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O CONCEITO DE GÊNERO EM TESES E DISSERTAÇÕES EM HISTÓRIA NO BRASIL

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Academic year: 2021

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O CONCEITO DE GÊNERO EM TESES E DISSERTAÇÕES EM HISTÓRIA NO BRASIL

Mariana Barbosa de Souza (Universidade Estadual de Ponta Grossa)

Resumo: Propõe-se com este trabalho, a partir da epistemologia feminista

decolonial que envolve as discussões de Mignolo (2008; 20014; 2017), Maria Lugones (2014), Gloria Anzaldua (2005) e Quijano (2005), estabelecer articulação entre o campo de estudos de gênero e a produção historiográfica brasileira acerca das populações LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, Queer, Intersexuais e outras possibilidades de identidade de gênero e orientação afetiva-sexual). Para tanto, em termos metodológicos, será utilizada a abordagem da metapesquisa (TELLO e MAINARDES, 2015; MAINARDES, 2018) e a documentação selecionada será estabelecida conforme mapeamento realizado no banco de teses e dissertações da CAPES (BTD CAPES). Esta proposta de trabalho envolve uma pesquisa de mestrado em andamento e como baliza temporal se estabeleceu o ano de 1987- criação do BTD – e o ano de 2020. A problematização central versará sobre a construção da interface entre o movimento LGBTQI+ e a epistemologia de gênero, pensando a decolonialidade e também a epistemologia feminista.

Palavras-chave: gênero; estudos de gênero; decolonialidade; metapesquisa.

INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA

Historicamente há o entendimento de que a ciência é algo neutro e universal. A criação de uma categoria específica para se analisar e compreender a sociedade adveio de estudiosas feministas da década de 1970 (SAFFIOTI, 2015). O estabelecimento de uma categoria analítica surgiu em decorrência da urgência de superação do determinismo biológico relativo à utilização do termo sexo. Decorre desta compreensão a construção social de identidades, tanto de homens, quanto de mulheres. E a partir da criação do conceito de gênero surge, também, a possibilidade de desconstrução de papéis relacionados.

Nos últimos anos do século XX, a partir de estudos feministas, a compreensão de que a ciência é neutra passou a ser questionada. No caso do Brasil, as discussões acerca da categoria de gênero encontram-se marcadas pelo avanço do neoconservadorismo, sobretudo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Foi a partir do movimento feminista brasileiro que os primeiros trabalhos acadêmicos sobre a temática feminina surgiram, principalmente na

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área das Ciências Sociais. Contudo, foi com a chegada dos anos 1980, que a pressão exercida pelos grupos feministas alcançou maiores conquistas, inclusive na Assembleia Nacional Constituinte, a partir do momento em que a heterogeneidade nas relações de gênero era reafirmada, porque importava também estudar as relações sociais existentes entre os gêneros, não somente cada gênero na sua individualidade (HOFF, 2018).

Nesse sentido, neste projeto optou-se por refletir a partir da perspectiva feminista, que embasada em trabalhos que relacionam gênero e com outros estudos e conceitos, como o de espaço urbano, afirma que não pode haver neutralidade técnica ou científica possível (TAVARES, 2015; SILVA, 2003) e, logo, entende-se que há uma relação dialética de submissão reproduzida na academia. As compreensões advindas da epistemologia feminista fornecem bases para a compreensão da realidade como um todo, tendo em vista que obrigam a uma reflexão a partir de diferentes lugares, questionando, interrogando e duvidando do que já foi estabelecido pela ciência. Sobre conhecimento, Moita Lopes (2013, p. 233) assevera que

Pensar em produção de conhecimento e política ao mesmo tempo talvez seja ainda uma grande incongruência para aqueles que operam com a ideia positivista de que o pesquisador está separado do conhecimento que produz e está, como tal, a procura da verdade. [...] Mais ainda, só um pesquisador ingênuo (se tal pesquisador existe!) pode prescindir da equação de construção de conhecimento e política, principalmente se entendermos que o discurso das ciências sociais e humanas é um discurso sobre a vida social ou sobre as pessoas no mundo social (Santos, 2008). Ele é, portanto, interessado e deseja fazer alguma coisa no mundo social como ato performativo que é. Assim, entende-se que a epistemologia feminista pode ser entendida, também, como uma ferramenta, como um caminho a ser seguido que faz questionar o que é estabelecido e tido como universal na ciência e no campo científico, principalmente porque, no caso em análise, sujeitos como os que pertencem à comunidade LGBTQI+1, tiveram a sua reputação marcada negativamente e passaram a ser objeto de estudo nos discursos sociais e nos

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meios de representação de acordo com as necessidades de quem domina os meios de comunicação.

Contudo, esses indivíduos passaram a discutir com autoridades políticas e, também, intelectuais acerca de deus direitos. E nesse contexto encontra-se presente a apropriação do espaço público e também a negativa da heterossexualidade enquanto norma. A historiografia desses sujeitos carece de uma análise detalhada e a pesquisa acadêmica, a partir de sua materialidade, vai ao encontro das imagens próprias desses indivíduos. Logo, questionamentos perpassam a pesquisa aqui proposta que envolve também uma nova visão simbólica da heternormatividade, que se apresenta enquanto um “conjunto de instituições tanto linguísticas como médicas ou domésticas que produzem constantemente corpos-homem ou corpos-mulher” (PRECIADO, 2014, p. 28).

Note-se que importa que a produção científica gere sentido e para tal é importante que esteja inserida em um determinado contexto histórico e que também se encontre perceptível um mapa de sentidos no qual os indivíduos desta cultura encontrem-se insertos. Em outras palavras, uma compreensão palpável do real, na qual o discurso é encharcado de simbolismos que são entendidos por diferentes grupos.

Diante do até então exposto, não há como olvidar que a temática perpassa diferentes campos do conhecimento e é interseccional, porque o conceito de gênero se relaciona com diferentes temáticas e que podem ser associadas a diferentes marcadores sociais da diferença, como classe e raça. Nesse contexto, importa ressaltar a complexidade que envolve o campo da História e como um campo amplo abarca os diferentes debates da sociedade.

É importante evidenciar como estas temáticas, sobretudo as que envolvem gênero e sexualidades, adentram o campo da História muito em vista da impossibilidade de se desconsiderar as propriedades constitutivas dos sujeitos. A História não é um campo isolado e distante dos debates sociopolíticos e justamente por isso, diante de sua complexidade, é que se fomentam debates necessários. O processo de constituição de um campo não deve ou deveria estar distante dos debates que se colocam da arena social.

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Da mesma forma, a academia se coloca como campo necessário e importante para que tais debates ganhem destaque e se coloquem como pautas políticas e científicas a serem consideradas. O campo da História possibilita que as diferentes esferas e aspectos da sociedade se encontrem em um espaço diverso, complexo, relacional e isso se expressa na produção de conhecimento no campo. Entretanto, a amplitude dimensional do campo da História, o encontro de perspectivas, abordagens, temáticas de pesquisa e pautas em debate, traz o questionamento sobre como os debates tem sido pautados, analisados, construídos e interpretados pelos pesquisadores e pesquisadoras.

Neste interim e partir da perspectiva epistemológica aqui definida, se faz urgente a apreensão das formas como o debate sobre gênero e sexualidades tem sido assimilado pelos pesquisadores e pesquisadoras no campo da História e impresso na produção de conhecimento, especificamente a partir de teses e dissertações.

Especificamente em relação à justificativa para o desenvolvimento da presente pesquisa, tem-se que a partir de uma trajetória acadêmica que compreende o desenvolvimento regional, enquanto um indicador de qualidade de vida, em uma sociedade de profundas desigualdades sociais como a brasileira, ressalta-se a necessidade de debater questões de classe, raça e gênero. Entendendo-se por desigualdade social, a distribuição desigual de recursos socialmente valorados como renda, propriedade, escolaridade, capital político, entre outros (SCHABBACH, 2014). Sem essas questões, corre-se o perigo de recair na universalização da problemática, apagando as diferentes realidades que se apresentam como resistência e transformação a partir dos territórios que os conformam tensionando a normatividade.

A proposta aqui apresentada parte dos estudos desenvolvidos no percurso do bacharelado em Direito, do mestrado e doutorado em Desenvolvimento Regional e, mais recentemente, no pós-doutorado em Geografia. As premissas deste projeto são tomadas a partir das experiências de vida e militância em favor de pessoas LGBTQI+, ocasião em que se percebeu que: a) a produção do conhecimento é política e cheia de significados; b) a relação entre História,

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gênero e sexualidades carece de um maior aprofundamento; d) a abordagem do tema a partir da perspectiva feminista e pelo procedimento metodológico da metapesquisa se mostram profícuos para o entendimento da complexidade do fenômeno.

O tempo transcorrido durante o mestrado (2011-2013) e doutorado (2015-2019) em Desenvolvimento Regional e pós-doutorado em Geografia (2019-2020), associado à militância desta pesquisadora, advogada e mulher bissexual, foi suficiente para a percepção de que as pessoas LGBTQI+, por seu papel socialmente imposto, desenvolvem uma existência e uma historicidade muito singulares. Porém, esse mesmo tempo foi insuficiente para uma abordagem mais profunda dessa relação. Existe na verdade uma grande lacuna na academia no que diz respeito à sistematização de pesquisas que venham a desvendar a compreensão do conceito de gênero no campo do conhecimento da História. Na percepção desta pesquisadora, é somente tornando visível a diferença, ou seja, trazendo à luz da pesquisa as necessidades de todos aqueles(as) que não são levados em consideração pelo pensamento hegemônico, é que se pode almejar mudanças em direção a uma sociedade com mais justiça social, produzida de forma mais horizontal e na qual direitos se consolidem de forma efetiva.

Ao tratar do gênero, enquanto uma categoria analítica neste projeto de pesquisa, entende-se que ele é um conceito socialmente estabelecido, a partir das práticas, performances e identidades construídas, fundamentadas em um papel social assumido. O sistema de significação de gênero é relacional, mutante e individual, além de posicionamento político e dependente do lugar que cada corpo assume diante de relações sociais de poder (SCOTT, 1989; BUTLER, 2003; SAFFIOTI, 2013 e TAVARES, 2015). Nesta concepção do conceito de gênero, a construção de identidades masculina ou feminina não é inerente ao chamado sexo biológico, e sim calcado em subjetividades, em que o sujeito está em processo constante de construção (HOFF, 2018). Então, aqui trata-se o termo gênero como não necessariamente associado ao sexo biológico, mas na

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percepção de que é culturalmente construído, ou seja, “são os significados culturais assumidos pelo corpo sexuado” (BUTLER, 2003, p. 24).

A ocupação de diferentes espaços por pessoas LGBTQI+ implica ainda no entendimento de processos de exclusão espacial, nos quais a pobreza soma-se ou intensifica-se mediante à ineficiência das políticas públicas ao tentar solucionar as questões relacionadas ao gênero. Nesse sentido é importante demarcar que esta pesquisa é proposta por uma mulher bissexual ao sul do mundo, relacionando com o que é apresentado por Mignolo (2008, p. 290) sobre identidade em política ao pensar de maneira decolonial:

Todas as outras formas de pensar (ou seja, que interferem com a organização do conhecimento e da compreensão) e de agir politicamente, ou seja, formas que não são descoloniais, significam permanecer na razão imperial; ou seja, dentro da política imperial de identidades.

Refletir a partir da decolonialidade exige entender de onde se vem, de onde se fala, mas sobretudo de onde se pretende falar e quem deseja possuir como destinatário. Assim, esta proposta de pesquisa mostra-se também como uma desobediência epistêmica, que apresentada por Quijano (1992 apud MIGNOLO, 2008, p. 288), pode ser compreendida como

La crítica del paradigma europeo de la racionalidad/ modernidad es indispensable. Más aún, urgente. Pero es dudoso que el camino consista en la negación simplede todas sus categorias; en la disolución de la realidad en el discurso; en la pura negación de la idea y de la perspectiva de totalidad en el conocimiento. Lejos de esto, es necesario desprenderse de las vinculaciones de la racionalidad-modernidad con lacolonialidad, en primer término, y en definitiva con todo poder no constituido en la decision libre de gentes libres. Es la instrumentalización de la razón por el poder colonial, en primer lugar, lo que produjo paradigmas distorsionados de conocimiento y malogró las promesas liberadoras de la modernidad. La alternativa en consecuencia es clara: la destrucción de la colonialidad del poder mundial.

Assim, a partir da desobediência epistêmica, compreende-se que a elaboração do conhecimento embasado na colonialidade e em suas formas de racionalidade oprime a libertação de diferentes maneiras e com distintas formas de opressões. Por essa razão, a presente proposta de pesquisa apresenta-se

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enquanto uma desobediência epistêmica, tendo em vista quem a escreve, onde a escreve e o que se questiona.

Nesse contexto, a pesquisa propõe, enquanto recorte temporal, a análise das produções acadêmicas (dissertações e teses) produzidas a partir da criação do banco de teses e dissertações da CAPES (BTDCAPES), até os dias atuais.

OBJETIVOS

A presente pesquisa encontra-se em desenvolvimento e possui como objetivo geral, enquanto análise de produção do conhecimento, desvelar a aplicabilidade do conceito de gênero em teses e dissertações elaboradas em Programas de Pós-Graduação em História, no Brasil, evidenciando as diferentes concepções e perspectivas epistemológicas em sua apropriação.

São objetivos específicos: a) Contextualizar a produção acadêmica no campo da História a partir do conceito de gênero; b) Analisar o conceito de gênero em dissertações e teses em História no Brasil, a partir da epistemologia feminista decolonial; e c) Evidenciar a produção acadêmica discente em História sobre o conceito de gênero, a partir da epistemologia feminista decolonial.

RESULTADOS

Por se tratar de uma dissertação de mestrado em desenvolvimento, ainda não é possível apresentar os resultados obtidos, contudo, a seguir passa-se a detalhar a metodologia a ser utilizada.

Acerca da natureza metodológica da presente proposta de pesquisa, com a finalidade de se evidenciar como a categoria gênero tem sido entendida, assimilada e aplicada em teses e dissertações em História no Brasil, toma-se como pressuposto metodológico a metapesquisa. Embora o professor Jefferson Mainardes (2018) proponha a metapesquisa a partir do campo da política educacional, é possível que a mesma seja utilizada para pesquisas em outros campos do conhecimento. Segundo Mainardes (2018b), para a realização da metapesquisa é importante seguir alguns passos: 1) Definição dos propósitos da metapesquisa e da amostra; 2) Organização e sistematização da amostra; 3)

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Leitura sistemática; 4) Posicionamento epistemológico; 5) Enfoque epistemológico; 6) Argumentação (se houver); 7) Abrangência; 8) Nível de abstração; e 9) Citações.

Assim, a presente pesquisa teria como amostra as dissertações e teses construídas em Programas de Pós-Graduação em História. São trabalhos que se encontram inseridos no banco de teses e dissertações da CAPES (BTDCAPES), criado em 1987. Em uma primeira busca no Banco de Teses e Dissertações (BTDCAPES), realizada em títulos, resumos e palavras-chave, foram encontrados 895 trabalhos, sendo que 653 são dissertações e 242 são teses. Os termos utilizados na busca foram: Mulher (possui a maior quantidade de trabalhos encontrados), seguido de Feminino. Em terceiro lugar a maior quantidade de trabalhos encontrados discute Gênero e Sexualidade e, em menor quantidade, trabalhos que discutem a população LGBT (e as variações diversas da sigla).

Entende-se a partir de Mainardes (2018b) que é fundamental que o pesquisador informe o referencial teórico e os princípios éticos que orientam a sua pesquisa, por isso o motivo desta proposta ser orientada pela epistemologia feminista decolonial.

O desafio de uma metapesquisa pressupõe da pesquisadora o conhecimento prévio de diversas perspectivas epistemológicas. E a sua finalidade se concretiza a partir do objetivo de compreender como o conhecimento é produzido no campo (História) por um conjunto de pesquisadores e pesquisadoras. Essa compreensão apresentará informações importantes da situação da pesquisa no campo analisado.

A partir da leitura sistemática dos trabalhos presentes na amostra será possível traçar um perfil de quais temas foram usados nas pesquisas, quais tipos de pesquisas foram utilizados (empírica, teórica, bibliográfica) e qual perspectiva epistemológica foi adotada. Diante da identificação do posicionamento epistemológico inserido nos trabalhos estudados será possível classificar o enfoque epistemológico, quais procedimentos de pesquisa foram usados, como foi determinada a amostra. Analisando a argumentação dos trabalhos

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investigar-se-á sobre originalidade, construção de novas categorias e novas teorizações. Sobre a abrangência poder-se-á determinar se é local, regional, internacional. E acerca das citações pode-se indicar trechos relevantes dos trabalhos analisados que sintetizem a pesquisa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante da estruturação de todos os dados supramencionados será possível contribuir para pesquisas no campo da história e dos estudos de gênero, sobretudo os estudos relacionados à população LGBTQIA+. O desafio do desenvolvimento da presente proposta de pesquisa consistirá na submissão do material, levantado a partir das experiências mencionadas, à interpretação crítica. Os resultados serão apresentados em momentos oportunos, como eventos acadêmicos.

REFERÊNCIAS

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LUGONES, M. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas: Florianópolis. Set-dez. 2014.

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