SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES II
TRANSPARÊNCIAS
As duas figuras seguintes constituem exemplos simplificados de “layouts” de estações
de feixes hertzianos (a primeira, fig 3.1, dizendo respeito a uma estação terminal e a
segunda, fig. 3.2, a uma estação repetidora)
Destacam-se a sala com os bastidores dos equipamentos de rádio, as linhas de
transmissão (neste caso, guias de onda), a antena parabólica e a torre autosuportada.
Há também uma sala de baterias (separada, como deve ser sempre) situando-se os
respectivos carregadores, por razões de operação, na sala dos equipamentos.
Muitas vezes as estações repetidoras estão em locais isolados e daí a razão da
existência de uma vedação para proteger a estação e também de um depósito especial
de combustível (gasóleo) para em caso de falha da energia da rede (caso exista rede
eléctrica comercial) alimentar o(s) grupo(s) electrogéneo(s).
Estas duas simples figuras dão-nos uma ideia de alguns dos sub-sistemas que iremos
Tanque de
combustível
Plataforma
Iluminação
Linha de transmissão
Torre
Vedação
Tanque diário
Sala de Energia
Equipamento
de Rádio
Sala do Equip
de Rádio
RRá
a
a - Grupo Diesel
b
a - Grupo Diesel
c - Quadro de comando
b - Baterias / Rectificadores
c
Um sistema de rádio deve estar apoiado num sistema de antenas eficiente, em
particular se se tratar de ligações ponto-a-ponto em microondas onde se lida com
baixas potências de saída e altas perdas de propagação.
A eficiência do sistema de antenas depende de quanta energia transmitida pode ser
captada pela antena de recepção e essa energia depende das características de ambas
as antenas (de transmissão e de recepção).
Em radiodifusão a eficiência é, em geral, baixa porque há que radiar energia mais ou
menos igualmente em todas as direcções; para compensar as estações de radiodifusão
devem transmitir a grandes potências.
É exactamente o oposto do que acontece nas ligações ponto-a-ponto em microondas
em que é transmitida uma potência baixa, devendo, por isso, as antenas de emissão e
recepção serem altamente direccionais.
Esta direccionalidade da antena é medida em termos de
ganho
que não é mais do que
a relação entre a sua intensidade máxima de radiação numa determinada direcção e a
intensidade de radiação, na mesma direcção, devida a um radiador isotrópico que é
uma antena "ideal" que tem uma radiação igual em todas as direcções (não pode ser
realizada na prática mas é uma extremamente conveniente referência de
"performance") [ver fig. 3.3]
Uma propriedade bastante actractiva das microondas (sob o ponto de vista do projecto
de antenas) é que as microondas seguem muitas das leis da Óptica.
Tal como existem lentes em Óptica existem também lentes em Microondas.
Uma lente de microondas é um dispositivo para captar e focar radiações divergentes
num feixe paralelo, através de refracção.
As lentes de microondas são muitas vezes construídas à base de materiais dieléctricos
como o politireno mas também podem ser feitas através de placas metálicas alinhadas
em paralelo (designadas por "lentes de guia de ondas").
Isotrópico
Dipolo de meia-onda
Parabólica
A maior vantagem de uma lente é a de ser "alimentada" pela parte de trás em relação ao
sentido em que queremos que o feixe se propague, evitando desse modo a existência de
estruturas mecânicas que parcialmente obstruem o feixe.
Contudo as lentes têm inevitavelmente reflexões e perdas no material dieléctrico
resultando em perdas de inserção de 1 a 3 dB. Assim a sua vantagem fica esbatida em
relação aos reflectores.
Como se infere daqui os feixes de rádio podem ser formados não só por refracção mas
também por reflexão. O reflector mais utilizado é, de longe, uma superfície parabólica.
Consideremos um parabolóide de revolução
As propriedades importantes que tem a superfície parabólica estão esquematizadas nas
fig. 3.5.a e 3.5.b ( a fig 3.5.a ilustra o
princípio da lente de microondas atrás
referido )
Parábola
Foco
Eixo de revolução
Parabolóide
Fig. 3.4. - Superfície reflectora mais usada em microondas
1 . Todos os raios
provenientes do iluminador
(localizado no foco F da
parábola) são reflectidos
paralelamente ao eixo da
parábola (formação do
feixe directivo)
2. Para 2 raios quaisquer,
reflectidos na superfície
parabólica, os percursos
FAB e FCD têm o mesmo
comprimento. Desta forma
os campos terão a mesma
fase nos pontos B e D,
situados no mesmo plano e,
portanto, numa mesma
frente de onda.
a)
SISTEMAS DE
ANTENAS PARA MICROONDAS
A directividade da antena mede-se em termos de ganho.
Este ganho é um ganho passivo baseado na capacidade da antena em concentrar e
dirigir a energia numa determinada direcção. Trata-se de um ganho directivo que é
definido como a relação entre a potência de pico transmitida pela antena na direcção
desejada e a potência transmitida na mesma direcção por uma antena isotrópica com o
mesmo nível de potência de entrada.
Como se sabe nas antenas aplica-se o princípio da reciprocidade, isto é, o ganho
directivo na emissão é igual ao ganho directivo na recepcção.
Consideremos (fig. 3.6) um radiador isotrópico transmitindo a potência Pt calculemos a
densidade de potência p(d) à distância d :
Nas cadeiras de propagação demonstrou-se que, para a antena isotrópica a área efectiva
era
A= Aet = Aer =
λ
2/(4
π
) (3.3)
sendo
λ
o comprimento de onda que está a ser utilizado.
Nota: Na fórmula acima os índices e, t e r significam, respectivamente efectiva, transmissão e
recepção.
Assim, a potência recebida pela antena isotrópica é
π
λ
⋅
π
d
4
4
P
22 t
(3.4)
Numa antena parabólica, colocada à mesma distância, a potência recebida seria
t 2 e
A
d
4
P
⋅
π
(3.5)
onde A
eé a área efectiva da antena parabólica (também designada por abertura
efectiva).
Como a esfera de diâmetro d tem
uma superfície igual a 4πd
2, temos,
evidentemente, para a densidade
de potência:
2 td
4
P
)
d
(
p
π
=
(3.1)
A potência P
rextraída por uma
antena de recepção à distância d
será
Pt = p(d) Aer (3.2)
sendo Aer área efectiva (área de
absorpção da antena de recepção).
Radiadorisotrópico p(d)
d
Potência extraída com a antena receptora: Pr = Aer p(d)
Deste modo dividindo (3.5) por (3.4) chega-s
e à conclusão que o ganho da antena
parabólica em relação à antena isotrópica é
A área efectiva de uma antena não é igual à sua área física real A.
Define-se um parâmetro denominado
coeficiente de eficiência da abertura
que se
representa por
η
(variando entre 0 e 1) e que é tal que
o que, muito simplesmente, significa que a área de abertura efectiva nunca, na prática,
pode igualar a área física real, isto é, a potência incidente total não pode ser extraída
devido a diversos mecanismos tais como iluminação deficiente, bloqueamento parcial
pela estrutura do "feeder", imperfeições na superfície reflectora, etc.
Logo, o ganho da antena parabólica é
O ganho da antena parabólica é usualmente expresso em dB (ou, melhor, em dB
i)
ficando
O valor nominal de
η
é de 55 % para antenas de um só reflector com "feeder" no foco,
mas
η
pode variar entre 50 % e 65 % para esse tipo de antenas.
Para antenas especiais (do tipo "horn", de que falaremos de seguida) pode-se atingir
eficiências de 80 %.
Vejamos, com ilustrações, alguns problemas que contribuem para a diminuição da
eficiência das antenas
e 2
A
4
G
⋅
λ
π
=
A
A
e=
η
2A
4
G
λ
π
η
=
(3.9))
A
4
(
log
10
)
dB
(
G
i 2Iluminador no foco primário
Fig. 3.7
Fig. 3.8
Fig. 3.9
Os principais problemas que podem advir da utilização de um iluminador central (fig.
3.7) são o da pr
ópria estrutura do iluminador bloquear uma parte da abertura do
reflector e o de alguma energia ser reflectida para trás (para o próprio iluminador) e
criar uma onda estacionária que origina distorção e perda de eficiência. Estes dois
problemas, dependem, naturalmente do tamanho relativo do "feeder".
Podem, praticamente, eliminar-se através de uma antena tipo "horn" (também designada
por antena "cornucópia") que consiste na utilização de uma secção parabólica para o
reflector em vez de um parabolóide de revolução (fig. 3.11).
Isto permite que o iluminador seja colocado no foco da parábola mas deslocado da
abertura da antena, aumentado a sua eficiência.
Dado que os lados do "horn" se prolongam até ao bordo do reflector reduz-se bastante o
"spill-over". Assim os lóbulos laterais no diagrama de radiação são mais pequenos e a
relação frente-costas (
F/B
- "
F
ront-to-
B
ack ratio") é muito maior do que nas parábolas
vulgares.
Aliás é esta a principal vantagem das "cornucópias" - uma grande relação F/B que
chega a ultrapassar os 70 dB.
SISTEMAS DE
ANTENAS PARA MICROONDAS
Fig. 3.11 - Antena tipo "horn"complicadas. É o caso das comunicações via sat
élite onde se utilizam amplificadores de
baixo ruído que devem ficar colocados muito perto do "feeder" da antena de modo a
baixar as perdas no guia de onda. Alguns desses amplificadores necessitam de sistemas
"elaborados" de arrefecimento de modo a manter um nível de ruído baixo. Se toda essa
estrutura fosse colocada no foco da antena ter-se-ia excessivos bloqueamento e difusão
("scattering") do feixe.
Utiliza-se então uma técnica, derivada dos telescópios, que permite que a antena seja
iluminada pela parte de trás através de uma abertura no centro do reflector. Os raios
incidem (ver Fig. 3.12) na
parte côncova de um
sub-reflector hiperbólico. A este
tipo de antenas chama-se
antenas "Cassegrain".
A reflexão a partir do sub-reflector ilumina o reflector principal (parabólico) onde se
forma o feixe paralelo.
Um projecto apropriado dos dois reflectores faz com que o reflector principal "veja" um
iluminador localizado no seu foco.
Assim todos os raios percorrem o mesmo comprimento desde o "feeder" até qualquer
plano perpendicular à direcção de propagação.
A principal desvantagem das antenas "Cassegrain" reside, como seria de esperar, no
bloqueio da sua abertura introduzido pelo sub-reflector.
Esta desvantagem é minimizada através do alargamento do "feeder" e da redução do
tamanho do sub-reflector (ver fig. 3.13).
Vanos agora descrever sucintamente, uma por uma, as principais caracter
ísticas das
antenas utilizadas em feixes hertzianos e que são as seguintes:
1. Ganho isotr
ópico
2. Largura de feixe a meia-pot
ência
3. Relação Frente-Costas
4. Envolvente do diagrama de radiação (RPE)
5. Perdas de retorno
6. Discriminação de polarização cruzada (XPD)
7. Isolamento entre-portas
8. Intermodulação
9. Resistências ao vento e gelo
SISTEMAS DE
ANTENAS PARA MICROONDAS
sendo
η
o coeficiente de eficiência da abertura.
1.1 Antenas tipo "grid"
Dentro das antenas parabólicas há um tipo denominado "grid" (fig. 3.14) que é uma
antena cujo reflector parabólico não é opaco, antes se assemelha a uma grelha. A
razão da sua utilização reside no seu menor peso, facilidade de montagem e na
menor resistência devida ao vento.
Contudo ficam relativamente sacrificadas a relação frente-costas e a utilização a
frequências acima dos 3 ou 4GHz.
Os valores típicos dos ganhos e relação frente-costas (F/B) são, em dB, para uma
antena de 3 metros de diâmetro, os descritos na tabela I.
Tabela I - Antenas "Grid"
Banda de Frequências (MHz)
350
900
2,000
2,700
Ganho (dBi)
18
26
33
35
F/B ratio (dB)
22
27
44
45
Nota: Embora os 350 MHz e os 900 MHz não estejam na faixa das Microondas (que
começa em 1 GHz) são, aqui referidos porque há vários feixes hertzianos na banda de
UHF
(3.10)
)
A
4
(
log
10
)
dB
(
G
i 2λ
π
η
=
1.2 Antenas para
bólicas "standard"
São as antenas parabólicas mais simples que usam um reflector sólido. são
produzidas a custos económicos por delas não se exigir uma grande supressão dos
lóbulos laterais de que falaremos adiante.
Valores t
ípicos dos seus ganhos, "F/B ratios" e XPD estão referidos na tabela II,
tamb
ém para antenas standard de
φ
3 metros
(1.8 m para 23 GHz).
Tabela II - Antenas parabólicas "Standard"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
23
Ganho (dBi)
33
43
48
50
F/B ratio (dB)
40
51
54
57
XPD (dB)
25
30
30
30
1.3 Antenas de desempenho melhorado ("Improved-Performance Antennas")
São antenas (fig. 3.15) que t
êm melhores "performances" do que as "standard" ou
por utilizarem um reflector mais profundo ou por utilizarem uma blindagem à volta
do bordo do reflector, qualquer destas soluções conduzindo a melhores resultados a
respeito do "F/B ratio".
Seguem-se (tabela III) valores típicos (para os parâmetros atrás referidos)
relativamente a antenas de
φ
3 metros
Tabela III - Antenas tipo "Improved-Performance"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
Ganho (dBi)
33
43
48
F/B ratio (dB)
48
62
64
XPD (dB)
25
30
30
1.4 Antenas de alto desempenho ("High-Performance Antennas")
Utilizam blindagens (fig. 3.16) cilíndricas
à volta do reflector para melhorar a
relação frente-costas e para reduzir as interferências.
São ainda sempre protegidas por radome (cobertura frontal em teflon, material
transparente às radio-frequências) que além de lhes proporcionar uma protecção
relativamente ao vento, reduzindo a carga deste, também melhora a discriminação
de polarização cruzada, que possa ocorrer devido a gotas de chuva e de neve no
iluminador.
A Tabela IV refere valores típicos para antenas de diâmetro 3 metros (1.8 metros
para 23 GHz) das antenas "High-Performance":
Tabela IV - Antenas parabólicas "High Performance"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
23
Ganho (dBi)
33
43
48
49
F/B ratio (dB)
50
71
70
73
XPD (dB)
25
33
30
32
1.5 Antenas de ultra-alto desempenho ("Ultra-High-Performance Antennas")
São semelhantes
às antenas de alto desempenho mas são normalmente equipadas
com material absorvente de RF sobre toda a superf
ície interior da blindagem de
modo a fornecer um nível alto de supressão dos l
óbulos laterais e uma excelente
relação Frente-Costas.
Alguns fabricantes fornecem dois modelos: um com alta XPD e outro com uma
muito alta XPD.
Este último modelo
é muito importante em redes digitais com re-utilização
excessiva de frequ
ências.
Segue-se a Tabela V com valores típicos para antenas de φ3 metros (1.8 m para 23
GHz)
Tabela V - Antenas para
bólicas "Ultra-High Performance"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
23
Ganho (dBi)
n/a
43
48
n/a
F/B ratio (dB)
n/a
76
80
n/a
XPD (dB)
n/a
33
30
n/a
Versão de alta XPD (dB)
n/a
40
40
n/a
1.5 Antenas "Cassegrain"
Já descritas anteriormente e, portanto, limitar-nos-emos a apresentar uma tabela de
valores típicos para antenas de
φ
5 metros (Tabela VI)
Tabela VI - Antenas "Cassegrain"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
23
Ganho (dBi)
38
47
n/a
n/a
F/B ratio (dB)
57
70
n/a
n/a
XPD (dB)
27
33
n/a
n/a
1.6 Antenas tipo "horn"
São as antenas mais sofisticadas (tamb
ém já referidas anteriormente).
Podem ser usadas como antenas multi-banda e, com duas polarizaç
ões em cada banda,
dado que, devido
à localização de "feeder", este pode ser complexo e de dimensões
relativamente grandes (fig. 3.17)
Valores típicos para um reflector de 3 metros (tipo "horn") estão aqui indicados:
Tabela VI - Antenas tipo "Horn"
Banda de Frequências (GHz)
2
6L
11
Ganho (dBi)
33
43
48
F/B ratio (dB)
77
95
91
XPD (dB)
30
40
40
2. Largura do feixe a meia pot
ência
Consideremos (fig 3.18) o diagrama de radiação simplificado de uma antena
parabólica.
A largura do feixe a meia-potência é definida como o ângulo
α
que é o ângulo entre
os pontos do diagrama que apresentam atenuação de 3 dB em relação ao valor
máximo do diagrama de radiação da antena.
Para uma antena parabólica "standard" uma fórmula aproximada para
α
é:
(3.11)
sendo d o diâmetro do reflector e
λ
o comprimento de onda, expressos nas mesmas
unidades.
Este é um dos valores mais procurados qundo se pensa num projecto de instalação,
pois dá-nos a noção das variações angulares que podem ser admissíveis na antena
quando solicitada por ventos fortes.
O problema que se tem em geral é o de saber para que velocidades de vento se
atingem desvios angulares de
±
α
/2 do eixo da antena, dado que ultrapassados esses
devios há uma significativa perda de potência na transmissão e/ou recepção.
Para termos uma ideia, o valor da largura do feixe para uma antena de
φ
3m à
frequência de 13 GHz é de apenas 0.6
°
.
d
70
0λ
=
Fig. 3.18
α
Potência máxima Potência transmitida
3. Relação Frente-Costas ("F/B ratio")
Define-se como a relação entre o máximo ganho na direcção pretendida (qu
e é
obviamente a direcção sa
ída da frente da antena para o espaço) e o máximo ganho
na direcção oposta.
(3.12)
Esta relação
é de particular import
ância em estações repetidoras onde muitas vezes os
mesmos canais de rádio-frequência são usados em ambas as direcções e em estações
nodais com um grande número de antenas concentradas no mesmo ponto.
4. Envolvente do diagrama de radiação (RPE)
É um diagrama (no plano x-y) formado pela envolvente da intensidade de radiação
segundo o eixo y
versus
o ângulo de azimute em relação à direccção do lóbulo principal
representado no eixo x (ver figs. 3.20 e 3.21).
É essencial ter um RPE de cada tipo de antena quando se necessita calcular as
interferências entre antenas na mesma estação ou estações próximas.
No diagram RPE da
fig.3.21,
HH significa a resposta de uma porta polarizada
horizontalmente a um sinal polarizado também horizontalmente, HV a resposta de uma
porta polarizada horizontalmente a um sinal com polarização vertical.
VV e VH têm significados semelhantes.
Fig. 3.19
α
Potência máxima transmitida paea a frente (Pmax)
Potência máxima ransmitida para trás (Pbmax)
HH
HV
VH
VV
5. Perdas de Retorno
Correspond
e à pot
ência que não pode ser efectivamente usada devido
à desadaptação
entre a antena e o "feeder".
Definem-se como a relação (em dB) entre a pot
ência incidente Pi e potência reflectida Pr
:
RL= 10 log (P
i/P
r)
(3.13)As perdas de retorno estão relacionadas com a relação de ondas estacionárias (ROE ou
VSWR - "Voltage Standing Wave Ratio") e o coeficiente de reflexão
Ora, se a potência em microondas for medida por um dispositivo que converta potência
em leituras de tensão, teremos
sendo V
re V
ias leituras de tensão, respectivamente correspondentes
às pot
ências P
re
P
i.
Daqui conclui-se que as perdas de retorno serão, dado que P
i/ P
r= (V
i/V
r)
2:
RL = - 20 log
ρ
Também se recorda que
e que daqui resulta
Logo, será tamb
ém
6 Discriminação de polarização cruzada (XPD)
Em muitos casos há antenas que devem operar simult
âneamente nas duas polarizações
(horizontal e vertical)
Devido a imperfeições no sistema de antena e "feeder" uma pequena parte da radiação
da energia transnitida com polarização vertical pode ser convertida em polarização
horizontal e vice-versa.
Chama-se Discriminação de Polarização Cruzada ou XPD (“Cross Polarization
Discrimination”) e,
é medida em dB,
à relação entre a potência de pico do feixe
principal co-polarizado e a potência do máximo sinal em polarização cruzada dentro de
um feixe de largura igual a duas vezes a largura de feixe a meia potência do feixe
principal co-polarizado.
Por exemplo, uma antena de "High Performance" de
φ
1.8 metros à frequência de 8
GHz pode ter uma XPD sensivelmente igual a 32 dB.
7 Isolamento entre-portas
As antenas de polarização dupla têm uma entrada para cada polarização.
O isolamento entre aquelas duas entradas
é chamado o isolamento inter-portas ou
isolamento entre-portas e deverá situar-se na faixa dos 30 a 40 dB.
8 Intermodulação
O ruído de intermodulação pode ocorrer quando dois sinais são acoplados na mesma
antena, em resultado de comportamentos não lineares de contactos metal com metal
(como por exemplo do "feeder" com o conector de antena).
Para novas antenas o ruído de intermodulação deve ficar bastante abaixo dos -120
dB.
1
VSWR
1
VSWR
log
20
RL
−
+
9 Resist
ências ao vento e gelo
As antenas de um feixe hertziano de microondas devem ser capazes de suportar
condiç
ões severas de vento e/ou neve.
A resist
ência ao vento é normalmente especificada para duas condiç
ões:
- Condições operacionais
- Condições de sobreviv
ência
A velocidade de vento para condiç
ões operacionais
é normalmente definida como a
máxima velocidade de vento para a qual a deflexão do eixo da antena é inferior a um
terço da largura de feixe a meia potência. Fixa-se normalmente entre 110 Km/h e 180
Km/h, dependendo das condiç
ões climáticas e da natureza da ligação.
A velocidade de vento para sobreviv
ência é a máxima velocidade de vento que a antena
pode suportar sem que da
í advenham danos permanentes.
São normalmente especificadas entre 180 Km/h e 250 Km/h.
POTÊNCIA EFECTIVA ISOTRÓPICA RADIADA
A Pot
ência Efectiva Isotrópica Radiada (
EIRP - E
ffective
I
sotropic
R
adiated
P
ower) é uma grandeza muitas vezes utilizada para caracterizar o sistema sob o ponto
de vista da transmissão. Deve entender-se aqui o sistema como integrando transmissor e
antenna.
A
EIRP
é simplesmente dada pela seguinte produto
EIRP = P
T.G
Tonde
P
Té a potência total de transmissão em Watt e
G
Té o ganho isotrópico da
antena de transmissãp.
Claro que em unidades logar
ítmicas a EIRP em dBm é a soma da pot
ência de
transmissão em dBm com o ganho da antena em dBi.
POTÊNCIA EFECTIVA RADIADA
Quando se falar em Potência Efectiva Radiada (
ERP - E
ffective
R
adiated
P
ower)
trata-se da potência de transmissão multiplicada pelo ganho da antena em relação ao dipolo
de meia onda.
Como um dipolo ideal de meia onda tem um ganho de 2.15 dBi, conclui-se que a EIRP
é 2.15 dB mais elevada que a ERP para o mesmo conjunto antena-transmissor.
Componentes das Microondas
GUIAS DE ONDA
Acima de 2 GHz deixa de ser prática a utilização como linha de transmissão de cabo
coaxial porque não
é o mais adequado sob o ponto de vista de propagação guiada e
porque as perdas introduzidas seriam incompat
íveis com o bom funcionamento do
sistema.
Todos sabemos que no guia de ondas deixa de passar a existir o condutor central do
cabo coaxial (
é como se fosse um cabo coaxial a quem se suprimiu o condutor central
ficando apenas a malha metálica exterior).
É, para todos os efeitos, um tubo metálico cuja secção pode ser rectangular, cilíndrica
ou elíptica.
No seu interior propagam-se campos electromagnéticos: não se pode mais falar em
corrente eléctrica mas sim em energia do campo electromagnético que se propaga ao
longo do guia de onda.
Se se ligasse uma fonte de tensão de baixa frequência (por exemplo 100 Hz) à entrada
de um guia de ondas rectangular (ver fig. 3.22) não haveria qualquer propagação ao
longo do eixo longitudinal do guia de ondas. Haveria uma corrente transversal e não
longitudinal e, isto porque, a impedância transversal é praticamente nula.
100 Hz
NÃO PROPAGAÇÃO
i
Modos de Propagação
Um guia de ondas
é capaz de transmitir energia em várias configuraç
ões dos campos
eléctrico e magnético.
A configuração em que a energia se propaga através de um guia de ondas é definida
como um modo.
Geralmente há duas classes fundamentais de modos que podem aparecer num guia de
ondas rectangular.
- Uma em que o Campo Eléctrico é sempre perpendicular
à direcção de propagação:
esta classe de modos é conhecida por
TE
(“
T
ransverse
E
lectric”);
- Outra em que o Campo Magnético é sempre perpendicular à direcção de propagação
e o que se chama
TM
(“
T
ransverse
M
agnetic”).
A cada modo corresponde a sua frequência de corte que é a mais baixa frequência que
se pode propagar no guia quando se está a operar num modo particular.
A energia transmitida a frequências abaixo da frequência de corte é grandemente
atenuada enquanto que a energia trasmitida acima da frequência de corte sofre pequena
atenuação.
O modo mais simples (ou de mais baixa ordem) num guia de ondas chama-se
modo
Consideremos a figura 3.23
As linhas pretas são as que representam o campo el
éctrico enquanto que as linhas
brancas indicam o campo magnético.
Na vista de frente a maior concentração de linhas ao centro indica que aí o campo
eléctrico é mais intenso.
Quando a energia se propaga ao longo do guia de onda os campos eléctrico e magnético
movem-se em conjunto.
Portanto, na figura anterior, está ilustrada a situação de ambos os campos para um
instante particular.
VISTA de CIMA
λλ
/2
λλ
/2
Campo Eléctrico
Campo Magnético
VISTA LATERAL VISTA de FRENTE
Fig. 3.23
Configuração do campo
do modo dominante ou
modo
TE
1,0num guia
de onda rectangular.
a
No instante considerado, no ponto a temos um campo el
éctrico de intensidade nula e no
ponto b um campo de intensidade máxima mas, um quarto de ciclo depois, no ponto a
teremos a situação que havia antes em b.
O modo particular em cada classe é designada por 2 índices (por exemplo, TE
1,0).
O primeiro índice, 1, indica o número de variações de meia-onda de intensidade de
campo eléctrico através de dimensão mais larga de guia de onda.
O segundo índice, 0, indica o número de variações de meia-onda através de dimensão
mais curta do guia de onda.
No caso da figura vê-se claramente que o modo de transmissão é TE
1,0pois na vista da
frente, de uma parede lateral do guia à outra, o campo vai de zero a um máximo e volta
a zero (logo temos meio comprimento de onda e, em consequência, 1, para o primeiro
índice) enquanto que segundo a menor dimensão não há qualquer variação na
intensidade da tensão (logo, temos para o segundo índice, 0).
Este modo TE
1,0é o modo dominante para o guia de onda rectangular.
Pode haver, para além do modo dominante, vários modos de ordem mais alta num guia
de onda mas a prática corrente é projectar o guia de onda para propagação no modo
dominante e suprimir todos os outros.
A largura usual de um guia de onda rectangular é superior a
λ/2
(metade do
comprimento de onda) mas é inferior a
λ
.
Quanto à altura do guia, ela é em regra, metade da largura.
O modo dominant
e é o mais usado porque é um modo exclusivo e numa determinado
gama de frequ
ências, proporcionando uma mais baixa dissipação de potência,
requerendo guias de onda de menores dimens
ões sendo menos suscept
ível
às
desadaptações de impedância e reflexões do que os modos mais complexos.
Para um guia de ondas rectangular de largura a o comprimento de onda de corte é
λλc = 2
a
(3.20)Ora, ao longo do guia, as propriedades periódicas como a inversão do sentido dos
campos e distâncias entre pontos de intensidade máxima estão relacionadas com um
parâmetro
λλg
que é designado por comprimento de onda no guia e que é diferente do
comprimento de onda
λ
λ
no espaço livre.
Vamos ver como é o mecanismo de propagação da onda ao longo do guia supondo (ver
figura seguinte) que estamos a ver esse guia rectangular segundo a sua menor dimensão
b, perpendicularmente à sua maior dimensão
a
.
Ora, como se sabe, essa propagação realiza-se através de reflexões sucessivas, como se
pode ver na figura, onde se ilustra a maneira como essas reflexões sucessivas se fazem
nas paredes laterais para uma onda plana, polarizada verticalmente.
A onda plana apresenta reflexões apenas nas superficies laterais e o seu trajecto é
paralelo às paredes superior e inferior do guia. O seu comprimento de onda é,
naturalmente, o mesmo que em espaço livre, isto é, = v
c/f , sendo v
ca velocidade
da luz.
θ
λ
=
λ
sin
g
O
ângulo formado pela direcção de propagação com a normal às paredes laterais do
guia não é um ângulo arbitrário e demonstra-se que para o modo de propagação TE
10é
tal que
O comprimento de onda na direcção de propagação (ver fig. seguinte) é
✁e não é mais
do que a distância entre duas cristas de onda consecutivas da onda na direcção de
propagação.
A distância entre duas cristas consecutivas na direcção paralela à parede do guia de
ondas é o comprimento de onda no guia de ondas
✁ g .Olhando para a figura facilmente se deduz que
O comprimento de onda na perpendicular às paredes do guia é
θ
λ
=
λ
cos
n
Fig. 3.25
a
2
cos
θ
=
λ
(3.21)(3.22)
θ
λ
=
λ
sin
gλλg
ou, atendendo a que
λλc
= 2a :
Por aqui se infere que um sinal de comprimento de onde
λ
que entre num guia de onda
propaga-se no interior do guia se
λ< λ
C(comprimento de onda de corte) – passa a ser
uma onda guiada de comprimento de onde
λ
g>
λ
.
Velocidade de Fase
Qualquer onda electromagn
ética tem duas velocidades:
- uma velocidade com que se está a propagar
- a velocidade em que muda de fase.
Em espaço livre estas duas velocidades são iguais e iguais
à velocidade da luz v
cOra, o comprimento de onda na direcção paralela à superf
ície condutor
a é, como
Da fig. 3.25 v
ê-se tamb
ém que
v
g= v
csin
e
v
n= v
ccos
Então tem-se para a velocidade de fase (velocidade com que se altera a fase) se
representarmos por
f
(frequ
ência de operação) a frequência correspondente a
✁ g:
Multiplicando a velocidade de grupo v
g(dada pela equação
3.26
)
pela velocidade de
fase
v
fconcluimos que esse produto
é igual ao quadrado da velocidade da luz :
Logo virá
Das duas equaç
ões anteriores resulta para a velocidade de fase num guia rectangular :
sendo V a velocidade da onda plana que no ar (tamb
ém o dieléctrico no guia de ondas)
é igual
à velocidade da luz v
c.
θ
=
θ
λ
⋅
=
λ
⋅
=
sin
v
sin
f
f
v
f
g
c
Impedância Característica do Guia de Ondas
A imped
ância caracter
ística de um guia de ondas, no seu modo dominant
e é dado por:
sendo Z
0a imped
ância caracter
ística,
fc
a frequ
ência de corte e
f
a frequência de
operação.
Para evitar reflexões, como se sabe, o guia de ondas tem de estar terminado numa
imped
ância igual à sua impedância caracter
ística; v
ê-se de expressão (3.32) que se a
frequência de operação for a frequência de corte, a imped
ância caracter
ísti
ca é infinita.
S
ó para frequ
ências superiores
à frequ
ência de corte a imped
ância assumirá valores
finitos.
O guia de ondas comporta-se portanto, para todos os efeitos, como um filtro passa-alto.
Guia de ondas elíptico
É importante ter em conta, como se sabe, que na prática, entre os equipamentos e as
antenas, o guia de ondas mais utilizado é o de secção e
líptica, flexível, que corresponde
a uma eficiente modificação do guia de onda rectangular rígido (ver figuras 3.25.a 3
3.25.b). A vantagem
é a facilidade de fabrico com as correspondentes vantagens
econ
ómicas. É composto de uma manga fina de cobre, corrugada e revestida de
polietileno e pode dobrar-se segundo os planos “E” e “H”.
Ohm
f
fc
20
1
120
−
=
Ζ
π
(3.32)CIRCULADORES
Um
circulador
é um dispositivo direccional, isto é, que só permite a progressão da
energia electromagnética num determinado sentido, impedindo-a no outro, e que
ilustramos na fig. 3.26.a
É um circulador em
Y
com 3 entradas formando ângulos de 120
°
que são ligadas a 3
cabos coaxiais ou 3 guias de onda, dependendo do tipo para que está preparado.
Se um sinal entra, por exemplo, pela porta 1, ele é "rodado" por forma a emergir na
porta seguinte (porta 2) no sentido dos ponteiros do relógio. Esta rotação é o resultado
da interacção entre os campos magnéticos de RF do sinal de entrada e do campo
magnético de DC da ferrite polarizada que facilita a progressão do sinal da porta 1 para
a porta 2 e evita que esse mesmo sinal apareça na porta 3.
A ferrite é utilizada porque se trata de um material não metálico mas com propriedades
magnéticas semelhantes às do ferro, apresentando uma resistividade tão alta que a torna
praticamente num elemento isolador.
Tratando-se de um material isolador, as ondas electromagnéticas podem propagar-se
através dela e, quando essas ondas passam através da ferrite, produzem um campo
magnético de RF no material, normal à direcção de propagação se o modo de
propagação é convenientemente escolhido.
Se, para além disso, a submetermos a um campo magnético constante, criado por íman
permanente (que é um dos componentes do circulador), haverá um complexo jogo de
interacç
ões, devido
à existência de um movimento de precessão dos eixos de
spin
dos electr
ões (movimento que consiste numa rotação desses eixos semelhante ao
do eixo de um pião pouco depois de ser lançado em movimento)..
Uma combinação adequada dos campos de RF, sua frequ
ência e do campo magnético
de DC resulta na possibilidade de “rodar” a energia electromagnética de RF.
Assim, podemos direccionar o sinal de RF que entra no circulador, a uma frequência
determinada, para a porta 2 e impedir que esse sinal apareça na porta 3.
Haverá sempre, na prática, uma determinada perda de inserção entre as portas 1 e 2 que
se situa entre os 0.2 e 0.5 dB e, tal como seria de esperar também existirá sempre
alguma energia, embora diminuta, que aparecerá na porta 3.
De igual modo, um sinal de RF que entre na porta 2, sairá pela porta 3 e se um sinal
entra pela porta 3 sairá pela porta 1.
É também evidente que tal com há circuladores para "rodar" a energia no sentido dos
ponteiros do relógio, também os há para a rodar no sentido inverso e, isso depende da
polarização do
íman permanente.
Esquematicamente um circulador em Y representa-se como se indica nas figuras
seguintes (3.27a e 3.27b)
3
1
3 2
Fig. 3.27a Fig. 3.27b
2
Aplicaç
ões
Uma das mais correntes aplicações do circulador
é a do diplexer (fig. 3.28)
Com esta aplicação permite-se a transmissão e recepção simult
âneas sobre uma mesma
antena, uma vez que há um isolamento entre as portas do emissor e receptor.
Semelhante a est
a é aplicação nos sistemas de derivação ("
branching
") cujo princ
ípio
se indica na figura seguinte relativamente a uma antena que recebe 3 canais
radioel
éctricos de portadoras f1 , f2 e f3 e que t
êm se ser encaminhados para os
respectivos receptores 1, 2 e 3
Fig. 3.28 - Aplicação do circulador como diplexer diplexer
3
2 1
Transmissor
Receptor
ANTENA
Da ANTENA
Fig. 3.29 - Aplicação do circulador em sistemas de "branching" Filtros
Passa Banda
Receptor 1 Receptor 2 Receptor 3
f1 f2 f3
f3 f3
f2, f3 f2, f3
Fig. 3.30 - Aplicação do circulador como isolador
Outra aplicação
é a de isolador.
Um isolador é um dispositivo de duas portas que, em RF
se comporta como um díodo em DC. A energia passa num
sentido e não passa no sentido contrário. Por exemplo, se à
saída de um gerador de sinal colocarmos um isolador, este
impedirá a onda reflectida de atingir o emissor (dado que a
energia passa s
ó num sentido) e de o poder afectar, não se
opondo contudo
à energia que sai do gerador.
Assim, o que o isolador faz é, como o seu pr
óprio nome
diz,
é isolar circuitos; também pode, ao mesmo tempo que isola, proporcionar entre os
circuitos uma melhor adaptação.
Ora, se terminarmos a porta 3 do circulador numa carga adaptada (50
Ω
, em geral)
como se mostra na fig. 3.30.a, este passará a funcionar como um isolador.
Convém salientar que a porta 3 tem de estar bem adaptada, isto é, tem de ser tão
rigorosamente quanto possível igual à imped
ância caracter
ística Z0.
Qualquer desadaptação na porta 3 que origine um VSWR significativamente maior do
que 1:1 diminui substancialmente o isolamento.
Por exemplo, se a terminação na porta 3 origina um VSWR de 1.5:1 o máximo
isolamento possível seria da ordem dos 14 dB enquanto que se aquele VSWR for 1.1:1,
o isolamento passa a ser da ordem dos 26 dB.
Outra aplicação (fig. 3.31)
é a de reduzir, num circuito de recepção, as radiaç
ões do
oscilador local que possam atingir a antena (isto não
é mais do que outro tipo de
aplicação como isolador)
Fig. 3.31 - Aplicação do circulador para reduzir a radiação do oscilador local
Antena
LO Misturador
IF
ACOPLADORES DIRECCIONAIS
Um acoplador direccional tem por função permitir que uma fracção da pot
ência na
principal linha de transmissão seja acoplada a um segundo braço numa direcção
preferencial do fluxo. Por exemplo, um acoplador direccional de 20 dB
é aquele que
desvia 1% da pot
ência para ser acoplada à linha secundária.
Os acopladores direccionais podem ser executados em guia de ondas, em cabos
coaxiais e circuitos integrados.
No caso de guias de onda, vamos apresentar (fig. 3.32) o acoplador de dois orif
ícios.
O objectivo com o acoplador direccional
é o de medir a pot
ência qu
e é enviada do
gerador para a carga ou antena através de uma amostra em que uma fracção conhecida
da pot
ênci
a é medida através de uma sonda, de modo que a pot
ência total possa então
ser calculada.
Essa amostr
a é acoplada num guia de onda secundário através de dois orif
ícios que
permitem a passagem da energia de um para o outro guia e, de modo algum, qualquer
fracção da energia reflectida da carga para o gerador deve poder propagar-se no sentido
da sonda, isto
é, da esquerda para a direita (no guia secundário) no caso da fig. 3.31,
para não afectar o valor da medida.
De facto, quando as ondas se propagam do gerador para a carga (da esquerda para a
direita no guia principal) passam para o guia secundário através dos orif
ícios a e b ; em
b, no guia secundário, as ondas estão em fase (ondas que "escapam" pelo orifício a e
que "escapam" pelo orifício b, pois o caminho percorrido
é o mesmo para ambas).
Orifícios
Terminação resistiva
adaptada
Guia de onda secundário
Carga
Gerador
λg
4
Guia de onda principal
Para a sonda do detector
Fig. 3.32 - Acoplador directional de dois furos
Logo vão somar-se e seguem para o detector. As componentes (dessas duas ondas) que
se propagam em sentido contrário (da direita para a esquerda) no guia secundário serão
absorvidas pela carga resistiva no interior desse guia.
Contudo, a onda reflectida que passe para o guia secundário no orifício b e "pretenda"
propagar-se para a direita nesse guia secundário
é anulada pela componente da onda
reflectida que passa para esse mesmo guia através do orifício a.
De facto a dist
ância entre os dois orif
ícios
é de um quarto de comprimento de onda, ou
seja, a dist
ância a mais percorrida pela onda que entra pelo orif
ício a e se propaga para
a direita, relativament
e àquela que entra directamente em b será de meio comprimento
de onda dando-se o cancelamento em b da energia oriunda da onda reflectida que se
propaga para a direita no guia secundário. Logo, para o detector segue apenas uma
amostra da energia transportada pela onda directa dirigida do gerador para a carga e,
por isso, se dá a este componente o nome de acoplador direccional.
A energia reflectida que se propague da direita para a esquerda no guia secundário será
absorvida pela carga.
Essa carg
a é constituída por um dieléctrico com perdas ( pode ser uma pequena placa
de vidro revestido por uma película de carbono ou grafite). Apresenta-se de uma forma
ponteaguda para a ondas que recebe aumentando progressivamente a sua secção até a
altura desta ser igual
â do guia, por forma a não causar reflex
ões.
A figura seguinte dá-nos o aspecto que, em geral, apresentam os acopladores
direccionais em guias de onda:
Fig. 3.33
Acopladores direccionais em guias de onda
Curvas, Transições e Junções em Guias de Onda
Por vezes, devido
à posição dos equipamentos, torna-se necessário alterar a direcção
das ondas. Nestes casos, para evitar a descontinuidade no sistema ou o aparecimento de
onda reflectida devem usar-se curvas de guias de onda suaves, raio de curvatura
aproximadamente igual a
λ
g/2.
As curvas tomam o nome de curvas E ou curvas H, conforme o plano de simetria seja
paralelo respectivamente ao campo el
éctrico ou ao campo magnético.
Se o espaço para a montagem não for suficiente recorre-se a outro tipo de curvas, a
seguir representadas, onde o L deve ser sensivelmente igual a
λ
g/4. Neste surgem ondas
reflectidas, mas de valor suficientemente baixo.
Fig. 3.34 - Curvas em guias de onda
Curvas, Transi
Na figura seguinte apresenta-se o aspecto de duas curvas a 90
°
, uma no plano E
(fig.3.36A) e outra no plano H (fig.3.36B)
Guia Torcido ("TWIST")
Muitas vezes há necessidade de rodar de 90
°
a polarização da onda, Essa rotação tem
de ser gradual para não provocar ondas estacionárias. Usan-se então um tipo de
transição chamado "twist" como se ilustra na fig. 3.37
A transição deve ser gradual e deve fazer-se num comprimento aproximadamente igual
a 5
λ
g.
Fig. 3.36 Curvas de guia de onda a 90°
L= 5 λg
Fig. 3.37 - "Twist" (Guia torcido)
E
Transição guia rectangular/guia circular
A figura seguinte ilustra como se processa (tamb
ém gradualmente como no caso
anterior) a ligação entre um guia de ondas rectangular e um guia de ondas circular.
Há uma variação progressiva de uma secção rectangular para uma secção circular
passando-se do modo TE10 no guia rectangular para o modo TE11 no guia circular.
Junç
ões em guias de onda
Há dois tipos de junções básicas, designadas por junções em T devido
à sua forma, em
guias de ondas rectangulares (as junç
ões servem essencialmente, como divisores de
pot
ência) : a junção H ou junção paralelo e a junção E ou junção série (fig. 3.39)
Fig. 3.38 - Transição entre guias rectangular e circular
A
A
C
B
C
B
A junção (a) é uma junção cujo eixo é paralelo ao campo magnético e, por isso se denomina junção H. O sinal que entra na junção por C divide-se igualmente por A e B, ficando em fase nesses 2 ramos.
A junção (b) é uma junçaõ cujo eixo é paralelo ao campo eléctrico por isso se chamando junção E. O sinal que entra pelo braço C também se divide igualmente por A e B, mas apresenta fases opostas nesses dois braços
Eixo
Eixo Entrada do
guia principal Entrada do guia principal
E
Curvas, Transi
A junção H diz-se junção s
érie porque, ficando o campo magnético H no mesmo plano
nos 3 braços do "T", esse mesmo campo se divide igualmente pelos braços A e B,
havendo lugar a uma comparação com uma linha de transmissão que se divide em
paralelo como se mostra na figura 3.39(a).
Quanto
à junção E, a maneira como se divide o campo magn
ético faz lembrar uma
junção em que as tensões se somam (logo, uma ligação em série).
A figura seguinte representa esquematicamente o funcionamento desta junção E:
Junção H
íbrida ("T" mágico)
Combinando-se as duas junç
ões atrás numa s
ó obtem-se uma junção híbrida a que
chamamos "T mágico" (fig. 3.41)
A propriedade básica do T mágico é que o braço 4 está ligado aos braços 1 e 2 mas não
ao braço 3 e, semelhantemente, o braço 3 está ligado aos braços 1 e 2 mas não ao braço
4.
Observa-se que a junção é simétrica em relação a um plano que intersecta
longitudinalmente o braço 3 e transversalmente o braço 4.
C
B
A
Fig. 3.40 - Progressão do campo eléctrico na junção E ENTRADA
Fig. 3.41 - Junção híbrida
Braço "E"
Braço "H"
Braço 3
Braço 2
Uma aplicação, entre várias, do "T mágico", está esquematizada na fig. 3.42.
De facto, atendendo a que se se os braços 1 e 2 estiverem correctamente terminados, a
energia inroduzida pelo braço 3 se divide igualmente pelos braços 1 e 2 e,
simult
âneamente, energia introduzida pelo braço 4 se divide tamb
ém igualmente pelos
braços 1 e 2, a aplicação segui
nte é possível.
A antena e o oscilador local estão ambos acoplados aos braços 1 e 2 (o braço 1 tem
uma carga adaptada) sem estarem acoplados entre eles.
È como se o oscilador local veja o braço 3 como uma imped
ância infinita e,
similarmente, a antena veja o braço 4 como uma impedância infinita.
Outra aplicação do "T mágico"
é a de separar as frequ
ências de transmissão e recepção
de uma mesma antena, actuando, portanto, como um duplexer.
Ao braço 2 (fig. 3.41) liga-se a antena e ao braço 1 a carga adaptada (igual
à
imped
ância da antena).
Se ligarmos o transmissor ao braço 3, transmitimos uma frequ
ência f
1qu
e é
encaminhada para a antena sem atingir o receptor que fica ligado ao braço 4.
Igualmente, o sinal de frequ
ência de recepção f '
1recebido na antena dirige-se do braço
2 para o braço H (braço 4) sem atingir o emissor (ligado ao braço 3).
Cargaadaptada
Oscilador Local
Misturador
Antena
"T" mágico
Componentes das Microondas
Linhas de Transmiss
ão Miniatura ( "Striplines" e "Microstrips")
Penetração de um campo magnético num determinado material.
Nas microondas transmitimos campos electromagn
éticos e uma questão que se coloca é
a de saber se e como o campo magnético pode penetrar num material metálico.
É evidente que se o material é o ferro que é um elemento com alta permeabilidade
magnética, a penetração é alta. Se a frequência é elevada, as correntes de Foucault
criadas são significativas, não sendo maiores devido à alta resistividade do ferro.
De qualquer maneira o campo magnético criado pelas correntes de Foucault tende a
opor-se ao campo magnético que lhes deu origem, limitando a penetração.
Esta limitação da penetração é tanto mais alta e, portanto a penetração tanto mais baixa,
quanto mais elevada for a frequência do campo magnético penetrante e mais baixa a
resistividade do tipo de ferro.
Se em vez de ferro se tratasse de materiais como a madeira ou o plástico, com
permeabilidades muito baixas e resistividades elevadas, embora estes tipos de materiais
não facilitem, por um lado, a passagem das linhas de força do campo magnético devido
à baixa permitividade, como têm resistividades elevadas as correntes de Foucault serão
diminutas não havendo, por conseguinte, a criação de um campo que se oponha à
penetração de campos magnéticos de frequências elevadas.
Se o material for o cobre, também sua permeabilidade magnética é baixa mas a sua
resistividade é muito baixa e aqui, sendo as correntes de Foucault bastante
significativas, a oposição à penetração é elevada.
No caso limite teórico de um material condutor de resistividade nula, as correntes de
Foucault seriam máximas e a sua oposição cancelaria o campo penetrante - a penetração
seria nula.
De tudo isto decorre que em frequências muito altas, como é o caso das microondas,
não interessa utilizar nas linhas de transmissão, o cobre com grande espessura dado que
a maioria do material não teria utilização.
Linhas de Transmissão Miniatura ( "Striplines" e "Microstrips")
A densidade de corrente decresce mesmo exponencialmente com a dist
ância à
superf
ície.
A uma profundidade
δ
que se designa por profundidade de penetração ou por espessura
pelicular ("skin depth") a corrente decresce
1/e
vezes em relação ao valor que tem
à
superf
ície, isto
é, aproximadamente igual a 37% do valor que tem à superf
ície.
A seguinte f
órmula dá-nos a profundidade de penetração
δ
em metros
:
onde
ρρ
é a resistividade do material em
Ω
/m
,
f
é a frequ
ência em Hz, µµ
é a
permeabilidade magnética do material em
H/m
e
σσ
é a sua condutividade em
mhos/m
.
Para as aplicações em microondas o cobre é um meio condutor muito utilizado, havendo
uma f
órmula aproximada para a profundidade de penetração qu
e é a seguinte
sendo
δδ
é a profundidade de penetração do cobre em
mícrons
e f
é a frequ
ência em
Gigahertz.
Uma mnem
ónica em ter em cont
a é a de que, para o cobre, a frequ
ências de Gigahertz
correspondem espessuras peliculares de mícrons, ou melhor ainda, que a 1 GHz
corresponde um δ de 2
µ
m.
De notar que a f
órmula (3.33) traduz o que se esperava, isto
é, que:
1.
δ
aumenta c-om a resistividade;
2.
δ
diminui com a frequ
ência;
3. δ diminui com a permeabilidade;
Considere-se como exemplo de espessuras peliculares as relativas a quatro materiais
importantes na tabela que a seguir se insere:
Espessura pelicular de quatro elementos (frequência de 10 GHz)
Material
(mhos/m)
✁(H/m) (*)
✂(mm)
Cobre
58.00 x 10
64
✄
x 10
-7
0.00066
Alum
ínio
38.10 x 10
64
✄x 10
-7
0.00080
Prata
61.70 x 10
64
✄
x 10
-7
0.00060
Ouro
40.98 x 10
64
✄
x 10
-7
0.00050
Tal como para a electr
ónica das baixas frequências, em que temos os circuitos
impressos com trajectos condutores e componentes, também para as microondas se tem
as suas linhas de transmissão miniatiatura de que vamos falar de seguida,
às quais
são ligados os diferentes componentes numa tecnologia h
íbrida em que os componentes
e circuitos condutivos são embebidos em diferentes camadas.
Dá-se o nome de
MMIC
´s ("
M
onolithic
M
icrowave
I
ntegrated
C
ircuits") aos
modernos circuitos integrados realizados com estas t
écnicas, para diferentes funç
ões
num sistema de microondas, requerendo o m
ínimo de ajustamentos e sintonias.
Reparemos entretanto na figura seguinte que traduz a evolução do cabo coaxial para
uma linha de transmissão miniatura ("
stripline
"):
O condutor central evoluíu para uma esp
écie de tira ("strip") que fica rodeada de um
material dieléctrico "apertado" entre dois planos de terra.
Nota: é importante frizar que, enquanto em baixas frequ
ências nos pod
íamos referir a
terras como pontos de terra com localizações definidas, podendo-se considerar vários
pontos de terra e interligá-los, em microondas usar pontos de terra não tem significado
algum. Em microondas s
ó nos podemos referir a
planos de terra
e nunca a pontos de
terra.
O material dieléctrico tem a propridade de reduzir as dimensões f
ísicas da linha para
qualquer frequência de operação e constitui uma parte importante da stripline pois
armazena a energia electromagn
ética que se propaga ao longo da tira condutiva. Quanto
maior for a constante dieléctrica do material, maior será a concentração de linhas do
campo eléctrico.
É poss
ível conseguir uma determinada constante diel
éctrica recorrendo
a uma mistura apropriada de materiais distintos
.
LINHA DETRANSMISSÂO COAXIAL
TRANSIÇÃO LINHA DE
TRANSMISSÂO tipo "STRIP"
CAMPO ELÉCTRICO CAMPO MAGNÉTICO
Por exemplo, pode-se combinar Teflon (constante dieléctrica 2.1) com fibra de vidro
(constante dieléctrica 3.88) para se obter um material com uma constante dieléctrica
igual a 2.37.
Constantes dieléctricas muito maiores podem conseguir-se com outras misturas.
Tal como nos cabos coaxiais, o modo de propagação geralmente usado é o TEM.
Os 2 planos de terra da
stripline
estão ao mesmo potencial. O campo elétrico está
principalmente limitado
à área entre o condutor central e os planos de terra com a sua
intensidade a diminuir rapidamente com a dist
ânci
a à tira condutora. Se a dist
ância do
bordo da tira ao bordo do plano de terra é cerca de duas vezes o espaçamento entre os 2
planos de terra, a intensidade do campo no bordo destes é praticamente zero. Logo, uma
stripline
considera-se bem projectada quando os planos de terra são suficientemente
largos para proporcionar esta situação, tornado a stripline praticamente
auto-blindada
; a
figura seguinte mostra o aspecto construtivo de uma
stripline
.
As linhas de transmissão "
microstrip"
são um resultado da evolução das
striplines
tal
como estas são o resultado da evolução das linhas coaxiais.
As linhas de transmissão
strip
e
microstrip
são marcadamente diferentes no tipo de
construção e no material utilizado
.
MATERIAL
DIELÉCTRICO TIRA DE COBRE
("STRIP") PLANO DE TERRA
PLANO DE TERRA