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Matemática Discreta para Ciência da Computação

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Academic year: 2021

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(1)

Matemática Discreta para

Ciência da Computação

P. Blauth Menezes

[email protected]

Departamento de Informática Teórica

Instituto de Informática / UFRGS

(2)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 2

Matemática Discreta para Ciência da Computação

P. Blauth Menezes

1 Introdução e Conceitos Básicos

2 Lógica e Técnicas de Demonstração 3 Álgebra de Conjuntos

4 Relações

5 Funções Parciais e Totais

6 Endorrelações, Ordenação e Equivalência 7 Cardinalidade de Conjuntos

8 Indução e Recursão

9 Álgebras e Homomorfismos

10 Reticulados e Álgebra Booleana 11 Conclusões

(3)

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(4)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 4

7

Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

Cardinalidade de um conjunto

uma medida de seu tamanho

Até o momento, cardinalidade de conjuntos

• tratada de forma informal ou semi-formal

• exemplo de expressão usada com freqüência

(5)

Foi afirmado que

um conjunto pode possuir um número finito ou infinito de elementos

• Finito

∗ pode ser denotado por extensão

∗ listando exaustivamente todos os seus elementos

• Infinito

(6)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 6

Estudo formal: resposta a perguntas tipo

• como definir formalmente a cardinalidade de um conjunto? • quando dois conjuntos possuem o mesmo cardinal?

• o que é um cardinal infinito?

• existe mais de um (diferentes) cardinais infinitos?

• nesse caso, existe uma ordem de cardinais infinitos?

Estudo mais completo ou aprofundado

• foge um pouco do escopo da disciplina

(7)

Cardinalidade é definida usando funções bijetoras

• uso da bijeção é intuitivo

Comum em diferentes civilizações

• cardinalidade de conjuntos: bijeção entre

∗ conjunto de objetos em questão (rebanho de ovelhas…) ∗ subconjunto de dedos das mãos

• quando os dedos não eram suficientes

∗ conjunto de pedras, nós em cordas…

• uma bijeção qualquer: basta existir uma bijeção

∗ qualquer dedo (pedra ou nó) corresponde a qualquer animal ∗ se sobra um dedo (pedra ou nó), então falta um animal

(8)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 8

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(9)

Def: Cardinalidade Finita, Cardinalidade Infinita

Cardinalidade de um conjunto A

#A

• Finita: existe bijeção entre A e { 1, 2, 3, …, n } #A = n

∗ se n = 0 ?

• Infinita: existe bijeção entre A e um subconjunto próprio de A

Portanto, um conjunto

• finito (cardinalidade finita): possível representar por extensão

• infinito: possível retirar elementos e ainda assim estabelecer uma bijeção com o próprio

(10)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 10

Exp: Cardinalidade Infinita do Conjunto dos Números

Inteiros

f: ZN tal que • se a ≥ 0, então f(a) = 2a • se a < 0, então f(a) = 2a - 1 É bijetora e NZ Logo, Z é infinito

(11)

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(12)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 12

7.2 Conjunto Contável e Não-Contável

Nem todos conjuntos

infinitos

possuem mesma

cardinalidade

(13)

Def: Conjunto Contável, Conjunto Não-Contável,

Conjunto Enumerável

A conjunto infinito

Finitamente Contável: finito

Infinitamente Contável ou Enumerável

• existe uma bijeção entre A e um subconjunto infinito de N • esta bijeção é denominada enumeração de A

Não-Contável

• caso contrário

Infinitamente contável

• possível enumerar seus elementos como uma seqüência infinita

(14)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 14

Termo “conjunto contável”

• usualmente significa finitamente ou infinitamente contável

Exp: Conjunto Infinitamente Contável

Z

Q (exercício)

Prova de que um conjunto é não-contável

• pode ser realizada usando o método da Diagonalização de Cantor

∗ Georg Cantor (1845-1918)

(15)

Teorema: Conjunto Não-Contável

O seguinte conjunto é não-contável:

S = { x ∈ R  0 < x < 1 }

Prova:

(por absurdo – Diagonalização de Cantor)

Suponha S contável

• existe uma enumeração de S

〈s1, s2, s3,…〉

Qualquer número s ∈ S: seqüência contável de decimais

(16)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 16

Portanto, a enumeração 〈s1, s2, s3,…〉 pode ser representada por

• s1 = 0,d11 d12 d13…d1n… • s2 = 0,d21 d22 d23…d2n… • s3 = 0,d31 d32 d33…d3n… • … • sn = 0,dn1 dn2 dn3…dnn… • …

Seja r o número real construído a partir da diagonal

r = 0,e1 e2 e3…en… i ∈ { 1, 2, 3,… }

• ei = 1, caso dii ≠ 1

(17)

Claramente, r ∈ S

• r é diferente de qualquer número da enumeração 〈s1, s2, s3,…〉

• difere pelo menos no dígito destacado na diagonal Portanto, r ∉S: contradição!

Logo, é uma absurdo supor que S é contável

(18)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 18

Prova de que

R

é não-contável é simples

• antes, a seguinte definição

Def: Conjuntos Equipotentes

A e B conjuntos Equipotentes

• existe uma função bijetora entre A e B

Logo, conjuntos equipotentes: mesma cardinalidade

• todos conjuntos enumeráveis são equipotentes

(19)

Teorema:

R é um Conjunto Não-Contável

O conjuntos dos números reais R é não-contável.

Prova:

(direta)

Basta provar que R é equipotente a S = { x ∈ R  0 < x < 1 }

Seja f: S → R

• se 0 < s ≤ 1/2, então f(s) = (1 / 2s) – 1

• se 1/2 ≤ s < 1, então f(s) = (1 / (2s - 2)) + 1

(20)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 20

Exp: Conjunto Não-Contável

I (conjuntos dos números irracionais)

C (conjunto dos números complexos)

(21)

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(22)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 22

7.3 Cardinalidade dos Conjuntos

Não-Contáveis

Conjuntos não-contáveis: mesma cardinalidade?

nem todos os conjuntos não-contáveis tem a mesma cardinalidade

A

tem pelo menos tantos elementos quanto

B

#A ≤ #B

• existe função injetora f: A → B

(23)

Relação

entre cardinais: ordem parcial

reflexiva: #A ≤ #A

∗ função identidade idA: A →A é injetora

transitiva: se #A ≤ #B e #B ≤ #C, então #A ≤ #C

∗ composição de injetoras é injetora

anti-simétrica: se #A ≤ #B e #B ≤ #A, então #A = #B

∗ Teorema de Schröder-Bernstein ∗ não será demonstrado

Teorema: Schröder-Bernstein

A e B conjuntos tq existem funções injetoras f1: A → B e f2: B → A

(24)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 24

Existem infinitos cardinais não-contáveis

• conjunto das partes de um conjunto tem sempre cardinalidade

maior que este

• fato conhecido como Teorema de Cantor • na demonstração, observe que

(25)

Teorema: Cantor

#C < #2C

Prova:

Dividida em duas partes

• #C ≤ #2C: apresentar uma função injetora f: #C → #2C

• #C ≠ #2C: mostrar que não existe função bijetora entre #C e 2C

Parte 1: (direta) função injetora f: #C → #2C

Seja f: #C → #2C uma função tal que, para todo s ∈C

f(s) = { s }

• f é injetora (por quê?)

(26)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 26

Parte 2. (por absurdo) Suponha que existe função bijetora g: #C ↔ #2C

Seja A ⊆ C tq

A = { a ∈ C  a ∉ g(a)}

g é bijetora ⇒g é sobrejetora ⇒existe c ∈C tal que g(c) = A

Duas possibilidades • c ∈ A ⇒ g(c)= A ∗ c ∈g(c) ⇒ pela definição de A ∗ c ∉ A • c ∉ A ⇒ g(c)= A ∗ c ∉g(c) ⇒ pela definição de A ∗ c ∈ A

Contradição! É absurdo supor que existe tal função bijetora

(27)

Este resultado permite pensar em

• classe infinita de números cardinais

Def: Cardinal

Cardinal: classe de equivalência de conjuntos equipotentes

Classe dos cardinais

• classe de todas as classes de equivalência dos conjuntos

equipotentes

• se a classe de todos os cardinais for um cardinal

∗ semelhança com o Paradoxo de Russell ∗ não é um conjunto

(28)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 28

Cardinais infinitos conhecidos

• ℵ

∗ ("alef"): primeira letra do alfabeto hebraico ∗ com índices

• cardinal de N

∗ #N = 0

∗ menor cardinal dos conjuntos infinitos

∗ especial interesse para Computação e Informática

• ℵ0

∗ cardinal de qualquer conjunto contável (infinito)

(29)

Cardinalidade do

continuum

• Prova-se queP(N) é equipotente ao R • Para #X = k, prova-se que #P(X) = 2k

• Portanto, #P(R) = 2ℵ0

i+1

=

2

ℵI

???

• Hipótese do Continuum

∗ formulada como hipótese por Cantor ∗ não conseguiu provar

• Gödel (década de 30) e Cohen (década de 50)

∗ fato independente da Teoria dos Conjuntos ∗ Hipótese do Continuum e sua negação

(30)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 30

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(31)

7.4 Cardinal do Conjunto de Todos os

Problemas Solucionáveis

Estudo dos cardinais

• fundamental importância em Ciência da Computação

• destaque: estudos dos problemas solucionáveis (computador)

Prova-se que

existem 0 programas que podem ser definidos em qualquer linguagem de programação de propósitos gerais

(32)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 32

Existem

2

ℵ0

funções de

N

para

N

• portanto, existem infinitas funções

não podem ser representadas algoritmicamente ∗ não são computáveis

Conclusão

• existem infinitos mas contáveis problemas solucionáveis

∗ existe algoritmo (Maquina de Turing)

• existem infinitos e não-contáveis problemas não-solucionáveis

não existem algoritmos (Maquinas de Turing)

• como #N < #R

(33)

7 – Cardinalidade de Conjuntos

7.1 Introdução

7.2 Cardinalidade Finita e Infinita

7.3 Conjunto Contável e Não-Contável

7.4 Cardinalidade dos Conjuntos Não-Contáveis

7.5 Cardinal do Conjunto de Todos os Problemas

Solucionáveis

(34)

Matemática Discreta para Ciência da Computação - P. Blauth Menezes 34

Matemática Discreta para Ciência da Computação

P. Blauth Menezes

1 Introdução e Conceitos Básicos

2 Lógica e Técnicas de Demonstração 3 Álgebra de Conjuntos

4 Relações

5 Funções Parciais e Totais

6 Endorrelações, Ordenação e Equivalência 7 Cardinalidade de Conjuntos

8 Indução e Recursão

9 Álgebras e Homomorfismos

10 Reticulados e Álgebra Booleana 11 Conclusões

(35)

Matemática Discreta para

Ciência da Computação

P. Blauth Menezes

[email protected]

Departamento de Informática Teórica

Instituto de Informática / UFRGS

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