I ENCONTRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
UM ESTUDO REALIZADO NO CENTRO DO MENOR SALESIANO JUNTO ÀS FAMÍLIAS DO BAIRRO MOCAMBO ATINGIDO PELA ENCHENTE DO RIO
MADEIRA NO ANO DE 2014 NO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO/RO DAVI DE OLIVEIRA LUCENA1, LIDIANE DE SOUZA COSTA QUEIROZ2,
MARCIRLEI BORGES CARVALHO3, SÂMIA DE OLIVEIRA BRITO4 INTRODUÇÃO
O presente artigo vem tratar de questões relacionadas às enchentes. Muito se questiona se tudo isso são fatos decorrentes da fúria da natureza ou fatos relacionados a instalação e construção das UHEs Jirau e Santo Antonio nessa região. A necessidade constante de atender o crescente desenvolvimento imposto pelo país, ou seja, a demanda crescente por energia, choca - se pela busca em atendê-la de maneira sustentável. Isso nos leva as usinas hidrelétricas instaladas ao longo dos rios da cidade de Porto Velho/RO, cuja finalidade vem a de suprir a demanda de energia no país.
Paga - se um preço, e bastante elevado para os habitantes dessa região. Algumas forma afetadas diretas e outras indiretamente pelas cheias causadas nesse período constantes de chuvas, que já ultrapassam uma marca histórica, como registrada no ano de 1997 na região de Porto Velho/RO.
A FORMAÇÃO DE UMA ENCHENTE
As enchentes são fenômenos naturais, mas podem ser intensificados pelas práticas humanas nos espaços das cidades. Sabe-se que há dois tipos de causas de enchentes: as naturais e as antrópicas.
Causas naturais decorrem de fatores que estão longe do controle humano, onde a própria natureza dita suas regras. Segundo pesquisas, em geral, os rios intermitentes, ou seja, aqueles que nunca secam durante o ano, costumam ter dois tipos de leito: um menor e principal, por onde a água corre durante a maior parte do tempo, e um maior e complementar, que é inundado apenas em períodos de maior índice de chuvas.
Enchentes antrópicas, decorrem da interferência humana sobre os cursos d`água, provocando enchentes e inundações e podem ocorrer de diversas formas.
Como exemplos temos: o rompimentos de diques (casos extremos), a grande quantidade de lixo que são jogados nas ruas, nos rios, enfim, lixo esse que prejudica muito quando chove, causando entupimentos de bueiros e os canais dos rios, atrapalhando assim o fluxo das águas das chuvas. A ocupação irregular ou desordenada do espaço geográfico, o desmatamento em grande escala, e até mesmo os pequenos produtores e ribeirinhos em busca da sua subsistência
1
Aluno do curso de graduação em administração da Faculdade de Rondônia - FARO. 2014.1
2
Aluna do curso de graduação em administração da Faculdade de Rondônia – FARO. 2014.1
3 Aluna do curso de graduação em Ciências Contábeis da Faculdade de Rondônia – FARO. 2014.1 4
derrubam o leito dos rios, na sua inocência que esse ato não trará maiores prejuízos à natureza, que poderá ser causadores de possíveis enchentes.
A ENCHENTE DO RIO MADEIRA
O Rio Madeira é uma síntese de dois grandes rios: os rios Beni e Mamoré. Sendo também importante enfatizar que o rio Beni e seu afluente, o rio Madre de Dios, drenam uma expressiva porção da cordilheira dos Andes na Bolívia e no Peru.
Diante desse fator, se conclui que o rio Madeira herda, contudo, uma colossal descarga de sedimentos dos rios Beni e Madre de Dios, e como o volume de chuvas nesses rios foi maior nesse período de chuvas constantes, quem se sobrecarregou foi o Rio Madeira, o qual não suportou um volume de água tão alto, causando assim, enchentes jamais vista em Porto Velho e região.
De acordo com a Defesa Civil a última enchente que a região teve foi em 1997, a qual não teve proporções tão devastadoras quanto a que se constata atualmente. Enchente essa que veio de tal maneira jamais imaginada ou esperada por todos, deixando milhares de famílias desabrigadas no ano de 2014.
HISTÓRIA DA CRIAÇÃO DO BAIRRO MOCAMBO
Um bairro ou uma cidade não surgem assim prontos, algumas nascem por acaso, outras por necessidades, outras são planejadas em todos os detalhes e algumas simplesmente vão surgindo pessoas de outras localidades, outras cidades e até mesmo de outros estados em um determinado local e por ali constroem suas pequenas casas, onde de forma improvisada fazem daquele pequeno pedaço de chão um lar para se morar.
Partindo do princípio do questionar e do conhecer, de saber mais sobre a cidade de Porto Velho/RO, é que coloca-se aqui algumas das várias pesquisas feitas referente ao surgimento, não da cidade de Porto velho, mas sim do bairro Mocambo um dos mais antigos bairros da cidade.
Há exemplo segue a pesquisa do Prof. Abnael Machado de Lima, que segundo ele o bairro Mocambo surgiu a partir de 1910 no povoado de Porto Velho, surgido em 1907, concomitante ao reinício da ferroviária Madeira – Mamoré, em 04 de julho de 1907, pela empresa construtora norte –americana May Jekyll & Randolph contratada por Percival Farquhar e se instalando a sete quilômetros abaixo de Santo Antônio, no espaço entre a margem da direita do Rio Madeira e atual avenida Presidente Dutra.
Contudo, outro exemplo de pesquisa foi a do Prof. Dante Ribeiro da Fonseca que relata em seu trabalho ¨Uma Cidade à Far West; tradição e modernidade na origem de Porto Velho ¨ onde cito as páginas 44/45 de seu livro ¨...Naquele mesmo ano (1915) a municipalidade criou outra lei denominando Fonte Amazonas ao local até então denominado Praça Amazonas, atual Praça Jonathas Pedrosa. Inaugurou ainda o Cemitério dos Inocentes em 28 de julho daquele ano, na área próxima ao cemitério já residia antes à comunidade que se destacava na Vila por conta das práticas umbandistas. Segundo Cantanhede, “organizaram ali quase um ano antes, em 24 de junho de 1914, a Sociedade Beneficente de Santa Bárbara e o local ficou conhecido por Mocambo”. Dante complementa, “é possível que esses primeiros moradores do Mocambo já residissem ali antes de 1914, porém não foi possível determinar com precisão o ano em que o local foi ocupado”.
O que se conclui da pesquisa feita com as inúmeras publicações sobre como e quando o bairro Mocambo surgiu, e que não se têm ao certo o dia, mês ou ano certo de seu surgimento, mas entre tantas datas prováveis podemos assim dizer que o bairro Mocambo começou a receber pessoas de vários outros lugares entre o ano de 1907 a 1914, conforme pesquisas feitas.
METODOLOGIA DA PESQUISA
Quanto à forma de abordagem, a pesquisa é qualitativa, pois entende-se que existe uma relação que não pode ser traduzida em números.
Quanto aos objetivos da pesquisa, divide-se em exploratória e descritiva. A pesquisa exploratória proporciona um aprimoramento das idéias, pois está embasada em levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que tiveram experiências com o problema pesquisado, assumindo em geral um estudo de caso ou uma pesquisa bibliográfica.
A Pesquisa descritiva apresenta como características a observação, a análise e o registro dos dados observados.
Do ponto de vista dos procedimentos adotados, a pesquisa é bibliográfica, documental, e apresenta um estudo de caso.
O estudo de campo foi realizado através de visitas aos locais inundados, visita aos alojamentos, questionamentos feitos às famílias desabrigadas, da qual se buscam informações e relatos das pessoas afetadas e a situação em que se encontram todas essas famílias atingidas pelas enchentes na rua Jaci Paraná, bairro Mocambo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O assunto em questão são os alagamentos ocorridos em quase toda região norte no ano de 2014, especificamente nas regiões próximas a Porto Velho/RO. A pesquisa foi concentrada no bairro Mocambo, bairro este que pertence a cidade de Porto Velho, visita foi feita ao local alagado, constatando assim, inúmeras casas abandonadas por seus moradores, que por força da natureza tiveram suas casas invadida pelas águas.
Em visita realizada ao Centro do Menor na cidade de Porto Velho, percebeu-se a permanência de famílias inteiras, crianças, adultos, idosos tendo que sobreviver com ajuda de pessoas que se dispuseram a ajudar com o que podiam.
Em contato com uma moradora que encontra-se alojada no Centro do Menor, e que teve sua casa coberta pelas águas, procurou-se saber mas sobre ela, como ela estava lidando com tudo aquilo, suas dúvidas e o qual a opinião dela sobre tudo.
Dona Edileuda, solteira, mãe de 02 crianças em idade escolar, vive de benefícios do governo e algumas diárias como doméstica. Motivo pelo qual foi morar no bairro Mocambo, na rua Jacy Paraná, já que se trata de uma área precária para moradia, disse não ter condições de comprar ou alugar uma casa, então decidiu ir morar lá, já que se tratava de uma invasão. Conseguiu retirar seus pertences da casa, como ela mesma disse, quando viu a água começar subir procurou a casa de parentes, mas logo depois foi encaminhada para o abrigo junto com seus filhos. Natural do Acre, mas criada em Porto Velho, apesar de alegar estar sendo bem amparada no alojamento e não estar faltando nada nem a ela e nem a seus filhos, está preocupada, pois as crianças não estão frequentando a escola.
Figura 1: Dona Edileuda, alojada no Centro do Menor/PVH/RO.
Fonte: Lidiane de Sousa(2014)
Figura 2: Rua Jacy Paraná, B. Mocambo, invadida pelas águas;
Fonte: Lidiane de Sousa
CONCLUSÃO
Diante dos resultados da pesquisa, das conversas com algumas pessoas que de uma forma ou de outra são vítimas dessa enchente que abalou Porto Velho/RO e toda sua região, pode-se analisar melhor o que houve, o que aconteceu, tal fato jamais foi presenciado, rios transbordando, ruas alagadas, casas invadidas pelas águas, transtornos por toda cidade, a economia familiar e do município com prejuízos irreparáveis.
É difícil descrever em palavras o que realmente essas famílias estão sentindo, ter a rotina de sua vida parada, ficar sem saber o que fazer e a angústia de inúmeras possibilidades e impossibilidades. O que se pode pensar e analisar agora, é se no próximo ano não houver mudanças, não houver projetos de melhorias para a cidade, moradias adequadas para algumas famílias que moram em locais de alto risco, a tragédia pode repetir-se. É certo que os fenômenos da natureza têm o toque das ações dos humanos, há inúmeras atitudes a serem tomadas para que grandes desastres naturais ou “provocados” sejam no mínimo minimizados, para que não se tenha tantos danos e prejuízos para todos.
REFERÊNCIAS
RIZZOTTO, Gilmar Jose; QUADROS, Marcos Luiz do Espírito Santo;VASQUEZ, Marcelo Lacerda. Contribuições à Geologia da Amazônia. Belém, 2009. V. 6
http://www.brasilescola.com/geografia/enchentes.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Madeira