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Avaliação de risco com agentes de controle de pragas agrícolas

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03/11/10

Avaliação de risco com agentes de controle

de pragas agrícolas

Robinson Antonio Pitelli

Unesp Jaboticabal

Ecosafe Agricultura e Meio Ambiente

(2)

03/11/10

Pragas agrícolas

Artrópodes

Fitopatógenos

Plantas daninhas

Plantas parasitas

Nematóides

Roedores

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03/11/10

Modalidades de agentes de controle

Controle químico (inseticidas, fungicidas, herbicidas etc...)

Controle biológico (Bio-pesticidas)

Controle mecânico

Controle físico (fogo, cobertura do solo, solarização)

Controle cultural (Vazio fitossanitário, rotação de culturas,

(4)

03/11/10

Risco sobre

Organismos-não-alvo

Ambientes-não-alvos

Alterações que se manifestam em longo prazo

Aspectos sociais

(5)

03/11/10

Risco

(Andrade, 2000)

O conceito de risco  incerteza

Risco  uma estimativa do grau de incerteza que se

tem com respeito à realização de resultados futuros

desejados

O grau de incerteza é variável de acordo com o volume

de informações que se tem sobre o fator ou atividade

em avaliação de risco

Princípio de incerteza mínima: o volume de

informações é grande e o risco é de alto grau de

previsibilidade;

Princípio da incerteza máxima: o volume de

informações é pequeno e o risco é de baixo grau de

previsibilidade

(6)

03/11/10

• Se refere ao risco de que ocorra alguma alteração ambiental em

algum ou alguns níveis bióticos e abióticos. (indivíduo, população, comunidade, biocenose, água, solo, ar)

• Impacto ambiental pode ser definido como qualquer modificação

do meio ambiente, adversa ou benéfica, decorrente de uma ação de um novo fator ecológico introduzido ou alterado em sua expressão, podendo ser de origem antrópica ou não.

(7)

03/11/10

Risco ambiental

• Em biologia não há incerteza zero ou certeza total, devido a grande

variabilidade existente

Dentro de indivíduos (plasticidade fenotípica, estado sanitário e

nutricional)

Dentro das populações (interações denso-dependentes)

Dentro das comunidades (composição específica, densidades global e

das populações, interações entre populações)

(8)

03/11/10

Risco ambiental

• Devido tanta variação passível de ocorrer, a previsibilidade apenas será

possível depois de muito anos de observações, com acúmulo de um volume de informações.

(9)

03/11/10

Natureza da avaliação do risco

Previsão do risco ambiental

Constatação do risco ambiental

Risco ambiental do pesticida que está sendo introduzido no

ambiente

Risco ambiental das alterações na agricultura que o

(10)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Exigido para o registro de qualquer pesticida, seja químico ou

biológico.

Pesticidas químico

Características gerais

– Classe de uso

– Composição qualitativa e quantitativa – Ingrediente ativo

– Modo de ação

– Método analítico para identificação do i.a. – Tipo de formulação

(11)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Pesticidas químico

Características físico-químicas

– Coeficiente de partição octanol/água Kow – Estabilidade térmica ao ar

– Características físico-químicas (estado físico, pH, cor, densidade,...) – Solubilidade em água

Características eco-toxicológicas

– Biodegradabilidade (Evolução CO2, meia vida) – Mobilidade (Rf)

– Toxicidade aguda para organismos-padrão (peixes, microcrustáceos, ...) – Toxicidade para organismos do solo (padrão)

(12)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Pesticidas químico

Características Toxicológicas – Potencial carcinogênico – Potencial embriofetotóxico

– Potencial genotóxico para procariontes – Potencial genotóxico para eucariontes – Toxicidade aguda para mamíferos

(13)

03/11/10

Avaliações preliminares de risco

Modelos utilizando dados fornecidos para o RET-1 e mais

algumas informações agronômicas do uso do produto

Exemplos

(14)

03/11/10

North Carolina Cooperative Extension Service

Pesticide and Soil Ranking System

• Pesticide Leaching Potencial (PLP)

PLP = T1/2*R*F/Kα

ü T1/2 ► Persistência do pesticida no solo (meia vida) ü R ► Dose de aplicação

ü F ► Fração do herbicida que atinge o solo durante a aplicação ü Kα ► Afinidade do herbicida pelos colóides do solo

(15)

Pesticide and Soil Ranking System

Pesticide Leaching Potencial (PLP)

Herbicida PLP Herbicida PLP Bentazon 50 Imazethapyr 46 Chorimuron 17 Lactofen 22 Dichlorprop 49 Metolachlor 55 Diclofop 44 Metribuzin 44 Fluazifop 30 Pendimenthalin 29 Glifosate 23 Sethoxydin 24 Imazaquin 43 Trifluralin 28

(16)

03/11/10

Environment Impact

Quociente – EIQ

EIQ = {C[(DT*5)+(DT*P)]+[(C*((S+P)/2)*SY)+(L)}+[(F*R)+(D*((S+P)/2)*3)+ (Z*P*3)+(B*P*5)]}/3 – DT = Toxidade dermal – C = Toxidade crônica – SY = Sistemicidade

– F = Toxicidade para peixe – L = Potencial de lixiviação

– R = Potencial de carregamento pela enxurrada – D = Toxidade para pássaros

– S = Meia vida no solo

– Z = Toxicidade para abelha

– B = Toxicidade para artrópodes benéficos – P = Meia vida na superfície da planta

(17)

Valores de EQI observados para alguns

herbicidas utilizados em soja e milho.

Herbicida Valor do EIQ Herbicida Valor do EIQ Alachlor 21,3 Paraquat 70,0 Atrazine 33,2 Pendimenthalin 25,8 Bentazon 36,7 trifluralin 26,8 Fluazifop-buthyl 44,0 Metolachlor 18,0 Glifosato 32,4 Metribuzin 35,3 Kovach et al (1992)

(18)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Exigido para o registro de qualquer pesticida, seja químico ou

biológico.

Pesticidas biológico

Características gerais

– Natureza do agente (Inseto, vírus, fungo, peixe, ...) – Origem do agente (exótico ou nativo)

– Estratégia de controle biológico (clássico, inundativo ou repositivo)

(19)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Pesticidas biológico

Características específica

– Especificidade ao organismo-alvo (diferença nos níveis de exigências)

• Controle biológico de plantas daninhas

• Controle biológico de insetos, doenças de plantas • Controle biológico de animais superiores

– Independente da natureza do agente de controle biológico, para a

estratégia clássica, o teste de especificidade deve ser bem mais rigoroso.

(20)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Teste de especificidade

Organismos do mesmo gênero Organismos da mesma família

Organismos da mesma grupo taxionômico (Ordem, tribo, ....)

Organismos de interesse econômico Organismos de interesse social

(21)

03/11/10

Procedimento para inimigos

naturais de plantas daninhas

Teste sem escolha Sem ataque Pontuado como baixo risco

Teste com escolha Sem ataque Pontuado como baixo risco

Teste em grandes viveiros Sem ataque Pontuado como baixo risco

Teste de campo Sem ataque Pontuado como baixo risco Com ataque

Com ataque

Com ataque

(22)

O ponto-chave da análise de risco de

biopesticidas é a especificidade de

hospedeiro

Testes de especificidade sem escolha

Planta de interesse econômico, social ou ambiental planta não alvo►

Agente de controle biológico Inanição

Desenvolvimento Oviposição

Maturação sexual Fecundidade

Falso positivo: aceitar uma

planta que não faria em

condições naturais

Falso negativo: rejeitar uma

planta que poderia utilizar em condições naturais

(23)

Requerimento básico: Rigoroso teste

de especificidade de hospedeiro.

Testes de especificidade com

multipla escolha

Plantas de interesse econômico, social ou ambiental plantas não alvo►

Agente de controle biológicoInanição Desenvolvimento Oviposição

Maturação sexual Fecundidade

(24)

03/11/10

Três modalidades de provas de

múltipla escolha

(25)

03/11/10

Prova de campo

(26)

03/11/10

Prova de campo

(27)

03/11/10

Prova de campo

(28)

03/11/10

Prova de campo

(29)

03/11/10

Prova de campo

(30)

03/11/10

Requerimento básico: Rigoroso teste de

especificidade de hospedeiro.

• Estudos eco-fisiológicos do inseto para análise de risco de seu

estabelecimento na região de introdução.

• Introdução na área de controle em sistemas quarentenários

• Rápida confirmação dos testes de especificidade com as espécies já

estudadas e realização de estudos de laboratório com as espécies que não ocorriam na região de origem.

• Análise de risco da liberação do agente de controle biológico e autorização

governamental

(31)

03/11/10

Previsões de risco

Os riscos de um pesticida, seja biológico ou químico, devem

ser quantificados para uma decisão segura (o mais segura

possível)

Há vários modelos, desde numéricos até descritivos

Nem todos são absolutos e cometem ter “deslizes”

Neste caso, provavelmente houve audácia do avaliador

para tomar decisões dentro do princípio da incerteza

mínima

(32)

03/11/10

Possibilidade de impacto

Possibilidade Descrição

Muito baixa possibilidade MBP

Praticamente impossível, mas apenas ocorrem circunstâncias excepcionalmente raras.

Baixa possibilidade BP Pode ocorrer, mas não é esperada sua ocorrência em circunstâncias normais.

Possível P Pode ocorrer ou não, em probabilidades

similares. Possível em algumas

situações BP

A qualquer momento deverá ocorrer

(33)

03/11/10

Impactos ambientais

Magnitude Descrição

Mínimo Insignificante, facilmente reparável ou reversível

Menor Reversível.

Moderado Leve efeitos em ambientes ou espécies

características da região.

Maior Irreversível, mas sem perdas de espécies e que

tem possibilidade de “remediação”

(34)

03/11/10

Nível de risco ambiental

Possibilidade Mínimo Menor ModeradoMagnitude Maior Maciço MBP Insignifi. Insignific. Baixo Médio Médio

BP Insignific Baixo Baixo Médio Alto

P Baixo Baixo Médio Médio Alto

BP Baixo Baixo Médio Alto Alto

(35)

03/11/10

Previsão do risco ambiental

Pesticidas biológico

Avaliações de periculosidade ambiental

– Modalidade e facilidade de dispersão da população – Estudos de alergenicidade (fungos, bactérias)

– Competição com populações nativas (peixes)

– Estudos eco-toxicológicos (fungos, bactérias, vírus, ...)

• No caso de biopesticidas, o caráter ecotoxicológico deve ser também

(36)

03/11/10

Análise risco / benefício ambiental

A maior dificuldade reside no fato de que esta análise é

realizada comparando fatos e situações de naturezas diversas.

Ex: Controle de plantas aquáticas submersas no reservatório

(37)

03/11/10

UHE Souza Dias ligada ao

reservatório de Jupiá

(38)

03/11/10

Fato

Introdução de tucunaré e corvina como peixes de pesca

esportiva (sem qualquer avaliação de risco)

Predadores vorazes

Drástica redução populacional de peixes herbívoros,

especialmente taguara, tilápias, piaus

Supressão do controle biológico natural de macrófitas

(39)
(40)

03/11/10

Aspecto de infestação de Egeria densa na bacia

do Rio Tietê

(41)
(42)
(43)

03/11/10 Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, Ouro Preto, 2008

Destruição de turbinas

(44)

03/11/10

Análise risco / benefício ambiental

• A maior dificuldade reside no fato de que esta análise é realizada comparando fatos

e situações de naturezas diversas.

Ex: Controle de plantas aquáticas submersas no reservatório de Jupiá com o

herbicida fluridone

Benefícios:

• Evitar parada de turbinas e, na época, o apagão • Beneficiar o pescador profissional

• Beneficiar esportes náuticos e pesca amadora – Riscos

• Alteração transitória da comunidade perifítica e

fitoplanctônica

• Aumento da predação por tucunaré nas área com controle

(45)

03/11/10

O risco não é restrito à análise da

autorização de uso de um pesticida,

mas também na proibição deste.

Também para a proibição deve ser

realizada análise de risco, muitas

vezes, e esta ser progressiva

priorizando setores com maior

probabilidade de risco ambiental

(46)

03/11/10

Relação

entre emprego de DDT em

campanhas de saúde pública e

mortalidade por malária (Jukes, 1974)

Local

Ano

Casos Fatais

Formosa

1945

> 1.000.000

1969

9

Venezuela

1943

817.115

1968

800

Turquia

1950

1.118.969

1969

2.173

Sri Lanka

1946

2.800.00

1963

17

1968-69

2.500.000

(47)

Nepeam / UNESP

Risco Relativo de Câncer pelos Americanos em

função das quantidades ingeridas diariamente

de diversos alimentos e produtos (LOMBORG,

2001)

0 0,02 0,04 0,06 0,08 0,1 0,12 Café Alface Suco Laranja Maçã Canela Cenoura DDT (1972) Cereja Pera R.L.C. (%)

(48)

03/11/10

Natureza da avaliação do risco

Previsão do risco ambiental

Constatação do risco ambiental

Risco ambiental do pesticida que está sendo introduzido no

ambiente

Risco ambiental das alterações na agricultura que o

(49)

03/11/10

O grande problema das avaliações

de risco é que raramente são

testadas

Na liberação das plantas geneticamente modificadas o

princípio da constatação do risco em campo foi implementado.

Porque não para os pesticidas químicos e biológicos ?

Porque não realizar experimentos mais elaborados em campo

(50)

03/11/10

Exemplo do diquat

• Testes ecotoxicológicos mostraram elevada toxicidade para algas

• Experimento de campo

– Mesocosmos colonizados por aguapé

– Mesocosmos colonizados por aguapé com controle com diquat – Mesocosmos colonizados com aguapé morto por congelamento – Mesocosmos sem colonização

(51)

03/11/10

Estudo conduzido em condições de

mesocosmos

(52)

03/11/10

Impacto da

decomposição das

macrófitas em

condições de

mesocosmos

Plantas mortas por congelamento

(53)

03/11/10

Estantes para fixação de placas de

perifíton

(54)

03/11/10

Resultados da análise multivariada

(55)

03/11/10

Resultados da análise multivariada

Mesocosmos sem colonização por aguapé Mesocosmos colonizados por aguapé

(56)

03/11/10

Resultados da análise multivariada

Martins & Pitelli, 2006

(57)

Nepeam / UNESP

O controle da vegetação flutuante

permitiu a recuperação das

(58)

03/11/10

Considerações finais

Análise de risco da introdução de qualquer tecnologia de

controle de pragas agrícolas é extremamente difícil, porque em

biologia as regras são de natureza estatística e não absolutas.

Resultados de laboratório não produzem resultados totalmente

previsíveis para o comportamento de campo.

A análise de risco tem de ser validada por monitoramento

pós-liberação comercial.

A avaliação de risco deve ser analisada para a liberação como

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