Notas sobre a localização da população urbana e rural no Oeste paranaense: Uma análise de 1970 a 2000∗.
Ricardo Rippel1 Jandir Ferrera de Lima2 Lucir Reinaldo Alves3 Carlos Alberto Piacenti4
Palavras-chave: Análise Regional, Paraná, Localização da População, Territorialidade.
Resumo: O objetivo desse artigo foi analisar a evolução da localização da população urbana e
rural nos municípios do Oeste paranaense no período de 1970 a 2000. Para alcançar esses objetivos utilizou-se dos dados referentes a distribuição fundiária da região e o método de análise regional através dos indicadores de localização (Quociente Locacional e Coeficiente de Localização) e redistribuição (Coeficiente de Redistribuição), pois estes indicadores mostram o padrão de localização e de redistribuição da população por domicílio entre os municípios. Os resultados mostraram que o padrão de concentração da população urbana e rural entre os municípios não sofreu modificações significativas, uma vez que os mesmos municípios que concentravam a população urbana no ano de 1970 continuaram concentrando durante todo o período de análise. Com exceção dos municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e Toledo, os demais concentram ainda representativa população rural em seu contingente populacional.
∗ “Trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambu – MG –
Brasil, de 18 a 22 de setembro de 2006”
1 Doutor em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor adjunto do Colegiado de
Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected]
2 Ph.D. em Desenvolvimento Regional pela Université du Québec à Chicoutimi (UQAC)- Canadá. Professor adjunto
do Colegiado de Economia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). Pesquisador associado do GRIR-UQAC. E-mail: [email protected]
3 Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de
Toledo. Bolsista de projetos de pesquisa e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected]
4 Doutorando em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor assistente do Colegiado
de Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)/Campus de Toledo. Pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Agronegócio e Desenvolvimento Regional (GEPEC). E-mail: [email protected]
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Notas sobre a localização da população urbana e rural no Oeste paranaense: Uma análise de 1970 a 2000.
Ricardo Rippel Jandir Ferrera de Lima Lucir Reinaldo Alves Carlos Alberto Piacenti
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento de uma região encontra-se vinculado à dinâmica e à organização do capital, que necessita transformar as condições “ambientais locais”, moldando-as segundo seu interesse e necessidade de expansão, dado que normalmente o deslocamento de pessoas e de investimentos para uma área determinada está diretamente relacionado tanto com o comportamento geral da economia quanto com o processo de inserção e unificação de mercados e da região no mercado. (Santos, 2003).
Frente a esta constatação, o Oeste do Paraná é um interessante objeto de análise, pois é uma região de formação socioeconômica recente, resultante de movimentos migratórios colonizadores, especialmente oriundos do Sul do Brasil, na segunda metade da década de 1940 que se inseriu no modelo de desenvolvimento nacional voltado para a ocupação das fronteiras e no processo de transnacionalização do capital. A área acolheu grandes contingentes populacionais internos provindos, em sua maior parte, das antigas zonas de colonização agrícola do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, estruturadas em base à pequena propriedade familiar.
As transformações dessa região passaram a ocorrer a partir da modernização do país, via reordenação da economia mundial e da internacionalização do capital após a II Guerra Mundial, que imprimiram relações sociais competitivas no país e estabeleceram condições favoráveis para o processo de ocupação da área, fato que se deu dentro da “marcha para a Oeste”, deflagrada pelo governo de Getúlio Vargas5 .
Ao estudo interessa aferir os níveis da concentração populacional e seu volume na organização territorial e no desenvolvimento do Oeste paranaense. Pois, na construção histórica
5 Neste contexto, a definição de uma nova divisão internacional do trabalho e da produção, a universalização do
mercado e a internacionalização do capital constituiu-se num movimento que incidiu diretamente sobre a organização e o comportamento dos povos e das comunidades, notadamente nos países de economia dependente. No Oeste do Paraná, os novos municípios que se formaram, além de permitirem certa continuidade cultural, similar à existente no local de origem, provocaram nos mesmos a existência de influxos dos padrões de consumo, das relações individualizadas e competitivas e de novos referenciais culturais e técnicos impostos pela cultura hegemônica do capitalismo transnacional (Gregory, 2000).
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da região, a produção e as transformações das atividades econômicas da sociedade regional indicam o perfil do processo, principalmente a partir da compreensão dos movimentos dos indivíduos no espaço regional.
Desta forma, a explicitação das mudanças provocadas pelo processo no plano da economia regional e da organização e distribuição da população no espaço assume importância neste estudo, pois estas representações do mundo social, embora aspirem à universalidade, estão sempre relacionadas a um determinado contexto que as produziu. Daí a necessidade de relacionar o comportamento da população do Oeste do Paraná com a produção e as transformações da realidade social e econômica da região.
A partir da década de 70 o Oeste paranaense passou por uma profunda reestruturação de sua base produtiva. Isso é devido em grande parte à modernização da base técnica de produção e expansão agropecuária o que permitiu a entrada na comercialização de commodities e da agroindustrialização na área. Essa mudança tecnológica propiciou a ocupação de novas áreas e reestruturação das tradicionais, ocasionando uma forte migração rural para os grandes centros urbanos e, principalmente, para outros estados (PIFFER, 1999).
Nesta década iniciou-se, também, o processo de concentração urbana da área, e um dos propulsores dessa concentração, foi à vigorosa expansão da fronteira agrícola estadual, esgotada no final dos anos 1970, que denotava o surgimento e a ampliação de centros urbanos que passaram a funcionar estritamente vinculados ao dinamismo da atividade rural e por ele impulsionados (MOURA & MAGALHÃES, 1996).
Da mesma forma, nos anos 80, devido à industrialização e a mecanização agrícola, houve significativa perda da população agrícola e crescimento das esferas urbanas. Foi a partir desta década que a população urbana ultrapassou a população rural no Estado do Paraná. (OLIVEIRA, 2001).
No entanto, conforme PIFFER (1999), as mudanças ocorridas no Estado do Paraná e a compreensão do crescimento da região Oeste relacionam-se diretamente com a dinâmica da população. Essa dinâmica influi na formação da estrutura produtiva regional. Nesse sentido, para compreender uma região é preciso compreender a localização da população e a forma como ela influi na ocupação do espaço regional.
A análise regional tenta explicar o porquê das atividades econômicas se conglomerarem em poucos centros em vez de formarem uma dispersão homogênea. Nesta mesma linha tenta-se explicar o porquê de a população e a produção também se aglomerarem em certas áreas da economia, e o porque da concentração normalmente urbana ocorrer.
No caso do Oeste do Estado do Paraná o processo de transformação da área, em termos de distribuição de sua população, recebeu forte influência das mudanças ocorridas na estrutura produtiva rural, pois na área, via de regra, segundo Rippel (2005), ocorreu uma brutal mudança que agregou um forte êxodo rural e uma expressiva imigração para as áreas urbanas.
Porém isto que, mormente vê-se em diversas regiões do país ao longo das últimas décadas na área, foi um tanto quanto distinto, pois ali isso se deu concomitantemente à expansão territorial que a área ainda vivenciava em termos da ocupação de sua fronteira territorial, quando se ocuparam todos os espaços produtivos rurais da região, sejam eles de primeira, segunda ou terceira qualidade em termos de fertilidade, topografia e relevo; fatores fundamentais para a ocupação e expansão econômica, tanto dos produtores da região, quanto da população em geral.
Diante deste conjunto de fatores e mediante a colonização e crescimento da área, vê-se que a década de 1970 representou, na verdade, um momento de inflexão significativo no comportamento demográfico e no desenvolvimento da região. Assim, ali foi desencadeado um
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intenso processo de esvaziamento populacional, que repetiu o que também ocorria nos demais Estados do Sul, fazendo com que o Oeste paranaense, de receptor de imigrantes, passasse a se constituir numa área de forte expulsão de população, fundamentalmente em função de um fenômeno de “reconcentração fundiária”6.
De fato, as evidências apontam a continuidade da modernização da agricultura na região, bem como para a concentração fundiária e a exclusão social oriundas disto, acontecimento que Silva (1981), chamou de “modernização dolorosa” da agricultura no Brasil, que provocou impactos expressivos em termos do movimento de concentração de terras, muito evidente no Oeste do Paraná.
“A agricultura tem uma particularidade fundamental em relação à indústria: o meio de
produção fundamental – a terra – não é suscetível de multiplicação ao livre arbítrio do homem. A sua distribuição torna-se, assim, o pano de fundo sobre o qual se desenrola o processo produtivo: compreender o que é a estrutura agrária significa, em outras palavras, entender o papel de um dos condicionantes básicos da produção agrícola. Exatamente por ser a terra um meio de produção relativamente não reprodutível, a maneira como se dá sua apropriação inicial, ou seja, a sua ocupação histórica, é de fundamental importância. Nesse sentido, a região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – apresentou particularidades visíveis em relação às demais regiões do país, dada a importância que assumiu a pequena propriedade na sua colonização” (Silva, 1981; p. 90).
No Oeste do Paraná, esse processo de mudança da distribuição, apropriação e organização das áreas rurais seguiu um procedimento que ocorreu não apenas ali, mas também no Estado do Paraná, pois, segundo Osório (1978):
“Na sua fase inicial as companhias de colonização privadas tiveram um papel relevante e
contaram com apoio oficial para estabelecerem uma estrutura fundiária onde predominavam as médias e pequenas propriedades. Após a fase de consolidação fundiária, começou a haver uma desestruturação dos pequenos lotes que foram repassados aos grandes proprietários, mudando em muitos casos a atividade do café para a pecuária ou para outras lavouras de exportação (a soja, por exemplo), via de regra poupadoras de trabalho. Hoje os locais que foram frentes há duas ou três décadas se tornam expelidores de população. Boas partes dos fluxos migratórios do Paraná seguiram o rumo norte, para o Mato Grosso, e recentemente, para Rondônia” (Osório, 1978, p.14).
Isso pode ser verificado, de forma evidente, na Tabela 1, a seguir, que apresenta as transformações fundiárias da região em termos de tamanho das propriedades, área ocupada pelos diversos extratos de tamanho de propriedade e taxa de crescimento anuais calculadas por qüinqüênio. Vejamos:
6 De modo que intensas correntes emigratórias do Oeste do Paraná deslocaram-se para as áreas urbanas da própria
região, para as outras regiões do Estado, para centros urbanos do Sudeste, bem como para as zonas agrícolas pioneiras do Norte e do Centro-Oeste brasileiros. É justamente nesse momento, da década de 1970 até meados da década de 1980, que, segundo o IPARDES (1997), o Paraná, que havia experimentado as mais altas taxas de incremento demográfico no período, experiência esta que vai até meados da década de 1970, se transforma no Estado que contribuiu com a maior parcela de emigrantes internos oriundos da Região Sul nos anos 70, destacando-se como a UF de menor crescimento populacional do Brasil; neste contexto, o Oeste do Paraná, em especifico, foi a área do Estado que apresentou o fenômeno da emigração com maior intensidade. Rippel (2005)
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Tabela 1: Número de Estabelecimentos (propriedades rurais) do Oeste do Paraná de 1975 a 1999. Participação Percentual por faixa no Total da área produtiva
rural da região. Taxas de Crescimento Geométrico e Variação Percentual por Período
Classe de Área Total Em Hectares 1970 % da área em 70 1975 % da área em 75 Taxa de Cresci-mento Anual 70-75 Varia-ação de 1970 a 75 1980 % da área em 80 Taxa de Cresci-mento Anual 75-80 Varia-ção de 1975 A 80 1985 % da área em 85 Taxa de Cresci-mento Anual 80-85 Varia-ção de 1980 a 85 1999 % da área em 99 Varia-ção de 1985 a 99 Taxa de Cresci-mento Anual 85-99 Taxa de Cresci-mento Anual 1975-99 Varia-ção de 1970 a 1999 de 0 a 10 41878 50,7 50.267 55,3 3,72 20,03 35.509 47,29 -6,72 -29,36 32.500 46,4 -1,76 -8,5 23.631 36,36 -27,3 -2,25 -3,10 -43,57 de 10 a 100 39286 47,6 38.827 42,7 -0,23 -1,17 37.290 49,66 -0,80 -3,96 35.078 50,1 -1,22 -5,9 38.984 59,99 11,14 0,76 0,02 -0,77 de 100 a (-) de 1000 1335 1,62 1.742 1,92 5,47 30,49 2.205 2,94 4,83 26,58 2.406 3,43 1,76 9,12 2.295 3,53 -4,61 -0,34 1,16 71,91 1000 ou mais 68 0,08 71 0,08 0,87 4,41 89 0,12 4,62 25,35 88 0,13 -0,23 -1,1 79 0,12 -10,2 -0,77 0,45 16,18 Total 82567 100 90.907 100 1,94 10,10 75.093 100 -3,75 -17,40 70.072 100 -1,37 -6,7 64.989 100 -7,25 -0,54 -1,39 -21,29 Fonte: Rippel (2005, pg. 117)
Percebe-se a partir dos dados da tabela, que na região ocorreu uma expressiva modificação fundiária, mudança esta que repercutiu num forte estímulo à emigração rural, comportamento apontado por diversos autores, entre eles Câmara (1985) e Boni e Cunha (2002). Percebe-se, ainda, que, de certo modo, a distribuição das terras da região, historicamente, determinou a estrutura fundiária da área, que, por sua vez, exerceu grande influência no comportamento demográfico regional, tanto nos movimentos migratórios, quanto no seu crescimento. Isso pode ser verificado nos Gráficos 4.2 e, de modo mais específico, nos capítulos a seguir, quando serão abordadas as questões relativas aos saldos migratórios da região, os fluxos de migração e as características demográficas destes.
Gráficos 1, 2, 3, 4, 5 : Evolução da Distribuição Fundiária do Oeste PR de 1970 a 1999
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Mediante os gráficos, se percebe que, em termos de ocupação de território, a área até 1970 ainda estava em expansão, pois ainda detinha terras para serem ocupadas. Isto atuava como um eficiente ponto de apoio à expansão da agricultura da regional de forma extensiva e permitia ainda absorver volumes expressivos de imigrantes. Analisando-se a questão, vê-se que, em 1970, as mini e pequenas propriedades correspondiam a 50,72% do território agrícola da região, e os médios produtores detinham 47,58% das áreas agrícolas da região e, juntos, detinham mais de 98% das terras produtivas.
Já em 1975, quando a fronteira agrícola regional deixou de ter a capacidade de ser ampliada de modo extensivo dado que as áreas a serem ocupadas já se haviam esgotado, percebe-se uma importante variação na distribuição fundiária das propriedades da região, pois se percebe ali claramente a expansão das mini e pequenas propriedades, que passam a ocupar 55,29 % das terras agrícolas da área. Já os produtores médios viram sua participação cair para 42,71% do total de terras do território. Porém, em conjunto, estas duas classes de proprietários mantiveram sua participação no total ainda em torno dos mesmos 98% de 1970.
Já a partir de 1975 a parcela de áreas que se encontravam ocupadas por mini e pequenos produtores passa a encolher, enquanto a que cabe aos produtores médios cresce. Tanto é que a distribuição fundaria do Oeste do Paraná passa a apresentar, em 1999, a seguinte estrutura: 36,36% das terras em mãos dos mini e pequenos produtores, e 59,99% sob controle dos médios, com um pequeno crescimento dos grandes propriedades e dos latifúndios, tal como se pôde perceber no conjunto de Gráficos 1, 2, 3, 4, e 5.
Como se pode ver, o comportamento é compatível com a argumentação desenvolvida por Singer (1977) e por Wood e Carvalho (1994), da qual nos utilizamos na base teórica e que sustenta nossa análise, qual seja a de que, mediante a modernização da região ocorrida em função de maiores volumes de investimentos em tecnologia de produção, passa a ocorrer no Oeste do Paraná um movimento de exclusão de pequenos proprietários, de arrendatários e de parceiros do campo da área porque estes não têm condições econômicas de acompanharem os investimentos que o novo perfil e os novos produtos demandados na região exigem. Assim, não conseguem se manter ali produzindo e não conseguem ficar nas zonas rurais da área.
Pelos dados apresentados, vê-se que houve uma transposição do controle de terras dos mini e pequenos estabelecimentos para os médios, pois o somatório da participação de ambos no total de áreas da região cai muito pouco, para algo em torno dos 96% no total. Isso indica que as propriedades médias expandiram-se por meio da ocupação de áreas que anteriormente eram ocupadas pelos mini e pequenos estabelecimentos rurais. Assim, faz-se necessário explorar um pouco mais a questão da estrutura fundiária regional, dada a sua importância no comportamento das variáveis demográficas da área, especialmente da migração e do crescimento populacional.
Analisando-se a questão, percebe-se que no primeiro qüinqüênio da década de 1970, a fronteira agrícola do Oeste do Paraná ainda estava sendo ocupada, tanto que com exceção da classe de proprietários de 10 a 100 hectares, todas as demais cresceram em termos de número de estabelecimentos rurais na região. Já no período de 1975 a 1980, a primeira classe (0-10 ha.) apresentou decréscimo em seu número, fato que repercutiu diretamente no território regional ocupado por cada classe de área agrícola. Na década de 1960, que é o período no qual a imigração líquida no Oeste do Paraná foi a maior, o processo deu-se fundamentado nas pequenas propriedades, as quais segundo Gabardo Câmara (1985), consistiam em sua maioria em áreas de terras pequenas, de no máximo 20 hectares e que desenvolviam pequenas
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produções 7, tal como se pôde verificar nos Gráficos. Já nos períodos seguintes esta conduta não se manteve.
Pois se vê ali a evidente perda de participação da área ocupada pela classe de 0-10 hectares que manteve seu ritmo de queda. Tanto que a distribuição de estabelecimentos rurais em 1975 atribuía-lhe 55% do total do território regional, em estimados 50.267 estabelecimentos rurais; e em 1999 a participação dessa classe cai para 36,36% da área e estimados 23.631 estabelecimentos, uma redução superior a 19% na área ocupada e de mais de 47% no número de propriedades nesta classe de estabelecimentos, fato que indica claramente um processo de reconcentração fundiária, que, como se verá adiante, resultou em forte emigração rural.
Isso ocorreu porque, no início da década de 1970, o país já contava com um setor secundário–industrial estruturado, que serviu de suporte para o desenvolvimento nacional e que fez com que o processo de formação de capital nacional passasse a se apoiar principalmente na produção interna, atenuando a dinamicidade do comportamento do setor externo no sistema, e estimulando o surgimento de um mercado para as commodities mais demandadas, caso da soja, o que implicava áreas maiores, mais tecnologia e maior custo de produção8. Nessa situação, era clara a necessidade de se produzir mais e melhor, bem como a de incrementar e diversificar as exportações agrícolas nacionais; assim, a estratégia adotada foi à busca do aumento da produtividade do setor agrícola via tecnificação, o que de fato ocorreu e repercutiu de modo evidente no Oeste do Paraná na década de 1980. (Boni e Cunha, 2002).
Na área, segundo Câmara (1985) esse aparato e mobilização do Estado somente apresentou resultados na década de 1980; pois embora essa intensificação da produção agrícola tivesse ocorrido em praticamente todo o país, ela se deu de maneira mais contundente nas regiões do Paraná que na década de 70 e início da de 80 já se encontravam num patamar de produção rural mais organizado e apto a receber tais incentivos e que responderem com o crescimento da produtividade, mesmo que em diferentes graus. Este cenário nacional e estadual rebateu diretamente no Oeste do Paraná e isso, por repercutiu num movimento de redução da população regional rural, tal como se pode perceber na Tabela 2 a seguir.
Tabela 2:
Evolução da Composição da População e Densidade Demográfica do Oeste Paraná. Por área urbana ou rural de residência - de 1970 a 2000
População Urbana População Rural População Total
Ano do
Censo Urbano Total
% no total da Pop. Regional Densidade Demográfica (hab/Km2) Total Rural % no total da Pop. Regional Densidade Demográfica (hab/Km2) Total Geral Densidade Demográfica (hab/Km2) 1.970 149.516 19,87 6,53 602.916 80,13 26,32 752.432 32,85 1.980 484.504 50,43 21,15 476.225 49,57 20,79 960.729 41,94 1.991 728.126 71,67 31,78 287.803 28,33 12,56 1.015.929 44,35 1.996 832.691 77,20 36,35 245.893 22,80 10,73 1.078.584 47,08 2.000 929.092 81,60 40,56 209.490 18,40 9,14 1.138.582 49,70 Fonte: Rippel (2005, pg. 121) 7
A autora destaca também que as atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas nestas propriedades utilizavam técnicas tradicionais de produção, e aproveitavam intensivamente a mão-de-obra, que em sua maior parte era dos próprios familiares, e que isso ocorria em áreas pequenas, ainda capazes de dar sustentação ao núcleo familiar, pois os produtos gerados por estas classes de produtores ainda encontravam mercado.
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Ainda, segundo Câmara (1985), tal produção ocorreu fundamentalmente em estabelecimentos rurais que possuíam um tamanho de área mínima mais adequado à produção das “commodities” que passaram a ser geradas no país para a exportação, caso da soja. Sendo que o efeito mais latente desse processo foi a difusão das relações capitalistas de produção no setor agrário brasileiro bem como da eclosão de uma série de transtornos sociais gerados pelo desemprego no campo.
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Analisando-se a tabela, percebe-se a inversão na composição da população do Oeste do Paraná, que, em 1970, apresentava 80,13% de seus habitantes com domicílio rural e apenas 19,87% nas áreas urbanas, e, no Censo de 2000, passou a ter apenas 18,40% do seu total de habitantes em domicílios rurais e 81,60% nas áreas urbanas.
Os dados referentes à concentração demográfica da região demonstram, de forma clara, essa mudança da distribuição populacional da área e o seu crescimento urbano, pois estas áreas da região, ao longo do período, apresentaram um intenso adensamento populacional, em 1970 detinham uma densidade de 6,53 habitantes por quilômetro quadrado e em 2000 esse valor sobe para 40,56. Já a densidade demográfica rural regional vivenciou um movimento inverso, pois era de 26,32 habitantes por quilômetro quadrado em 1970, cai para apenas 9,14 em 2000. Esta mudança impactou de modo evidente na distribuição da população regional segundo área de domicílio, rural ou urbano, tal como se vê no Gráfico 4.3, a seguir.
Gráfico 4.3: Evolução da População segundo situação de domicílio - Oeste do Paraná - 1970/2000
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 % d a P o p u lação T o ta l 1970 1980 1991 1996 2000 Anos
População Urbana População Rural
Fonte: Rippel (2005, pg.122)
Esse comportamento demonstrado pelo gráfico foi essencialmente resultante da modernização do setor rural, pois ocorreu, na região, a passagem da agricultura do chamado “complexo rural” para a dinâmica comandada pelos “complexos agroindustriais” (CAIs); impulsionados pelo aumento da produtividade agrícola. Desse modo, o comportamento demográfico regional foi parcialmente condicionado pela economia rural da área, de tal modo que a região vivenciou diversas alterações em seu padrão migratório e este por sua vez, segundo Rippel (2005), influiu de modo evidente na área modificando e muito a distribuição da população e interferindo nas medidas de localização da mesma na área, como se poderá verificar a seguir.
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2 AS MEDIDAS DE LOCALIZAÇÃO DA POPULAÇÃO URBANA E RURAL
Os primeiros pesquisadores a aplicar e sistematizar os indicadores de análise regional no Brasil foram Lodder (1974) e Haddad (1989). Ambos são referências importantes da aplicação empírica desse instrumental ao caso brasileiro. Atualmente, quando se trata da aplicação dessa análise no Paraná e na Mesorregião Oeste Paranaense, quem se destacam são Piacenti et al. (2002) e Lima et al. (2004).
Através da análise regional é possível identificar as mudanças no padrão de localização e redistribuição da população da região. A análise regional permite também generalizações na interpretação dos seus indicadores. Essas generalizações dependem do problema analisado, da variável de análise e da delimitação espacial. No caso do problema estudado neste artigo, parte-se da constatação que a localização espacial da população urbana e rural regional está em mutação.
Outro elemento importante na análise regional e espacial é a delimitação da área de análise. Os indicadores de análise regional, ao utilizar o peso relativo da população urbana e rural, anula o efeito “tamanho” das regiões. Por isso, eles permitem o cálculo de indicadores confiáveis.
Para o cálculo das medidas de localização organizou-se as informações em uma matriz que relaciona a distribuição domiciliar-espacial de uma variável-base. No presente estudo utiliza-se a população (POP) distribuída por situação de domicílio (urbana e rural). As colunas mostram a distribuição da população entre os municípios, e as linhas mostram a distribuição da população por situação de domicilio de cada um dos municípios, conforme Figura 1.
Definiram-se as seguintes variáveis:
ij
POP = População no domicílio i do município j;
∑
j ij
POP = População no domicílio i da região;
∑
i ij
POP = População em todos os domicílios do município j;
∑∑
i j
ij
POP = População total da região.
FIGURA 1 - MATRIZ DE INFORMAÇÕES
Domicílios da população i ij POP
∑
i ij POP Município j∑
j ij POP∑∑
i j ij POP11
A partir da matriz de informações descrevem-se as medidas de localização. As medidas de localização são de natureza domiciliar. Assim, a medida trata da localização da população por situação de domicilio entre os municípios, ou seja, procuram identificar padrões de concentração ou dispersão da população, num determinado período. No presente artigo utilizar-se-á o quociente locacional, coeficiente de localização e o coeficiente de redistribuição como medidas de localização.
2.1.1 Quociente Locacional - QL
É utilizado para comparar a participação percentual da população de um município com a participação percentual da região. O quociente locacional pode ser analisado a partir de domicílios específicos ou no seu conjunto. É expresso pela equação (1).
∑ ∑
∑
∑
= i j ij i ij j ij ij POP POP POP POP QL (1)A importância do município no contexto regional, em relação ao domicílio estudado, é demonstrada quando QL assume valores acima de 1. Nesse caso (quando o QL for maior que 1) indica a representatividade do domicílio em um município específico. O contrário ocorre quando o QL for menor que 1. Dessa forma, a partir da análise do QL, poder-se-á visualizar a concentração de cada setor em cada um dos municípios.
2.1.2 Coeficiente de Localização - CL
O objetivo do coeficiente de localização é relacionar a distribuição percentual da população num dado domicílio entre os municípios com a distribuição percentual da população da região. O coeficiente de localização (CL) é medido pela equação (2).
2
∑
∑
∑
∑∑
⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ − ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ = j i j ij i ij j ijij POP POP POP
POP
CL (2)
Se o coeficiente de localização for igual a zero (0), significa que a população do domicílio i estará distribuída regionalmente da mesma forma que o conjunto de todos os
domicílios, ou seja, estará mais disperso entre os municípios. Se o valor for igual a um (1), demonstrará que o domicílio i apresenta um padrão de concentração regional mais intenso do
que o conjunto de todos os domicílios.
2.1.3 Coeficiente de Redistribuição
O coeficiente de redistribuição relaciona a distribuição percentual da população de um mesmo domicílio em dois períodos, ano base 0 e ano 1, objetivando verificar se está prevalecendo para o domicílio algum padrão de concentração ou dispersão espacial ao longo do tempo.
12 2 Re 0 1
∑
⎜⎜⎝⎛∑
⎟⎟⎠⎞−⎜⎜⎝⎛∑
⎟⎟⎠⎞ = j t j ij ij t j ijij POP POP POP
POP d
C (3)
Coeficientes próximos a zero (0) indicam que não ocorreram mudanças significativas no padrão espacial de localização do domicílio, e próximos a um (1) demonstra que ocorreram mudanças no padrão espacial de localização do domicílio.
3 O PERFIL DA LOCALIZAÇÃO POPULACIONAL REGIONAL
Nessa seção serão apresentados os resultados da aplicação do modelo de análise regional descrito na metodologia. Assim, a Figura 2 apresenta a evolução do Quociente Locacional (QL) para a população urbana para todos os municípios da Mesorregião Oeste paranaense.
Pela Figura 2, nota-se que a concentração da população urbana no conjunto da região não sofreu muitas alterações no período analisado. No geral, a região expandiu seu perfil de urbanização. Por outro lado, os municípios que concentram a maior parte da população urbana em 2000 são os mesmos de 1970, ou seja, Toledo, Cascavel, Medianeira, Foz do Iguaçu e Guaíra.
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FIGURA 2 – QUOCIENTE LOCACIONAL DA POPULAÇÃO URBANA DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000
1970 1980 1991 2000 QL ≥ 1 / Forte 0,50 ≤ QL ≤ 0,99 / Médio QL ≤ 0,49 / Fraco Notas: Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá
10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel
27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal
37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira
40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR
Fonte: Resultados da Pesquisa
1 43 3 4 5 6 7 8 11 10 9 15 12 13 14 16 19 17 18 20 21 22 23 31 32 33 30 29 26 27 28 34 35 45 37 36 38 40 41 42 39 2 44 48 46 47 49 50 25 24 1 3 4 5 6 8 10 15 12 14 16 19 20 21 22 33 30 29 26 27 34 35 45 36 40 41 42 39 2 44 48 46 49 50 25 24 1 3 4 5 8 10 12 14 19 22 33 26 45 40 42 39 2 44 48 25 1 3 4 5 8 12 14 19 22 33 26 45 40 42 39 2 44 48 25 0 100 km
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O que chama a atenção na Figura 2 é a posição dos municípios que tem um quociente locacional fraco. A fragmentação da região em vários municípios manteve uma população urbana significativa em de médio para forte do centro para o norte da região. Da mesma forma a fronteira leste do Oeste paranaense, faixa mais próximo do centro do Paraná, tem indicadores menos significativos no final do século XX.
Praticamente, foram sempre os mesmos municípios que concentraram a população urbana de 1970 a 2000. A exceção fica por conta do município de Assim Chateaubriand que tinha uma concentração significativa no período de 1970 a 1991, mas chegou no ano de 2000 com uma queda na concentração.
No entanto, os municípios de Cascavel, Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e Toledo apresentaram quocientes significativos em todo o período.
Vale salientar que essa figura demonstra que os demais municípios da mesorregião Oeste paranaense estão agregando, com o passar dos anos, mais população urbana e isso pode ser evidenciado pela evolução do quociente na maioria dos municípios.
Outro fato que deve ser notado é que os municípios da mesorregião Oeste ainda concentram significativamente população rural, conforme mostra a Figura 3.
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FIGURA 3 – QUOCIENTE LOCACIONAL DA POPULAÇÃO RURAL DOS MUNICÍPIOS DA MESORREGIÃO OESTE PARANAENSE – 1970/2000
1970 1980 1991 2000 QL ≥ 1 / Forte 0,50 ≤ QL ≤ 0,99 / Médio QL ≤ 0,49 / Fraco Notas: Municípios: 1 – Guaíra 2 – Terra Roxa 3 – Palotina 4 – Assis Chateaubriand 5 – Formosa do Oeste 6 – Jesuítas 7 – Iracema do Oeste 8 – Nova Aurora 9 – Maripá
10 – Nova Santa Rosa 11 – Mercedes 12 – Marechal C. Rondon 13 – Quatro Pontes 14 – Toledo 15 – Tupãssi 16 – Cafelândia 17 – Anahy 18 – Iguatu 19 – Corbélia 20 – Braganey 21 – Campo Bonito 22 – Guaraniaçu 23 – Diamante do Sul 24 – Ibema 25 – Catanduvas 26 – Cascavel
27 – Santa Ter. do Oeste 28 – São Pedro do Iguaçu 29 – Ouro Verde do Oeste 30 – São José das Pal. 31 – Pato Bragado 32 – Entre Rios do Oeste 33 – Santa Helena 34 – Diamante do Oeste 35 – Vera Cruz do Oeste 36 – Missal
37 – Ramilândia 38 – Itaipulândia 39 – Medianeira
40 – Foz do Iguaçu 41 – Santa Ter. de Itaipu 42 – São Miguel do Iguaçu 43 – Serranópolis do Ig. 44 – Matelândia 45 – Céu Azul 46 – Lindoeste 47 – Santa Lúcia 48 – Capitão L. Marques 49 – Boa Vista da Apª 50 – Três Barras do PR Fonte:Resultados da Pesquisa 1 43 3 4 5 6 7 8 11 10 9 15 12 13 14 16 19 17 18 20 21 22 23 31 32 33 30 29 26 27 28 34 35 45 37 36 38 40 41 42 39 2 44 48 46 47 49 50 25 24 1 3 4 5 6 8 10 15 12 14 16 19 20 21 22 33 30 29 26 27 34 35 45 36 40 41 42 39 2 44 48 46 49 50 25 24 1 3 4 5 8 10 12 14 19 22 33 26 45 40 42 39 2 44 48 25 1 3 4 5 8 12 14 19 22 33 26 45 40 42 39 2 44 48 25 0 100 km
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Pela Figura 3 nota-se que a mesorregião Oeste Paranaense ainda concentra significativa população rural em seus municípios. Confrontando com a Figura 2 nota-se que a região é menos urbana do que parece. O que explica essa dicotomia?
O primeiro elemento explicativo é o perfil da ocupação fundiária. A área rural do Oeste paranaense é caracterizada pela presença das pequenas propriedades até 50 ha. Essas propriedades representam 87% do total regional segundo o Censo Agropecuário de 1996 (IBGE, 2005).
O segundo elemento é a atração dos imigrantes. Nos últimos anos o Oeste paranaense recebeu diversos contingentes populacionais. Sem contar que Toledo, Cascavel e Foz do Iguaçu, foram os centros que mais atraíram população. Segundo RIPPEL (2005) esses três municípios concentraram 48,07% da imigração interestadual na região Oeste do Paraná no período de 1970 a 1980, 60,04% no período de 1980 a 1991, e 61,51% no período de 1991 a 2000.
O terceiro, o número de distritos existes na região. Segundo IBGE (2005), existia no ano de 2000, 96 distritos na região Oeste do Paraná. Destes, 50 eram as sedes urbanas municipais e os 49 distritos restantes localizavam-se nos arredores dessas sedes. Cerca de 25% da população rural da região estava concentrada, no ano de 2000, nestes distritos.
No entanto, os principais municípios - Cascavel, Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e Toledo - apresentaram quocientes não significativos, e isto se deve ao fato desses municípios estar num estágio onde a concentração da população urbana é superior à população rural.
O Gráfico 1 mostra a distribuição regional da população urbana e rural para o período de 1970 a 2000.
GRÁFICO 1 – COEFICIENTE DE LOCALIZAÇÃO (CL) DA REGIÃO OESTE DO PARANÁ – 1970-2000 0,000 0,050 0,100 0,150 0,200 0,250 0,300 0,350 0,400 0,450 CL 1970 1980 1991 2000 Ano Pop. Urb. Pop. Rur.
Fonte: Resultados da Pesquisa
O Gráfico 1 confirma os dados apresentados pelos quocientes locacionais ao mostrar que a população rural está mais difusa na região e que houve maior concentração pelos municípios desta população no período de 1970 a 2000.
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No entanto, os coeficientes de localização da população urbana mostram que está havendo uma concentração em poucos municípios. E, pela diminuição deste coeficiente, verifica-se que, com o passar dos anos, poucos municípios concentram a maior parte da população urbana desta região.
Semelhantemente ao coeficiente de localização, o coeficiente de redistribuição objetiva verificar se está prevalecendo algum padrão de concentração ou dispersão espacial ao longo do tempo, e isto pode ser visualizado pelo Gráfico 2.
GRÁFICO 2 – COEFICIENTE DE REDISTRIBUIÇÃO (DRed) DA REGIÃO OESTE DO PARANÁ – 1970-2000 0,000 0,020 0,040 0,060 0,080 0,100 0,120 0,140 0,160 CRed 1970/1980 1980/1991 1991/2000 Período Pop. Urb. Pop. Rur.
Fonte: Resultados da Pesquisa
O Gráfico 2 confirma as informações anteriormente apresentadas ao mostrar que não houve mudanças significativas na localização da população urbana e rural no período analisado. Isso mostra que os mesmos municípios que concentravam população urbana no ano de 1970 continuavam concentrando no ano de 2000. Essa característica também pode ser visualizada para a população rural dos municípios da mesorregião Oeste Paranaense.
4 CONCLUSÃO
O objetivo desse artigo foi analisar a evolução da localização da população urbana e rural na região Oeste Paranaense, especialmente no período de 1970 a 2000.
Os dados mostraram ali ocorreu uma forte mudança na estrutura fundiário regional e que isto influiu no processo de contração populacional na região em termos de ares urbanas e rurais, porém percebe-se que não ocorreram mudanças significativas no padrão de concentração da população urbana e rural entre os municípios desta região. Os municípios que concentravam a população urbana no ano de 1970 continuaram concentrando durante todo o período de análise.
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Mudou na verdade a grande maneira de ocupar a área que deixou de ter um perfil rural e passou a ter efetivamente um perfil mais urbano; porém o contundente no processo foi a intensidade como isto ocorreu, tal como se poder verificar nos diversos gráficos.
Nesse cenário uma característica interessante desta região, é que apesar desta forte transformação, na área ainda há uma presença significativa da população rural na maioria dos municípios, com exceção de Cascavel, Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e Toledo que concentraram com mais intensidade a população urbana.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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