Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 1,p.3009- 3023 jan. 2020. ISSN 2525-8761
Avaliação da gestão da segurança funcional de máquinas na indústria
automotiva sob a ótica da interoperabilidade
Interoperability analysis in the functional machinery safety management
in the automotive industry
DOI:10.34117/bjdv6n1-218
Recebimento dos originais: 30/11/2019 Aceitação para publicação: 21/01/2020
Marcio Lazai Junior
Engenheiro de Controle e Automação
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba
E-mail: [email protected]
Eduardo de Freitas Rocha Loures
Doutor em Sistemas Industriais
Instituição: Laboratoire d'Analyse et d'Architecture des Systèmes (LAAS-CNRS) Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba
E-mail: [email protected]
Eduardo Alves Portela Santos
Doutor em Engenharia Elétrica
Instituição: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba
E-mail: [email protected]
Anderson Luis Szejka
Doutor em Engenharia de Produção e Sistemas
Instituição: Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Endereço: Rua Imaculada Conceição, 1155, Prado Velho, Curitiba
E-mail: [email protected]
RESUMO
Um dos requisitos mais importantes na instalação de equipamentos no contexto industrial é a gestão da segurança funcional de máquinas (GSFM). Falhas nesse processo ou problemas relacionados à interoperabilidade entre tomadores de decisões, operadores de produção e sistemas, podem levar desde gastos adicionais até a acidentes de trabalho. Entende-se a interoperabilidade como função organizacional necessária a adequada comunicação e entendimento da informação entre agentes computacionais e humanos. Através de uma
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revisão de literatura sobre interoperabilidade empresarial e segurança funcional de máquinas, aliada à identificação de critérios técnicos a partir das normas vigentes, permitiu-se identificar elementos e barreiras que impactam na gsfm. A abordagem diagnóstica proposta é suportada pelo método de análise multicritério ahp (Analytic Hierarchy Process), que fornecerá uma base matemática para inferência sobre o nível ou potencial da gsfm sob a ótica da interoperabilidade. Os resultados obtidos mostram que a empresa onde o estudo foi conduzido encontra-se no nível mais alto. Porém, oportunidades de melhoria são identificadas nos critérios que sofrem fragilidade principalmente nas perspectivas de negócios e processos, foco atual da organização.
Palavras-chaves:interoperabilidade; gestão; segurança funcional de máquinas; análise
multicritério; ahp
ABSTRACT
one of the most important requirements in the installation of an equipment in the industrial
context is functional machinery safety management (GSFM). Failures in this process or problems related to interoperability between decision makers, production operators and systems may lead to additional expenses and work-related accidents. Interoperability is defined as an organizational function necessary to the adequate communication and understanding of information between computational and human agents. Through a literature review on enterprise interoperability and functional machinery safety allied to identification of technical criteria from current standards, it was allowed to identify elements and barriers that impact on the gsfm. The proposed diagnostic approach is supported by multicriteria method ahp (Analytic Hierarchy Process), which will provide a mathematical basis for inference on the level or potential of the gsfm under the optics of interoperability. The results obtained show that the company where the study was conducted meets the highest level. But, improvement opportunities are identified on the criteria that have fragility in the business and process concerns, current focus of the organization.
Keywords:interoperability; management; functional machinery safety; multiple-criteria
decision analysis; ahp.
1 INTRODUÇÃO
De acordo com (TUV RHEINLAND, 2012) a segurança funcional de máquinas é definida por elementos que funcionam de forma segura, confiável e produtiva, bem como soluções que são técnica e comercialmente viáveis. A segurança funcional de máquinas é um assunto de extrema importância e pertinente no contexto industrial mundial, e muito em evidência no Brasil atualmente.
A falta de segurança nas máquinas tem sua origem em uma gestão falha e pode acarretar acidentes de trabalho, que são o pior impacto de uma má gestão da segurança. Além disso, pode ainda gerar uso excessivo de recursos técnicos e humanos, o que resulta em custos adicionais diretos e indiretos para a empresa. De uma maneira mais profunda, uma gestão
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deficiente implica numa fraca capacidade de comunicação entre entidades responsáveis. Esta incapacidade de comunicação efetiva pode ser avaliada do ponto de vista da interoperabilidade, que representa a capacidade de dois ou mais sistemas trocarem informação e consumirem esta informação, segundo a definição do IEEE (INSTITUTE OF ELECTRICAL AND ELECTRONICS ENGINEERS, 1990).
Este artigo tem como objetivo avaliar o nível que uma subsidiária brasileira que uma empresa automotiva europeia possui em relação à gestão da segurança funcional de máquinas (GSFM). Desta forma, identificaram-se os atributos qualificadores do domínio representados por critérios relacionados à GSFM e, com a ajuda de especialistas, os mesmos são classificados de acordo com o ponto de vista da interoperabilidade. Através do método multicritério AHP os atributos são organizados e ponderados matematicamente de forma a inferir sobre o nível ou capacidade da empresa na GSFM.
Esse modelo avaliativo permite igualmente uma base diagnóstica sobre os elementos (atributos) que recebem menor atenção, evidenciando barreiras organizacionais sob a ótica da interoperabilidade. Desta forma, ações de melhoria podem ser melhor direcionadas e priorizadas.
2 METODOLOGIA
Este trabalho é desenvolvido em três partes principais – (i) a revisão de literatura, (ii) o desenvolvimento e aplicação do modelo de avaliação e (iii) análise dos resultados. A primeira parte, revisão da literatura, é dedicada a investigar o domínio relativo ao espaço problema caracterizado pela GSFM e ao espaço avaliativo definido pelo domínio da interoperabilidade organizacional, do inglês Enterprise Interoperability.
Tendo como o objetivo classificar a empresa de acordo com seu nível de gestão da segurança funcional de máquinas sob a perspectiva de interoperabilidade, uma atenção focal é dada a base conceitual da interoperabilidade organizacional e aos métodos multicritério de apoio à decisão (MMAD), especificamente o método AHP (Analytic Hierarchy Process).
A segunda parte é voltada à identificação dos critérios técnicos a serem utilizados para a avaliação da empresa com base na norma brasileira de segurança de máquinas, sendo posteriormente avaliados por um grupo de especialistas em segurança de máquinas sob as dimensões da interoperabilidade com base no modelo de (CHEN e DACLIN, 2010). Este modelo denominado FEI preconiza perspectivas de interoperabilidade (negócio, processos,
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serviços e dados) e suas barreiras (organizacional, semântica e tecnológica) caracterizando uma matriz avaliativa dentro da qual os critérios são posicionados.
Para o auxílio no posicionamento dos critérios na matriz avaliativa, uma abordagem relacional inspirada no método QFD (Quality Function Deployment) foi utilizada (KAMVYSI, GOTZAMANI, et al., 2014) de modo a relacionar os critérios com cada perspectiva e barreira atribuindo-se um grau de importância ao posicionamento matricial.
Esta organização e categorização é fundamentada pelo FEI, definindo-se doze quadrantes (perspectivas x barreiras) que orienta a modelagem estrutural do método AHP. Em seus níveis superiores, o AHP caracteriza as dimensões da interoperabilidade (critérios) que são ligadas ao nível intermediário composto pelos atributos relativos à GSFM (subcritérios), que por sua vez são ligados aos níveis qualificadores (alternativas da estrutura AHP). Nesta estrutura hierárquica o AHP relaciona, portanto, cada elemento de camada superior (visão avaliativa) aos elementos de camada inferior que os compõem (domínio GSFM). Na sequência é feita uma ponderação pareada (pairwise) entre os elementos utilizando-se uma escala de 9 pontos conhecida por escala Saaty (SAATY, 1980). As diferentes ponderações são agregadas pelo método, resultando em vetores de priorização nas diferentes camadas e clusters (diagnósticos parciais) e na inferência global sobre o nível da entidade organizacional na GSFM. A abordagem metodológica proposta pode ser visualizada na Figura 1.
FIGURA 1 - Abordagem metodológica para a obtenção do nível de gestão da segurança funcional de máquinas sob a ótica da interoperabilidade.
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3 BASE CONCEITUAL E REVISÃO DE LITERATURA
3.1 INTEROPERABILIDADE
A definição mais reconhecida e utilizada é a do IEEE, que define a interoperabilidade como "a capacidade de dois ou mais sistemas ou componentes trocarem informações e usarem as informações que foram trocadas" (INSTITUTE OF ELECTRICAL AND ELECTRONICS ENGINEERS, 1990). A interoperabilidade pode ter quatro perspectivas em um sistema corporativo, como a de negócios, de processos, de serviços e interoperabilidade de dados (CHEN e DACLIN, 2010). Segundo os autores, essas dimensões da interoperabilidade são apresentadas de acordo com as definições a seguir.
Interoperabilidade de negócios refere-se a trabalhar de maneira harmonizada com os diferentes níveis da organização e da empresa, mesmo tendo diferentes modos de tomada de decisão, métodos de trabalho, legislação, cultura empresarial e abordagens de negócios para que possa ser compartilhado entre outras empresas. A interoperabilidade de processos visa fazer com que vários processos trabalhem em coordenação adequada. Sob uma visão intra e inter organizacional o objetivo é a conexão de processos - internos entre setores de uma empresa, assim como processos de sua cadeia de colaboração.
A interoperabilidade de serviços diz respeito à identificação, composição e funcionalidade conjunta de vários serviços e aplicações (independentemente modelados e desenvolvidos), resolvendo as diferenças sintáticas e semânticas, bem como as conexões para as diversas bases de dados heterogêneas. A interoperabilidade de dados se refere ao conjunto de diferentes modelos de dados e diferentes linguagens de consulta visando compartilhar informações de bases heterogêneas, que podem residir em diferentes máquinas com diferentes sistemas operacionais e sistemas de gerenciamento de bancos de dados.
Além dessas definições, o framework FEI proposto por (CHEN e DACLIN, 2010) define essas perspectivas, bem como as barreiras de interoperabilidade. O estabelecimento da interoperabilidade consiste em remover todas as barreiras identificadas. Três tipos de barreiras podem ser identificadas: barreira conceitual relacionada às diferenças sintáticas e semânticas das informações a serem trocadas durante a interoperação, barreiras tecnológicas relacionadas à incompatibilidade de tecnologias de informação (arquitetura e plataformas, infraestrutura) e barreiras organizacionais reportadas à definição de responsabilidades e autoridades.
O framework em questão (FEI) já serviu como método de apoio na avaliação de interoperabilidade em casos com diferentes abordagens como método de diagnóstico em
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admistração pública (CESTARI, LOURES e SANTOS, 2017) e em gestão de crises (AVANZI, FOGGIATTO, et al., 2017).
3.2 MÉTODOS MULTICRITÉRIO DE APOIO À DECISÃO
Os métodos multicritério de apoio à decisão (MMAD) representam um amplo campo de pesquisa dedicado à avaliar e classificar uma ou mais soluções personalizadas a partir de um conjunto de opções considerando múltiplos indicadores geralmente conflitantes (GAO, NAM, et al., 2018). Técnicas MMAD são também aplicadas para problemas com objetivos incompatíveis (POHEKAR e RAMACHANDRAN, 2019). Basicamente, a Análise de Decisão Multicritério é um conjunto de técnicas matemáticas que se apoiam em critérios e no conhecimento tácito de recursos humanos para auxiliar o decisor no processo de tomada de decisão.
Um dos métodos mais comuns e o adotado no presente trabalho é o AHP (Analytic
Hierarchy Process). O AHP é uma técnica construída sobre a capacidade intrínseca do ser
humano de estruturar suas percepções ou idéias hierarquicamente. Através de comparações entre pares (pairwise), os tomadores de decisão podem fornecer julgamentos para representar a intensidade da importância de um critério sobre o outro (ZHU e XU, 2014).
Para avaliar problemas de acordo com a metodologia AHP são propostas quatro etapas sequenciais básicas: modelagem, avaliação, priorização e síntese. Elas representam respectivamente a construção hierárquica dos critérios, a definição de escalabilidade dos critérios pelos tomadores de decisão, a priorização dos critérios em relação aos demais e a síntese das prioridades locais nas prioridades globais. Ao final, o AHP fornecerá porcentagens para cada alternativa para auxiliar no processo de tomada de decisão (SAATY, 1980).
3.3 AVALIAÇÃO DE INTEROPERABILIDADE ATRAVÉS DE MÉTODOS MULTICRITÉRIO
Na literatura existem diferentes métodos e frameworks dedicados à avaliação interoperabilidade, associados em geral ao termo em inglês EIA (Enterprise Interoperability Assessment). Neste contexto (LEAL, GUÉDRIA e PANETTO, 2019) apresentam uma revisão da literatura contemplando os principais modelos e frameworks de avaliação como o framework de interoperabilidade ATHENA (AIF) (ATHENA CONSORTIUM, 2007), o
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framework europeu de interoperabilidade (EIF) (EIF, 2004) e a rede de excelência INTEROP (INTEROP NoE) (TECHNICAL COMMITTEE : ISO/TC 184/SC 5, 2011).
As formas de avaliação da interoperabilidade na literatura se manifestam de forma qualitativa e quantitativa e nos métodos de avaliação associados a tais abordagens, não há uma visão multicritério que suporte uma melhor organização do conhecimento com subsídio matemático que considere as incertezas inerentes. Neste sentido, há uma lacuna no uso dos MMAD e uma grande oportunidade na abordagem proposta.
A proposta de (CESTARI, LOURES e SANTOS, 2017) ilustra esta abordagem, consisitindo em um framework de avaliação onde se utiliza o método AHP como suporte ao método diagnóstico de avaliação da Interoperabilidade na Administração Pública, entitulado PAIDM (Public Administration Interoperability Diagnosis Method), para calcular os níveis de capabilidade e maturidade de uma entidade pública.
Outro caso que ilustra a abordagem em diferente domínio de aplicação é proposta em (AVANZI, FOGGIATTO, et al., 2017) que utilizou igualmente o modelo AHP para reunir dimensões da interoperabilidade e atributos de gestão de crise identificados na literatura, considerando iniciativas mundiais relacionadas com base na perspectiva de interoperabilidade. A base diagnóstica resultante permitiu a revisão de arquitetura e sistema de informação mais voltados ao desempenho das ações a serem tomadas em casos de desastres naturais.
4 DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS NORMATIVOS NAS PERSPECTIVAS DE INTEROPERABILIDADE
Para poder classificar uma empresa de acordo com o seu nível de gestão de segurança de máquinas (GSFM) do ponto de vista da interoperabilidade, é necessário definir alguns critérios qualifcadores. Como este estudo de caso é realizado no Brasil, é utilizada a norma definida pelo Ministério do Trabalho específica para trabalhar com a segurança de máquinas e equipamentos - a norma regulamentadora número 12, ou somente, NR12. Esta norma teve suas mais recentes atualizações a luz da norma internacional ISO 12100.
4.1 DEFINIÇÃO E AVALIAÇÃO DE CRITÉRIOS
A NR12 se refere à segurança do trabalho em máquinas e equipamentos definindo referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção para garantir a saúde e
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integridade física dos trabalhadores como, por exemplo, a provisão obrigatória de um dispositivo de parada de emergência do equipamento (JÚNIOR, 2015).
Esta norma é utilizada como referência para a Lei 5.452 de 1º de maio de 1943, que consolida as leis trabalhistas e por isso é de caráter obrigatório e indispensável desde 24 de dezembro de 2010 quando a norma atualizada foi publicada no Diário Oficial da União, a partir de então quem vende ou aluga máquinas, sejam novas ou usadas, importadas ou nacionais, em território brasileiro, passou a ser obrigado a se adaptar às regras (SILVEIRA, 2015).
A avaliação da norma NR12 permite a identificaçao e extração de critérios de qualificação do domínio, por esta ser uma norma de grande expectro de abrangência. Afim de evitar uma alta dimensionalidade resultante de critérios em demasía, que poderiam gerar caracterizações do espaço avaliativo esparsas e divergentes, exigindo altos custos computacionais e humanos, o conjunto de critérios foi repassado para especialistas em segurança de máquinas do grupo empresarial onde o estudo foi realizado. O intuito foi de filtrá-los de acordo com os requisitos avaliativos propostos por (KEENEY, 1992) na esfera conceitual dos métodos MMAD, sendo estes essenciais, controláveis, completos, mensuráveis, operacionais, isoláveis, não redundantes, conscisos e compreensíveis.
Após os critérios terem sido filtrados pelos especialistas, nomes de identificação (ID) foram dados para cada critério com o intuito de facilitar a visualiação. Os critérios estão presentes na tabela 1, indicados por [Ai], caracterizando ao total 14 critérios.
TABELA 1 - Tabela de critérios obtidos da NR12 e filtrado por especialistas. Atributos resultantes a pós o filtro dos especialistas
Segurança no uso de máquinas [A1]; Utilização de padrões internacionais na ausência ou omissão de NR 12 [A2]; Aplicação das normas em equipamentos adquiridos entes da obrigatoriedade da NR12 [A3]; Medidas de proteção coletiva [A4]; Vias limpas, niveladas, desobstruídas, sinalizadas e que permitam trafego seguro de colaboradores [A5]; Espaço mínimo entre maquinas e barreiras de proteção [A6]; Locais adequados para ferramentas [A7]; Aterramento de acordo com as normas vigentes [A8]; Botoeiras de acionamento e parada, bi manuais e paradas de emergência devem estar em quantidade suficiente e de acordo com as normas vigentes [A9]; Proteção móvel quando acesso frequente [A10]; Documentação técnica desenvolvida pelo proprietário quando não vem do fabricante [A11]; Componentes pressurizados de acordo com normas vigentes [A12]; Máquinas que respeitam a ergonomia (NR 17) [A13]; Superfícies sem cantos agudos [A14];
Após a identificação e seleção dos critérios é possível avançar e classificá-los de acordo com as definições previstas de interoperabilidade do modelo FEI e, em seguida, avaliá-los usando o MMAD AHP.
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4.2 DISTRIBUIÇÃO DE CRITÉRIOS SOB AS DIMENSÕES DA INTEROPERABILIDADE
Usando o modelo FEI para caracterização das dimensões (perspectivas e barreiras), a matriz avaliativa de interoperabilidade é obtida. Nesta matriz é possível alocar cada atributo de acordo com a dimensão (quadrante) de interoperabilidade que melhor o define, sob a visão relacional entre as perspectivas e suas respectivas barreiras.
Uma abordagem relacional inspirada no método QFD é proposta de forma a organizar os critérios e seus respectivos pesos de pertinência às dimensões de interoperabilidade. Ao convergir o modelo adaptado do QFD com a matriz relacional do FEI caracterizam-se o componente ‘perpectivas e barreiras de interoperabilidade’ e o componente ‘critérios’ como os atributos obtidos da NR12 . A abordagem relacional resultante pode ser vista na Figura 2.
A relação entre os critérios, as perspectivas e as barreiras foram poderadas de acordo com a escala Saaty (de 1 à 9) por ser uma escala já considerada pelo método AHP (que consome esta abordagem relacional) e por sua amplitude apresentar-se adequada e mais granular para avaliação. Sendo assim, relações indiretas ou fracas de enquadramento dos atributos GSFM aos quadrantes da interoperabilidade recebiam notas mais baixas e relações diretas ou fortes notas mais altas.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 1,p.3009- 3023 jan. 2020. ISSN 2525-8761 FIGURA 2 - Matriz relacional de interoperabilidade aplicada ao modelo QFD.
Na Figura 2 pode-se ver que em todos os casos foi atribuido um nível de correlação, mesmo que fraco. Isso se deve ao entendimento que todo atributo de maneira direta (forte) ou indireta (fraca) impacta em todas as perspectivas e barreiras da interoperabilidade. Requisitos relacionados ao método AHP em sua usabilidade sugerem a definição, com base nestes pesos, dos quadrantes aos quais um critério estará associado. Desta forma, apenas as relações diretas (fortes – valor 7 ou superior) foram selecionadas para compor as relações hierárquicas do AHP.
4.3 APLICANDO O MÉTODO AHP
O AHP apresenta uma estrutura muito adequada para a modelagem das dimensões de interoperabilidade propostas pela estrutura FEI por conseguir organizar hierarquicamente as perspectivas e as barreiras para a ponderação matemática. O modelo AHP que representa a matriz de interoperabilidade tem sua estrutura apresentada na Figura 3.
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No modelo é possível identificar cinco camadas, sendo cada uma um nível da hierarquia. A primeira representa o objetivo do modelo – avaliação no nível de GSFM sob a ótica da interoperabilidade. A segunda camada caracteriza as perspectivas de interoperabilidade, abrigando os quatro tipos de interoperabilidade - negócios, processos, serviços e dados.
A terceira camada abaixo representa as barreiras de interoperabilidade associada a cada perspectiva, como exemplo temos o critério “NT” que representa a perspectiva de negócios associada a barreita tecnológica. A quarta camada é a camada dos atributos NR 12 colocados sob consenso dos especialistas na abordagem relacional apresentada anteriormente. E a última camada modela as alternativas, caracterizando três níveis de posicionamento para cada atributo.
A aplicação do modelo considera a inserção dos valores da importância de cada atributo para cada camada através de comparação par a par (pairwise). A comparação pareada permite classificar quanto um atributo é mais importante em uma relação ao outro sob uma perspectiva diagnóstica, revelando o estado atual da organização (As Is).
Na camada "Perspectivas" os pesos foram definidos através de uma avaliação com especialistas, sendo estes diferentes dos demais consultados na camada de critérios NR12; eles estão no nível gerencial da empresa, tendo um melhor entendimento dos objetivos e foco estratégico de trabalho da organização.
Essa comparação pareada do AHP é feita por uma escala desenvolvida pelo próprio criador do método Saaty, variando de 1 à 9 em importância para cada para cada critério, sendo
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1 a mesma importância para os dois critérios e 9 a importância maior de um critério perante o outro.
Como resultado, a camada “perspectivas” teve uma avaliação diagnóstica direcionada pela interoperabilidade de negócios, seguida por processos, serviços e por fim dados, sendo essa a ordem de importância no AHP. Já na camada de “barreiras” a organizacional foi definida como a mais importante, seguida pela conceitual e por fim a tecnológica. A importância dada aos atributos da NR12 em relação uns aos outros, e os respectivos níveis em que se encontram na organização onde o estudo foi conduzido, são oriundos de uma pesquisa com os especialistas técnicos, que avaliaram cada atributo no posicionamento ao nível segundo a seguinte caracterização:
• Nível 1 é o mesmo que “Não é preconizado ou definido nas normas internas e só é aplicado após remarcas ou problemas”.
• Nível 2 é o mesmo que “É preconizado e definido nas normas internas, mas aplicado de maneira frágil de modo a tornar-se passivo de interpretações”.
• Nível 3 é o mesmo que “É preconizado e definido nas normas internas e aplicado de maneira sistemática e robusta”.
5 RESULTADO GERAL
Ao final, com todos os dados incluídos no modelo AHP é possível sintetizar e inferir sobre o potencial de gestão da empresa na segurança de máquinas sob a ótica da interoperabilidade. A estratificação dos pesos ao longo da estrutura hierárquica conduz a um posicionamento preponderante no nível 3 conforme ilustra a Figura 4.
FIGURA 4 - Resultado do método AHP após a sitetização do modelo.
Mas essa conclusão não é absoluta, o resultado coloca a empresa em 53%, no nível 3, 39% no nível 2 e 8% no nível 1. Isso significa que há um grande potencial de evolução. A análise de sensibilidade propiciada pelo método AHP sugere uma atuação sobre os critérios A3, A5, A6, A7, A13, A14 e principalmente sobre o critério A11 (Documentação técnica
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desenvolvida pelo proprietário quando não vem do fabricante) que foi o de menor nota na avaliação dos especialistas de forma a orientar esforços de melhoria nos mesmos.
O cenário ideal será atingido quando houver atendimento igualitário dos atributos os conduzindo ao nível 3. Neste cenário eles são preconizados e definidos a luz das normas internas do grupo e são aplicados de maneira sistemática e compartilhada de modo a não se tornarem passíveis de interpretação.
6 CONCLUSÃO
Este artigo apresenta o primeiro passo na consolidação de uma abordagem e modelo de avaliação sobre a gestão da segurança funcional de máquinas (GSFM) usando a interoperabilidade como suporte. O resultado obtido foi esperado e condizente com a realidade percebida atual, mas apresentando lacunas no atendimento aos requisitos da Indústria 4.0, fortemente em evidência na organização através da recorrente incidência de projetos de transformação digital e POCs (Proofs of Concept), muito dependentes dos aspectos de segurança e sua gestão.
Mostra-se que a empresa está adequada ao nível de atingimento da gestão da NR 12, mas ainda existem diferentes oportunidades de melhoria sob cenário 4.0. Pretende-se dar evolução ao presente estudo através do aprofundamento dos aspectos decisionais que consomem a base diagnóstica usando outros métodos MMAD como o Promethee (Preference
ranking organization method for enrichment of evaluations). Tal direcionamento é
estabelecido à luz de referenciais como o RAMI 4.0 (Reference Architectural Model for
Industrie 4.0) que orienta uma lista de prioridades a serem atacadas (por exemplo,
habilitadores tecnológicos) para que a empresa possa evoluir para o próximo nível na sua GSFM sob a ótica da interoperabilidade e requisitos da indústria 4.0.
REFERÊNCIAS
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