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Interface (Botucatu) vol.11 número21

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Academic year: 2018

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APRESENTAÇÃO

7 Interface - Comunic, Saúde, Educ, v.11, n.21, p.7, jan/abr 2007

Notas sobre a produção do conhecimento científico em saúde [bucal] coletiva. Tendências contemporâneas.

A oportunidade de apresentar este número temático da Interface é ocasião propícia para breves comentários sobre a produção científica em saúde bucal na atualidade, da qual o presente Dossiê pode ser tomado como exemplo. Sua publicação num periódico definido pela Saúde Coletiva, como este, com foco nas Ciências Humanas, apenas indica o vigor intelectual de uma área que, a cada vez, consegue se expressar com mais evidência.

A primeira observação toma o artigo de Amorim, Alves, Germano e Costacomo referência, no qual os autores problematizam a produção científica da Odontologia com base em três periódicos de grande circulação nacional. O referido artigo nos ajuda a compreender o modo como são escolhidos temas e objetos de interesse para a prática clínica, não obrigatoriamente os de interesse para o praticante, mas, antes, os que interessam aos pesquisadores. A tentativa de organizar e classificar a produção por assuntos é meritória, em si mesma, dado o fato de serem escassos, entre nós, estudos que apontem a direção que está sendo seguida pela área. Não por acaso Narvai (1997), também citado no artigo, é praticamente a única referência em estudos deste tipo. Os autores finalizam com a constatação de que predominam temas clínicos e laboratoriais. Mas, devemos aduzir, os periódicos analisados são da área clínica e, portanto, o admirável é que, mesmo assim, neles apareçam contribuições oriundas da “odontologia social”. E como apareceria essa produção, se o foco fosse dirigido para publicações em Saúde Coletiva? Como dizem os próprios autores: “esta pesquisa procurou contribuir para a compreensão das características do processo da produção do conhecimento odontológico; no entanto, vemos que se faz necessário um aprofundamento qualitativo do estudo, com o intuito de ampliar a

viabilidade das análises”.

No segundo artigo, Cláudia Freitas foca os dilemas na prática dos dentistas, assalariados ou em convênio,

vis-à-vis a autonomia profissional. Ela aborda a lenta, porém incoercível mudança que vem se processando na

odontologia nos últimos vinte anos. Ainda que mantida na condição de “profissão liberal” – o grande mote ideológico, exaustivamente repetido como um mantra durante a graduação (“Na época em que eu me formei ... ainda se tinha a idéia de profissional liberal. Isto era a filosofia dos professores da Universidade, de formar e de

trabalhar em consultório particular”) –, o fato é que mudanças se tornam notáveis, e este é o caso em tela, sem

que se ofereçam condições adequadas de trabalho ou, mesmo, de cerceamento do profissional em nome da lucratividade das empresas. Como diz a autora em sua conclusão: “os profissionais inseridos na prática cotidiana enfrentam várias restrições, até então não vivenciadas na tradicional prática... há um excesso de

trabalho com má remuneração e falta de condições de trabalho para atender os ideais da boa prática”.

Finalmente, Saliba, Moimaz, Marques e Prado analisam o cuidado em saúde bucal em idosos, tomando como referência conhecimentos práticos dos sujeitos, tanto os dos idosos propriamente quanto os dos seus cuidadores. Se é verdadeira a máxima que diz que, para cuidar é preciso saber cuidar(-se), os resultados apresentados demonstram fartamente que ambos têm informações suficientes para o cuidado básico cotidiano. Nisto coincidem com outros estudos que evidenciam que, no Brasil, o nível de informação das pessoas, sobretudo para doenças transmissíveis, é elevado. Uma questão seria a de saber ou estar informado sobre algo, e outra, distinta, é se os meios de evitação são exercitados. Tal é o caso do HIV/aids, onde pesquisas demonstram que a informação é presente e correta, em percentuais expressivos, o que não significa que os sujeitos consigam praticar sexo seguro com regularidade. Dá no mesmo quando se trata do autocuidado bucal, mas o caso é que a população idosa e dependente de cuidados, referida no estudo, pode ter sua qualidade de vida melhorada, pois “convém assinalar que, cuidadores, quando bem treinados, podem reduzir o desconforto sentido pelo indivíduo da terceira idade nos diversos casos citados e até mesmo evitar que processos graves de

doenças se instalem, proporcionando melhor qualidade de vida.

Finalizando, afirmo ter sido muito prazerosa a tarefa solicitada pelos editores e enfatizo a importância da aproximação com o método das Ciências Sociais, caminho que indica o futuro para a pesquisa em saúde bucal coletiva.

Referências

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