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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. ORLANDO MAURÍCIO DE CARVALHO BERTI. PROCESSOS COMUNICACIONAIS NAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS DO SERTÃO DO NORDESTE BRASILEIRO NA INTERNET. São Bernardo do Campo, 2014.

(2) UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. ORLANDO MAURÍCIO DE CARVALHO BERTI. PROCESSOS COMUNICACIONAIS NAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS DO SERTÃO DO NORDESTE BRASILEIRO NA INTERNET. Tese apresentada em cumprimento às exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São PauloUMESP, para obtenção do grau de Doutor. Orientadora: Profa. Dra. Cicilia Maria Khohling Peruzzo.. São Bernardo do Campo, 2014.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA Berti, Orlando Maurício de Carvalho B462p Processos comunicacionais nas rádios comunitárias do setão do nordeste brasileiro na internet / Orlando Maurício de Carvalho. 2014. 323 p. Tese (doutorado em Comunicação Social) --Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2014. Orientação : Cicilia Maria Khohling Peruzzo 1. Comunicação social 2. Processos comunicacionais 3. Rádio comunitária 4. Internet 5. Sertão nodestino 6. Participação comunitária I. Título. CDD 302.2.

(4) FOLHA DE APROVAÇÃO. A tese de doutorado sob o título Processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste brasileiro na Internet, elaborada por Orlando Maurício de Carvalho Berti, foi defendida e aprovada no dia 02 de abril de 2014, perante a banca examinadora composta por: Cicilia Maria Krohling Peruzzo, Denise Maria Cogo, Giovandro Marcus Ferreira, José Salvador Faro e Magali do Nascimento Cunha.. Declaro que o autor incorporou a modificações sugeridas pela banca examinadora, sob minha anuência enquanto orientadora, nos termos do Art.34 do Regulamento dos Cursos de PósGraduação.. ______________________________________________________ Cicilia Maria Krohling Peruzzo Orientadora. ______________________________________________________ Marli dos Santos Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. São Bernardo do Campo, 07 de maio de 2014.. Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de pesquisa: Comunicação Midiática nas Interações Sociais Projeto temático: Rádio Comunitária no Sertão nordestino e Internet.

(5) À maior mulher do mundo, Maria Cristina de Carvalho Berti, supermãe, superpai, superamiga, superincentivadora, minha grande razão de viver, existir e pesquisar..

(6) AGRADECIMENTOS. A Deus, Todo Poderoso, o Grande Companheiro de todas as fases desta tese, a me iluminar em momentos de alegria, reflexões, noites e dias de estudos, viagens acadêmicas e todos os outros momentos, pois com Ele não há tristeza. À minha mãe, Maria Cristina de Carvalho Berti, que sempre esteve ao nosso lado, com importantes conselhos, nos fazendo entender o significado do não; incentivando na execução deste trabalho, com serenidade e compreensão, apesar das ausências que foram muitas. À educadora, mais que professora, cientista, a quem ouso chamar de mãe-acadêmica, Cicilia Peruzzo, peça-chave de toda a tese. Mais que obrigado, pelos ensinamentos acadêmicos, pelos ensinamentos de vida (milhares, diversos, a cada conversa, e-mail, almoço, em cada orientação). Muito obrigado, mesmo, por sempre, com sua simplicidade, educação, presteza, estímulos e atenção ter acompanhado minunciosamente todos os momentos da tese (acrescentando-se a esses os momentos à época da dissertação), por ter acreditado nessa “louca” aventura muito antes de ela tornar-se projeto de pesquisa (lembro-me muito bem de que a ideia surgiu de um projetinho para um artigo da Intercom). A senhora ajudou a formar mais que um orientando; tornou o cidadão uma pessoa mais simples, mais politizada, mais antenada, mais solidária e mais próxima da vivência com os ideais da Comunicação Social; alguém que refletirá essa bondade para os orientandos, às pessoas do campo, aos sertanejos nordestinos. Com seus ensinamentos, pude compreender que é possível ser um cientista sem perder a ternura e a simplicidade, fugindo da arrogância e perigo de imaginar-se um “superdeus” da Academia. Portanto, continuarei a ser Orlando com o brilho de sempre nos olhos, cada vez mais iluminado. Ao professor Manuel Chaparro Escudero, orientador do PDSE, grande mestre e grande amigo, peça-chave para nos fazer entender um pouco mais do universo da comunicação e do rádio. Muitíssimo obrigado pelos “puxões de orelha”, pelos incentivos, pela paciência, pelas maravilhosas reuniões de almoço e tardes de sexta de muita discussão científica, além do companheirismo, principalmente quando estava tão distante do Brasil. Aos professores do Doutorado em Comunicação Social da UMESP: Antônio Carlos Ruótolo; Daniel Galindo; Elizabeth Gonçalves; Fábio Josgrilberg; José Marques de Melo; José Salvador Faro; Laan Barros; Magali Cunha; Marli dos Santos; Sebastião Squirra; Walter Lima e Wilson Bueno, pelos ensinamentos tanto nas aulas quanto fora delas. Todos sempre muitos dispostos a debater e a incentivar nossas evoluções e pesquisas. Muito obrigado, Mestres! À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI), pela concessão de bolsa de estudo que ajudou a minimizar os custos de parte das mensalidades do Doutorado. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela concessão de bolsa de estudo, de cinco meses e meio, do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior. À Universidade Estadual do Piauí (UESPI), em nome de todas e todos: professores, diretores, Reitoria, pró-reitores, gestores, funcionários, alunas e alunos, gente que sempre acreditou na construção deste trabalho. Muito obrigado, por facilitar nossa vida acadêmica. Aos amigos: Evandro Alberto de Sousa (grande parceiro acadêmico, de pesquisas, trabalhos de extensão e lutas por uma comunicação sertaneja mais liberta), obrigado, pelo incentivo quase diário; Eduardo Gurgel (mega-parceiro nas lutas da tese, nas noites de estudo, figura ímpar em amizade, principalmente no período da Qualificação); Cândido Alexandrino; Renan Nunes; Mário Costa; Fábio Gonçalves; Elizeu Lira: figuras ímpares em companheirismo e incentivo fora e dentro do mundo da Academia..

(7) A todas e todos os colegas do PPGCom da UMESP, em especial, além do grande Eduardo, Alexandra Fante e todas e todos os companheiros de ricos debates, ricos almoços e de manhãs, tardes e noites e muitos estudos regados a conhecimento e evolução acadêmica. Às amigas de Doutorado, na Universidad de Málaga, Silvia Olmedo e Belén Macias, companheiras nas horas mais difíceis e em momentos cruciais, em um lugar tão distante, mas que sempre me fizeram sentir em casa. A todas e todos os funcionários da UMESP, principalmente da Divisão de Assuntos Acadêmicos e da Coordenação do PPGCom da instituição, sempre muito solícitos. A todas e todos do IEPG, muito obrigado, pela acolhida e momentos de companheirismo, principalmente à Ana, à Ângela e ao Rafael. À professora Ilka Lima, figura central em inspirações e companheirismo no primeiro ano da Tese. Aos irmãos, Moris Berti e Onaldo Berti, que sempre torceram por mim. Ao nosso pai, Elmiro Berti, que, mesmo tendo ido para o Céu há vinte e seis anos, continua mais que vivo nos pensamentos e ensinamentos. Aos radialistas e comunicadores: Luciano Abreu, Ernandes Brito, Alexandre Costa e Francisco Rodrigues (da Canudos FM); Zé Socorro (da Cultura FM de Araci); Laécio Bento, José Vandaécio, Aécio Bento de Sousa, Nildaécio Bento, e José Bento (da Interativa FM); Janielson Neves e Marcos Lima (da Livramento FM); Flávio Santos (da Maravilha FM); Antônio Edson e Raimundo do Rádio (da Nova FM); Severino Carvalho (da Serra FM); Pedro Henrique (da Simão Dias FM), pessoas do bem que fazem uma comunicação comunitária melhor para o nosso Sertão. Muito obrigado, também a toda a Equipe dessas emissoras e pessoas dessas cidades. Por todos, fomos muito bem acolhidos. Ao grande Osvaldo Mamédio, lutador incansável pela comunicação no Sertão. A meus orientandos e minhas orientandas, por compreenderam os momentos de ausência, pela minha obrigatoriedade de dedicação à Tese. A todos os membros do COMUNI, pessoas do bem com as quais tive a oportunidade de aprender muito. Às queridas e queridos alunos do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) de Picos e de Teresina; da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Faculdade R.Sá; Às alunas e alunos do Parfor, pessoas que me ensinaram muito o ofício de ser professor e pesquisador. A todos os queridos e queridas do Projeto de Extensão de Formação de Comunicadores Comunitários e Populares do Sertão do Piauí (bolsistas, voluntários e participantes dos eventos), pessoas que têm nos ajudado a provar e a vivenciar empiricamente tudo o que está defendido neste trabalho. A todas e a todos que investiram alguns segundos de sua vida, orando, rezando, pedindo a Deus que tudo desse certo. Sei que muita gente fez isso, mesmo sem me dizer, pude sentir suas energizações. Meu eterno obrigado, a todas e a todos. Prometo continuar honrando seus esforços e boas energias, principalmente na construção de um mundo um tiquinho melhor!.

(8) O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Euclides da Cunha.

(9) BERTI, Orlando Maurício de Carvalho. Processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste brasileiro na Internet. 2014. 323 f. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.. RESUMO. A tese aborda os processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste do Brasil que estão na Internet. Objetiva-se entender teórica e empiricamente como ocorrem esses processos nestas emissoras e explorar suas especificidades; compreender as estruturas, programações, equipes, financiamentos e históricos de inserção digital; entender os processos de estímulo, emissão e interação, em termos de cidadania; compreender como se dão as novas vozes, territoriais e na Internet; entender como se dá a participação do usuário (internauta); e listar as rádios comunitárias ou que se assumem comunitárias sertanejas, entendendo suas peculiaridades de programação, diferencial em termos de emissão territorial e não territorial (via Internet). A metodologia empregada consiste em pesquisa bibliográfica e documental, em mapeamento prévio das emissoras, bem como de pesquisa de campo por meio visitas in loco e de entrevistas semiestruturadas para entender-se as emissoras nos oito Estados sertanejos nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe). Acompanhou-se também o trabalho das emissoras na Internet, tanto em seus sites quanto a presença em redes sociais. Constata-se, com base em parâmetros teóricos, a existência de três tipos de emissoras de rádio comunitária na Internet: as off-line (que apenas têm espaço na Internet, mas não há transmissão simultânea), as online institucionais (que apenas transmitem simultaneamente a programação no dial) e as online dinâmicas (que têm conteúdo diferencial da emissora no dial e promovem interação e interatividade). O fato de estar na Internet faz com que as emissoras de rádio comunitária sertanejas aumentem sua capacidade de promover a participação, a interação e a interatividade, pois ocorre a retroalimentação da comunicação comunitária radiofônica com um novo tipo movido pela desterritorialização, que é o maior desafio dessas emissoras em lugares de baixo poder aquisitivo e comunicacional onde a presença do coronelismo eletrônico ainda persiste. Palavras-chaves: Comunicação Social. Processos Comunicacionais. Rádio Comunitária. Internet. Sertão Nordestino. Participação..

(10) BERTI, Orlando Maurício de Carvalho. The internet communication processes used by community radio stations in the northeastern backlands of Brazil. 2014. 323 p. Thesis (Doctorate in Social Communication) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.. ABSTRACT. The thesis covers the communication processes used by community radio stations in the northeastern backlands of Brazil that are present on the internet. Its aims are: to understand theoretically and empirically how those processes develop inside the radio stations and explore their particularities; to understand the structures, radio formats, teams, income sources and the development of their digital involvement; to understand the processes of stimuli, broadcasting, and interaction, in terms of citizenship; to understand what’s behind the new ways of communicating, both territorial and on the Internet; to understand how the internet user participates; and to make a list of those community radio stations, including the selflabeled “backlands radio stations”, reviewing the particularities in their programming formats, as well as the differences between each other regarding both territorial and non-territorial (Internet) broadcasting. The methodology applied consists of a bibliographic and documental research, of a previously made listing of those broadcasting stations, as well as field research consisting of in loco visits and semi-structured interviews, in order to obtain a better understanding of the broadcasting stations in the eight northeastern backlands states (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte and Sergipe). The broadcasting stations presence on the internet was also monitored both on their websites and on social networks. Based on theoretical parameters, we can classify the community radio stations in three types, regarding their Internet presence: off-line (those which have some Internet presence but do not broadcast online), institutionally online (those which simultaneously broadcast online the same content provided over the radio) and the dynamic online (those which broadcast a distinct content online and promote interactivity). By broadcasting online, the backlands community radio stations improve their capability of promoting listener participation, interaction and interactivity because a new type of community radio communication feedback is born, promoted by the resulting deterritorialization, which is the biggest challenge for these radio stations which operate in the poorest region of the country, where the most popular radio stations still serve the interests of influential people. Keywords: Social Communication. Communication Processes. Community Radio Stations. Internet. Northeastern Backlands of Brazil. Participation..

(11) CARVALHO BERTI, Orlando Maurício de. Processos de comunicación en las radios comunitarias de Sertão del Noreste de Brasil a través de la Internet. 2014. 323 h. Tesis (Doctorado en Medios de Comunicación) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo.. RESUMEN. La tesis aborda los procesos de comunicación en las radios comunitarias de la región del Sertão de Noreste de Brasil que están en la Internet. Son objetivos: comprender teórica y empíricamente cómo se producen estos procesos en las estaciones y explorar sus características; comprender la estructura, horarios, equipos y la inclusión de las mismas en lo digital, entender los procesos de emisión y la interacción para la ciudadanía, entender las nuevas voces comunitarias, entender sus peculiaridades de programación, la cuestión territorial diferencial y sus nuevas voces territoriales y en Internet; entender los mecanismos de participación de los usuarios en território y Internet. La metodología consiste en investigación de la literatura y documentos, en una asignación previa de las estaciones, así como la investigación de campo a través de visitas con entrevistas semi-estructuradas para entenderse las emisoras en los ocho estados del Sertão de Noreste de Brasil (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte y Sergipe). También acompañó a la obra de las emisoras en Internet, tanto en sus páginas web como sus presencias en las redes sociales. Se observa en los parámetros teóricos la existencia de tres tipos de emisoras de radio comunitarias en Internet: las off (sólo tienen espacio en Internet, pero no hay transmisión simultánea), las online institucionales (que sólo transmite simultáneamente programación en el dial) y las online dinámicas (que tienen contenido diferencial de la estación en la línea y promueven interacción y interactividad). Para estar en Internet las radios comunitarias potencian la participación, la interacción y la interactividad, ya que la retroalimentación de la comunicación por radio de la comunidad con un nuevo tipo accionado por desposesión, que es el mayor reto de estas estaciones en el lugar más pobre. Las estaciones tienen el combate al coronelismo electrónico, que todavía persiste. Palabras-clave: Comunicación Social. Procesos comunicativos. Radio Comunitaria. Internet. Sertão de Noreste de Brasil. Participación..

(12) Lista de Tabelas. Distribuição das rádios comunitárias do Brasil por Estado, segundo população e número de municípios....................................................... 85. Tabela 1. –. Tabela 2. – Dados gerais dos Estados do Sertão nordestino..................................... Tabela 3. 139. –. Emissoras de rádios comunitárias legalizadas do Brasil, por unidade federativa............................................................................................... 155. Tabela 4. –. Total do número de rádios comunitárias no Brasil que estão na Internet, por Estado................................................................................ 156. Tabela 5. –. Rádios comunitárias do Brasil que estão na Internet, por região geográfica.............................................................................................. 157. Tabela 6. –. Porcentagem de rádios comunitárias do Sertão nordestino que estão na Internet, por Estado........................................................................... 189. Tabela 7. –. Emissoras de rádio comunitária do Sertão do Nordeste do Brasil que estão na Internet, por Estado e por status de funcionamento................. 190.

(13) Lista de Quadros. Quadro 1. –. Rádios comunitárias do Nordeste do Brasil que estão na Internet – por ordem alfabética – todas as emissoras........................................... 158. Quadro 2. –. Lista das rádios comunitárias que estão na Internet no Estado de Alagoas................................................................................................. 164. Quadro 3. – Rádios comunitárias do Sertão de Alagoas que estão na Internet......... Quadro 4. –. Quadro 5. – Rádios comunitárias do Sertão da Bahia que estão na Internet............ 169. Quadro 6. –. Quadro 7. – Rádios comunitárias do Sertão do Ceará que estão na Internet............ Quadro 8. –. Quadro 9. – Rádios comunitárias do Sertão da Paraíba que estão na Internet.......... Quadro 10. –. Quadro 11. – Rádios comunitárias do Sertão de Pernambuco que estão na Internet. Quadro 12. –. Quadro 13. – Rádios comunitárias do Sertão do Piauí que estão na Internet............. Quadro 14. –. Lista das rádios comunitárias no estado do Rio Grande do Norte que 184 estão na Internet.................................................................................... Quadro 15. –. Rádios comunitárias do Sertão do Rio Grande do Norte que estão na Internet................................................................................................. 185. Quadro 16. –. Lista das rádios comunitárias do estado de Sergipe que estão na Internet................................................................................................. 187. Quadro 17. – Rádios comunitárias do Sertão de Sergipe que estão na Internet......... 188. 165. Lista das rádios comunitárias no Estado da Bahia que estão na Internet................................................................................................. 167. Lista das rádios comunitárias no estado do Ceará que estão na Internet................................................................................................. 172 173. Lista das rádios comunitárias no estado da Paraíba que estão na Internet................................................................................................. 175 177. Lista das rádios comunitárias no estado de Pernambuco que estão na Internet................................................................................................. 178 180. Lista das rádios comunitárias no Estado do Piauí que estão na Internet................................................................................................. 182 183.

(14) Lista de Figuras *. – Fachada da Canudos FM..................................................................... Figura 2. – Página principal do site da Canudos FM............................................ 199 – Perfil da Canudos FM no Facebook................................................... 201. Figura 3 Figura 5. – Sede da rádio comunitária Cultura FM de Araci................................ 205 – Página principal do site da Cultura FM.............................................. 208. Figura 6. – Fan Page no Facebook da rádio Cultura FM de Araci........................ 209. Figura 7. – Sede da rádio comunitária Interativa FM............................................ 212. Figura 8 Figura 9. – Página principal do site da Interativa FM........................................... 216 – Perfil no Facebook da Interativa FM.................................................. 217. Figura 10. – Sede da Livramento FM...................................................................... 221. Figura 11. – Página principal do site da Livramento FM........................................ 225. Figura 12. – Fan Page da Livramento FM............................................................... 226. Figura 13. – Sede da Maravilha FM........................................................................ 228. Figura 14. – Página principal do blog da Maravilha FM......................................... 231. Figura 15 Figura 16. – Fan Page da Maravilha FM no Facebook........................................... 231 – Sede da Nova FM............................................................................... 234. Figura 17. – Página principal do site da Mirandiba FM.......................................... Figura 18 Figura 19. – Fan Page no Facebook da Nova FM................................................... 239 – Sede da Serra FM............................................................................... 241. Figura 20. – Página principal do site da Serra FM.................................................. Figura 21 Figura 22. – Fan Page da Serra FM no Facebook................................................... 246 – Perfil da Serra FM no Facebook......................................................... 247. Figura 23. – Sede da Simão Dias FM...................................................................... 249. Figura 24. – Página principal do site da Simão Dias FM........................................ 251. Figura 25. – Fan Page da Simão Dias FM............................................................... 252. Figura 4. *. 194. Figura 1. Todas as fotografias foram sacadas pelo Autor deste Trabalho.. 237. 245.

(15) SUMÁRIO. INTRODUÇÃO........................................................................................................ A Tese em si........................................................................................................ Metodologia........................................................................................................ CAPÍTULO I – COMUNICAÇÃO, PROCESSOS COMUNICACIONAIS E COMUNIDADE. A COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA PARA UM DIFERENCIAL SOCIAL......................................................................................... 1. Os processos comunicacionais e suas direções para uma comunicação diferencial................................................................................................................. 2. A comunicação, os processos comunicacionais e suas interfaces entre o real (ou físico- territorial-concreto), o lugar e o virtual – conceitos e reflexões.............. 3. A comunidade....................................................................................................... 3.1 Comunidade do ontem – princípios, inspirações e ações, motivações e aprendizados – para a comunidade do hoje............................................................ 3.1.1 Comunidades: início de sua sistematização científica............................. 3.1.2 Comunidades: evolução até a atualidade................................................. 3.2 Comunidades virtuais...................................................................................... 4. A comunicação comunitária................................................................................. 4.1 A comunicação comunitária e sua vertente alternativa................................... CAPÍTULO II – AS RÁDIOS COMUNITÁRIAS NO BRASIL E SUAS INTERFACES. DAS PRIMEIRAS EMISSORAS COMUNITÁRIAS ÀS RÁDIOS NA INTERNET........................................................................................ 1. O que é uma rádio comunitária? Ampliando os conceitos. Uma caracterização brasileira na tentativa de melhorias para as comunidades........................................ 1.1 Transmissão de rádio comunitária via FM.................................................... 1.1.1 Transmissão de rádio comunitária via alto-falantes............................... 1.1.2 Transmissão de rádio comunitária via Internet...................................... 1.2 Conceitos oficiais e clássicos de rádio comunitária..................................... 1.3 Um conceito popular via estudiosos e ativistas que há anos refletem, lutam e agem em prol das rádios comunitárias no Brasil................................................ 1.3.1 As entidades que representam o movimento de rádios comunitárias no Brasil.......................................................................................................... 2. As rádios comunitárias brasileiras........................................................................ 3. Breve história do movimento radiofônico comunitário no Brasil........................ 3.1 A evolução das rádios comunitárias no Brasil................................................ 4. As rádios comunitárias brasileiras no século XXI................................................ 5. Rádios comunitárias na Internet............................................................................ CAPÍTULO III – A INTERNET E OS NOVOS PROCESSOS COMUNICACIONAIS PARA UMA SOCIABILIDADE COMUNITÁRIA DO SÉCULO XXI........................................................................................................... 1. A Internet como rede sociotécnicas...................................................................... 2. A Internet e os outros tipos de redes..................................................................... 2.1 As redes e suas interfaces: on-line e off-line, analógica e digital.................... 3. A Internet, suas vertentes e possibilidades na construção de um mundo melhor. 18 22 28. 33 35 37 40 43 44 46 49 55 64. 69 71 71 72 73 74 80 83 85 86 89 93 97. 105 111 115 117 119.

(16) 4. O comunitário em tempo de tecnologias atuais. A internet traz vantagens ou desvantagens para a comunicação comunitária?....................................................... 122 4.1 Interação e interatividade................................................................................ 123 CAPÍTULO IV – O SERTÃO NORDESTINO: PECULIARIDADES, PROBLEMAS E CARACTERIZAÇÕES COMUNICACIONAIS DA MAIS POBRE REGIÃO DO PAÍS..................................................................................... 1. Adentrando pelo Sertão brasileiro........................................................................ 1.1 Uma área esquecida historicamente – geografia e pormenorizações.............. 1.1.1 Sertão e semiárido.................................................................................... 1.1.2 O Sertão e algumas de suas peculiaridades.............................................. 1.1.2.1 As unidades federativas no Sertão brasileiro................................. 1.1.3 Uma luz no fim do túnel........................................................................... 2. O Sertão nordestino............................................................................................... 3. A comunicação social no Sertão Nordestino........................................................ 3.1 Um paradoxo na comunicação da região sertaneja brasileira........................ CAPÍTULO V – AS RÁDIOS COMUNITÁRIAS DO SERTÃO DO NORDESTE DO BRASIL QUE ESTÃO NA INTERNET..................................... 1. As rádios comunitárias do Sertão de Alagoas que estão na Internet.................... 2. As rádios comunitárias do Sertão da Bahia que estão na Internet........................ 3. As rádios comunitárias do Sertão do Ceará que estão na Internet........................ 4. As rádios comunitárias do Sertão da Paraíba que estão na Internet..................... 5. As rádios comunitárias do Sertão de Pernambuco que estão na Internet............. 6. As rádios comunitárias do Sertão do Piauí que estão na Internet......................... 7. As rádios comunitárias do Sertão do Rio Grande do Norte que estão na Internet 8. As rádios comunitárias do Sertão de Sergipe que estão na Internet..................... 9. Perspectivas para uma nova comunicação comunitária na Internet via as emissoras de rádio comunitária do Sertão do Nordeste do Brasil............................ CAPÍTULO VI – OS PROCESSOS COMUNICACIONAIS NAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS DO SERTÃO NORDESTINO QUE ESTÃO NA INTERNET – UM NOVO, DIFERENTE E DESAFIADOR FAZER COMUNICACIONAL COMUNITÁRIO...................................................................................................... 1. Canudos FM, de Boa Viagem, Ceará.................................................................... 1.1 Do grupo de jovens, ao alto-falante e lutas por uma comunicação de mais interesse social no Sertão cearense em uma das primeiras rádios comunitárias do Estado.............................................................................. 1.2 A rádio comunitária Canudos na Internet................................................... 2. Rádio Cultura FM, de Araci, Bahia...................................................................... 2.1 Uma ideia coletiva para dar voz local a uma das cidades mais pobres do Sertão.......................................................................................................... 2.2 A rádio comunitária Cultura FM na Internet............................................... 3. Radio Interativa FM, de Riacho de Santana, Rio Grande do Norte...................... 3.1 A luta de uma família pela comunicação comunitária sertaneja................. 3.2 A rádio comunitária Interativa FM na Internet........................................... 4. Radio Livramento FM, de Livramento, Paraíba................................................... 4.1 Uma emissora que só começou a funcionar depois da legalização............. 4.2 A rádio comunitária Livramento FM na Internet........................................ 5. Maravilha FM, de Maravilha, Alagoas.................................................................. 130 130 133 136 137 138 143 146 148 150. 154 163 166 171 175 178 181 184 186 188. 191 193. 195 199 204 207 208 211 213 216 220 222 224 227.

(17) 5.1 Sem tantas maravilhas após a saída do fundador........................................ 5.2 A rádio comunitária Maravilha FM na Internet.......................................... 6. Nova FM, de Mirandiba, Pernambuco.................................................................. 6.1 Um projeto coletivo e muitas lutas na região mais seca de Pernambuco.... 6.2 A rádio comunitária Nova na Internet......................................................... 7. Radio Serra FM, de São Francisco de Assis do Piauí........................................... 7.1 Um projeto coletivo em uma das cidades mais pobres do País................... 7.2 A rádio comunitária Serra FM na Internet.................................................. 8. Rádio Simão Dias FM, de Simão Dias, Sergipe................................................... 8.1 Ser popular para envolver mais a comunidade............................................ 8.2 A rádio comunitária Simão Dias na Internet............................................... CAPÍTULO VII – A DESTERRITORIALIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO COMUNITÁRIA RADIOFÔNICA NO SERTÃO NORDESTINO 1. Participação dos sertanejos nordestinos nas rádios comunitárias que estão na Rede.......................................................................................................................... 1.1 – Participação nos ambientes territorial e online – congruências e diferenciação...................................................................................................... 2. Ferramentas virtuais para a comunicação comunitária radiofônica na Internet. Entendendo os canais que possibilitam a participação dos usuários nas rádios online............................................................................................................................. 3. O papel dos líderes, mobilizadores populares e benfeitores nas rádios comunitárias e suas interferências para a potencialização da comunicação comunitária na Internet............................................................................................. 4. Tendências e desafios para o futuro e melhoria do trabalho das rádios comunitárias sertanejas e suas inter-relações com a Internet.................................... 4.1 A manutenção das emissoras....................................................................... 4.2 A organização comunitária.......................................................................... 4.3 As programações. Desafios para serem mais informativas que musicais 4.4 O desafio de tentar fazer jornalismo comunitário e socializar informações....................................................................................................... 4.5 O local e o regional..................................................................................... 5 A retroalimentação entre a comunicação no ambiente territorial e no ambiente virtual. A nova rádio comunitária............................................................................. 5.1 Desafios para a nova rádio comunitária....................................................... 229 230 232 234 237 240 242 244 248 250 251. 255 262 268. 273. 280 285 286 288 290 293 295 296 299. CONCLUSÃO.......................................................................................................... 303 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 308.

(18) 18. INTRODUÇÃO. Osvaldo Mamédio da Costa, 27 anos, é casado com a professora Marileide Rodrigues Coelho, pai de um filho de três anos, Hermeto Coelho da Costa, agricultor e agente comunitário de saúde. A família é moradora da localidade Abelha Branca, distante 48 quilômetros da sede da cidade de Paulistana, Sertão Central do Estado do Piauí, bem perto da tríplice divisa sertaneja baiana, pernambucana e piauiense. O lugar de moradia da família de Osvaldo e Marileide fica em uma das áreas mais áridas e isoladas do Sertão Nordestino. Mas a aridez e isolamento das zonas rurais sertanejas não são exceção. Estão mais para regra. Logo, em meio a tantas dificuldades e falta de respostas, a Comunicação Social ajuda a abrir essas comunidades para um mundo do conhecimento, cidadania, participação, deixando uma mudez histórica de lado. Para os moradores da Comunidade Abelha Branca se deslocarem até a sede da cidade Paulistana (onde há sistemas básicos de educação, saúde, segurança pública e outros serviços obrigatórios estatais), são duas horas de percurso em motocicletas, passando-se por estradas de terra extremamente estreitas e deterioradas, dois rios, margeando-se os esqueletos da Ferrovia Transnordestina 1 (que um dia será a maior obra já feita no Sertão piauiense, ao menos no consumo de recursos públicos 2), tendo como cenário a aridez, muitas casas abandonadas (de pessoas que foram para as cidades maiores ou tentar a vida no Sudeste do País), além de muitas carcaças de animais mortos, vítimas da sede e fome no Sertão. O percurso hoje não mais é feito nos lombos de jumento, mas de motocicletas (muitas alienadas, outras com documentação atrasada e algumas de origem ilícita). 3 As maiores distâncias atualmente não são de quilômetros, mas sim da atenção dos poderes públicos constituídos. 1. A Ferrovia Transnordestina pretende ligar a região dos Cerrados do Piauí (altamente produtora de soja e milho), além de beneficiar grandes indústrias mineradoras que estão sendo instaladas no Sertão do Piauí, com portos nas cidades de Recife e Fortaleza. É uma obra de parceria público-privada que, em meio a construções e obras paradas só tem previsão para inauguração ao menos em 2020, sem previsão de oficialmente beneficiar essas regiões sertanejas, a não ser com o trânsito diário de imensas e modernas locomotivas. 2 A previsão de gastos da Ferrovia Transnordestina é de R$ 7.500.000.000,00 (aproximadamente US$ 3.110.000,00). A obra deveria ter sido entregue em 2013, mas a previsão foi reformulada para o final de 2015. Mais de 70% desse valor são de recursos públicos (FARIELLO, 2014, p.1). 3 Um veículo, inclusive moto, alienado não é totalmente do proprietário; habitualmente é financiado por alguma instituição bancária. Em geral, esses veículos são financiados por trabalhadores ou “laranjas” no Sul e Sudeste do País, pagas as primeiras prestações e os compradores somem com os veículos. Como há pouca ou nenhuma fiscalização policial no Sertão, esse tipo de veículo com situação de alienação, além de carros e motos roubados, e ainda veículos com documentação atrasada são comuns. O fato é que na região sertaneja os veículos são mais baratos, e uma moto, principalmente as alienadas, são vendidas, em média, de R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00, proporcionando muitas famílias pobres a substituírem o jumento e a bicicleta por esse veículo que geograficamente encurta distâncias entre os distantes pontos dos lugares sertanejos..

(19) 19. Abelha Branca e uma série de outras comunidades sertanejas estão metaforicamente, e de fato, a milhares de quilômetros de distância da atenção dos governos, prefeituras, Congresso Nacional, assembleias legislativas e Câmara de vereadores. O agente comunitário de saúde e seus familiares fazem parte, em sentido quantitativo, das estatísticas das milhões de famílias sertanejas nordestinas que sofrem anualmente entre as incertezas e possibilidades de colheita via agricultura familiar. Eles plantam milho, feijão e mandioca, além de colocar em curso a criação de caprinos, ovinos, bovinos e aves, alimentados por uma pequena plantação de capim. São atitudes de garantia de suas subsistências. Com a seca, os bichos têm morrido, e os poucos que sobram passam por sérias dificuldades de sobrevivência, pois, entre salvar suas vidas e a dos animais, os sertanejos nordestinos primeiro sacrificam suas crias. Muitos abandonam os animais e deixam suas casas. É comum no período de estiagem encontrar-se até metade das residências de uma comunidade sertaneja sem nenhum morador; ou então lugares em que há somente idosos, mulheres (as chamadas viúvas de maridos vivos) e crianças. Os adultos em idade de trabalho, força motriz econômica, estão a milhares de quilômetros, geralmente em lavouras de grandes empresas agropecuárias ou em canteiros de obras da construção civil. No início de dezembro de 2013, havia pouca água nas duas cisternas 4 construídas pela família de Osvaldo Mamédio para o armazenamento de água. Sabe-se que são as cisternas que têm ajudado a minimizar a situação dos sertanejos brasileiros. Essa foi uma invenção social difundida a partir do final do século XX na região, e em outros Estados do Nordeste, e tem como grande vantagem a construção comunitária. Se não houvesse duas cisternas, a família estaria passando sede desde o meio do ano passado. Há praticamente dois anos, a agricultura e tudo o que movimenta a fraca economia sertaneja estão comprometidos, por sucessão de prejuízos causados pela ausência de chuvas, com evidência de que 2014 também será um ano de estiagem. O bem principal fornecido pela natureza, a água, permanece escasso até o final de 2013. As cisternas, invenção para que a água da chuva seja captada e armazenada, já dão sinais que precisam ser aumentadas em tamanho, pois até em uma família pequena, como a do agricultor, já dava sinais de estagnação em termos de armazenamento. 4. “A cisterna é uma tecnologia simples, de baixo custo e adaptável a qualquer região. A água é captada das chuvas, através de calhas instaladas nos telhados das casas. De formato cilíndrico, coberto e semienterrado, o reservatório tem capacidade para armazenar até 16 mil litros de água, quantidade suficiente para uma família de cinco pessoas beber e cozinhar, por um período de 6 a 8 meses – época da estiagem na região. As placas da cisterna são construídas de cimento pré-moldadas feitas pela própria comunidade. A construção é feita por pedreiros das próprias localidades” (ASA BRASIL, 2014, p.1)..

(20) 20. Osvaldo Mamédio, que habita o povoado Abelha Branca com mais outras quarenta e cinco famílias (aproximadamente 150 pessoas), deixa de ser mais um sertanejo brasileiro a partir do momento em que decidiu não fugir do seu lugar. Ao contrário de muitos outros parentes, amigos e conhecidos, não foi para o Sudeste do País. Não é mais um a povoar os canteiros de obras da construção civil nas capitais dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, nem as colheitas sazonais de café e laranja, além do corte de cana-de-açúcar no interior de São Paulo. O agente comunitário de saúde mora em um lugar em que a água é um luxo e mais luxo ainda é a energia elétrica, “regalia” que depende dos poderes e políticas públicos, por enquanto ainda não alcançada por esses moradores. A casa mais próxima da residência de Osvaldo Mamédio é a de seu pai, distante um quilômetro. As outras, também de parentes, ficam, em média, a dois, quatro e dez quilômetros. A menos que isso encontra-se a energia elétrica, mas Osvaldo e os moradores da localidade Abelha Branca, dentre outras tantas do Sertão nordestino, ainda não fazem parte do Programa Luz para Todos, que, ao menos para os que estão nessa região sertaneja piauiense, ainda não são considerado “todos”, mas sim excluídos. Eles não têm televisão. Todos conhecem o aparelho, mas só sabem do telenoticiário, dos programas educativos, das telenovelas e de outros programas televisivos quando vão para a zona urbana de Paulistana, ou para alguma comunidade que teve sorte maior de ter sido contemplada com o sistema de fornecimento de energia elétrica. Geralmente as incursões à zona urbana são para resolução de vários problemas e terminam não tendo a oportunidade de realmente desfrutar de um hábito considerado tão comum, e às vezes alienante para o povo brasileiro: o colar na frente da TV. Os moradores de Abelha Branca são informados do que ocorre acerca do Mundo, principalmente pela Rádio Comunitária Serra FM, da vizinha cidade de São Francisco de Assis do Piauí (uma das mais pobres do País), e também pela AM Ingazeira, da cidade de Paulistana. A emissora mais próxima que os representa está em um raio de quase quarenta quilômetros. Essa distância só foi dirimida há pouco tempo, por conta da implantação dos sistemas artesanais de captação de telefonia celular, uma das poucas conquistas tecnológicas concretas dos moradores da comunidade. Ressalte-se que esses sertanejos não estão de todo isolados. Todos eles têm em suas residências aparelhos de telefonia celular e antenas adaptadas, para que os sinais das cidades mais próximas sejam captados na localidade. Esse sistema permite que os sertanejos de Abelha Branca e de boa parte dos lugares do Nordeste, que ainda não têm fornecimento de.

(21) 21. energia elétrica, possam se comunicar por meio de chamadas telefônicas ou de mensagens de celular, os conhecidos SMSs. Osvaldo Mamédio se comunica com o mundo através da Internet. Ele passa ao menos uma hora diária procurando informar-se, para trazer melhorias a sua comunidade. Há mais de três anos usa a rede social virtual Facebook; seus telefones celulares (um da operadora Claro e outro da operadora TIM) contam (cada um) com uma antena específica para a captação de sinal e utiliza essas ferramentas para denunciar e cobrar melhorias para Abelha Branca e região. Osvaldo Mamédio, como se diz popularmente, “mete a boca no trombone”. Mesmo sem energia elétrica em casa, Osvaldo Mamédio conseguiu adaptar artesanalmente um sistema de placas solares, que antes serviam à Associação de Moradores do lugar, e depois foram distribuídas para os membros da comunidade. O sistema de placas solares recebe os fartos raios solares, transforma-os em energia, que fica armazenada em baterias de veículos. Como o sistema é de apenas 2w, ele conseguiu, via “gambiarra” de um computador desativado, criar um sistema para ter energia elétrica em casa e poder usar seu notebook, com voltagem de 220w. A geringonça permite que Osvaldo Mamédio tenha em sua residência, funcionando boa parte do dia, um notebook, dois aparelhos de telefonia celular, um aparelho de som e cinco bicos de iluminação. Mas o sistema não permite que a família tenha rádio à energia nem geladeira e televisão. Osvaldo faz parte de um grupo de sertanejos que utiliza a Internet para se comunicar com o Mundo e não só para dentro; mostra que o Sertão ainda precisa melhorar, que o sertanejo não fica calado, luta e age, põe comunidades nos mapas. Foram encontrados, durante a pesquisa ora apresentada, vários Osvaldos. Muita gente anônima – muitas vezes na Internet e até nas programações das emissoras de rádio FM comunitária – mas agentes de tentativa de desenvolvimento e construção de um mundo melhor e mais coletivo; pessoas que participam, que foram mudos, por muito tempo, em nível comunicacional, mas hoje berram e instigam seus pares a mesma atitude. Em um Brasil de melhorias quantitativas quanto ao consumo, ao acesso a meios eletrônicos e de forte expansão quantitativa das rádios comunitárias, principalmente em um Sertão histórico de pobrezas, desmandos e forte presença do coronelismo eletrônico, é mais que premente o fenômeno das rádios comunitárias e sua retroalimentação com a Internet. A situação em que vive Osvaldo Mamédio, sua família, e outros tantos sertanejos faz parte do contexto retratado neste trabalho, principalmente, para tentar entender como as rádios comunitárias participam da vida dessas pessoas, sobre suas interações e vivências com a.

(22) 22. Internet, e utilização dessa nova forma de comunicação, bem como suas novidades e sociabilidades. A Tese em si Esta tese é consequência direta da dissertação Os processos comunicacionais nas rádios comunitárias legalizadas do Sertão do Piauí, realizada entre 2007 e 2009, e apresentada em março de 2009, junto ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, sob a orientação da Profa. Dra. Cicilia Maria Krohling Peruzzo. À época, foram estudadas todas as emissoras de rádio comunitária legalizadas das cidades do Sertão piauiense. Chegou-se a estudar trinta rádios, e, nesse universo, pôde-se concluir que a comunicação radiofônica comunitária passou por sérios desafios. Além disso, o comunitarismo ainda precisava evoluir, no sentido de integrar mais as comunidades, porque também parte dessas emissoras terminava por representar mais uma comunicação local e regional do que comunitária propriamente dita. Uma das principais considerações é que o comunitarismo, à época, já funcionava também via não só ambiente territorial, mas também através de interações com a Internet, principalmente no caso emblemático da FM Família, da cidade de Piripiri, Sertão Norte do Piauí. Nesse período, a participação on-line na emissora era maior até do que a participação realizada pelos moradores da cidade. Foi essa descoberta que estimulou esta tese, decidindo-se ampliar o corpus, e também estudar não só as emissoras de rádio comunitária legalizadas, mas todas as emissoras que se assumem nessa categoria. Após publicação de série de trabalhos em revistas científicas e apresentações de comunicações científicas em eventos nacionais e internacionais, decidiu-se levar a temática para ser submetida a avaliação para a tese em questão. Em quatro anos, procurou-se adentrar pelo campo, e acompanhar as novidades nesses processos comunicacionais, bem como refleti-los e trazer respostas, não só acadêmicas, e muito menos para satisfação de ego, mas para serem socializados no sentido de contribuir para a reflexão sobre o fazer comunicação radiofônica comunitária no Sertão. Destaque-se também que, durante seis meses, a tese foi desenvolvida por meio da complementação de estudos na Europa, por conta do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), realizado na Universidad de Málaga (UMA), na cidade de Málaga, região da Andaluzia, na Espanha, sob a orientação do Prof. Dr. Manuel Chaparro Escudero. Estudou-se as rádios públicas locais e as rádios comunitárias do Sul da Espanha, entendendo-se principalmente práticas metodológicas e teóricas feitas junto ao Grupo de Pesquisa.

(23) 23. ComAndalucía, da UMA. Mais que isso, pôde-se entender as consequências sociais que aquelas rádios poderiam ter. Dadas as peculiaridades regionais entre a Andaluzia e o Sertão Nordestino, notou-se que o fazer comunicação comunitária é muito diferente, e que o seu status tem diferenças marcantes, entre elas, as lutas sociais, e o conceito do que é rádio comunitária. Nos estudos na Espanha, observou-se que as rádios comunitárias são mais emissoras de bairro, principalmente para a emissão de músicas e de falar sobre o bairro ou quarteirões. Isto é bem diferente da realidade sertaneja, em que as emissoras, por serem regionais, falam “de tudo” o que ocorre não só nas comunidades, mas também nas cidades e até conglomerados de municípios. Por isso a experiência espanhola foi mais premente para a evolução de carga científica teórica e metodológica do que propriamente dito para este trabalho. A tese está dividida em sete partes, sendo três de natureza teórica; uma trata da identificação geográfica do sujeito-objeto, outra de focagem teórica do objeto e respectivas escolhas das interfaces das emissoras estudadas; outra destaca o recorte comunicacional e apresenta as rádios estudadas e acompanhadas nas visitas in loco, além de outra de apresentação do corpus e parte analítica, justamente para enveredar sobre as perspectivas de formação das ideias, acerca dos processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste do Brasil que estão na Internet. As fases são importantes para fortalecer a construção e elucidação das faces e interfaces da desterritorialização dessas emissoras, com seus respectivos processos de interação, interatividade e sua consequente retroalimentação para uma nova e diferencial comunicação comunitária radiofônica. O primeiro momento, Comunicação, processos comunicacionais e comunidade. A comunicação comunitária para um diferencial social, inicia a vertente teórica da tese, em que se apresentam conceitos e reflexões sobre processos comunicacionais, comunidade, comunicação comunitária e suas interfaces com a comunicação alternativa. Mostra-se que é possível uma comunicação diferencial e realmente social, com base também no preceito comunicacional como caminho para uma sociedade melhor. No segundo momento, As rádios comunitárias no Brasil e suas interfaces. Das primeiras emissoras comunitárias às rádios na Internet, especificam-se as rádios comunitárias em si, conceituando-as, historicizando-as em termos de Brasil, enveredando por suas interfaces propriamente ditas e para chegar até o fenômeno das rádios comunitárias na Internet, fato que instiga o recorte teórico do objeto da pesquisa. No terceiro momento, A Internet e os novos processos comunicacionais para uma sociabilidade comunitária do Século XXI, adentra-se pela Rede Mundial de Computadores, a.

(24) 24. Internet, também conhecida por Rede. Dá-se destaque ao que ela é em si, suas vertentes, principalmente como rede sociotécnica, o on-line e o off-line, mesclado com as possibilidades de um comunitarismo para a contemporaneidade. É ponto crucial neste capítulo a abertura para uma Internet não como fim nos processos comunicacionais comunitários, mas como espaço de retroalimentação. É esse retroalimentar comunicacional um dos pontos-chaves, justamente para provar que a Internet é um elemento agregador dos processos comunicacionais comunitários e não concorrencial. O. quarto. momento,. O. Sertão. Nordestino.. Peculiaridades,. problemas. e. caracterizações comunicacionais da mais pobre região do País, procura esmiuçar o lócus territorial da tese. Ao destacar o Sertão Nordestino, descortina-se a região para mostrar seus históricos problemas sociais, causados por um coronelismo político, que atualmente também procura tomar as rédeas do controle comunicacional. Destaca-se o que é a comunicação nessa região e apresentam-se pontos de que apesar dos históricos problemas, há possibilidade de melhorias, uma delas é pela própria comunicação comunitária. No quinto momento, As rádios comunitárias do Sertão do Nordeste do Brasil que estão na Internet, discorre-se sobre a apresentação de todas as emissoras que se dizem comunitárias e que estão na Rede. O capítulo foi necessário por não existir sistematização do tipo, nem atualização de dados nas bibliografias disponíveis, nem nos sites que procuram reunir emissoras de rádio. A construção foi realizada emissora por emissora dos oito Estados com terras no Sertão: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, para chegar-se ao recorte desejado e, deste modo, explicar o fenômeno. Antes disso, as emissoras são apresentadas por Estado; depois, por sua parte sertaneja e suas classificações entre off-line, on-line institucional e online dinâmica. As últimas geram interesse para a tese, por apresentarem dinamicidade em seus processos comunicacionais, principalmente em relação à retroalimentação na Internet e suas interfaces em apresentarem uma comunicação diferencial com participação, interação, interatividade e, em alguns casos, buscando nitidamente a construção cidadã. No sexto momento, Os processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão nordestino que estão na Internet – um novo, diferente e desafiador fazer comunicacional comunitário, apresenta-se os resultado da pesquisa de campo da tese, mostrando-se o recorte do estudo, as peculiaridades no dial e no virtual das rádios comunitárias do Sertão do Nordeste, seus históricos, suas presenças locais, comunitárias e regionais. São apresentadas as emissoras: Canudos FM, da cidade de Boa Viagem, Sertão do Ceará; Cultura FM, da cidade de Araci, Sertão da Bahia; Interativa FM, da cidade de Riacho de Santana, Sertão do Rio.

(25) 25. Grande do Norte; Livramento FM, da cidade de Livramento, Sertão da Paraíba; Maravilha FM, da cidade de Maravilha, Sertão de Alagoas; Nova FM, da cidade de Mirandiba, Sertão de Pernambuco; Serra FM, da cidade de São Francisco de Assis, Sertão piauiense; e Simão Dias FM, da cidade de Simão Dias, Sertão de Sergipe. O sétimo e último momento, A desterritorialização da comunicação comunitária radiofônica no Sertão Nordestino, trata da sistematização do corpus, há a apresentação da tese em si, do contributo para com a Comunicação Social acerca de quatro anos de estudo, enfatizando-se a participação, a interação, a interatividade e os pontos da desterritorialização da comunicação comunitária para a construção da nova rádio comunitária, principalmente no agir em prol das melhorias sociais das comunidades sertanejas nordestinas brasileiras. Caracterizam-se como sujeito-objeto do trabalho os processos comunicacionais nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste do Brasil que estão na Internet. Fala-se sobre sujeito-objeto principalmente porque o objeto não é encarado como algo morto, mas cheio de vivência e série de respostas para com a construção social. É uma decisão de cunho científico e pessoal adotar esse posicionamento por acreditar que a Ciência deve estar mais próxima e pensar o seu campo de estudo com sujeito. A problemática reside principalmente no sentido de questionamentos balizados nas seguintes provocações: – Quais são as peculiaridades dessas emissoras na Rede? Quais são seus diferenciais? Quem elas querem atingir? Por quê? Com que efeitos? Com que causas? O que vem trazendo de novo para a comunicação, principalmente nessa região e na própria Internet, visto que, em nível regional ou local, essas rádios representam a única mídia em termos de comunidades ou regiões, entremeio a poucas (ou nenhuma, dependendo do Estado) emissoras de televisão local, em que também há raros meios locais de informação impressa (quando existem são caras, elitistas, representam um poderio político coronelístico) ou ainda quando há poucas emissoras de rádio convencionais (AMs e FMs), quase todas a serviço de grupos políticos que historicamente se alternam no poder nessa região brasileira? Quem busca essa programação na Internet? Por quê? Como vem ocorrendo esse processo de desterritorialização da comunicação? Quais as consequências disso? É benéfico? Ou é mais uma moda achando-se que as tecnologias atuais salvam tudo? Mediante tantos questionamentos, chega-se à pergunta principal, a qual norteia a pesquisa: – Posto que a comunicação comunitária e local se dá mais pela territorialidade geográfica, quais são as novas sociabilidades que as rádios comunitárias na Internet trazem para a comunicação e, principalmente, para as possibilidades inclusivas, participativas e interativas?.

(26) 26. O objetivo geral é entender teórica e empiricamente como ocorrem os processos comunicacionais nas rádios comunitárias, que estão na Internet, no Sertão do Nordeste do Brasil. Enquanto os objetivos específicos são: - Explorar as especificidades dos processos comunicacionais, tais como participação, interação e interatividade nessas emissoras. - Compreender as estruturas, programações, equipes, financiamentos e históricos de inserção digital das emissoras de rádio comunitária do Sertão do Nordeste que estão na Internet. - Entender os processos de estímulo, emissão e interação, em termos de cidadania, via essas emissoras de rádio comunitária que estão no Sertão do Nordeste. - Compreender como se dão as novas vozes, territoriais e na Internet, através da emissão dos atos e programações das rádios comunitárias do Sertão do Nordeste que têm sites na Internet. - Entender como se dá a participação do usuário (internauta) nos processos comunicacionais das rádios comunitárias sertanejas nordestinas. - Listar as rádios comunitárias ou que se assumem comunitárias do Sertão do Nordeste brasileiro que estão na Internet, para entender suas peculiaridades de programação, diferencial em termos de emissão territorial e não territorial (via Internet). O trabalho se justifica por quatro razões. (1) Do ponto de vista científico tenta evoluir a partir das teorias que explicam a Comunicação Comunitária. Apesar de as rádios comunitárias serem, após as emissoras de televisão, os meios mais presentes no dia a dia dos brasileiros, principalmente dos lugares mais pobres, o fenômeno ainda é pouco destacado nas teorias, quanto a novidade maior trazida pela retroalimentação dessas emissoras com a Internet, suas faces e interfaces. (2) Do ponto de vista acadêmico, o trabalho é válido porque introduz novas temáticas que servem para informar, embora de maneira regional, uma realidade sertaneja nordestina, realidade do Sertão brasileiro; esta muitas vezes deixada de lado por disciplinas, e até da crescente supressão nos currículos universitários de Comunicação Social de disciplinas relacionados à Comunicação Comunitária. (3) Do ponto de vista social, o trabalho justifica-se por tentar dar respostas não só ao local de nascimento e criação, mas também de todo o Sertão, tão igual em suas demandas diante dos problemas.

(27) 27. econômicos e sociais. O trabalho não pretende ser apenas um compêndio de informações, mas um balizamento para o pensamento prático acerca do que é essa comunicação e suas respostas para com a construção de um Sertão melhor e mais justo. (4) E as três justificativas anteriores ajudam a dar ênfase à justificativa pessoal, no sentido do compromisso de fazer algo pelo sofrimento que se nos acompanhou na infância e na adolescência, além de ser uma escolha pessoal como docente, pesquisador e extensionista que se é, e com atuação nessa região do País. Não se deve acreditar em uma tese voltada apenas à conquista de um título, se esse título de nada pode ajudar os sertanejos nem a sociedade que banca os salários, bolsas e atuações acadêmicas nas universidades públicas. Nesta Tese, cinco hipóteses são trabalhadas. A primeira é de que a ocorrência comunicacional nas rádios comunitárias do Sertão do Nordeste do Brasil, em termos de interação e interatividade, é um processo crescente e diferenciado, principalmente, pela utilização das novas tecnologias, entre elas, a Internet, utilizando-se os aspectos de possibilidade de democratização da comunicação, para trazer espaços a novas vozes, além de integrar as vozes locais e do ciberespaço. Os novos espaços se dão com surgimento de diferentes atores sociais que não usam esses canais para transmitir, mas para aumentar a potencialização comunitária e cidadã; e mais, ajudar a potencializar mudanças. Essa potencialização é positiva e ocorre como meio para promoção de cidadania. A segunda hipótese reside no fato de que os sites das rádios comunitárias, ou que se assumem comunitárias no Sertão do Nordeste brasileiro, por estar na Internet, aumentam seu poder de promoção de cidadania, participação do cidadão, pois ampliam os canais, principalmente entre as emissoras compromissadas com o desenvolvimento local e comunitário. Além disso, trazem maior possibilidade de evolução social, política, cidadã dos atores que não estão no ambiente territorial. A terceira, embora paradoxal no sentido do entendimento dos conceitos de Comunicação Comunitária, como a comunicação da comunidade, para a comunidade e na comunidade, baseia-se em um lócus territorial. Na quarta hipótese acredita-se que a Internet modifica a forma do fazer comunicação comunitária radiofônica por conta das sociabilidades e vivências trazidas pelo fenômeno. Esses meios de comunicação são constituídos e têm garantia de espaços (principalmente em relação à legalização). Hoje, estão na Rede Mundial de Computadores, podem falar de muitos para muitos, inclusive contrabalanceando os antes que eram poucos, mas que falavam para muitos. O receptor desse fenômeno é mais que ativo no processo comunicacional..

Referências

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