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Cinética da glicemia e lactatemia em diabéticos tipo 2 durante e após exercício aeróbio realizado em diferentes intensidades

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Academic year: 2017

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(1)

CINÉTICA DA GLICEMIA E LACTATEMIA EM DIABÉTICOS

TIPO 2 DURANTE E APÓS EXERCÍCIO AERÓBIO REALIZADO

EM DIFERENTES INTENSIDADES

Wolysson Hiyane de Carvalho

BRASÍLIA

(2)

CINÉTICA DA GLICEMIA E LACTATEMIA EM DIABÉTICOS

TIPO 2 DURANTE E APÓS EXERCÍCIO AERÓBIO REALIZADO

EM DIFERENTES INTENSIDADES

Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física e Saúde da Universidade Católica de Brasília (UCB), como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Educação Física.

Orientadora: Dra. Carmen Silvia Grubert Campbell Co-orientador: Dr. Herbert Gustavo Simões.

BRASÍLIA

(3)

Dedico este trabalho a minha família

A minha irmã Yuki Hiyane de Carvalho

A minha noiva Juliana Maria Marques de Sá

Aos meus pais José Batista de Carvalho e Marta Keiko Hiyane de Carvalho.

Sem seu amor, confiança e apoio nada teria feito, vocês me ensinaram valores, acreditaram em min e permitiram que eu seguisse em frente, obrigado pai. Obrigado Mãe.

(4)

Agradeço em primeiro lugar aos amigos e orientadores, Carmen Silvia Grubert Campbell e Herbert Gustavo Simões por toda compreensão, paciência e apoio nas horas mais difíceis.

(5)

Lista de tabelas ...iv

Lista de figuras ...vii

Resumo ...viii

Abstract...ix

1. INTRODUÇÃO... 1

2. OBJETIVOS... 4

2.1. Objetivos gerais ... 4

2.2. Objetivos específicos... 4

3. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA ... 5

4. REVISÃO DE LITERATURA ... 7

4.1. Diabetes e exercício físico... 7

4.1.1. Diabetes mellitus ... 7

4.1.2. Exercício físico e glicemia ... 10

4.1.3. Exercício físico e diabetes tipo 2... 14

4.2. Métodos de avaliação física... 19

4.2.1. Consumo máximo de oxigênio... 19

4.2.2. Limiar anaeróbio ... 20

(6)

5.1.Comitê de ética de pesquisa em seres humanos ... 24

5.2. Amostra ... 24

5.3. Procedimentos ... 26

5.3.1. Alimentação, medicamentos e temperatura... 26

5.3.2. Teste incremental... 27

5.3.3. Exercício retangular e sessão controle... 28

5.3.4. Identificação do limiar anaeróbio por diferentes métodos ... 29

5.3.5. Identificação do delta de lactato ... 30

5.4. Análises e mensurações ... 32

5.4.1. Mensuração das variáveis ventilatórias ... 32

5.4.2. Mensuração da glicemia e lactatemia... 32

5.4.3. Mensuração da pressão arterial sistólica, diastólica e frequência cardíaca ... 33

5.5. Análise estatística ... 33

6. RESULTADOS ... 35

7. DISCUSSÃO... 46

8. CONCLUSÃO... 54

9. LIMITAÇÕES DO ESTUDO ... 54

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 57

(7)

LISTA DE ABREVIATURAS

[Lac] – Concentração de Lactato

[glic] – Concentração de Glicose

(a-v)O2 – Diferença arteriovenosa de O2

%FCmáx – Porcentagem da freqüência cardíaca máxima

%VO2 max – Porcentagem do consumo máximo de oxigênio

10' – 10º min de exercício retangular

20' – 20º min de exercício retangular

90% LA – 90% do limiar anaeróbio

110% LA – 110% do limiar anaeróbio

ANOVA – Análise de variância

CON – Sessão controle

DM – Diabetes mellitus

DM2 – Diabetes tipo 2

DCmáx – Débito cardíaco máximo

DL – Delta de lactato

DL (0) – Delta de variação 0 (mM) do lactato sanguíneo

DL (0,5) – Delta de variação 0,5 (mM) do lactato sanguíneo

DCNT – Doenças crônico não transmissíveis

ECG – Eletrocardiograma

FECO2 – Fração expirada de dióxido de carbono

FC – Freqüência cardíaca

(8)

FC res – Freqüência cardíaca de reserva

DG – Delta da glicose (mg.dl-1)

HA – Hipertensão arterial

HPE – Hipotensão pós-exercício

LA – Limiar anaeróbio

LG – Limiar glicêmico

LL – Limiar de lactato

LV – Limiar ventilatório

MFEL – Máxima fase estável de lactato

PAS – Pressão arterial sistólica

PAD – Pressão arterial diastólica

PAM – Pressão arterial média

PSE – Percepção subjetiva de esforço

PETCO2 – Pressão expirada final de dióxido de carbono

r 15 – 15o minuto de recuperação

r 30 – 30o minuto de recuperação

r 45 – 45o minuto de recuperação

r 60 – 60o minuto de recuperação

r 75 – 75o minuto de recuperação

r 90 – 90o minuto de recuperação

r 105 – 105o minuto de recuperação

r 120 – 120o minuto de recuperação

TI – Teste incremental

(9)

VO2 max – Consumo máximo de oxigênio

VO2 – Consumo de oxigênio

VO2 Pico – VO2 de pico

VE – Ventilação pulmonar

VCO2 – Dióxido de carbono

VE/VO2 – Equivalente ventilatório de O2

(10)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) das características dos

voluntários que participaram do estudo e valores do lactato e glicemia de jejum (n = 14)..25

Tabela 2 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) dos valores de repouso da

pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM), freqüência cardíaca (FC)

e VO2pico (n = 14)... 25

Tabela 3 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) da PSE, %FCmáx, % VO2 máx,

concentração de Lactato e Glicose sanguínea, PAS e PAD na intensidade correspondente

ao limiar de lactato obtida no testes incremental (n = 14)... 35

Tabela 4 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) da média dos valores ao 10 e

20 minutos da carga (W), concentração de lactato sanguíneo, PSE e VO2 nas intensidades

90% e 110% do LA (n =10).. ... 36

Tabela 5 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) da média dos valores ao 10 e

20 minutos PAS, PAD, PAM e FC nas intensidades 90% e 110% do LA (n =10)... 37

Tabela 6 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) da carga correspondente ao

limiar de lactato (LL), limiar ventilatório (LV), limiar glicêmico (LG), Delta 0 de lactato

(DL (0)) e Delta 0,5 de lactato (DL (0,5)). ... 38

(11)

Tabela 8 – Valores médios de delta da glicose (mg.dl-1) no 10º e 20º min de exercício

retangular (10' e 20') e nos tempos de recuperação 15, 30, 45, 60, 75, 90, 105 e 120 min

após o exercício (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) a 90% do limiar anaeróbio

(n = 10). ... 41

Tabela 9 – Valores médios de delta da glicose (mg.dl-1) no 10º e 20º min de exercício

retangular (10' e 20') e nos tempos de recuperação 15, 30, 45, 60, 75, 90, 105 e 120 min

após o exercício (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) a 110% do limiar anaeróbio

(n = 10) ... 42

Tabela 10 - Valores médios de delta da glicose (mg.dl-1) nos mesmos tempos

correspondentes aos dias da sessão de exercício que foram: 10º e 20º min de exercício

retangular (10' e 20') e tempos de recuperação 15, 30, 45, 60, 75, 90, 105 e 120 min (r 15, r

30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) porém os indivíduos permaneceram em repouso

sentado – situação controle (CON) (n = 10)... 43

Tabela anexo 1 – Valores médios da glicose (mg.dl-1) em repouso pré-exercício (rep), no

10º e 20º min de exercício retangular (10' e 20') e nos tempos de recuperação 15, 30, 45, 60,

75, 90, 105 e 120 min após o exercício (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) a

90% do limiar anaeróbio (n = 10)... 70

Tabela anexo 2 – Valores médios da glicose (mg.dl-1) em repouso pré-exercício (rep), no

(12)

75, 90, 105 e 120 min após o exercício (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) a

110% do limiar anaeróbio (n = 10)... 71

Tabela anexo 3 - Valores médios da glicose (mg.dl-1) nos mesmos tempos correspondentes

aos dias da sessão de exercício que foram: repouso pré-exercício (rep), no 10º e 20º min de

exercício retangular (10' e 20') e tempos de recuperação 15, 30, 45, 60, 75, 90, 105 e 120

min (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120) porém o indivíduo permaneceu em

repouso sentado – situação controle (CON) (n = 10) ... 71

Tabela anexo 4 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) dos valores do final do

teste incremental da pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD), freqüência cardíaca

(13)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Esquema representando os momentos onde foram coletados 25 µL de sangue

capilarizado durante as sessões retangulares e sessão controle... 29

Figura 2 - Determinação do limiar anaeróbio de 1 voluntário pelos métodos glicêmico

(LG), ventilatório (LV) e lactatêmico (LL). ... 30

Figura 3. Determinação do delta de lactato de 1 voluntário... 32

Figura 4 - Valores médios ± desvio padrão (DP) do limiar de lactato (LL), Delta 0 de

lactato (DL (0)) e Delta 0,5 de lactato (DL (0,5)). *P < 0,05 em relação ao LL; +P < 0,01 em

relação a DL (0)... 39

Figura 5. Resultado da análise de concordância de Bland-Altman entre LL e DL (0) (A) e

LL e DL (0,5) (B). As linhas contínuas indicam as médias das diferenças e as linhas

tracejadas indicam os limites de reprodutibilidade (+ 2 DPs)... 40

Figura 6 - Valores médios dos deltas da glicemia em mg.dl-1 e o erro padrão da média

durante o 10º e 20º minuto do exercício (10' e 20') e nos tempos de recuperação 15, 30, 45,

60, 75, 90, 105 e 120 min após o exercício (r 15, r 30, r 45, r 60, r 75, r 90, r 105 e r 120),

na situação controle, a 90% e a 110% do limiar de lactato (LL) (n = 10). +P < 0,01; *P <

(14)

RESUMO

Com o propósito de analisar a resposta da glicose sanguínea durante e após exercício a 90 e 110%

do limiar anaeróbio (LA) e comparar a intensidade do limiar de lactato (LL) com a intensidade do

delta de lactato (DL), 14 voluntários diabéticos tipo 2 (DM2) (60 ± 11 anos; 79 ± 15 Kg; 162 ±

6,5 cm), realizaram um teste incremental (TI) em cicloergômetro. Após realização do teste

incremental para identificação do LA, os voluntários realizaram 3 sessões experimentais em dias

distintos: 20 minutos em bicicleta ergométrica a 90 e 110% LA (com a identificação do DL) e

uma sessão controle (CON). Glicose sanguínea foi mensurada no repouso, aos 10 e 20 min do

exercício ou na situação controle, bem como a cada 15 minutos durante 2 horas do período de

recuperação pós-exercício (Rec). Teste t-student não identificou diferenças significantes entre LL

e DL de variação 0 .ANOVA não identificou diferenças significantes nas concentrações de

glicose sanguínea durante e após as sessões de 90 e 110% do LA. Ambas intensidades de

exercício promoveram uma diminuição significativa nas concentrações de glicose comparadas ao

CON. Redução significativa da glicemia foi observada aos 20 min de exercício (-41 + 15 mg.dl

-1), aos 15 min (-48 + 21 mg.dl-1) e 60 min da Rec pós sessão a 90% do LA enquanto que foi

observada uma queda significativa da glicemia aos 10 e 20 min do exercício e aos 15, 30, 45, 60

e 90 min da Rec após sessão de 110% LA ambas em relação ao controle. O exercício de maior

intensidade (110% LA) resultou em maior efeito hipoglicemiante e pode ser uma alternativa para

um melhor controle da glicose sanguínea em diabéticos tipo 2 que não possuam problemas

cardiovasculares ou outras complicações e restrições ao exercício realizado acima do LA. O DL

de variação 0 poderia ser utilizado como um método submáximo para identificar o LL.

Palavras chave: Diabetes tipo 2, Limiar anaeróbio, Controle da glicemia

(15)

With the purpose of analyzing the blood glucose responses during and after exercise performed at

90 and 110% of anaerobic threshold (AT) and compare the intensity of lactate threshold (LT)

with the intensity of delta lactate (DL), 14 type-2 diabetic patients (DM2) (60±11 years; 79±15

Kg; 162±6.5 cm) performed an incremental test (IT) on cycle ergometer. After the IT for AT

identification, participants to three experimental sessions on different days: a 20 min of cycling

either at 90 or 110% of AT (with the identification of DL) and a control session (CON). Blood

glucose was measured at rest, 10 and 20th min of exercise or control condition, as well as at each

15 min during a 2 hour post-exercise recovery period (Rec). Test t-student no identified

differences significant between LT and DL of variation 0. The One Way ANOVA did not

identify significant differences in blood glucose between the 90 and 110% AT session. Both

exercise intensities induced a significant decrease in blood glucose compared to CON, a

significant decrease was observed at the 20th min of exercise (-41 + 15 mg.dl-1), and at the 15th

min (-48 + 21 mg.dl-1) and 60th min of Rec from the 90% of AT session. It was also observed a

significant decrease at 10 and 20 min of exercise and at 15th, 30th, 45th, 60th and 90th min of

Rec from the session at 110% of AT. The exercise performed at a higher intensity (110% AT)

resulted in a higher hypoglicemiant effect and may be an alternative of exercise intensity to better

control the blood glucose for type 2 diabetics well no have cardiovascular complications or other

restrictions to exercise performed above the AT. The DL of variation 0 can be used as a

submaximum method to identify of the LT.

(16)

1. INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus (DM) é o distúrbio do metabolismo dos carboidratos caracterizado por

uma excessiva quantidade de glicose sanguínea (hiperglicemia), causada por uma ausência ou

deficiência parcial na secreção de insulina, deficiência na ativação dos pós-receptores de insulina

ou ambos (American Diabetes Association, 2005).

Nos últimos anos, o Brasil vem registrando uma crescente urbanização associada a um

processo de industrialização e melhoria nas condições de saneamento básico, trabalho e

educação. Como conseqüência houve uma melhora na qualidade de vida e diminuição da

mortalidade por doenças infecto-contagiosas. Entretanto, o número de mortes por doenças

crônico não transmissíveis (DCNT) se elevou (Brasil, 2005).

O DM é a DCNT que mais cresce no mundo, se constituindo em problema de saúde

pública. Cerca de 97% dos diabéticos na América Latina e Caribe são do tipo 2 (Barceló et al.,

2003). A prevenção e controle do diabetes tipo 2 podem ser feitas de forma simples, com

alimentação adequada e exercícios físicos orientados e regulares (Pan et al., 1997). Os exercícios

físicos atuam como uma forma não medicamentosa de controle glicêmico, o que é essencial para

a prevenção de complicações agudas relacionadas ao diabetes. Entretanto, a aplicação de

exercícios físicos sem orientação e o devido conhecimento das patologias associadas ao diabetes

pode trazer malefícios e piora do quadro clínico inicial.

Os vários aspectos do exercício físico, tais como, freqüência, duração, intensidade e

volume contribuem para que a resposta fisiológica ao exercício seja diferenciada. Desta forma, é

de primordial importância para o diabético tipo 2, o conhecimento das respostas metabólicas, em

especial a cinética glicêmica durante e após a realização de exercícios físicos realizados em

(17)

O conhecimento de uma intensidade de exercício físico que em uma única sessão de

exercício agudo, proporcionasse um melhor controle glicêmico sem oferecer um risco elevado,

seria de grande impacto e importância no tratamento do diabetes tipo 2 (DM2). Mas para isso é

necessário desenvolver um método submáximo e específico que permita identificar esta

intensidade ideal de exercício.

O monitoramento da intensidade de exercício é comumente realizado utilizando-se

porcentagens da freqüência cardíaca máxima ou a escala de percepção subjetiva de esforço

(Borg, 1973). Estes parâmetros de prescrição de treinamento são amplamente utilizados por

serem não invasivos e de fácil aplicação, porém sua utilização pode induzir a erros na prescrição

da intensidade de exercício adequada para diabéticos. O colégio americano de medicina do

esporte (Albright et al., 2000) recomenda que a freqüência cardíaca não deva ser utilizada

isoladamente para a prescrição da intensidade de exercício em diabéticos tipo 2, pois, muitos

diabéticos desenvolvem neuropatias e/ou utilizam beta-bloqueadores que influenciam a resposta

da freqüência cardíaca durante o exercício. Além disso, a freqüência cardíaca máxima é

comumente obtida por fórmulas que possuem uma grande margem de erro o que pode resultar em

complicações agudas durante a realização do exercício físico. A percepção subjetiva de esforço é

um parâmetro de avaliação física interessante devido a sua simplicidade, contudo apresenta várias

limitações como a não compreensão do paciente de seu esforço real durante o exercício e o risco

de complicações assintomáticas que não podem ser detectadas pelo paciente.

Atualmente o limiar anaeróbio é utilizado para avaliação funcional e prescrição da

intensidade de exercício para portadores de doenças crônico não transmissíveis (Kunitomi et al.,

2000; Thin et al., 2002), sendo este considerado um dos métodos “padrão ouro” para a prescrição

(18)

Assim, a utilização da freqüência cardíaca e da percepção subjetiva de esforço no controle

da intensidade de exercício deve ser vista com cautela para esta população. Novos estudos devem

ser realizados para padronizar métodos de avaliação física submáximos, diretos e específicos que

possam permitir identificar uma faixa de intensidade ideal de exercício para o controle da

(19)

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivos gerais

Investigar a possibilidade de se determinar a intensidade correspondente ao limiar de

lactato por meio de teste incremental e comparar os efeitos proporcionados por 20 minutos de

exercício em cicloergômetro a 90 e 110% do limiar anaeróbio em diabéticos tipo 2 que fazem uso

de hipoglicemiantes orais.

2.2. Objetivos específicos

Comparar a intensidade do limiar de lactato com a intensidade obtida pela variação do

lactato sanguíneo, em esforços duplos de carga constante (Delta de Lactato).

Analisar em diabéticos tipo 2, a resposta da glicemia durante e após exercício realizado a

(20)

3. JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA

O DM é uma DCNT caracterizado por uma excessiva quantidade de glicose sanguínea

levando a complicações agudas e crônicas como a poliúria, polidipsia, polifagia, visão turva, e

falência de vários órgãos (American Diabetes Association, 2004b). O DM é uma epidemia

mundial. Na América latina e Caribe o número de pessoas com diabetes tipo 1 foi estimado em

370.000 (2,4%) e tipo 2 14.860.000 (97,6%). O DM causa um elevado custo social e redução da

qualidade de vida de seus portadores. Em 2000, na América Latina e Caribe, o custo relacionado

a mortes em diabéticos com menos de 65 anos, foi estimado em 3 bilhões; por inatividade

permanente em 50 bilhões e por inatividade temporária 763 milhões de dólares. Os custos com o

tratamento foram de 4,7 bilhões com insulina e medicamentos orais, 332 milhões com

hospitalizações, 888 milhões com consultas médicas e 2,4 bilhões de dólares com outras

complicações decorrentes do DM. O Custo total associado ao DM na América Latina e Caribe foi

estimado em 65 bilhões de dólares, cerca de 182 bilhões de reais por ano (Barceló et al., 2003).

O combate a esta epidemia deve ser urgente e imediato. Aproximadamente 90% dos

portadores de DM2 são obesos (Barry et al., 2002), e sabe-se que o exercício físico contribui

cronicamente para redução da gordura corporal e conseqüente diminuição dos riscos e prevenção

para o desenvolvimento do DM2 (Bruce & Hawley, 2004). O exercício físico regular é uma das

principais formas de prevenção e tratamento não medicamentoso do DM2 (Kriska, 2003; Pan et

al., 1997), pois além de outros benefícios, promove um aumento da sensibilidade à ação da

insulina e aumento da captação de glicose pelo músculo exercitado auxiliando desta forma no

controle glicêmico (Albright et al., 2000).

Em indivíduos normais, durante o exercício físico, a captação de glicose é influenciada

(21)

(Coggan et al., 1990; Coggan et al., 1995). Em indivíduos saudáveis, durante exercícios físicos

de baixa e moderada intensidade, a captação de glicose é aumentada em relação ao repouso,

contudo a glicemia não se altera porque ocorre liberação de glicose hepática estimulada pela

maior liberação de hormônios contra regulatórios (glucagon). Entretanto, se exercícios físicos de

alta intensidade forem aplicados, as concentrações plasmáticas dos hormônios contra regulatórios

será maior, ocorrendo assim uma maior liberação hepática de glicose que supera sua captação

pelo músculo ativo, o que leva a um aumento da glicemia durante o exercício (Forjaz, 1998).

Se esta resposta de hiperglicemia durante a realização de exercícios de alta intensidade

ocorrer em diabéticos tipo 2, não seria interessante a aplicação desse tipo de exercício pois, a

glicemia se elevaria ainda mais. Contudo, as respostas metabólicas ao exercício físico em

diabéticos podem ser diferenciadas quando comparadas a indivíduos normais. Kang et al., (1996)

observaram em 6 diabéticos tipo 2, que nos 50 minutos de exercício, o exercício físico mais

intenso (70% do VO2 max, intensidade próxima ao limiar anaeróbio (LA) para esta população)

promoveu maior captação de glicose do que o exercício físico de menor intensidade (50% do

consumo máximo de Oxigênio (VO2 max) intensidade abaixo do LA).

Indivíduos portadores de DM2, por exemplo, possuem um maior percentual (62%) de

fibras do tipo 2 (contração rápida) quando comparados com obesos (56,1%) e controle (48,7%) e

a densidade de GLUT 4 nos diabéticos tipo 2 foi maior nas fibras tipo 2 que nas do tipo 1

enquanto que esta relação foi inversa para os indivíduos controle e obesos (Gaster et al., 2001).

Assim, é possível que exercícios de maior intensidade possam ter um maior efeito

hipoglicemiante devido a maior estimulação de fibras do tipo 2.

O conhecimento das respostas fisiológicas em diabéticos tipo 2 que ocorrem, não só

durante, mas também após o exercício físico realizado em diferentes intensidades é de

(22)

exercício reduzida quando se realiza exercícios com intensidades mais elevadas e relativas ao

LA?

4. REVISÃO DE LITERATURA

4.1. Diabetes e exercício físico

4.1.1. Diabetes mellitus

O DM é o distúrbio do metabolismo dos carboidratos caracterizado por uma excessiva

quantidade de glicose sanguínea (hiperglicemia), causada por uma ausência ou deficiência parcial

na secreção de insulina, deficiência na ativação dos pós-receptores de insulina ou ambos

(American Diabetes Association, 2005). O DM trata-se de uma complexa fisiopatologia

multifatorial pela existência de múltiplos fatores implicados em sua patogênese como a poliúria,

polidipsia, polifagia, visão turva, perda de peso e as complicações agudas como a hiperglicemia e

a hipoglicemia que podem levar a morte. A hiperglicemia crônica está associada a dano,

disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos (Fong et al., 2004), rins (American

Diabetes Association, 2004b), nervos, coração e vasos sanguíneos. Os maiores índices de

mortalidade em portadores de DM estão relacionados a doenças de origens vasculares (Laakso,

2000) e neurológicas como as macroangiopatias (afecções cardíacas isquêmicas e as

vasculopatias periféricas) e as microangiopatias (nefropatia e as neuropatias).

Segundo a World Health Organization (1999) e American Diabetes Association (2005) o

DM pode ser classificado em quatro categorias distintas: a) DM tipo 1; b) DMtipo 2; c) outros

(23)

O DM tipo 1 é caracterizado por deficiência parcial ou total na secreção de insulina,

causada pela destruição das células beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas, devido a

processos auto-imune ou por causas desconhecidas (idiopático) (World Health Organization,

1999). Cerca de 3% das pessoas diabéticas são do tipo 1 (Barceló et al., 2003). O

desenvolvimento do diabetes tipo 1 ocorre com maior freqüência entre os 10 e 14 anos de idade,

havendo a seguir uma diminuição progressiva da incidência até os 35 anos. No entanto,

indivíduos de qualquer idade podem desenvolver diabetes do tipo 1. Em geral, os pacientes

apresentam índice de massa corporal normal, mas a presença de obesidade não exclui o

diagnóstico. Por apresentarem pouca ou nenhuma insulina endógena, os diabéticos do tipo 1 são

suscetíveis à ocorrência de cetoacidose e hiperglicemia, com isto o diabético do tipo 1 deve

receber injeções diárias de insulina exógena para manter os níveis glicêmicos constantemente

controlados (American Diabetes Association, 2005).

O DM2 se caracteriza pela resistência à captação de glicose pelos tecidos muscular e

adiposo (American Diabetes Association, 2005). O desenvolvimento do DM2 está intimamente

relacionado à inatividade física e hábitos alimentares inadequados (Kriska, 2003; Pan et al.,

1997). Cerca de 97% de todos os diabéticos são do tipo 2 (Barceló et al., 2003), sendo a maioria

obesa, apresentando triglicérides elevados e menores quantidades de lipoproteínas de alta

densidade (Laakso, 2000), além de acentuada resistência à insulina. Ainda não estão bem

esclarecidos quais são os mecanismos que levam ao desenvolvimento da DM2, mas sabe- se que

o desequilíbrio do metabolismo lipídico está associado a resistência a ação da insulina (Bruce &

Hawley, 2004). Os diabéticos possuem uma menor capacidade de oxidar ácidos graxos devido

seu reduzido percentual de fibras do tipo I (Marin et al., 1994) o que leva a um acúmulo de

lipídios intramusculares que pode desencadear falhas nos pós-receptores de insulina podendo este

(24)

fundamental para portadores de DM2, os benefícios do exercício físico vem desde a prevenção do

DM2 (Pan et al., 1997) até a redução das concentrações sanguíneas de glicose durante e após

realização do exercício físico (Giacca et al., 1998).

Outros tipos de DM são originárias de diferentes patologias que levam ao

desenvolvimento do diabetes. Contudo, não devem ser classificadas como diabetes tipo 1 e tipo 2

ou gestacional. Com o avanço da medicina, tem se observado um grande número de causas para o

desenvolvimento do DM o que permitiu uma classificação mais específica e distinta. Atualmente,

são classificadas em várias sub-classes: a) Defeito genético nas células beta; b) resistência à

insulina determinada geneticamente; c) Doenças pancreáticas; d) distúrbios endócrinos; e)

causado por compostos químicos ou fármacos; f) infecções; g) formas incomuns de diabetes

auto-imunes; h) outras síndromes genéticas associadas ao diabetes (American Diabetes Association,

2005).

DM gestacional é uma intolerância a glicose diagnosticada durante a gravidez, podendo

ou não persistir após o parto (World Health Organization, 1999). Em torno de 7 % das mulheres

grávidas vão desenvolver o diabetes gestacional (American Diabetes Association, 2004a),

geralmente do segundo ao terceiro trimestre de gravidez. Após a gravidez, a intolerância à glicose

não é observada, contudo há possibilidade das pacientes acometidas de diabetes gestacional

desenvolverem DM2. Os fatores de risco associados à diabetes gestacional são semelhantes aos

descritos para o DM2 podendo inclusive levar a perda fetal durante a gravidez, sendo de

fundamental importância a realização de testes diagnósticos em todas mulheres grávidas.

(25)

Em repouso, as membranas das fibras musculares são pouco permeáveis à glicose, sendo

a insulina a responsável pela estimulação de uma série de reações intracelulares em cascata que

resulta no aumento de sua captação. Durante o exercício físico, o substrato energético utilizado é

regulado pelo sistema neuro-endócrino, a secreção de insulina é diminuída e ocorre um aumento

na concentração sanguínea de outros hormônios como as catecolaminas, glucagon (Sigal et al.,

2004). Neste momento, as fibras musculares se tornam bastante permeáveis à glicose e o

organismo utiliza grandes quantidades de glicose durante o exercício físico para gerar energia

necessária para contração muscular, mesmo não havendo grandes quantidades de insulina

plasmática circulante. Os mecanismos moleculares que desencadeiam a captação de glicose não

dependente de insulina durante e após o exercício ainda não estão bem esclarecidos. Alguns

possíveis mecanismos relacionados a captação de glicose por uma via não dependente de insulina

são relacionadas ao aumento da expressão-gênica e/ou aumento da atividade molecular de

proteínas envolvidas no metabolismo da glicose como o glucose-transporter 4 (GLUT-4) e a

bradicinina envolvida no sistema calicreína-cininas (Kennedy et al., 1999; Taguchi et al 2000;

Ivy, 2004; Gibas et al., 2005).

Kennedy et al., (1999) sugerem que a captação de glicose durante o exercício físico se

deva ao aumento da translocação do GLUT-4 para a membrana celular. Estes autores

encontraram um aumento de 74% na quantidade de GLUT-4 após exercício em cicloergômetro,

se comparado aos valores de repouso o que poderia explicar a captação de glicose após o

exercício físico por uma via não dependente de insulina. Da mesma forma que Kennedy e

colaboradores (1999), Ivy, (2004) verificou que o exercício físico aumenta a expressão do

GLUT-4 nos músculos exercitados dessa forma o número de transportadores de glicose

(26)

Um dos possíveis mecanismos que auxiliam no aumento da expressão do GLUT-4 é a

bradicinina envolvida no sistema calicreína-cinina que pode auxiliar na captação de glicose num

sistema independente de insulina. O sistema da calicreína parece estimular a translocação do

GLUT-4 de maneira não insulino dependente (Taguchi et al 2000; Gibas et al., 2005) e como o

exercício físico aumenta a produção de bradicinina (Taguchi et al 2000) esta pode estar

relacionada a captação de glicose durante e após a realização do exercício físico.

Assim, devido a captação de glicose por um mecanismo não dependente de insulina,

durante o exercício físico poderia ocorrer uma queda da glicemia para valores inferiores a 60

mg.dl-1 (hipoglicemia) (McArdle, Katch e Katch, 2001). Entretanto, o organismo humano possui

mecanismos fisiológicos que evitam a queda abrupta das concentrações de glicose como, por

exemplo, a produção hepática de glicose ou gliconeogênese e a glicogenólise hepática.

O aumento da captação e utilização de glicose durante o exercício está diretamente

relacionado à intensidade e duração desse exercício. Em indivíduos ativos e não ativos saudáveis,

durante os 30 minutos iniciais de exercício físico leve a moderado, a glicemia não se altera,

porém, se o exercício físico continuar, há uma tendência de queda glicêmica a partir do 60º

minuto (Coggan et al., 1990). A manutenção da glicemia nos 30 minutos iniciais do exercício se

deve a redução das concentrações plasmáticas de insulina e ao aumento dos hormônios contra

regulatórios (cortisol, glucagon, adrenalina, noradrenalina e hormônio do crescimento) que

estimulam a glicogenólise e a gliconeogênese fazendo com que haja um equilíbrio entre produção

e utilização da glicose. No exercício físico intenso, há um aumento nas concentrações de glicose

sanguínea, este aumento é explicado pela maior estimulação e secreção dos hormônios contra

regulatórios que estimulam uma produção de glicose superior à sua utilização (Forjaz et al.,

(27)

Estas respostas são mais claras quando observamos o comportamento glicêmico durante

exercícios incrementais empregados na determinação do limiar anaeróbio. Simões et al. (1998)

observaram semelhança entre a cinética glicêmica e a cinética lactatêmica durante a aplicação do

teste para determinação do LA não encontrando diferenças estatisticamente significantes entre o

limiar anaeróbio identificado por dosagens lactatêmica e o identificado por dosagens glicêmicas.

Posteriormente, diversos estudos confirmaram semelhanças entre os limiares glicêmicos e

lactatêmica (Campbell, et al., 1998; Simões et al., 1999; Simões et al., 2003). Durante teste de

esforço incremental, em intensidades inferiores ao limiar anaeróbio, há uma manutenção ou

ligeira queda nas concentrações sanguíneas de glicose enquanto que em intensidades superiores

ao limiar anaeróbio as concentrações de glicose aumentam exponencialmente possivelmente pela

liberação de maiores quantidades de hormônios contra regulatórios. Urhausen et al. (1994)

verificaram equilíbrio dinâmico nas concentrações de lactato, glicose e adrenalina plasmática

durante exercícios de carga constante realizados na intensidade correspondente ao limiar

anaeróbio, sendo observado aumento destas variáveis fisiológicas em intensidades superiores ao

limiar anaeróbio. Desta forma, é possível que a intensidade correspondente ao limiar anaeróbio

também seja a máxima intensidade de exercício físico onde se observa um equilíbrio entre a

produção e utilização de glicose e toda intensidade realizada acima desta resultaria em aumento

da glicemia enquanto que todas intensidades abaixo resultariam em queda da mesma. Contudo,

em diabéticos tipo 2 estas respostas podem ser diferentes.

Kang et al., (1996) observaram que diabéticos tipo 2, apresentam uma maior queda

glicêmica durante exercícios de maior intensidade (70% do VO2 max, próximo a intensidade do

LA) do que em exercícios de menor intensidade (50% do VO2 max, intensidade abaixo do LA).

Estudos sobre o controle da glicemia em intensidades de exercício baseadas no LA,

(28)

exercício com menor e maior ativação simpática. Para diabéticos tipo 2, a avaliação do limiar

anaeróbio poderia ser empregada para prescrição da intensidade de exercício adequada como uma

forma de terapia não medicamentosa para o controle glicêmico, uma vez que o lactato, a glicose e

adrenalina estavam aumentados consideravelmente em intensidades acima do limiar anaeróbio

em indivíduos saudáveis (Urhausen et al., 1994).

Um programa de exercício físico bem orientado e regular promove muitos benefícios

como a redução dos fatores de risco de doenças cardiovasculares, bastante comuns em diabéticos,

aumento do fluxo sanguíneo nos membros inferiores prevenindo os efeitos da aterosclerose,

redução das taxas de colesterol e triglicérides, bem como, a redução da pressão arterial

pós-exercício, redução da massa corporal, melhora da tolerância à glicose e da sensibilidade à

insulina (American Diabetes Association, 2004c). Além disso, em muitos casos, a prática regular

da atividade física leva à diminuição das doses de medicamentos hipoglicemiantes orais, auxilia

na redução do estresse e combate a depressão bastante comum em diabéticos idosos (Netto,

2000). Contudo, as respostas glicêmicas em exercícios realizados abaixo e acima do LA em

diabéticos tipo 2 não foram ainda investigadas.

Com intuito de simular em parte a condição de hiperglicemia do diabético, Mizuta e

Simões (2000) investigaram as respostas glicêmicas após hiperglicemia induzida pela ingestão de

carboidratos em indivíduos saudáveis durante 25 minutos de exercício em diferentes intensidades

relativas de esforço (80, 90 e 100% do limiar anaeróbio e uma intensidade a critério do

voluntário) e observaram que todas as intensidades de exercício resultaram em queda da

glicemia, no entanto a 90% do limiar anaeróbio a queda da glicemia foi mais acentuada. A

aplicação deste achado em diabéticos tipo 2 poderia ser de grande importância e relevância, mas

não se sabe se a resposta glicêmica a estas intensidades de exercícios nos diabéticos seria

(29)

exercício físico que contribua mais para o controle glicêmico em diabéticos tipo 2 poderia

contribuir para uma melhora sensível da qualidade de vida de portadores de DM2 e para uma

redução dos gastos com mortes prematuras, internações, medicamentos e invalidez associadas à

doença. Contudo, não há estudos que investigaram diferentes intensidades de exercício físico

relativas ao LA e controle glicêmico nessa população. Existe ainda a necessidade de se investigar

as respostas glicêmicas não só durante, mas também após a realização de exercícios físicos em

diferentes intensidades em indivíduos diabéticos tipo 2.

4.1.3. Exercício físico e diabetes tipo 2

Em um estudo realizado na China, foi observado que a incidência de DM2 em 577

indivíduos com resistência à insulina foi menor nos indivíduos que receberam intervenção (dieta -

44%; exercício - 41%; e dieta + exercício - 46%) do que no grupo controle (68%) (Pan et al.,

1997). Assim, a atividade física pode reduzir a incidência de DM2 além de promover inúmeros

benefícios para portadores de DM2, o exercício atua como forma não medicamentosa de controle

glicêmico, o que é fundamental para a prevenção de complicações relacionadas ao DM2 como a

hipertensão arterial (HA).

A hiperinsulinemia, característica no diabético tipo 2, aumenta a atividade do sistema

nervoso simpático, o que desencadeia um estado hiperadrenérgico promovendo assim a

vasoconstrição e contribuindo para a elevação da pressão arterial e desenvolvimento da

hipertensão arterial (Landsberg et al.,1992). A HA é a maior determinante da ocorrência de

eventos cardiovasculares em pacientes diabéticos tipo 2. Sua prevalência é duas vezes maior em

diabéticos e sua presença aumenta a ocorrência de complicações micro e macrovasculares

(30)

Além de contribuir para o controle glicêmico dos diabético tipo 2, o exercício físico pode

reduzir os valores da pressão arterial após uma única sessão de exercício, este fenômeno é

denominado de hipotensão pós-exercício (HPE). A HPE pode ser mantida por até 22 horas

(Rondon et al, 2002) e sofre influência da intensidade e duração do exercício (Forjaz et al.,1998;

2004). Forjaz et al., (1998; 2004) observaram que a duração e a magnitude da HPE é maior em

exercícios de maior duração e maior intensidade, porém exercícios de maior intensidade e

duração podem não ser os mais indicados para pessoas com baixa aptidão física e complicações

cardiovasculares como é o caso de muitos portadores de DM2.

Para diabéticos, exercícios de baixa e moderada intensidades são os mais recomendados.

Sigal et al., (2004) recomendam que para o controle glicêmico, manutenção do peso e redução do

risco de doenças cardiovasculares deve-se realizar 150 minutos por semana de atividade física

aeróbia moderada (40 a 60% do VO2 max)ou 50 a 70% da freqüência cardíaca máxima (FC máx))

e/ou 90 minutos por semana de atividade física aeróbia mais intensa (maior que 60% do VO2 max

ou maior que 70% da FC máx). Já quando a ênfase é a perda de peso é recomendado um maior

volume de exercício semanal (7h de atividade física aeróbia moderada a intensa). A atividade

física deve ser realizada numa frequência de 3 dias por semana e não mais de 2 dias sem

atividade física, porém indivíduos com tempo reduzido para realizar atividade física devem

fazê-lo mesmo que por pouco tempo, pois 20 minutos de exercício aeróbio podem ser suficientes para

causar queda de glicemia (Dados do presente estudo apresentados na Figura 6).

Albright et al., (2000) recomendam exercícios com frequência de 3 a 5 vezes por semana

e intensidade baixa a moderada (40 a 70% VO2 max) para melhora do condicionamento

cardiovascular e para promover mudanças metabólicas favoráveis tais como, diminuição da

resistência à insulina. Para estes autores, exercícios de alta intensidade (70 a 90% VO2 max)

(31)

risco/benefício, intensidades baixas e moderadas proporcionam menor risco para diabéticos que

frequentemente apresentam doenças cardiovasculares. Para diabéticos a duração do exercício

inicialmente deve ser curta (10 a 15 minutos) e deve ser aumentada gradualmente levando em

consideração a individualidade do paciente até uma duração de 30 a 60 min. Além disso, o

exercício pode ser fracionado em sessões de 10 minutos.

Kunitomi et al (2000) reavaliaram a melhor intensidade para a realização de exercícios

aeróbios. Neste estudo 56 diabéticos tipo 2 foram submetidos a um teste incremental para

identificação do LA, da FCmáx, frequência cardíaca de reserva (FCres) e da percepção subjetiva de

esforço (PSE). Estes autores indicaram o limiar anaeróbio para a prescrição de exercícios

aeróbios por ser uma intesidade que delimita o predomínio entre o sistema aeróbio e anaeróbio de

produção de energia. Segundo estes autores, 60% da FCmáx, 30% da FCres e PSE 12 (Intensidade

moderada) seriam as intensidades recomendadas para a prescrição de exercícios em diabéticos

tipo 2.

A combinação mais recomendada de exercícios para diabéticos é exercício aeróbio e

exercício resistido. Estes exercícios realizados de forma isolada ou simultânea promovem

controle glicêmico de forma aguda ou crônica em diabéticos tipo 2.

Baldi e Snowling (2003) investigaram os efeitos do treinamento resistido de intensidade

moderada no controle glicêmico em homens diabéticos tipo 2 obesos. 18 diabéticos foram

divididos em dois grupos (grupo de treinamento resistido e o grupo controle). Os que

participaram do treinamento resistido realizaram 1 a 2 passagens em um circuito de 10 exercícios

com 12 repetições, sendo os exercícios realizados em 3 dias por semana. Após 10 semanas, os

indivíduos que realizaram o treinamento resistido reduziram significativamente os valores

plasmáticos de glicose e insulina em jejum em relação ao grupo controle, a massa muscular

(32)

resistência muscular aumentou 25 e 52% respectivamente (não houve aumento de força e

resistência muscular no grupo controle), os valores de hemoglobina glicada não foram

modificados em ambos os grupos apesar de ter ocorrido a tendência de modificações positivas no

grupo de treinamento resistido (p=0,057). Estes autores concluíram que o exercício resistido

moderado é eficiente para promover moderado controle glicêmico e auxiliar na diminuição da

insulina de jejum em homens diabéticos tipo 2 obesos.

Giacca et al., (1998) observaram em 7 indivíduos sem sobrepeso, 7 obesos e 7 obesos

diabéticos tipo 2 a resposta aguda da glicemia durante exercício aeróbio (45 minutos a 50% do

VO2 máx em cicloergômetro) e durante 150 minutos de recuperação pós-exercício. Nos indivíduos

sem sobrepeso e obesos, a glicemia não se modificou durante o exercício e durante a recuperação

pós-exercício, já nos indivíduos obesos diabéticos a glicemia teve um declínio médio de 1 mM

(18 mg.dl-1) durante o exercício e se manteve abaixo dos valores basais durante o período de

recuperação pós-exercício. A secreção da insulina foi similar em ambos os grupos, mas a taxa de

utilização da glicose durante o exercício foi maior nos indivíduos diabéticos. Neste estudo de

Giacca et al., (1998) o exercício físico de moderada intensidade e duração (45 minutos a 50% do

VO2 max aproximadamente 70% do LA para diabéticos tipo 2) promoveu redução da glicose

plasmática durante e após a realização de exercícios em indivíduos diabéticos tipo 2, porém o

mesmo não ocorreu em indivíduos não diabéticos sem sobrepeso e obesos.

Em um estudo que associa treinamento aeróbio em esteira (75 minutos de corrida e

caminhada em intensidade de 60 a 80% da FCmáx aproximadamente 80 a 100% LA) realizado

duas vezes por semana e exercícios resistidos (6 exercícios, 3 séries de 12 repetições a 60% da

carga máxima) realizado duas vezes por semana durante 16 semanas, Tokmakidis et al., (2004)

observaram modificações positivas no controle glicêmico, ação da insulina, força muscular e

(33)

melhoras significativas na glicemia e insulinemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), na

glicemia e insulinemia durante o teste de tolerância à glicose, no tempo de exercício e na força

muscular após as 16 semanas da associação de exercícios aeróbio e resistido.

Assim, a atividade física regular desencadeia alterações fisiológicas benéficas para

portadores de DM2 e pode prevenir o desenvolvimento da DM2 e ser considerada uma forma não

medicamentosa de controle glicêmico, o que é fundamental para a prevenção de complicações

relacionadas ao DM2.

4.2. Métodos de avaliação física

4.2.1. Consumo máximo de oxigênio

O consumo de oxigênio (VO2) reflete a capacidade do organismo em transportar e utilizar

o oxigênio para a formação de energia, esta medida aumenta linearmente com o incremento da

carga/intensidade de trabalho até um momento onde não se observa o aumento do VO2 com o

incremento de carga, neste momento obtemos o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) (Barros

Neto et al., 2001). O VO2 máx é limitado pelo débito cardíaco máximo (DCmáx) e pela máxima

extração periférica de oxigênio (diferença arteriovenosa de O2: (a-v)O2). A fórmula de Fick (VO2

máx = DCmáx x (a-v)O2 ) expressa bem estas limitações, pois para se alcançar valores máximos de

consumo de O2 é necessário haver uma boa capacidade do sistema cardiovascular em fornecer

oxigênio para as mitocôndrias e uma boa capacidade tecidual de extrair este oxigênio circulante

(Silva et al., 1997).

O VO2máx é uma medida amplamente utilizada para a avaliação e prescrição de

(34)

2000; Spencer e Gastin, 2000; Simões et al., 2003; Silva et al., 2005) como para portadores de

doenças crônico não transmissíveis (Larsen et al., 1999; Kunitomi et al., 2000; Thin, et al., 2002;

Guelfi et al., 2005; Perrone et al., 2005). A determinação do VO2 máx pode predizer o risco de

mortalidade para homens e mulheres (Blair et al., 1984) e, um pequeno aumento desta aptidão

física está associado à uma redução significativa no risco de morte (Erikssen et al., 1998).

Diabéticos comumente apresentam baixos valores de VO2 máx (+18,0 ml.kg.min-1) e pequenos

aumentos nestes valores resultam em uma maior sensibilidade à insulina e redução da taxa de

mortalidade (Albright et al., 2000). Assim, o VO2 máx representa um importante aspecto da

avaliação funcional e fornece informações importantes para o diagnóstico clínico.

4.2.2. Limiar anaeróbio

Atualmente, encontramos um grande número de terminologias e metodologias

(Wasserman & Mcllory, 1964; Heck et al., 1985; Tegtbur et al., 1993; Simões et al., 1999;

Beneke, 2003; Billat et al., 2004) utilizadas para identificar uma intensidade de exercício onde se

observa um equilíbrio dinâmico entre diversas variáveis fisiológicas como a concentração de

lactato e o VO2 (Baron et al., 2003). Esta intensidade de exercício é comumente chamada de

limiar anaeróbio (LA). Devido a este grande número de métodos utilizados para se estimar esta

intensidade de equilíbrio, há uma certa confusão na definição e conceituação do LA.

O termo limiar anaeróbio foi inicialmente proposto por Wasserman & Mcllory, em 1964.

Estes autores utilizaram parâmetros ventilatórios para identificar o início da acidose metabólica

durante um teste físico com incremento progressivo de carga, posteriormente o termo foi

(35)

sofrendo alterações com o passar do tempo (Kindermann et al., 1979; Skinner e Mclellan, 1980;

Heck et al., 1985; Tegtbur et al., 1993; Simões et al., 1999; Beneke, 2003; Billat et al., 2004;

Pardono et al, 2005).

Atualmente as respostas lactatêmicas e ventilatórias durante um teste incremental são as mais

utilizadas para se determinar o LA, mas, independente da terminologia, metodologia e

conceituação utilizada, o LA é um importante parâmetro de avaliação aeróbia, sua determinação é

de fundamental importância para a prescrição de exercícios físicos também para portadores de

DCNT.

4.2.3. Limiar ventilatório

O LA como foi citado no capítulo anterior pode ser determinado por diferentes métodos, e

o método não invasivo que utiliza os gases (O2 e CO2) expirados para identificar o LA é

comumente denominado de limiar ventilatório (LV).

Para compreendermos como é possível identificar o aumento da acidose metabólica por

parâmetros ventilatórios, devemos dar uma breve explicação de alguns parâmetros envolvidos

nestas reações. A ventilação pulmonar (VE) é resultante do produto da freqüência respiratória

pelo volume corrente e expressa o volume de ar inspirado em litros por minuto. Cerca de 70% do

VO2 consumido é convertido em dióxido de carbono (VCO2) e eliminado pelos pulmões. Durante

o exercício, o VCO2 pode ser produzido pelo organismo a partir de duas formas, gerado pelo

metabolismo oxidativo ou resultante do tamponamento do lactato (Barros Leite et al., 2001).

Com o incremento da sobrecarga de trabalho o VO2, o VCO2 e o lactato aumentam

paralelamente durante o esforço, a partir do momento em que o LA é atingido, a produção do

(36)

acarreta em aumento da produção de CO2 muscular devido ao sistema tampão do bicarbonato

entrar em ação. O início da acidose metabólica e o excesso de CO2 estimulam os centros

respiratórios que desencadeiam o aumento da ventilação, neste momento o limiar ventilatório

pode ser identificado quando ocorrer um aumento desproporcional de VCO2 em relação ao VO2 e

portanto um aumento no equivalente ventilatório de O2 (VE/VO2) sem que haja um aumento

equivalente para CO2 (VE/VCO2) (Ferraz e Bocchi, 2001; Yazbek et al., 2001; Serra, 1997;

Barros Neto et al., 2001).

Desta forma, a análise dos gases expirados durante exercícios incrementais, podem

fornecer medidas não invasivas e indiretas do início da acidose metabólica que acontecem nos

músculos ativos e permitir identificar o limiar anaeróbio.

4.2.4. Métodos lactatêmicos para identificação do limiar anaeróbio

A resposta do lactato sangüíneo durante o exercício físico é aceito como o mais adequado

índice fisiológico para: a) avaliar o desempenho em exercícios físicos submáximos de longa

duração; b) prescrição da intensidade relativa de esforço; c) determinar os efeitos do treinamento

e destreinamento (Weltman, 1995; Denadai, 2000).

Contudo, para portadores de DCNT, os métodos lactatêmicos não são os mais utilizados

para se determinar o LA. Os métodos ventilatórios são mais utilizados por serem não invasivos.

O grande número de coletas sanguíneas e a aplicação de métodos máximos são fatores que

restringem sua aplicação para muitos portadores de DCNT.

Atualmente o parâmetro fisiológico mais utilizado para a prescrição da intensidade de

(37)

constantemente utilizadas para se identificar a freqüência cardíaca máxima de forma indireta,

estas equações possuem uma grande margem de erro o que compromete sua aplicação para

portadores de doenças crônico não transmissíveis, além de muitos destes consumirem drogas

(medicamentos) que alteram a FC.

O VO2 máx e o LA são comumente utilizados para a prescrição da intensidade de exercício,

porém o teste incremental que permite obtê-los de forma indireta é realizado até a exaustão, o que

pode não ser recomendado a esta população que pode apresentar complicações associadas ao DM

como hipertensão, doenças coronarianas.

Uma alternativa para estas limitações seria a utilização de um novo método, o delta de

lactato que foi desenvolvido para identificar uma intensidade de exercício onde teoricamente

ocorreria uma variação 0 da concentração do lactato sanguíneo. Esta nova metodologia propõe

identificar a intensidade da máxima fase estável de lactato a partir da variação do lactato

sanguíneo em 2 sessões de exercícios submáximos com apenas 2 coletas sanguíneas em cada

sessão de exercício (Billat et al., 2004).

O delta de lactato poderia ser de grande aplicação para diabéticos tipo 2, esta nova

metodologia apresenta inúmeras vantagens como seu baixo custo e sua fácil aplicação, além de

ser um método sub-máximo o que é de fundamental importância quando se trata de pessoas com

baixa aptidão física e alto risco cardiovascular, porém a validade do delta de lactato para estimar

(38)

5. MATERIAIS E MÉTODOS

5.1.Comitê de ética de pesquisa em seres humanos

Os métodos utilizados no presente estudo foram aprovados pelo Comitê de Ética de

Pesquisa em seres humanos da Universidade Católica de Brasília oficio CEP/UCB número

103/2005. Antes de serem submetidos ao estudo, os voluntários assinaram um termo de

consentimento livre e esclarecido onde foram informados sobre os procedimentos bem como

riscos e benefícios envolvidos na pesquisa e preencheram um questionário sobre histórico de

saúde (Anexo 2).

5.2. Amostra

Participaram da pesquisa 14 voluntários portadores de DM2, com idade entre 42 e 76

anos. Para se diagnosticar a presença de complicações cardiovasculares um eletrocardiograma

(ECG) de repouso e de esforço foi realizado por um cardiologista. Os critérios de exclusão dos

voluntários da participação na pesquisa foram: macroangiopatias, retinopatias, nefropatias,

neuropatias, pé diabético com feridas, uso de insulina.

A tabela 1 apresenta as características de todos os voluntários do estudo, trazendo também

os valores de repouso do lactato e da glicemia em jejum. A tabela 2 apresenta os valores de

repouso da pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM), freqüência cardíaca

(39)

Tabela 1 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) das características dos voluntários que participaram do estudo e valores do lactato e glicemia de jejum (n = 14).

Voluntário (anos) Idade

Tempo Diabetes (anos) Peso (kg) Altura (cm) IMC

(kg.m2)-1 Sexo

Lactato repouso (mM) Glicemia jejum (mg.dl)-1

F 76 20 72,7 159 29 M 1,2 123

H 44 2 98,3 160 38 F 1,7 209

N 73 4 68,0 162 26 F 2,8 219

J 60 21 94,2 163 36 M 1,3 186

D 42 2 107,3 174 35 M 1,3 120

E 55 13 71,0 162 27 F 1,6 150

V 58 1 64,4 151 28 F 1,4 130

M 47 16 74,3 163 28 F 2,6 140

C 57 2 75,5 160 30 F 1,7 131

S 57 8 77,0 158 31 F 2,3 307

I 64 4 80,0 159 32 F 1,8 126

JP 64 11 94,0 164 35 M 1,6 128

Z 74 10 48,0 159 19 F 2,3 164

A 66 9 78,0 177 25 M 2,2 232

Média 60 9 79,0 162 30 -- 1,8 169

+ DP 11 7 15,0 6,5 5 -- 0,5 55

Tabela 2 - Valores individuais e média ± desvio padrão (DP) dos valores de repouso da pressão arterial sistólica (PAS), diastólica (PAD) e média (PAM), freqüência cardíaca (FC) e VO2pico (n = 14).

Voluntário repouso PAS

(mmHg) PAD repouso (mmHg) PAM repouso (mmHg) FC repouso (Bpm)

VO2 pico

(ml.kg-1.

min-1)

Medicamentos

F 152 71 98 50 14 --

H 124 79 94 73 15 --

N 128 67 87 74 19 *Gliclazida, *Metformina

J 145 85 105 90 21 *Gliclazida, *Metformina, Niceptina

D 127 77 94 70 24 *Metformina

E 108 69 82 73 -- *Glibenclamida, Verapamil, Primarim

V 129 85 99 82 19 Inalapril, Aniaril

M 125 75 91 81 -- Natrilix, *Gliclazida, *Metformina, beozidrato

C 114 74 87 65 20 *Metformina, Hyzaor

S 118 75 89 77 19 *Metformina, *Gliclazida, Vasopril, Pressat, Zocor

I 127 75 92 71 12 *Metformina

JP 111 71 81 76 17 *Metformina, *Gliclazida, Vasopril, Natrilix

Z 134 69 91 74 18 *Gliclazida

A 135 76 96 99 19 Nifeloti, *Glibenclamida, Somalgim

Média 127 75 92 75 18,0 --

+ DP 12 5 7 11 3,6 --

* Hipoglicemiantes orais estão descritos no anexo 2. Não foi possível identificar o VO2 pico para E

(40)

5.3. Procedimentos

Após avaliação clínica realizada pelo cardiologista, os voluntários foram submetidos a um

teste incremental em cicloergômetro para identificação do limiar anaeróbio e para registro do

eletrocardiograma. Após a determinação do limiar anaeróbio, os voluntários realizaram em dias

distintos e em ordem randomizada sessões de exercícios com carga constante ou retangular

durante 20 minutos em cicloergômetro a intensidades de 90 e 110% do limiar anaeróbio e uma

sessão onde os voluntários permaneceram em repouso sentado (sessão controle). Todos os

exercícios foram realizados na bicicleta ergométrica Lode Excalibur.

A PSE, PAS, PAD, FC, VO2, lactato e glicose sanguínea foram mensurados durante os 20

minutos do repouso pré-exercício e durante as sessões de 20 minutos de exercício. A glicose

sanguínea foi mensurada a cada 15 minutos durante duas horas após a realização do exercício.

Todos os testes foram realizados sempre no mesmo horário do dia, em um prazo de duas

semanas. Com exceção do teste incremental, todas as demais sessões foram randomizadas.

Durante todo o estudo os testes foram realizados com acompanhamento e supervisão de

um médico cardiologista para analisar as possíveis alterações cardiovasculares e interromper

qualquer teste, se necessário.

5.3.1. Alimentação, medicamentos e temperatura

Um quite alimentar contendo um biscoito salgado integral 30g, um mini bolo e um suco

de baixa caloria totalizando 256 Kcal, 28% de gordura, 64% de carboidratos e 8% de proteínas

(41)

antes das sessões de exercícios de carga constante e controle. O teste incremental foi realizado

em jejum para possibilitar uma melhor identificação do LA.

O quite alimentar foi proposto com o intuito de minimizar a influência de diferentes tipos

de alimentação realizadas previamente ao exercício. O período de ingestão do desjejum de 1 a 2

horas antes das sessões foi determinado por proporcionar ao diabético tipo 2 uma condição ideal

para a prática de exercício físico segundo recomendações de Poirier et al., 2000; Poirier et al.,

2001. Foi respeitado um prazo de no mínimo 24h entre os testes para se evitar possíveis efeitos

da fadiga muscular e captação de glicose pós-exercício aumentada, que segundo Albright et al.,

2000, pode se prolongar por 24a 72h.

A utilização dos medicamentos não foi suspensa durante a realização do estudo. Os

medicamentos foram mantidos para proporcionar uma maior validade ecológica ao estudo e

diminuir os riscos que poderiam ser causados pela suspensão dos medicamentos.

A temperatura ambiente sempre foi mantida entre 22 e 23 graus celsius e a umidade do ar

entre 50 e 70%. Todos os testes foram realizados no laboratório de fisiologia do exercício e

treinamento (LAFIT) da Universidade Católica de Brasília.

5.3.2. Teste incremental

O teste incremental (TI) foi realizado para se determinar o limiar anaeróbio, bem como,

para se realizar o eletrocardiograma de esforço que permitiu identificar respostas potencialmente

anormais, como isquemia miocárdica assintomática que, uma vez diagnosticada, contribuiu para

que o voluntário fosse orientado a procurar serviço especializado reduzindo os riscos de

intercorrências durante a continuidade do estudo preservando assim a vida e integridade do

(42)

de 60 rotações por minuto com incrementos de 15 (W) a cada 3 minutos (Coen et al., 2001) até a

exaustão voluntária ou até o voluntário atingir a freqüência cardíaca máxima prevista (220-idade)

(Robergs & Landwehr, 2002 ). No repouso e a cada 3 minutos do teste incremental foram

coletadas amostras sanguíneas para análise do lactato e glicose.

5.3.3. Exercício retangular e sessão controle

As seguintes sessões foram realizadas de forma randomizada e com um intervalo de no

mínimo 24 horas entre as sessões.

Sessão 90% LA: O exercício retangular foi realizado durante 20 minutos a 90% do limiar

anaeróbio.

Sessão 110% LA: O exercício retangular foi realizado durante 20 minutos a 110% do limiar

anaeróbio.

Sessão CON: Na sessão controle (CON) os mesmos procedimentos das sessões anteriores bem

como as mensurações foram realizadas no mesmo tempo correspondente às demais sessões,

porém o indivíduo permaneceu sentado em repouso sem ter realizado qualquer exercício físico.

Durante as sessões de 90 e 110% do LA e a sessão controle, 25 µL de sangue capilarizado

foi coletado do lóbulo da orelha em repouso, no décimo e vigésimo minuto do exercício ou nos

mesmos tempos correspondentes na sessão controle e a cada 15 minutos durante os 120 minutos

(43)

sanguíneo foram mensurados durante os 20 minutos do repouso pré-exercício, durante as sessões

de exercício, controle e durante 2 horas após cada sessão (Figura 1).

Figura 1 – Esquema representando os momentos onde foram coletados 25 µL de sangue

capilarizado durante as sessões retangulares e sessão controle.

5.3.4. Identificação do limiar anaeróbio por diferentes métodos

O LA foi identificado pelas técnicas do limiar de lactato (LL), limiar glicêmico (LG) e

limiar ventilatório (LV), e a média entre os 3 parâmetros foi considerado o LA (Figura 1). A

intensidade correspondente ao LL foi identificada no momento onde ocorreu um aumento

abrupto nas concentrações de lactato sanguíneo e o LG foi identificado como sendo a intensidade

de exercício onde ocorreu a menor glicemia durante o TI (Simões et al., 1998-2003). Análise de

gases expirados foi realizada continuamente (Cortex Metalyzer 3B System) e o LV foi

identificado como sendo a intensidade de exercício onde ocorreu um aumento desproporcional do

(44)

Figura 2 - Determinação do limiar anaeróbio de 1 voluntário pelos métodos glicêmico (LG),

ventilatório (LV) e lactatêmico (LL).

5.3.5. Identificação do delta de lactato

A intensidade referente ao delta de lactato (DL) foi obtida pela variação do lactato

sanguíneo em esforços duplos de carga constante (Billat et al., 2004), os métodos utilizados para

sua determinação estão descritos mais detalhadamente abaixo.

Após a determinação do LA, 2 exercícios de carga constante com duração de 20 minutos

nas intensidades de 90 e 110% do LA foram realizados e o lactato sanguíneo foi coletado no 10º e

20º minuto de exercício. Em sua respectiva intensidade subtrai-se a concentração do lactato do

20º minuto pela concentração do 10º minuto (Delta de lactato). Um gráfico, onde o eixo x

(45)

lactato, foi feito e foi adicionada a ele uma linha de tendência linear com exibição da equação no

gráfico (Figura 3).

A equação foi derivada, e foi obtida a intensidade de exercício onde teoricamente

ocorreria variação 0 (DL 0) ou variação 0,5 (DL 0,5) do lactato sanguíneo. A variação 0,5 foi

mensurada levando-se em consideração os estudos de Beneke (2003) que considera que a

máxima fase estável de lactato ocorra em uma variação de até 0,5 mM de lactato durante um

exercício de carga constante de 30 minutos (Figura 3).

Exemplo da determinação do DL para 1 voluntário:

A = [Lac] a 110% LA (41 W) no 20º min - [Lac] a 110% LA (41 W) no 10º min

A = 4,2 – 4,0 mM

A = 0,2 mM

B = [Lac] a 90% LA (34 W) no 20º min - [Lac] a 90% LA (34 W) no 10º min

B = 3,2 – 3,4 mM

B = -0,2 mM

Após adicionar a linha de tendência linear e exibir equação no gráfico as intensidades

correspondentes a variação 0 e 0,5 do lactato sanguíneo foram obtidas pelas seguintes equações:

DL (0): Variável 2/Variável 1 2,2916/0,0603 DL (0) = 38 W

Imagem

Tabela  1  -  Valores  individuais  e  média  ±  desvio  padrão  (DP)  das  características  dos  voluntários  que  participaram do estudo e valores do lactato e glicemia de jejum (n = 14)
Figura  1  –  Esquema  representando  os  momentos  onde  foram  coletados  25  µL  de  sangue  capilarizado durante as sessões retangulares e sessão controle
Figura  2  -  Determinação  do  limiar  anaeróbio  de  1  voluntário  pelos  métodos  glicêmico  (LG),  ventilatório (LV) e lactatêmico (LL)
Figura 3 – Determinação do delta de lactato de 1 voluntário.
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Referências

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