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MULHER, UMA PROFISSÃO SECUNDÁRIA

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Academic year: 2021

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MULHER, UMA PROFISSÃO SECUNDÁRIA

Carla Andresa Ferreira Erica Fidellis Francieli Jaqueline Gregorio Luize Predebon1

INTRODUÇÃO: A subordinação da mulher ao homem, é um fenômeno de longa data, e que persiste até os dias de hoje. Os seres humanos vêm desde o começo de sua história usando a fé e a razão para buscar a verdade e orientar suas atividades. A Religião e a Ciência também foram institucionalizadas como instrumentos privilegiados para a reiteração da subalternização do sexo feminino e para fixar uma Ordem à qual, opressão, dominação, machismo, patriarcalismo, e capitalismo, são variáveis da subordinação.

Com o desenvolvimento da ciência a mentalidade masculina se aprimorou na produção de bens, no crescimento da economia e do comércio, e na conquista de novas terras e populações. O papel da mulher era de produzir e reproduzir a vida, cuidar das crianças, dos velhos e dos doentes, e de satisfazer todas as necessidades do sexo masculino.

Enquanto eles avançam "com sua vocação e competência para dominar e matar".

(Viezzer, 1989, p. 98.).

OBJETIVOS: O presente trabalho tem a intenção de contribuir com o debate acerca da percepção social da condição de subordinação a que se imprime à mulher, no âmbito social, profissional e econômico.

METODOLOGIA: Análise bibliográfica sobre tema em foco seguido de analise de conteúdo.

1Acadêmica de Serviço Social da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE Telefone: (45) 88062629

E-mail: [email protected]

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RESULTADO E CONCLUSÕES: A divisão dos papéis, entre o do homem e o da mulher, na sociedade contemporânea é fruto de processos históricos. Apesar do pouco conhecimento que possuímos sobre nossas origens, sabemos que a posição da mulher na sociedade não foi sempre esta de subalternização. Segundo Engels, nas comunidades primitivas as mulheres exerciam atividades especificas, porém não eram inferiores às dos homens.

É provável, de acordo com Will Durant, que a transição da sociedade matriarcal para a sociedade patriarcal tenha ocorrido a partir do momento em que o homem descobre seu papel na reprodução humana e sua capacidade de produzir alimentos através da agricultura intencional. A emergência da propriedade privada trouxe consigo a subordinação sexual da mulher.

O surgimento do patriarcalismo foi fatal à supremacia e autonomia da mulher. Ela e seus filhos passaram de escravos do pai, ou do irmão mais velho, para escravos do marido. Estava definitivamente encerrado o período histórico em que a mulher respondia pela unidade familiar, pela organização da sociedade e pela herança dos bens.(Leite, 1994, p.23).

Com a chegada e expansão do capitalismo a mulher é convocada para a produção, porém, essa convocação não é com o intuito de emancipá-la e sim pelo interesse do capitalista em extrair-lhe a mais valia. A partir deste momento a mulher torna-se dupla mercadoria: do marido (no trabalho doméstico) e do capitalista, na fábrica, onde recebe salário inferior ao do homem, mesmo muitas vezes possuindo uma jornada de trabalho maior.

A subalternização da mulher vai além das esferas da família e do trabalho, ela também é discriminada nos sistemas educacionais, culturais, religiosos, jurídicos, morais, políticos e etc. Os critérios para a seleção da mão-de-obra feminina e masculina são desiguais, são atribuídas às mulheres tarefas que requerem destreza e habilidade, descartando o uso do intelecto, e sendo, a maior concentração de mão-de-obra feminina em funções

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subalternas. Esta inferiorização dos salários femininos alastra a questão social, trazendo agora, a feminização da pobreza, que vem se propagando pelos países latino- americanos.

Nas universidades é verificada a maior presença de mulheres nos cursos de ciências humanas, enquanto nos de ciências exatas a presença feminina é mínima. Existem cursos aonde a presença feminina chega a superar o índice dos 90%, como é o caso dos cursos de Enfermagem, Nutrição e Serviço Social. Solidifica-se então uma imagem de mulher humanitária conquistando, espaço principalmente nas áreas de saúde e humanas, que são consideradas profissões secundárias, longe de competir em condições de igualdade nas profissões da área de ciências exatas que são consideradas profissões que geram prestígio poder e riqueza.

Do nível fundamental ao universitário reproduzem-se estereótipos fundados em representações e ativismos culturais que apresentam a mulher fisicamente frágil, psicologicamente generosa e submissa, intelectualmente limitada para as ciências exatas.(In Serviço Social e Sociedade, nº 55, 1997, p. 90.).

Antes da revolução francesa, as opções para se alcançar o sucesso eram muito reduzidas, restringiam-se à guerra, ciência, arte, religião e poder, sendo praticamente inatingível pelas mulheres.A partir do século XIX abre-se para as mulheres uma alternativa de realização e projeção na sociedade, que, no entanto, não é legitima.

Com efeito, a educação e o treinamento eram executados por homens e para homens; a remuneração do trabalho feminino foi tradicionalmente comprimida por uma perversão da lógica segundo a qual a mulher não precisa ganhar tanto quanto o homem porque, afinal, ela deve ser por ele sustentada.(Leite, 1994, p.37).

No século XXI, a situação feminina de ingresso e concorrência no mercado de trabalho ainda é bastante complicada por "preconceitos seculares que, ironicamente, transformam

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igualdade em minoria".(Leite, 1994, p.37). A luta das mulheres pela igualdade de espaço na sociedade, faz parte do grupo de reivindicações "inferiores" junto aos negros, índios e homossexuais. Das poucas mulheres que alcançam algum mérito no mercado de trabalho, lhes são cobradas provas duplas e até triplas de suas capacidades, pois, em uma sociedade patriarcal e machista, como a nossa, é vergonhoso que uma mulher esteja ocupando um cargo de direção, ao invés de um homem. O feminismo como movimento se expande hoje por todo o mundo, pois, o fato da subordinação da mulher ao homem ocorre no mundo todo.

Heleieth Saffioti lembra a importância de considerar que, na prática, as mulheres se defrontam com diversos enfoques teóricos masculinos, como o conservadorismo, que representa a corrente de pensamento segundo o qual as mulheres são 'naturalmente' inferiores aos homens, e o liberalismo, que ao colocar os postulados fundamentais da 'liberdade, igualdade e fraternidade', situam-nos no plano meramente formal. É uma corrente segundo a qual a desigualdade entre os homens e mulheres se limita à desigualdade de oportunidades.(Viezzer, 1989, p. 72).

O feminismo como movimento se expande por todo o mundo, pois, a subordinação da mulher ao homem ocorre mundialmente. Nas décadas de 70 e 80, a grande discussão das feministas era a questão do trabalho e da incorporação da mulher nas esferas públicas ou da produção. Depois, os grupos iniciaram a discussão e o trabalho, com temas referentes, principalmente, ao corpo, tais como violência, aborto, sexualidade e outros.

Essas discussões têm contemplado aspectos da emancipação da mulher e as lutas pela elevação do nível social, econômico, e político da classe feminina.

O movimento pela liberalização da sexualidade, está diretamente associado à contestação da família, pois, esta é uma instituição que, em nossa sociedade, opera como a geradora e legitimadora de padrões rígidos de controle social. A mulher é orientada desde seu nascimento, por meio de contos infantis, onde o homem é o forte e destemido príncipe, que irá salvar a frágil e dócil donzela, e da religião onde:

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Geralmente, em virtude do papel que assume a religião na vida das mulheres, a menina, mais dominada pela mãe do que o irmão sofre mais, igualmente, as influências religiosas. Ora, nas religiões ocidentais, Deus Pai é um homem, um ancião com um atributo especificamente viril: uma opulenta barba branca. Para os cristãos, Cristo é mais concretamente ainda um homem de carne e osso e de longa barba loura... A religião católica, entre outras, exerce sobre ela a mais perturbadora das influências. A Virgem acolhe de joelhos as palavras do anjo: 'Sou a serva do Senhor', responde. Maria Madalena prostra-se aos pés de Cristo e os enxuga com seus longos cabelos de mulher. As santas declaram de joelhos seu amor ao Cristo radioso...

Eva não foi criada para si mesma e sim como companheira de Adão, e de uma costela dele; na Bíblia há poucas mulheres cujas ações sejam notáveis: Rute não fez outra coisa se não encontrar um marido.

Éster obteve a graça dos judeus ajoelhando-se diante de Assuero...

(Beauvoir, 1989, p. 35-37.).

Porém, esse ambiente familiar descrito por Simone de Beauvoir, vem sendo modificado, e a educação da menina, embora, ainda seja diferenciada da do menino, agora, não lhe prepara exclusivamente para o casamento. É uma nova realidade que se instala na luta pela sobrevivência, abandonando a idéia de casamento com salvação da mulher.

CONCLUSÃO: No século XXI, nós mulheres, estamos longe de nos equiparar aos homens nos planos material, psicológico, sociológico, político, profissional, entre outros.

A mudança da situação da mulher, não exige somente a mudança das relações de produção na sociedade, ou a concessão de cargos de podes às mulheres, é necessário à criação de uma nova Ordem, sem distinção de gênero, etnia, religião ou classe social, e sim fruto de uma construção coletiva de todos os membros da humanidade. Para que essa nova Ordem exista, é necessário que seja implantado um novo sistema e seja criada uma nova consciência da mulher e principalmente no homem, onde seja abolida a dominação de uma parte da população sobre a outra.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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AMMAM, Safira B. Mulher: Ganha mais trabalha menos, tem fatias irrisórias. In Serviço Social e Sociedade. Nº 55. Ano XVIII. São Paulo. Editora Cortez. Novembro de 1997.

BEAUVOIR, Simone. O Segundo Sexo. São Paulo: Nova Fronteira, 1989.

CARVALHO, Luiz. Famílias Chefiadas por Mulheres. Relevância para uma política social dirigida. In Serviço Social e Sociedade. Nº 57. Ano XIX. São Paulo.

Editora Cortez. Julho de 1998.

DURANT, Will. Nossa herança Oriental. Rio de Janeiro. Editora Record. 1963.

ENGELS, Friedrich. Dialética da Natureza. Portugal. Editora Presença, s.d.

FLORESTA, Nísia e BRASILEIRA, Augusta. Direitos das mulheres e injustiça dos homens. São Paulo. Editora Cortez. 1989.

HAHNER, June. E. A mulher Brasileira e suas Lutas Sociais e Políticas 1850 - 1937.

São Paulo. Editora Brasiliense. 1981.

LEITE, Christina L. P. Mulheres: Muito além do teto de vidro. São Paulo. Editora Atlas S.A. 1994.

SUPLICY, Marta. De Mariazinha à Maria. Petrópolis. São Paulo. Editora Vozes.

1986.

VIEZZER, Moema. O problema não está na mulher. São Paulo.Editora Cortez. 1989.

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