser resultado de fatores biológicos, genéticos, psicossociais, ambientais e culturais (problema multicausal). É considerada hoje uma epidemia social, pois atinge toda gama da sociedade, da classe social mais elevada à mais baixa. A Classificação Internacional de Doenças – CID-10 define-a como transtornos mentais e de comportamento, decorrentes do uso de substâncias psicoativas (1).

A dependência química na atualidade corresponde a um fenômeno amplamente divulgado e discutido, uma vez que o uso abusivo de substâncias psicoativas tornou-se um grave problema social e de saúde pública em nossa realidade.

Dependência química no modelo psicossocial de saúde.

O consumo de substâncias químicas vem crescendo descontroladamente nas últimas décadas, tornando-o não apenas um problema psíquico, mas de saúde pública.

Dessa forma, em função da complexidade desse fenômeno na atualidade, a dependência química é um problema que vem recebendo crescente atenção, mobilizando o sistema de saúde (11) (12).

Portanto, a dependência química é algo atual para se discutir, uma vez que somente a partir da segunda metade do século passado o conceito de dependência deixou de ser enfocado como um desvio de caráter, ou apenas como um conjunto de sintomas, para ganhar contornos de transtorno mental com características específicas

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.

Além disso, a abordagem exigida para a dependência química é coerente com o modelo psicossocial de saúde, em foco, na atualidade. Isso porque, trata da questão do uso abusivo de substâncias psicoativas e da questão da possível dependência que pode emergir em alguns casos, implica discutir não só as questões orgânicas e psicológicas envolvidas, mas também os aspectos sociais, políticos, econômicos, legais e culturais inerentes a esse fenômeno, além das consequências físicas, psíquicas e sociais da mesma (14).

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17 A OMS (1) destaca ainda, que a dependência química deve ser tratada simultaneamente como uma doença médica crônica e como um problema social. Pode ser caracterizada como um estado mental e, muitas vezes, físico que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga, gerando uma compulsão por tomar a substância e experimentar seu efeito psíquico e, às vezes, evitar o desconforto provocado por sua ausência. Não basta, portanto, identificar e tratar os sintomas, mas sim, identificar as consequências e os motivos que levaram a mesma, pensando o indivíduo em sua totalidade, para que se possa oferecer outros referenciais e subsídios que gerem mudanças de comportamento em relação à questão da droga (10).

Promoção e Prevenção na Dependência Química

A dependência química, como um grave problema de saúde pública, necessita de atenção especial. Portanto, a área de saúde tem muito a realizar no que diz respeito ao uso de drogas e à promoção de saúde (15). Assim, trabalhar essa questão na nossa realidade exige um conjunto de ações específicas que envolvam melhorias, tanto no tratamento em si, no caso da dependência já instalada, quanto em termos de promoção e prevenção ao uso de drogas, de acordo com o modelo biopsicossocial de saúde, o qual apresenta uma concepção holística do ser humano (10).

Dentro desses parâmetros, considerando-se as características e os fatores relacionados ao uso de drogas na atualidade, a condução de um programa terapêutico para o indivíduo dependente exige uma avaliação individual, uma vez que não existe um modelo que seja adequado para todos os pacientes. Atualmente, diversos tipos de tratamento estão sendo implantados para o trabalho com a dependência química, como por exemplo, o tratamento médico, o comportamental, o psicoterápico, o psiquiátrico ou o da ajuda mútua. Esses tipos de tratamentos implicam em intervenções terapêuticas específicas, a saber: desintoxicação (considerado apenas o primeiro passo), farmacoterapia, psicoterapias (individual, em grupo e com os familiares), terapias (ocupacional e cognitivo-comportamental), além dos grupos de ajuda mútua (16).

É necessário pontuar que o atendimento a dependentes químicos envolve dois aspectos centrais: primeiro, a desintoxicação com a finalidade de retirada da droga e seus efeitos, e segundo, a manutenção, ou seja, a reorganização da vida do indivíduo sem o uso da droga (17). Estudos apontam que, ainda hoje, observam-se baixos índices de sucesso no tratamento da drogadição, pois diversos fatores podem contribuir para a

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18 não adesão ao tratamento, o abandono ou, até mesmo, para o uso de substâncias psicoativas durante o mesmo (11).

Entretanto, segundo Ferreira e Luis (18), é de suma importância destacar que a realidade brasileira nunca teve uma política específica de saúde, em nível nacional, a respeito da questão das drogas, o que começou a mudar, a partir de 1988 quando foram definidos os requisitos para a criação dos Centros Regionais de Referência em Prevenção e Tratamento ao uso abusivo de drogas, sejam estas lícitas ou ilícitas.

Dessa forma destaca-sea necessidade de enxergar que a dependência química necessita de um acompanhamento, a fim de definir formas de prevenção e tratamento, para trabalhar com o problema.

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

Esta parte do trabalho engloba os aspectos relacionados com o cenário do estudo, caracterização do local de estudo, delineamento do estudo, participantes, natureza de amostra e amostragem, instrumento de coleta de dados, pré-teste, estratégias de análise de dados, assim como os preceitos éticos da pesquisa.

CENÁRIO DO ESTUDO

Foi selecionada para este estudo, a cidade do interior de São Paulo. Esta escolha deu-se por ser a cidade onde tivemos mais facilidade em realizar a coleta de dados com pacientes que se encaixaram no perfil proposto da pesquisa. É um município do estado de São Paulo, na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Localiza-se a uma latitude 22º43'51" a sul e a uma longitude 45º07'29 a oeste, estando a uma altitude de 524 metros. Sua população estimada é de aproximadamente 100.000 habitantes porém, segundo o IBGE (19), contam-se 82.770 residentes. Sua área que era de 470 km² passou a ser de 414 km² após a emancipação política de seu último distrito. A densidade demográfica é de 211,4 hab/km².Destaca-se por estar estrategicamente localizada entre os principais centros consumidores do país e por contar com a infraestrutura necessária para o suprimento de importantes matérias primas, bem como para o escoamento de produtos para o exterior. A cidade ainda destaca-se por contar com três universidades, sendo uma pública e duas privadas. A presença de três centros de ensino de excelência é, também, um fator de atração de novas indústrias.

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19 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTUDO

A comunidade terapêutica onde foi realizado o estudo nasceu a partir da inspiração inicial de um padre que procurou dar uma resposta concreta ao problema das drogas na juventude, criando uma comunidade católica para oferecer aos jovens uma “casa”, um local de acolhimento, devido a sua própria experiência, como dependente químico, e o seu trabalho em um colégio onde atendia diariamente muitos jovens que buscavam nas drogas a solução para seus problemas. Sendo assim, viu crescer a necessidade de um trabalho metódico, num lugar apropriado em vista do atendimento desses usuários. Diante da procura, era impossível continuar atendendo nas dependências do colégio. Assim a comunidade não é um centro de recuperação de dependentes químicos e nem uma clínica onde se internam pessoas para tratamento, é uma "Comunidade de acolhimento", onde não curam ninguém. Este é um trabalho que deverá ser feito por cada um, e eles são apenas colaboradores no processo.

DELINEAMENTO DO ESTUDO

O presente estudo foi de abordagem quantitativa, do tipo descritivo e retrospectivo e de caráter documental, fundamentado na análise de dados coletados dos prontuários de pacientes dependentes químicos, acolhidos em uma comunidade terapêutica.

Estudo quantitativo segundo Polit, Beck e Hungler (20) é um método científico positivista tradicional e envolve um conjunto de procedimentos sistemáticos ordenados, usados para adquirir informações. Os pesquisadores quantitativos usam o raciocínio dedutivo para gerar predições, que são testadas no mundo real; usam mecanismos destinados a controlar a situação de pesquisa, de modo a minimizar as parcialidades e maximizar a precisão e a validade.

Além da abordagem quantitativa, classificamos a pesquisa de forma descritiva. Segundo Gil, (21) as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de variações variáveis (...). Entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm o objetivo de estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental.

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20 A pesquisa de caráter retrospectivo são aquelas em que se estudam- casos e controles, relacionado a um grupo de indivíduos que apresentam uma determinada patologia. O estudo é realizado com fatos no passado.

A de delineamento documental tem como base o levantamento de dados através de documentos. Fontelles et al. (22) define a pesquisa documental como uma valiosa técnica de coleta de dados qualitativos. De acordo com Gil (21), é utilizada em praticamente todas as ciências sociais; vale-se de toda sorte de documentos, elaborados com finalidades diversas, tais como assentamento, autorização, comunicação e etc.

SUJEITOS, NATUREZA DE AMOSTRA E AMOSTRAGEM.

Os sujeitos do estudo que fizeram parte da população de interesse foram os prontuários dos dependentes químicos que são acolhidos na comunidade terapêutica do município, utilizando os prontuários, no período de janeiro a dezembro de 2013 após autorização do Diretor Técnico da instituição.

Segundo Dyniewicz, (23) a amostra é uma parcela selecionada criteriosamente dentre o universo ou população a ser estudada e tem relação com o problema de pesquisa e dependem de muitos fatores para sua seleção, tais como, entre outros, variáveis selecionadas, recursos disponíveis e outras técnicas de coleta de dados.

As amostras foram todos os prontuários de pacientes dependentes químicos. Nesse estudo foram determinadas pelo critério de amostragem por conveniência.

Para Polit e Beck (20), amostragem é o processo de seleção de uma porção da população para representar a população inteira e define amostragem por conveniência, aquela que envolve o uso das pessoas mais convenientes, disponíveis como participantes.

Os critérios de inclusão foram:

 Prontuários dos pacientes dependentes químicos acolhidos em uma comunidade terapêutica do município.

ASPECTOS ÉTICOS DA PESQUISA

O presente estudo seguiu os preceitos estabelecidos pela Resolução nº 466/12, de 12/12/2012, do Conselho Nacional de Saúde.

(11)

21 Os aspectos éticos da pesquisa foram resguardados em todos os momentos do estudo, ressaltando-se, como exposto anteriormente, que a coleta de dados só foi iniciada após o consentimento do Diretor Técnico da instituição e a aprovação, deste projeto, pelo Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades Integradas Teresa D`Ávila Lorena - SP. A pesquisa não teve riscos, pois, foram utilizados os prontuários para a coleta de dados.

O anonimato foi respeitado utilizando nos prontuários a letra P seguida de numeração arábica conforme a ordem que este Prontuário é selecionado. Ex.: Prontuário1 – P1.

RESULTADOS

Neste capítulo, iremos apresentar os resultados de acordo com os objetivos elencados. Os resultados do presente estudo são apresentados a seguir em 02 partes distintas. No que se referiu aos aspectos sociodemográficos do grupo estudado (n=69), a tabela 1 demonstra a Faixa Etária por gêneros; Etnia; Escolaridade; Estado Civil; Religião e Ocupação. Observou-se que 47,05% da população feminina é referente à idade de 31 a 40 anos, e 34,63% é referente à idade de 21 a 30 anos no gênero masculino.

Em relação à etnia dos entrevistados, foi possível observar que 58,84% da população feminina é referente à cor parda e 42,32% da população masculina corresponde à cor branca.

Quanto ao nível de escolaridade 35,29% da população feminina possui ensino fundamental e médio, enquanto 44,24% da população masculina possui apenas ensino fundamental.

Das mulheres entrevistadas, 35,30% são divorciadas e 49,99% dos homens solteiros.

No aspecto religião, a predominância foi a religião católica, sendo 52,95% da população feminina e 69,23% da população masculina.

Ambos os sexos não possuem religião, sendo possível observar 82,36% da população feminina e 19,23% da população masculina.

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22

Tabela 01: Faixa Etária por gêneros; Etnia; Escolaridade; Estado Civil; Religião e Ocupação, SP, 2014.

(n=69).

Idade Feminina Valor Absoluto Valor Relativo

31 a 40 anos 08 47,05% Idade Masculina 21 a 30 anos 18 34,63% Etnia Feminina Pardo 10 58,84% Etnia Masculina Branco 22 42,32% Escolaridade Feminina Fundamental 06 35,29% Médio 06 35,29% Escolaridade Masculina Fundamental 23 44,24%

Estado Civil – Feminino

Divorciada 06 35,30%

Estado Civil - Masculino

Solteiro 26 49,99% Religião – Feminina Católico 09 52,95% Religião – Masculina Católico 36 69,23% Ocupação – Feminina Não tem 14 82,36% Ocupação – Masculina Serviços Gerais 19 36,54%

Fonte: Instrumento de pesquisa.

A tabela de número 2 demonstra a quantidade de gêneros por droga, de drogas por gêneros o tempo de uso da substância e o estado predominante.

Foram analisados diversos tipos de drogas, podendo observar que a droga mais consumida é o álcool, sendo 70,58% na população feminina e 84,61% da população masculina. Também foi possível observar que ambos os sexos utilizam mais de um tipo de droga.

Em relação ao tempo de uso da substância ambos os sexos fazem uso da droga por um período acima de 48 meses, com 94,12% da população feminina e 80,78% da população masculina.

Os entrevistados residem em diferentes estados do Brasil, porém o estado com maior índice é no estado de São Paulo, sendo 82,36% da população feminina e 75% da população masculina.

Tabela 02: Droga por gêneros; Tempo de Uso e Estado, SP, 2014. (n=69).

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23 Absoluto Relativo

Álcool 12 70,58%

Droga – Masculino

Álcool 44 84,61%

Tempo de Uso - Feminino

Acima de 48 meses 16 94,12% Tempo de Uso – Masculino

Acima de 48 meses 42 80,78% Estado – Feminino

São Paulo 14 82,36%

Estado – Masculino

São Paulo 39 75%

Fonte: Instrumento de pesquisa.

DISCUSSÃO

A amostra desse estudo foi composta por jovens e adultos de ambos os sexos, com a faixa etária entre 21 a 30 anos (31,88%). Ao discutir a faixa etária dessa população os estudos se aproximam da média encontrada por Guimarães et al (24) que diz que a média de idade de usuários atendidos em uma unidade de desintoxicação é de 27 a 28 anos; de raça/cor branca e pardo (37,68%) contrapondo o artigo de Reis (25) que diz que a cor de pele branca foi a mais referida com 57,5% e solteiros (44,93%), assim como mostra o estudo realizado por Monteiro et al (26), em que prevalecem os indivíduos solteiros.

O Sudeste e o Sul do país são as áreas mais afetadas pelo consumo da droga. O uso no Sudeste é de 3,7% da população adulta, e no Sul é de 3,1%. Já nas regiões Norte e Nordeste, o uso da droga chega a 1,3% e 1,2%, respectivamente. (27)

Contudo, analisando em uma escala menor, observamos que o estado que mais sofre com o alto índice de dependentes químicos é São Paulo, com 76,86%. Dessa forma, vemos que a região Sudeste é a região que mais possui dependentes químicos.

Possuem ensino fundamental completo (42,04%) como mostra o estudo do grupo GEAD (28), com 61% dos participantes possuindo ensino fundamental como grau de escolaridade pertence à religião católica (65,22%), sendo comprovado também por GEAD (28), com 19% da população de seu estudo.

No gênero feminino observou-se que 82,36% não possuem ocupação profissional e assim como 19,23% do gênero masculino, contrapondo ao estudo de Monteiro et. al. (26), que mostra que 48,5% dos usuários possuem uma profissão.

Chamou a atenção que ambos os sexos utilizam mais de um tipo de droga, sendo a mais utilizada o álcool (F=26,11% e M=30,17%) assim como mostra o estudo

(14)

24 realizado pelo NEAD, (29) revelando que o uso do álcool se dá a 68,7% da população de estudo, e que a maioria fez uso por um período acima de 48 meses (84,08%), de acordo com Peixoto (30). A média é de 15,7 anos para pessoas que procuram tratamento, já as pessoas que não procuram têm um tempo médio de 20 anos de uso.

CONCLUSÃO

A partir dos dados coletados, pode-se concluir que, atualmente, a população usuária de drogas que é acolhida na Comunidade Terapêutica é oriunda da região do estado de São Paulo, composta de adultos jovens em fase produtiva e que estão, em sua maioria, desvinculados do mercado formal de trabalho ou desempregados. Cabe ressaltar que a grande maioria de ambos os sexos utiliza mais de um tipo de droga, sendo a o álcool a mais utilizada (F=26,11% e M=30,17%). Portanto, observa-se que esses sujeitos estão expostos adversas situações de risco e vulnerabilidade sociais, o que indica grave problema de saúde pública e contribui para o aumento das violências. Foi significativa a presença da utilização de cocaína e maconha concomitante ao uso do álcool. Com isso, o perfil estudado desafia os serviços de alta complexidade, tais como as unidades de desintoxicação, a avaliarem de forma detalhada, possíveis comorbidades psiquiátricas.

Com o uso abusivo de substâncias químicas o usuário perde o laço familiar, não conseguindo mais obter interesse pela constituição de uma família, justificando assim o alto índice de usuários solteiros e divorciados.

O desejo de reabilitação do dependente químico e o vínculo do mesmo com o profissional habilitado de saúde se torna indispensável para o tratamento, a fim de esclarecer a falta de conhecimento do usuário e detectar o melhor tratamento. A atuação do enfermeiro no atendimento de usuários de álcool e outras drogas são de grande importância, devido às intervenções qualificadas realizadas pelo mesmo ao usuário.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considera-se que, além de constituir uma estimativa importante do perfil sociodemográfico da população que é acolhida na Comunidade Terapêutica, esta

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25 pesquisa sugere investir em estudos sobre a adesão ao tratamento por sexo feminino e masculino, a fim de ampliar, avaliar e qualificar as ações prestadas em seus diferentes níveis de atenção.

REFERÊNCIAS

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Psiquiatr.;59(4):317-321.

Responsável pela Submissão Jéssica Punaro Baratta da Silva Email: [email protected]

Referências

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