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Resenha John Dewey e o ensino de arte no Brasil

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Academic year: 2021

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R e s e n h a – Jo h n D ewey e o e n s i n o d e a r t e n o B ra s i l

SOUZA, Leonardo Vinícius de

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John Dewey e o ensino de arte no Brasil Ana Mae Barbosa

São Paulo: Ed. Cortez, 2001. ISBN: 978-85-249-0790-6

A Autora: Ana Mae Barbosa, Professora Titular aposentada do departamento de Artes Plásticas da Universidade de São Paulo-USP; atuou no Mestrado e no Doutorado em Arte-educação do qual foi criadora; é pesquisadora do Núcleo de Cultura e Extensão em Promoção da Arte na Educação da Escola de Comunicação e Artes da USP. Em 2001 foi escolhida para dar a Studies in Art Education’s Lecture na National Art Education Association dos Estados Unidos, distinçãoo conferida pela primeira vez a um estrangeiro nos 50 anos de existência da Associação. Atualmente é professora da Universidade Anhembi-Morumbi.� teatro infanti l, encarado como expressão ar� s-� teatro infantil, encarado como expressão ar�s-tica autônoma, independente e estruturada em poeticidades próprias, é o ponto de partida para as reflexões de Marco Camarotti em sua obra: A Linguagem no Teatro

Infantil (2002). � autor, baseando-se em algumas experiências práticas e processos

criativos, defende a possibilidade de um teatro infantil fundado no princípio de que a criança, bem como seu léxico, perspectiva cultural e realidade cognitiva devem tomar a centralidade estética, na qualidade de núcleo irradiador de caminhos, temas e proposições cênicas. Isto é, situar a criança como elemento e indivíduo prioritário nesta modalidade de criação espetacular é condição sine qua non para a concreti-zação efetiva de um teatro infantil que se pretende dialógico, consistente e diame-tral na lida com a complexa linguagem infantil. � professor-encenador neste pro-cesso atua como catalisador e organizador do amplo e inesgotável material cênico

1 Artigo aprovado em 02/04/2017.

2 Possui graduação em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (2007). Tem experiência na área de Artes, com ênfase

em LICENCIATURA EM TEATR�, atuando principalmente nos seguintes temas: Licenciatura, espetáculo, atuação, dramaturgia, distan-ciamento brechtiano e direção ar�stica. Atualmente desenvolve pesquisa de Mestrado Profissional no ProfArtes UFMG, na linha de pesquisa Processos de Ensino Aprendizagem e Criação em Artes, sob orientaçãoo da Profa. Dra. Rita Gusmão.

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produzido em jogos dramáticos e/ou exercícios improvisacionais. Em suma, Marco Camarotti apresenta uma reflexão de natureza pedagógica e ar�stica sobre as poten-cialidades do teatro infantil, ampliando suas vias de compreensão e de construção. Nascido em 1859, nos Estados Unidos da América, John Dewey foi um importante pen-sador da educação norte-americana e entre suas principais ideias estão a relação entre a escola e a vida do indivíduo. Dewey acreditava que o indivíduo só aprendia se ao conteúdo pudesse ser aplicada parte da sua realidade histórica, social, intelectual e emocional. Dewey trabalhou como professor das Universidades de Michigan e Minnesota, lecionando Filosofia. Sua pesquisa parte da aprendizagem como algo que deve permear a vida do estudante, com a consequente aplicação da realidade ao contexto estudado. Suas ideias formaram um posicionamento pedagógico que se tornou conhecido como Pragmatismo, que ele, na verdade preferiu chamar de Instrumentalismo. Seu trabalho influenciou a criação de diferentes metodologias pedagógicas em todo o mundo. No Brasil suas ideias influenciaram a criação do movimento conhecido como Escola Nova, criado no final do Século XIX e aplicado realmente na década de 1930, difundido no país pelo pensador Anísio Teixeira.

Quando estava como pesquisador na Universidade de Michigan, Dewey fundou a Escola-Laboratório que tinha como intuito pesquisar as propostas desenvolvidas por ele dentro da peda-gogia progressista. Dewey acreditava, influenciado pelo empirismo, que era necessário aproximar a relação entre teoria e prática, já que, segundo o autor as hipóteses teóricas só teriam sentido no dia a dia. Desta forma o conhecimento seria construído a partir de consensos, onde a escola deveria proporcionar práticas conjuntas e promover situações de cooperação.

Nascida no Rio de Janeiro em 1936 mas criada em Pernambuco, Ana Mae Barbosa é hoje a principal pesquisadora de arte-educação no País. Ela é também a primeira Doutora em Arte-Educação, pela Universidade de Boston. Um de seus principais trabalhos foi a proposta publi-cada em 1987 intitulada “Abordagem Triangular de construção do Conhecimento em Arte”, cujos pilares são a contextualização histórica, o fazer ar�stico e a apreciação ar�stica. No Livro “John Dewey e o Ensino de Arte no Brasil”, que é parte de sua pesquisa de doutorado, Ana Mae Barbosa analisa a construção do conhecimento em arte, os aportes pedagógicos estabelecidos no país a partir da teoria pedagógica de Dewey, assim como seus desdobramentos no trabalho dos profes-sores brasileiros, apontando possíveis resultados alcançados.

A proposta do livro é analisar a influência de John Dewey e do pensamento acerca de sua pedagogia Progressista na construção das propostas pedagógicas feitas no Brasil entre as

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décadas de 1920 e 1940. A autora faz uma análise dos pesquisadores, as respectivas metodolo-gias e suas influências a partir do trabalho realizado por Dewey. Ela elucida alguns conceitos que erroneamente são atribuídos ao autor e discute a validade das mesmas propostas para o Ensino de Arte. Assim como seu reflexo no trabalho atual do ensino de arte no Brasil.

No primeiro capítulo chamado de “Reavaliando a recepção de Dewey ou Atualizando John Dewey”, a autora coloca em pauta os diferentes estudos feitos sobre o autor no contexto social desde os anos 1980. No que diz respeito ao alcance da proposta pedagógica de Dewey, enfatiza que esta foi abandonada pelos norte-americanos durante a guerra fria. Já no Brasil, foi rechaçada tanto pelos membros da direita quanto da esquerda. Estas atitudes ocorreram em virtude justamente da negação da proposta pedagógica da Escola Nova, de Anísio Teixeira.

No entanto, a reaparição de Dewey no cenário atual se deve à utilização de seu pen-samento em diferentes linhas de pesquisa. A autora traça o perfil do autor pesquisado em difer-entes linhas de ensino de Arte no Brasil e no mundo, além de analisar alguns pensadores que utilizam do pensamento de Dewey para a organização de suas propostas.

� segundo capítulo – “Cultura e indústria na educação” – traça uma ideia da influência da indústria na educação. Dewey partiu do princípio de que a educação estava sendo vista como objeto de compra pela indústria e salienta que a educação não deveria se tornar objeto de con-sumo e, uma vez construída a partir da afirmação de que os mecanismos de apropriação edu-cacional estão ligados à aquisição do conhecimento, a educação se estabelece somente para a formação de mão de obra. Neste caso a arte também é colocada sob estes parâmetros. Ao invés disto, Dewey sugere que a arte-educação deve estar voltada para a formação de um ser que seja capaz de transpor o aspecto industrial e ponderar a educação como formação autêntica. Assim o trabalho do artesão deve ser elevado ao trabalho do artista.

� autor faz uma comparação com os aspectos defendidos por Aristóteles quando prega que a educação deve ser considerada objeto de conhecimento e não como parte da indústria, que não se pode converte-la a objeto de entretenimento, como também não deve ser colocada como mercadoria.

Em “Cronologia da dependência”, terceiro capítulo da obra, Barbosa analisa inicialmente o monopólio da influência de outras culturas na formação educacional brasileira, partindo do princípio de que apenas no início do século XX o Brasil começa a criar formas de se libertar do realismo naturalista da arte acadêmica européia e a influência de Dewey é parâmetro fundamen-tal para esta tomada de posição. Contudo, é justamente por causa da utilização do pensamento deweyano para a construção de uma possível metodologia para o Brasil que os pesquisadores

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querem, em princípio, rejeitá-lo. A autora parte do discurso de que atualmente no país os edu-cadores dão importância fundamental ao novo, sem o aporte da pesquisa, implicando isto em um desconhecimento do que já foi produzido. �u mesmo da história da pedagogia. É esta falta de consciência histórica que causa a supervalorização do que é tachado como novo, quando na verdade não passa de velhos conceitos imbuídos de uma nova roupagem.

Desta forma, Barbosa apresenta um rápido apontamento histórico da evolução da edu-cação e da arte-eduedu-cação no país. Assim como as diferentes abordagens teóricas que vão co-mungar com o pensamento de Dewey. A autora apresenta a visão de diferentes autores acerca do trabalho realizado no Brasil e o paralelo com o pensamento deweyano.

Na sequência Barbosa apresenta um paralelo entre o trabalho de Anísio Teixeira na for-matação do movimento conhecido como Escola Nova e as práticas da Pedagogia Progressista de Dewey. Anísio Teixeira pode ser considerado discípulo das ideias de Dewey, porque foi seu aluno quando estudou nos Estados Unidos. � capítulo vai nos apresentar o trabalho de Teixeira e a formulação do pensamento a partir da teoria do Positivismo. É exatamente nesta época, e justa-mente por causa do trabalho de Dewey, que a educação brasileira começa a passar por um pro-cesso evolutivo. Temos como aporte a Criação da Primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1971. Neste contexto o Componente curricular Arte é colocado como disciplina obrigatória no currículo da educação básica. Como contrapartida, vemos também o crescimento e a política de favorecimento da Licenciatura curta para o processo de formação de professores. No capítulo quinto temos o trabalho de Nereu Sampaio e a difusão das ideias de Dewey. Para Ana Mae, ele é o pensador que mais vai aproximar a sua teoria da obra daquele. No en-tanto esta influência acaba sendo deturpada a partir do entendimento errôneo do pensamento deweyano a partir da defesa da experimentalização, uma formulação que causou a ideia de que a construção de conceitos era desnecessária no processo de construção do método da Escola Nova.

�utra análise importante apontada por Barbosa no livro diz respeito ao trabalho de Artus Perrelet e a ideia de apreciação em Minas Gerais. Perrelet foi uma pesquisadora que veio do Instituto J.-J. Rousseau para trabalhar em Minas Gerais na construção do projeto escolar mineiro da década de 1930. Seu trabalho, muito ligado à importância da linha no processo de construção do desenho, tinha como método facilitar a relação do sujeito com suas experiências e o objeto com suas características, por meio do simbólico. Basicamente o trabalho de Perrelet, muito li-gado ao corpo e suas vivências dentro do processo, tira a importância da forma como elemento fundamental do desenho.

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Em Pernambuco, Scaramelli vai enfatizar a importância da arte no processo da Escola Nova. No entanto a arte passa por uma conceituação fa�dica no que diz respeito a este próprio conceito: segundo o trabalho desenvolvido em Pernambuco e deixado documentado em difer-entes artigos, a importância da arte não é mais como fim em si mesma, mas como meio de se atribuir conceitos diversos em diferentes disciplinas. Esta relação veio a ser tão presente na educação brasileira que ainda podemos notar com frequência este tipo de pensamento no seu desenvolvimento nas escolas públicas e particulares atualmente. Nesta fase histórica o Desenho e as atividades manuais são, segundo Scaramelli, de importância fundamental no desenvolvi-mento da criança. No entanto neste ponto do livro fica claro para o leitor que a arte passa a não ser mais, dentro da experimentação e apreciação, algo a ser transformado a partir da vivência prática, mas apenas um acessório para o entendimento de outros conceitos de outras áreas.

Como processo conclusivo, ao final do livro de Ana Mae Barbosa compreende-se bem os conceitos abordados pela autora na apresentação do pensamento de John Dewey dentro da construção do processo de ensino de arte no Brasil. A autora consegue esclarecer equívocos pautados na falta de conhecimento histórico, assim como fazer uma abordagem teórica acerca do pensamento de vários autores que convergem com o pensamento de Dewey.

Cabe ressaltar que a terceira edição do livro, revisada e aumentada, vem ainda trazer a tona uma importante discussão no contexto da arte-educação no Brasil: o conhecimento da história para a contextualização do ensino de arte hoje.

Referências

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