Nota de Aula 7 – APT, Modelos de Fatores e HME
Microeconomia Financeira
Mestrado Profissional em Economia – Universidade de Bras´ılia
Prof. Jos´
e Guilherme de Lara Resende
1
Arbitrage Price Theory (APT)
A leitura recomendada para as duas primeiras se¸c˜oes desta nota de aula ´e Elton, Gruber, Brown, and Goetzmann (2003), cap. 16; e Bodie, Kane, and Marcus (2013), cap. 10 (Arbitrage Pricing Theory and Multifactor Models of Risk and Return). A leitura recomendada para a ´
ultima se¸c˜ao, sobre mercados eficientes, ´e Elton et al. (2003), cap. 17 (Mercados Eficientes), Bodie et al. (2013), cap. 11 ( The Efficient Market Hypothesis). Al´em disso, s˜ao recomendados artigos ao longo desta nota de aula, para quem tiver interesse em se aprofundar no assunto.
1.1
Arbitragem
A Teoria de Precifica¸c˜ao por Arbitragem (no inglˆes, “Arbitrage Price Theory” – APT), proposta por Ross (1976, 1980), baseia-se na lei do pre¸co ´unico, que afirma que dois bens idˆenticos n˜ao podem ser vendidos a pre¸cos diferentes.
Se a lei do pre¸co ´unico n˜ao for v´alida, o mercado apresentar´a uma oportunidade de arbitragem: uma estrat´egia de investimento que resulta em lucro positivo sem nenhum custo.
Normalmente, uma oportunidade de arbitragem consiste em comprar o bem (ou ativo) com pre¸co mais baixo e vender o bem equivalente com pre¸co mais alto. Uma oportunidade de arbitragem aparece, por exemplo, quando existe uma carteira com “zero de investimento”, que rende um lucro seguro.
Quando um ativo ´e negociado por pre¸cos diferentes em dois mercados (e a diferen¸ca de pre¸cos excede o custo da transa¸c˜ao), uma negocia¸c˜ao simultˆanea nos dois mercados apresentar´a um lucro seguro (dada pela diferen¸ca dos pre¸cos) sem nenhum investimento l´ıquido.
As opera¸c˜oes de arbitragem levam os pre¸cos para uma situa¸c˜ao de equil´ıbrio, em que a opor-tunidade de arbitragem ´e dissipada. Esse processo resulta em restri¸c˜oes sobre os pre¸cos dos t´ıtulos. O modelo APT diz que duas carteiras diversificadas com o mesmo risco sistem´atico devem ter o mesmo retorno esperado, caso contr´ario ter´ıamos uma oportunidade de arbitragem.
1.2
Derivando o Modelo APT
O APT assume trˆes hip´oteses b´asicas:
1. Retornos podem ser descritos por um modelo de fatores,
2. O n´umero de ativos ´e grande o suficiente, de modo que permita diversifica¸c˜ao, 3. Oportunidades de arbitragem s˜ao rapidamente exauridas no mercado.
Segundo o APT, os retornos de qualquer a¸c˜ao est˜ao linearmente relacionados com um conjunto de k ´ındices:
ri = ai+ bi1I1+ bi2I2+ · · · + bikIk+ ei,
onde:
• ai = n´ıvel esperado de retorno da a¸c˜ao i se todos os ´ındices tiverem valor igual a zero;
• Ij = valor do j-´esimo ´ındice que tem impacto sobre o retorno da a¸c˜ao i;
• bij = sensibilidade do retorno da a¸c˜ao i ao ´ındice j;
• ei = termo aleat´orio de erro com m´edia zero e variˆancia σe2i.
Vamos derivar o modelo APT supondo apenas um fator, para simplificar a nota¸c˜ao. O caso geral ´e similar. O modelo sup˜oe que E(ei) = 0 e E(ei(Ij− EIj)) = 0, para todo j, i. Por´em,
a hip´otese mais importante ´e:
E(eiej) = 0,
ou seja, os erros dos retornos possuem covariˆancia igual a zero. Considere uma carteira diversificada. O retorno rp dessa carteira ´e:
rp = E(rp) + βpI + ep,
onde βp = P xiβi e ep =P xiei, em que xi denota o peso do ativo i na carteira. A variˆancia
da carteira ´e:
σ2p = βp2σI2+ σe2p A hip´otese E(eiej) = 0 implica:
σe2p = Var n X i=1 xiei ! = 1 n n X i=1 σ2 ei n ,
em que assumimos xi = 1/n para todo i. Logo, a variˆancia da carteira bem diversificada
depende apenas da parte sistem´atica, dada pelo fator considerado. Se a carteira de investimento ´
e bastante diversificada, todo o risco idiossincr´atico tende a zero e o pre¸co da carteira ser´a determinado pela quantidade de risco que o ativo carrega de cada fator. O modelo APT ´e, portanto, um modelo de fatores, onde o retorno de um ativo depende de maneira linear desses fatores.
A contribui¸c˜ao do APT ´e similar `a do modelo CAPM: o APT fornece uma “ponte” na qual um modelo linear de risco transforma-se em um modelo de equil´ıbrio de mercado. Essa ponte ´
e feita usando a lei do pre¸co ´unico e argumentos de ausˆencia de arbitragem no mercado de capitais. A ausˆencia de oportunidades de arbitragem restringe os pre¸cos de equil´ıbrio dos ativos financeiros.
Como todo risco idiossincr´atico pode ser diversificado, o investidor n˜ao recebe um prˆemio por esse tipo de risco. Pode-se mostrar que o modelo do APT resulta em:
Eri = λ0+ λ1bi1+ λ2bi2+ · · · + λkbik,
onde λ0 = rf e λj = ErIj − rf, e o ativo com retorno rIj ´e um ativo cujo risco ´e igual a zero
para todos os fatores diferentes de Ij e risco igual a um para o fator Ij.
Observe que λj mede o aumento no retorno esperado de um ativo dado um aumento em bij.
Logo, λj mede o excesso de retorno correspondente ao risco associado ao fator Ij. No caso de
Primeiro vamos analisar como determinar λ0. Considere uma carteira com zero de
sensibili-dade a qualquer fator, ou seja, sem nenhum risco sistem´atico (e todo risco n˜ao-sistem´atico foi eliminado via diversifica¸c˜ao). Por arbitragem, o seu retorno deve ser igual `a taxa livre de risco, logo λ0 = rf.
Para determinarmos λj, j = 1, . . . , k, devemos encontrar uma carteira pi com sensibilidade 1 ao
fator j (bpij = 1) e nenhuma sensibilidade aos outros fatores (bpik = 0, para todo fator k 6= j).
O retorno esperado dessa carteira ´e E(rpi) = rf + λi de modo que λi = E(rpi) − rf. Dizemos
que a carteira pi “imita” o fator 1 (pi ´e um factor i mimicking portfolio). Procedendo dessa
forma para todo fator, obtemos:
Eri− rf = [Erp1 − rf] b1i+ [Erp2 − rf] b2i+ · · · + [Erpk− rf] bki (1)
Logo:
• Carteiras bem diversificadas com os mesmos valores de betas (factor loadings) devem ter o mesmo retorno esperado.
• Para uma carteira p bem diversificada sens´ıvel apenas ao fator i temos que: E (rp) = a + λibip,
ou seja, o retorno esperado dessas carteiras deve aumentar linearmente em rela¸c˜ao `a sensibilidade do ativo ao fator i, medido pelo seu beta. Dizemos que λi ´e o pre¸co de
mercado (ou prˆemio ao risco) associado ao fator i.
´
E poss´ıvel mostrar que a rela¸c˜ao (1) obtida acima para carteiras bem diversificadas tamb´em deve ser satisfeita para quase todos os ativos individuais. A prova desse fato ´e complicada e n˜ao iremos desenvolvˆe-la. Mas a ideia ´e que se a rela¸c˜ao n˜ao for satisfeita para a grande maioria dos ativos, ent˜ao seria poss´ıvel encontrar uma carteira diversificada tal que a rela¸c˜ao tamb´em n˜ao seria v´alida, violando a lei do pre¸co ´unico.
Uma quest˜ao crucial ´e a escolha dos fatores. O modelo APT ´e silencioso a esse respeito. Intui-tivamente, n˜ao ´e dif´ıcil pensar em fatores que possam afetar os retornos de a¸c˜oes: flutua¸c˜oes das taxas de juros, ciclos de neg´ocios, infla¸c˜ao, etc. Por exemplo, Chen, Roll, and Ross (1986) usam os seguintes fatores, para o mercado americano:
1. IP : Mudan¸ca percentual na produ¸c˜ao industrial, 2. EI: mudan¸ca percentual na infla¸c˜ao esperada, 3. U I: mudan¸ca percentual na infla¸c˜ao n˜ao-antecipada,
4. CG: excesso de retorno de bˆonus de empresas de longo prazo sobre bˆonus do governo de longo prazo,
5. GB: excesso de retorno de bˆonus do governo de longo prazo sobre T-bills.
Entretanto, ´e dif´ıcil determinar os fatores que realmente devem ser utilizados, al´em de que, para estimarmos os coeficientes do modelo estat´ıstico do APT, ´e comum usar proxies desses fatores, j´a que eles podem n˜ao ser observ´aveis ou serem observ´aveis em baixa frequˆencia.
Ou seja, a estima¸c˜ao e os testes do APT esbarram na quest˜ao da escolha dos fatores a serem usados. Metodologias estat´ısticas, como an´alise fatorial, levantam uma s´erie de quest˜oes e dependem da amostra usada para calcular a matriz de variˆancia e covariˆancia dos ativos, al´em de n˜ao terem conte´udo econˆomico.
Isso implica que todo teste do APT ´e um teste conjunto da teoria do APT e da metodologia empregada para aplicar a teoria. Alguns artigos j´a determinam, a priori, os fatores a serem usados. Isso elimina v´arios problemas, mas permanece a quest˜ao da escolha desses fatores (“fishing for results”).
1.3
APT e o CAPM
O modelo APT com apenas um fator resulta em um relacionamento entre retorno esperado e risco similar ao obtido com o CAPM, sem exigir muitas das hip´oteses restritivas necess´arias para a deriva¸c˜ao do CAPM. Por´em, o modelo APT n˜ao assegura esse relacionamento para todos os t´ıtulos, todo o tempo. Esse ´e o pre¸co dessa generaliza¸c˜ao.
Por exemplo, o modelo APT adequado para um determinado conjunto de t´ıtulos pode ser diferente do modelo APT adequado para um outro conjunto de t´ıtulos. A tabela abaixo resume as diferen¸cas e similaridades dos dois modelos.
CAPM APT
Um fator (retorno de mercado) V´arios fatores (n˜ao identificados)
Equil´ıbrio de mercado Arbitragem
Todos os ativos individuais e carteiras Carteiras bem diversificadas e maioria dos ativos Todos investem na carteira de mercado Componente de risco n˜ao ´e (apenas) o mercado
Apenas risco sistem´atico ´e precificado Apenas risco sistem´atico ´e precificado Se modelo correto: α = 0 Se modelo correto: α = 0
2
CAPM de Multifatores
2.1
Modelo de Multifatores
Merton (1973) propˆos um modelo de CAPM intertemporal com v´arias fontes de incerteza. Cada fonte de incerteza gera um fator e recebe um prˆemio de risco. Exemplos: risco de mercado, risco de inadimplˆencia, risco de distress, risco de infla¸c˜ao.
Nesse caso, obtemos um modelo com formato similar ao APT de diversos fatores, mas cuja deriva¸c˜ao ´e fundamentalmente diferente.
Como esses modelos s˜ao apenas estimados, usando v´arios fatores, as vezes n˜ao ´e claro se o modelo ´e um CAPM multifatorial ou um APT.
2.2
Modelo Fama-French de Trˆ
es Fatores
Vimos que o CAPM n˜ao consegue explicar diversas anomalias do mercado acion´ario americano. Por exemplo, carteiras baseadas em tamanho da firma e em raz˜ao book-to-market possuem retornos esperados diferentes do que o CAPM prevˆe.
Fama and French (1996, 1993) propuseram o seguinte modelo de multifatores: Eri− rf = bi[Erm− rf] + siE(SMB) + hiE(HML) ,
onde:
• Erm− rf ´e o excesso de retorno do mercado;
• E(SMB) ´e a diferen¸ca entre retornos de uma carteira composta por firmas pequenas e retornos de uma carteira composta por firmas grandes (small-minus-big);
• E(HML) ´e a diferen¸ca entre retornos de uma carteira composta por firmas com raz˜ao valor cont´abil sobre valor de mercado alta e retornos de uma carteira composta por firmas com raz˜ao valor cont´abil sobre valor de mercado baixa (high-minus-low book to market ratio); • bi, si e hi s˜ao a quantidade de cada um dos trˆes riscos que o ativo i possui.
Fama e French argumentam que o modelo acima pode ser visto tanto como um CAPM in-tertemporal ou como um APT. Eles mostram que v´arias das anomalias presentes no CAPM desaparecem quando o modelo de trˆes fatores acima ´e utilizado.
Os valores de bi, si e his˜ao estimados, para cada carteira i, i = 1, . . . , 25, por meio da regress˜ao
temporal (t = 1, 2, . . . , T ): rit− rft = αi+ βti[r m t − r f t] + s i tSMBt+ hitHMLt+ it
Se o modelo de FF for adequado, ent˜ao αi = 0. Os autores confirmam isso para a maioria das
carteiras. Al´em disso, o R2 das 25 carteiras ´e usualmente acima de 90% e testes mostram que v´arias das anomalias do CAPM desaparecem nesse modelo.
A quest˜ao que os autores discutem, mas deixam em aberto, ´e sobre o uso dos fatores SMB e HML. Esses fatores devem ser vistos como proxies de riscos relevantes, diferentes do risco de mercado. Ou seja, por que os investidores se preocupam em ter carteiras que tˆem mau desempenho quando SMB e HMB n˜ao v˜ao bem, mesmo que o mercado n˜ao tenha se modificado? Fama e French argumentam que HMB serve como proxy para financial distress. Ou seja, se um aperto de liquidez ocorrer (ou outra situa¸c˜ao similar, como aperto de cr´edito ou fuga para qualidade), firmas em situa¸c˜ao de financial distress ter˜ao desempenho particularmente ruim. E exatamente em um momento como numa crise de liquidez, os investidores n˜ao querem a¸c˜oes com desempenho ruim nessa situa¸c˜ao de mercado. Logo, os investidores exigem um prˆemio para esse tipo de risco. J´a a interpreta¸c˜ao do fator SMB ´e menos clara.
Fama e French concluem que se o risco ´e propriamente mensurado, a maioria das anomalias do CAPM desaparece. Logo, se o CAPM apresenta alguma anomalia, o mais prov´avel ´e que ele n˜ao precificou corretamente o risco do ativo e n˜ao por que o mercado est´a precificando erradamente o ativo, o que significaria uma oportunidade de lucro certo.
3
Mercados Eficientes
3.1
Hip´
otese de Mercados Eficientes
A hip´otese de mercados eficientes (efficient market hypothesis, EMH – Samuelson (1965), Fama (1970)) postula que os pre¸cos dos ativos financeiros refletem integralmente todas as informa¸c˜oes dispon´ıveis sobre esses ativos. Mais precisamente, existem trˆes formas da hip´otese de mercados eficientes (Roberts (n.d.)):
• Forma Fraca: toda informa¸c˜ao contida nos pre¸cos passados est´a refletida nos pre¸cos correntes, ou seja, ε ´e imprevis´ıvel, dada toda infoma¸c˜ao passada de pre¸cos e volume de transa¸c˜oes. Isso implica que an´alises t´ecnicas, padr˜oes sazonais, estrat´egias de momento, etc, n˜ao devem levar a um retorno anormal.
• Forma Semiforte: toda informa¸c˜ao p´ublica est´a refletida nos pre¸cos correntes, ou seja, ε ´
e imprevis´ıvel, dada toda informa¸c˜ao passada publicamente dispon´ıvel. Isso implica que al´em das an´alises acima, an´alises de fundamentos (verificar dados cont´abeis, qualidade do gerenciamento, linha de produtos, projetos futuros, etc) n˜ao levam a retornos anormais. Logo, um gerente de um fundo de investimento n˜ao ir´a ter desempenho acima do mercado, a n˜ao ser que assuma mais risco do que o mercado apresenta.
• Forma Forte: toda informa¸c˜ao, p´ublica ou n˜ao, est´a refletida nos pre¸cos correntes. Isso implica que mesmo com informa¸c˜ao privilegiada (insider trading, etc), n˜ao seria poss´ıvel obter retornos anormais. Esta vers˜ao da hip´otese de EMH ´e dif´ıcil de testar, mas ´e consenso que os mercados n˜ao s˜ao eficientes nesse sentido (nos EUA, a Security Exchange Committee (SEC) e no Brasil, a Comiss˜ao de Valores Mobili´arios (CVM), tˆem como uma de suas fun¸c˜oes impedir e punir casos de insider trading, que supostamente geram preju´ızos para a sociedade – Bhattacharya and Daouk (2002) investigam o custo de insider trading no mundo).
Consequˆencia da hip´otese de eficiˆencia: n˜ao ´e poss´ıvel sistematicamente “bater” o mercado, ou seja, obter retornos acima do retorno do mercado de modo regular. Alguns mercados podem ser eficientes e outros n˜ao. A hip´otese de mercados eficientes pode, a princ´ıpio, ser testada. Usualmente, o teste ´e feito para a forma fraca ou para a forma semiforte da hip´otese.
Os testes da hip´otese de mercados eficientes assumem que os retornos dos ativos s˜ao deter-minados por algum modelo, tal como o CAPM. Logo, esses testes s˜ao testes conjuntos, tanto da hip´otese de eficiˆencia de mercado quanto do modelo usado para determinar os retornos esperados de equil´ıbrio.
Existem diversos testes poss´ıveis, e a rejei¸c˜ao do teste deve ser vista com cautela, pois diversos problemas podem ocorrer. Os testes dependem da forma que queremos testar. Um mercado ´e eficiente se os pre¸cos dos ativos refletem todas as informa¸c˜oes dispon´ıveis. Um dos problemas de testes da EMH ´e que todo teste deve assumir um modelo de equil´ıbrio que define qual seria o pre¸co ou retorno “normal ” do ativo. Logo, a rejei¸c˜ao da hip´otese pode tanto significar que o mercado ´e ineficiente ou que o modelo usado ´e incorreto.
Se o objetivo ´e testar a forma fraca, ent˜ao o conjunto de informa¸c˜ao relevante s˜ao os pre¸cos passados. Basicamente, isso significa que a melhor previs˜ao do pre¸co futuro ´e o pre¸co atual (o caso de um martingale). Em um dos primeiros estudos a examinar se pre¸cos continham algum padr˜ao de previsibilidade, Kendall (1953) analisou s´eries de pre¸cos semanais e encontrou que esses pre¸cos evoluiam de maneira aleat´oria, mas que a variˆancia emp´ırica dependia do tempo. Este resultado foi com o tempo interpretado como caracter´ıstica de um mercado eficiente, em
Como os pre¸cos j´a incorporam toda informa¸c˜ao passada, apenas informa¸c˜ao nova pode alter´ a-los. Como informa¸c˜ao nova ´e imprevis´ıvel, ent˜ao pre¸cos s˜ao imprevis´ıveis.
Existem diversas formas de testar a forma fraca, que tentam verificar se a variˆancia do erro ´e uma fun¸c˜ao linear do tempo, o que ocorrer´a se a s´erie de pre¸cos for um passeio aleat´orio. Esses testes s˜ao chamados testes de raz˜ao de variˆancia (Lo and MacKinlay (1988) e Cochrane (1988) foram os primeiros autores a usarem essa metodologia).
Uma adapta¸c˜ao da EMH foi proposta por Grossman and Stiglitz (1980): os pre¸cos dos ativos refletem toda informa¸c˜ao at´e que os custos marginais de obten¸c˜ao de informa¸c˜ao e negocia¸c˜ao n˜ao superem o seu benef´ıcio marginal. Mais ainda, Grossman and Stiglitz (1980) argumentam que um mercado inteiramente eficiente ´e imposs´ıvel de existir, pois isto implicaria a inexistˆencia de ganhos em obter informa¸c˜ao. Al´em disso, mercados distintos podem ter diferentes graus de eficiˆencia, refletindo o qu˜ao grande e organizado o mercado ´e.
3.2
Consequˆ
encias
Se os mercados financeiros forem eficientes, ent˜ao as consequˆencias para administra¸c˜ao ativa de carteiras s˜ao:
• Uma estrat´egia de administra¸c˜ao ativa de carteira baseada em informa¸c˜ao p´ublica n˜ao geraria retorno esperado maior do que uma estrat´egia passiva, na m´edia.
• Uma estrat´egia de administra¸c˜ao ativa de carteira baseada em informa¸c˜ao p´ublica, mas com custo de obten¸c˜ao, geraria um retorno esperado maior do que uma estrat´egia passiva, maior apenas por um montante suficiente para compensar o administrador pelos custos de obten¸c˜ao e processamento da informa¸c˜ao.
• Oportunidades de arbitragem s˜ao exploradas rapidamente, pois n˜ao permanecer˜ao por muito tempo no mercado.
Ent˜ao, an´alises t´ecnicas de mercado, que consistem em usar dados passados sobre os ativos financeiros para encontrar padr˜oes ou anomalias que possam gerar estrat´egias de investimento lucrativas, n˜ao deve gerar retornos anormais.
Os dados de retorno costumam mostrar tendˆencia de “momento” para prazos curtos e tendˆencia de “revers˜ao” para prazos longos. Mas se a forma fraca da hip´otese de eficiˆencia de mercado for v´alida, ent˜ao a an´alise t´ecnica ser´a irrelevante.
A hip´otese de eficiˆencia de mercado n˜ao diz que: • os pre¸cos n˜ao s˜ao causados por coisa alguma;
• os investidores s˜ao tolos ou n˜ao sabem operar no mercado; • todos os ativos financeiros tˆem o mesmo retorno esperado;
• os investidores devem “jogar dardos ao acaso” para escolher sua carteira; • n˜ao h´a tendˆencia de crescimento dos pre¸cos das a¸c˜oes.
A hip´otese de eficiˆencia de mercado diz que: • os pre¸cos refletem valores intr´ınsecos;
• os administradores financeiros n˜ao s˜ao capazes de se antecipar ao mercado na venda de a¸c˜oes e obriga¸c˜oes;
• as vendas de a¸c˜oes e obriga¸c˜oes n˜ao resultam em queda de pre¸cos; • n˜ao ´e poss´ıvel manipular dados cont´abeis.
3.3
Evidˆ
encia Emp´ırica
Atualmente, ´e consenso de retornos que a¸c˜oes e bˆonus americanos possuem um componente previs´ıvel, mas n˜ao o suficiente para levar a estrat´egias lucrativas de arbitragem.
A evidˆencia emp´ırica para cada uma das formas, no mercado americano, ´e:
• forma fraca: aceita, com algumas ressalvas. Existem tendˆencias nos retornos espera-dos que parecem contradizer a forma fraca. Por´em essas tendˆencias n˜ao parecem ser lucrativas.
• semi-forte: aceita, tamb´em com ressalvas. Mercado parece reagir rapidamente a novas informa¸c˜oes, incorporando essas informa¸c˜oes rapidamente nos pre¸cos.
• forte: dif´ıcil de testar. N˜ao ´e aceita em geral: informa¸c˜ao privilegiada resulta em possi-bilidade real de ganhos.
Porque tanta resistˆencia em aceitar que mercados s˜ao eficientes? • concep¸c˜ao leiga do que significa mercado eficiente.
• “moda” de dizer que mercados s˜ao irracionais. • atual crise financeira.
• ilus˜oes de ´otica no comportamento de retornos.
• existem evidˆencias em contr´ario (sazonalidade, anomalias, previs˜ao de retornos). • os testes da hip´otese s˜ao imperfeitos.
Referˆ
encias
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