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COMPARATIVE ANALYSIS OF NEURAL MOBILIZATION AND PASSIVE STRETCHING IN THE GAIN OF AMPLITUDE OF MOVEMENT IN HOLLOW FLEXION

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Academic year: 2021

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D.O.I: http://dx.doi.org/10.17115/2358-8411/v5n2a11 Accepted: 15/03/2018 Published: 30/06/2018

COMPARATIVE ANALYSIS OF NEURAL MOBILIZATION AND

PASSIVE STRETCHING IN THE GAIN OF AMPLITUDE OF

MOVEMENT IN HOLLOW FLEXION

ANÁLISE COMPARATIVA DA MOBILIZAÇÃO NEURAL E

ALONGAMENTO PASSIVO NO GANHO DE AMPLITUDE DE

MOVIMENTO EM FLEXÃO DO QUADRIL

Kele da Silva Daineses1

Graduada em fisioterapia (UNIREDENTOR)

Elídia de Souza Moreira2

Graduada em fisioterapia (UNIREDENTOR)

Thiago Azevedo da Silva3

Mestre em Cognição e Linguagem (UENF)

Fernanda Castro Manhães4

Pós Doutoranda em Cognição e Linguagem (UENF)

Abstract: The therapeutical techniques neural mobilization (NM) and passive stretching (PS)

are used, among other functions, to increase the movement amplitude (IMA), however, there are few studies which compare both techniques concerning IMA gain in hips flexion. The aim of this study is to compare the NM and PS techniques in order to identify which favors greater IMA hips flexion in sedentary and asymptomatic individuals who present shortening of the posterior thigh musculature. The sample is of 20 volunteers of the female sex, divided into two groups at random with ten in each. The group 1 has undergone the NM of the sciatic nerve and the group 2 has undergone the PS of the hamstrings. Both groups have undergone 8 sessions of the techniques for a period of 4 weeks, being submitted to two evaluations composed by goniometry of the hips articulation and by the test of the 3rd finger solo, both performed in the first appointment, before the application of the techniques and after 8 applications. The values have been recorded to be later compared. The results indicate that both techniques have been effective and that both groups have achieved

1 Centro Universitário Uniredentor – UNIREDENTOR, Itaperuna, Rio de Janeiro.

[email protected] 2 Centro Universitário Uniredentor – UNIREDENTOR, Itaperuna, Rio de Janeiro.

[email protected] 3

Faculdade Santo Antônio de Pádua – FASAP, Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro.

[email protected]

4 Universidade Estadual Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro.

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significant gains as to IMA and to flexibility. Therefore, it has not been possible to point greater efficiency to one or another technique.

Key-words: Movement Amplitude; Neural Mobilization; Passive Stretching; Sedentary.

Resumo: As técnicas terapêuticas mobilização neural (MN) e alongamento passivo (AP)

são empregadas, entre outras funções, para aumento da amplitude de movimento (ADM); contudo, são poucos os estudos que comparam as duas técnicas quanto ao ganho de ADM em flexão do quadril. O objetivo deste estudo foi comparar as técnicas MN e AP com o intuito de se identificar qual proporciona maior ganho de ADM em flexão de quadril em indivíduos sedentários e saudáveis apresentando encurtamento dos isquiotibiais. A amostra foi de 20 voluntárias do sexo feminino, divididas em dois grupos de forma aleatória com 10 integrantes cada, onde o grupo 1 realizou MN do nervo ciático e o grupo 2 realizou AP dos isquiotibiais. Ambos os grupos receberam 8 sessões das técnicas durante um período de 4 semanas, sendo submetidos a duas avaliações compostas pela goniometria da articulação do quadril e pelo teste 3º dedo-solo, realizados no primeiro atendimento e após as 8 aplicações, cujo valores foram anotados para serem comparados posteriormente. Os resultados indicaram que as duas técnicas foram eficazes e ambos os grupos obtiveram ganhos significativos quanto a ADM e flexibilidade, não sendo possível, no entanto, apontar maior eficiência de uma técnica em relação à outra.

Palavras-chave: Mobilização neural; Alongamento passivo; Amplitude de movimento;

Sedentarismo.

1- INTRODUÇÃO

A amplitude de movimento (ADM) pode ser definida como a quantidade de mobilidade que uma articulação possui, com o movimento podendo ser realizado de forma ativa ou passiva. É determinada pelo tecido mole e estrutura articular, e capaz de influenciar as atividades funcionais e o desempenho atlético do indivíduo. Quanto mais ativa é a pessoa, maior sua ADM (JUNIOR, 2007; BAUM, 2009; MILAZZOTTO et al, 2009; ROSÁRIO

et al, 2004).

Em especial, destacamos a articulação do quadril quando se encontra com a ADM de flexão reduzida, podendo influenciar negativamente na marcha e postura, predispor a lesões, diminuir força, etc. Fatores comuns relacionados à redução da ADM são alterações estruturais, como o encurtamento do tecido muscular secundário à lesões ou pelo próprio sedentarismo que demonstra uma alta incidência na população; comprometimento da neurodinâmica do sistema nervoso (SN), ou uma junção destes dois (VASCONCELOS et al, 2011; ENDLICH et al, 2009). O SN e o sistema musculoesquelético trabalham intimamente,

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sendo assim, uma disfunção em um deles pode comprometer a funcionalidade do outro. Um exemplo disso é a relação entre os músculos isquiotibiais e o nervo ciático, cujo comprometimento em uma dessas estruturas pode interferir na execução das funções normais da outra (ANDRADE & ALMEIDA, 2011; MACIEL et al, 2012).

Já que a redução da ADM de flexão de quadril é um fator que influencia negativamente nas atividades cotidianas e/ou atléticas do indivíduo, se torna necessária a busca por técnicas que realmente revertam este quadro de forma eficaz, e para isso, a fisioterapia dispõe de técnicas que agem em tecidos diferentes, mas que são empregadas, entre outras funções, para o ganho de ADM. Cabe aos profissionais de fisioterapia identificar a estrutura comprometida para se aplicar a técnica adequada. Entre as técnicas disponíveis temos a mobilização neural (MN) que age no tecido nervoso e o alongamento passivo para tratamento ou manutenção das condições do tecido muscular (SANTOS & DOMINGUES, 2008).

A MN é uma técnica considerada antiga, mas, que somente nos últimos 35 anos obteve ênfase em seu desenvolvimento, principalmente por parte de fisioterapeutas voltados a tratamentos ortopédicos, a partir do momento em que foi descoberto que o SN podia estar envolvido secundariamente em vários comprometimentos musculoesqueléticos ou ser a fonte principal de sintomas. Este método é utilizado tanto para diagnóstico como tratamento das disfunções do SN, e procura manter ou restaurar o movimento e elasticidade desse tecido, atuando de forma a normalizar o curso do SN ao longo de seu trajeto. Para se verificar o comprometimento nervoso são realizados testes específicos para cada nervo periférico. Para ganho de ADM de flexão do quadril, a técnica deve visar o nervo ciático (MONNERAT & PEREIRA, 2010; VASCONCELOS et al, 2011).

Já o alongamento muscular é uma manobra terapêutica utilizada para ganhar mobilidade e aumentar o comprimento dos grupos musculares que sofreram encurtamento, por promover o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento, contribuindo para o ganho de ADM (ALENCAR & MATIAS, 2010). Entre suas modalidades, o alongamento muscular passivo é uma das técnicas mais utilizadas pela fisioterapia por ser considerada de fácil realização, segura e com baixo risco de provocar lesão, e é empregada nas disfunções do sistema musculoesquelético. Quando se quer ganhar ADM em flexão do quadril, a técnica deve ser empregada aos músculos isquiotibiais, grupo composto pelo bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso, situados na parte posterior da coxa, já que o encurtamento deste grupo muscular limita o movimento de flexão coxofemoral (MACHADO & BIGOLIN, 2010; ROSÁRIO et al, 2004).

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Sendo assim, o presente estudo teve como objetivo comparar os métodos terapêuticos: mobilização neural e alongamento passivo, com o propósito de identificar qual técnica apresenta maior eficácia em relação ao ganho de ADM e flexibilidade em flexão de quadril.

2- METODOLOGIA

O estudo caracteriza-se por ser do tipo quantitativo, sendo composto por indivíduos que aceitaram participar da pesquisa voluntariamente e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Foi executado seguindo as normas para realização de pesquisa em seres humanos de acordo com as diretrizes da Resolução n. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde/MS, e teve início após ser aprovado pelo CEP (Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Redentor de Itaperuna, RJ) pelo protocolo nº 057/2013.

A amostra total do estudo foi de 20 voluntárias do sexo feminino com idade entre 20 e 30 anos (média de 22,7 anos), sedentárias e estagiárias dos cursos de fisioterapia e fonoaudiologia do Centro de Atendimento Clínico de Itaperuna (CACI). As participantes foram divididas em dois grupos com o mesmo número, sendo esta divisão realizada de maneira aleatória através de sorteio. O grupo 1 foi submetido a mobilização neural do nervo ciático, e o grupo 2 ao alongamento muscular passivo da musculatura isquiotibial. As técnicas foram aplicadas nos membros inferiores (MMII) de cada indivíduo. Os critérios para inclusão foi de indivíduos do sexo feminino entre 20 e 30 anos, que fossem estagiárias dos cursos de fisioterapia e fonoaudiologia da CACI, sedentárias, com idade entre 20 e 30 anos e que apresentassem encurtamento bilateral da musculatura posterior de coxa (considerou-se encurtamento quando a ADM passiva de flexão do quadril era menor que 90º), associado ou não a alguma patologia que não contraindicasse a realização da técnica proposta ou pudesse influenciar os resultados. Os critérios para exclusão foram a prática de exercícios físicos, a presença de patologias neurológicas, musculoesqueléticas ou reumáticas que tenham contraindicação para realização de alongamento passivo ou mobilização neural e que sejam direcionadas à coluna vertebral, quadris e membros inferiores, tais como: problemas agudos com recente agravamento dos sinais neurológicos, lesões da cauda equina, lesões do SNC, lesões medulares, inflamação, malignidade, compressão grave de raízes nervosas, neuropatia periférica, fraturas em processo de consolidação, lesões musculotendíneas, bloqueio articular, etc.

Foram utilizados para a coleta dos dados: uma folha para identificação das participantes, um goniômetro clínico da marca Carci®, uma fita métrica, uma maca e o teste

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3º dedo-solo. A coleta dos dados foi realizada por dois (2) avaliadores no CACI e composta por três (3) etapas: 1ª: Identificação do indivíduo e aplicação da primeira avaliação composta pela goniometria da articulação do quadril (bilateralmente) e pela aplicação do teste 3º dedo-solo no primeiro atendimento; 2ª: aplicação da técnica referente ao grupo em cada membro inferior durante 4 semanas com 2 atendimentos semanais; 3ª: segunda avaliação através da reaplicação do teste 3º dedo-solo e da goniometria do quadril no último atendimento após 4 semanas de aplicação das técnicas. Os valores do teste 3º dedo-solo e da goniometria da primeira e da segunda avaliação foram anexados a folha de identificação de cada participante para posterior comparação, sendo que cada avaliador ficou responsável em aplicar a técnica em um grupo específico.

A mensuração da ADM passiva de flexão do quadril de todos os participantes foi realizada bilateralmente através da goniometria e da execução do teste de elevação da perna estendida (SLR). Para a execução do SLR, o paciente foi posicionado em decúbito dorsal, com tronco e quadris em posição neutra. O examinador posicionou uma mão sob o tendão de Aquiles e a outra acima do joelho. O membro inferior testado foi elevado passivamente flexionando o quadril com o joelho estendido, até ser relatada por parte da participante a sensação de alongamento gerando desconforto leve sem dor, então o membro foi mantido neste ponto sem que ocorresse flexão do joelho do mesmo lado ou do joelho oposto para realização da goniometria do quadril (tendo como ponto de referência o eixo do trocânter maior do fêmur), cujo valor foi anotado.

A avaliação da flexibilidade da musculatura posterior de coxa foi realizada com o auxílio do teste 3º dedo-solo. Para sua realização a participante se manteve em posição ortostática, pés juntos e joelhos estendidos, devendo então realizar flexão máxima anterior do tronco sem flexionar os joelhos e mantendo a cabeça relaxada, desta forma foi mensurada com uma fita métrica a distância do 3º dedo da mão direita até o solo, cujo valor alcançado foi registrado.

Para a execução das técnicas de mobilização neural e alongamento passivo, a participante esteve posiciona da mesma forma: Deitada em decúbito dorsal com cabeça apoiada em uma almofada, membros superiores ao longo do corpo e membro inferior oposto em extensão, elevação do membro inferior que iria receber a técnica estendido. A técnica mobilização neural foi aplicada em posição de SLR e o membro foi posicionado um pouco abaixo da ADM passiva disponível, e a mesma foi executada a partir deste ponto, sendo realizados movimentos oscilatórios de dorsi-flexão do tornozelo com o quadril flexionado e o joelho estendido. Foram realizadas três (3) séries de 30 repetições com intervalo de 30 segundos entre cada série, em cada membro inferior durante 4 semanas, com dois

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atendimentos semanais. Para a realização do alongamento muscular passivo dos isquiotibiais, o avaliador elevou o membro inferior da participante realizando flexão do quadril com o joelho estendido até causar leve desconforto e manteve em posição estática de alongamento por 30 segundos, repetindo por 3 séries com intervalo de 30 segundos entre cada série, com dois atendimentos semanais durante 4 semanas. Todos os dados coletados ficaram armazenados, sem nenhum dado divulgado com identificação das participantes.

Após a coleta de dados foi realizada a análise estatística descritiva (média e desvio padrão) dos resultados referentes à ADM de flexão de quadril de membro inferior direito (MID) e membro inferior esquerdo (MIE) e ao teste 3º dedo-solo obtidos na primeira avaliação em comparação aos da segunda em cada grupo. Foi utilizado também o teste T de Student para amostras pareadas e independentes com nível de significância p<0,05. Para análise dos resultados foi utilizado o programa Microsoft Office Excel 2010, e os mesmos foram representados auxílio de gráficos.

3- RESULTADOS

O presente estudo foi composto por 20 voluntárias do sexo feminino que apresentavam encurtamento dos isquiotibiais, sedentárias, saudáveis, estagiárias dos cursos de fisioterapia e fonoaudiologia da CACI. As voluntárias foram divididas em dois grupos, onde o grupo 1 foi submetido a mobilização neural (média de idade de 22 ± 1.9

anos) e o grupo 2 ao alongamento passivo (média de idade de 23 ± 2.6 anos). Os dados da

pesquisa foram coletados em duas avaliações realizadas antes e após as oito (8) aplicações das técnicas que compuseram o estudo e são referentes à aos resultados da goniometria da articulação coxofemoral e do teste 3º dedo-solo, estando representados nas figuras 1 (A e B) e 2 (A e B).

A B

*

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Figura 1: Comparativo das médias da amplitude de movimento de flexão do quadril obtida na 1ª e na 2ª avaliação em membros inferior direito e esquerdo. A- Mobilização neural; B- Alongamento passivo.

A figura 1 (A) corresponde aos valores da média obtida na 1ª e 2ª avaliação da ADM de flexão de quadril de membro inferior direito (MID) e membro inferior esquerdo (MIE) do grupo de indivíduos que foi submetido à mobilização neural. O MID desse grupo obteve uma média inicial de 66º(±8.16) de flexão de quadril na primeira avaliação, passando para média de 82.8º(±4.12) na segunda avaliação (≠ de 16.8º entre a 1ª e a 2ª avaliação), já o MIE

passou da média inicial de 63.2º (±5.67) para 80.1º (±4.35) na segunda avaliação após a realização da técnica (≠ de 16.9º entre a 1ª e a 2ª avaliação).

A figura 1 (B) corresponde à média da ADM de flexão de quadril obtidas na 1ª e 2ª avaliação do grupo alongamento passivo. A média do MID desse grupo foi de 65.1º (±7.78)

obtida na 1ª avaliação e de 81.7º (±9.74) na 2ª avaliação (≠ de 16.6º entre as avaliações). O

MIE obteve média inicial de 63.15º (±9.29) passando para 79.2º (±10.10) na avaliação final (≠ de 16.05º entre a avaliação inicial e final).

A B

Figura 2: Comparativo das médias obtidas com o teste 3º dedo-solo na 1ª e 2ª avaliação. A- Mobilização neural; B- alongamento passivo.

A figura 2 é referente à média do teste de flexibilidade (3º dedo-solo) obtida no grupo mobilização neural e no grupo alongamento passivo na 1ª e na 2ª avaliação. O grupo mobilização neural (2 A) passou de uma média inicial de 10,45 cm (±5.83) de distância do 3º dedo até o solo pré-mobilização para uma média final de 4,95 cm (±4.34) após 8 sessões de aplicação do protocolo de mobilização neural (≠ 5,5 cm entre a 1ª e 2ª avaliação), já o

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grupo alongamento passivo (2 B) passou de uma média inicial de 12,45 cm (±7.95) pré alongamento para 7,9 cm (±5.81) após a realização do alongamento da musculatura isquiotibial (≠ 4,55 entre a 1ª e 2ª avaliação).

Na análise intra-grupos realizada através do Teste T de Student (pareado) ficou demonstrado que as duas técnicas que compuseram o presente estudo foram eficazes para o ganho de ADM e flexibilidade (p<0,05). Porém, quando foram comparados os resultados entre os grupos por meio do Teste T de Student (independente) não houve diferença significativa (p>0,05).

4. DISCUSSÃO

O objetivo deste estudo foi comparar os métodos terapêuticos: mobilização neural e alongamento passivo, com o propósito de identificar qual técnica apresenta maior eficácia em relação ao ganho de ADM em flexão do quadril e flexibilidade da musculatura posterior de coxa.

A flexibilidade pode ser definida como a capacidade máxima do músculo em aumentar seu comprimento para movimentar uma articulação ao longo da ADM disponível, sem que ocorra lesão musculotendínea (ROSÁRIO et al, 2008). Já a ADM se refere à quantidade de movimento de uma articulação, cujo valor pode ser medido e expressado em graus. A flexibilidade e a ADM são fatores que se inter-relacionam, ou seja, para que ocorra movimento articular dentro de uma ADM normal para determinada articulação é necessário que os tecidos moles adjacentes possuam uma flexibilidade adequada e permita o movimento, e a redução da flexibilidade leva a redução da ADM (JUNIOR, 2007).

A ADM considerada normal para o movimento de flexão da articulação do quadril com o joelho estendido é em torno de 90º podendo alcançar até 120º quando o movimento é realizado de forma passiva (BUCKOWSKI, 2012). Todas as participantes de ambos os grupos do presente estudo apresentaram redução da ADM de flexão coxofemoral mensurada pela goniometria na 1ª avaliação. Porém, após a realização das técnicas obtiveram ganhos significativos, obtendo médias que se aproximaram de 90º de flexão de quadril nos dois membros. A média de ganho no grupo mobilização neural foi de 16.8º em MID e de 16.9º no MIE. Já o grupo alongamento passivo obteve média de ganho no MID de 16.6º e de 16.05º no MIE.

Em relação ao resultado do teste 3º dedo-solo, os dois grupos apresentaram média inicial na 1ª avaliação antes da aplicação das técnicas acima de 10 cm de distância do 3º

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dedo até o solo, caracterizando uma baixa flexibilidade. Valores considerados normais para o teste 3º dedo-solo e exprimem um alongamento ideal da cadeia muscular posterior é quando o indivíduo toca a mão no solo ou obtêm um resultado menor que 10 cm de distância do dedo médio até o chão, o que não acontece com indivíduos que apresentam baixa flexibilidade, onde a distância do dedo médio até o solo é maior (MELO et al, 2011; ROSÁRIO et al, 2008; PERIN et al, 2013). Porém, a média obtida na 2ª avaliação ao final do tratamento demonstrou que ambos os grupos diminuíram consideravelmente os valores obtidos na 1ª avaliação, apresentando média abaixo de 10 cm. O grupo mobilização reduziu em média 5,5 cm de distância do dedo médio ao solo em relação ao valor obtido na primeira avaliação e o grupo alongamento reduziu em média 4,55 cm.

A análise dos valores obtidos através da goniometria bilateral do movimento passivo de flexão do quadril e do teste 3º dedo-solo demonstrou que tanto a técnica mobilização neural como o alongamento passivo se mostraram eficazes para o aumento da ADM e flexibilidade quando comparado os resultados intra-grupo (p<0,05). Porém, não foi possível estabelecer qual técnica se mostrou mais eficaz, já que a comparação entre os grupos não demonstrou diferenças significativas entre os resultados (p>0,05).

O aumento da flexibilidade e da ADM do grupo submetido à mobilização neural talvez se explique pelo aumento do movimento e elasticidade do SN, já que a técnica proporciona melhora do fluxo axoplasmático responsável pela nutrição do tecido nervoso e consequentemente a melhora da execução das funções normais. Pois, para a realização dos movimentos ao longo da ADM normal é preciso que os músculos possuam elasticidade e completa extensibilidade, mas estes necessitam dos impulsos motores gerados pelo SN, e para que estes impulsos cheguem de forma adequada ao tecido muscular o SN deve ser livremente móvel e extensível (BUTLER, 2003). A manutenção de uma boa mobilidade do tecido nervoso é importante, pois o mesmo deve adaptar-se mecanicamente aos movimentos corpóreos através das mais variadas amplitudes e complexidade de movimentos ao mesmo tempo em que conduz impulsos, retraindo e alongando-se, ou até mesmo limitando a amplitude em certas combinações de movimentos (SANTOS & DOMINGUES, 2008; MACHADO & BIGOLIN, 2010).

A mobilização neural se mostra eficaz no tratamento de pacientes com comprometimento neural. Porém, pesquisas evidenciam que a técnica também pode ser empregada em pacientes sem comprometimento do tecido nervoso, como revelam Santos & Domingues (2008), que em seu estudo submeteram 10 (dez) indivíduos do sexo feminino, entre 17 a 40 anos de idade, saudáveis e sedentárias ao protocolo de tratamento com mobilização neural e foi possível verificar a eficácia da técnica no ganho de ADM em flexão

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do quadril, corroborando com o presente estudo. Apesar da técnica mobilização neural não atuar diretamente em músculos ou fáscias, é observado ganho de ADM após sua aplicação (JUNIOR E TEIXEIRA, 2007; JESUS, 2004). A posição de SLR para a execução da técnica mobilização neural é eficaz para testar ou tratar o nervo ciático, já que o mesmo aumenta de 8 a 12% seu comprimento durante a execução desta manobra e a tensão gerada pelo movimento corporal não será transmitida somente pelos músculos, pele e fáscias, mas também pelo SN (BOEING, 2004).

O aumento da ADM e flexibilidade resultante do alongamento se dá através de mudanças nas propriedades viscoelásticas do músculo. Acredita-se que o alongamento passivo estimule a síntese de proteínas e a adição de sarcômeros à fibra muscular por meio da liberação de fatores de crescimento, e com isso ocorre aumento do comprimento da fibra muscular (MENON et al, 2007). Os efeitos gerados pelo alongamento podem ser classificados em agudos ou crônicos e dependem do tempo em que a força de alongamento é mantida. Os efeitos agudos são decorrentes do aumento de flexibilidade do componente elástico da unidade musculotendínea, e se dão pelo alongamento de fibras colágenas, e quando a força externa é cessada o músculo retorna ao seu comprimento original. Já os efeitos crônicos ou plásticos se dão através do remodelamento adaptativo da estrutura muscular pelo acréscimo do número de sarcômeros em série nas duas regiões terminais da fibra muscular. Os efeitos plásticos podem permanecer por determinado período após a interrupção dos alongamentos, e para que ocorram aumentos de comprimento mais duradouros a força de alongamento precisa ser mantida por um tempo mais longo, podendo ser realizada com uma intenidade menor. (MILAZZOTTO et al, 2009; ALMEIDA et al, 2009). Se um músculo é mantido em posição de alongamento durante um período prolongado de tempo, o número de sarcômeros em série aumenta, e o ganho de comprimento é mais permanente (COELHO, 2007).

O alongamento passivo tem se mostrado como o mais eficaz para o ganho de flexibilidade da musculatura isquiotibial. Talvez isso aconteça pela teoria de que este alongamento realizado de forma lenta facilita a ativação do órgão tendinoso de Golgi (OTG), havendo menor resistência muscular durante o alongamento e tornando possível resultados melhores (FONTEQUE et al, 2008). Em estudo realizado por Bandy e Iron (1994) apud Rossetto (2009), estes autores avaliaram alongamentos passivo com duração de 15, 30 e 60 segundos e foi concluído que manter o alongamento passivo por 30 segundos é mais efetivo que 15 segundos e tão efetivo quanto mantê-lo por 60 segundos (GAMA et al, 2007).

Azevedo & Silva (2010) relacionam a alta incidência de encurtamento muscular em indivíduos jovens e saudáveis ao ingresso à universidade, pelo fato de muitos acadêmicos

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deixarem de praticar esportes ou exercícios físicos e passarem a ficar em postura sentada por tempo prolongado. A posição sentada é fator predisponente principalmente ao encurtamento dos isquiotibiais, já que nesta posição estes músculos se tornam frouxos e se encurtam para corrigir essa frouxidão, aumentando a tensão e diminuindo a flexibilidade. Por serem músculos biarticulares e por sua posição anatômica, os isquiotibiais estão envolvidos diretamente nos movimentos de quadril e joelho, e o encurtamento desse grupo muscular pode reduzir a ADM destas articulações, uma vez que a diminuição da flexibilidade leva o músculo a perder a capacidade de se deformar e acaba reduzindo a amplitude articular em movimentos em que é antagonista (CONCEIÇÃO & DIAS, 2004).

O encurtamento dos isquiotibiais pode acarretar disfunções de grande importância: gerar limitação da flexão do tronco, inclinação posterior do quadril (retroversão), comprometer a marcha podendo gerar dores musculares ou articulares nos membros inferiores, além de afetar indiretamente a mecânica da região lombar, como indica um estudo realizado por Machado & Bigolin (2010) em indivíduos com lombalgia, onde demostrou-se que a maioria destes indivíduos apresentava encurtamento dos isquiotibiais. A baixa flexibilidade dos isquiotibiais é compensada pela movimentação da coluna lombar, que irá exercer mais carga sobre a coluna, ocasionando menor mobilidade no quadril e contribuindo assim para a lombalgia (FONTEQUE et al, 2008).

5. CONCLUSÕES

A diminuição da flexibilidade dos músculos isquiotibiais pode ocasionar

redução da ADM de flexão de quadril, assim como desvios posturais que irão afetar

a funcionalidade das articulações coxofemoral, joelho e coluna lombar, fato que põe

em evidência a importância da intervenção fisioterapêutica, tanto a nível preventivo

como terapêutico, e para isso, o profissional conta com técnicas bastante utilizadas

como o alongamento muscular, e outras que vem ganhando seu espaço nesse

contexto, como a mobilização neural. Assim, a avaliação da flexibilidade dos

isquiotibiais como também de outros grupos musculares, permite identificar déficit de

comprimento, e possibilita que sejam aplicadas intervenções com o intuito de evitar

prováveis lesões como também de minimizá-las.

O encurtamento muscular em jovens saudáveis, principalmente dos isquiotibiais, tem se mostrado crescente nesta população, o que pode ter relação com a alta incidência de jovens sedentários. Pela análise dos resultados obtidos no presente estudo, tanto o programa de mobilização neural aplicado ao nervo ciático quanto o programa de

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alongamento muscular passivo dos isquiotibiais se mostraram eficazes para o ganho na ADM de flexão do quadril e na flexibilidade da cadeia muscular posterior. Porém, não foi possível destacar a maior eficácia de uma técnica em relação à outra. O estudo limitou-se pela sua curta duração e pelo número reduzido da amostra, além disso, foi realizado somente em indivíduos sedentários não podendo estender os resultados obtidos para indivíduos com algum comprometimento.

Assim, é necessário entender que o tratamento fisioterapêutico não deve se limitar a uma única técnica, mas deve atender às mais diferentes necessidades do paciente. Como ficou demonstrado no presente estudo, a fisioterapia conta com mais de uma técnica para tratamento da limitação da ADM e da flexibilidade, cabendo ao fisioterapeuta a escolha das técnicas que melhor atendem aos pacientes.

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Referências

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