2014
Pedro Daniel
Almeida Rios
Con eção, Desenvolvimento e Projeto de uma
2014
Pedro Daniel
Almeida Rios
Con eção, Desenvolvimento e Projeto de uma
Bi i leta Multímodo
Dissertaçãoapresentada àUniversidadede Aveiropara umprimentodos
re-quisitosne essáriosàobtençãodograudeMestreemEngenharia Me âni a,
Presidente/ President Prof. Doutora Margarida Isabel Cabrita Marques Coelho
Professora AuxiliardaUniversidadedeAveiro
Vogais /Committee Prof. Doutor António Manuel Godinho Completo
ProfessorAuxiliardaUniversidadedeAveiro(orientador)
Prof. Doutor José Luís Soares Esteves
A knowledgements que ontribuíram para que a realização deste trabalho fosse
possí-vel. Nomeadamente, deixo o meu agrade imento ao Professor Doutor
António Manuel Godinho Completo por todo o trabalho de
orien-tação prestado e motivação, durante o período de exe ução do projeto.
Deixotambémumapalavrade agrade imentoaosmeus olegas,professores
efamiliaresquemea ompanharamnode orrerdomeuper ursoa adémi o.
Um agrade imento espe ial à Patrí ia e aos meus pais por tudo ...
gamento de dispositivoseletróni os;transmissãoporveiome âni o; projeto
me âni o; ondi ionamentofísi o.
Resumo O tema de dissertação no âmbito de uma bi i leta multímodo teve omo
objetivo o desenvolvimento de um on eito de bi i leta om um onjunto
de ara terísti as diferen iadoras, a nível de fun ionalidade, em relação a
uma bi i leta onven ional. Do onjunto de fun ionalidades ini ialmente
onsiderado, a apa idade de utilização da bi i leta numa vertente
dinâ-mi a e indoor, a integração e o arregamento de dispositivos eletróni os
onstituem as prin ipais fun ionalidades do produto desenvolvido. Após
uma análise de ben hmarking a um onjunto de bi i letas desportivas e
indoor,foramidenti adose,posteriormente,desenvolvidossistemas, omo
por exemplo a transmissão por veio me âni o, que visam dar resposta às
prin ipais fun ionalidades da bi i leta. Nesta etapa, foram onsiderados
um onjunto de aspetos antropométri os, ergonómi os e biome âni os.
Tendo em onta o enquadramento do presente trabalho, todo o
pro- esso de on eção ede projeto seguiuuma metodologia de um pro essode
engenharia do produto, tendo sido utilizadas um onjunto de ferramentas
típi as om vista a sistematizar e hierarquizar a informação ne essária ao
desenvolvimento da bi i leta. Desta am-se a identi ação dos requisitos
do produto e a sua relação om os requisitos do liente através da matriz
QFD; a geração e seleção de on eitos para os sistemas da bi i leta; o
desenvolvimento de um logótipo representativo do produto desenvolvido;
uma análise de ustose,no âmbito de design robusto, arealizaçãode uma
análisedemodosde falhaeefeito(FMEA),sobreaperspetivadoutilizador.
Ao nível de projeto me âni o pro edeu-se à modelação geométri a da
bi i leta através de um software CAD, tendo sido veri ado o
dimensio-namento das suas prin ipais estruturas através do método dos elementos
nitosepelo ál uloanalíti o. Nestafasedoprojeto,foram onsideradosos
prin ipais requisitos normativos de desempenho e segurança para bi i letas
passíveis de serem utilizadas na via públi a. Por m, foram elaborados
os desenhos de montagem e de onjunto dos sistemas da bi i leta, assim
omo os desenhos de denição dos prin ipais omponentes da bi i leta.
O resultado nal é uma bi i leta para utilização em atividades de lazer
do dia a dia, assim omo no pro esso de re ondi ionamento/manutenção
físi a, que pode ser desenvolvido indoor ou outdoor sem a ne essidade de
omponentes adi ionais e que integra a apa idade de aproveitamento da
energia motora do utilizador, para a geração de energia a ser utilizada no
devi es; shaft drivetransmission; me hani aldesign;tness.
Abstra t The dissertation topi within a multimode bi y le aimed to develop a
on ept bi y le with a set of dierentiating hara teristi s, the level of
fun tionality ompared to a onventional bi y le. The set of features
initially onsidered, the ability to use the bi y le on dynami aspe t
and indoor way, and the integration and harging of ele troni devi es
are the main features of the produ t developed. After an analysis of
ben hmarking a set of sports and indoor bi y les, were identied and
further developed systems, su h as the shaft drive transmission, aimed
at addressing the main features of the bi y le. In this step, was
on-sidered a set of anthropometri , ergonomi and biome hani al aspe ts.
Regardin the framework of the present work, the whole pro ess of
design andproje t followed amethodologyofapro ess ofprodu t
enginee-ring, havingbeingusedasetofstandardtoolstohelporganizeandprioritize
the informationne essaryforthedevelopmentofthebi y le. Standout: the
identi ation of produ t requirementsand their relationshipwith ustomer
requirements through the QFD , the generation and sele tion of on epts
for bi y le systems, the development of a representative logo developed
produ t matrix, an analysis of osts and, under robust design, ondu ting
an analysis of failure modes and ee t (FMEA), on the perspe tive of
the user. In terms of me hani al design pro eeded to geometri modeling
bi y le through a software CAD, the s aling of its main stru tures by the
nite element method and the analyti al al ulation were veried. At this
stage of the proje t, were onsidered the main regulatory requirements
for performan e and safety for bi y les that an be used on publi roads.
Finally, the assembly drawings and assembly bi y le systems, as well as
the denition drawings of the main bi y le omponents were developed.
The end result is a bi y le for leisure use in day-to-day, as well as
re onditioning pro ess/tness, that an be developed indoor or outdoor
without the need foradditional omponents and whi h in ludes the ability
to use the motivepower user for generating energy to be used in harging
1 Introdução 1
1.1 Motivação . . . 1
1.2 Objetivos . . . 1
1.3 Estrutura . . . 2
2 A Mobilidade Individual 5 2.1 Problemáti a daMobilidade Individual . . . 5
2.1.1 Saúde Públi a. . . 6
2.1.2 Impa tesAmbientais . . . 7
2.1.3 Impa tesE onómi os. . . 8
2.2 A Bi i letae a MobilidadeUrbanaSustentável . . . 9
2.3 A Bi i letae a Saúde Individual . . . 12
2.4 Mer ado dasBi i letas . . . 14
2.5 Normase Legislação . . . 16 2.6 Ben hmarking . . . 17 2.6.1 Bi i letasÓrbita . . . 17 2.6.2 Bi i leta Smart . . . 19 2.6.3 Bi i letasBMW . . . 20 2.6.4 Bi i letasSpe ialized . . . 21 2.6.5 Bi i letasIndoor . . . 22 2.6.6 ModelosCon eptuais . . . 25 2.6.7 Análise Comparativa . . . 26
3 Ergonomia,Antropometria e Biome âni a do Ci lismo 31 3.1 Biome âni a doCi lismo . . . 31 3.1.1 Análise Cinemáti a . . . 32 3.1.2 Análise Cinéti a . . . 34 3.1.3 Ativação Mus ular . . . 39 3.2 Ergonomia. . . 41 3.2.1 Parâmetros de Conforto . . . 41 3.2.2 Posturasde Condução . . . 46 3.3 Antropometria . . . 50
3.3.1 Dados Antropométri osEstáti os . . . 50
4.2 Organização dosDados. . . 61
4.3 Hierarquização dosRequisitos . . . 62
4.4 Estabele imento dos Requisitosdo Produto . . . 67
4.5 Casa da Qualidade- QFD . . . 68
4.6 Geração eSeleção de Con eitos . . . 78
4.6.1 De omposição de Funções . . . 78
4.6.2 Clari ação dosObjetivos deUtilização . . . 79
4.6.3 Classi ação de Con eitos . . . 80 4.6.4 Patentes . . . 81 4.6.5 Seleção . . . 83 4.7 Logótipo . . . 102 4.8 Solução Final . . . 102 4.8.1 Utilização Indoor . . . 105
4.8.2 Integração eCarregamento dosDispositivosEletróni os . . . 109
4.8.3 Transmissão . . . 110 4.8.4 Ergonomia . . . 112 4.8.5 ProtótiposVirtuais . . . 117 4.8.6 Espe i açõesFinais . . . 118 4.9 Análise deCustos . . . 119 4.9.1 Componentes Estandardizados . . . 119
4.9.2 Componentes paraFabri o . . . 120
4.9.3 Custos deMontagem . . . 121
4.9.4 CustoTotal . . . 122
4.9.5 Estimativada Quantidade de Vendas. . . 123
4.10 Design Robusto . . . 125
4.10.1 Análise deModode Falha eEfeito . . . 125
5 Projeto Me âni o 127 5.1 Dimensionamento da Transmissão. . . 127
5.1.1 Engrenagens . . . 127
5.1.2 Veios . . . 133
5.1.3 Rolamentos . . . 141
5.1.4 LigaçõesporChaveta . . . 144
5.2 Cál ulo dasMolasdo Guiador . . . 145
5.3 Análise Estrutural dosPrin ipaisComponentesda Bi i leta . . . 149
5.3.1 Comportamento Estrutural do Quadro . . . 149
5.3.2 Dimensionamento do SuporteMultifunções . . . 157
5.4 Desenho Té ni o . . . 163
6 Con lusões Finais e Ações Futuras 165 6.1 Con lusões . . . 165
A Legislação 175
A.1 Norma EuropeiaEN 14764 . . . 175
A.2 Portarianº.311-B/2005 de 24 deMarço . . . 181
B Resultados Obtidos nos Questionários Realizados 183
B.1 Primeiro Questionário . . . 183
B.2 Segundo Questionário . . . 185
C Logótipo - Versões Alternativas 187
D Matriz QFD 189
E Desenhos de Conjunto 193
F Desenhos de Montagem 205
2.1 Impa tesde ada poluente na saúde . . . 6
2.2 Impa tesambientais provo ados pelo setor dostransportes . . . 7
2.3 Gasto alóri o da atividade depedalar . . . 13
2.4 Produção de bi i letas(UE-27 )em 2011 . . . 14
2.5 Evolução do número de bi i letasvendidas (UE-27 ) . . . 14
2.6 Número de bi i letasvendidas ao públi o, referenteao ano de2011 . . . . 15
2.7 Normaseuropeias apli adas no setordasbi i letas . . . 16
2.8 Mar as analisadas noben hmarking . . . 17
2.9 Análise omparativa - bi i letas indoor . . . 26
2.10 Análise omparativa - modelos de bi i letasSpe ialized e Smart . . . 27
2.11 DimensõesdosquadrosSpe ialized . . . 28
2.12 Dimensõesdosquadro BMW . . . 28
2.13 Análise omparativa - modelos de bi i letasÓrbita eBMW . . . 29
3.1 Pesosdos i listas e ondiçõesdeteste . . . 36
3.2 Valores máximos e mínimos do deslo amento angular da arti ulação do joelhoe tornozelo . . . 39
3.3 Atividade mus ularduranteasfases do i loda pedalada . . . 40
3.4 Padrõesmédiosde atividade mus ular duranteasfases da pedalada para osprin ipaisgruposmus ulares . . . 40
3.5 Comprimento dapedaleira . . . 44
3.6 Dimensõesantropométri asdo homem eda mulher portugueses . . . 52
3.7 Estimativado valor do entrepernasem função daaltura . . . 53
4.1 Respostas obtidas paraa primeira e segundaquestãodo segundoinquérito 59 4.2 Distribuição da amostrapor es alãoetárioe degénero . . . 59
4.3 Sumáriodasrespostas àquarta questão dosegundoinquérito . . . 60
4.4 Preços queosutilizadores poderãodespenderpor umabi i leta . . . 60
4.5 Interpretaçãodasne essidades dosutilizadores . . . 61
4.6 Requisitos erespetivadesignação . . . 62
4.7 Grau de importân iadosrequisitos . . . 65
4.8 Deniçãodasespe i ações té ni asda bi i leta. . . 67
4.9 Determinação dasdimensõesdo quadro dabi i leta. . . 72
4.10 Tamanhos dosquadros . . . 72
4.11 Determinação daaltura do selim . . . 72
4.12 Valoresalvodos requisitosdo produto . . . 75
4.16 Vantagense desvantagens dossistemasde tração . . . 84
4.17 Matriz de seleçãoparao sistemadetração . . . 84
4.18 Vantagensedesvantagensdossistemasme âni osdetransmissãodepotên ia 85 4.19 Matriz de seleçãoparao sistemame âni ode transmissão depotên ia . . 86
4.20 Matriz de seleçãoparaa aixadetransmissão . . . 87
4.21 Vantagense desvantagens dossistemasde travagem. . . 88
4.22 Matriz de seleção- Sistemade travagem . . . 89
4.23 Matriz de seleçãoparao transporte de objetos. . . 90
4.24 Matriz de seleçãoparao sistemadeamorte imento . . . 91
4.25 Matriz de seleçãoparao suportede estabilidade. . . 93
4.26 Matriz de seleçãoparao sistemaderegulação deesforço físi o . . . 95
4.27 Matriz de seleçãoparao sistemadegeração de energia . . . 97
4.28 Matriz de seleçãoparao sistemadeintegração dos dispositivoseletróni os 98 4.29 Matriz de seleçãoparaa geometria doquadro . . . 99
4.30 Matriz de seleçãoparaa geometria doguiador . . . 100
4.31 Espe i açõesnais da bi i leta. . . 118
4.32 Componentesestandardizados . . . 119
4.33 Preço deprodução de alguns dos omponentesda bi i leta . . . 120
4.34 Estimativadostemposde montagem . . . 121
4.35 Custototal de produção . . . 122
4.36 Análise demodo de falhas . . . 126
5.1 Valoresde
K
A
dea ordo omotipode hoquedeengrenamento a dimen-sionar . . . 1295.2 Valoresde
m
eN
r
emfunção dotipode engrenagemes olhido . . . 1295.3 Valoresde
C
3
. . . 1305.4 Valoresde tensão deruína àfadiga super ial . . . 131
5.5 Cál ulo do número dedentes, móduloe diâmetro dasengrenagens. . . 131
5.6 Coe ientes
c
i
parao ál ulodeC
3
. . . 1325.7 Coe ientes
e
0
ee
1
parao ál uloC
3
. . . 1325.8 Fatores de ál ulode
K
f
. . . 1365.9 Valoresdasvariáveis parao ál ulode
k
as
. . . 1385.10 Coe ientede segurança par ialpara odimensionamento à fadiga . . . 138
5.11 Fatores de dimensionamento à edên ia eà fadigado veioda transmissão 141 5.12 Fatores radial e axialdosrolamentosxos deesferas . . . 143
5.13 Dimensõesnormalizadas das havetas paralelas . . . 144
5.14 Propriedades dosaçosde molasmaisutilizados . . . 147
5.15 Parâmetros dedimensionamento da mola à ompressão . . . 147
5.16 Valoresde primeira es olhado diâmetroda espira
d
(mm) . . . 1475.17 Propriedades me âni as do alumínio6061-T6 . . . 152
5.18 Propriedades da malha utilizada na averiguaçãoestrutural do quadro da bi i leta . . . 152
5.19 Pesodosutilizadores onsiderados na determinação da largura dosuporte 158
mul-A.1 Prin ipaisrequisitos da normaEN 14764 . . . 175
A.2 Requisitos detravagem EN-14764 . . . 179
A.3 Caraterísti asdasluzes de presença . . . 181
B.1 Resumo de respostas obtidas no primeiro questionário, referentes à
pri-meiraquestão . . . 183
B.2 Resumo de respostas obtidas no primeiro questionário, referentes à
se-gunda questão. . . 183
2.1 Contribuição dosetor dostransportes paraasemissõestotaisdeGEEem
2009 . . . 7
2.2 Consumo naldeenergia por setor(UE-27 ) . . . 8
2.3 Modelosde bi i letas atuais . . . 9
2.4 Sistemasde aluguer debi i letas . . . 10
2.5 Medidas de mobilidade urbanasustentável . . . 11
2.6 Modelosde bi i letas Órbita. . . 18
2.7 Smart ebike . . . 19
2.8 Modelosde bi i letas BMW . . . 20
2.9 Modelosde bi i letas Spe ialized . . . 21
2.10 Exemplo deutilização deumabi i leta indoor . . . 22
2.11 Esquema representativo dosprin ipais omponentes de umbi i letaindoor 23 2.12 Modelosde bi i letas indoor . . . 24
2.13 Modelosde bi i letas on eptuais . . . 25
2.14 Prin ipaisdimensõesdabi i leta smart . . . 26
3.1 Planos triortogonais ombasena posição anatómi ade referên ia . . . 32
3.2 A atividade do i lismo de orre essen ialmentenoplano sagital . . . 33
3.3 Divisãodo i loda pedalada emgraus . . . 34
3.4 Representaçãodas forçasexer idasnospedais . . . 35
3.5 Eixosdospedaisutilizados por Stone e Hull . . . 36
3.6 Padrões médios das forças exer idas nos pedais em função do ângulo da pedaleira(
θ
c
). . . 373.7 Amplitudesde movimentos . . . 38
3.8 Representaçãodosprin ipais mús ulosdosmembrosinferioressoli itados durante a atividade depedalar . . . 39
3.9 Parâmetros de onforto de orrentes dautilização dabi i leta . . . 41
3.10 Variáveisantropométri as,ne essáriasnodimensionamento deumabi i leta 42 3.11 Medidas xasdo quadro . . . 43
3.12 Dimensõesparao ál ulodaaltura do selim . . . 44
3.13 Comprimento doguiador . . . 45
3.14 Representaçãoesquemáti a do ângulode in linação do tubodo selim . . . 45
3.15 Posiçõesde ondução . . . 46
3.16 Curvaturaem "duploS"da olunavertebral . . . 47
3.17 Posição de ondução lássi a. . . 47
3.18 Ângulos de onforto biome âni os re omendados para bi i letas de lazer e transporte . . . 48
3.21 Dimensõesantropométri as . . . 51
3.22 Comprimento dossegmentos orporais, emper entagem da altura do orpo 52
3.23 Valoresmédiosde rotaçõesvoluntárias do orpo . . . 53
4.1 Esboçodo primeiro inquéritorealizado . . . 56
4.2 Resumo dasrespostas do primeiro questionário . . . 57
4.3 Esboçodo segundoinquérito desenvolvido . . . 58
4.4 Diagrama de Mudge . . . 63
4.5 Priorização ini ial dosrequisitos do liente . . . 64
4.6 Diagrama de Kano . . . 66
4.7 Matriz de relaçõesentre osrequisitos de liente edo produto . . . 68
4.8 Análise ompetitiva e argumentos de venda . . . 69
4.9 Matriz de orrelaçõesentre osrequisitos doprojeto . . . 70
4.10 Análise da on orrên ia dosrequisitos do projeto . . . 71
4.11 Dimensõesdosdispositivoseletróni os . . . 74
4.12 Priorização revistadosrequisitos do liente . . . 76
4.13 Priorização dosrequisitosdo produto . . . 76
4.14 Diagrama de funçõesdonovo on eitode bi i leta . . . 78
4.15 Suporte de treino físi o adaptável a um bi i leta onven ional (Bi y le
Trainer) . . . 81
4.16 Dispositivo de regulação do esforço físi o (Bi y le Mounted Exer ise and
TrainingDevi e) . . . 82
4.17 Dispositivo deresistên ia magnéti a . . . 82
4.18 Sistemasde travagem. . . 88
4.19 Con eitosde transportede objetos . . . 90
4.20 Sistemasde amorte imento . . . 91
4.21 Utilizaçãoindoor -suporte de estabilidade . . . 92
4.22 Suportede estabilidadedobrável . . . 93
4.23 Sistemaderegulaçãodeesforçofísi oadaptadoaumdis ome âni o
( on- eito 1) . . . 94
4.24 Sistema independente de regulação de esforço físi o a oplado no quadro
( on eito 2) . . . 95
4.25 Sistemasde geração deenergia . . . 96
4.26 Integração dosdispositivoseletróni os . . . 97
4.27 Geometrias onsideradas parao quadro dabi i leta . . . 98
4.28 Soluções onsideradas paraoguiador da bi i leta . . . 99
4.29 Logótipo asso iado aoproduto desenvolvido . . . 102
4.30 Bi i leta FHUE- suporte multifunçõese transmissãopor veiome âni o . 103
4.31 Bi i leta FHUE- guiador esuportede xaçãodo telemóvel . . . 104
4.32 Suportemultifunções propor ionando umautilização indoor da bi i leta . 105
4.33 Sistema debloqueio dosuporte no uboda roda traseira . . . 106
4.34 Pormenordasguias edo sistemade bloqueio notubo doselim . . . 107
4.35 Sistema deregulação doesforço físi o . . . 108
4.39 Forqueta omamorte imento esuporte paragarrafade água . . . 112
4.40 Sistema deajuste emaltura e omprimento doselim . . . 113
4.41 Lo alizaçãodos LED sde sinalizaçãoda bi i leta . . . 114
4.42 Sistema detravagem pordis o me âni o. . . 114
4.43 Posturade ondução -posição a
90
◦
dosbraços emrelaçãoao tron o . . . 115
4.44 Solução onstrutivado guiador dabi i leta . . . 116
4.45 Avanço do guiadorregulável . . . 116
4.46 Bi i leta FHUE- protótiposvirtuais . . . 117
4.47 Determinação da per entagem de inquiridos que provável (90%) e
deni-tivamente(20%) ompravam abi i leta . . . 124
5.1 Disposição dasengrenagensda transmissão. . . 128
5.2 Esquema representativo dasforças deengrenamento noveio dapedaleira . 133
5.3 Esquemarepresentativodasforçasapli adasedosmomentosetores(
N m
) no veioda pedaleira (planoxz
) . . . 134 5.4 Esquemarepresentativodasforçasapli adasedosmomentosetores(N m
)no veioda pedaleira (plano
xy
) . . . 135 5.5 Tensõesde edên ia ede rotura emM P a
de alguns açosde veios . . . 136 5.6 FatorK
t
paraumveio om on ordân ia àexão . . . 137 5.7 Casosde alteração degeometria que impli am on entraçõesde tensões . 1375.8 Esquemarepresentativodasforçasdeengrenamentosobreoveioda
trans-missão . . . 139
5.9 Esquemarepresentativodasforçasapli adasedosmomentosetores(
N m
) no veioda transmissão (planoxz
). . . 140 5.10 Esquemarepresentativodasforçasapli adasedosmomentosetores(N m
)no veioda transmissão (plano
xy
). . . 140 5.11 Rolamento rígidode esferas(6004-2RSH) . . . 1425.12 Con ordân iasadmissíveisediâmetrosmáximosre omendadosparao
alo-jamento de rolamentos rígidos deesferas . . . 143
5.13 Exemplo deumaligação por haveta . . . 144
5.14 Molasujeitaa esforçosde ompressão presente nadobradiça do guiador . 145
5.15 Molaheli oidal sujeitaauma arga axial. . . 146
5.16 Molado guiador sujeitaaesforços detração . . . 148
5.17 Soli itação verti al- dimensões emmilímetros . . . 150
5.18 Soli itação horizontal - dimensõesemmilímetros . . . 151
5.19 Condiçõesde fronteira e malha deelementos nitos . . . 153
5.20 Gradiente detensõesde VonMises(soli itação horizontal) . . . 154
5.21 Gradiente dedeslo amentos(soli itação horizontal) . . . 155
5.22 Gradiente detensõesde VonMises(soli itação verti al) . . . 156
5.23 Esquema representativo do diagramade forçasno suporte . . . 157
5.24 Cál ulo da larguramínima do suportemultifunções . . . 159
5.25 Condiçõesdefronteira emalhadeelementos nitosdosuportemultifunções161
5.26 Perlde tensõesdeVon Misesnosuporte multifunções . . . 162
5.27 Perldasdeformaçõesprin ipais nosuporte multifunções . . . 162
A.3 Ângulo dadireção EN-14764. . . 180
A.4 Espaço livreadmissívelentreo pedal eo pneu EN-14764 . . . 180
B.1 Layout do primeiro questionário realizado . . . 184
B.2 Layout do segundoquestionário realizado . . . 185
Abreviaturas
QFD Quality Fun tionDevelopment
CAD Computer Aided Design
FMEA Failure Mode andEe ts Analysis
MEF MétodosdosElementos Finitos
INE Instituto Na ionalde Estatísti a
GEE Gasesde Efeito deEstufa
UE-27 União Europeia a27 Estados
AEA Agên ia Europeiado Ambiente
OMS Organização Mundialde Saúde
ZER Zona deEmissõesReduzidas
BTT Bi i letaTodo o Terreno
DFM Design for Manufa turing
LED Light Emitting Diode
USB UniversialSerial Bus
Introdução
1.1 Motivação
O setor dos transportes em geral e o setor rodoviário em parti ular onstituem as
prin ipaisfontesparaoaque imentoglobal,prin ipalmentedevido àqueimade
ombus-tíveisfósseis,mastambémemvirtudedetodooimpa toambientalinerenteàfabri ação
destes meios. Assim, é de todo o interesse en ontrar formas de mobilidade alternativas
que possam não substituir toda a função do automóvel, mas uma substituição par ial
dassuas funçõesdemobilidade.
Neste ontexto, a bi i leta tem sido utilizada omo meio de mobilidade individual
que pode substituir o automóvel, essen ialmente em zonas urbanas e rurais. Na última
dé ada, por questões de preo upação om o bem-estar e a saúde, a bi i leta, quer em
ginásio, quer em ir uito temsido umdosmeiosde exer í iofísi o maisfrequentemente
utilizados. Na áreado lazer, ada vezmais abi i leta épro urada omomeio lúdi o de
passeio, emespe ialemmeio urbano. É per etívelquea bi i letaassuma ada vez mais
importân ia, quer na áreada mobilidade individual, da saúdee do bem-estar, tal omo
na áreado lazer emesmo nodesporto.
Tendoem ontaasdiversasapli açõesdabi i letaemdiferentesatividades,édetodo
o interesse o desenvolvimento de um on eito de bi i leta que a partir de uma mesma
plataformapossaseradaptadaou onguradaàsdiferentesutilizações,permitindodeste
modo a sua apli ação a diferen iadas atividades sem des orar a portabilidade,
ara te-rísti a deste meio detransporte.
1.2 Objetivos
O objetivo do trabalho desenvolvido no âmbito desta dissertação visou o
desenvol-vimento, a on eção e o projeto detalhado de uma bi i leta multímodo, uja prin ipal
ara terísti a é aversatilidade de omutação entre umautilização dinâmi a
( onven io-nal) eestáti a (indoor).
O on eitode bi i leta desenvolvido pro urou satisfazer o aspeto da mobilidade
in-dividual numa perspetiva de lazer, re reativa, de reabilitação físi a e, sobretudo, de
indoor, o on eitode bi i leta desenvolvido foi on ebido de modo a possibilitara
inte-gração e o arregamento de pequenos dispositivos eletróni os durante a sua utilização,
tornando oproduto maisatrativo para um onjunto diversi ado de utilizadores.
Numa fase ini ial do projeto foi delineado que a propulsão da bi i leta iria ser
ex- lusivamente manual. Deste modo, e om base numa análise de ben hmarking a uma
gama de produtos semelhantes, ao nível da fun ionalidade do produto a desenvolver,
foram identi ados módulos ne essários a in orporar no produto base que permitiram,
posteriormente, dar resposta aosobjetivosde utilização estabele idosini ialmente.
Apartirdeste ponto pro edeu-seàapli ação deumreferen ialde projetoe de
enge-nharia doproduto. Estereferen ialtraduziu-se num onjunto de etapasquevãodesdea
interação eidenti açãodasne essidadesdosutilizadores,atravésda riaçãode
questio-náriosonline,passandopelaseleçãodevaloresalvodasespe i açõesté ni asdabi i leta
e da suarelação atravésda asada qualidade (QFD).
Na fase seguinte, onsiderou-se um onjunto de soluções para as diferentes funções
da bi i leta, sendosele ionadas asmais adequadas. Posteriormente, deniu-se o design
dabi i leta, amodelaçãoe oprojetome âni onaperspetivadedesenhoparafabri ação
(DFM). Estaetapain luiuaelaboraçãodeumdossierté ni o omosrespetivosdesenhos
dedenição,demontagemede onjuntoasso iados omarespetivalistade omponentes.
1.3 Estrutura
Estadissertaçãoen ontra-se estruturada emseis apítulos distintos.
No apítulo 1 (presente), é feita uma introdução de todo o trabalho desenvolvido
servindo omoguia domesmo.
No apítulo 2, referem-sedados qualitativos e quantitativos relativamente aosefeitos
que o setor dos transportes provo a na saúde públi a, no ambiente e na
e ono-mia. Érealçado opapelda bi i letana so iedade omo alternativa de mobilidade
sustentável e o seus benefí ios na saúde públi a e individual. Posteriormente, são
men ionados alguns dados a er a da indústria de bi i letas. Numa fase seguinte,
realizou-se umaanálise de ben hmarking a uma gama de produtos e a sua
ara -terização em termos de design, peso, materiais, pro esso de fabri o, entre outras
ara terísti as. Neste apítulosão referidas asprin ipaisnormas europeias e a
le-gislação na ionalemvigorapli adas no setordas bi i letas.
No apítulo 3, realizou-se uma análise biome âni a asso iada à práti a do i lismo
om espe ial enfoque dos membros inferiores e ao nível da postura orporal. São
men ionadas eavaliadasas apa idadesdeforçase amplitudesde movimentosque
podemserdesenvolvidospelosmembrosinferiores. Emseguida,referem-seaspetos
ergonómi os e antropométri os e o modo omo estes inuen iam o orreto
No apítulo 4, pro edeu-se à apli ação de todo o pro esso de on eção e projeto de
engenharia de produto, orrespondendo este apítulo ao trabalho prin ipal desta
dissertação. É realizada uma identi ação, interpretação, hierarquização e av
alia-çãodasne essidadesde"poten iais" lientes,tendo ombasea riaçãoedivulgação
de doisquestionáriosonline. Seguidamente sãodenidas asespe i açõesté ni as
queforam ombinadas omosrequisitos do lientenamatrizdaqualidade(QFD).
Neste apítuloforam desenvolvidos um onjunto de soluçõesté ni asparaas
dife-rentes funções da bi i leta, sendo posteriormente avaliadas através de ritérios de
seleção.
Numafaseseguinte, deniu-setodoodesign dabi i leta, orrespondendo estafase
à modelação geométri a e apresentação de umlogótipo representativo do projeto.
Posteriormente, foram riadosum onjunto de protótiposvirtuaise, noâmbito de
design robusto, foirealizada umaanálisedemodosdefalha(FMEA )sobrea
pers-petiva do utilizador.
No apítulo 5, elaborou-se todo o trabalho de projeto de detalhe da bi i leta om os
desenhos de onjunto, montagem e denição, assim omo o dimensionamento
es-truturaldasprin ipaisestruturas dabi i leta, omre ursoasoftware deelementos
nitos e através de ál ulo analíti o. Veri ou-se o dimensionamento do quadro,
doselementos onstituintes datransmissão (engrenagens, rolamentos, veios e
liga-ções me âni as), das molas presentes no guiador e dimensionamento e a largura
mínima dosuporte multifunções.
No apítulo 6, estabele em-se as prin ipais on lusões do trabalho realizado,
A Mobilidade Individual
Neste apítulosãoreferidosdadosestatísti osqualitativosequantitativosa er a dos
impa tes ambientais,e onómi os enasaúdepúbli ade orrentesdousoex essivodos
re- ursosenergéti os,provenientesdosetordostransportes. Éapresentadaabi i leta omo
forma de mobilidade sustentável, assim omo sãomen ionados osbenefí ios de orrentes
da sua utilização na saúdepúbli a e em termos individuais. Posteriormente, são
referi-dos alguns dados a er a da indústria dasbi i letas, om espe ialreferên ia à indústria
na ional. Numa fase seguinte, é realizada uma análise de ben hmarking a uma gama
de produtos queseenquadram no mesmosegmento doproduto proposto a desenvolver,
sendo omparados emtermos design,peso, materiais, omponentes, pro esso defabri o,
entreoutras ara terísti as.
Porm,sãoreferidasasprin ipaisnormaseuropeiaselegislaçãona ionalemvigorno
setor dasbi i letas. Oobjetivodeste apítuloé realçaro papeldabi i leta omoforma
de mobilidade sustentável, servindo omo ponto de partida e justi ação do presente
trabalho.
2.1 Problemáti a da Mobilidade Individual
O setor dos transportes, omo setor primário do desenvolvimento, tem um papel
fundamentalnaso iedadeenavida dos idadãos. Estesetor deverespeitarosprin ípios
do desenvolvimento sustentável, ou seja, deve satisfazer asne essidades de mobilidade,
promovendo a qualidade de vida numa perspetiva integrada que engloba preo upações
ambientais, so iais ee onómi as.
Nas so iedades modernas atuais, o automóvel representa um bem adquirido e
im-pres indível,no sentidoda independên ia quepropor iona àspessoasemtermos de
mo-bilidade individual, segurança, ou até mesmo omo sinónimo de estatuto so ial. Por
outro lado, é per etível queo automóvel altere ospadrões de desenvolvimento do
terri-tório, ontribuindo para um aumento dos níveis de poluição omo onsequên ia do uso
ex essivo edesregulado dos ombustíveisfósseis.
Fa eaopanoramaatualdasso iedades,amobilidade urbanatem sido adavez mais
dis utida a nível ambiental, e onómi o e na saúde públi a. Alguns aspetos estatísti os
rela ionados omestaproblemáti aserãoseguidamentemen ionadosanívelquantitativo
2.1.1 Saúde Públi a
Atualmente existem er a de850 milhõesde veí ulos rodoviáriosem todo omundo,
estimando-se que no ano de 2050 existam mais de 2 mil milhões de veí ulos [1 ℄. Em
Portugal, segundo os dados estatísti os do Instituto Na ional de Estatísti a (INE), a
estimativadeveí ulosrodoviáriospresumivelmente em ir ulação,em31dedezembrode
2011,as endiaa6milhõesdeveí ulos(6.181.188)dosquais98%eramveí ulosligeiros[2℄.
O elevado número de automóveis em ir ulação, muito ara terísti o dos grandes
entros urbanos, aeroportos e portos marinhos, onstitui uma das prin ipais ausas de
poluiçãoatmosféri a, sonorae de stress ambientalurbano.
Na Tabela 2.1en ontram-se osprin ipais poluentes emitidospelos motores de
om-bustão eosseus poten iais ris os paraasaúde.
Tabela2.1: Impa tesde ada poluente nasaúde. Adaptado de [3℄.
Poluente: Efeitos naSaúde: Comentários:
CO
(monóxidode arbono)Redução da apa idade do
transportedeoxigéniono
san-gueaoste idos.
Extremamente perigoso para
uma urta exposição a altas
doses; o
CO
afeta aper e-çãoera io ínio,inibeos
ree-xos, ausa sonolên ia eperda
dos sentidos, podendo ausar
morte.
N O
x
(óxidos de azoto)Aumento da sus etibilidade
a infeções respiratórias;
au-mentodas viasaéreas em
pa- ientes asmáti os; diminuição
dafunçãopulmonar.
Espe ialmente perigoso para
uma exposição ontínua a
longo prazo, ausando
doen-ças róni as rela ionadas om
asfunçõesrespiratóriase
pul-monares.
HC
(hidro arbo-netos)Efeitos tóxi os e
an eríge-nos;irritação nos olhos,nariz
e membranas mu osas, tosse,
náuseasefaltadear.
Perigoso e problemáti o para
umaexposiçãoalongo prazo,
ausandodoenças róni asno
sistema nervoso,
hematoló-gi o,imunológi o e
respirató-rio.
P b
( humbo)Pressão arterial elevada;
perda de memória,
diminui-ção dos reexos e do tempo
dereação.
Constitui um ris o
signi a-tivopara rianças om menos
de6anosdeidadeea
mulhe-resadultasemidade
reprodu-tiva, ausandoefeitosagudos.
Partí ulas
Doenças ardiovas ulares,
res-piratóriasepulmonares.
Efeitos ausados por uma
urta exposição, são
reversí-veis; exposição a longo prazo
aumentaoris odemorte
au-sadoporinfeçõesrespiratórias
e ardiorrespiratórias.
SO
2
(dióxido de enxofre)Consequên ias ao nível do
trato respiratório, ausando
uma redução da função
pul-monar.
Uma exposição prolongada
provo adoençasrespiratórias,
aumentandooris ode
2.1.2 Impa tes Ambientais
Osetordostransportes,emparti ularosetorrodoviário, onstituiumadasprin ipais
fontesdeemissõesdegasespoluentesnaatualidade, nãosódevidoaousode ombustíveis
fósseis omotambém aosimpa tes inerentes na fabri açãodosveí ulosrodoviários.
Segundo osdados publi ados pela Agên ia Europeia do Ambiente(AEA), em2009,
estesetorfoiresponsávelpor er ade24%dototaldeemissõesdegasespoluentes(GEE )
na União Europeia (sub 32) [4℄. Sendo o setor rodoviário o prin ipal emissor de gases
poluentes, omo épossívelobservar na Figura2.1.
Figura 2.1: Contribuição do setor dos transportes para as emissões totais de GEE em
2009. Adaptado de[4 ℄.
Emboranãosejapossívelidenti ar umarelaçãodireta entreospoluentes
atmosféri- osemitidoseasalterações limatéri as sofridas,o limaéfortementeafetadopela
alte-ração da on entração de determinadosgases, modi ando o equilíbrio entre a radiação
solarprovenienteeouxoderadiaçãoenviadoparaoespaço,provo andoodenominado:
"efeito de estufa"[1 ℄.
As onsequên ias ambientais provo adas por este desequilíbrio podem-se manifestar
a nível lo al, regionale global. A Tabela2.2refere asprin ipais onsequên ias.
Tabela2.2: Impa tesambientais provo ados pelosetor dostransportes. Adaptado de [1℄
e [5 ℄.
Nível Impa te Ambiental
Lo al
Poluiçãoatmosféri aespe ialmente emáreasurbanas:
CO
;HC
;N O
x
; Partí ulas;Ruído. Regional Chuvasá idas:N O
x
;SO
2
Nevoeirofotoquími o:HC
;N O
X
Global Efeitodeestufa:CO
2
;CH
4
;N
2
O
;O
3
Proliferaçãodedoenças;degelodas alotaspolares.2.1.3 Impa tes E onómi os
No ano de 2010, o setor dos transportes foi responsável por um onsumo total de
energia de31.7%(UE-27 ), sendoeste valorsuperiorà energia onsumidapelaindústria
(25.3%),Figura 2.2.
Figura2.2: Consumo naldeenergia por setor (UE-27 ). Adaptado de [6 ℄.
Em Portugal, o onsumo de energia absorvido pelo setordostransportes representa,
nosdias dehoje, quase 40%do onsumo total de energia [1 ℄.
Oelevado onsumo energéti o, absorvido pelo automóvel, traduz-se num gasto
e o-nómi o adavezmaisvisívelnasso iedadesatuais,dadoo res enteaumentodospreços
dos ombustíveis. De fa to, a nível na ional, as famílias portuguesas gastam em média
1843eurosporanoemenergia,representando er ade50,6%daenergia onsumidapelo
automóvel parti ular. Assim,o automóvel parti ular é nosdias de hoje responsávelpor
2.2 A Bi i leta e a Mobilidade Urbana Sustentável
Não existe na bibliograa uma data on reta sobre o surgimento da bi i leta. No
entanto,a bi i letatal omoa onhe emos nosdiasdehoje surgiu emmeadosdo sé ulo
XX, representando umdos meiosde transporte mais populares e re reativos emtodo o
mundo [8℄.
Abi i leta onstitui ummeio detransporterelativamentebarato, defá il utilização,
e ológi oe te nologi amentesimples. Estemeiodetransporteémuito omumempaíses
em desenvolvimento, dado osseus baixos ustos de utilização. Por outro lado, é muito
frequenteempaísesdesenvolvidosondeatopograaurbana onvidaaumautilizaçãoem
pequenasdeslo ações.
Existe um onjunto variado de estilos e variantes de bi i letas, desde desportivas,
utilizadas em provas de alta ompetição, itadinas e re reativas, utilizadas em meios
urbanos e empequenas deslo ações. Por outro lado, é possível veri ar uma utilização
onsiderável de bi i letas indoor em ginásios e instituições desportivas, representando
umaboa formade manutenção e ondi ionamento físi o.
Tendên ias Atuais
Atendên iaatualdestesetor, onsistenaintrodução ompletaoupar ialdebi i letas
elétri as (Figura 2.3(a)). Esta ara terísti a onvida a uma utilização em per ursos de
longadistân ia,assim omoemsituaçõesondeain linaçãodoterrenonãoé onvidativa.
Umaoutravantageméofa todeusufruíremde ara terísti asdasbi i letastradi ionaise
dosmoto i los,umavezque, pornorma,nãone essitamqueo ondutorpossuaqualquer
tipode li ençade ondução.
(a)Bi i letaassistidaeletri amente[9 ℄ (b)Bi i letadobrávelelétri a[10 ℄
Figura2.3: Modelos de bi i letasatuais
Asbi i letas dobráveisrepresentam outradasinovaçõesintroduzidas nosetor. Estas
bi i letas,sendobastante ompa tas,permitemquesejamtransportadasemoutrosmeios
de transporte (p.ex. auto arro, omboio e automóvel). Atualmente já existem modelos
Sendoummeio de transporte e ológi o, ompa to esilen ioso,abi i letaé ada vez
maisutilizada omomeio delazer,desportoe,sobretudo,numavertentedemobilidade
urbana. Nos dias de hoje, existem sistemas de aluguer de bi i letas disponíveis em
algumas idades europeias. Alguns exemplos destes sistemas, a nível na ional são as
Bi i letasde Utilização Gratuita de Aveiro - Buga(Figura 2.5(a))e asbi i letas de uso
públi o in luídas no PlanoEstratégi ode Transportede Beja- Petra(Figura 2.5(b)).
(a)Buga- idadedeAveiro
(b)Petra- idadedeBeja [11℄
Figura2.4: Sistemas dealuguer de bi i letas
Estes sistemas de aluguer de bi i letas têm omo objetivo representar uma es olha
sensata em pequenas deslo ações, ontribuindo para uma diminuição dos impa tes do
automóvel e uma diminuição dos ongestionamentos urbanos, dado que as bi i letas
o upamumespaço signi ativamentemenor queosautomóveis.
Uma outra medida de mobilidade urbana sustentável, adotada em algumas idades
existe em determinados entros urbanos lo ais onde a ir ulação de veí ulo, seja de
qualquer tipo, é permitida, mas taxada (Figura 2.5(b)). A restrição e a regulação da
ir ulaçãodosautomóveisem entrosurbanos,paraalémde ontribuirparaumaredução
dosimpa tes do automóvel, onstitui umin entivo àutilização demeios suaves, omoé
o asoda bi i leta.
(a)Lisboa-AvenidadaLiberdade
(b)Londres
Figura2.5: Medidas demobilidadeurbanasustentável: (a)Zonade EmissõesReduzidas
2.3 A Bi i leta e a Saúde Individual
A bi i letaé umveí ulo quepropor iona grandes benefí ios na saúde individual em
termosfísi oemental. Dadaaimportân iadestetema,aOrganizaçãoMundialdeSaúde
(OMS )asseguraqueobem-estardapopulaçãoéumdosfatores havequere rutamuitas
pessoas a optarem por andar de bi i leta nassuas atividades de lazer e na mobilidade
diária.
Dado o elevado poten ial da utilização regular da bi i leta, esta pode ontribuir de
forma positiva a uma progresso ou a um tratamento na saúde em diversos níveis, tais
omo [14 ℄:
- Controlo de peso.
- Maiorexibilidade e forçamus ular.
- Reduçãoda ansiedadeedepressão.
- Fortale imento damassaóssea.
- Aumento da oordenaçãomotora epostura orporal;
- Prevenção ere uperaçãode doenças.
- Prevenção de doenças ardiovas ulares, de forma a estimular e a melhorar o oração,
ospulmõese a ir ulação nosvasossanguíneos.
- Prevençãodediabetes,umavezqueaspessoas omestilodevidasedentáriotêmmaior
probabilidade de ontrair este tipo dedoença.
- Diminuição dosníveis de gordura orporal.
- Melhoriassigni ativasde qualidadede vida.
Para além de onstituir uma boa forma de ondi ionamento e manutenção físi a, a
bi i letaemdeterminadas ir unstân iaséutilizada omoformadereabilitaçãoeterapia
físi a. Algunsestudos[15 ℄demonstramqueautilizaçãodabi i letanumavertenteindoor
onstitui umaformadeprevençãodedoenças róni as, onduzindoem urtoprazoaum
aumento davelo idade damar ha,da resistên ia físi a, daforça mus ulare simetriada
passada.
Pedalar é umaatividade físi aqueé prati adapor pessoas om diferentesbiótipose
ara terísti as siológi asdistintas. Destemodo,éoportuno onhe erogastoenergéti o
asso iadoa esta atividade. A taxa metabóli a representa o número de alorias gastas
numadeterminada atividade por massa orporal e por minuto, medida em unidades de
met (medida da intensidade de exer í io aeróbi o). Por sua vez, um met representa
a energia gasta por uma pessoa sentada (em repouso), sendo igual a
0, 00175[kcal] ×
[kg
−
1] × [min
−1
]
. O gasto energéti o das diversas atividade físi as pode ser expresso
omo múltiplos da taxa metabóli a em repouso. Assim, o gasto energéti o asso iado a
NaTabela2.3sãomen ionadasasunidadesdemetasso iadasàatividadedepedalar
em diversas ir unstân ias.
Tabela 2.3: Gasto alóri o da atividade depedalar. Adaptado de [16℄.
Atividade Físi a: Pedalar Gasto Calóri o
Des rição: (mets)
Vel.
< 16km/h
- lazer,deslo açõesquotidianas 4 Vel.16
a19km/h
- lazer,esforço leve 6 Vel.19
a22km/h
- lazer,esforço moderado 8 Vel.22
a25km/h
- esforço elevado 10Vel. superior a
30km/h
12Vel. superior a
32km/h
16Bi i letaBTT - geral 8,5
Bi i letaindoor geral 5
Bi i letaindoor (
50W
) - esforçomuito reduzido 3 Bi i letaindoor (100W
) - esforço reduzido 5,5 Bi i letaindoor (150W
) - esforço moderado 7 Bi i letaindoor (200W
) - esforço elevado 10,5Dea ordo oma Tabela2.3, ea títulode exemplo,umapessoa om 72
kg
de massa orporal aopedalar durante40 minutosa umavelo idadedepasseio(16-19km/h
) asso- iado a umgasto energéti o médio de 6 mets, poderá despender aproximadamente 300Kcal
dea ordo oma equação (2.1):2.4 Mer ado das Bi i letas
Segundo os dados publi ados pela asso iação europeia da indústria de bi i letas,
COLIPI-(ComitédeLlaisondesFabri antsEuropéensdeBl y lettes),em onjunto om
aindústria de omponentes ea essórios, COLIPED-(ComitédeLiaisondes Fabri ants
de Piè es et Equipements de Deux-roues des pays de la C.E), anualmente, na União
Europeia (UE-27 ), são vendidas er a de 20 milhões de bi i letas, sendo este valor
superior a qualquer outro meio de transporte (p.ex, automóveis, moto i los, et .). A
mesma fonte, refere que os idadãos europeus possuem mais bi i letas do que qualquer
outro meiode transporte[17℄.
ATabela2.4ilustra osprin ipaispaísesprodutoresdebi i letaseaper entagemque
ada produtorrepresenta nonúmerototal de bi i letasproduzidas, referentes aoano de
2011.
Tabela 2.4: Produção de bi i letas (UE-27 ). Adaptado de [17℄.
País Nº Bi i letasproduzidas (
×1000
) Ranking [%℄Itália 2.310 19,65 Alemanha 2.288 19,46 Holanda 1.200 10,21 França 900 7,65 Polónia 892 7,59 Portugal 782 6,65 Bulgária 642 5,46 EU 27 11.758 100
DaanálisedaTabela2.4,Portugal surge omoosextoprodutordebi i letas omum
númerototalde782milunidadesproduzidasem2011,representando er ade6,65%no
ranking europeu.
Observa-se que a Itália e a Alemanha guram os dois países om maior número de
unidades produzidas fa eaosrestantesprodutores.
ATabela2.5representaaevoluçãodonúmerodebi i letas vendidasnaUnião
Euro-peia(UE-27 )referenteao períodode 2006 a 2011.
Tabela2.5: Evolução donúmero debi i letas vendidas (UE-27 ). Adaptado de [17℄.
Ano 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Nºdebi i letasvendidas(
×
1000) 21.033 21.344 20.206 19.582 20.261 20.039 Evolução[%℄ 0,58 1,48 -5,33 -3,09 4,49 -2.06PelaanálisedaTabela2.5, onstata-sequeonúmerodeunidadesvendidastemsofrido
os ilaçõesnos últimos anos. Em 2011 foram vendidas er ade 20 milhões de bi i letas,
veri ando-se umde rés imode 2,06%fa eao anode 2010.
Noquediz respeito aonúmerode bi i letasvendidas ao públi o,e dea ordo omos
Tabela 2.6: Número de bi i letasvendidas ao públi o,em 2011. Adaptado de [17 ℄.
País Nº debi i letas vendidas (
×1000
) RankingAlemanha 4.050 1 Grã-Bretanha 3.580 2 França 3.200 3 ... ... ... Portugal 320 16 EU 27 20.039 100%
Paralelamente, onstata-sequeempaíses omoaAlemanha,Grã-Bretanha eFrança,
o número de unidades vendidas as endeos3 milhões.
Em on ordân ia omosdadosdasTabelas2.4e2.6, onstata-sequeanívelna ional
o número de bi i letasproduzidas supera o número de unidades vendidas numa relação
de aproximadamente 2,4vezes superior. Defa to,algumas fontes[18℄ referemqueparte
da produção na ional tem omodestino osmer ados interna ionais, om forte presença
o mer ado espanhol.
A indústria na ional de bi i letas é onstituída por pequenas e médias empresas
responsáveisporempregarem er ade1.190trabalhadores,dosquais690fazemparteda
produção debi i letase osrestantesda produçãode omponentesea essórios, referente
ao ano de 2011 [17 ℄. A nível na ional, desta am-se as seguintes empresas: Órbita
-Bi i letasPortuguesas,Lda., Miranda &Irmão, Lda. eRodi Wheels and Rims.
Tendo em onta os dados referidos anteriormente, onstata-se que o setor das
bi- i letas é visto omo um setor importante, não só pela sua dinâmi a organiza ional,
omotambémpelasuaatividadeexportadora,dandoorigemaummer ado omdistinta
ompetitividade global[18 ℄.
Por m, é de salientar que embora seja um setor tradi ional a nível na ional, é
responsável por um volume de exportações anualmente de 160 milhões de euros na
2.5 Normas e Legislação
Numafaseini ialdoprojeto,edadaanaturezadoprodutoadesenvolver,épertinente
onhe eralegislaçãoemvigor omvistaaumahomologaçãodasua ir ulação. NaTabela
2.7 sãoresumidasasprin ipaisnormas atualmente apli adasno setor dasbi i letas.
Tabela 2.7: Normas europeias apli adasno setor dasbi i letas[19℄.
Norma Europeia Designação
EN 14764:2005
"Bi i letasde estrada ehíbridas - Requisitosde
segu-rançae métodosde ensaio."
EN14766:2005
"Bi i letas de montanha - Requisitos de segurança e
métodosde ensaio."
EN14781:2005
"Bi i letasde orrida-Requisitos desegurança e
mé-todosdeensaio."
EN16054:2012
"Bi i letasBMX-Requisitos de segurançae métodos
deensaio."
EN14872:2006
"Bi i letas - A essórios para bi i letas - Suportes de
bagagem."
Bi i letas Indoor
EN 957-10:2005
"Equipamento de treino xo - Parte 10: Bi i letasde
exer í io om roda xa ou sem roda livre, requisitos
espe í os de segurança adi ionais e métodos de
en-saio."
Do onjunto de normas referidas na Tabela 2.7, onsiderou-se emtermos de projeto
a norma EN 14764. De uma forma resumida, a norma 14764 espe i a um onjunto
de requisitosaonívelde segurança ede desempenho para a on eção,montagem e teste
de bi i letas. Na Tabela A.1, presente no Apêndi e A.1, são men ionados osprin ipais
requisitosda norma14764 onsiderados nopresenteprojeto.
Umdosaspetos men ionadosna norma 14764 dizrespeitoaosdispositivosde
ilumi-nação, sendo que este do umento refere que "uma bi i leta urbana ou de turismo não
ne essitadepossuirdispositivosdeiluminação. Noentanto,ofabri antedeveinformarao
ondutoralegislaçãona ionalemvigornopaísondeabi i letaserá omer ializada"[20℄.
Deste modo, a nível na ional, a portaria nº.311 - B/2005 de 24 Março dene um
onjuntode ara terísti asdasluzes depresençane essáriasà ir ulação emviapúbli a.
2.6 Ben hmarking
O Ben hmarking é ummétodo que permite avaliar omparativamente umproduto,
empresaouorganizaçãofa eàsua on orrên ia. Deumaformaresumida,oben hmarking
onsiste na pro urade melhores métodosutilizados nos diferentes pro essos de negó io
e nasfunções empresariais, omespe ial ênfasenaquelas quepermitemassegurar e
sus-tentarvantagens ompetitivas. Estemétodopode serusadoporempresas,independente
da suadimensão, ujo seusetor deatividade podeser distinto [21℄.
No ontextodedesenvolvimentodeumproduto,oben hmarkingpermite,emprimeiro
lugar, identi ar as empresas ou instituições tidas omo referên ia do setor, ou seja, as
empresas queproduzemdeterminado produtoou forne emdeterminado serviço omum
máximo de lu ro aliado aumelevado grau desatisfação dos onsumidores [22 ℄.
Nopresente projetoforamalvode ben hmarking umagama debi i letasatualmente
disponíveisnomer adoqueseinseremnosegmentodebi i letasdesportivas,deturismo,
urbanas e indoor, de gama domésti a e prossional. Alternativamente foi in luído um
modelo de umabi i letaelétri a.
NaTabela 2.8,ilustram-se asmar asanalisadas neste projeto.
Tabela2.8: Mar asanalisadas no ben hmarking.
Bi i letas desportivas/urbanas & elétri as
Bi i letas Indoor
2.6.1 Bi i letas Órbita
A onstrutora portuguesa de bi i letas Órbita - Bi i letas Portuguesas, Lda.,
fundada a 2 de fevereiro 1971 e sediada no distrito de Aveiro, exporta mais de 70% da
sua produção e en ontra-se presente em mais de 15 mer ados mundiais. Para além da
produção e venda de bi i letas, a empresa dispõe de entros de ensaios e ontrolo de
qualidade quelhepermite umamaior ompetitividade e qualidade dosseus produtos.
A Órbitapossuium onjunto diversi ado de modelos de bi i letasque lhe permite
lazer, desportivas, de estrada e bi i letas BTT, uja onstrução doquadro pode ser em
aço, alumínio ouatémesmo quadrosreforçadosembra de arbono [9℄.
Do onjuntodemodelosdebi i letas omer ializadospelamar a,foramsele ionados
três modelos de bi i letasurbanas/desportivasrepresentados naFigura2.6.
(a)Strada 26"
(b)Trekking 21VH
( )CountryTour
2.6.2 Bi i leta Smart
ASmart ®
éumfabri antedeautomóveisqueperten eaogrupoDaimlerAG.Além
daproduçãodeautomóveis,em2012,amar a onstruiuumabi i letadenominadaSmart
ele tri bike ouebike, Figura2.7(a).
Para além das ara terísti as que são possíveis de se en ontrarem numa bi i leta
omum, a Smart ebike enquadra-se no segmento de bi i letas assistidas eletri amente,
queparaalémdepermitirasuapropulsãomanual, possuiummotor elétri ono uboda
roda traseira (
250 W
)e umabateriaquepode possibilitarumaautonomia de utilização até100km
.Éde frisarqueestabi i letapossuiuma orreiadentada embra de arbono,sendo
maissilen iosa erequerendomenos manutençõesqueo sistema onven ional de arretos
e orrenteem aço (Figura2.7(b)). Umaoutra ara terísti a deste modelo, é a presença
de umsuportequepermite axação eo arregamento deumtelemóvel(Figura 2.7( )).
ASmart ebike não só onstitui umbom exemplodas atuais tendên ias no setor das
bi i letas, omoexibeumdesign úni oquelhe onferiu oprémioreddot design award
- best of best 2012 [23℄.
(a)Bi i letaSmartebike (b)Pormenorda orreiadentadaem arbono
( )Integraçãodetelemóvel
2.6.3 Bi i letas BMW
ABMW
®
é onhe ida omoumamar aalemãdereferên iaemtermosdesegurança,
onforto,qualidadeedesigndosseusautomóveis. Estamar afoisele ionada node orrer
da análise de ben hmarking, uma vez que para além do fabri o de automóveis, este
fabri ante apresenta um onjunto variadode modelos de bi i letas.
Dadoo onjunto demodelosdisponíveispelamar a,foramsele ionadosdoismodelos
de bi i letas urbanas/desportivas,Figura 2.8(a) e(b).
(a)Touring2012
(b)Cruise2012
Figura2.8: Modelos de bi i letasBMW [24℄.
EstesdoismodelospresentesnaFigura2.8, emboranãopossuamqualquera rés imo
de fun ionalidade fa e aos modelos da Órbita e sendo onstruídos no mesmo material,
diferem nopro esso de obtenção dageometria daspeças quedão forma aoquadro. Nos
doismodelosBMWageometriadoquadroéobtidapelopro essohydroforming,exibindo
umdesign distinto. Contrastando omosmodelosÓrbitaemqueageometriadoquadro
é ovalou ir ular.
2.6.4 Bi i letas Spe ialized
Afundação daSpe ialized ®
datao anode 1974. Este fabri ante ameri ano étido
omoumareferên ianosetordasbi i letasdevidoàqualidadedosseusprodutos,estando
in lusivamente presente emequipasde i lismo dealta ompetição.
Para além das bi i letas, este fabri ante produz uma vasta gama de omponentes
e a essórios para o setor. Uma outra ara terísti a desta mar a, reside na variedade
de modelos que lhe permite estar presente em todos os ni hos de mer ado, in luindo o
segmento de bi i letas elétri as[25℄.
Foramalvodeben hmarking osmodelos debi i letaspresentesnaFigura2.9(a), (b)
e ( ).
(a)CrossoverEliteDis
(b)Expedition
( )SirrusComp
2.6.5 Bi i letas Indoor
No de orrer da atividade de ben hmarking, omo referido anteriormente, foi
anali-sadoum onjunto de modelos de bi i letasindoor utilizadas numavertentedomésti a e
prossional.
Asbi i letas indoor podemservistas omoumaadaptaçãode umabi i leta
onven- ional, dado que o seu surgimento é posterior às bi i letas onven ionais. A utilização
deste tipo de produto está vo a ionada para a reabilitação físi a e, sobretudo, para o
ondi ionamento físi odosusuários, estando presente emginásios,asso iações
desporti-vase líni as de reabilitação físi a (Figura 2.10). Este tipo de modalidade tem vindo a
apresentar ada vez mais adeptos, uma vez que a sua práti a não está dependente das
ondições limatéri as, nem dotráfego dos entros urbanos[26℄.
Figura2.10: Exemplo de utilizaçãode umabi i letaindoor,CortesiaClube7 Ginásios.
Em termos onstrutivos, asbi i letas indoor têm omo objetivo prin ipalo onforto
e a orreta adaptação do utilizador, permitindo regular parte dos omponentes (ajuste
do selimeguiador emalturae omprimento). Outro aspetovisíveléa geometriada sua
estrutura idealizada,parapermitiro fá ila esso.
NaFigura2.11sãorepresentadososprin ipais omponentespresentesnumabi i leta
Figura2.11: Esquemarepresentativodosprin ipais omponentes deumbi i letaindoor
[27 ℄. [Legenda: 1-Guiador;2-Ajustedoguiador;3-Reguladorde arga;4-Travãode
emergên ia; 5- Travão;6- Rodalivre;7- Selim; 8- Tubodo selim;9- Ajustedo selim;
10 - Tubo de suporte do espigão do selim; 11 - Pedaleira; 12 - Pedais; 13 - Carenagem
de transmissão;14 - Quadro.℄
Alémdosdispositivosderegulaçãodoselimedoguiador,asbi i letasindoor possuem
um sistema de uma roda livre e um dispositivo de regulação da arga que permite ao
utilizador adequaro esforço físi o.
Modelos Sport Zone
Do onjunto de modelos de bi i letas indoor, disponíveis pela Sport Zone ®
, foram
sele ionados três modelos de bi i letas. Os modelos presentes na Figura 2.12, além
possuíremumageometriae umdesign distinto, diferemessen ialmentenomodo omoé
feita aregulação doesforço físi o.
Na Figura2.12(a), a regulaçãodo esforço físi o éfeita por pastilhas, uja geometria
do dispositivo é semelhante aos sistemas de travagens presentes nas bi i letas omuns.
Já na Figura2.12(b) aregulaçãoé feitaatravésde umtravão magnéti o. No modeloda
Figura2.12( ),aregulaçãodoesforçoéfeitaporfri ção. Algunsfabri antesdebi i letas
indoor optam por dotar osseus modelos om um onjunto de atributos,que têm omo
objetivo atrairomáximo de ompradores,por exemplo,através deventilaçãointegrada,
(a)H9155SB1.0
(b)Marte
( )STROM5.0
2.6.6 Modelos Con eptuais
Node orrerdaatividadedeben hmarking foramen ontradosalguns on eitos
inova-dores de bi i letasao nívelda fun ionalidade, dageometria, dosmateriais e,sobretudo,
ao nível do design. Seguidamente, ostrabalhos apresentados podem aindase en ontrar
numafase on eptualdedesenvolvimento ouaperfeiçoamento. No entanto, optou-sepor
apresentaralgumassoluçõesanalisadas. Na Figura2.13,ilustram-se algunsdosmodelos
on eptuais onsiderados.
2.6.7 Análise Comparativa
AsTabelas2.9,2.13e2.10ilustramarealizaçãodaanálise omparativa,efetuadaaos
produtos anteriormente apresentados, atravésde espe i açõesforne idas pelos
respeti-vosfabri antes.
Tabela2.9: Análise omparativa - bi i letasindoor [28 ℄.
Modelo(Referên iadofabri ante):
H9155SB1.0(04743453) Marte(04674038) STROM5.0(04724123)
Preço:
e
499,00e
129,00e
299,00Peso: 41
kg
50kg
38,7kg
Dimensões: 104
×
55×
120× cm
85×
52×
130× cm
118×
49×
117× cm
Pesomáximodoutilizador: 110kg
100kg
110kg
Volantedeinér ia: 16
kg
5kg
14kg
Sistemaderegulaçãode arga: Pastilhas Travãomagnéti o Fri ção
MonitorLED
X
-X
(MonitorLCD)Ventilação/Arejamento - -
-Rodasdetransporte
X
X
X
PortaUSB - -
-Pulsómetro/Medidor ardía o -
X
Mobilidade
Individual
27
Tabela2.10: Análise omparativa - modelos de bi i letasSpe ialized e Smart[23℄,[25 ℄.
Modelo
Espe i ação: Smartebike SirrusComp Expedition CrossoverEliteDisk
Material
Quadro Alumínio(AL6061-T6) Alumínio Alumínio Alumínio
Forqueta Alumínio Carbono Suspensão(63
mm
de urso) Suspensão(60mm
de urso)Dimensões
Comprimentodoguiador - Tabela2.11
Quadro M572
mm
(Figura2.14) Tabela2.11Rodas Continental26
×
1,75in
Sport700×
28C Hemisphere26in
Trigger700×
38CA essórios
Guarda-lamas
X
-X
X
Cárter orrente - -
X
X
Suportebagagemfrontal - - -
-Suportebagagemtraseiro
X
(20kg) -X
X
(25Kg)Campainha - - -
X
Sistemasdeiluminação
X
X
X
X
Reetoreslaterais -
X
--Posturade ondução Desportiva Desportiva Clássi a Desportiva
Assistên iaàpedalada Sim Não Não Não
Aspetoformal Fun ionaleestéti oemoderno Fun ionaleestéti o
Transmissãodepotên ia Correiadentadaem arbono Correnteemaço
Nºderelaçõesdetransmissão Cubode3vel. 27 21 24
Integraçãodetelemóvel Sim Não Não Não
Sistemadetravagem Hidráuli odedis o V-brake V-brake V-brake
Manípulos Rotativo ShimanoRapidre Rotativo ShimanoRapidre
Avançodoguiador Rígido Rígido Dequilhaajustável Rígido
Suspensãodaforqueta Não Não Sim Sim
Pesototal(kg) 26,1 - - -Preçodeaquisição[
e
℄≈
3000,00 814,00 539,00 864,00 edro Daniel Almeida Rios Dissertação de Mestr adoTabela 2.11: Dimensõesdosquadros(Spe ialized)[25 ℄.
Tabela2.12: DimensõesdosquadrosBMW [24 ℄.
S (41 m, altura até168 m)
M (46 m, altura até165-178 m)
L (51 m, altura até174-190 m)
Mobilidade
Individual
29
Tabela 2.13: Análise omparativa - modelos de bi i letasÓrbita eBMW [9℄,[24℄.
Modelo
Espe i ação: Strada26" Trekking21VH CountryTour Touring2012 Cruise2012
Material
Quadro Aço Alumínio Alumínio Alumínio(AL6061-T6) Alumínio(AL6061-T6)
Forqueta Aço Suspensão Suspensão Suspensão(75mm) Suspensão(75mm)
Dimensões
Comprimentodoguiador - - - 580mm 600mm
Quadro 457
mm
17-19-21in
18in
Tabela2.12Rodas BTT-26
×
1,60 City-700×
35C Sli k26×
1,70 S hawble ityplus47-559 S hawble ityplus50-599A essórios
Guarda-lamas
X
-X
--Cárter orrente
X
-X
X
-Suportebagagemfrontal
X
- - --Suportebagagemtraseiro
X
- -X
-Campainha - - -
X
-Sistemasdeiluminação
X
-X
X
-Reetoreslaterais
X
X
- --Posturade ondução Clássi a Desportiva Clássi a Desportiva Desportiva
Assistên iaàpedalada Não Não Não Não Não
Aspetoformal Fun ionaleestéti o Fun ionaleestéti o Fun ionaleestéti o Fun ional,estéti oemoderno
Transmissãodepotên ia Correnteemaço
Nºderelaçõesdetransmissão ShimanoTY21 21 ShimanoNexus3vel. ShimanoDeore,27velo idades
Integraçãodetelemóvel Não Não Não Não Não
Sistemadetravagem V-brake V-brake V-brake V-brake V-brake
Manípulos Rotativo ShimanoST-EF51 ShimanoNexus3vel. ShimanoDeore ShimanoAlivio
Avançodoguiador - - - BMWOriginalTrekkingmateS:90,M/L/XL:110mm
Suspensãodaforqueta Não Sim Sim Sim Sim
Pesototal(kg) 19,720 13,50 16 16,3 13,9 Preçodeaquisição[
e
℄ 235,00 269,00 429,55 1299,00 899,00 edro Daniel Almeida Rios Dissertação de Mestr adoErgonomia, Antropometria e
Biome âni a do Ci lismo
Neste apítulo são abordados aspetos biome âni os, antropométri os e ergonómi os
rela ionados omapráti a do i lismo.
Numaprimeirafase,éfeitaumaabordagememtermosda inemáti aeda inéti ada
biome âni a do i lismo. É araterizada a atividade de pedalar, sendo men ionados os
prin ipais mús ulos e arti ulações asso iados ao movimento. Posteriormente, são
iden-ti adas asprin ipaisforças eamplitudes de movimento dosvários segmentos orporais
inerentes aoato de pedalar.
Numasegundaparte,referem-seosprin ipaisfatoresergonómi osessen iaisno
desen-volvimento de umabi i leta, sendo indi adas asvantagens edesvantagens dasposturas
orporais desenvolvidas. Por m,sãoabordados um onjunto de dadosantropométri os
ne essários parao orreto dimensionamento da bi i leta.
3.1 Biome âni a do Ci lismo
O i lismoé umdosdesportosmaispopularese prati adosemtodo omundo,sendo
muitas vezes asso iado à alta ompetição. Contudo, para além do uso ompetitivo, a
bi i leta é utilizada omo meio de ondi ionamento físi o, lazer, meio de transporte ou
atémesmo omomodo de reabilitaçãofísi a.
Amaioriadostrabalhosrela ionados omabiome âni ado i lismodividem-senuma
análise inemáti ae inéti ado movimento [29℄,[30℄.
Aanálise inemáti ado i lismoé responsávelpelades rição dosparâmetros
tem-porais, espa iais e espaço-temporais do gesto motor, sem ter em onsideração as forças
que originam o movimento. Por outro lado, numa análise inéti a é des rito todo o
3.1.1 Análise Cinemáti a
A inemáti a onsisteno estudodageometria,dopadrãoouda formademovimento
emrelaçãoaotempo. Estadivide-senumaanáliselinearouangular,envolvendo oestudo
do aspeto,daformae dasequên ia domovimento linearatravésdo tempo semqualquer
referên ia à forçaouao onjunto de forçasque ausam/resultamdo movimento [31 ℄.
Usualmente, estesmovimentos sãodes ritos ombasenostrêsplanos anatómi os de
referên ia. Na Figura3.1representam-seostrêsplanos anatómi os ombasenaposição
anatómi a de referên ia.
Figura3.1: Planostriortogonais om nabaseposição anatómi a dereferên ia [31℄.
Oplano sagital, tambémdesignado porplano ântero-posterior, divideo orpo
ver-ti almente em metades direita e esquerda, om ada metade ontendo a mesma massa.
separa o orpoem metadessuperiore inferior omumamassaigual. Paraumindivíduo
de péna posição anatómi a de referên ia,ostrês planos ardinais ruzam-se numúni o
ponto - entrode massaou entrode gravidade do orpo[31℄.
De uma forma generalizada, é possível armar que a atividade de pedalar onsiste
nummovimento que de orre essen ialmenteno plano sagital, Figura3.2. Omovimento
é ara terizado pela exão e extensão do joelho, dorsiexão e exão planar do
tornozelo [29℄.
Figura3.2: A atividade do i lismode orre essen ialmenteno planosagital [31 ℄.
Emboratenha sido araterizado o movimento omobidimensional, ogesto motor de
pedalar onsiste num movimento tridimensional omplexo, ara terizado pelas exõese
extensões dasarti ulações do tornozelo, da an a, do joelho, assim omo a abdução e a
aduçãoda arti ulação da an a,provo ando a rotação datíbia [29 ℄.
Análise de Movimento - Fases
Oatode pedalar onsiste nummovimento í li o e repetitivo, denido pela rotação
ompleta doeixo do pedal emrelaçãoao eixo entral dabi i leta.
Deumaforma generalizada,estemovimento édividido emduasfases distintas: fase
propulsiva ou de propulsão efase de re uperação[29℄. A fasepropulsivaini ia-se
no pontomorto superior,denida por umângulode
0
◦
(ponto maisaltoal ançado pela
pedaleira) até ao ponto morto inferior de
180
◦
, sendo nesta fase que o i lista exer e
umamaiorforça nopedal. Por outrolado, de
180
◦
a
360
◦
o orrea fasede re uperação
Nãoobstante,algunsautores [30℄sugeremumadivisão do i loemquatrofases dis-tintas: impulso(
315
◦
-45
◦
), ompressão (45
◦
-135
◦
),retorno (135
◦
-335
◦
) epuxada (225
◦
-315
◦
). Na Figura3.3ilustram-seasquatro divisõesdo i lo.
Figura 3.3: Divisãodo i loda pedalada emgraus. Adaptado de [32 ℄.
3.1.2 Análise Cinéti a
Quando se estuda a inéti a de um gesto motor é ne essário per eber que o orpo
humanogeraforças e resiste aelas durantea realização dasatividades[31℄.
Neste ontexto irá serfeita umaanálise inéti a de todo o gesto da pedalada, sendo
referen iadasasprin ipaisforças exer idaspelo i listae oseupapelnabiome âni a do
i lismo.
Forças Exer idas
Dea ordo omabibliograaespe ializada,existemdiversasfontesgeradorasdeforças
nabi i letaenosseus omponentesresultantesdainteraçãoentreohomemeamáquina.
Umadasfontes, éo ondutorquedesenvolveesforçosinerentesàatividadedepedalar
e ao seu peso orporal. As irregularidades da superfí ie e as ações do ondutor (p.ex.
urvar e travar)representam outras duasfontes geradorasde forças. Deste onjunto de
forças, o ondutor é a prin ipal fonte, uma vez que este onta ta om a bi i leta em
diversos pontos e parti ipa numa variedade de situações que poderão induzir esforços
adi ionais. Por outro lado, existem outras variáveis - postura (p.ex. sentado versus em
pé), rotação da pedaleira e a potên ia gerada - que poderão induzir esforços adi ionais
na bi i letae nos omponentes [33℄.
Do onjunto de forças resultantes da interação entre o ondutor e a bi i leta, as
mais importantes dizem respeito às forças que o ondutor exer e sobre os pedais para
propulsionar a bi i leta.