GESTÃO EDUCACIONAL
Profa. Dra. Adriana Valéria Santos Diniz
Mestrado Profissional em Políticas, Gestão e
Avaliação da Educação Superior– MPPGAV
2016.2 – 2ª. AULA
O QUE É GESTÃO EDUCACIONAL?
•
“Management”: planejamento, a organização, a
liderança e o controle de atividades ou
empreendimentos de diferentes naturezas.
•
Verbo latino gero, gessi, gestum, gerere: levar sobre
si, carregar, chamar a si, executar, exercer, gerar.
•
Substantivos gestatio: gestação.
•
Raiz etimológica em ger: fazer brotar, germinar,
fazer nascer.
•
A gestão, dentro de tais parâmetros, é a geração
de um novo modo de administrar uma realidade
e é, em si mesma, democrática, já que se traduz
pela comunicação, pelo envolvimento coletivo e
pelo diálogo.
•
Esta raiz etimológica já contém em si uma
dimensão bem diferente daquela que nos é dada,
de modo caricato, do gerente, especialmente o de
bancos, como expressão de um comando frio, de
uma ordem autoritária ou de uma iniciativa
tecnocrática.
QUAL A DIFERENÇA DE GESTÃO EDUCACIONAL
E ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL?
•
Sinônimo ou contraposição?.
•
Sinônimo: para os que entendem que os princípios
da administração podem ser aplicáveis a qualquer
organização;
•
Contraposição, parte da compreensão de que,
devido à natureza da atividade educacional, a
administração não pode ser reduzida à aplicação de
uns tantos métodos e técnicas, importadas ou não de
empresas capitalistas, para a instituição escolar, já
que essa nada tem a ver com os objetivos
empresariais, mas com um compromisso de
natureza eminentemente social.
Administração – o que é?
•
A organização, como as pessoas que nela
atuam, são consideradas como componentes de
uma máquina manejada e controlada de fora
para dentro.
•
Os problemas recorrentes são encarados como
carência de "input" ou insumos, em
desconsideração ao seu processo e dinamização
de energia social para promovê-lo. (LUCK,
Limitações da administração
• a) o ambiente de trabalho e comportamento humano são previsíveis, podendo ser, em consequência, controlados;
• b) crise, ambiguidade e incerteza são encarados como disfunção e como problemas a serem evitados e não como oportunidades de crescimento e transformação;
• c) o sucesso, uma vez alcançado, mantém-se por si mesmo e não demanda esforço de manutenção e responsabilidade de maior desenvolvimento;
• d) a responsabilidade maior do dirigente é a de obtenção e garantia de recursos necessários para o funcionamento perfeito da unidade, uma vez considerada a precariedade de recursos como o impedimento mais sério à realização de seu trabalho;
• e) modelos de administração que deram certo não devem ser mudados, correspondendo à ideia falta de que “time que está ganhando não se muda”;
• f) a importação de modelos de ação que deram certo em outros contextos é importante, pois eles podem funcionar perfeitamente, bastando para isso algumas adaptações; (LUCK, 1997)
Limitações da administração
•
g) o participante cativo da organização, como é o caso do
aluno e de professores efetivos em escolas públicas, aceita
qualquer coisa que seja imposta a ele;
•
h) o protecionismo a esses participantes é a contrapartida
necessária à sua cooptação;
•
i) o participante da instituição deve estar disposto a
aceitar os modelos estabelecidos e agir de acordo com ele;
•
j) é o administrador quem estabelece as regras do jogo e
não os membros da unidade de trabalho, cabendo a estes
apenas implementá-las;
•
l) o importante é fazer o máximo, e não fazer melhor e o
diferente;
•
m) a objetividade garante bons resultados, sendo a
técnica o elemento fundamental para a melhoria do
trabalho. (LUCK, 1997)
Mudando o paradigma de
administração para gestão
• Necessidade de melhorar a qualidade do ensino
• Ações isoladas sem efeitos duradouros (meramente paliativos)
• Falta de sinergia pedagógicas nas Instituições educacionais
• Crescente complexidade social e das organizações (diversificação e pluralidade de interesses)
• Os sistemas educacionais e os estabelecimentos de ensino entendidos como unidades sociais, como organismos vivos e dinâmicos - se caracterizarem por uma rede de relações entre os elementos que nelas interferem, direta ou
indiretamente, a sua direção demanda um novo enfoque de organização
• Mudança radical – não é simples substituição terminológica
• Gestão supera as limitações da administração, de enfoque dicotomizado,
simplificado e reduzido, a redimensioná-la, no contexto de uma concepção de mundo e de realidade caracterizado pela visão da sua complexidade e
dinamicidade, pela qual as diferentes dimensões e dinâmicas são utilizadas como forças na construção da realidade e sua superação. (LUCK, 1997)
O que é mesmo gestão educacional?
•
Mobilização e articulação do talento humano e sinergia
coletiva, em seu contexto, voltados para o esforço competente
de promoção da melhoria do ensino.
•
Fortalecimento da democratização do processo pedagógico,
pela participação responsável de todos nas decisões necessárias
e na sua efetivação, mediante seu compromisso coletivo com
resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos.
•
Associada a outras ideas globalizantes e dinâmicas em
educação, como, por exemplo, o destaque à sua dimensão
política e social, ação para a transformação, globalização,
participação, praxis, cidadania, etc.
•
Pressupõe a consciência de que a realidade da instituição
pode ser mudada sempre - e somente na medida que seus
participantes tenham consciência de que são eles que a
produzem com seu trabalho - e na medida que ajam de acordo
com essa consciência (Kosik, 1976). (LUCK, 1997)
•
“Utilização racional de recursos para atingir
determinados fins” (PARO, 2013).
•
Relacionado à política educacional
“A gestão transforma metas e objetivos
educacionais em ações, dando concretude às
políticas traçadas” (BORDIGNON, GRACINDO,
2004)
Um pouco de história ...
•
Marcos para a administração educacional:
The Curriculum (1918) e How to make the curriculum (1924)
-Franklin Bobbitt
•
Marcos para a administração educacional no
Brasil:
Fayolismo na administração das escolas públicas, Querino Ribeiro,
1938
.... A administração escolar é uma das aplicações da administração
geral, semelhante nos aspectos, nos tipos, nos processos, nos meios
e nos objetivos (PARO, 2009, p. 455).
•
Marcos para a gestão educacional no Brasil
Manifesto dos pioneiros da Educação
Década dos 1980: movimentos de lutas pela redemocratização do
país e da educação, CF 1988
QUAIS OS FUNDAMENTOS LEGAIS DE
GESTÃO EDUCACIONAL NO BRASIL?
•
Constituição Federal de 1988: Artigos 205 e 206,
inciso VIII
•
LDB: Art. 3º (princípio da gestão democrática),
Art. 14 (participação dos professores no PPP e da
comunidade nos conselhos) Art. 15 (progressiva
autonomia escolar) e Art. 56 (educação superior)
•
Resolução CNE/CEB N
o. 04 de 2010
•
Plano Nacional de Educação – Lei 13.005/2015
– Meta 19
DEFINIÇÃO LEGAL DA RESOLUÇÃO
CNE/CEB 004/2010 – Art. 55
A gestão democrática constitui-se em instrumento de horizontalização das relações, de vivência e convivência colegiada, superando o
autoritarismo no planejamento e na concepção e organização curricular, educando para a conquista da cidadania plena e
fortalecendo a ação conjunta que busca criar e recriar o trabalho da e na escola mediante:
I - a compreensão da globalidade da pessoa, enquanto ser que aprende, que sonha e ousa, em busca de uma convivência social libertadora
fundamentada na ética cidadã;
II - a superação dos processos e procedimentos burocráticos, assumindo com pertinência e relevância: os planos pedagógicos, os objetivos
institucionais e educacionais, e as atividades de avaliação contínua; III - a prática em que os sujeitos constitutivos da comunidade
educacional discutam a própria práxis pedagógica impregnando-a de entusiasmo e de compromisso com a sua própria comunidade,
valorizando-a, situando-a no contexto das relações sociais e buscando soluções conjuntas;
DEFINIÇÃO LEGAL DA RESOLUÇÃO
CNE/CEB 004/2010 – Art. 55 (cont.)
IV - a construção de relações interpessoais solidárias, geridas de tal modo que os professores se sintam estimulados a conhecer melhor os seus pares (colegas de trabalho, estudantes, famílias), a expor as suas ideias, a traduzir as suas dificuldades e expectativas pessoais e
profissionais;
V - a instauração de relações entre os estudantes, proporcionando-lhes espaços de convivência e situações de aprendizagem, por meio dos quais aprendam a se compreender e se organizar em equipes de estudos e de práticas esportivas, artísticas e políticas;
VI - a presença articuladora e mobilizadora do gestor no cotidiano da escola e nos espaços com os quais a escola interage, em busca da
qualidade social das aprendizagens que lhe caiba desenvolver, com transparência e responsabilidade.
Princípios da gestão educacional
• Participação consciente e esclarecida das pessoas nas decisões sobre a orientação e planejamento de seu trabalho.
• Cultiva relações democráticas, fortalecendo princípios comuns de orientação, norteadores da construção da autonomia
competente.
• Autonomia competente: busca de soluções próprias para os
seus problemas, e, portanto, mais adequadas às suas necessidades e expectativas
* Auto-controle: não espontaneísmo e laissez-faire.
* Responsabilidade: contínuo processo de comprovação pública de seu trabalho e de esforços para melhorá-lo.
* Não elimina a vinculação da unidade de ensino com o sistema educacional que a sustenta. (LUCK, 1997)
Características da gestão
educacional
•
a democratização do processo de determinação dos
destinos do estabelecimento de ensino e seu projeto
político-pedagógico;
•
a compreensão da questão dinâmica e conflitiva das
relações interpessoais da organização,
•
o entendimento dessa organização como uma entidade viva
e dinâmica, demandando uma atuação especial de
liderança;
•
o entendimento de que a mudança dos processos pedagógicos
envolve alterações nas relações sociais da
organização;
•
a compreensão de que o avanços das organizações se
assentam muito mais em seus processos sociais, sinergia
e competência, do que sobre insumos ou recursos. (LUCK,
Construção do enfoque da gestão
•
1) Da ótica fragmentada para ótica
globalizador
•
2) Da limitação de responsabilidade para sua
expansão
•
3) De ação episódica para o processo
contínuo
•
4) da hierarquização e burocratização para
a coordenação (LUCK, 1997)
QUAIS AS PRINCIPAIS CORRENTES DA
GESTÃO EDUCACIONAL NO BRASIL?
•
Patrimonialista: Juliana e Fabiana
•
Gestão burocrática: Ana Maria e João
•
Gestão gerencialista: Delosmar, Edson e
Léo
QUAIS OS MECANISMOS DE GESTÃO
DEMOCRÁTICA?
•
SISTEMA:
Plano decenal de Educação,
Conselho de Educação,
Fórum,
Conferência
•
ESCOLAR:
Projeto Político-Pedagógico
Conselho Escolar e de Classe
Escolha democrática do diretor
Grêmio Estudantil e Associação de Pais e Mestres
Integração escola - comunidade
QUAIS OS MECANISMOS DE GESTÃO
DEMOCRÁTICA?
•
ENSINO SUPERIOR:
Colegiados Superiores (órgãos deliberativos) –
CONSUNI E CONSEPE