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FLASH FISCAL LEI DO ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2021

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Na sequência da publicação da Lei n.º 75-B/2020, de 31 de dezembro (doravante designada “Lei do OE”) e que contém o Orçamento do Estado (OE) para 2021, explanam-se sucintamente, pelo presente, as principais alterações legislativas com relevância fiscal constantes desse Diploma.

ÍNDICE

IRS__________________1 IMT ________________4 ISV__________________7 DIVERSOS _________9 IRC _________________2 IMI ________________ 4 IUC _________________7

IVA _________________3 EBF ________________ 5 CFI _________________7 IS _________________4 IECs ________________6 SS___________________8

IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS SINGULARES (IRS) A Lei do OE para o ano 2021 não prevê qualquer

alteração às taxas ou escalões do IRS.

É prevista a dedutibilidade, em 15% do seu valor, do IVA suportado por qualquer membro do agregado familiar em despesas com ensino desportivo e recreativo, clubes desportivos e atividades de ginásios – fitness, correspondendo o limite máximo a €250,00 por agregado familiar.

Será mantido o regime transitório, podendo os sujeitos passivos, tal como em 2019, incluir na declaração de IRS de 2020 os valores das despesas de saúde, educação, imóveis e lares, os quais se sobrepõem aos constantes no Portal e-fatura, mantendo-se a obrigação de comprovar os montantes declarados.

Encontra-se prevista a tributação como rendimentos empresariais e profissionais dos gastos dedutíveis com bens imóveis afetos a atividade empresarial e profissional, em caso de transferência destes bens para o património particular do sujeito passivo, prevendo a sua aplicação para o regime de contabilidade organizada.

Assim, ao rendimento dos sujeitos passivos abrangidos pelo regime de contabilidade organizada deverá acrescentar-se, no ano da transferência e durante os 3 anos seguintes, 25% dos gastos ou encargos com depreciações ou imparidades.

O montante total apurado nos termos expostos irá acrescer ao valor de aquisição do imóvel para a determinação de quaisquer mais-valias sujeitas a imposto.

Relativamente à alienação de imóveis afetos a atividade empresarial e profissional, estipula-se que os ganhos obtidos com a alienação desses imóveis, transferidos para o património particular do sujeito passivo, sejam tributados à data da alienação onerosa do imóvel da seguinte forma: i) quando a alienação é efetuada antes de decorridos 3 anos da transferência, os ganhos são tributados como rendimentos de categoria B; ii) quando a alienação é concretizada depois de decorridos 3 anos da transferência, os ganhos são tributados como rendimentos de categoria G.

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Em qualquer dos casos, considera-se como valor de aquisição o valor relevante nos termos do Código do IRS (CIRS) à data em que o imóvel foi adquirido pelo sujeito passivo. No apuramento das mais-valias, não serão deduzidos os encargos realizados durante o período em que o imóvel esteve afeto à atividade empresarial e profissional.

Às mais-valias apuradas de acordo com o regime atualmente em vigor e cuja tributação se encontre suspensa, aplicar-se-á o novo regime de tributação, a entrar em vigor a partir de 1 de janeiro de 2021.

Segundo as normas transitórias sobre as deduções específicas de Categoria B, os sujeitos passivos podem, na declaração de rendimentos do ano de 2020, declarar o valor das despesas e encargos afetos à atividade empresarial, prevalecendo estas sobre as constantes no portal e-fatura – excecionando as despesas com pessoal a título de remunerações ou salários – mantendo-se a obrigação de comprovar os montantes declarados.

Para o cálculo das mais ou menos-valias resultantes das operações entre um sujeito passivo e uma entidade com a qual esteja numa situação de "relações especiais", serão aplicadas as regras de preços de transferência de acordo com o regime previsto no artigo 63.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (CIRC), idênticas às que normalmente seriam praticadas entre entidades independentes em operações comparáveis, com as necessárias adaptações.

Sem prejuízo do parágrafo anterior, no caso de afetação de bens do património particular do sujeito passivo à sua atividade empresarial e profissional, o valor de aquisição pelo qual esses

bens são considerados corresponde ao valor de mercado à data da afetação, com exceção dos bens imóveis, em que o valor de aquisição corresponde ao respetivo valor à data em que este foi adquirido pelo sujeito passivo de acordo com as regras previstas nos artigos 45.º ou 46.º do CIRS, consoante o caso.

Os sujeitos passivos que tenham, à data de 1 de janeiro de 2021, bens imóveis afetos a atividade empresarial e profissional podem optar pelo regime anterior de apuramento de mais-valias e menos-valias decorrentes da afetação de bens imóveis, devendo indicar essa opção na declaração periódica de rendimentos relativa ao ano de 2021, identificando os imóveis afetos à atividade empresarial e profissional e a data da sua afetação.

A aquisição de medicamentos de uso veterinário concorre para o limite de despesas dedutíveis de IRS pela exigência de fatura (€ 250), em valor correspondente a 22,5% do IVA suportado neste tipo de bens por qualquer membro do agregado familiar.

Os valores suportados com máscaras de proteção respiratória e gel desinfetante cutâneo são considerados como despesa de saúde enquanto a sua transmissão estiver sujeita a taxa reduzida de IVA, encontrando-se sujeitos ao limite global previsto para a dedução de despesas de saúde (€ 1.000).

Relativamente aos rendimentos auferidos em 2020 e sujeitos a liquidação no ano de 2021, o valor de referência do mínimo de existência para esse ano de 2020 será acrescido de € 100 face ao valor previsto na lei, correspondendo à quantia final de

€ 9.315,01.

IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS COLETIVAS (IRC) O OE 2021 prevê o alargamento do conceito de

estabelecimento estável, passando a estar integradas neste conceito:

i) as instalações, plataformas ou navios utilizados na prospeção ou exploração de recursos naturais, quando a duração da sua atividade exceda os 90 dias;

ii) atividades de prestação de serviços desde que tais atividades sejam exercidas durante período ou períodos que, no total, excedam 183 dias num período de 12 meses, com início ou termo no período de tributação em causa;

iii) sempre que uma pessoa, que não seja agente independente, atue em território português por conta de uma empresa e exerça

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habitualmente um papel determinante para a celebração, pela empresa, de contrato que a vinculem de forma rotineira e sem alterações substanciais;

iv) sempre que uma pessoa, que não seja agente independente, mantenha em território português um depósito de bens ou mercadorias para entrega destes em nome da empresa, ainda que não celebre habitualmente contratos relativamente a esses bens ou mercadorias nem tenha qualquer intervenção na celebração desses contratos;

v) as instalações utilizadas unicamente para entrega de mercadorias;

vi) os depósitos de mercadorias mantidos unicamente para entrega das mesmas;

vii) a instalação fixa ou depósito de bens ou mercadorias que sejam utilizados ou mantidos por uma empresa, quando essa empresa – ou outra com ela estreitamente relacionada – exerça uma atividade que forme um conjunto coerente de atividades, no mesmo local ou em locais distintos do território nacional, sempre que a instalação ou depósito constitua um estabelecimento estável da empresa; ou

viii) conjunto da atividade resultante da combinação das atividades exercidas por duas ou mais empresas estreitamente relacionadas num mesmo local, ou pela mesma empresa ou por empresas estreitamente relacionadas em locais distintos, não tenha caráter preparatório ou auxiliar.

As cooperativas, micro, pequenas e médias empresas passam a poder ser dispensadas dos pagamentos por conta.

O OE prevê norma transitória aplicável às cooperativas, micro, pequenas e médias empresas, segundo a qual, o agravamento em 10 pontos percentuais das taxas de tributação autónoma deixa de ser aplicável, nos períodos de tributação de 2020 e 2021, quando: i) os períodos de tributação de 2020 e 2021 correspondam ao período de tributação de início de atividade ou a um dos dois períodos seguintes; ou ii) tenham obtido lucro tributável em um dos três períodos de tributação anteriores; e iii) tenham entregue, atempadamente, a declaração de rendimentos Modelo 22 e a Informação Empresarial Simplificada relativas aos dois períodos de tributação anteriores.

IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO (IVA) Em sede de Imposto sobre o Valor Acrescentado

(IVA), é criado o programa temporário “IVAucher”.

É um programa de apoio e incentivo ao consumo em certos setores afetados pela crise despoletada pela pandemia COVID-19, nomeadamente, os setores do alojamento, cultura e restauração. Através deste programa o consumidor acumulará, durante um trimestre, o valor correspondente à totalidade do IVA suportado na aquisição de serviços nos setores referidos, e utilizá-lo-á, no trimestre seguinte, em consumos efetuados nesses mesmos setores.

O cálculo do valor correspondente ao IVA suportado pelo consumidor final será efetuado a partir dos montantes constantes das faturas comunicadas à Autoridade Tributária (AT). Esse valor é disponibilizado ao consumidor através de compensação interbancária, estando dependente do consentimento prévio do consumidor. É um programa a ser ainda objeto de definição.

Prolongamento até 30 de abril de 2021 da isenção de IVA aplicável às: i) transmissões de dispositivos médicos e equipamentos utilizados no combate à COVID-19 pelo Estado ou outros organismos públicos e por organizações sem fins lucrativos;

e ii) aquisições efetuadas por instituições científicas e de ensino superior de bens necessários ao cumprimento de protocolos destinados ao combate à COVID-19.

Aplicação, permanente, da taxa reduzida de IVA às máscaras de proteção respiratória e ao gel desinfetante.

As Instituições de Ensino Superior e as entidades sem fins lucrativos do sistema nacional de ciência e tecnologia inscritas no Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPTCN) passam a beneficiar da restituição do IVA, total ou parcial,

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suportado em determinadas aquisições de bens ou serviços no âmbito da sua atividade de investigação e desenvolvimento (I&D), desde que o IVA das despesas não se encontre excluído do direito à dedução nos termos do artigo 21.º do Código do IVA (CIVA).

Castanhas e frutos vermelhos congelados passam a estar sujeitos a taxa reduzida de IVA.

É prevista, novamente, autorização legislativa para o Governo alargar o âmbito de aplicação da taxa

reduzida de IVA, em produtos, aparelhos e objetos de apoio que constem da lista homologada pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, I. P., cuja utilização seja exclusiva de pessoas com deficiência e pessoas com incapacidade temporária.

Relativamente ao comércio eletrónico, será adiada para 1 de julho de 2021, a entrada em vigor da Lei n.º 47/2020, de 24 de agosto, relativa às regras de IVA aplicáveis neste âmbito.

IMPOSTO DO SELO (IS) Manutenção, durante o ano de 2021, do

agravamento em 50% das taxas de IS no crédito ao consumo, excluindo contratos

já celebrados e em execução na data de entrada em vigor da Lei do OE.

IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE A TRANSMISSÃO ONEROSA DE IMÓVEIS (IMT) A aquisição de ações em sociedades anónimas, ou

de quotas nas sociedades por quotas, cujo valor do ativo resulte, direta ou indiretamente, em mais de 50% de bens imóveis situados em território português que não se encontrem diretamente afetos a uma atividade de natureza agrícola, industrial ou comercial, excluindo a compra e venda de imóveis, passa a estar sujeita a IMT quando algum dos acionistas/sócios, fique a dispor de, pelo menos, 75% do capital social, ou o número de acionistas/sócios se reduza a dois casados ou unidos de facto

.

Para efeitos de cálculo da percentagem de participação relevante, as ações próprias detidas pela sociedade são imputadas a cada um dos acionistas na proporção da respetiva participação no capital social.

Não se aplica esta regra às sociedades com ações admitidas à negociação em mercado regulamentado sujeitas a requisitos de divulgação de informações conforme o direito da União Europeia ou normas internacionais equivalentes, que garantam suficiente transparência das informações relativas à titularidade das ações, bem como as suas representações permanentes.

Passa a estar sujeita a IMT a outorga de procuração irrevogável que confira poderes de alienação de bens imóveis ou de partes sociais ou unidades de participação.

Aplica-se a taxa de 10%, sem qualquer isenção ou redução, sempre que o adquirente seja uma entidade dominada ou controlada, direta ou indiretamente, por entidade que tenha domicílio fiscal em país, território ou região sujeito a um regime fiscal mais favorável.

IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS (IMI) Aplicação da isenção de IMI, até agora aplicável a

prédios de reduzido valor patrimonial de sujeitos passivos de baixo rendimento, à herança indivisa no respeitante aos prédios afetos à habitação permanente dos herdeiros, na quota-parte dos

herdeiros que estejam identificados na matriz predial e relativamente aos quais – ou aos respetivos agregados familiares – se verifiquem os pressupostos da isenção.

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É alterado o artigo 45.º do C.IMI, introduzindo-se nova forma de cálculo do valor patrimonial tributário dos terrenos para construção.

ESTATUTO DOS BENEFÍCIOS FISCAIS (EBF) A Lei do OE contempla alterações relativas ao

Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF):

i) Passam a estar abrangidas pelo regime do mecenato os donativos concedidos às Entidades Hospitalares, EPE;

ii) Passam a ser beneficiárias do mecenato cultural as entidades que desenvolvam atividades predominantemente de caráter cultural, no âmbito do teatro, ópera, bailado, música, cinema, dança, artes performativas e artes visuais, organização de festivais e outras manifestações artísticas e de produção cinematográfica, audiovisual e literária.

A declaração de enquadramento destas entidades no regime do mecenato cultural depende do prévio reconhecimento, através de despacho, onde constará a fixação do prazo de validade deste reconhecimento, dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura;

iii) Nos casos em que o valor anual de donativos ultrapasse os €50.000 e a sua dedução não possa ser efetuada integralmente por insuficiência de coleta ou por terem sido atingidos os limites estabelecidos no EBF, o montante não deduzido pode vir a sê-lo nas liquidações dos três períodos de tributação seguintes, até ao limite de 10% da coleta do IRS apurada em cada um dos períodos de tributação;

iv) No período de tributação de 2021, os donativos enquadráveis no mecenato cultural passam a beneficiar de uma majoração de 10 pontos percentuais – 20 nas regiões do interior – desde que: i) o montante anual seja igual ou superior a € 50.000, por entidade beneficiária; ii) o donativo vise apoiar ações ou projetos na área da conservação de património ou programação de museus, previamente reconhecidos por membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da cultura. O limite anual de

8/1000 do volume de negócios é elevado em 50% caso a diferença seja relativa a estas ações;

v) Prorrogação do regime fiscal aplicável ao Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado até 31 de dezembro de 2025;

vi) Manutenção da autorização legislativa, tendo em vista a i) criação de um regime de benefícios fiscais no âmbito do Programa valorizar o Interior e ii) a criação de um regime de benefícios fiscais no âmbito dos Planos de Poupança Florestal;

vii) É criado um incentivo fiscal temporário às ações de eficiência coletiva na promoção externa, que tem como beneficiários os sujeitos passivos de IRC i) residentes em território português e os não residentes com estabelecimento estável nesse território, que exerçam a título principal uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e que sejam classificados como micro, pequena ou média empresa; e ii) os que exerçam uma atividade nos setores das pescas, aquicultura e produção agrícola primária, respeitando as normas europeias aplicáveis em matéria de auxílio de minimis dos respetivos setores. Os beneficiários passam a ter os gastos suportados com a participação conjunta em projetos de promoção externa, devidos em 2021 e 2022, como dedutíveis para efeitos de apuramento do lucro tributável, em 110% do respetivo valor;

viii) O incentivo total atribuído às despesas relativas a i) participação em feiras e exposições no exterior e ii) aos serviços de consultoria especializados, cumulado com outros auxílios, não poderá exceder 50% do montante total das despesas elegíveis;

ix) Os donativos atribuídos por pessoas singulares ou coletivas a favor da Estrutura de Missão para as “Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães (2019-2022)”

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beneficiam do regime do mecenato cultural previsto no EBF.

IMPOSTOS ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO (IEC) Relativamente ao Imposto sobre o Tabaco (IT), é

alterada a fórmula de cálculo, passando a considerar-se o preço médio dos cigarros introduzidos no consumo.

Até 31 de dezembro de 2023, desde que fabricados exclusivamente a partir de frutos do medronheiro (Arbutus Unedo), produzidos e destilados numa das áreas geográficas designadas pelo legislador1, ficam sujeitos a 25%

da taxa normal as taxas do imposto sobre o álcool relativamente a:

(i)2 licores e “cremes de”; e (ii)3 aguardentes destiladas.

São aumentadas as taxas do imposto sobre o álcool relativas a licores, aguardentes vínicas ou aguardentes bagaceiras e rum produzido a partir de cana-de-açúcar regional (com as características técnicas e as qualidades referidas nas normas e regulamentos aplicáveis) produzidos e declarados para consumo na Região Autónoma dos Açores.

São fixadas em 50% das taxas em vigor no continente as taxas de imposto sobre o álcool relativas aos produtos mencionados supra, quando produzidos na Região Autónoma dos Açores e declarados para consumo no continente.

São fixadas em 50% das taxas em vigor no continente as taxas de imposto sobre o álcool relativas a rum e licores, com as características técnicas e as qualidades referidas nas normas e regulamentos aplicáveis, produzidos na Região Autónoma da Madeira e declarados para consumo no continente.

Não se verificam alterações às taxas unitárias de Imposto Sobre Produtos Petrolíferos (ISP) nem atualizações conforme a Inflação.

Os biocombustíveis avançados, se certificados com o Título de Biocombustível (Tdb), bem como os gases de origem renovável, desde que certificados com Garantia de Origem (GO), passam a beneficiar da isenção total do imposto.

É revogada a norma que previa a isenção de imposto dos produtos petrolíferos e energéticos comprovadamente utilizados em operações de dragagem em portos e vias navegáveis.

São aumentadas as taxas de tributação de diversos produtos petrolíferos e energéticos utilizados na produção de eletricidade, eletricidade e calor (cogeração), e gás de cidade, por parte de entidades que desenvolvam esta atividade a título principal.

1 Concelhos de Albufeira (freguesia de Paderne), Alcoutim, Alijó, Aljezur, Almodôvar, Alvaiázere, Ansião, Arganil, Castanheira de Pera, Castelo Branco, Castro Marim, Covilhã, Faro (freguesias de Santa Bárbara de Nexe e União das Freguesias de Conceição e Estoi), Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Góis, Lagos (freguesias de Odiáxere e União das Freguesias de Bensafrim e Barão de São João), Loulé (freguesias de Alte, Ameixial, Boliqueime, Salir, São Clemente e São Sebastião e União das Freguesias de Querença, Tôr e Benafim), Lousã, Mação, Mértola, Miranda do Corvo, Monchique, Odemira, Oleiros, Ourique, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Penamacor, Penela, Portalegre, Portimão (freguesias de

Mexilhoeira Grande e Portimão), Proença-a-Nova, Sabugal, São Brás de Alportel, Sardoal, Sertã, Silves, Tavira, freguesias de Cachopo, Santa Catarina da Fonte do Bispo, União das Freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago) e União das Freguesias de Conceição e Cabanas de Tavira, Vila de Rei, Vila do Bispo e Vila Velha de Ródão.

2 Definidos nas categorias 32 e 33 do anexo II do Regulamento (CE) n.º 110/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de janeiro de 2008.

3 Com as características e qualidade definidas na categoria 9, aguardente de frutos, do anexo II do Regulamento (CE) n.º 110/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de janeiro de 2008.

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IMPOSTO SOBRE VEÍCULOS (ISV) A taxa aplicável na admissão de viaturas usadas

provenientes de outros Estados-membros da União Europeia passará a contemplar uma nova tabela de percentagens de redução do ISV, passando a percentagem mínima de redução do ISV, em ambas as componentes, para 10% nos primeiros escalões, prevendo-se um máximo de 80% de redução do ISV nos últimos escalões.

A taxa intermédia de ISV de 60% passa a aplicar-se aos automóveis ligeiros de passageiros que se apresentem equipados com motores híbridos, preparados para o consumo, no seu sistema de

propulsão, quer de energia elétrica ou solar quer de gasolina ou de gasóleo, desde que apresentem uma autonomia em modo elétrico superior a 50 km e emissões oficiais inferiores a 50 gCO2/km.

A taxa intermédia de ISV de 25 % passa a aplicar-se aos automóveis ligeiros de passageiros equipados com motores híbridos plug-in, cuja bateria possa ser carregada através de ligação à rede elétrica e que tenham uma autonomia mínima, no modo elétrico, de 50 km e emissões oficiais inferiores a 50 gCO2/km.

IMPOSTO ÚNICO DE CIRCULAÇÃO (IUC) Passam a beneficiar de isenção de 50% de imposto

os veículos de categoria C, com peso bruto superior a 3.500 kg, afetos exclusivamente à atividade das artes do espetáculo.

Manutenção, em 2021, do adicional ao IUC aplicável sobre os veículos a gasóleo enquadráveis nas categorias A e B.

CÓDIGO FISCAL DO INVESTIMENTO Clarificação do conceito de “empresa dedicada

sobretudo a investigação e desenvolvimento”, como aquela que cumpra os requisitos necessários para ser reconhecida como empresa do setor da tecnologia, independentemente de terem obtido ou solicitado tal reconhecimento.

Passam a ser elegíveis, para efeitos do Sistema de Incentivos Fiscais em Investigação e Desenvolvimento Empresarial II (SIFIDE II), os investimentos em partes de capital ou as contribuições para fundos de investimento, públicos ou privados que realizem investimentos de capital próprio e quase capital em empresas dedicadas à investigação e desenvolvimento.

Os investimentos deverão ser mantidos por um prazo de cinco anos, deduzindo-se à coleta o montante investido. Em caso de incumprimento deste prazo, sendo as participações alienadas antes de decorridos cinco anos, deverá o sujeito passivo pagar o valor proporcional aos montantes deduzidos à coleta, acrescidos de juros compensatórios.

Além do prazo de manutenção das unidades de participação, passa a ser obrigatório que, no prazo de cinco anos, os fundos façam o investimento nas empresas dedicadas sobretudo a investigação e desenvolvimento e que estas concretizem o investimento em atividades de investigação e desenvolvimento. Caso não o façam, ao IRC do exercício em que ocorreu o incumprimento deverá ser adicionado o montante proporcional ao valor não realizado dos investimentos deduzidos à coleta, acrescido de juros compensatórios.

Os fundos de investimento deverão, até ao final do 4.º mês de cada período de tributação, entregar aos adquirentes das unidades de participação uma declaração comprovativa do investimento realizado no período anterior em empresas dedicadas sobretudo a investigação e desenvolvimento (I&D). Sendo aplicável, a obrigação declarativa abrange também a comunicação do incumprimento do prazo de cinco anos para concretização do investimento em atividades de I&D, bem como o montante de investimento não concretizado.

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Estas empresas devem, também, até ao final do 4.º mês de cada período de tributação, entregar aos fundos de investimento uma declaração comprovativa do investimento realizado no período anterior em aplicações relevantes.

Devem também informar da situação de incumprimento do prazo de cinco anos para

concretização do investimento, bem como o montante de investimento não concretizado.

Cabe ao fundo de investimento comunicar esta informação aos respetivos adquirentes das unidades de participação para efeitos de regularização do IRC, quando aplicável.

SEGURANÇA SOCIAL Prevê-se a introdução de uma medida de apoio

com o objetivo de assegurar o pagamento de rendimentos às pessoas afetadas pela pandemia, nos casos seguintes:

i) trabalhadores dependentes, independentes e os membros de órgãos estatutários com funções de direção, cujo subsídio de desemprego termine a 1 de janeiro de 2021;

ii) trabalhadores dependentes, independentes e os membros de órgãos estatutários com funções de direção que fiquem em situação de desemprego involuntário mas sem direito a subsídio de desemprego, com pelo menos 3 meses de contribuições nos 12 últimos meses anteriores à situação de desemprego;

iii) trabalhadores independentes e do serviço doméstico que apresentem uma quebra de rendimento médio mensal superior a 40%;

iv) trabalhadores em situação de desproteção económica e social que não tenham acesso a qualquer instrumento ou mecanismo de proteção social;

v) gerentes das micro e pequenas empresas, empresários em nome individual, membros dos órgãos estatutários de fundações, associações ou cooperativas, que tenham pelo menos três meses seguidos ou seis meses interpolados de contribuições nos 12 meses imediatamente anteriores ao requerimento do apoio.

O cálculo do montante será feito da seguinte forma:

i) para os trabalhadores dependentes corresponderá à diferença entre o valor referência mensal de €501,16 e o rendimento

médio mensal por adulto equivalente ao agregado familiar – à data do requerimento do apoio – até ao limite do rendimento líquido da remuneração de referência que o trabalhador aufira;

ii) para os trabalhadores independentes, com quebra superior a 40% do rendimento, o apoio será de 2/3 do valor da quebra de rendimento, com o limite de €501,16, ou o montante de rendimento médio mensal de 2019 se for inferior;

iii) para os trabalhadores independentes em situação de desemprego corresponderá à quebra do rendimento médio mensal entre a última declaração trimestral e o rendimento médio mensal de 2019, até ao limite de €501,16 ou o montante de rendimento médio mensal de 2019 se for inferior;

iv) para os trabalhadores dependentes, independentes e os membros de órgãos estatutários com funções de direção cujas atividades se encontrem sujeitas ao dever de encerramento por determinação legislativa, nos primeiros 6 meses, será o valor do subsídio de desemprego que auferia à data da sua cessação ou que teria direito, até €501,16 – alternativamente os trabalhadores podem pedir a prorrogação do subsídio de desemprego por seis meses;

v) para os gerentes das micro e pequenas empresas, empresários em nome individual, membros dos órgãos estatutários de fundações, associações ou cooperativas corresponde ao valor da remuneração registada como base de incidência contributiva, nas situações em que esse valor é inferior a 1,5 IAS ou a 2/3 do valor da remuneração registada

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como base de incidência contributiva, nas situações em que esse é superior ou igual a 1,5 IAS.

Este apoio deverá ser pago até 2021 e não será acumulável com outras prestações de desemprego ou contribuições por suspensão do contrato.

O subsídio de desemprego, de cessação de atividade e de cessação de atividade profissional sofre uma majoração de 25% quando (i) no mesmo agregado familiar ambos os cônjuges ou pessoas que vivam em união de facto sejam titulares dos referidos subsídios e tenham filhos ou equiparados a cargo; (ii) no agregado monoparental o parente único seja titular dos referidos subsídios.

É conferida autorização legislativa para criação de um regime de segurança social específico para os profissionais das artes, do espetáculo, do audiovisual, das artes visuais e da criação literária.

No ano de 2021, o acesso a apoios públicos e incentivos fiscais pelas grandes empresas com resultado líquido positivo em 2020, ficará condicionado à manutenção de postos de trabalho. Essa manutenção será aferida pelo número médio de trabalhadores que deverá ser igual ou superior ao registado no dia 1 de outubro de 2020.

As contribuições devidas à segurança social cujo prazo de pagamento voluntário tenha vencido podem ser pagas em prestações, a requerimento do contribuinte.

Este requerimento pode ser feito sem que a cobrança dos tributos esteja em fase de processo de execução fiscal.

Caso a Segurança Social não responda dentro do prazo de 30 dias, o requerimento considera-se tacitamente deferido.

DIVERSOS Os donativos concedidos à Fundação JMJ

Lisboa2022, entidade responsável pela organização da Jornada Mundial da Juventude a realizar em Lisboa em 2023, serão considerados custos do exercício para efeitos do IRC e da categoria B do IRS, em valor correspondente a 140% do respetivo total. Caso as pessoas singulares não se encontrem abrangidas pela categoria B do IRS, será possível deduzir, à coleta do ano respeitante, 30% dos donativos, quer em dinheiro quer em espécie.

O incentivo à introdução no consumo de veículos de zero emissões, financiado pelo Fundo Ambiental, será renovado para o ano de 2021, tal como o programa de incentivo à mobilidade elétrica na Administração Pública.

Serão excluídas do direito aos apoios e medidas excecionais, no âmbito da resposta à pandemia provocada pela COVID-19: i) as entidades com sede ou direção efetiva nos denominados “paraísos fiscais”; ii) as sociedades denominadas por entidades com sede ou direção efetiva nos

“paraísos fiscais”, ou cujo beneficiário efetivo tenha

4 Nos termos definidos no artigo 2.º do anexo ao Decreto-Lei n.º 372/2007, de 6 de novembro, devendo a classificação de

domicílio nesses territórios.

PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES DE IRC OU IVA No ano de 2021, os sujeitos passivos de IRC ou de IVA podem beneficiar de um regime especial e transitório de pagamento destes impostos, verificadas as seguintes condições:

i) Se encontre a decorrer o prazo para pagamento voluntário do tributo para o qual se pretende o

pagamento em prestações,

independentemente do ano a que respeite a liquidação do mesmo;

ii) O sujeito passivo tenha a sua situação tributária e contributiva perante a AT e a Segurança Social regularizada à data do requerimento para pagamento em prestações;

iii) O valor do tributo a pagar em prestações seja inferior a € 15.000 no momento do requerimento;

iv) O sujeito passivo de IRS seja tributado na categoria B como uma micro, pequena ou média empresa4.

micro, pequena e média empresa ser certificada por contabilista certificado no Portal das Finanças.

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Preenchidos os pressupostos enunciados a AT deverá deferir o requerimento para pagamento em prestações no prazo máximo de 10 dias corridos.

O pagamento da primeira prestação inicia-se no primeiro dia útil do mês seguinte, devendo a última prestação ser paga até 31 de dezembro de 2021.

O pagamento em prestações é requerido junto do serviço local competente ou através do Portal das Finanças. O presente regime dispensa a apresentação de garantia e isenta a cobrança de juros compensatórios ou quaisquer outros ónus ou encargos em 50% durante o período do plano de pagamento a prestações.

PAGAMENTO EM PRESTAÇÕES DE DÍVIDAS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA

Outros tributos devidos à AT cujo prazo de pagamento voluntário tenha vencido podem ser pagos em prestações, mediante requerimento do contribuinte, podendo ser formalizado sem que a cobrança dos tributos esteja em fase de processo de execução fiscal.

Os contribuintes que requeiram, nos termos enunciados, o pagamento de tributos em prestações no ano de 2021, ficam dispensados de cumprir os requisitos legais tipicamente previstos para este tipo de pagamentos5.

Requerido o pagamento em prestações pelo contribuinte, a AT dispõe de um prazo de resposta de 30 dias, findo o qual, na ausência de resposta, será tido como tacitamente deferido.

5 Nos termos dos números 3 a 7 do artigo 196.º do CPPT.

NOTA: Esta informação é de envio reservado e não deve ser compreendida como qualquer forma de publicidade, pelo que se encontra vedada a sua cópia ou circulação. A informação apresentada e as opiniões expressas são de caráter geral e abstrato, não substituindo o recurso a aconselhamento jurídico adequado e específico para a resolução de casos concretos.

Margarida Marques Carvalho Pedro Farrim Marco Pinto Moreira Janeiro de 2021

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