A campanha eleitoral do PCO: um
balanço
Nosso partido obteve ótimos resultados na campanha eleitoral desse ano, apesar das condições em que esta se desenvolveu.
Em meio ao golpe de Estado, à vitória dos golpistas no impeachment de Dilma Rousseff, a enorme perseguição da direita contra o PT e a esquerda em geral e ao controle ditatorial da direita sobre o regime político em geral, e o processo eleitoral em particular, nosso Partido conseguiu obter um resultado quase 73% maior em número de votos do que na eleição municipal passada, tendo lançado candidatos em quatro vezes mais cidades e feito, efetivamente, muito mais campanha de rua do que em eleições anteriores.
Vejamos os números.
O voto no PCO, o único partido de esquerda cuja votação
cresceu nessas eleições
Nosso partido alcançou 7.409 votos nas candidaturas a prefeito lançadas em 18 cidades em todo o País. A esses, somam-se 3.188 nos candidatos a vereador pelo partido. Somadas as cidades onde lançamos apenas candidatos a vereador, chegamos a 22 cidades.
Chegamos a um resultado expressivo na votação do partido, que cresceu 73% em relação ao número de votos recebidos nas suas candidaturas a prefeito em 2012 (4.284 votos a prefeito).
Nesse mesmo período, a votação da esquerda – por diversos fatores – encolheu mais de 50%, puxada para baixo em grande medida pela diminuição de mais de 60% do número de votos recebidos pelo PT (17,2 milhões em 2012 contra 6,8 milhões em 2016) (vide tabela abaixo).
*Trata-se do número total de votos do partido. Em função do processo de impugnação de algumas candidaturas (Bauru e Rio de Janeiro, que receberam, respectivamente, 284 e 1.436 votos), o total divulgado inicialmente na imprensa burguesa é de apenas 5.689 votos.
Partid o 2012 2016 % PCO 4.284 7.409* + 73% PCB 45.119 24.501 - 45,7% PSTU 176.336 77.952 - 55,5% PSol 1.880.746 1.767.051 - 6% PCdoB 2.388.701 2.097.623 - 1,2% PT 17.273.415 6.822.967 - 60,5% TOTAI S 21.768.601 10.790.094 - 50,4%
Em primeiro lugar é preciso destacar que a votação do PCO, em todas as eleições desde que começou a participar, tem um caráter distinto da votação dos demais partidos, sejam eles os tradicionais partidos burgueses, sejam os partidos de esquerda. Isso ocorre porque, diferentemente dos partidos burgueses e da maioria dos partidos da esquerda pequeno-burguesa, o PCO não tem à sua disposição a enorme máquina eleitoral, nem o dinheiro e o controle sobre os meios de propaganda (a imprensa burguesa) que os demais partidos têm. Não disputamos o voto nas mesmas condições que a maioria dos demais partidos disputa, nem com o mesmo objetivo. Tampouco nos apresentamos nas eleições como candidatos a administradores (da falência) do Estado capitalista.
Nesse sentido, o voto no PCO é sobretudo um voto ideológico, um voto que corresponde quase exatamente ao número de pessoas que efetivamente apoiam o partido e romperam o cerco imposto pela direita e pela esquerda no seu deslocamento em direção a posições consequentemente revolucionárias e socialistas.
É uma votação que permite (com todas as limitações impostas por uma eleição em um regime político controlado pela direita) delimitar com relativa precisão a resposta positiva de uma parcela da população à propaganda do partido.
Poderíamos dizer ainda que a votação do partido, nessas condições, corresponde quase exatamente ao número de pessoas que já estão incorporados ao partido como militantes, ou estariam dispostas a ingressar em suas fileiras imediatamente, ou ainda que são simpatizantes que se destacaram do grosso do eleitorado da esquerda, rompendo com os preconceitos políticos e as limitações políticas características da esquerda pequeno-burguesa.
E preciso, ainda, destacar que o voto nos candidatos do PCO, diferentemente do que acontece na maioria dos partidos de esquerda, não é necessariamente um voto nos indivíduos, mas um voto marcadamente partidário, dado em função da campanha política permanente desenvolvida pelo partido, de seu trabalho de agitação e propaganda cotidiano. No Rio de Janeiro, por exemplo, a boa votação do partido se dá em grande medida em função da campanha prévia feita pelo partido, que vem mobilizando seus esforços para construir um trabalho militante no estado. Se tivéssemos tido condições de fazer uma campanha eleitoral boa, poderíamos aumentar essa votação (que, em si, já foi 65,2% maior do que a obtida em 2012, com apenas 937 votos).
Em São Paulo, o Partido obteve 1.019 votos (contra 1.373 nas eleições de 2012, i.e., 354 votos a menos), em um quadro de enorme pressão pelo "voto útil" em Haddad, na
expectativa de levar a eleição para o segundo turno em uma disputa apertada com a candidatura do PSDB, onde foram lançadas duas candidaturas para tirar voto do atual prefeito (Erundina pelo Psol e Marta pelo PMDB, ambas ex-prefeitas pelo PT). É a cidade em que o voto é o mais disputado, sob a pressão, tanto da direita burguesa, como da esquerda burguesa e pequeno-burguesa.
Considerando ainda que a candidatura do companheiro Henrique Áreas era a de um completo desconhecido (em 2012, o partido havia lançado a companheira Anaí Caproni, que já havia sido candidata a prefeito e governador em seis eleições, desde 2002), o resultado desse ano confirma o caráter ideológico da votação do partido.
O mesmo pode ser verificado em São José do Rio Preto, no interior de S. Paulo, onde o partido lançou candidato pela primeira vez, em um quadro em que a esquerda pequeno-burguesa centrista não lançou candidatos. Nessas condições, em meio à enorme crise porque passa o PT, o companheiro Daniel Nhani, sustentou nas eleições o programa do PCO, marcando a posição de luta contra o golpe, e com muito pouco trabalho prévio às eleições, alcançou uma votação expressiva para os padrões do nosso partido.
Uma campanha maior e mais bem organizada
Neste ano, lançamos candidatos a prefeito em 18 cidades (quase quatro vezes mais do que fizemos em 2012, quando havíamos lançado candidatos em apenas cinco cidades).
Também lançamos mais candidatos do que jamais havíamos lançado em eleições
anteriores, ao todo (76, no total. Eram apenas 23 em 2012, incluídos, em ambos os casos, os candidatos a vice-prefeito). Isto é, mais de três vezes mais candidatos.
Nessa campanha, produzimos mais de meio milhão de panfletos, que deram continuidade à campanha que o partido já vinha fazendo há meses, com panfletos e cartazes nas ruas das
Cidade Candidato Prefeito % Vereador % Observação
Rio de Janeiro Thelma Maria 1.436 0,03 442 0,02 Impugnada São Paulo Henrique Áreas 1.019 0,02 827 0,02
Teresina Lourdes Mello 786 0,18 100 0,02 Rio Preto Daniel Nhani 629 0,29 129 0,06 Duque de Caxias Samuel Maia 536 0,13 162 0,04 Recife Pantaleão 429 0,05 319 0,04
Jaboatão Adilson 350 0,12 53 0,02
João Vicente Marcelo Omena 288 0,17 -
-Bauru Osmar Brito 284 0,14 - - Impugnado
Feira de Santana Leonardo 283 0,09 589 0,9 Campinas Edson Dorta 279 0,06 -
-Serra Negra Prancha 260 1,67 -
-Piracicaba Magno 216 0,11 33 0,02
Gravatá Oswaldo 170 0,37 105 0,22
Campo Grande Arce 158 0,04 95 0,02
Paulínia Daniel Messias 124 0,24 10
Diadema Vandival 88 0,05 -
-Assis Vinícius Sousa 74 0,16 -
-Belo Horizonte Paulo Coelho - - 155 candidato + legenda
Curitiba Carlão - - 169 candidato + legenda
Marilia Lilian Miranda - - Não aparece
Porto Alegre Luiz Delvair - - Não aparece
cidades onde seu trabalho militante se desenvolve, contra o golpe de Estado, o impeachment e a direita golpista.
Além disso, durante o período da campanha eleitoral, as vendas do nosso semanário impresso, Causa Operária, somaram quase 9.000 exemplares.
E, vale dizer ainda, que a campanha foi feita com pouquíssimos recursos financeiros e humanos. Toda a campanha do partido se apoiou quase que exclusivamente no trabalho de seus militantes e simpatizantes.
Ainda entre as adversidades enfrentadas pelo partido para lançar seus candidatos, vale destacar a enorme burocracia enfrentada pelo partido que, além de ter de lidar com a abertura de 76 processos (um para cada candidato), em que eram exigidos 13 documentos diferentes em cada (totalizando mais de mil documentos!) foi obrigado a atender às
diligências abertas pela Justiça Eleitoral em todos os processos, protocolando novos documentos e respostas às solicitações dos TREs, sendo que em 27 deles foi necessário responder com recursos (peças jurídicas) individuais, sem contar ainda outros 22 processos autônomos, abertos em todo o país, para o registro dos DRAPS (Demonstrativos de
Regularidade de Atos Partidários) em cada município.
Longe de ter sido um modelo de organização, a campanha do partido teve o mérito de ter colocado em prática uma diretriz que vale para todo o trabalho partidário: o trabalho coletivo e a organização centralizada.
Algumas conclusões para o debate
A campanha eleitoral de um partido como o nosso não pode ser o “único” momento de campanha do partido. Como já assinalamos diversas vezes, nosso partido deve estar permanentemente em campanha, mobilizado em torno de sua imprensa, de seu trabalho de agitação e propaganda em geral, diferentemente do modelo de organização
"social-democrata", predominante na esquerda pequeno-burguesa, que vive e depende das eleições.
Nossa campanha eleitoral depende da campanha feita pelo partido durante todo o ano, todos os anos. A esquerda pequeno-burguesa centrista faz campanha apenas com intuito eleitoral. O resultado disso pode ser visto no desastre colhido pelo PSTU, que passou dois anos pedindo “fora todos”, tentando atrair voto da direita, e terminou colhendo dois rachas, perdendo mais da metade dos votos e, mesmo tendo aumentado o número de candidatos nas eleições, tiveram um resultado pior.
Existe ainda em nosso partido um setor bem atrasado politicamente, composto na maioria por companheiros que recém ingressaram e que acham que a eleição em si é uma coisa importante. Entendemos que é necessário que essa parcela do partido, que tende a se deixar afetar pelo resultado das urnas, evolua politicamente e compreenda que, ou nosso partido desenvolve uma atividade regular e sistemática, ou não há sentido em ir só para as eleições para fazer campanha no espaço restrito das eleições.
A eleição é, com todas as suas limitações, uma oportunidade para que o partido possa medir suas forças.
Nosso voto na eleição é mais puramente programático e ideológico do que nas eleições anteriores, porque nessas eleições nosso espaço foi minúsculo, não houve condições para que os candidatos se tornassem conhecidos do eleitorado.
Como conclusão, destacamos que é preciso organizar o trabalho de agitação e propaganda cotidiano do partido. É preciso avançar na construção do Partido, na incorporação de novos militantes, no fortalecimento daqueles novos companheiros que recém-ingressaram nas fileiras do partido, e nas tarefas que disso decorrem, como o crescimento da venda do
jornal Causa Operária, do número de panfletos distribuídos, cartazes colados, reuniões de célula realizadas, atividades realizadas nacionalmente e localmente etc.
Nesse sentido, está colocada na ordem-do-dia, uma campanha para o recrutamento de 200 novos militantes até o próximo Congresso do PCO, marcado para dezembro desse ano, e de maneira combinada, uma campanha de filiação para conduzir para os marcos da organização do partido o apoio obtido através do voto nessas eleições.