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Espiritualidade e saúde mental no contexto do aconselhamento pastoral

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Academic year: 2020

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Espiritualidade e saúde mental

no contexto do

aconselhamento pastoral

Neir Moreira da Silva

1

RESUMO

(VVH DUWLJR WHP SRU REMHWLYR DERUGDU DV LPSOLFDo}HV HVWDEHOHFL-GDVSRUPHLRGDHVSLULWXDOLGDGHHVD~GHPHQWDOQRFRQWH[WRHSUi[LV GRDFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDODSDUWLUGDUHDOLGDGHGRFRQWH[WRUHOLJLRVR pentecostal. Os dados analisados fazem parte da pesquisa realizada com pastores pentecostais da cidade de Curitiba no ano de 2012. A partir da fundamentação bíblico-teológica e outros saberes, em especial a psico-logia, o autor propõe a compreensão do sofrimento humano sob a pers-pectiva da promoção da saúde mental bem como por meio da vivência e manifestação da espiritualidadehumana. O artigo tambémdestaca e GLVWLQJXHDLPSRUWkQFLDGRDFRQVHOKDPHQWRGHSDVWRUHVHGRDFRQVH-lhamento a pastores como uma proposta viável de saúde integral do ser humano, especialmente daqueles que dedicam suas vidas ao socorro espiritual.

PALAVRAS-CHAVE

Espiritualidade. Saúde Mental. AconselhamentoPastoral.

1 Neir Moreira da Silva. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do

Paraná, Pós-Graduado em Docência do Ensino Religioso pela Faculdade Batista do Paraná, Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná, membro do corpo docente das Faculdades Cristã de Curitiba, Facel, e São Bráz.

(2)

ABSTRACT

7KH REMHFWLYH RI WKLV SDSHU LV WR DSSURDFK WKH HVWDEOLVKHG LPSOLFDWLRQV WKURXJK VSLULWXDOLW\ DQG PHQWDO KHDOWK LQ WKH FRQWH[W DQG SUD[LV RI SDVWRUDO FRXQVHOLQJ IURP WKH UHDOLW\ RI 3HQWHFRVWDO UHOLJLRXVFRQWH[W7KHLQYHVWLJDWHGGDWDDUHOLQNHGWRDUHVHDUFKFDUULHG RXW ZLWK 3HQWHFRVWDO SDVWRUV LQ &XULWLED LQ  6WDUWLQJ IURP D ELEOLFDOWKHRORJLFDO JURXQG DQG RWKHU DUHDV RI NQRZOHGJH HVSHFLDOO\ Psychology, the author presents the comprehension of human suffering IURP WKH SHUVSHFWLYH RI PHQWDO KHDOWK SURPRWLRQ DV ZHOO DV WKURXJK WKHH[SHULHQFHDQGPDQLIHVWDWLRQRIKXPDQVSLULWXDOLW\7KHSDSHUDOVR points out and distinguishes the importance of pastor counseling and of counseling pastors as a viable proposal of human being’s overall health, SDUWLFXODUO\RIWKRVHSHRSOHZKRGHGLFDWHWKHLUOLYHVWRVSLULWXDOFDUH

KEYWORDS

Spirituality. Mental Health. Pastoral Counseling.

Historicamente, o espaço do aconselhamento pastoral tem sido RFXSDGRSRUGRLVWLSRVGHVXMHLWRVRVTXHFXLGDPHRVTXHVmRFXLGD-dos. Via de regra, o conselheiro pastoral assume o lugar de acolhedor. 7DQWRGHSHVVRDVTXDQWRGHFRQÀLWRV(VVHDUWLJRVHSURS}HDTXHVWLRQDU o devido lugar que os cuidados de pessoas devam assumir enquanto su- MHLWRVKXPDQRVDOpPGHUHVJDWDUDLPSRUWkQFLDGDHVSLULWXDOLGDGHHUH-ligiosidade no campo da saúde mental. Ademais, com uma questão em DEHUWRVREUHRVHQWLGRGRVRIULPHQWRRWH[WRVHGHVHQYROYHQRLQWXLWR GHSHUPLWLUXPDUHÀH[mRVREUHDPmRGXSODGRDFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDO e de pastores em aconselhamento.

Espiritualidade e Religiosidade

em Saúde Mental

Historicamente, além da teologia, outras ciências também têm se debruçado sobre as implicações que religião impõe sobre as pessoas,

(3)

LQFOXLQGRDSVLFRORJLD2VDFKDGRVGmRFRQWDTXHDH[SHULrQFLDUHOL-JLRVDHPJHUDOSURGX]UHVXOWDGRVVDWLVIDWyULRVWDQWRSDUDRVVXMHLWRV envolvidos nessa prática quanto para os demais que, de alguma forma, VmRLQÀXHQFLDGRVSHODVFRQVHTXrQFLDVGHVVHHQYROYLPHQWR

[...] A tarefa das ciências humanas na Teologia Prática é DMXGDU QR HQWHQGLPHQWR GR HOHPHQWR HPStULFR SDUD SURPRYHU D inculturação do evangelho. Para estabelecer as propostas teoló-gicas básicas precisa-se de um diálogo com as outras disciplinas da teologia e com as ciências humanas. A relação entre teologia e ciências humanas se caracteriza por crítica mútua. A teologia questiona os princípios metodológicos e os resultados da pesquisa das ciências a partir de princípios teológicos estabelecidos num GLVFXUVRHQWUHRVVXMHLWRVGDSUi[LV$VFLrQFLDVKXPDQDVTXHVWLR-nam os princípios teológicos e a prática religiosa empírica a partir dos seus princípios aceitos ou estabelecidos num discurso entre os VXMHLWRVGDSUi[LV2.

Frankl, por sua vez, aprofunda o tema da totalidade humana. Para ele, “pelo fato de o ser humano estar centrado como indivíduo em uma SHVVRDGHWHUPLQDGD FRPRFHQWURHVSLULWXDOH[LVWHQFLDO HVRPHQWHSRU

LVVRRVHUKXPDQRpWDPEpPXPVHULQWHJUDGRVRPHQWHDSHVVRDHVSL-ritual estabelece a unidade e totalidade do ente humano”3. Sendo assim,

a pessoa espiritual assume a totalidade e amplitude bio-psico-espiritual. E, a esta totalidade (ao gênero humano total), pertence o espiritual, bem FRPRDVXDFDUDFWHUtVWLFDHVSHFt¿FD

Em Frankl, a concepção psicológica da religião relaciona-se com uma avaliação positiva do ato de fé. Sendo assim, tanto na teo- ORJLDMXGDLFDFRPRQDWHRORJLDFULVWmFRQWHPSRUkQHDGHPDWUL]H[LV-tencial, esse ato de fé é percebido como o momento no qual o ser KXPDQRVHSRVVXLHQTXDQWRWRWDOLGDGHHFRPSOHWXGHGHVXDH[LVWrQ-

FLD³eRTXHVHSRGHUHVXPLUFRPRDXWRSRVVHHPOLEHUGDGHHDXWR-2 SCHNEIDER-HARPPRECHT, Christoph. Teologia Prática no Contexto da

Amé-rica Latina RUJ 6mR/HRSROGR6LQRGDO$67(S

3 FRANKL, Viktor Emil. A presença ignorada de

Deus7UDGXomR:DOWHU26FKOX-SSH+HOJD+5HLQKROG6mR/HRSROGR(GLWRUD6LQRGDO3HWUySROLV(GLWRUD9R]HV 2003, p. 21.

(4)

-disposição como resposta a uma missão”4(PERUDVHMDXPDGiGLYD

divina, a fé é um dos atributos requeridos para uma vida plena em relação a Deus.

Atualmente, pesquisadores da interface entre psicologia e teolo-JLDWrPUHVJDWDGRRFRQFHLWRHWLPROyJLFRGHUHOLJLmRRXVHMDUHOLJDU O re-ligar do ser humano e suas dimensões essenciais equivale ao VHJXLQWHSHORYLpVGDWHRORJLDHGDSVLFRORJLD³DUHOLJLmRD'HXV

a psicologia, a si mesmo e às suas fontes mais genuínas”5.

Evidente- PHQWHRDWRGDUHOLJDomRGRKXPDQRD'HXVH[LJLUiUHFXUVRVGLVSR-níveis tanto do indivíduo quanto dos envolvidos na prática religiosa

em questão. Para Frankl6, a concepção de religião, no sentido amplo

do termo, não tem nada a ver com mesquinhez confessional e sua FRQVHTXrQFLD RX VHMD D PLRSLD UHOLJLRVD D TXDO DSDUHQWHPHQWH Yr HP'HXVXP6HUFXMR~QLFRREMHWLYRpFRQVHJXLUTXHRPDLRUQ~PHUR SRVVtYHOGHSHVVRDVDFUHGLWHQHOHH[DWDPHQWHGHQWURGDVSUHVFULo}HV eclesiásticas ou institucionais.

De acordo com Aletti, a religiosidade pode ser considerada

XPD UHODomR PDGXUD FRP XP 'HXV VLJQL¿FDWLYR GR SRQWR GH YLV-WDSVLFRGLQkPLFRLVVRHTXLYDOHD¿UPDUXPDUHSUHVHQWDomRGLYLQD LQWHJUDGDHFRHUHQWHFRPRFRQMXQWRSVtTXLFRGRVXMHLWR3DUDHOH a vivência religiosa consiste num dos aspectos da personalidade, a qual deve ser harmonizada em relação aos demais aspectos. Para

Frankl8, “a verdadeira religiosidade não tem caráter de impulso, mas

antes de decisão”.

4 /21(5*$1apud HOLANDA, Adriano. Psicologia, religiosidade e

feno-menologia2UJDQL]DGRU&DPSLQDV63(GLWRUD$OtQHDS

5 HOLANDA, 2004, p. 144. 6)5$1./S



$/(77,0DULR$WHQGLPHQWRSVLFROyJLFRHGLUHomRHVSLULWXDOVHPHOKDQoDVGLIH-renças, integrações e... confusões. Psicologias: Teoria e Pesquisa. Vol. 24, n. 1, 2008, p. 121.

8 FRANKL (2003, p. 56)

apud025(,5$1HLU +2/$1'$$GULDQR/RJRWHUD-SLDHRVHQWLGRGRVRIULPHQWRFRQYHUJrQFLDVQDVGLPHQV}HVHVSLULWXDOHUHOLJLRVD

Revista Psico-USF [online]. Vol. 15, n. 3 [Acesso em 08 de maio de 2012], 2010,

(5)

Faz-se necessária distinguir os termos religiosidade e espirituali-GDGHHPERUDVHMDPXWLOL]DGRVFRPRVLQ{QLPRVHPPXLWRVFRQWH[WRV Religiosidade tem o cunho institucionalmente socializado e é vinculado a uma doutrina coletivamente compartilhada, e, espiritualidade refere- VHjVSUiWLFDVVXEMHWLYDVLQGLYLGXDLVHQmRQHFHVVDULDPHQWHLQVWLWXFLR-nais. “A conceituação de religiosidade inclui aspectos individuais e ins-titucionais, enquanto espiritualidade é um fenômeno apenas individual, LGHQWL¿FDGRFRPDVSHFWRVFRPRWUDQVFHQGrQFLDSHVVRDOVHQVLELOLGDGH

µH[WUDFRQVFLHQWH¶HIRQWHGHVHQWLGRVSDUDHYHQWRVQDYLGD´9. Admite-se

também que tanto a espiritualidade quanto a religiosidade seriam mais amplos que o termo religião.

Para Drakeford, os aspectos positivos entre a religião e a saúde PHQWDOVmRRVVHJXLQWHVDUHOLJLmRSRGHRIHUHFHUjVSHVVRDVXPVHQVR GH VHJXUDQoD HOD SRGH PRWLYDU D YLGD HOD WDPEpP SRGH DX[LOLDU DV SHVVRDV D DFHLWDUHP D VL PHVPDV SRGH SRVVLELOLWDU D H[SHULrQFLD GD FRQ¿VVmRLJXDOPHQWHWHPDSRVVLELOLGDGHGHRIHUHFHUHVWDELOLGDGHHPR-cional em tempos de crises, bem como ela pode permitir às pessoas uma

comunidade de caráter terapêutico10.

De acordo com as pesquisas recentes, os melhores resultados no campo da saúde mental – especialmente na prevenção da depressão e do estresse – relacionam as variáveis religião e saúde. De acordo com um estudo sobre os fatores associados à depressão em idosos na comunidade de Barra Funda, no Rio Grande do Sul, evidenciou que a pouca incidên-cia de depressão entre os idosos tinha na religiosidade um fator de

prote-ção11. No entanto, é necessário enfatizar que os resultados das pesquisas

D¿UPDPTXHDUHOLJLRVLGDGHSRGHPRVWUDUVHWDQWRSRVLWLYDTXDQWRQHJD-9

)$5,$-XOLDQD%HUQDUGHVGH 6(,'/(OLDQH0DULD)OHXU\5HOLJLRVLGDGHHHQ-IUHQWDPHQWR HP FRQWH[WRV GH VD~GH H GRHQoD UHYLVmR GD OLWHUDWXUDPsicologia:

5HÀH[mRH&UtWLFD. Universidade de Brasília. vol.18, n.3, 2005, pp. 381-389.

Dis-SRQtYHO HP KWWSZZZVFLHOREUVFLHORSKS"VFULSW VFLBDUWWH[W SLG 6- OQJ SW QUP LVR WOQJ SW$FHVVRHPIHYS

10 DRAKEFORD (1964) apud ROSA, Merval. Psicologia da religião. Rio de

Janei-UR-8(53SS

11

(6)

tivamente. Em um estudo revisional sobre saúde mental, a religiosidade

mostrou-se positiva na metade dos casos, e negativa em 25% deles12.

Vale salientar que o encontro pessoal do indivíduo com Deus e a união entre ambos constituem a base de toda religião autêntica. Pode-se dizer que isso pressupõe a presença de um poder transformador e “um voltar-se do ser humano para aquilo que é último, abandonando todas

as preocupações preliminares”13.

Uma religião é verdadeira e boa na medida em que serve à hu-manidade, uma vez em que suas doutrinas de fé e de moral em seus ritos e instituições fomenta a identidade, a sensibilidade e os valores KXPDQRVSHUPLWLQGRDVVLPDRVHUKXPDQRDOFDQoDUXPDH[LVWrQFLD rica e plena, e uma religião é falsa e má na medida em que provoca desumanidade opondo-se através de suas doutrinas de fé e de moral, de seus ritos e instituições à identidade, à sensibilidade e aos valo-res humanos e contribuindo assim para que o ser humano frustre XPDH[LVWrQFLDULFDHSOHQD14.

A rigor, uma religião sadia pode se constituir num fator de gran-GHLPSRUWkQFLDQRHTXLOtEULRHPRFLRQDOGRVHUKXPDQR³,QGLYtGXRVGH SURIXQGDFRQYLFomRHH[SHULrQFLDUHOLJLRVDVUHVLVWHPPHOKRUjVSUHV-sões da vida”15.

Uma observação precisa ser destacada. A relação entre religião H VD~GH QRWDGDPHQWH QR FRQWH[WR HFOHVLiVWLFR SRGH HYLGHQFLDU XP equívoco quando se emparelha termos como “saúde” e “santidade”. Eventualmente esses conceitos são admitidos como sinônimos. Em

contrapartida,Sudbrack16UHVXPHQXPDD¿UPDomRRSDUDGR[RTXHLVVR

pode revelar. Para esse autor, “a fragilidade psíquica pode andar de

12)/(&. S apud DIAS, 2010, p. 131.

13 TILLICH, Paul. Teologia

Sistemática7UDGXomR*HW~OLR%HUWHOOLH*HUDOGR.RUQ-G|UIHU6mR/HRSROGR6LQRGDOS

14.h1* S apud DIAS, 2010, p. 134. 15526$S

16 SUDBRACK, Josef. Experiência religiosa e psique humana: onde a religião e a

psicologia se encontram7UDGXomR)UHGHULFXV$QWRQLXV6WHLQ6mR3DXOR(GLo}HV

(7)

mãos dadas com a santidade”. Uma pessoa santa não está imune às neu- URVHV,VVRSRGHVRDUH[DJHUDGRHDWpLPSUySULRPDVVLJQL¿FDXPDUXS-tura no modo de compreensão da relação fé e saúde.Oregistro bíblico narra mulheres ehomens santos os quais, a despeito de sua conduta reta H¿HOj'HXVQmRIRUDPLVHQWDGRVGDSRVVLELOLGDGHGHVHUHPDFRPHWLGRV por enfermidades físicas e psíquicas.

O apóstolo Paulo, um dos ícones do Novo Testamento, serve

FRPRH[HPSORDVHUOHPEUDGR$SHVDUGHQmRVHWHUXPGLDJQyVWLFRDE-solutamente claro sobre a sua saúde (ou falta dela), o fato é que a mes-ma pessoa acometida de um “espinho na carne” também era o mesmo

VXMHLWRTXH³IRLDUUHEDWDGRDRSDUDtVRHRXYLXFRLVDVLQHIiYHLV´18.

Se-gundo Sudbrack19, a morada de Deus não costuma ser num corpo sadio.

2DSyVWROR3DXORFKHJRXD¿UPRXTXHDJUDoDGH'HXVVHDSHUIHLoRD na fraqueza. Evidentemente, essa fragilidade pode assumir dimensões físicas, psíquicas e espirituais.

Vale salientar que, na perspectiva da ciência psicológica, “a saúde H[LVWHQFLDOFRQVLVWHQREHPHVWDUJHUDOTXHFDGDXPGHQyVH[SHULHQ-FLDQRGHFRUUHUGDSUySULDH[LVWrQFLDFDUDFWHUL]DGRSRUXPDYLYrQFLD global de liberdade, acolhimento e sintonia em relação a si, aos seus semelhantes e ao mundo em geral”20. Para essa autora, há uma linha

WrQXHHQWUHVD~GHHGRHQoDH[LVWHQFLDO 6D~GHHDGRHFLPHQWRH[LVWHQFLDLVID]HPSDUWHGDYLGDGHWRGRV QyV6mRFRPRGRLVSRORVFRQVWLWXLQWHVGDWRWDOLGDGHGDH[LVWrQFLD  ³(SDUDTXHQmRPHH[DOWDVVHSHODH[FHOrQFLDGDVUHYHODo}HVIRLPHGDGRXPHV-SLQKRQDFDUQHDVDEHUXPPHQVDJHLURGH6DWDQiVSDUDPHHVERIHWHDUD¿PGHQmR PHH[DOWDU$FHUFDGRTXDOWUrVYH]HVRUHLDR6HQKRUSDUDTXHVHGHVYLDVVHGHPLP (GLVVHPH$PLQKDJUDoDWHEDVWDSRUTXHRPHXSRGHUVHDSHUIHLoRDQDIUDTXH]D De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o SRGHUGH&ULVWR´ &RUtQWLRV 

18 2 Coríntios 12.4.

19 SUDBRACK, Josef. Experiência religiosa e psique humana: onde a religião e a

psicologia se encontram, pp. 51,52.

20 BOSS (1983, p. 123), apud FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Aconselhamento

tera-pêutico: origens, fundamentos e prática6mR3DXOR7KRPSVRQ/HDUQLQJ

(8)

6mRPDQHLUDVGHH[LVWLUGHFHUWRPRGRRSRVWDVSDUDGR[DLVTXHVH alternam constantemente no decorrer de nossa vida, às vezes tão SUy[LPDVTXHFKHJDPDVHHQWUHODoDU21.

Há Sentido no Sofrimento?

No campo teológico e psicológico da análise e compreensão da VD~GHPHQWDOKiXPWHUPRTXHUHFODPDVHXHVSDoRRVRIULPHQWRKX-mano. Contrariamente à uma transversalidade do conceito de saúde, o sofrimento se apresenta como um elemento genuinamente constitutivo GDH[LVWrQFLDKXPDQD

$GLVWLQomRHQWUHRVRIULPHQWRFRPRH[SUHVVmRGD¿QLWXGHHR sofrimento como resultado da alienação é válida mesmo que nunca SRVVDPRVD¿UPiODFRQFUHWDPHQWHSRUFDXVDGDDPELJXLGDGHTXH caracteriza a vida como vida. Mas podemos falar do tipo de so-frimento em que podemos perceber um sentido, em contraste, por H[HPSORFRPRVRIULPHQWRTXHFDUHFHGHVHQWLGR2VRIULPHQWR tem sentido na medida em que reclama proteção e cura no ser que é atacado pela dor. Ele pode mostrar os limites e as potencialidades de um ser vivo. Se o sofrimento desempenha ou não essa função de-SHQGHFHUWDPHQWHGRFDUiWHUREMHWLYRGRVRIULPHQWRPDVGHSHQGH WDPEpPGDIRUPDFRPRpVXSRUWDGRSHORVXMHLWRTXHVRIUH([LVWHP IRUPDVGHVRIULPHQWRTXHGHVWURHPQRVXMHLWRDSRVVLELOLGDGHGH DWXDUFRPRVXMHLWRFRPRDFRQWHFHQRVFDVRVGHGHVWUXLomRSVLFy-WLFDGHFRQGLo}HVH[WHUQDVGHVXPDQL]DQWHVRXGHXPDGLPLQXLomR radical da resistência corporal22.

Além da conceituação teológica, o padecimento humano também IRLREMHWRGDGH¿QLomRHHQWHQGLPHQWRSVLFROyJLFRV2VRIULPHQWRGH FHUWDPDQHLUDGHL[DGHVHUVRIULPHQWRTXDQGRDSHVVRDHQFRQWUDXP

21 FORGHIERI, Yolanda Cintrão. Aconselhamento terapêutico: origens,

funda-mentos e prática. 6mR3DXOR7KRPSVRQ/HDUQLQJS

(9)

sentido23 6HULDR VHQWLGRGR VDFULItFLR"&HUWDPHQWH VLP 6HJXQGR D

logoterapia24 admite que a principal preocupação da pessoa humana não

consiste em obter prazer ou evitar a dor, porém antes em encontrar ou GDUXPVHQWLGRSDUDDSUySULDH[LVWrQFLD

e SRVVtYHO WLUDU XP VHQWLGR DWp GR VRIULPHQWR HPERUD FRP HVIRUoRLVWRVLJQL¿FDSRUWDQWRTXHRVHQWLGRSRWHQFLDOGDYLGDp LQFRQGLFLRQDO6HUiTXHFRPLVVRTXHURGL]HUTXHRVRIULPHQWRVHMD QHFHVViULRSDUDVHHQFRQWUDUXPVHQWLGR"'HPDQHLUDDOJXPD2 TXHTXHURGL]HUQmRpDEVROXWDPHQWHTXHRVRIULPHQWRVHMDQHFHVVi-rio, mas que o sentido é possível apesar do sofrimento, ou mesmo DWUDYpVGRVRIULPHQWRFRQWDQWRTXHHVWHVRIULPHQWRVHMDLQHYLWiYHO que não possa ser eliminada sua causa, quer biológica, psicológica ou social25.

'HDFRUGRFRPDORJRWHUDSLDDDQiOLVHH[LVWHQFLDOIRFDOL]DDOXWD do ser humano pelo sentido – não apenas o sentido do sofrimento, mas

também o sentido da vida26. Mesmo porque a vida transcende o

sofri-PHQWRjPHGLGDHPTXHRVXMHLWRWUDQVFHQGHRVRIULPHQWRLQHUHQWHj vida.

A questão do sentido dando ao indivíduo uma nova perspectiva em relação à sua capacidade de decidir mesmo quando não é

possí-YHOHQFRQWUDUXPVHQWLGRpDSURIXQGDGDSRU3RXMRO. Ele assegura que,

“tendo renunciado a encontrar um sentido para meu sofrimento, vou

WDOYH]FRQVHJXLUOKHGDUXPVHQWLGR´ JULIRGRDXWRU eDSRVVLELOLGD-23 FRANKL, Viktor Emil. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de

con-centraçãoHG(GLWRUD6LQRGDO 9R]HV6mR/HRSROGR 3HWUySROLVS

101.

24(VFRODSVLFROyJLFDGHFDUiWHUPXOWLIDFHWDGRGHFXQKRIHQRPHQROyJLFRH[LVWHQFLDO

humanista e teísta.

25 FRANKL, 2003, p. 81.

26 FRANKL, Viktor Emil. Fundamentos Antropológicos da Psicoterapia. Rio de

-DQHLUR=DKDU(GLWRUHV

 328-2/-DFTXHV 328-2/&ODLUHManual de relacionamento de ajuda:

con-selhos práticos para acompanhamento psicológico e espiritual.

(10)

de humana de desenvolver uma atitude pró-ativa frente ao sofrimento. O ser humano tem a possibilidade de se transformar, de fazer algo novo mesmo diante da doença e da morte. Ele é absolutamente livre para interpretar e para dar um sentido ao que lhe acontece. A vida encontra sentido por intermédio do ser humano, através da liberdade em inter-SUHWDU³7UDWDVHGHUHFRUGDUjSHVVRDTXHHODQmRpREMHWRGHVXDGRHQoD HVLQWRPDTXHHODpVXMHLWRGHVXDHQIHUPLGDGHHTXHSRGHID]HUDOJR

com o que está lhe acontecendo, dando-lhe um sentido”28.

2VVLQWRPDVGDYLGDFRQWHPSRUkQHDPDUFDPFRUSRVHPHQWHV$V GRHQoDVSVLFRVVRPiWLFDVSRUH[HPSORSRGHPOLPLWDUXPDSHVVRDPDV não impedi-la de reescrever sua própria história. “Minha dor permanece

a mesma, mas eu me transformo”298PVXMHLWRDGRHFLGRWHPGLDQWHGH

si a liberdade de se “refugiar” sob a sombra do desespero de qualquer patologia ou de tornar-se resiliente e, apesar de suas limitações e fragi-lidades, lutar pela vida e transformar tanto a si quanto as pessoas ao seu

UHGRUHRVHXFRQWH[WR3RXMRO30 elucida brilhantemente esse conceito

TXDQGRD¿UPD³DRGL]HUµYRXPDOPDVYLYREHP¶DSHVVRDVXEVWLWXL o desespero pelo afrontamento lúcido e entra em um fecundo processo de renascimento”. Portanto, qualquer sintoma físico oupsíquico pode UHSUHVHQWDUDRVXMHLWRXPDRSRUWXQLGDGHtPSDUQRVHQWLGRGHUHVLJQL-¿FDURVHQWLGRGHVXDYLGDEHPFRPRVHSHUPLWLUFUHVFHUH[LVWHQFLDOH espiritualmente.

Aconselhamento Pastoral e

Pastores em Aconselhamento

De acordo com os resultados apresentados pelo levantamento so-FLRGHPRJUi¿FR GD SHVTXLVD UHDOL]DGD SRU RFDVLmR GD GLVVHUWDomR GH mestrado deste autor em 2012 na cidade de Curitiba, a amostra revelou

28 LELOUP, Jean-Yves. Uma arte de cuidar: estilo

alexandrino.2UJDQL]DomR6X]D-QD%HLUR3HWUySROLV5-(GLWRUD9R]HVS

29328-2/ 328-2/S 30 328-2/ 328-2/S

(11)

que do total de pastores pentecostais participantes, 66 eram conselhei-ros pastorais. Isso representa 92% do total de pastores. Portanto, apenas QmRDWXDYDPFRPRFRQVHOKHLURVFRQIRUPHJUi¿FRDEDL[R

*Ui¿FR±&RQVHOKHLUR3DVWRUDO

,PSRUWDQWH UHVVDOWDU TXH HP IXQomR GH VXDV RFXSDo}HV SUR¿V-sionais, muitos pastores pentecostais não dedicam tempo integral ao VDJUDGRPLQLVWpULRRFXSDQGRRVSHUtRGRVQRWXUQRVH¿PGHVHPDQD SDUDDGHGLFDomRjLJUHMDORFDO(YLGHQWHPHQWHRDFRQVHOKDPHQWRp XPDDWLYLGDGHHVSLULWXDOGHVXPDLPSRUWkQFLDXPDYH]TXHRSDVWRU atua tanto como agente de apoio emocional quanto um orientador DRVVHXVOLGHUDGRVDSDUWLUGHVXDSUySULDH[SHULrQFLDQHVWHFRQWH[WR em relação aos fatores de natureza estressora. Além disso, o gabinete pastoral tem-se mostrado como um espaço historicamente legitimado para o encontro e acolhimento empático para a prática do aconselha-mento pastoral.

Ressalte-se que, de acordo com a referida pesquisa, a amostra de pastores pentecostais pesquisada não busca regularmente algum tipo GHDMXGDHVSLULWXDOHPERUDDWXHPQDSUiWLFDGRDFRQVHOKDPHQWRSDVWR-UDOHWUDWDPHQWRHVSLULWXDO,VVRSDUHFHXPWDQWRSDUDGR[DODRPHVPR WHPSRHPTXHGRVSDVWRUHVSHQWHFRVWDLVDGPLWHPH[HUFHUDSUiWLFD

(12)

do aconselhamento pastoral em seu ministério, boa parte desta amostra QmRSURFXUDDX[tOLRSDUDVLQHVWHVHQWLGR

Com base nesses achados, é fundamental situarmos essa pesquisa a partir dos conceitos teológicos e psicológicos acerca do aconselha-mento pastoral.

O aconselhamento constitui-se numa distinção teológica nas pá-ginas sagradas. Parece fundamental percorrer esse caminho conceitual SDUDDFRPSUHHQVmRSOHQDGHVVDSUi[LVPLQLVWHULDODSDUWLUGDIXQGD-mentação veterotestamentária.

O aconselhamento no AT está centrado na luta do ser humano para resgatar a sua relação com Deus. O aconselhamento aparece como fenômeno nas diferentes articulações da vida da comunidade, OLJDGRDRFXOWRDRVLVWHPDMXUtGLFRHjVDEHGRULDSRSXODU$JHQWHV do aconselhamento no AT são os sacerdotes (Lv 12; 1Sm 1), os DQFLmRVHMXt]HVTXHWRPDPGHFLV}HVHPFDVRVGHFRQÀLWRV 5W  os profetas que desenvolvem na sua prática a admoestação e a con-solação individual e coletiva (2Sm 12 e Is 40) e, em primeiro lugar, os sábios, homens do povo que transmitem como pais de família os FRQVHOKRVGDVDEHGRULDSRSXODUSDUDRV¿OKRV 3Y 31.

Se o aconselhamento no Antigo Testamento está vinculado mais à relação do indivíduo a Deus por meio das instituições estabelecidas no culto espiritual, no Novo Testamento, ele amplia sua abrangência e aprofunda a sua natureza ao incluir componentes espirituais como o DPRUHRSHUGmRQDSUi[LVGRDFROKLPHQWRHRULHQWDomRHVSLULWXDO

No NT observamos a continuação de uma prática que integra cura espiritual e física, aconselhamento, culto, interpretação das leis divinas e sabedoria popular. [Jesus] apresentava-se na sua pregação e prática como reconciliador entre Deus e os seres humanos que UHSUHVHQWDRDPRUHRSHUGmRGLYLQRV(VWDD¿UPDomRGLDOpWLFDGD própria identidade perante Deus permaneceu, também após a morte de Jesus na cruz, um elemento essencial da autocompreensão cristã

(13)

e continua sendo um ponto central para o aconselhamento cristão32

– acréscimo deste autor.

Faz-se necessário frisar que, o pensamento teológico contempo-UkQHR SUHIHUH GLVWLQJXLU RV WHUPRV ³SRLPrQLFD´ H ³DFRQVHOKDPHQWR SDVWRUDO´(PERUDVHMDPFRUUHVSRQGHQWHVRVUHIHULGRVWHUPRVQmRVmR efetivamente sinônimos, portanto a distinção permite uma melhor com-preensão por sua vez.

'H¿QLPRVDSRLPrQLFDFRPRRPLQLVWpULRGHDMXGDGDFRPX-nidade cristã para os seus membros e para outras pessoas que a SURFXUDPQDiUHDGDVD~GHDWUDYpVGDFRQYLYrQFLDGLiULDQRFRQWH[- WRGD,JUHMDHGH¿QLPRVRDFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDOFRPRXPDGL-PHQVmRGDSRLPrQLFDTXHSURFXUDDMXGDUDWUDYpVGDFRQYHUVDomRH RXWUDVIRUPDVGHFRPXQLFDomRPHWRGRORJLFDPHQWHUHÀHWLGDV$P-bos baseiam-se na fé cristã e na tradição simbólica do Cristianismo. 2REMHWLYRGRDFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDOpGHVFREULUFRPDVSHVVRDV HPGLIHUHQWHVVLWXDo}HVGDVXDYLGDHHVSHFLDOPHQWHHPFRQÀLWRVH FULVHVRVLJQL¿FDGRFRQFUHWRGDOLEHUGDGHFULVWmGRVSHFDGRUHVFXMR GLUHLWRGHYLYHUHFXMDDXWRDFHLWDomRYrPGDJUDoDGH'HXV2VHX REMHWLYRpWDPEpPDMXGiODVSDUDTXHSRVVDPYLYHUDUHODomRFRP 'HXVFRQVLJRPHVPDVHFRPRSUy[LPRGHXPDPDQHLUDFRQVFLHQWH e adulta33.

3RUWDQWR FRP EDVH QHVVD GH¿QLomR R DFRQVHOKDPHQWR SDVWRUDO está diretamente vinculado à poimênica e subordinado a ela. Além dis-so, duas observações merecem atenção. Em primeiro lugar, o termo ³DFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDO´pXPDH[SUHVVmRHWLPRORJLFDPHQWHWUDGX-zida do inglês para o português a partir do termo pastoral counseling,

XVXDOPHQWH HPSUHJDGR QR FRQWH[WR QRUWHDPHULFDQR GR VpFXOR 34.

(HPVHJXQGROXJDUpIXQGDPHQWDOLGHQWL¿FDUDVTXHVW}HVUHODFLRQDGDV à agenda da prática do aconselhamento sob uma perspectiva tanto teo-lógica quanto psicoteo-lógica.

32 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, pp. 295, 296. 33 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, pp. 291, 292. 34 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, p. 291.

(14)

(PRXWUDVSDODYUDVSUHFLVDPRVD¿UPDUDLQWHJULGDGHGDVGLV-ciplinas da psicologia e da teologia. Neste sentido, devemos evitar OLPLWDUXPDDRVWHUPRVGDRXWUDPDVEXVFDUDXPHQWDUDRPi[LPR o potencial de complementaridade entre as contribuições únicas de cada disciplina. Em todo caso, devemos priorizar a natureza teo-OyJLFDHSDVWRUDOGHQRVVDWDUHIDLQFOXVLYHUHÀHWLUVREUHDSUiWLFD do próprio aconselhamento pastoral. Vale enfatizar essa prioridade, devido às diversas maneiras com que a teologia aborda as pergun-tas fundamentais da vida para, dessa forma, dar subsídios únicos à dimensão normativa do aconselhamento pastoral35.

$VVLPFRPRRVGLYHUVRVUHFXUVRVHPSUHJDGRVQRFRQWH[WRSDVWR-UDORDFRQVHOKDPHQWRH[LJHXPFXLGDGRUHGREUDGRHPUHODomRjVXD prática. A propósito, segundo Schipani36, os propósitos do

aconselha-PHQWRSDVWRUDOSRGHPVHUHQXPHUDGRVDSDUWLUGDVVHJXLQWHVVLWXDo}HV ±$H[SHULrQFLDDMXGRXRVDFRQVHOKDQGRVDHQFRQWUDUHPQRYDV e melhores maneiras de conhecer e entender a realidade de forma multidimensional.

±$ H[SHULrQFLD HQFRUDMRX RV DFRQVHOKDQGRV D GHVFREULUHP PDQHLUDVPDLVJUDWL¿FDQWHVH¿pLVGHVHUHDPDUFRPDWHQomRHV-SHFt¿FDDVHXUHODFLRQDPHQWRFRPRVRXWURVFRP'HXVHFRQVLJR mesmos.

±$H[SHULrQFLDFDSDFLWRXRVDFRQVHOKDQGRVDID]HUHPHVFR-lhas sensatas e investirem energia renovada em seus relacionamen-tos, trabalho, lazer, louvor, serviço e a encontrarem maneiras de sustentar essas escolhas com integridade.

Schneider-Harpprecht DSURIXQGD D TXHVWmR GRV REMHWLYRV GD

SUiWLFDGRDFRQVHOKDPHQWRSDVWRUDODWUDYpVGDH[SHULrQFLDUHODFLRQDO ao assegurar que “a convivência e a comunicação são o fundamento social do aconselhamento em geral. O aconselhamento pastoral é uma

35 SCHIPANI, Daniel S. O Caminho da Sabedoria no Aconselhamento Pastoral.

7UDGXomR3DXO7RUQTXLVW6mR/HRSROGR6LQRGDOS

36 SCHIPANI, 2003, pp. 33-35.

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IRUPDHVSHFt¿FDGRGLVFXUVRKXPDQR´6FKLSDQLSRUVXDYH]LQVHUH a cooperação dos agentes espirituais no processo do aconselhamento pastoral.

6RE XPD SHUVSHFWLYD WHROyJLFD R FRQWH[WR H R SURFHVVR GR aconselhamento pastoral englobaram mais do que aconselhadores H SVLFRWHUDSHXWDV JHUDOPHQWH UHFRQKHFHP SHOR PHQRV H[SUHVVD-mente. [...] Ademais, pressupomos a parceria e a colaboração com o Espírito no processo em que aconselhandos e aconselhador pro-FXUDPFRQKHFHUDQDWXUH]DHVSHFt¿FDGRVSUREOHPDVHDVPHOKRUHV maneiras de enfrentá-los criativamente e transformá-los38.

Dessa forma, além do componente sobrenatural, outro aspecto fun-damental a observar é que o conselheiro pastoral não pode prescindir dos fundamentos bíblicos, mesmo porque a Palavra de Deus consis-te num instrumento valioso e imprescindível para todos os envolvidos QHVVHFRQWH[WRTXHUFRQVHOKHLURTXHUDFRQVHOKDGR

(QFRQWUDPRVQRVWH[WRVEtEOLFRVDH[SUHVVmRGDVPDLVGLYHUVDV H[SHULrQFLDVKXPDQDVSHUDQWH'HXVHDPHQVDJHPGRHYDQJHOKR libertador de Deus. Assim, ela serve para que aconselhando e acon-VHOKDGRUSRVVDPHQ[HUJDUDVXDVLWXDomRVLPEROLFDPHQWHUHÀHWLGD QRWH[WREtEOLFRHUHFHEHULPSXOVRVWUDQVIRUPDGRUHVTXHRVOHYHPD UHFRQKHFHUVHXVHUURVDMXGHPDH[SUHVVDUDGRU FDWDUVH DLGHQWL-¿FDUSUREOHPDVEXVFDUQRUPDVSDUDRDJLUHWF2SULQFtSLRSDUDR XVRGD%tEOLDpTXHHODDMXGDQDVLPEROL]DomRGDVLWXDomRGRDFRQ-selhando e o liberte para agir nessa situação a partir da fé39.

Para Schneider-Harpprecht40, a base social do aconselhamento

pastoral consiste fundamentalmente na convivência eclesiástica, ou VHMD QD H[SHULPHQWDomR GD NRLQRQLD GRV PHPEURV H SHVVRDV TXH VH UHODFLRQDPLQWHJUDOPHQWHQR&RUSRGH&ULVWR±DLJUHMD

38 SCHIPANI, 2003, p. 36.

39 6&+1(,'(5+$5335(&+7S 40 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998.

(16)

(VWDNRLQRQLDWHPSDUDRVFULVWmRVXPVLJQL¿FDGRHVSLULWXDO na convivência da comunidade acontece a comunhão com Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado que, na sua vida e morte, com-partilhou o destino humano e, conforme a promessa do evangelho, VHWRUQDSUHVHQWHµRQGHGRLVRXWUrVVHUH~QHPQRQRPHGHOH¶ 0W  $PHWiIRUDEtEOLFDGD,JUHMDFRPRFRUSRGH&ULVWRSURYD- YHOPHQWHpDH[SUHVVmRPDLVH[DWDSDUDDLQWHUGHSHQGrQFLDGDVUHOD-ções humanas e da relação espiritual com Cristo na comunhão dos membros da comunidade cristã41.

Finalmente, o conselheiro pastoral deve ter consciência da necessida-de do esvaziamento necessida-de si para o envolvimento com o outro (com base no

conceito cristão de kenosis42). Ele precisa saber acolher empaticamente o

sofrimento do outro, mas sem guardá-lo consigo mesmo. Mesmo porque ele confronta-se diária e constantemente com documentos humanos vivos e, “se for capaz de lê-los, compreendê-los e fazer deles uma fonte constante GHUHÀH[mRWHROyJLFDVXDYLGDSRGHVHUVHPSUHQRYDVXUSUHHQGHQWHLQVSL-radora e criativa”43eDUHHVFULWDGDYLGDDGHVSHLWRGRVRIULPHQWR

&RQVLGHUDo}HV¿QDLV

2UHODWREtEOLFRGDVH[SHULrQFLDVHVSLULWXDLVGRVVXMHLWRVQR$QWLJR Testamento e das comunidades religiosas a partir do Novo Testamento UHYHODGLVWLQWDPHQWHDVEDVHVFRQFHLWXDLVSDUDDSUi[LVGRDFRQVHOKD- PHQWRSDVWRUDOQDLJUHMDDWXDO$ULJRURFRQWH[WRHFOHVLiVWLFRPLQLVWH-rial do pastoreio, o qual inclui evidentemente o aconselhamento cristão, VXS}HVHTXHHVWDSUi[LVEtEOLFRHVSLULWXDORIHUHoDVXEVtGLRVWDQWRSDUD XPDUHÀH[mRWHROyJLFDTXDQWRSDUDXPDSURSRVWDGHUHYLVmRFRQFHLWXDO e estrutural dessa realidade. Mesmo porque, “o aconselhamento

pasto-41 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, p. 292.

42 KenosisFRQFHLWRGDWHRORJLDFULVWmTXHWUDWDGRHVYD]LDPHQWRGDYRQWDGHSUySULD

GHXPDSHVVRDHFRQVHTXHQWHPHQWHDDFHLWDomRGDYRQWDGHGLYLQD2PHOKRUH[HP-plo é a pessoa e ministério de Jesus.

43 NOUWEN, Henri J. Intimidade: ensaios de psicologia pastoralHG7UDGXomR

(17)

UDOpXPDIRUPDHVSHFt¿FDGHGLVFXUVRKXPDQRQRFRQWH[WRGD,JUHMD

inserida numa determinada sociedade, cultura e tradição”44.

Na teologia bíblica, Cristo é mediador na medida em que reconci-lia as pessoas a Deus. “Ele representa Deus diante dos seres humanos e os seres humanos diante de Deus. Ambos os elementos da ideia de

mediador foram atribuídos a Jesus como o Cristo”45. Através da face de

Cristo a humanidade conhece o rosto de Deus; e através do processo de PHGLDomRGRDFRQVHOKDPHQWRRVFRQVHOKHLURVUHÀHWHPRURVWRGH&ULVWR DRVDFRQVHOKDGRV1LVVRRVDJHQWHVGRDFRQVHOKDPHQWRH[SHULPHQWDP a vontade reconciliadora de Deus. Portanto, aconselhamento pressupõe tanto mediação quanto reconciliação.

Histórica e culturalmente, o lugar que o conselheiro pastoral RFXSDQHVVHFRQWH[WRpRGHDFROKHGRUGHSHVVRDVHGHPHGLDGRUGH FRQÀLWRVWDQWR QXPD SHUVSHFWLYD YHUWLFDO HQWUH RV DFRQVHOKDGRV H Deus), quanto numa perspectiva horizontal(entre pessoas em situações de instabilidade emocional e espiritual, principalmente).

Finalmente, e não menos importante, é o fato de o conselheiro pas-toral raramente dispor de pastoreio de si. Em outras palavras, o conse-lheiro pastoral tem iguais necessidades de ser aconselhado por outro pastor. Pastor pastoreia, mas pastor necessita também ser pastoreado!

Entretanto, percebe-se a necessidade de uma pastoral do cuidado a quem cuida. Uma pastoral do conselho a quem aconselha. Portanto, deve ser resgatado o cuidado integral o qual deve ser uma realidade para todos os que estão envolvidos no trabalho do cuidado e do acolhi-mento, incluindo aí, evidentemente os conselheiros pastorais. Talvez VHMDRPRPHQWRGHRFRQVHOKHLURRXYLUPHQRV VHXVDFRQVHOKDGRV H falar mais (a seu conselheiro).

6HQGRDVVLPXUJHDLPSOHPHQWDomRGHFDQDLVSURMHWRVSURJUD-PDVPLQLVWpULRVHRXWURVUHFXUVRVSDUDLGHQWL¿FDUVRFRUUHUHDEULJDU os “conselheiros com conselho”, ou melhor, “conselheiros em busca de conselho”. Essa mudança de perspectiva recolocará o conselheiro no seu devido lugar, o lugar da sua humanidade.

44 SCHNEIDER-HARPPRECHT, 1998, p. 293. 45 TILLICH, 2011, p. 454.

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