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CAPITULO 1: Teste de Hipóteses

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Academic year: 2022

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Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca – CEFET/RJ Engenharia de Produção

Disciplina: Métodos Estatísticos Prof. Anna Regina Corbo

CAPITULO 1: Teste de Hipóteses

1) INTRODUÇÃO

O objetivo da Teoria da Estimação é induzir valores de parâmetros populacionais.

Considerando uma estatística qualquer (média, variância, proporção etc.), temos duas abordagens distintas dentro deste contexto:

1. Dados valores amostrais, estimar o valor do parâmetro: Intervalo de Confiança;

2. Dada uma hipótese acerca de um parâmetro, utilizar os valores amostrais para aceitar ou não esta hipótese: Teste de Hipóteses.

Uma hipótese estatística é uma afirmativa a respeito de um parâmetro de uma distribuição de probabilidade.

Exemplo 1: Podemos formular a hipótese que a produtividade de uma industria é diferente de 25 peças por hora.

H0: µ = 25 peças/hora H1: µ ≠ 25 peças/hora H0 é chamada de hipótese nula e H1 de hipótese alternativa.

Nesse caso, a alternativa formulada é bilateral, mas também podem ser estabelecidas alternativas unilaterais, tai como:

H0: µ >= 25 peças/hora H1: µ < 25 peças/hora

Exemplo 2: Suponha que dois grupos específicos de pessoas (Engenheiros e Advogados) variam no tempo que dispensam à leitura, onde:

µ1 = tempo médio de leitura de engenheiros µ2 = tempo médio de leitura de advogados

Queremos testar a hipótese dada pela suposição acima, logo usaremos esta afirmação como nossa hipótese alternativa H1, ou seja:

H0: µ1 = µ2 (Não há diferença no tempo de leitura entre os dois grupos) H1: µ1 ≠ µ2 (Há diferença no tempo de leitura)

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Se preferirmos estabelecer alternativas unilaterais, poderíamos ter:

H0: µ1 = µ2

H1: µ1 > µ2 (Engenheiros com maior tempo de leitura)

2) PASSOS PARA REALIZAR UM TESTE DE HIPÓTESES

Passo 1 : Definição da Hipótese

O primeiro passo é o estabelecimento das hipóteses: hipótese nula e hipótese alternativa.

Hipótese Nula (Ho): É um valor suposto para um parâmetro. Se os resultados da amostra não forem muito diferentes de Ho, ela não poderá ser rejeitada.

Hipótese Alternativa (H1 ou HA) : É uma hipótese que contraria a hipótese nula, complementar de Ho. Essa hipótese somente será aceita se os resultados forem muito diferentes de Ho.

Passo 2: Calcular a estatística do Teste

É o valor calculado a partir da amostra, que será usado na tomada de decisão. Uma maneira de tomar-se uma decisão é comparar o valor tabelado com a estatística do teste.

Para o caso de testes de médias, a estatística do teste é a variável padronizada Z:

Passo 3: Região Crítica ou Região de Rejeição

O valor da estatística do teste, no caso, o valor Z, é calculado supondo que a hipótese nula (Ho) é verdadeira. No entanto, o valor calculado pode estar associado a uma probabilidade de ocorrência muito baixa. Nesse caso, a hipótese nula deve ser rejeitada e aceitamos a hipótese alternativa.

Zcalc= X−μ

σ /n

Variabilidade das médias Estatística

do teste

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A região crítica é a região onde Ho é rejeitada. A área da região crítica é igual ao nível de significância (α), que estabelece a probabilidade de rejeitar Ho quando ela é verdadeira.

Por exemplo, se utilizarmos o nível de significância de 5%, a probabilidade de rejeitar Ho quando ela é verdadeira é igual a 5%. Na prática, os valores usuais de alfa são α = 0,01 ou 0,05 ou 0,10.

Unilateral à esquerda (ou superior):

Ho: µ = 50 H1:: µ > 50

Unilateral à direita (inferior):

Ho: : µ = 50 H1: : µ <50

Bilateral:

Ho: µ = 50 H1: µ ≠ 50

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Passo 4. Regra de Decisão

Se o valor da estatística do teste cair na região crítica, rejeita-se Ho. Ao rejeitar a hipótese nula (Ho) existe uma forte evidência de sua falsidade.

Ao contrário, quando aceitamos, dizemos que não houve evidência amostral significativa no sentido de permitir a rejeição de Ho.

Com valores obtidos na amostra calcula-se o valor do teste (tcalc). Se o teste apresenta resultado na região pré-determinada pelo valor tabelado t*, rejeita-se H0.

a) Se o teste é unilateral superior → Se t calc > t*, rejeita-se H0.

b) Se o teste é unilateral inferior → Se t calc < t*, rejeita-se H0.

c) Se o teste é bilateral → Se t calc < t1* ou t calc > t2*, rejeita-se H0.

Resultando desta decisão que a probabilidade de ocorrência de H0 é muito pequena e H0 só pode ocorrer em duas opções:

1o) Se estiver dentro do erro permitido a;

2o) Se é rara ou improvável.

Passo 5: Conclusão

Se não é possível rejeitar H0, o teste é dito inconclusivo e deverá ser reformulado em parte ou em sua totalidade.

Ou seja: aceitar Ho, implica que a hipótese nula não pode ser rejeitada!

Não aceitar Ho implica que temos evidências estatísticas para rejeitá-la com um risco conhecido : α.

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3) TESTE DE HIPÓTESES PARA A MÉDIA POPULACIONAL

O objetivo é testar se a média µ é diferente de um dado valor µ0. Devemos, então, seguir o seguinte procedimento:

(1) Defina as hipóteses e o tipo de teste (unilateral ou bilateral):

H0: µ = µ0 H1: µ ≠ µ0 (a) µ > µ0 (b) µ < µ0 (c)

(2) Fixar o nível de significância α .

(3) Encontrar a região de rejeição e de aceitação através dos valores críticos t*

(tabelados):

3.a) Se a variância σ2 populacional é conhecida, utilizamos a variável padronizada Z na tabela Normal Padrão.

Se teste bilateral , os valores críticos serão t1* = -Zα/2 e t2* = Zα/2.

Se teste unilateral superior, o valor crítico será t* = Zα

Se teste unilateral inferior, o valor crítico será t* = - Zα

3.b) Se a variância σ2 populacional é desconhecida, utilizamos a variável T na tabela de distribuição t-Student.

Se teste bilateral , os valores críticos serão - t* = -Tα/2 e t* = Tα/2.

Se teste unilateral superior, o valor crítico será t* = Tα

Se teste unilateral inferior, o valor crítico será t* = - Tα (4) Calcular o valor da estatística do teste tcalc:

4.a) Se a variância σ2 populacional é conhecida:

4.b) Se a variância σ2 populacional é desconhecida:

tcalc= X−μ

σ /n

tcalc= Xμ

s/n

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(5) Conclusão:

(a) Se -t* <= tcalc <= t*, aceito H0.

(b) Se tcalc > t*, rejeito H0.

(c) Se tcalc < t*, rejeito H0.

Exemplo 1: Uma empresa de vidros possui um contrato de fornecimento de vidros para janelas residenciais e comerciais. O contrato especifica que a espessura média do vidro deve ser de 0,375cm. O desvio-padrão σ = 0,05cm é conhecido. Antes de enviar o primeiro carregamento, os gerentes decidiram testar, com nível de significância de 5%, se eles estão satisfazendo a condição do contrato selecionando uma amostra aleatória de 100 vidros, cuja média é 0,378 cm.

Hipóteses e nível de significância:

H0: µ = 0,375 cm onde α = 0,05 H1: µ ≠ 0,375 cm

Valores críticos t*:

O teste é bilateral e com variância populacional conhecida, logo os valores críticos serão:

- t* = - Z0,05/2 = - Z0,025 = -1,96 t* = Z0,05/2 = Z0,025 = 1,96

Ou seja a região de rejeição será: t calc < -1,96 e t calc > 1,96.

Valor da estatística do teste:

Conclusão:

Como -1,96 < t calc = 0,60 < 1,96 → Não rejeite H0.

Logo, a empresa de vidros não possui evidências suficientes para concluir que não satisfaz o contrato.

Exemplo 2: Uma empresa de callcenter funciona em várias cidades onde os usuários podem ligar para este serviço e obter esclarecimentos sobre a sua conta de luz. Estudos anteriores indicaram que o tempo de atendimento de cada ligação é normalmente distribuído, com média de 540 segundos. Gerentes da empresa selecionaram uma amostra aleatória de 16 ligações e desejam determinar, com nível de significância de 1%, se o tempo de ligação agora é menor, uma vez que foi oferecido um programa de treinamento

tcalc= Xμ

σ /n=

0,378−0,375

0,05/100 =0,60

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aos funcionários. Sabe-se que desta amostra aleatória, obtemos média igual a 510 seg e desvio-padrão igual a 45 seg.

Hipóteses e nível de significância:

H0: µ >=540 s onde α = 0,01 H1: µ < 540 s

Valores críticos t*:

O teste é unilateral inferior, com variância populacional desconhecida e n=16, logo os valores críticos serão:

t* = - T0,01; 15 = -2,6025

Ou seja, a região de rejeição será: t calc < -2,6025.

Valor da estatística do teste:

Conclusão:

Como t calc =-2,67 < -2,6025 → Rejeite H0.

Logo, existem fortes evidências para concluir que o tempo médio de ligação foi reduzido.

4) TESTE DE HIPÓTESES PARA A PROPORÇÃO POPULACIONAL

O objetivo é testar se a proporção p(ou π, em alguns livros), é diferente de um dado valor p0 (ou π0). Devemos, então, seguir o seguinte procedimento:

(1) Defina as hipóteses e o tipo de teste (unilateral ou bilateral):

H0: p = p0 H1: p ≠ p0 (a) p > p0 (b) p < p0 (c)

(2) Fixar o nível de significância α .

(3) Encontrar a região de rejeição e de aceitação através dos valores críticos t*

(tabelados):

Neste tipo de teste sempre utilizamos a variável padronizada Z na tabela Normal Padrão.

tcalc= X−μ

s/n=

510−540

45/16 =−2,67

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Se teste bilateral , os valores críticos serão - t* = -Zα/2 e t* = Zα/2.

Se teste unilateral superior, o valor crítico será t* = Zα

Se teste unilateral inferior, o valor crítico será t* = - Zα

(4) Calcular o valor da estatística do teste tcalc:

Considerando a freqüência f como estimador da proporção p, temos:

onde x é o número de casos favoráveis na amostra.

Com isto, a estatística do teste será dada por:

(5) Conclusão:

(a) Se -t* <= tcalc <= t*, aceito H0.

(b) Se tcalc > t*, rejeito H0.

(c) Se tcalc < t*, rejeito H0.

Exemplo: As condições de mortalidade de uma região são tais que a proporção de nascidos que sobreviveram até 60 anos é de 0,6. Testar essa hipótese, ao nível de 5% de significância, se em 1000 nascimentos amostrados aleatoriamente, verificou-se 530 sobreviventes até 60 anos.

Hipóteses e nível de significância:

H0: p = 0,6 onde α = 0,05 H1: p ≠ 0,6

Valores críticos t*:

O teste é bilateral, com n = 1000, logo os valores críticos serão:

- t* = - Z0,05/2 = - Z0,025 =-1,96 t* = Z0,05/2 = Z0,025 =1,96

f=x n

tcalc=pcalc= fp0

p01−n p0

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Valor da estatística do teste:

Conclusão:

Como t calc =-4,52 <-1,96 → Rejeite H0.

Logo, existem fortes evidências para concluir que a proporção de nascidos que sobrevivem até 60 anos é diferente de 0,6 ou 60%.

Exemplo: Um fabricante de semicondutores produz controladores usados em aplicações no motor de automóveis. O consumidor requer que a fração defeituosa em uma etapa critica de fabricação não exceda 0,05 e que o fabricante demonstre uma capacidade de processo nesse nível de qualidade, usando α = 0,05. O fabricante de semicondutores retira uma amostra aleatória de 200 aparelhos e encontra que quatro deles são defeituosos. O fabricante pode demonstrar uma capacidade de processo para o consumidor?

Hipóteses e nível de significância:

H0: p >= 0,05 onde α = 0,05 H1: p < 0,05

Valores críticos t*:

O teste é unilateral inferior, com n = 200, logo o valor crítico será:

t* = - Z0,05 = - 1,645

Ou seja, a região de rejeição será: t calc < -1,645.

Valor da estatística do teste:

f=x n=530

1000=0,53

tcalc=pca lc= fp0

p01−n p0=

0,53−0,6

0,61−0,61000 =−4,52

f=x n= 4

200=0,02

tcalc=pcalc= f−p0

p01−n p0=

0,02−0,05

0,051−0,05 200

=−1,95

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Conclusão:

Como t calc =-1,95 < -1,645 → Rejeite H0.

Logo, existem evidências para concluir que a fração defeituosa do processo é menor que 0,05.

5) TESTE DE HIPÓTESES PARA A VARIÂNCIA POPULACIONAL

O objetivo é testar se a variância populacional σ2 é diferente de um dado valor σ20. Devemos, então, seguir o seguinte procedimento:

(1) Defina as hipóteses e o tipo de teste (unilateral ou bilateral):

H0: σ2 = σ20

H1: σ2 ≠ σ20 (a) σ2 > σ20 (b) σ2 < σ20 (c)

(2) Fixar o nível de significância α .

(3) Encontrar a região de rejeição e de aceitação através dos valores críticos t*

(tabelados):

Neste tipo de teste, admitimos que a população possui distribuição normal e utilizamos a variável χ2n-1 apresentada na tabela Qui-Quadrado.

Se teste bilateral , os valores críticos serão - t* = χ2n-1; 1-α/2 e t* = χ2n-1; α/2.

Se teste unilateral superior, o valor crítico será t* = χ2n-1; α

Se teste unilateral inferior, o valor crítico será t* = χ2n-1; 1 - α

(4) Calcular o valor da estatística do teste tcalc:

Tomando a variância amostral s2, a estatística do teste é dada por:

(5) Conclusão:

(a) Se -t* <= tcalc <= t*, aceito H0, caso contrário H0 é rejeitada.

(b) Se tcalc > t*, rejeito H0.

tcalc=2calc=n−1s2 σ02

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Exemplo: Uma máquina automática de enchimento é usada para encher garrafas com detergente líquido. Uma amostra aleatória de 20 garrafas resulta em uma variância amostral de s2 = 0,0153 litros2. Se a variância do volume de enchimento exceder 0,01 litros2, existirá uma proporção inaceitável de garrafas cujo enchimento não foi completo ou cujo enchimento foi em demasia. Há evidencia nos dados da amostra sugerindo que o fabricante tenha problema com garrafas cheias com falta ou excesso de detergente? Use α = 0,05 e considere que o volume do enchimento tenha uma distribuição normal.

Hipóteses e nível de significância:

H0: σ2 <= 0,01 onde α = 0,05 H1: σ2 > 0,01

Valores críticos t*:

O teste é unilateral superior, com n = 20, logo o valor crítico será:

t* = χ2n-1; α = χ2 19; 0,05 = 30,04

Ou seja, a região de rejeição será: t calc > 30,04.

Valor da estatística do teste:

Conclusão:

Como t calc =29,07 < 30,04 → Não rejeite H0.

Logo, não existe evidência forte para concluir que a variância do volume do enchimento exceda 0,01 litros2.

tcalc=2calc=n−1s2

σ 02 =190,0153

0,01 =29,07

Referências

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