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OS PROCEDIMENTOS SUCESSÓRIOS NA PRÁTICA. Parte II

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Academic year: 2021

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OS

PROCEDIMENTOS

SUCESSÓRIOS NA

PRÁTICA

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1 O procedimento de

inventário

• Origem etimológica do latim invenire.

• Procedimento de jurisdição contenciosa: bifásico e escalonado. • Possibilidade de facilitações.

(5)

“Ao lado desse procedimento básico, foram disponibilizadas outras possibilidades procedimentais, mais simplificadas e abreviadas, para atender a situações sem complexidade ou sem litigiosidade.

São as hipóteses de arrolamento sumário e de arrolamento comum, nas quais o procedimento ganha celeridade e menos dinâmica.

Para além de tudo isso, conserva-se a possibilidade de alvará judicial, para o levantamento de pequenas quantias pecuniárias deixadas pelo extinto, sem outros bens a partilhar, conforme regulamentação prevista na Lei no 6.858/80, regulamentada pelo Decreto no 85.845/81.”

• (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil: Sucessões, 6ª ed. Salvador: JusPodivm, 2021, vol. 7, p. 647)

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2 O alvará judicial e o alvará incidental

CPC 666 e a Lei nº6.858/80, regulamentada pelo Decreto nº85.845/81. Trata-se de um procedimento especial de jurisdição voluntária.

Competência.

• Art. 666, CPC: “Independerá de inventário ou de arrolamento o

pagamento dos valores previstos na Lei no 6.858, de 24 de novembro

(7)

Jurisdição voluntária (permissão de decisão por equidade – CPC,

art. 723, Par. Único). Citação de todos os interessados (CPC, art.

721).

• “(...) A expedição de alvará nos termos da Lei 6.858/80, ou seja,

em decorrência do falecimento do titular da conta, traduz

atividade de jurisdição graciosa, na qual inexiste conflito nem se

instaura relação processual” (STJ, Ac. 1ª T., RMS 21.659/BA, Rel.

Min. José Delgado, j. 17.8.06, DJU 26.10.06, p. 220).

(8)

Requisitos:

a) inexistência de outros bens a partilhar, distintos de dinheiro;

b) não exceder o limite de 500 OTNs.

A questão da legitimidade e a previsão antiga da lei.

• “Os valores depositados em nome da de cujus junto a instituições bancárias,

relativos ao FGTS, ao PIS/PASEP e verbas rescisórias, devem ser levantados

igualmente por todos os filhos dela. Atenção ao princípio constitucional da

isonomia. A Lei no 6.858/80 não pode afastar direito fundamental

constitucionalmente assegurado à herança. A referida Lei não alterou a ordem de

vocação hereditária” (TJ/RS, Ac. 8ª Câmara Cível, ApCív. 70035087394 – comarca

de Porto Alegre, Rel. Des. Rui Portanova, j. 10.6.10, DJRS 18.6.10).

(9)

O uso da equidade em visão contemporânea.

• “Em nosso entendimento, porém, considerando que os procedimentos de jurisdição voluntária, admitem o julgamento com o uso da equidade, sem a legalidade estrita (CPC, art. 723, Parágrafo Único), vislumbramos a possibilidade de concessão de alvará mesmo quando existem outros bens a serem partilhados (como um automóvel ou mesmo ações de uma empresa), dês que respeitado o limite pecuniário estabelecido no antes referido Diploma Legal.”

(FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil: Sucessões, 6ª ed. Salvador: JusPodivm, 2021, vol. 7, p. 715)

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A questão do alvará incidental (antecipação de herança ou pagamento de dívidas do espólio).

• “1. O pedido autônomo de expedição de alvará é cabível quando inexistir bens.

• 2. Na existência de bens, necessário o ajuizamento de inventário com arrolamento de

bens...”

(TJ/RS, Ac. 7ª Câmara Cível, ApCív 70062359955 – comarca de Soledade, rel. Desa. Liselena Schifino Robles Ribeiro, j. 4.11.14, DJRS 6.11.14).

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3 Arrolamento

sumário

(critério

subjetivo)

É possível quando, independente do valor dos bens transmitidos, os herdeiros forem maiores e capazes e estiverem de acordo quanto à

partilha.

• Art. 659, CPC:

“A partilha amigável, celebrada entre partes capazes, nos termos da lei, será homologada de plano pelo juiz, com observância dos arts. 660 a 663.”

(12)

“Trata-se de um procedimento judicial simplificado de inventário e

partilha e ocorre quando as partes são capazes e podem transigir,

estiverem representadas e acordarem sobre a partilha dos bens,

qualquer que seja o valor. Os herdeiros apresentam o plano de partilha

ao juiz que somente o homologa”.

(CARVALHO, Dimas Messias de; CARVALHO, Dimas Daniel de, Direito das

Sucessões, Belo Horizonte: Del Rey, 2015, p. 225)

• Art. 660, novo CPC: “Na petição de inventário, que se processará na

forma de arrolamento sumário, independentemente da lavratura de

termos de qualquer espécie, os herdeiros:

I - requererão ao juiz a nomeação do inventariante que designarem;

II - declararão os títulos dos herdeiros e os bens do espólio, observado o

disposto no art. 630;

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• Procedimento de jurisdição voluntária. Poderia ser realizado em cartório. • Critério subjetivo: sucessores plenamente capazes, sem conflitos entre si. • Com cognição superficial. Não lavratura de termos.

• Não há avaliações. Desnecessidade de intervenção da Fazenda Pública. Se houver interesse, impugnação posterior: STJ, EDcl no REsp. 1.252.995/SP.

• Inexistência de intervenção do MP. • Decisão meramente homologatória.

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• “[...] 2. Descabe, no procedimento de arrolamento sumário, discussão a

respeito do ITCMD ou da exigência de documentos pelo Fisco. A

homologação da partilha não pressupõe atendimento a obrigações

tributárias acessórias relativas ao imposto sobre transmissão ou à

ratificação dos valores pelo Fisco estadual. 3. Somente após o trânsito em

julgado da sentença homologatória é que a Fazenda verificará a correção

dos montantes recolhidos, como condição para a expedição e a entrega

do formal de partilha e dos alvarás.”

(STJ, Ac. unân. EDcl no REsp. 1.252.995/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, j.

4.10.11, DJe 17.10.11)

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• “(...) 2. Segundo o que dispõe o art. 192 do Código Tributário Nacional, a

comprovação da quitação dos tributos referentes aos bens do espólio e às suas rendas é condição sine quo non para que o magistrado proceda à homologação da partilha...

• 4. O novo Código de Processo Civil, em seu art. 659, § 2º, traz uma significativa

mudança normativa no tocante ao procedimento de arrolamento sumário, ao deixar de condicionar a entrega dos formais de partilha ou da carta de adjudicação à prévia quitação dos tributos concernentes à transmissão patrimonial aos sucessores.

• 5. Essa inovação normativa, todavia, em nada altera a condição estabelecida no

art. 192 do Código Tributário Nacional, de modo que, no arrolamento sumário, o magistrado deve exigir a comprovação de quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas para homologar a partilha e, na sequência, com o trânsito em julgado, expedir os títulos de transferência de domínio e encerrar o processo, independentemente do pagamento do imposto de transmissão.”

(16)

• Art. 662, CPC:

“No arrolamento, não serão conhecidas ou apreciadas questões

relativas ao lançamento, ao pagamento ou à quitação de taxas

judiciárias e de tributos incidentes sobre a transmissão da

propriedade dos bens do espólio”.

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Existência de credores não impede o arrolamento sumário.

• Art. 663, novo CPC: “A existência de credores do espólio não impedirá a

homologação da partilha ou da adjudicação, se forem reservados bens

suficientes para o pagamento da dívida.

Parágrafo único. A reserva de bens será realizada pelo valor estimado pelas

partes, salvo se o credor, regularmente notificado, impugnar a estimativa, caso

em que se promoverá a avaliação dos bens a serem reservados.”

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4 Arrolamento comum (critério objetivo)

Será possível quando os bens do espólio não ultrapassarem a 1.000

salários mínimos, independentemente da capacidade dos interessados.

Eventual necessidade de intervenção do MP.

(19)

Art. 664, CPC.

“Quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a 1.000 (mil) salários-mínimos, o inventário

processar-se-á na forma de arrolamento, cabendo ao inventariante nomeado, independentemente de assinatura de termo de compromisso, apresentar, com suas declarações, a atribuição de valor aos bens do espólio e o plano da partilha.

• § 1o Se qualquer das partes ou o Ministério Público impugnar a estimativa, o juiz nomeará avaliador, que

oferecerá laudo em 10 (dez) dias.

• § 2o Apresentado o laudo, o juiz, em audiência que designar, deliberará sobre a partilha, decidindo de plano

todas as reclamações e mandando pagar as dívidas não impugnadas.

• § 3o Lavrar-se-á de tudo um só termo, assinado pelo juiz, pelo inventariante e pelas partes presentes ou por

seus advogados.

• § 4o Aplicam-se a essa espécie de arrolamento, no que couber, as disposições do art. 672, relativamente ao

lançamento, ao pagamento e à quitação da taxa judiciária e do imposto sobre a transmissão da propriedade dos bens do espólio.

(20)

Art. 665, CPC: “O inventário processar-se-á também na forma do art. 664, ainda que haja

interessado incapaz, desde que concordem todas as partes e o Ministério Público”.

• “Apresentado o laudo – e sobre ele se manifestando os interessados –, o juiz

designará audiência, nela deliberando sobre a partilha ou a adjudicação dos bens, decidindo de plano todas as reclamações e impugnações apresentadas a respeito do plano de partilha, da avaliação e do pagamento de dívidas, mandando pagar aquelas não impugnadas; também determinará a reserva de bens suficientes para o pagamento das dívidas impugnadas, a serem cobradas posteriormente pelos credores, remetendo os interessados às vias ordinárias, para a resolução de questões envolvendo matéria de alta indagação”. (MARCATO, Antonio Carlos, Procedimentos

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• Inexistência de limitações à realização de inventário em cartório na legislação:

possibilidade de arrolamento, alvará e procedimentos básicos.

• Inventário negativo?

“A lei não estabeleceu qual das modalidades de inventário poderá ser objeto de

escritura pública, mas tão somente exigiu que todos os interessados fossem

capazes e concordes. Assim, preenchido o requisito, não haveria impossibilidade de

ser fazer o inventário negativo por escritura”. (CASSETTARI, Christiano, Separação,

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• Requisitos legais para a realização do inventário extrajudicial.

• Presentes os requisitos, lavra-se escritura pública com eficácia de título executivo. Ausentes, negativa (art. 32, Res. 35/07, CNJ).

“a) capacidade civil plena de todos os herdeiros; b) acordo entre todos os herdeiros;

c) que todos os herdeiros estejam assistidos por advogado; d) comprovação de quitação dos débitos fiscais;

e) pagamento do ITCD;

f) lavratura da escritura pública”.

(NEVES, Rodrigo Santos, Curso de Direito das Sucessões, Rio de Janeiro: Lumen Juris, p. 360)

(23)

A questão da existência de testamento.

• A justificativa: necessidade de chancela judicial do testamento (ação

de cumprimento de testamento - CPC, arts. 735 e 736).

• A posição do STJ: possibilidade se já há homologação judicial,

confirmando a validade e eficácia do testamento.

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“(...) 3. Assim, de uma leitura sistemática do caput e do § 1° do art. 610 do Código de Processo Civil de 2015 com os arts. 2.015 e 2.016 do Código Civil de 2002, mostra-se possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados forem capazes e concordes e estiverem assistidos por advogado, desde que o testamento tenha sido previamente registrado judicialmente ou haja a expressa autorização do juízo competente.

4. A mens legis que autorizou o inventário extrajudicial foi justamente a de desafogar o Judiciário, afastando a via judicial de processos nos quais não se necessita da chancela judicial, assegurando solução mais célere e efetiva em relação ao interesse das partes. Deveras, o processo deve ser um meio, e não um entrave, para a realização do direito. Se a via judicial é prescindível, não há razoabilidade em proibir, na ausência de conflito de interesses, que herdeiros, maiores e capazes, socorram-se da via administrativa para dar efetividade a um

(25)

5. Na hipótese, quanto à parte disponível da herança, verifica-se que todos os herdeiros são maiores, com interesverifica-ses harmoniosos e concordes, devidamente representados por

advogado. Ademais, não há maiores complexidades

decorrentes do testamento. Tanto a Fazenda estadual como o Ministério Público atuante junto ao Tribunal local concordaram com a medida. Somado a isso, o testamento público, outorgado em 2/3/2010 e lavrado no 18° Ofício de Notas da Comarca da Capital, foi devidamente aberto, processado e concluído perante a 2ª Vara de Órfãos e Sucessões.”

(STJ, Ac. unân. 4ª T., REsp. 1.808.767/RJ, rel. Min. Luís Felipe Salomão, j. 15.10.19, DJe 3.12.19)

(26)

• O inventariante no inventário extrajudicial.

• Necessidade de nomeação por consenso entre os coerdeiros.

Art. 11, Resolução n .35/07, CNJ:

“É obrigatória a nomeação de interessado, na escritura pública de

inventário e partilha, para representar o espólio, com poderes de

inventariante, no cumprimento de obrigações ativas e passivas

pendentes”.

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• A escritura pública com natureza de título executivo extrajudicial.

Eficácia de título extrajudicial para fins de movimentações bancárias e de

registro em cartórios.

TJ/GO, Ac 6ª Câm. Cív., DGJ 03095400420158090048, rel Des Wilson Safatle

Faiad, j. 17.5.16, DJGO 2.6.16: impossibilidade de se estabelecer “obstáculo ao

(28)

• Competência para o inventário? Competência tributária?

• Inaplicabilidade das regras de competência (repartição de jurisdição no

inventário em cartório).

• Aplicação das regras de competência tributária para o recolhimento fiscal e

necessidade de comprovação do recolhimento fiscal.

• A questão da gratuidade judiciária (arts. 6º, 7º e 32, Resolução n.35/07) e a

possibilidade de provocação de dúvida ao juiz de registros públicos.

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• “1. Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é possível a

concessão do benefício da assistência judiciária gratuita com a mera

declaração, pelo requerente, de não poder custear a demanda sem

prejuízo da sua própria manutenção e da sua família.

• 2. A declaração de pobreza instaura presunção relativa que pode ser elidida

pelo juiz. Todavia, para se afastar tal presunção, é preciso que o magistrado

indique minimamente os elementos que o convenceram em sentido

contrário ao que foi declarado pelo autor da declaração de

hipossuficiência”

(STJ, Ac. unân. 2ª T., AgRg no AREsp 352.287/AL, Rel. Min. Herman Benjamin,

j. 26.11.13, DJe 15.4.14).

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