O estresse nosso de cada dia

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O estresse nosso de cada dia

Como combater as doenças causadas por esta reação do nosso organismo

Tudo leva a crer que o ser humano começou, de fato, a padecer por estresse ex-cessivo depois da Revolução Industrial. Talvez o que a vida passou a exigir das pesso-as nesses últimos 80 a 50 anos tenha sido imensamente maior que o desenvolvimento da capacidade neuro-psicofisiológica de adaptação, resultando pois, nas dificuldades em conciliar harmonicamente as necessidades adaptativas da vida social e nossos re-cursos orgânicos.

Em medicina entende-se o estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão. Fisicamente o estresse aparece quando o organismo é submetido a uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psicoemocional, quando há uma situ-ação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo subme-tido a uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente, terá de superar. Portanto, o estresse é um mecanismo indispensá-vel para a manutenção da adaptação à vida, e portanto, à sobrevivência. Do ponto de vista psíquico o estresse se traduz na ansiedade. A ansiedade é, assim, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo.

De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais. Embora a ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até cer-to poncer-to, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência.

Para falar dos efeitos do estresse no nosso cotidiano, o JORNAL DO BELVEDE-RE entrevistou o médico cardiologista do Biocor Instituto, Gustavo Fidélis da Costa Lo-pes. Veja as recomendações do especialista:

O senso comum costuma associar o estresse com tensões ou pressões so-fridas em nosso cotidiano. O que realmente significa estresse?

É a capacidade natural do indivíduo para reagir às situações de perigo preparando-se para enfrenta-las ou fugir. O organismo preparando-se predispõe à "lutar" por sua sobrevivência. É uma reação primitiva que se mantém ao longo da evolução humana.

E nesta "luta" o que ocorre em nosso corpo?

Sob ameaça, o organismo desencadeia uma complexa resposta fisiológica, com al-terações neuroendócrinas, psicomotoras e psicológicas, perturbando sua estabilidade. Alguns hormônios são liberados, dentre os quais a adrenalina, e alertam o sistema ner-voso sobre o "perigo". Esta reação desencadeia alterações importantes na pressão ar-terial, freqüência cardíaca, alterações gástricas e respiratórias, que são fatores de risco para as doenças.

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O estresse provoca doenças no coração?

Associado a outros fatores de risco, como hereditariedade, tabagismo, sedentaris-mo, distúrbios dislipidêmicos (colesterol, triglicérides), ele pode contribuir para o desen-volvimento da hipertensão arterial, doenças do coração, gastrite, úlcera e alguns tipos de câncer. O estresse agrava a doença e dificulta seu tratamento.

E o que causa o estresse?

As situações de pressão e exigências de nosso dia-a-dia podem levar ao estresse. Em casa, na relação com as pessoas, no trabalho, estamos sempre enfrentando situa-ções de crise, conflito, mudanças que podem despertar em nós o sentimento de amea-ça. Nosso contexto social caracterizado pela violência urbana, intensa competitividade e desemprego contribuem consideravelmente.

Parece impossível viver sem o estresse, pois este faz parte de nossa vida. O que fazer então?

Exatamente. Não devemos ter a ilusão de eliminar o estresse de nosso cotidiano. Isto não existe. Devemos e podemos aprender a administra-lo. Este é o melhor cami-nho, e o primeiro passo é reconhecer seus sintomas. Alguns são muito significativos, mas certas pessoas podem sentir dificuldade para identifica-los e portanto ter consci-ência de sua ocorrconsci-ência. É esta percepção que permite alertar o indivíduo para a ne-cessidade de cuidar-se.

Quais são os principais sinais de estresse?

Embora alguns sinais possam nos ajudar a reconhecê-lo, é importante lembrar que tanto os sintomas, como as fontes de estresse são variáveis para cada indivíduo. Ob-serva-se com freqüência as seguintes alterações: Fumar e beber mais que o habitual; insônia ou excesso de sono; cansaço fora do comum; passar a comer demais ou a per-da súbita de apetite; dificulper-dades de concentração; dificulper-dades em tomar decisões que antes eram fáceis; apatia ou desinteresse anormais; mudanças bruscas de humor e sentir-se "acelerado" mesmo em situações aparentemente tranqüilas.

São apenas as situações ruins que causam estresse?

Não. É importante ressaltar que tanto as situações negativas, quanto as positivas podem desencadeá-lo. Quando o organismo "interpreta" que é necessário reagir inten-samente, são ativadas as respostas de estresse já apontadas. Portanto, estas podem ocorrer frente a eminência de um assalto, como momentos antes de recebermos um prêmio frente a uma grande platéia. Reconhecer isto é fundamental para se traçar uma estratégia individual de enfrentamento do estresse.

É possível evitar ou tratar do estresse?

Sim. O tratamento procura ajudar o indivíduo a reconhecer as suas fontes de es-tresse, procurando criar alternativas para enfrentá-lo. Este processo de mudança é indi-vidual, e visa a modificação de fatores do contexto de vida, bem como a aprendizagem para conviver com o estresse, sem perder o equilíbrio. Muitas vezes, é necessário ajuda médica e/ou psicológica para estabelecer o melhor tratamento.

Não existe uma receita para isto, mas algumas dicas podem ajudar: planeje o seu dia-a-dia; seja realista e não estabeleça metas impossíveis para alcançar; descanse regularmente; cuide de sua vida social; faça exercícios físicos regularmente; consuma

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alimentos saudáveis; procure relaxar. Utilize as técnicas de relaxamento; Evite muitas mudanças ao mesmo tempo; aprenda a priorizar as situações; permita-se "recarregar sua bateria" e procure refletir sobre os seus sentimentos.

PESQUISA

Durante o XV Congresso Mineiro de Cardiologia, a equipe multidisciplinar do Hospital Biocor, formada por médicos, fisioterapeutas e psicólogos, realizou um levantamento de opinião sobre o estresse junto à população que freqüentou seu estande no Minas

Shopping, além de fornecer orientações sobre os fatores de risco em cardiologia. Fo-ram elaboradas três questões abordando:

1- Em que área da sua vida você considera estar presente o estresse, atualmen-te?

2- Dentre os sinais de estresse abaixo, marque aqueles que você apresenta atu-almente.

3- O que você costuma fazer para lidar com o estresse?

Foram respondidos espontaneamente 352 questionários, dos quais identificou-se que homens e mulheres identificam causas distintas como fonte principal de estresse e bus-cam alternativas diferentes para enfrentá-lo, conforme apontado nos gráficos em anexo.

RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO FEMININO

19,5% 18,2% 15,4% 14,9% 13,4% 8,6% 7,7% 3,4% 0% 5% 10% 15% 20% 25%

O que você costuma fazer para lidar com o estresse ?

Apoio religioso Atividades fisicas Relacionamento com amigos

Lazer Relacionamento familiar Relaxamento

Uso de medicação Acompanhamento psicologico

Observa-se que a população feminina tende a eleger o apoio religioso como principal recurso para lidar com o estresse. Pode-se inferir que o alívio obtido neste contexto, e as promessas de esperança tornam-se importantes pontos de refúgio. Em seguida ob-serva-se a busca por atividades físicas para minimizar o efeito do estresse.

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RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO FEMININO 33,6% 24,5% 17,1% 13,5% 11,3% Em que área da sua vida você considera estar presente o

estresse, atualmente?

Casa e Familia Financeiro Trabalho Saude Pessoal e Social

Observa-se que a população feminina tende a focalizar suas fontes de estresse nas questões associadas à casa e família e seqüencialmente nos aspectos financeiros. Se analisados em conjunto, torna-se expressivo que 58% dos fatores potenciais de estres-se estejam concentrados na condição de cuidar e manter, que é identificado como atri-buto feminino, cultural e antropologicamente.

RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO FEMININO

17% 15,50%14,90%14,60% 12,60% 11,40% 8,30% 3,80% 1,90% Dentre os sinais de estresse abaixo, marque aquelas

que você apresenta atualmente.

Cansaço constante Insonia

Intolerancia

Mudanças bruscas de humor Dimunuição ou aumento de apatite Dificuldade de concentração Apatia

Fumar ou beber mais que o habitual

Observa-se que a população feminina tende a identificar os sintomas de estresse como associados à perda de energia, isto é, cansaço constante, seguido por alterações no sono. Pode-se inferir que o corpo passa a ser o receptáculo destas tensões.

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RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO MASCULINO 24,6% 17,2% 15,9% 12,2% 12,6% 9,7% 4,0% 2,1% O que você costuma fazer para lidar com o estresse?

Atividades fisicas Lazer

Apoio religioso Relacionamento com amigos

Relacionamento familiar Relaxamento

Uso de medicação Acompanhamento psicologico

A prática de atividades físicas é considerada pela população masculina como recurso para reduzir o estresse. Este é um dado importante, visto que esta é uma das indica-ções consideradas efetivas para a regulação do mesmo.

Pode-se inferir que o brasileiríssimo futebol também pode ser considerado um poderoso antídoto contra o estresse!!!

RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO MASCULINO

19,0% 16,1% 14,7% 12,5% 12,3% 10,9% 6,0% 4,6% 3,6% 0% 5% 10% 15% 20% 25%

Dentre os sinais de estresse relacionados abaixo, marque aquelas que você apresenta atualmente.

Insonia Mudanças bruscas de humor Dificuldade de concentração Cansaço constante

Intolerancia Dimunuição ou aumento de apatite Fumar ou beber mais que o habitual Apatia

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Observa-se a tendência, junto à população masculina, de identificar como efeito de es-tresse o comprometimento do sono, seguido por alterações bruscas no humor. Estes fatores associados podem promover prejuízos quanto à qualidade de vida, impactando inclusive nas relações sociais do indivíduo.

RESULTADO DOS DADOS COLETADOS JUNTO AO PÚBLICO MASCULINO

30,8%

24,3%

18,3% 16,9%

9,6% Em que área da seua vida você considera estar presente

o estresse, atualmente?

Financeiro Trabalho Casa e Familia Saude Pessoal e Social

Observa-se que a população masculina tende a considerar como fonte de estresse as questões concentradas nas áreas financeira e de trabalho que associadas correspon-dem à 55% dos fatores potenciais determinados por este levantamento. Estes dados podem refletir as conseqüências do contexto econômico atual, bem como os aspectos de empregabilidade e aqueles associados ao nível de desemprego junto à população geral. Apontam ainda para a preocupação do homem em ser capaz de produzir e sus-tentar, características culturais e antropológicas associadas à identidade masculina.

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